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Entre a fé e a cegueira nos negócios

23 de junho de 2016

Tem uma expressão de negócios no inglês que é “blind faith” (fé cega) que sempre achei duvidosa, pois as palavras traduzidas, de imediato, me trazem uma imagem de desnorteio e certa teimosia.

Eu, como empreendedor racional guiado pela emoção, não me deixo encantar por qualquer argumento sem contestar, por isso a tal da “fé cega” me parecia uma ideia limitada, sem muito sentido prático.

Mas, nesta semana, assisti a uma vídeo-palestra do Bernardo Ouro Preto (um dos fundadores do St Marché), depois da qual mudei meu entendimento sobre a tal da “fé cega” a partir da explicação dos significados ocultos desta frase, na cultura empreendedora americana.

Achei a explicação tão bacana que gostaria de compartilhar com você.

O Bernardo explica que, nos Estados Unidos, o termo “blind faith” simboliza a jornada de muitos empreendedores de sucesso que, depois de tomar uma decisão, de idealizar um projeto, não deixam mais espaço a dúvidas e vão até o final, mesmo passando anos de dificuldades, até comprovar sua ideia.

Veja bem, não é que a tomada de decisão é feita de forma aleatória ou irresponsável. Na verdade, para poder aplicar a “fé cega”, o preparo do empreendedor é pré-requisito fundamental, com muito pensamento racional, planilhas, projeções, estatísticas, consultas a especialistas, pesquisa de mercado, pragmatismo e tudo o mais.

Mas, existe um momento – um momento muito especial – no qual, após tomar a decisão ir em frente com o projeto, o empreendedor baixa a cabeça e começa a trabalhar, sem se deixar abalar por opiniões contrárias, por resultados negativos ou pelas dificuldades encontradas na jornada.

Ou seja, após tomar a melhor decisão, fria, calculada e estudada, ele começa a trabalhar aplicando a “fé cega” para construir a visão de negócio que ele arquitetou. É como pular de paraquedas, depois que você pulou, não tem volta atrás, e resta confiar em tudo o que você preparou.

E reforça mais ainda minha crença nas semelhanças entre os empreendedores e os aventureiros, assunto com o qual me identifico em especial e recorrente nos meus textos. Casos de sucesso nos quais a “fé cega” foi aplicada não faltam, e na verdade são mais comuns do que se pensa. Depois que o negócio deu certo, é fácil esquecer de todos aqueles que apontaram o dedo dizendo que “não ia dar certo”.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastifício Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor

 

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