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Cuidados antes de empreender em franquias

20 de setembro de 2017

Ainda me deparo com os mesmos problemas enfrentados, por quem quer comprar uma franquia, e comuns há mais de 20 anos, devido ao desconhecimento e amadorismo de franqueadores e seus futuros franqueados.

Por mais informação disponível que haja em cursos e palestras, artigos e documentação acessíveis na internet ou com especialistas tête-à-tête, ainda assim há muitos riscos de se fazer o investimento em uma proposta de negócio que não se sustenta.

Orientando investidores em que negócios investir ou que franquia comprar, quando me procuram em estágio avançado de análise de Circular de Oferta e do Contrato de Franquia, fico surpresa com o tanto de problemas eles enfrentariam quando as franquias, possivelmente, não dessem certo.

Vamos aos exemplos práticos: a compra de franquia de delivery que não determina, claramente, o território de atuação e quando o faz propõe que um franqueado entre na área do outro, ou seja pode haver um território comum a dois franqueados = briga na certa; contratos incompletos, errados e circular de oferta de franquia que mais se parece com uma colcha de retalhos do que um documento exigido por lei específica; área ofertada, avaliada e aceita por um candidato prestes a pagar a taxa de franquia e locar o imóvel, quando o gerente de expansão retoma o contato 15 dias depois do aceite em comprar a franquia, para avisar que infelizmente o já franqueado de 5 unidades e com direito de preferência “resolveu” ficar com aquela área também, pois não havia sido contatado e questionando antes e quando o foi, lógico não abriu mão de seu direito = 60 dias perdidos e o recomeço, frustrado, de avaliação de nova área e pontos comerciais; Circular de Oferta sem todos os investimentos lançados para análise dos mesmos e conhecimento real de quanto será o investimento total = o capital disponível pode ser insuficiente antes de inaugurar ou para ter capital de giro; pressão para assinatura de um contrato inconsistente, leonino e com erros de digitação que qualquer professora do Ensino Fundamental chamaria o advogado para aulas de alfabetização!


Então, venho para este espaço, de novo, alertar sobre os riscos de se investir em algo que não se sabe de verdade o que é! E que, por mais que o negócio possa ser interessante e viável, o que se assina, não se apaga! Quando precisar fazer uso do contrato, este deverá ser de valia para as necessidades do lado mais fraco também, suprir o franqueado de suas prioridades no que foi combinado, vendido a ele como papel da Franqueadora.

Quando você pesquisar sobre “Os Passos para Comprar uma Franquia”, irá encontrar dezenas de artigos, cursos, muitos deles inclusive meus, mas já atendi dezenas de pessoas que, mesmo assim, parecem hipnotizadas com a possibilidade de empreender, de terem seus negócios próprios e que percebem algo estranho, que não tem liga, perguntas sem respostas, quase acreditando que depois vai melhorar ou que estão sendo um pouco “chatos e insistentes”.

Pode não haver má fé ou picaretagem, mas como empresas que pretendem repassar know how sobre um sistema de gestão de um negócio sob suas marcas, podem aceitar que os documentos que controlam e protegem esta relação possam ser tão falhos? Porque o Marketing supera o Jurídico?

Bem, não nos tem faltado exemplos de que o jurídico deve ser tão bom ou melhor que o marketing, para que não haja nem necessidade, dele, em esferas de discussões, divórcios, cisões. Que a transparência e a responsabilidade sejam a base de toda e qualquer relação pessoal e profissional, comercial!

Vamos deixar para falar sobre compliance com aqueles que sabem o significado de um termo, também, muito tratado ultimamente, mas que parece, ainda, longe da realidade de muitos gestores e que dá mais status falar do que ter a função incorporada.

Por pior que seja assumir, independentemente do tamanho das empresas, a velha máxima “depois a gente vê o que faz com isso”, sendo “isso” as falhas cometidas que farão essas empresas pagarem caro com multas, punições judiciais e com a mácula em sua reputação, levando junto suas redes de franqueados, ainda se faz cultural em nosso mercado.

Não aceite, em sua vida o “depois a gente vê isso” em nenhuma instância. Não assuma, para você, um erro ou um risco maior do que o de montar um negócio, em um lugar e com investimento bem calculado e dentro das melhores perspectivas reais de mercado. Deixe a irresponsabilidade com a falta de compliance para os que escolherem aprender com os próprios erros.

E seguimos, juntos, na rota do franchising sustentável. Bons negócios!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.