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Faça o teste: o quanto você é – ou não é – empreendedor?

24 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Essa é a história do inquieto Thiago de Carvalho, de 35 anos, mestre em Ensino de Negócios pela New York University, country manager da Clinton Education e professor de empreendedorismo do Insper. Quando criança, foi diagnosticado com DDA (distúrbio de déficit de atenção) e o que poderia ter sido uma dificuldade se transformou num aprendizado de como lidar com a hiperatividade nos estudos e nos negócios.

Durante a estadia em Nova York, Thiago começou a pensar numa forma de organizar as diversas características do empreendedor. Assim surgiu a metodologia Quociente Empreendedor – ou Qemp (faça o teste gratuito clicando no link). Com a validação de especialistas em educação, ensino superior e empreendedores, hoje é uma startup que apoia o ensino de novos negócios, empreendedorismo e inovação. Confira abaixo a entrevista com Thiago.

Thiago, qual foi sua primeira experiência como empreendedor?

Quando eu estava na 7a série, em 1993, abriu uma loja que vendia computadores, perto de onde eu morava. Passei a fazer um bico lá, ajudando a montar PCs e depois eu mesmo passei a montar computadores em casa a pedido de amigos. Era uma época em que a internet tinha uns 500 sites – no mundo todo! – e a conexão era discada, com uns modens barulhentos. Eu ia de ônibus até a Santa Ifigênia e comprava as peças. Eu tinha 12 ou 13 anos, não imaginava isso como um negócio, era mais um hobby remunerado.

Agora você também é professor de empreendedorismo. Foi natural para você fazer essa escolha de carreira?

Sim e não! Eu era muito festeiro, perdi um ano da faculdade, o que me obrigou a mudar totalmente meu estilo de vida. Passei a ser um nerd, adorar bibliotecas e leitura, caso contrário não conseguiria terminar a faculdade de comunicação. Esse engajamento forçado me fez gostar tanto de aprender que depois da graduação fiz um mestrado em educação, em que pesquisei o processo de aprendizagem de empreendedores que receberam investimento de capital de risco. Também me tornei professor de empreendedorismo na mesma faculdade em que fiz uma pós-graduação em administração. Aliás, eu trabalho na Insper desde 2006, onde entrei como voluntário do centro de empreendedorismo.

E o seu lado empreendedor convive bem com o lado acadêmico?

Atualmente empreendo em uma área que me parece como um chamado. Eu me sinto extremamente confortável lidando com os desafios de quem quer abrir um negócio. É como se fosse um xadrez super sofisticado, mas não só com a matemática e a lógica desse jogo. Existe algo sem muita estrutura, que precisa ser descoberto conforme o negócio se desenvolve, especialmente algo que nasce do capital dos próprios empreendedores. Empreender hoje é diferente de empreender há 15 anos. Hoje é uma carreira. As pessoas se preparam, escolhem seguir esse caminho, hoje é possível ser empreendedor de forma organizada. Pesquisas mostram que os negócios seguintes de empreendedores tendem a durar mais que os negócios anteriores, pois empreendedores aprendem com os erros do passado.

“Para quem quer empreender no setor de educação, eu recomendo que só faça isso ao se associar com alguém da área”

Me fale do Qemp.

Em resumo, os empreendedores fazem uma avaliação online, e a ferramenta retorna uma avaliação científica dos pontos fortes e a melhorar do negócio. Não conheço nada parecido nos mercados nacional e internacional. Em cerca de 20 minutos, empreendedores recebem feedback personalizado, conseguem aprender sobre seus desafios e recebem um curso personalizado. Utilizamos esse método em startups, aceleradoras e grandes empresas interessadas em desenvolver o empreendedorismo corporativo.

São seis pilares no teste Qemp: controle e planejamento, dinâmica do mercado, aderência, perfil empreendedor, recursos e experiência. Por exemplo: é possível medir o quanto alguém controla e planeja, comparado com sua habilidade de identificar recursos ou o quanto entende da dinâmica do mercado em que atua ou planeja atuar. Além dos pilares, o teste também mede as dimensões pessoais. Ou seja, o que é dominante em relação ao projeto: inovação, análise, processos ou relacionamento.

A partir da avaliação, apresentamos objetivos de ação, adaptados conforme as respostas.

Para o empreendedor, os dias e as noites são bem diferentes do normal das pessoas. Como que você vive isso no dia a dia?

Durante uma época, cheguei a trabalhar por diversos dias das 4h às 23h. Era um trabalho intelectual pesado – montar um negócio em um setor ainda em construção -, isso significou um peso maior do que consegui carregar. Na virada de 2017 para 2018, tive diversos sintomas relacionados à síndrome do burnout. Após cerca de 10 meses de trabalho mais leve, vou lançar uma versão 2.0 do produto, o que significa que seremos, sem dúvida, a melhor ferramenta do mercado para o que ela se propõe.

Quais seriam tuas dicas aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor?

Primeiro, gostaria de passar uma dica para quem quer empreender de forma geral: se está muito difícil vender ou construir um produto ou serviço, você está no caminho errado. Pare e repense tudo o que está fazendo, inclusive se deve continuar fazendo isso. Para quem quer empreender no setor de educação, eu recomendo que só faça isso ao se associar com alguém da área. Diferentemente de setores como varejo ou alimentação, por exemplo, o setor de educação é uma área em que poucas pessoas têm experiência.

Vejo muitos empreendedores engajados nessa área, mas que não fazem ideia do que estão fazendo. A vontade e a motivação de atuar na área da educação, que é fascinante, atrapalha a percepção sobre o que sabem ou não sabem desse setor. Outra dica para quem está começando é: se você gastou cerca de R$ 50 mil ou mais para começar um negócio e sua receita ainda não paga várias contas da empresa, considere que você também pode estar no caminho errado.

“Em diversas áreas, o Brasil está atrasado cerca de 30 a 40 anos em relação aos países considerados desenvolvidos. Em outros setores, está até mais atrasado”

Qual o futuro do Brasil?

Em diversas áreas, o Brasil está atrasado cerca de 30 a 40 anos em relação aos países considerados desenvolvidos. Em outros setores, está até mais atrasado. Dessa forma, será necessária uma ou duas gerações para que tenhamos alguns indicadores de primeiro mundo. O que me preocupa é que existem carreiras que não são ensinadas em faculdades, mas ganharam uma sofisticação imensa. Por exemplo, as carreiras do crime organizado e corrupção. Por mais que em diversos outros indicadores o Brasil venha a melhorar, como renda média, mortalidade infantil, alfabetização etc., em outros setores haverá pessoas em que a única razão de existir seja a de fazer mal aos demais.

O Brasil é atrasado da forma que é por causa de 200, 300 mil pessoas. Entre eles estão os principais líderes de quadrilhas, sejam quais forem, promotores de desigualdade e insegurança. Ainda assim, o Brasil é 99,9% bom. Meu papel está em fornecer ferramentas e oportunidades para quem quer seguir a carreira de empreendedor. Faço isso há 10 anos e continuarei por mais algumas décadas, no mínimo.

Acompanhe o trabalho de Thiago (thiago@qemp.com.br) e faça o teste do empreendedorismo no site do Qemp.

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)