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Como conseguir dinheiro para empreender?

19 de abril de 2018


Foto: Getty Images

Para empreender é necessário ideias, contatos, pessoas, técnica e dinheiro. Muitas vezes o entusiasmo e a sorte nos ajudam a começarmos um negócio, mas sem dinheiro é sempre mais difícil e improvável que a futura empresa cresça e se desenvolva de forma sustentável. Qual a melhor opção para conseguirmos recursos financeiros?

Há algumas opções para captarmos, mas lembre-se: dinheiro no Brasil é bastante caro e escasso. Intuitivamente tendemos a imaginar que os recursos de financiamentos bancários são mais caros. Na teoria financeira, captar financiamentos é mais barato do que captar recursos de investidores. Investidores tendem a perceber mais riscos e apesar de não cobrarem juros, pedem relevantes participações societárias e exigem condições para o aporte. Além de ser mais caro, captar de investidores nos obriga a adequarmos nosso modelo de gestão de acordo com os padrões de governança exigidos.

A melhor opção de captação de recursos nem sempre é a mais barata. Para captar recursos é importante analisar os riscos envolvidos e as exigências associadas, além de avaliar qual o percentual da companhia que se está disposto a vender, bem como quanto de poder é preciso abrir mão.

Dependendo da fase de desenvolvimento que a empresa estiver, ela pode acessar diferentes investidores ou financiadores. O nível de maturidade da companhia é diretamente relacionado ao seu nível de risco, o que determina que tipo de investidor aceitaria este nível de risco e qual seria sua exigência de participação ou mesmo de rigor em termos de governança. Desta forma, quanto mais nova ou arriscada a companhia for, provavelmente maior será a participação que o investidor exigirá para investir.

Novos negócios que estão começando agora
Negócios ou projetos que estão começando tendem a ser mais arriscados por estarem ainda em fase de estruturação, em prova de conceito, em desenvolvimento de protótipos e em formação do time. Neste momento de maior risco, os investidores tenderiam a exigir participações bem altas do capital para investir, o que pode inviabilizar a captação, uma vez que os empreendedores podem perceber que não vale colocar todo seu esforço para ficar com poucas ações.

Nesta fase inicial é preferível usar recursos financeiros da reserva pessoal dos empreendedores, ou partir para captar recursos das suas famílias e dos seus amigos, especialmente dos amigos mais ricos. Muitos empreendedores até vendem seus carros ou seus bens para investir na ideia.

Outra forma interessante para captar é acessar recursos de agências de fomento públicas como a Fapesp, Finep e CNPQ. Estas agências têm geralmente linhas de apoio a empreendedores para a fase de pesquisa, mas requerem um projeto. O processo de captação costuma ser longo e um pouco burocrático, mas as linhas são de ótima qualidade e às vezes são até a fundo perdido.

A opção por fazer um financiamento coletivo
Outra opção interessante para a fase inicial são os chamados financiamentos coletivos, o que os americanos chamam de crowdfunding. Este tipo de captação se dá por intermédio de plataformas online, onde o empreendedor publica seu projeto na web e investidores diversos fazem pequenos aportes.

A ideia é que uma quantidade grande de investidores, geralmente pessoas físicas, invistam pequenos valores, mas coletivamente totalizem a necessidade de recursos que o empreendedor precisa para o seu projeto. É importante que o projeto seja bem estruturado, que mostre os objetivos a serem atingidos com os recursos e qual o retorno esperado para o investidor. As plataformas mais famosas aqui no Brasil são o Kikante, Kria e Catarse.

Outra forma de captar em fases iniciais é buscar recursos com os chamados “anjos”. Geralmente são investidores que já empreenderam ou são executivos, que além de prover recursos, se tornam mentores conselheiros dos empreendedores nos quais investem.

A idéia principal é conseguir destes anjos não só dinheiro, mas idéias, orientação na formação da empresa e até mesmo indicações de pessoas e negócios. Os anjos são investidores arrojados que assumem bastante risco, mas geralmente exigem participações altas das companhias ou dos projetos. Alguns dos principais grupos de anjos são os seguintes: Anjos do Brasil, Eqseed e a Gávea Angels. Estima-se que existam mas de cem mil investidores anjo no Brasil.

Muitos empreendedores em fase inicial costumam fazer trocas de participação acionária com o desenvolvimento de parte do projeto. Por exemplo: trocar uma parte do projeto pelo desenvolvimento de um sistema, processo, teste ou mesmo pela simples participação de um mentor importante que poderia abrir portas ou mesmo atrair futuros clientes. Os laboratórios de tecnologia, as chamadas “fábricas de sistemas”, as aceleradoras ou mesmo as incubadoras muitas vezes fazem este papel.

Como fazer quando a empresa tem um pouco mais de experiência
Uma vez que a empresa foi formada e já conseguiu uma certa tração nas vendas, as portas dos fundos de investimentos começam a se abrir. Existem diversos tipos de fundos: venture capital, growth capital e private equity. Nesta fase procure pelos fundos de venture capital pois eles que geralmente investem em empresas em fase inicial. Costumam buscar qualquer tipo de idéia inovadora, especialmente as que têm tecnologia e patentes associadas. Fatores como diferenciação, inovação e potencial de crescimento são altamente desejados por este tipo de investidor.

Apesar de arriscado, captar financiamento de bancos pode ser uma opção boa em fases iniciais das companhias. É certamente mais barato do que captar de investidores, apesar de termos que pagar compulsoriamente os juros e em algum momento o principal. O risco de começarmos a empresa com financiamentos é maior, porém, não exige alto nível de governança e o empreendedor mantem todas as suas ações.

Neste momento, as taxas de juros no Brasil estão em patamares baixos, o que pode ser bem atrativo. Porém, tome muito cuidado com os financiamentos. Procure buscar financiamentos de longo prazo, com carência de pagamento e se possível, com juros subsidiados pelos bancos estatais, como o BNDES e o Desenvolve SP. Um dos maiores impeditivos é que o banco provavelmente exigirá garantias reais. Alguns empreendedores às vezes optam por fazer um financiamento com garantia de seus imóveis, o que é geralmente uma forma mais barata de conseguir recursos, com um prazo bastante grande para o pagamento do principal.

Uma certeza: será preciso tomar dinheiro emprestado para empreender
De uma forma geral, captar recursos é algo absolutamente imprescindível para iniciar um negócio. A captação pode ser a chave para acelerar o desenvolvimento da empresa, mas pode ser um desastre se não captarmos os recursos com a linha certa, do investidor mas adequado e nas condições que realmente tragam confiança para o desenvolvimento de forma sustentável.

Procure investidores que tragam não somente dinheiro para a empresa, mas que também contribuam com outros fatores, como gestão, clientes e tecnologia. E lembre-se: quem tem que escolher o investidor são os empreendedores e não o inverso, por que no final das contas, quem empreende é quem tem paixão pelo negócio e está apostando tudo. Seja exigente com quem for se associar, pois esta relação deve ser de longo prazo e se for mal sucedida, pode comprometer o seu futuro.

Ricardo Mollo (Especial para o Estado) – É empreendedor, CEO da Brain Business School e PhD candidate na University of London.