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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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A nova alma do negócio

11 de janeiro de 2018

Esqueça grandes investimentos em infraestrutura tecnológica, cronogramas de longo prazo e a obrigatoriedade de acertar. Também jogue fora a antiga máxima repetida por nossos avós de que é preciso guardar segredo para ter sucesso nos negócios. Com ela, descarte metodologias processuais ou ideias sobre produtos e serviços de capacidade e alcance limitados. E se tem receio de empreender na crise, repense.

O Brasil sempre foi reconhecido pela aptidão ao empreendedorismo muito pela característica criativa de seu povo e pelo poder de sedução que a possibilidade de ser seu próprio chefe exerce nas pessoas. Ter uma boa ideia, recursos para investir nela e um plano de negócio bem elaborado eram basicamente as condições necessárias para colocar o sonho em prática. Alguma coragem e ousadia davam o empurrão final para quem, por desejo ou necessidade, se lançava no caminho do empreendedorismo.

Tirando as características da personalidade e qualificação, todo o resto já ficou para trás. Vivemos um momento de transformação estimulado por provocações constantes e propósitos. O empreendedorismo digital está aí para nos ensinar sobre um novo jeito de tangibilizar ideias inovadoras, no qual o contexto econômico importa menos do que o potencial de escalabilidade de um produto ou a disposição de seus idealizadores para serem colaborativos.

No passado, a tecnologia era uma barreira de entrada para quem queria empreender, já que os custos para aquisição de servidores, softwares e licenças eram muito altos. Sem a tecnologia, era muito difícil atingir escala, o que limitava o crescimento das empresas. Para resolver essa questão, investia-se cada vez mais dinheiro em grandes estruturas internas, o que tornava a empreitada mais complexa se o ambiente econômico fosse desfavorável. Agora, a acessibilidade é facilitada e, mesmo que se tenha necessidade de máquinas superpotentes para fazer um processamento em inteligência artificial, por exemplo, o preço é customizado já que infraestrutura e serviços estão em nuvem.

É nesse ambiente que as startups se desenvolvem. São empresas que resolvem problemas reais, do mundo real, por meio da criação de uma solução com potencial de escala, usando a tecnologia como meio para atingir o maior número de clientes ao mesmo tempo. Para além do campo idealizador e da utilização de ferramentas tecnológicas para tocar seu projeto, esses empreendedores também se desobrigam de acertar. Eles testam hipóteses e as incrementam ao longo do tempo. Se erram, voltam a experimentar.

O planejamento continua sendo fundamental para negócios bem-sucedidos, mas os prazos encurtaram. A construção se dá ao longo do tempo justamente porque os testes aprimoram continuamente o plano inicial. Desse modo, o resultado de um projeto fica atrelado a um conjunto de sucessivas pequenas implementações que promovem um maior engajamento dos clientes. Como posso me tornar mais simples? Como posso otimizar o tempo do usuário e entregar mais e melhor? São as perguntas frequentes de um profissional cada vez mais dinâmico e realizador.

Mais do que uma simples ideia, os novos empreendedores também têm o desejo genuíno de mudar o patamar das entregas de produtos e serviços para a sociedade. Buscam agregar inovações que realmente ajudem as pessoas e estão plenamente disponíveis em colaborar uns com os outros. Querem contribuir com o ecossistema ao invés de competirem entre si. E fazem dessa mudança de paradigma o trampolim decisivo que ajuda o seu negócio e o restante da cadeia a crescer. Chegam ao ponto de combinarem soluções para produzir um terceiro produto ainda mais eficiente e completo, desprendidos daqueles segredos inconfessáveis que nossos avós acreditavam ser o diferencial para o sucesso.

É por isso que grandes empresas se aproximam desse novo modelo de se fazer e pensar negócios. É um ganha-ganha contínuo em uma quase simbiose entre o tradicional e o novo. Não por acaso, os espaços de coworking ou incubadoras de startups se multiplicam, o que é agregador para todos. Ambientes motivadores trazem inspiração para que haja transformações positivas em processos tradicionais. Alimentam o ecossistema, criam densidade e promovem ainda mais interações, tão necessárias para o desenvolvimento de novas soluções.

E se o contexto econômico é mais difícil, não há impedimento para que haja fluxo, já que a colaboração se sobrepõe à competição e a mentalidade de escassez, independentemente de o ambiente ser ou não de abundância, estimula a criatividade. Nesse sentido, o ideal é pensar soluções digitais do início ao fim do processo, o que certamente reduz os custos e torna desnecessário depender de um exército para fazê-las funcionar. Sendo assim, o valor agregado de novas ideias pode ser medido por sua capacidade de escala, quando uma mesma estrutura de suporte e operação pode multiplicar seu alcance.

Estamos falando de um ecossistema poderoso, de um novo modelo de empreendedorismo em que cada agente da cadeia tem o seu papel. Seja a incubadora, o investidor, a universidade ou quem disponibiliza o ambiente para que as interações aconteçam. Se parte de um ingrediente inesperado na receita ou de uma sacada genial, o que importa hoje é a colaboração, o investimento digital, ideias inovadoras e bons propósitos. Essa é a nova alma dos novos negócios.

Lineu Andrade é diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco e responsável pelo Cubo Itaú, maior centro de empreendedorismo da América Latina.

O empreendedor global

13 de novembro de 2017

De hoje a domingo, 35 mil eventos em 165 países comemoram a Semana Global do Empreendedorismo, a maior celebração mundial dos inovadores e criadores de emprego. A abertura estará a cargo do empreendedor serial sir Richard Branson.

Mais do que a grande mobilização em torno do tema, esta Semana do Empreendedor chama a atenção pela importância que assumiram aqueles que iniciam negócios, mesmo em países em conflito ou em crise.

O empreendedorismo é vibrante mesmo em regiões onde pode não ser esperado. Na China, ele vem promovendo uma verdadeira revolução na economia. Na Venezuela, em meio à turbulência política e econômica, o empreendedorismo está evoluindo por necessidade. Mesmo em países devastados pela guerra, como a Síria, existem bolsões de startups.

Isso prova que empreender ultrapassa diferenças políticas e geográficas: empreendedorismo de diversos países tem muito em comum, desde suas motivações a seus desafios. Um exemplo disso é o desemprego – principalmente o de jovens –, que vem sendo um motor pra iniciar negócios em quase todas as partes do mundo.

Por outro lado, em quase todos os países existe o desafio de espalhar geograficamente o empreendedorismo, que costuma ser um fenômeno urbano. A preocupação em diversas regiões é estimular o início de novos negócios em áreas e setores menos empresariais.

E, por fim, há a faca de dois gumes da tecnologia: ao mesmo tempo em que ela cria novas oportunidades de negócios e as espalha geograficamente, também está fazendo que estes novos negócios funcionem com cada vez menos trabalhadores. Ou seja, a tecnologia limita o impacto social das novas empresas.

De toda forma, a Semana Global do Empreendedor confirma o que se vem afirmando aqui nesta coluna semana após semana: os empreendedores são mais importantes do que nunca. E não importa em que idioma, nível político, regime econômico ou mesmo inclinação religiosa.

Empreender é a grande linguagem universal.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Mega campeão olímpico fala de gestão em São Paulo

6 de novembro de 2017

O campeão olímpico Michael Phelps

Michael Phelps, o atleta com mais medalhas olímpicas da história, e seu treinador Bob Bowman, vêm a São Paulo para palestrar no HSM EXPO 2017 , evento de liderança e alta performance empresarial. O tema da palestra de ambos é a busca pela excelência. A palestra de Phelps e Bowman vai ser dia 8/11 às 10 horas. O evento da HSM vai ser realizado no Transamérica Expo Center de hoje até quarta-feira.

Phelps tem 22 medalhas de ouro em olimpíadas — mais do dobro de qualquer outro atleta – e mesmo que possamos imaginar que a carreira dele foi sempre uma curva ascendente e vitoriosa, ele vai falar da trajetória pessoal, intima, cheia de dificuldades e imprevistos, altos e baixos, depressão, e drogas, como lidar com a pressão por uma constante superação de recordes. Na Olimpíada do Rio 2016, Phelps encerrou a carreira após dar a volta por cima, ganhando 5 medalhas de ouro e uma de prata.

É impossível separar a imagem de campeão de Phelps do seu treinador Bob Bowman. Ele é o grande arquiteto da carreira do atleta, e conta da descoberta do garoto comum de 11 anos, com déficit de atenção, e que se tornou uma celebridade aos 16 anos ao bater o recorde mundial. Bowman aborda o seu método de trabalho de 5 etapas e de como adaptá-lo aos negócios:

1.     1. Estabelecer metas

2.     2. Visualizar

3.     3. Preparar-se para todos os cenários

4.     4. Manter o foco mesmo com resultados ruins

5.     5. Treinar

Os convidados do evento são todos muito interessantes. Ao longo dos três dias se revezam Monja Coen, Joanna Barsh, Amy Cuddy, Adam Grant, Jack Welch, José Gallo, Salim Ismail, Chip Conley, Nassim Taleb, Stelleo Tolda, entre outros.

Ingressos? Um dia custa R$ 3.675,30 e o pacote de 3 dias a bagatela de R$ 7.990,00

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

A nova Sicília empreendedora

23 de outubro de 2017

Estou na metade do meu giro na Sicilia, dando a volta nesta ilha cheia de história, mezzo férias com toda a família e mezzo trabalho, bem do jeito que eu gosto. Coloquei especial foco em conhecer as pequenas cidades e os pequenos produtores de alimentos, e tenho observado com curiosidade e interesse a dinâmica do pequeno empreendedor da ilha. Nas pequenas cidades, a minha primeira impressão é que praticamente todos são donos de algum negócio, estabelecidos há gerações: o dono da padaria, o dono do laticínio, o dono do restaurante, e assim por diante. Os funcionários do negócio são basicamente a própria família.

Giuseppe Occhipinti, preparando queijos DOP em Ragusa

Eu fiquei imaginando que isso pode ter um lado bom e um lado ruim. O lado bom é que os filhos já nascem com uma certa garantia de trabalho, no negócio da família, e não precisam construir um negócio do zero. Pode ser bastante confortante, e mesmo que pareça estranho para muitos de nós, é algo muito comum aqui – e na Europa em geral. O lado ruim é que existe muito pouco espaço para novos empreendedores ou, pelo menos, para empreender fora da área de atuação daquela família. A demanda de trabalho e serviços nas cidades pequenas é escassa, são povoados que não tem turismo, e por isso é tão comum, numa família grande muitos filhos migrarem em busca de oportunidades na cidade grande, ou em outros países. Me parece que é muito similar com o que acontece nas cidades pequenas do interior do Brasil.

Ao mesmo tempo, fui impactado pela descoberta de uma outra Sicília, de pensamento moderno, uma galera que eu defino na vanguarda da gastronomia, conectada com o mundo, atuando de forma a valorizar a terra e o conhecimento ancestral. Este pessoal não está mais pensando no mercado local, e sim no mercado mundial, e mesmo que pareça óbvio, não é fácil encontrar um lugar no mundo competitivo da gastronomia, e eles estão conseguindo. Ao encontrar novas soluções de se apresentar no mercado, agregando valor ao trabalho local, estão criando um modelo de prosperidade a ser seguido pelos novos jovens empreendedores da ilha.

No meio das montanhas, as azeitonas da Calaforno


Agrobiologica Calaforno Angelica
(www.locandaangelica.it).
No meio das montanhas, no qual cheguei através de um caminho sinuoso de difícil acesso, nos recebe Salvatore Angelica, jovem empreendedor de 25 anos que é o “guardião” de mais de 7 mil oliveiras “soltas” nos vales ao redor. A paisagem milenar, silenciosa, com muitas pedras e com oliveiras enormes, contrasta com o que vejo ao entrar no edifício de manipulação e produção: é um laboratório, máquinas novas, tudo extremamente limpo, organizado, amplo (eu, que sou um apreciador dos métodos de produção artesanal, fiquei emocionado), unindo a última tecnologia a um dos rituais mais antigos da humanidade: colher azeitonas na mão e prensar para extrair o azeite. Salvatore me mostra a diferença entre os vários tipos de azeitonas, e como as cores de suas azeitonas são 100% naturais, sem corantes. Descemos no deposito onde são feitas a salmouras em temperatura controlada, tudo impecável. Acima de tudo, Salvatore mostra o orgulho da terra, do produto que ele faz e conhece a fundo. Mas com uma visão agressiva de apostar no mercado internacional através dos selos da produção biológica.

Nossa visita à Chocolate Sabadi

Chocolate Sabadi (www.sabadi.it). Conheci este pessoal na feira Summer Fancy Food em New York, e agora pude finalmente conhecer a pequena e moderna fábrica bio-artesanal em Módica. Esta cidade é reconhecida no mundo todo pelos chocolates trabalhados a baixa temperatura, o que traz um paladar único e os torna muito mais saudáveis. Como reinventar a roda do chocolate? Pois aqui um jovem empreendedor chamado Simone Sabaini está mostrando como se faz, através da comunicação inteligente, com um packaging cheio de bom humor e personalidade. O slogan da empresa é “slowliving” (que pode ser traduzido como “viver lentamente” fazendo alusão ao “slow food”). É bom destacar que a Sabadi tem 5 prêmios consecutivos de melhor chocolate de Módica – o que não é pouca coisa – e trabalha com selos orgânicos e bios. Como o Simone diz, viver na Sicília é uma escolha, e desta pequena cidade no interior, e com uma pequena equipe, os chocolates vão para o mundo todo!

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Sobre férias e o que queremos ensinar aos nossos filhos

16 de outubro de 2017

Escrevo de Ragusa, cidade mais do que adorável da Sicília, onde estou em férias com a família. Por que escolhi a Sicília para férias? Confesso para vocês: foi o trabalho.

Como empreendedor, não consigo separar a vida familiar da vida empresarial. Faço questão de que os dois aspectos andem colados: minha vida familiar, meus valores, minhas vivencias e necessidades pautam muito do que faço nos negócios. E vice-versa.

E assim é com minhas férias.

O ponto de partida de minha viagem familiar foi um convite de Salvatore Lialli e seu filho, Angelo, donos do Molino di Ragusa, ancestral, que produz sêmolas e farinhas de alta qualidade. Conheci-os numa feira já faz uns bons 12 anos, quando o Plastifico Primo era apenas um sonho ainda a ser realizado. O Angelo, que quando o conheci devia ter uns 15 ou 16 anos e já acompanhava o pai nas exposições de trabalho, hoje é um jovem empreendedor agrícola procurando seu próprio caminho, e cultiva o valioso açafrão (o verdadeiro) e outras frutas e legumes orgânicos.

Quando decidi aceitar o convite deles para conhecer o moinho e o trabalho que fazem, vi aparecer a oportunidade para, mais uma vez, aliar a busca do aprimoramento empresarial e vivencia pessoal. A combinação perfeita de trabalho e diversão, nosso lema de vida. Assim, decidimos alugar um motor home e dar a volta na ilha, visitando produtores, pesquisando – e comendo! – a gastronomia local, que é uma das mais inspiradoras do mundo. E jogando conversa fora com os sicilianos, que são maravilhosos.

É nossa primeira vez nesta que é uma ilha carregada da história do mediterrâneo, palco de muitas disputas que moldaram sua paisagem e sua cultura. E estamos encantados. A ideia do motor home surgiu de uma brincadeira de que a gente queria conhecer pelo menos dez cidades, e lógico que isso significava ficar abrindo e fechando malas pelo menos dez vezes – e trabalho dobrado com crianças. Assim, apenas desembarcamos nos instalamos na nossa casinha rodante e “andiamo via” no hotel sobre rodas.

Entre paisagens de perder o fôlego e ruínas milenares, temos aproveitado para ensinar aos nossos filhos sobre a origem de coisas que lhes são familiares como o azeite de oliva (foto acima), a farinha, o queijo, o presunto. Temos visitado produtores locais, conhecido sua rotina, acompanhado seu trabalho – e suas dificuldades, e o sorriso de felicidade, o orgulho quando falam de seus produtos. E tento, com isso, mostrar aos meus filhos que tudo de bom que se come tem, por trás, pessoas, trabalho duro, suor e dedicação.

Se, ao crescer, eles não quiserem seguir o caminho da gastronomia, que ao menos saibam reconhecer o valor do trabalho alheio. Como fazem nossos clientes.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Estamos formando profissionais paras as empresas do passado ou do futuro?

13 de outubro de 2017

Quase todos concordam que há muitas novas profissões surgindo e que as atuais sofrerão grande impacto nos próximos anos. A discordância está na projeção. A Manpower, uma das maiores empresas de gestão de pessoas do mundo, diz que 65% das funções que serão executadas por aqueles que são adolescentes agora ainda não foram criadas. O Institute for the Future (IFTF), instituição que pesquisa o futuro há décadas, é ainda mais agressivo. Aponta que 85% das atividades profissionais que estarão sendo executadas em 2030 ainda não existem atualmente. A McKinsey, uma das principais consultorias de gestão do mundo, afirma que, pelo menos 60% de todas as ocupações atuais sofrerão impactos com o uso de diversas tecnologias exponenciais combinadas. Disso tudo, uma necessidade: você precisará ser empreendedor de si mesmo para encarar as mudanças como oportunidades e não ameaças.

Entretanto, estas pessoas irão trabalhar em que tipo de empresa? Uma parte desta resposta já existe agora. Não só no Brasil, mas em boa parte dos outros países, os jovens querem trabalhar na sua empresa. Daí criar startups inovadoras é o novo sonho desta geração. Empreender seu negócio próprio é o desejo de dois a cada três jovens brasileiros aponta uma pesquisa recente da Firjan. Isto já vinha sendo apontado por várias outras pesquisas anteriores. Pode ser romantismo, ingenuidade ou desconhecimento do que é criar um negócio próprio, mas os jovens e adolescentes querem empreender. Mais do que criar um negócio, empreender para estes jovens, mesmo que sejam como intraempreendedores (empreendedores dentro de uma organização), é a oportunidade para serem protagonistas dos seus futuros.

Mas mesmo que as pesquisas do interesse dos jovens e adolescentes em empreender estejam (muito) erradas e não se confirmem, a parcela excludente irá trabalhar em empresas já constituídas. As organizações atuais serão as mesmas do futuro? Como imagina uma instituição financeira, uma empresa de bens de consumo, uma varejista ou um escritório de arquitetura nos próximos anos?

Uma pesquisa apresentada por Pierre Nanterme, principal executivo da Accenture, outra empresa entre as mais respeitadas consultorias do mundo, aponta que a questão digital é a principal razão de quase metade das maiores empresas que estavam na Fortune 500 sumirem do ranking desde o ano 2000. Por isso, a “dica” de Luca Cavalcanti, diretor executivo do Bradesco, é bastante efetiva: “Quando seu chefe está falando sobre um tópico digital, e você não está, você está atrasado no jogo”.

A questão digital não impacta apenas profissionais especializados e grandes empresas intensivas no uso de tecnologia. Ela está criando grandes disrupções em todas as atividades profissionais e mercados. Muitos não percebem, mas milhares de atendentes de call centers estão sendo substituídos por soluções de inteligência artificial, big data e machine learning. Mas contadores, administradores, médicos, advogados, engenheiros, professores ou qualquer outra profissão tradicional também.

No mesmo evento (World Economic Forum) em que Nanterme da Accenture explicou o impacto da questão digital, outro líder empresarial, Marc Benioff, CEO e fundador da Salesforce, defendeu que, diante destas drásticas mudanças, a necessidade urgente de países e empresas terem uma espécie de ministro ou diretor do futuro. Alguém que olhe exclusivamente para as mudanças e disrupções que estão por vir nos próximos anos ou décadas e prepare as bases da sua organização para chegar lá. Não é possível dirigir algo em direção ao futuro olhando o retrovisor!

Por isso, neste momento em que empresas, universidades, faculdades e escolas estão planejando o próximo ano, uma pergunta poderia fazer parte deste processo: estamos formando profissionais paras as empresas do passado ou do futuro?

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação e consultor dos programas InovaBra do Bradesco e Inova+Startups da Cyrela Commercial Properties (CCP).

O momento do empreendedor

10 de outubro de 2017

Eventos discutirão assuntos e terão atividades que vão ajudar o empreendedor em suas rotinas

Nas próximas semanas serão realizados em São Paulo dois dos mais importantes eventos de – e para – empreendedores. Um fato importante a ser destacado é que ambos eventos contam com suporte de grandes meios de comunicação. Na minha opinião isso demonstra a relevância que os empreendedores representam como noticia, na economia, e também como os empreendedores precisam cada vez mais de qualidade de informação para aprimorar a formação.

Dias 19, 20 e 21 de outubro:

O Festival de Cultura Empreendedora é um evento conjunto da PEGN, Época Negócios e Valor Econômico e está sendo chamado de FLIP do empreendedorismo (uma alusão ao conceituado Festival Literário de Parati), por juntar makers, geeks, artistas, investidores, historiadores, educadores e muitos empreendedores de vários países. Ah, e também está prometida uma “batalha das startups” disputando investidores-anjo. Serão as START WARS? Parece divertido. Em sua primeira edição, vai ocupar os galpões da CO.W. Berrini.

Pode ir com a família também, pois haverá atividades para crianças e adolescentes. Confere mais no link https://www.culturaempreendedorafest.com/

Dias 26, 27 e 28 de outubro:

A Semana Pró-PME é organizada pelo Estadão e vai convidar grandes empresários a debater, em três dias de palestras e mesas- redondas, o futuro do empreendedorismo, apresentar as jornadas de sucesso (e fracasso), marketing, finanças, gestão e inovação. Ainda como reforço, do dia 23 ao 28 o Estadão PME vai publicar reportagens especiais com dicas para pequenos e médios empresários. O evento ainda vai ter mentorias, possibilitando bate-papo com empreendedores renomados, business games, e networking, pois o evento é todo focado em trocas e compartilhamento e oportunidades reais de negócios. O evento vai ocorrer no Unibes Cultural, na Rua Oscar Freire 2500. Inscrições no link https://www.eventbrite.com.br/e/estadao-semana-pro-pme-tickets-36953575138

Estou torcendo que estes eventos sejam um sinal definitivo da retomada da economia e, acima de tudo, a volta da valorização do empreendedorismo no Brasil.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Se não houver espaço para o erro, não haverá espaço para a inovação

15 de setembro de 2017

O CEO de uma grande empresa na qual presto consultoria reuniu centenas de colaboradores e explicou que para inovar para a empresa, eles poderiam cometer erros. Ninguém entendeu muito bem o que aquilo significava já que, erros, tradicionalmente, sempre são punidos nas organizações. Mas só nas organizações míopes. Nas visionárias, o erro, desde que cometido na tentativa de melhorar, não é apenas tolerado, mas até incentivado. David Packard, cofundador da HP, costumava dizer que se você não está errando, provavelmente não está inovando. E esta reflexão precisa acender uma lâmpada na cabeça das pessoas e organizações que querem, verdadeiramente, inovar.

Mostre-me uma pessoa que nunca cometeu um erro, e eu mostrarei a você uma pessoa que nunca fez nada de relevante na vida.”- explicava William Rosenberg, fundador da Dunkin’ Donuts.

Por esta razão tão óbvia, empresas realmente comprometidas com a inovação, encaram o erro e fracasso como parte do processo do aprendizado organizacional. O Google permite que seus colaboradores utilizem parte do tempo de trabalho em projetos pessoais e incentiva objetivos ambiciosos para que, mesmo não atingindo 100% do resultado, sejam valorizados pela bravura em buscar algo realmente visionário.

Mas nas empresas tradicionais, o funcionário ainda teme fracassar e ser desligado da companhia por isso. E estão certos! São empregados para exercer uma função como qualquer outro ativo da organização que busca a eficiência, e se não entregar os resultados esperados, são descartados na escuridão das incertezas.

Mas há muito tempo, em diversos segmentos, ser eficiente já não é mais uma vantagem competitiva tanto para o empregado como para a empresa. Agora, empresas estão sendo pressionadas a inovar. E a inovação pressupõe espaço para os bons erros e fracassos.

Mas esta valorização do bom fracasso não é nova. “Não tenha medo de errar. Mas certifique de não cometer o mesmo erro duas vezes.” Esta era a recomendação de Akio Morita, co-fundador da Sony para todos na sua empresa. Ele gostava que todos falassem abertamente sobre seus fracassos para que apenas erros novos fossem cometidos. “Em todo o tempo que estive na empresa, eu consigo lembrar de pouquíssimas pessoas que eu gostaria de ter demitido pelos erros cometidos.” – recorda em sua biografia. “Falhas e erros de cálculo são humanos e algo normal, e analisando no longo prazo, isto não prejudicou a empresa. Mas se uma pessoa que cometer um erro é condenada e desprestigiada, ela poderá perder sua motivação pelo resto da sua passagem pela empresa, privando a companhia de qualquer coisa construtiva que poderia oferecer. Se a causa do erro for esclarecida e divulgada, a pessoa não esquecerá e outros não cometerão a mesma falha. Por isso, eu digo ao nosso pessoal: Vá em frente e faça o que acha que é correto. Se errar, aprenderá com isso”.

Assim, se estiver atuando em uma organização que diz que quer inovar, mas percebe que não há incentivos ou mesmo tolerância aos fracassos, continue não cometendo erros e manterá o seu emprego até alguém mais inovador apagar a luz.

Porém, se há espaço para bons erros para quem busca verdadeiramente inovar, paradoxalmente, nunca irá fracassar: “Eu nunca fracassei. Só descobri dez mil alternativas que não funcionaram…” – dizia o maior inovador de todos os tempos, Thomas Edison, o responsável pela tal lâmpada que ilumina os caminhos da inovação.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Combinação mágica: food + design

4 de setembro de 2017

Vira e mexe me pedem indicações de cursos de alta performance com foco em empreendedores da gastronomia.

Pois agora em outubro começa um curso inédito no Brasil, e que vale a pena recomendar: o Food Design do IED – Istituto Europeo di Design São Paulo.

A proposta de imediato me atraiu: o estudo dos processos que geram alto valor agregado no negócio de alimentação. Isso significa, entre alguns dos pontos abordados no curso, percorrer a gestão, o mercado, o consumidor, o produto, a embalagem, a marca, as mídias, a logística, as ferramentas, etc. O Food Design tem como objetivo alinhar todos estes vetores em um sistema holístico e eficiente. E, o mais importante, transformar tudo isso num negócio produtivo e rentável.

Entrevistei o coordenador do curso, o argentino Christian Ullmann, que tem um currículo de alto nível: formado em Desenho Industrial pela Facultad de Arquitectura, Diseño y Urbanismo de la Universidad de Buenos Aires, na Argentina. Atua como designer, consultor e coordenador de projetos no Brasil para empresas, governos e instituições desde 1996, e seus produtos e projetos receberam prêmios na Itália, Espanha, Brasil e Argentina. É coordenador do Núcleo Exploratório de Design do Istituto Europeu di Design desde 2015.

Christian afirma – e concordo com ele – que “desenhar um alimento significa tornar o ato de comer mais completo, saberes e sabores se amalgamam em relação a uma perspectiva sociológica, antropológica, econômica, cultural e multissensorial”.  Os professores convidados são uma atração à parte, pois trazem a experiência acumulada ao longo de muitos anos e tem a capacidade de resumir isso aos alunos.

O curso tem duração de um ano, com aulas nos finais de semana alternados, o que permite que profissionais atuantes, pessoas que trabalham, ou de fora de São Paulo, possam participar, e um módulo final em Barcelona. Resumo:

Cultura alimento e Design – Conhecimento dos aspectos culturais relacionados ao ato de se alimentar e introdução das ferramentas do Design para um pensamento crítico deste universo.

Tecnologia e Negócios – Desde a visão do Pensamento de Design: pesquisa e desenvolvimento de estratégias para negócios gastronômicos, de grande ou pequena escala, bem como o desenvolvimento de acessórios e complementos.

Projeto : Food Design Experience – Aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, observando oportunidades de mercado e desenvolvimento de serviços.

Módulo internacional- ampliar o conhecimento do Food Design em um contexto europeu, com práticas consolidadas. Desta forma, o aluno traz o conhecimento de práticas assertivas ao seu projeto, em um processo de benchmarking. A sede escolhida foi Barcelona por misturar elementos da cozinha francesa, espanhola, mediterrânea com Turismo, Arte e Hospitalidade de forma contemporânea. Barcelona se tornou um ponto de referência internacional para o universo do design, alimentos, gastronomia, turismo e eventos.

O Istituto Europeo di Design foi inaugurado em 1966, na Itália, e se apoia na síntese do pensamento do seu fundador Francesco Morelli: “saber e saber fazer”. Nada mais apropriado para um empreendedor. Para saber mais detalhes, confere o link.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Empreendedor 10%: viva seu sonho de empreender sem deixar o emprego

1 de setembro de 2017

Este é o intrigante título do livro escrito por Patrick McGinnis, empreendedor e investidor-anjo, e um dos principais destaques do Congresso de Investimento Anjo da Anjos do Brasil deste ano. Ele criou um conceito muito simples e eficaz para quem sempre sonhou em empreender um negócio próprio e, por vários motivos, não pode viver seu projeto pessoal.

Em uma das entrevistas que deu à Escola de Negócios de Wharton, McGinnis conta como formulou este conceito para si próprio: “Eu era aquele sujeito que andava tateando pelo quarto escuro em busca de uma luz para minha vida. ” Ele tinha um bom emprego, ganhava bem, mas buscava um algo a mais que não sabia exatamente o que era. A partir deste incômodo, começou a pensar em uma lógica em que pudesse vivenciar novas experiências na carreira sem precisar largar seu emprego, afinal, gostava do que fazia, apesar de não se sentir plenamente realizado.


Conversando com outros amigos e conhecidos, descobriu que muitos tinham este mesmo dilema. “Sempre quis ter um restaurante ou algo parecido. Aí, param e pensam. Seria incrível, mas eu tenho um bom trabalho. Estou fazendo algo que gosto. Não vou desistir de tudo para viver na montanha russa de ser empreendedor”
, relembra.

Formado em economia, começou a raciocinar sobre quanto tempo deveria investir para encontrar esta tal luz da sua vida. Começou com 20% e logo percebeu que era muito tempo. A partir das suas experimentações, chegou à conclusão de 10% era uma proporção ideal. Entendeu que havia muitos executivos mantinham suas carreiras mas costumavam investir 10% do seu patrimônio em novos negócios. Assim, podiam vivenciar e apostar no seu sonho pessoal que também era o mesmo de outros empreendedores, que, estes sim, dedicavam-se integralmente ao negócio. Outros, em vez de dinheiro, investiam 10% seu tempo atuando como conselheiros e mentores de novos empreendedores. Era uma forma de experimentar viver o seu sonho pessoal ajudando outros que estavam tornando-o realidade.

Mas a barreira mental para se tornar um Empreendedor 10% é o sentimento de pequenez que aflige muitos. “Eu quase não tenho patrimônio pessoal. Como investir 10% de quase nada?” É fato que muitas pessoas têm muito pouco capital para investir mesmo que apenas 10% deste valor já que julgam este montante irrisório. Mas há um outro fato que constata que empreendedores demandam pouco capital para iniciar um negócio, daí o sucesso de muitas iniciativas de microcrédito não só no Brasil, mas em todo o mundo. E mesmo que não tenha dinheiro ou não queira investi-lo neste primeiro momento, sempre terá um pouco de tempo para ajudar empreendedores.

Esta é a função de mentoria que cresce exponencialmente no Brasil (e no mundo). Ser mentor de uma startup é, para muitos, até um sinônimo de status profissional. Mas aqui pode surgir, de novo, o seu eu pequeno: Mas eu não tenho conhecimento para ajudar ou orientar um empreendedor. Mesmo sendo muito jovem e com quase ou nenhum conhecimento de negócio, você ajudar negócios, por exemplo, que estão lidando com jovens como você. Cada vez mais as startups utilizam lógicas de design centrado no usuário, design thinking, lean startup. Todas elas, ter a visão do cliente não é apenas valiosa, é obrigatória para ter sucesso. A mesma lógica vale para o profissional já aposentado que se sente “velho”. Além de conseguir orientar empreendedores que lidam com este mesmo público, ainda pode contribuir com todo o conhecimento profissional e rede de contatos que construiu durante sua vida profissional.

Se ficou interessado em se tornar um Empreendedor 10%, talvez, a próxima dúvida seja como encontrar empreendedores e startups para investir e/ou orientar. Isto pode estar mais próximo do que imagina, pois, seus amigos, conhecidos, amigos de amigos e conhecidos de conhecidos já estão, provavelmente, empreendendo ou pensando em criar um negócio próprio. Entre em contato com a faculdade em que se formou ou outra que esteja mais próximo, entenda se há algum centro ou núcleo de empreendedorismo ou mesmo professores de empreendedorismo. Agende um bate-papo e voluntarie-se para ajudar. No Insper, por exemplo, temos um programa de mentores e uma iniciativa de investidores-anjo.

Participe de eventos de empreendedorismo. Há inúmeros ao redor do país como Startup Weekends, hackatons, demo days, meetups e conheça os hubs de empreendedorismo como o Google Campus, Cubo, Oxigênio e inúmeros coworkings que se espalham pelo Brasil.

Acompanhe o trabalho de organizações que apoiam o empreendedor inovador no Brasil como a Endeavor, Artemísia e Junior Achievement. Todas trabalham com programa de mentoria para empreendedores.

Por fim, conheça iniciativas de grande porte para lidar com interessados em ser mentores como o do Inovativa Brasil e investidores-anjo como a Anjos do Brasil.

Se começar a participar deste ecossistema do empreendedorismo brasileiro, descobrirá que quanto mais ajuda, mais será ajudado. Que quanto mais se ensina, mais se aprende. Que quanto mais vive o seu sonho (por mais romântico que isto seja), maior e mais real ele se tornará. No final, entenderá que não se trata de 10%, mas de 110% de você.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper