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Futuro do empreendedorismo: Para o nosso próprio bem, as inovações precisam ser cada vez mais inclusivas

23 de março de 2018

É comum a retórica de que a tecnologia elimina postos de trabalho, mas cria outros e, mais recentemente, de que será fonte de abundância para o mundo. Pode ser verdadeiro para organizações ou mesmo estudos estatísticos, mas não fale que a tecnologia trará abundância e uma vida cheia de possibilidades para um atendente de call center que está perdendo o emprego para um sistema de inteligência artificial. Dificilmente este profissional pulará para as novas vagas abertas em blockchain, IoT, Big Data ou UX.

É neste contexto de grandes dúvidas que o MIT, por meio da sua área de pesquisa Initiative on the Digital Economy (IDE), lançou o Desafio de Inovação Inclusiva que premia empreendedores que inovam para criar oportunidades econômicas para estes trabalhadores impactados pelo que vem sendo chamado de 4ª Revolução Industrial.

Neste cenário de um mundo de desemprego crescente, considere empreender negócios de Reskilling. Algo como re-aprendizado em português. Diante de drásticas e profundas mudanças, profissionais de todas as funções e setores precisam re-aprender suas funções e/ou aprender outras totalmente novas ou mesmo inéditas. Neste mercado, busque inspiração, por exemplo, na General Assembly, uma das iniciativas premiadas pelo IDE no passado.

Muitos que perderam ou perderão seus empregos verão suas rendas caírem a patamares mínimos. Se tem interesse em empreender para resolver este problema, o MIT provavelmente terá interesse em você. Neste caso, conheça o exemplo da YearUp, que conecta os talentos de jovens adultos de baixa renda à demanda por talentos das grandes empresas.

:: Nós já discutimos o futuro do empreendedorismo antes; confira ::

O acesso ao conhecimento de novas tecnologias também é um dos principais motivos do desemprego dos profissionais mais carentes. A LaunchCode, premiada pelo MIT em 2017, é uma startup que resolve justamente este problema.

E se não bastasse o conhecimento inexistente ou desatualizado exigido pelo mercado, os problemas financeiros e o acesso a novas tecnologias, boa parte dessas pessoas marginalizadas tecnologicamente não tem condições econômicas de virar o jogo. A EFL utiliza umas das tecnologias mais refinadas do mundo de big data para não só oferecer crédito, mas principalmente para incentivar seu uso de forma construtiva.

Assim, se já está empreendendo ou pensa em criar um negócio para oferecer melhores condições de trabalho e renda e acesso à novos conhecimentos para esta classe de trabalhadores impactados negativamente pela abundância de tecnologia, inscreva-se até o dia 1º de maio de 2018 na versão latino-americana do Desafio de Inovação Inclusiva. Mesmo que não vença o desafio, no final, todos ganhamos!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan. Também é coordenador de área (Pesquisa para Inovação) da FAPESP.