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Com eventos simultâneos em São Paulo e São Luís, ecossistema de startups se fortalece

10 de novembro de 2014

Menta90 (Marcelo Pimenta) é professor da pós-graduação da ESPM e criador do Laboratorium

Foi com alegria redobrada que li no sábado, 08/11, o post de Vitor Andrade, gerente de operações do Startup Brasil, “Semana histórica para o Ecossistema Brasileiro de Startups”.  Redobrada pois além de ter acompanhado à distância o sucesso  do CASE (evento organizado pela ABStartups – e que teve cobertura do Blog Start), do DEMO Day do Startup Brasil e também do DEMO Latam (reunindo expoentes do Brasil, Chile, Argentina e México, entre outros), estava, junto de outras lideranças do movimento startup, preparando o terreno para o surgimento de novas startups no interior do Brasil. Se de um lado em São Paulo aconteceram eventos que colheram os frutos de anos de trabalho de uma galera que reúne centenas de pessoas, por outro, em São Luis do Maranhão, acontecia um evento que cuidava do plantio do empreendedorismo inovador nos rincões do Brasil: o UniversoIF.

O UniversoIF foi o nome dado ao espaço construído pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA) para abrigar as trilhas de jogos, startups e inovações tecnológicas que fez parte do IX CONEPPI, Congresso de Pesquisa dos Institutos Federais do Norte Nordeste. O Congresso reuniu cerca de cinco mil jovens de todo Brasil (não só do Norte e Nordeste). Nele aconteciam simultaneamente várias atividades. No Desafio de Ideias, 50 equipes tiveram a oportunidade de acelerar suas ideas através de oficinas e de mentoria de alguns expoentes do Sistema Startup de todo o país (entre eles João Kepler, da Anjos do Brasil, Tulio Severo, da Gávea Angels e Ricardo Moraes, da Grow Investimentos). Já a Mostra Tecnológica revelou resultado de pesquisa dos Núcleos de Inovação e Tecnologia de todo o país. O Planeta Play realizou concurso de jogos educativos e independentes, com patrocínio a Samsung e presença de palestrantes internacionais. A abertura do UniversoIF contou ainda com o lançamento da metodologia TREM, que busca estimular o empreendedorismo inovador e incentivar a criação de um o elo entre a pesquisa e o empreendedorismo.

O diferencial desse evento é que, por se tratar de um simpósio de cunho científico, os participantes tinham pouco ou quase nenhum conhecimento de modelo de negócios, lean startup ou outro jargão do vocabulário startup. Mas traziam descobertas e experimentos, nas mais diversas áreas, que realmente apresentam oportunidades de inovação tecnológica para problemas do Brasil “real”.

Como revela um dos mentores, Eduardo Freire, da FrameWorkGP, de Fortaleza, num post em seu Facebook, cuja imagem reproduzo abaixo.

 

Print de Post na Timeline de Eduardo Freire no Facebook

Freire, que é de Fortaleza, e fez parte do time de dez mentores, experts em suas áreas, que tiveram a oportunidade, de conhecer, compartilhar e se encantar com o que viram. Henrique Foresti foi mais um desses que foi ao Maranhão aprender e ensinar. Conhecido como “Mineiro” (pois é natural de Varginha), mora há anos em Recife onde é cientista no C.E.S.A.R e criador da plataforma-robô livre. Foresti, além de mentorar e avaliar as equipes, realizou uma oficina onde propôs aos participantes a montagem de um esqueleto do que viria a ser um robô. Assim, os estudantes puderam inserir circuitos eletrônicos em uma placa de arduíno – plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre e de placa única, projetada com um microcontrolador – e ir testando a tecnologia. “É a primeira vez que eu faço uma oficina como essa e aprendi muita coisa hoje”, comemorou a estudante do curso de Informática do IFMA, Ana Carolina Cavalcanti, de 15 anos.

Outro mentor foi Eudes Neres Jr., de São Paulo. Professor de educação física e criador do Wiki4Fit, premiada plataforma de fitness, voltou encantado em conhecer um Brasil que desconhecia. “A garra das equipes e a vontade de romper as condições em que muitos vivem foi marcante.  Reconheci minha trajetória no rosto de vários daqueles garotos que querem mudar o mundo. Plantamos várias sementinhas de empreendedorismo naqueles garotos e em breve iremos colher um ambiente mais favorável à inovação e ao desenvolvimento do país.”

Os três projetos vencedores do Desafio de Ideias mostram a diversidade de segmentos – e de regiões – onde está acontecendo a pesquisa tecnológica brasileira no ambiente técnico-educacional:

O primeiro lugar, ficou com o a equipe do professor Dr. Milson Evaldo Serafim, do IFMT de Cáceres: Enriquecimento de biocarvão com fósforo e potássio para uso na adubação de plantas. O trabalho visa reduzir o uso de fertilizantes químicos e também compensa créditos de carbono. Feito num ambiente controlado ele estimula a manter os nutrientes no solo e absorve toxinas. O segundo lugar foi um protótipo wearable, a Pulseira anti-esquecimento,   criada no IFPB, Campus Cajazeiras, que busca facilitar o trabalho de localizar objetos através de um chip geolocalizado. E a Hydrid, soluções energéticas sustentáveis, que busca ativar bombas de água por energia solar para melhorar a vida de quem mora no sertão. O projeto foi apresentado por Alexandro Vladno da Rocha, que é do Campus João Câmara, do IFRN. Outros dois projetos na área de tecnologia de alimentos (o leite de girassol e o reaproveitamento da espinha do peixe) receberam menção honrosa.

Além de ter construído pontes entre o mundo acadêmico e o mercado de startups, o Universo IF deixa também seu legado para o Estado do Amazonas, como registra o líder do movimento Startups-MA, João Silva: “Encontrar algo que ama, ajudar pessoas, resolver problemas reais e sociais podem transformar uma realizada para muito melhor. O Connepi / Universo IF trouxe ao Maranhão a certeza de que é possível transformar, juntos, nossa realidade para melhor.”

Na cerimônia de premiação: este blogueiro, o professor da equipe vencedora, a professora Natilene Brito (pró-reitora de Pesquisa do IFMA), Paulo Quirino (da unidade de novos negócios da Samsung), e as alunas da pesquisa do Biocarvão ativado – vencedora do UniversoIF. Foto da Assessoria de Comunicação do IFMA.

Concordam que não é exagero falar que o ecossistema de inovação para novas empresas se fortalece de Norte a Sul, de Leste a Oeste? Se é possível ter alegria, mesmo que redobrada, também sabemos, em meio a tanto esforços, que é preciso ajustar algumas políticas públicas em prol do estímulo ao empreendedorismo inovador. É nesse contexto que nasce o movimento Brasil + Empreendedor, tema da nossa conversa na próxima semana.