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Inspirações de negócios para fugir de São Paulo: é possível criar grandes negócios em cidades de menor porte

30 de janeiro de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Nesta semana, um amigo que palestrava para empreendedores soltou uma frase que gerou risadas desconfortáveis na plateia: Estou cumprindo pena na cidade de São Paulo. Outro já havia comentado que “a vida é muito curta para morar em São Paulo”.

Mas estas percepções não são atuais em função da crise hídrica. Tudo é mais caro, mais longe, mais demorado e até mais inseguro na capital paulista se comparado à boa parte das demais cidades brasileiras. Mas por que milhões de pessoas preferem “cumprir pena” na cidade?

Porque, entre outras explicações, há um ciclo de concentração de demanda, empresas, empregos em São Paulo que “zumbiliza” muitas pessoas. Só estão na cidade em função dos seus empregos. Muitos se sentem mortos-vivos acordando de madrugada, vagando o dia inteiro no trabalho e chegando muito tarde em casa para repetir a rotina no dia seguinte.

Mas alguns empreendedores mais “vivos” preferiram viver seus sonhos de empreender (e não morrer de trabalhar) um negócio próprio em cidades de menor porte e construíram grandes modelos de negócios que podem servir como inspiração para os “working dead” paulistanos. Destas empresas, algumas lições podem ser tiradas e inspirar novos empreendedores.

-> Empreenda seu hobby e ainda construa um grande negócio! Por amor ao surf, o médico Marco Aurélio Raymundo foi morar em uma pequena cidade litorânea que não tinha nem água encanada ou energia elétrica. Como água era gelada, tentou surfar com roupas de lã. Com o óbvio fiasco, tentou outros materiais como borracha até chegar ao neoprene. Começou fazendo roupas para uso próprio, depois para os amigos, e amigos dos amigos, até que criou uma fábrica. No momento de escolher o nome, juntou as iniciais do seu apelido (Morongo) com o da sua namorada da época (Maira) e colocou um “i” a mais ficar parecido com “Hawaii”.  Se optar por empreender em uma cidade pequena, aprenda mais sobre o Dr. Morongo, a Mormaii e a relação dele e da sua empresa com a cidade de Garopaba.

-> Saiba tirar proveito da vocação local e criar um negócio líder nacional! Os mais entendidos de vinhos sabem que boa parte das garrafas consumidas no Brasil sai da Serra. Mas os experts em comércio eletrônico sabem que, na verdade, sai “de” Serra, uma cidade vizinha de Vitória no Espírito Santo. Foi nesta cidade que os amigos Rogerio Salume e Anselmo Endlich decidiram criar a Wine.com, líder brasileira no comércio eletrônico de vinhos. Eles souberam aproveitar as vantagens do porto de Vitória e a eficiente infraestrutura logística da reunião para despachar vinhos para todo o país com um nível de custo que os concorrentes não conseguem igualar. Há muito que aprender com a Wine sobre como criar negócios (online ou off-line) nacionais aproveitando a vocação regional.

-> A cidade pode ser pequena, mas seu sonho de empreender não! Faça um teste. Visite qualquer cidadezinha pelo país e diga que pretende abrir um negócio na cidade. Em poucos minutos será recebido pelo prefeito. Mas se decidir fazer isto mesmo, antes conheça mais sobre a Doce D’ocê que fica na cidade de Chopinzinho, que pelo nome diminutivo, já nasceu para ser pequena. A cidade, no interior do Paraná, tem cerca de 20 mil habitantes e o faturamento da Docê D´ocê ultrapassa os R$ 25 milhões. A empresa fundada por Neoli Bazanella e seu marido Carlos fabrica pães, salgados e outros alimentos congelados que são comprados por pequenas lanchonetes, cantinas e até padarias que assam e revendem o produto quentinho para o consumidor final. Mesmo ficando em Chopinzinho, a empresa vende para cinco estados brasileiros.

-> Dê saltos no seu negócio criando uma grande rede de franquias! A trajetória de Cleusa Maria da Silva mostra que é possível criar um negócio que vira uma rede de franquias e atinge a liderança nacional. Ex-bóia fria e morando na pequena cidade paulista de Salto, Cleusa sempre teve uma mão boa para fazer bolos como tantas outras Cleusas pelo Brasil. Mas ela acreditou no seu talento e abriu uma pequena loja na cidade. Os bolos eram tão bons que as pessoas vinham de longe, inclusive de outras cidades. O sucesso continuou a ponto de clientes começarem a pedir para abrir franquias. Atualmente a Sodiê tem mais de 115 lojas e o faturamento ultrapassa os R$ 50 milhões.

E por fim, lembre-se que você pode sair de São Paulo, mas São Paulo não sairá de você porque no fundo, todos temos esta relação de amor e ódio, admiração e desprezo, vida e morte que ainda nos mantém aqui.