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Franqueador & Franqueado: uma relação bem delicada

27 de setembro de 2017

Na maioria das vezes, isso acontece porque as partes não alinham as expectativas totalmente, de forma 100% transparente e não esclarecem o que entendem por obrigação, responsabilidade ou expectativa.

Há uma diferença gritante entre “o que eu acho” e “o que é de verdade”.

Se um franqueador nunca foi franqueado antes, ele não sabe o que ser franqueado significa na vida de uma pessoa. E vice-versa! São relações nunca vividas e que precisam ser experimentadas para que se aprenda como lidar com ansiedade, desconhecimento, a promessa de que TUDO vai dar certo e mais uma montanha de sentimentos que não foram tratados durante os processos de entrevistas, enquanto franqueador e candidato à franquia estavam se escolhendo.

Cada um com suas verdades, culturas, crenças, embrulhadas no pacote para presente denominado Franquia! Só que, entre esses dois seres, somam-se famílias, equipes, fornecedores, imobiliárias, contratos, prazos, valores, esperança, e-mail, celular, whatsapp, messenger, telefone fixo, secretária, filhos ou cônjuges, ah! migos (amigos que acham que: “Ah!), economia, mercado, conselhos, corretores, manuais, palpites, regras, prazo perdido ou protelado, o documento que perdi, o contato feito sem retorno, a planilha com números mais bonitos que os da minha, o’ tudo vai dar certo de volta’, relaxa (também faz efeito, é muito dito hoje em dia).

Planejamento é a palavra de ordem para os dois que estão em busca de um bem comum: lucro com a franquia. Compartilhar este planejamento, conhecimento e reais possibilidades de concretizar o planejado, faz TODA a diferença.

Não basta mais falar, apenas, com a equipe da Franqueadora e com os atuais franqueados para saber se estão todos satisfeitos em suas atividades. Faz-se importante conhecer os fornecedores homologados e suas estruturas para tocarem uma obra, entregarem o que foi contratado no prazo, cuidarem das caixas/embalagens entregues para que não sejam devolvidas – porque não foram feitas para serem devolvidas!

Há quem justifique “mas, aceitei de volta e prometi que em 7 dias úteis eu entregaria as novas”; faz o que até lá, amigo? Chamar de “amigo/a” não alivia a tensão. Justificar não vale mais. O consumidor troca de marca ou de fornecedor na hora, num clique. Franqueado não pode. Investiu em um negócio grande para ele. E não foi só dinheiro, tempo, combustível, deslocamento, reuniões infindáveis, expectativas, sonho, conversa e aprovação da família. Depois, ao inaugurar a franquia, aparece mais um montão de coisas para fazer e resolver. Não muda muito o cenário não! Talvez, melhore, talvez, não.

Então, para que não seja tão delicada esta relação, vamos combinar tudinho antes, para não sair caro depois. Vamos querer saber a real, a verdade, o que cada um tem a oferecer ao outro e se podem arcar com estas ofertas. Na dúvida, perguntem de novo e de novo.

E “si pá”, não se escolham e virem amigos! Virá uma opção melhor para ambos e uma relação em que se complementam, co-existem.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.