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E-commerce no Brasil: tá favorável

21 de setembro de 2016

Empreender no Brasil não é tarefa fácil, ainda mais no momento político-econômico atual, em que pairam no ar muitas dúvidas e expectativas. O PIB (Produto Interno Bruto) registrou no final de junho o sexto trimestre seguido de retração, o que indica a diminuição das atividades em diversos setores da economia. Mas, como em toda crise, o melhor que o empreendedor tem a fazer, independentemente do tamanho do seu negócio ou do seu grau de experiência, é procurar saídas, inovar, encontrar soluções antes não pensadas.

Olhar o cenário e identificar setores e negócios que caminham na contramão da crise é uma boa maneira de fazer isso. E ao fazer esse exercício, um dos setores que salta aos olhos é o de comércio eletrônico. No Brasil, as vendas online representam apenas 4% de tudo o que é movimentado no varejo; parece pouco, mas esse percentual foi responsável por um faturamento de R$ 19,6 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo a Ebit. E vale dizer que os números da Ebit não contabilizam as vendas realizadas em marketplaces (shoppings online), um dos modelos de negócios que mais cresce na internet e que faturou ao menos outros R$5 bilhões no período.

É verdade que o comércio eletrônico também vem sofrendo retração – até 2014 registrava dois dígitos de crescimento ano sobre ano-, mas a curva segue ascendente – o crescimento no primeiro semestre foi de 5,2%, e a perspectiva é de que o setor encerre 2016 com faturamento 8% maior do que no ano passado.

O fato é que os motivos de crescimento do e-commerce no Brasil vão além da macroeconomia. Vivemos um momento de mudança de comportamento do consumidor. Homens e mulheres de todas as idades estão descobrindo as vantagens de comprar online. Do sofá de casa é possível pesquisar preços e produtos, compará-los, fazer a compra ali mesmo e receber o produto em pouco tempo. Ainda segundo a Ebit, no primeiro semestre 23,1 milhões de consumidores virtuais realizaram pelo menos uma compra, volume 31% maior que em 2015, fortalecido pela forte migração das vendas do varejo físico para o canal online.

O avanço da tecnologia tem garantido experiências cada vez melhores para compradores e vendedores, tornando a compra online cada vez mais prática. Pessoas que moram distantes dos grandes centros têm a oportunidade de, pela internet, adquirir todos os tipos de produtos a preços competitivos.

Aliás, a variedade de produtos disponíveis no varejo online é outro fator que impulsiona o setor. Há 21 anos, quando começaram a surgir os primeiros sites de vendas no Brasil, a oferta era quase toda voltada para itens de informática, o que também delimitava o perfil dos compradores – a maioria profissional da área de Tecnologia. Já há vários anos esse cenário mudou. No último semestre, as quatro categorias de produtos que mais cresceram em  vendas online foram: livros/assinaturas/apostilas (14%), eletrodomésticos(13%), moda e acessórios (12%), saúde/cosméticos e perfumaria (12%) (dados da Ebit).

Outro aspecto que também contribui para o crescimento do comércio online é o aumento da venda de celulares. Segundo pesquisa realizada neste ano pela Com Tech Kantar Worldpanel Brasil, 9 em cada 10 brasileiros têm celular, e destes, 57% são smartphones. Muitas pessoas estão pulando a etapa do desktop e estão acessando a internet pela primeira vez direto no celular. Cada vez mais a internet é uma ferramenta móvel.

Com todos esses ventos favoráveis para o e-commerce – mudança de comportamento do consumidor, avanço da tecnologia, ampliação da oferta e o aumento no uso de smartphones – quem é empreendedor, ou quem pretende empreender, não pode deixar de considerar a presença do seu negócio na internet. E estamos apenas no começo; as facilidades do mundo online ainda reservam muitas boas surpresas – como a “internet das coisas” – tanto para vendedores como para compradores. Mas, esse é um assunto para uma próxima coluna.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.