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Futuro do empreendedorismo: Se não transformar seu problema em oportunidade será sendo o que é

30 de março de 2018

Que mundo é esse? Abra qualquer jornal, revista ou rede social e se desesperará com o futuro da humanidade. São tantas as tempestades de violência, corrupção, vilania, malignidades que nos assustam cada vez mais, mas que, por hora, cessam quando fechamos a página. Mas o vento da angustia, a depressão e o sentimento de derrota continuam a balançar nossa consciência de incapacidade. Daí construímos nossas prisões mentais e nos tornamos guardas de muralhas, atentos às rebeliões internas e os ataques externos. E nos condenamos a (sobre)viver à limitação que construímos.

Muitos falam que construímos nossas gaiolas mentais, mas cada vez mais, edificamos prisões dentro das nossas realidades negativas que se auto realizam posteriormente. Se algo pode dar errado, dará! É a Lei de Murphy, que sempre funciona para pessoas que enxergam o copo meio vazio.

Mas nesta semana em que vimos tantas notícias ruins e tomamos tantos tijolos na cara (que são úteis para construir as muralhas da nossa prisão), também discutimos o futuro do empreendedorismo com pessoas que também se questionam que mundo é esse? Mas que enxergaram nos seus problemas a grande oportunidade de derrubar barreiras geográficas, preconceituosas e culturais.

A então alta executiva de uma multinacional Tatiana Pimenta foi demitida no mesmo dia em que descobriu que seu pai foi diagnosticado com câncer. Se havia alguma coisa boa naquela situação era o tempo disponível que agora tinha e pode sair de São Paulo e retornar a sua cidade natal, Corumbá no Mato Grosso do Sul, para cuidar do seu pai.

Foi lá que percebeu a dificuldade de acesso a bons profissionais de saúde dado a distância até a capital do estado ou mesmo outros centros urbanos que são referência em câncer. Por exigência do médico, trouxe e manteve seu pai em São Paulo por quase dois meses, mas percebeu que boa parte das interações poderia ter sido feito à distância e seu pai poderia ter ficado em companhia de toda a família neste momento tão solitário de repensar toda a sua trajetória de vida.

Felizmente seu pai se curou, mas Tatiana ficou com aquele problema na cabeça pois milhares de outras pessoas também estavam vivendo a mesma situação desnecessariamente mesmo em cidades de maior porte. Este foi o primeiro tijolo que utilizou para construir o que hoje é a Vittude, sua startup de conecta profissionais da saúde (acabou se concentrando em psicólogos) com pacientes. Inspire-se na sua trajetória neste link.

Mas a tijolada da Juliana Glasser foi diferente. Já que o mundo é preconceituoso, Juliana aproveitou o próprio preconceito que sofria para não só se inserir no mercado de trabalho, mas principalmente mudar a vida de pessoas marginalizadas em prisões imensas do preconceito contra raças, gêneros, idades e deficiências físicas. De garçonete que ganhava poucos reais por dia, passou a liderar a Carambola, uma startup que desenvolve soluções digitais de última geração para empresas de todos os portes e com escritórios em São Paulo, Los Angeles e Londres, com programadores que a empresa dela mesma forma a partir de contratações concentradas em minorias marginalizadas, incluindo refugiados e deficientes com grandes restrições físicas.

Quando a empresa recebe o aplicativo, site ou sistema digital, Juliana então apresenta a equipe que o desenvolveu incentivando que a contratante também contrate o time junto. Como, em geral, há uma escassez de profissionais de tecnologia da informação e cresce o apoio à diversidade nas organizações, a empresa contratante fica feliz pois ainda consegue pagar menos já que a Carambola, neste caso, só cobra uma comissão pelo trabalho. Quer conhecer a Juliana e a sua Carambola, visite este link.

E por fim, entrevistamos In Hsieh, um descendente de chineses que é um dos principais empreendedores seriais do Brasil. Suas duas novas iniciativas, a CBIPA e a Marco Polo Ventures, conectam oportunidades de negócios em alta tecnologia entre Brasil e China. O termo “negócio da China” que sempre foi algo pejorativo, agora representa negócios de grande porte e a mais alta tecnologia de ponta do mundo em inteligência artificial, internet das coisas, ciência dos dados, automação ou qualquer outra fronteira da ciência tecnológica. Na China, o tijolo da muralha é algo tão grandioso que pode ser visto da Lua. E o mais importante para os que acreditam e vivem a Lei de Murphy. Para os chineses, crise será sempre sinônimo de oportunidade.

Aprenda mais sobre a cultura e as oportunidades dos negócios da China nesta entrevista com o In.

Neste momento de tantas ventanias, é preciso relembrar que o pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas e quem conhece Murphy se abriga em suas prisões não fazendo nada.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper