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Gates, Lemann, Zuckerberg, Musk: Por que todos os principais bilionários do mundo estão investindo em educação?

10 de março de 2017

É quase meia noite. Volto do trabalho pois tinha dado aula naquela noite. Minha esposa mostra a lição de casa da nossa filha de sete anos em que a professora pediu para que os alunos desenhassem um ser vivo e ela tinha desenhado um morango. O que acha? Pergunta minha esposa. Bonito… – respondo. Não é isso. Leia o que a professora pediu… – explicou. Hum? E daí? – emendo. Um morango colhido está vivo ou morto? – questiona. Acho que está vivo ainda, mas é uma reflexão muito profunda para este horário. – respondo tentando terminar aquele assunto pois ainda precisa jantar. Vou estudar mais sobre o assunto amanhã. Diz minha esposa, não se dando por satisfeita.

Quando eu tinha sete anos (no século passado), esta resposta era fácil. Era só procurar algo na Barsa ou Enciclopédia Britânica. Além disso, a última palavra era do professor que era o detentor de todas as verdades daquele assunto. Era uma época em que Plutão era um planeta e ponto final. Um conhecimento era quase estático, passado de geração para geração. Por esta razão, as enciclopédias eram muito bem cuidadas e ficavam em lugar de destaque na sala de visitas. As pessoas tinham duas fases de aprendizado na vida. Havia uma de acúmulo e outra de utilização do aprendizado adquirido até se aposentar. Um ou outro conhecimento deveria ser resposto ou adquirido, como explica Fernando Reinach, um dos mais brilhantes pensadores brasileiros.

 

Mas agora a dinâmica do aprendizado é completamente diferente. Minha filha não deveria ir ao Google, Wikipedia, o Quora, o Reddit ou Yahoo! Respostas como fazíamos com a Barsa para encontrar a resposta certa. Só os futuros fracassados na sociedade do conhecimento pegariam este atalho. Mesmo porque, “a” resposta muitas vezes evolui ao longo do tempo (como ocorreu com Plutão) ou é contextual; e a parte mais importante é entender a lógica que sustenta aquele conhecimento para daí aprender e continuar aprendendo pelo resto da vida. Esta é e será cada vez mais a demanda de todas as pessoas, sejam crianças, adolescentes, adultos e até os aposentados.

Assim, haverá cada vez menos espaço para instituições que ensinam o conhecimento decorado, estático e fragmentado, em que se olha o futuro utilizando retrovisores. E mais oportunidades para questionar, refletir e aprender como aprender para daí desenvolver o aprendiz curioso e autônomo que desenvolve relações evolutivas entre os conhecimentos e constrói significados e aplicações que devem ser úteis ao longo da sua vida.

É neste contexto que boa parte dos melhores empreendedores ao redor do mundo está não apenas investindo, mas aumentando seus aportes em startups de educação. O Khan Academy, talvez a startup de educação mais conhecida do mundo, já recebeu aportes de Bill Gates, dos fundadores do Google, do fundador do eBay e até de Jorge Paulo Lemann. Mark Zuckerberg liderou um aporte de mais de US$ 100 milhões na AltSchool, um conceito inovador de micro escolas de ensino fundamental e foi acompanhado por diversos investidores importantes como Andreessen Horowitz, John Doerr e Laurene Jobs, viúva de Steve Jobs. Elon Musk fundou uma escola, a Ad Astra, para seus filhos e filhos dos funcionários das suas empresas. No Brasil, Jorge Paulo Lemann criou a Gera Ventures, um fundo para investir apenas em negócios de educação.

E por que estão fazendo isto? Por que a educação é o segmento que apresenta as maiores e melhores oportunidades neste século!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

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