Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

Está faltando startups: onde estão as oportunidades para quem pensa em empreender

15 de junho de 2018

Nenhuma novidade ao constatar que “nunca na história deste País”, tivemos tantos problemas ao mesmo tempo. Mas este é o lado meio vazio do copo.

Mas há um lado meio cheio do copo. “Todo grande problema é grande oportunidade para empreender. Porque se pensar bem, se não tiver um problema, não terá uma solução e não terá um negócio. É muito simples…” – diz Vinod Khosla, co-fundador da Sun Microsystem e um dos investidores mais influentes do Vale do Silício em um dos vídeos mais populares da Universidade de Stanford. Encarado desta perspectiva, nunca houve tantas oportunidades para empreender no Brasil mesmo diante da situação de crise (que pode piorar) atual.  Esta é a lente paradoxal pela qual os empreendedores enxergam o mundo.

E as melhores oportunidades são aqueles problemas urgentes e com recursos para solucioná-los. Neste contexto, boa parte das melhores oportunidades para empreender no Brasil se concentra nas startups B2B, as que solucionam ou diminuem o impacto dos problemas das empresas privadas. É aqui que brilham startups desconhecidas do grande público como Gupy (recrutamento), FieldControl (operações), FolhaCerta (rotinas trabalhistas), MarketUp (ERP para MPEs), Nuveo (estruturação de dados), Semantix (tomada de decisão) ou Smarkets (procurement).

Por isso, se pensa em criar uma startup neste momento, comece a identificar problemas urgentes (e com orçamento) das empresas de todos os portes e setores. Entre as maiores, muitas já criaram programas em que buscam startups já apontando suas demandas. Pesquise sobre isso e considere que estas demandas também são de outras do mesmo setor ou até de outros mercados. Mas não despreze as médias empresas, um mercado quase sempre invisível já que é pouco coberta pela mídia. Nesta faixa, startups como a Omie (soluções para escritórios contábeis) cresce veloz e silenciosamente. E mesmo negócios com quase nenhum recursos como os microempreendedores individuais também oferecem grandes oportunidades. É aqui que a MEIFácil descobriu seu pote de ouro ao ajudar pessoas a abrir e gerenciar seus negócios.

O “problema” para muitos que buscam um problema corporativo para empreender é conhecer, identificar e priorizar um que represente, de fato, uma grande oportunidade de mercado já que não vivenciam ou têm uma visão apenas parcial da realidade das empresas. Isto é um desafio inclusive para os próprios colaboradores de uma organização que buscam oportunidades para inovar internamente.

Neste contexto, criei uma dinâmica que tem sido útil para ajudar (intra)empreendedores na identificação de oportunidades para empreender ou inovar corporativamente.

Na primeira parte é preciso listar todos os problemas, desafios ou desejos de um executivo, área, departamento ou da organização como um todo. Para não se alongar, peço dez itens. O que chama a atenção nesta etapa é o surgimento de demandas que podem parece triviais como “contratar melhor”, “dar um feedback ao colaborador” ou “criar um ambiente de aprendizagem contínua” mas que podem representar ótimos desafios para empreender.

Na segunda, prioriza-se os três desafios mais importantes e/ou urgentes. Por fim, para cada desafio, é preciso pensar em três soluções óbvias, inovadoras e malucas.

Entre as óbvias entram as soluções já conhecidas. Muitas delas já foram consideradas ou mesmo testadas pela empresa e já não atraem tanto a atenção. As apontadas como inovadoras, em geral, são boas ideias que precisam ser consideradas. Mas as melhores oportunidades para empreender se concentram nas ideias malucas. É aqui que entram novas lógicas para destruir conceitos antigos e já ineficazes ou para propor soluções realmente inéditas. São as que oferecem o maior nível de risco mas o de maior potencial de retorno.

O momento é oportuno para startups B2B já que mais de 50 grandes corporações estão em busca de startups…

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.