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Blog do Empreendedor
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As pessoas estão começando a se perder (e perder) no Linkedin

24 de fevereiro de 2017

Reid Hoffman, criador do Linkedin

Linkedin é uma rede social para profissionais fundada por um empreendedor profissional que poucos conhecem, justamente… por seu profissionalismo. Ele organiza, mas sai, discretamente, antes da festa acabar. Por isso, quando Reid Hoffman (pouco) fala, boa parte dos melhores empreendedores desta nova geração, escuta.

“Facebook é como o churrasco que você faz no seu quintal com seus amigos e familiares, brincando, jogando e compartilhando fotos. Linkedin é o escritório, é como você se atualiza e resolve seus desafios profissionais”,  diz, comparando a empresa do qual foi um dos primeiros investidores (sim, ele investiu no Facebook) com a empresa que fundou.

Talvez poucos sejam tão genuinamente do Vale do Silício quando Hoffmann, pois ele nasceu em Palo Alto, pequena e mais importante cidade da região e estudou na Universidade de Stanford (que fica na cidade), trabalhou na Apple, investiu no Friendster, uma das primeiras redes sociais a atingir milhões de usuários e aprendeu a empreender fundando a sua própria startup, a SocialNet em 1997. Três anos depois, devido a problemas com os sócios e com o desempenho da Socialnet, ele saiu da empresa que tinha fundado para se tornar diretor de operações da Confinity, uma startup fundada por Peter Thiel, que tentava oferecer um serviço de pagamento por meio do Palm Top (lembra-se do assistentes pessoal?). Meses depois, a Confinity se juntaria a X.com, fundada por outro empreendedor desconhecido na época chamado Elon Musk, para se tornar o PayPal. Quando o PayPal foi adquirido pelo eBay em 2002 por US$ 1,5 bilhão, Hoffman ficou milionário.

Enquanto seus amigos de startup (que passou a ser conhecido como PayPal Mafia) compravam Ferraris e Porshes, Hoffman preferiu tirar duas semanas de férias para cruzar a Austrália. Mas já na primeira semana, teve uma ideia que o fez desistir da viagem e voltar para casa. Mesmo sendo época de Natal, ele e alguns amigos que tinham trabalhado no Socialnet e Paypal começaram a trabalhar na sala de estar da casa de Hoffman no final de 2002. Meses depois, como uma versão beta nas mãos, convidaram 350 amigos para testar o sistema. No final do mês já havia quatro mil utilizando o Linkedin, que terminou o ano com 81 mil usuários. Era um crescimento espantoso para uma rede social especializada em reunir apenas profissionais e executivos. Oito anos depois, já com 100 milhões de usuários em todo o mundo, o Linkedin abriu o seu capital, atingindo o valor de US$ 9 bilhões.

E o que mais impressionava os novos investidores era o modelo de negócio bem consolidado e a operação bem gerida do Linkedin, que continuou a crescer exponencialmente. Em receita, o Linkedin passou de US$ 522 milhões em 2011, ano do IPO, para quase US$ 3 bilhões em 2015. O serviço passou a ser cada vez mais respeitado não só pelos usuários, que atingiu cerca de 500 milhões de profissionais cadastrados no final de 2016, como também por empresas contratantes que respondem por 65% das receitas totais do Linkedin. Na rede social fundada por Hoffman só aparecia a melhor parte de cada profissional. “Ninguém se preocupa em quem está saindo com quem no Linkedin…” – afirmava.

Por todo este sucesso, o Linkedin sempre foi objeto de desejo de quase todas as outras grandes empresas de tecnologia. Ninguém, nem mesmo a Microsoft, conseguia ter esta relação de confiança, admiração e profissionalismo com uma quantidade tão grande de executivos ao redor do mundo. Do estagiário ao CEO das menores às maiores empresas, todos estavam no Linkedin. Justamente por este posicionamento, a empresa de Bill Gates pagou US$ 26 bilhões em 2016 (ou quase três vezes o valor do Linkedin no seu IPO) para adquirir a rede social profissional criada na sala de estar da casa do Reid Hoffman.

Finalmente, com vários anos de atraso, a Microsoft conseguia ter o seu próprio Facebook. E isto ficou muito mais claro quando o Linkedin, já sob a direção da gigante de Redmond, anunciou agora, em janeiro de 2017, uma drástica mudança no seu layout, interação com o conteúdo gerado pelos usuários e integração com seu aplicativo.

Se por um lado, os resultados foram imediatos com o aumento do uso do aplicativo, do número de postagens e interações com o conteúdo, por outro, o Linkedin vem se transformando em um Facebook já que os “profissionais” estão se perdendo em seu amadorismo, seja na viralização de raízes/nutellas, nas frases de efeito motivacionais, nas discussões raivosas e comentários ásperos ou nos erros conceituais grosseiros quando entram em debates em áreas que desconhecem.

Muitos recrutadores que utilizam as redes sociais para contratar costumavam dizer que uma pessoa era contratada pelo seu Linkedin mas perdia sua vaga pelo seu Facebook.  O Linkedin está deixando de ser aquele escritório em que você aprende e lida com desafios profissionais. Mas também não está se tornando aquele churrasco com família e amigos. Para isto, há o WhatsApp.

Infelizmente, está se tornando aquele final de festa da firma quando todos os profissionais já foram dormir porque precisam trabalhar no dia seguinte.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Inovação também se faz lendo

23 de fevereiro de 2017

Inovar é preciso. Para um empreendedor essa é uma afirmação intrigante, afinal, empreender implica em inovar sempre, mas como fazer isso? Numa definição simples, há diversos tipos de inovação, por exemplo: incremental: que contribui para melhorar produtos, serviços ou processos já existentes; disruptiva: geralmente ligada à criação de novos modelos de negócios; radical ou revolucionária: normalmente relacionada à criação de novas tecnologias.

Para quem quer inovar, um bom começo é buscar conhecimento, tanto do seu segmento de negócio – mercado, concorrentes, etc – como do próprio tema inovação. Diante disso, a proposta aqui é trazer sugestões de livros que contribuam para o conhecimento sobre inovação e também instiguem os leitores a buscarem por novas formas de inovar.

O livro “O Dilema da Inovação” (no original  “The Innovator’s Dilemma”) de Clay Christensen é um clássico de 1997 que apresenta a inovação disruptiva como aquela que pode tomar de assalto uma indústria quando os líderes de mercado não a valorizam a tempo. Os exemplos do livro já não são tão atuais, mas são muito verdadeiros. Na área da tecnologia, por exemplo, uma empresa que não entende as mudanças de hábito pode ser facilmente ultrapassada. A Nokia viveu isso na pele; a empresa criou um protótipo com a tecnologia touchscreen muito antes da Apple, porém não o colocou no mercado por acreditar que a melhor estratégia não era lançar um produto novo, mas atender à crescente demanda por celulares comuns que existia na época.

Outra indicação de leitura muito interessante sobre inovação é “Os Inovadores” (no original  ”The Innovators”) de Walter Isaacson – escritor da biografia de Steve Jobs e Benjamin Franklin, entre outros. Nesta obra ele apresenta uma “biografia” da inovação, tomando por base a história de vários inovadores que na prática fizeram a revolução digital. A partir do século 19, Isaacson faz referência às primeiras tentativas de se criar automação, máquinas de cálculos e tarefas repetitivas até a história da computação como nós a conhecemos. O livro destaca não apenas o trabalho individual de cada inovador, mas como suas ideias colaboraram umas com as outras ao longo do tempo. São contadas histórias bem sucedidas e também exemplos de fracassos. Nesses casos, um padrão comum são empresas que não souberam traduzir seus conceitos em produtos com apelo de mercado.

Esses são apenas dois exemplos de leituras inspiradoras para quem deseja inovar. É claro que para lançar e gerenciar um negócio não é essencial ler esse tipo de literatura, mas ela é válida pois nos faz refletir. É possível extrair também ideias práticas para aplicação no próprio negócio. Não se trata de copiar ou se basear inteiramente na experiência alheia, mas, observar aquilo que há de mais importante para ser aplicado em sua própria realidade.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

O que os ambulantes podem ensinar sobre negócios neste carnaval

20 de fevereiro de 2017

Nesta época da ano cidades como São Paulo ficam tomadas pelos blocos de carnaval – goste-se da folia ou não.

Eu particularmente me encanto com os blocos espontâneos, esses que surgem e crescem por iniciativa de tribos para diversão, e sem patrocínios interesseiros de cervejarias. À volta destes bloquinhos, costumo ver orbitando muitos ambulantes indo e vindo e vendendo todo tipo de coisa. Principalmente bebidas, é claro. Mas já vi vendedores de cintos e relógios, de redes, de mel, e até de colheres de pau.

Fiquei refletindo sobre as dificuldades de viver e depender do comércio ambulante de rua, e enumerei algumas das situações quotidianas que este pessoal deve superar para poder ganhar algum dinheiro, e que resumem alguns dos traços que considero o bê-a-bá de um empreendedor:

1. Informação. Tem que fazer uma pesquisa de mercado. O ambulante tem que saber antecipadamente onde vai haver movimento, e para isso deve usar sua rede de contatos, jornal, internet e boatos. Com base nessas informações vai escolher em qual bloco vai apostar suas fichas.

2. Produto. Se o bloquinho é infantil, mais água e suco. Para os adultos, cerveja. Se é de noite, mais cachaça e energéticos. Também pode segmentar, com fantasias, máscaras, acessórios. Imagino que vender apenas cerveja é ter certeza de concorrência plena e pouca margem de mexer no preço.

3. Ponto. Escolher corretamente o local onde se posicionar é uma decisão que pode determinar o sucesso ou o fracasso da empreitada. Imagino que deve ser inteligente evitar conflitos com outros ambulantes na briga por um ponto. Afinal, a informalidade do negócio o deixa mais suscetível a atuação da criminalidade, extorsão e violência. Se a gente lembrar que o carnaval dura poucos dias, é ainda mais angustiante pensar no prejuízo que deve ser “errar o ponto”.

4. Logística. Deve ser pensado como levar o estoque, chegar antes da hora de bloquear o transito. Trazer gelo, distribuir isopores, trabalhar com uma equipe de vendas pode potencializar o ganho. Quem tem uma Kombi de apoio tem maior capacidade de estoque e uma base para repor, porém, se o evento não vender bem, ou se chover, por exemplo, pode sobrar muito estoque.

5. Marketing. Cartaz, preço, discurso de venda, abordagem correta para cada público-alvo é fundamental. O pessoal sabe disso muito bem, e se adapta a cada ocasião. Saber se diferenciar da concorrência, um pouco além do produto, é uma demonstração de inteligência. Seja por um grito de guerra, ou por uma roupa diferente, ou uma bandeira.

6. Negócios complementares. O recolhimento de latinhas é um destes negócios agregados que ocorrem de forma quase natural. Se percebe que o pessoal é profissional quando aproveita todo o ecossistema e ao lado do isopor já tem um saco grande para ir coletando latinhas. Gosto destes.

7. Promoções. Saber a hora de acabar com o estoque, para voltar mais leve para casa. Se fizer a promoção cedo demais, termina o estoque antes do tempo e perde dinheiro. Se ficar por último, vai demorar mais a vender depois que passa o momento de auge.

8. Atendimento e Serviço. Isso é algo muito pessoal, não é? Imagino que para um ambulante deva ser difícil fidelizar clientes numa festa de rua, onde todos os fatores estão se mexendo o tempo todo. Mas posso afirmar, como consumidor de cerveja de isopor, que uma simpatia básica, objetividade, troco e – principalmente – cerveja bem gelada, fazem que eu tente comprar sempre do mesmo ambulante. É evidente, observando a tensão e a seriedade nos rostos de todos os ambulantes, que esta vida não é moleza não. Grande erro, quem pensa que é fácil.

A informalidade cobra um alto preço, precisa de grande esforço físico, e uma boa dose de sorte – da chuva, do calor, da fiscalização, do público. É provável que 99% dos ambulantes nunca façam qualquer análise formal – como as enumeradas acima – para tomar as decisões do dia a dia. Mas isso não quer dizer que não o façam de forma intuitiva, ou através de tentativa e erro e finalmente sistematizando as ações que dão certo, e passando o aprendizado adiante. O importante é que funcione. E, como sempre, independentemente do tamanho do negócio, são sempre estes mesmos fatores que definem quem se dá bem e quem se dá mal.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve nas segundas feiras. Gostaria de fazer uma pergunta, um comentário? Sugerir um assunto? Envie seu email para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Não está faltando nada no Canvas do Modelo de Negócio?

17 de fevereiro de 2017

Alexander Osterwalder, criador do Canvas

Dez entre dez empreendedores preferem o Canvas. Desde que foi lançado em 2009, a variação comercial da tese de doutorado do suíço Alexander Osterwalder se tornou leitura obrigatória para qualquer empreendedor ao redor do mundo que quer criar algo inovador, apesar de achar que a maioria das pessoas só deu uma olhada nas 72 páginas que ele e seu orientador, Yves Pigneur, co-autor do best-seller Business Model Canvas, disponibilizam no site do livro.

De qualquer forma, o Canvas se tornou onipresente em qualquer situação que envolva empreendedorismo e inovação. Muitos pegaram carona no sucesso de Osterwalder e Pigneur se autoentitulando “especialistas” em Canvas do Modelo de Negócio dando consultoria, cursos, palestras, workshops com o famigerado exemplo do Nespresso e até criando suas próprias variações para projetos, planejamento pessoal e inovação. Além dos autores e da 3M com seus Post-its, estes especialistas ganharam muito dinheiro a ponto de saturar o mercado e transformar o Canvas em algo até caricata nos dias atuais. Tente mostrar seu Canvas para um investidor e veja a sua reação de: Não… de novo não…

Mas mesmo com os excessos, o trabalho de Osterwader é brilhante e deveria ser mais conhecido, em especial pelos mestrandos e doutorandos de cursos relacionados a negócios. Destaque para seu objetivo inicial em desenvolver algo que não apenas fosse útil para as organizações, mas que de fato, fosse amplamente utilizado por elas. Outro ponto a favor foi o método de pesquisa, Design Science, pouco conhecido no Brasil, mas muito útil para desenvolver soluções validáveis para problemas relevantes. Além disso, depois de ter defendido a tese, Osterwalder pediu para as pessoas lessem o seu trabalho e propusessem críticas, comentários e sugestões. Quase 500 pessoas de 45 países toparam e o trabalho e ele e seu orientador receberam milhares de sugestões de revisões. Por fim, Osterwalder convidou o designer Alan Smith para transformar as informações da sua tese revisada em algo visualmente muito atrativo. Estas ações explicam, em parte, o enorme sucesso que o livro atingiu desde o seu primeiro dia de vendas. A outra parte da explicação é que a ferramenta apresentada no livro é praticamente intuitiva, facilitando assim o surgimento de milhares de “especialistas” de Canvas apenas com uma passada de olhos no texto, figuras e frameworks.

Alardeado como a solução infalível para os desafios de inovação de qualquer empreendedor ou executivo, o Canvas do Modelo de Negócio aparecia vitorioso frente ao combalido plano de negócio. Mas poucos percebiam que o Canvas em si também era um plano de negócio. Mais interativo sim, mas uma ferramenta de planejamento que gerava um documento “plano” onde era mostrado o que se pretendia fazer.

Mas mesmo com o excesso na divulgação do Canvas, o resultado final quase sempre não era algo tão inovador. Quantos aplicativos de fila de balada foram criados nos Canvas? E quantos facebooks disso ou daquilo foram vislumbrados? Sem contar os inúmeros ubers de cerveja, babá, professor e até, pasmem, de abraços.

Isto incomodava até os próprios autores que, em 2014, lançaram o Value Proposition Design, um novo livro com um novo canvas, agora focado apenas na parte central do Canvas do Modelo de Negócio, a proposta de valor. Novamente, palmas para Ostwerwalder. Novo acerto em transformar conceitos muito complexos como Job to be Done em uma ferramenta simples, direta e intuitiva: O menos conhecido, mas poderoso Canvas da Proposta de Valor.

Mas mesmo acreditando na utilidade dos dois canvas, eu ainda ficava incomodado com a frequência da afirmação de vários empreendedores: Tenho uma startup inovadora, logo não tenho concorrentes. Eu sempre avisava que o sujeito era um gênio ou um idiota, mas começaria achando-o(a) um(a) gênio(a) antes dele(a) apresentar sua ideia de negócio. Em 100% dos casos, o gênio não aparecia ou a genialidade desaparecia. Se a startup resolve um problema e isto é real, o potencial cliente está tentando resolver sua necessidade de alguma forma neste momento. Além da concorrência que existia sim, ainda havia as forças “ocultas” de mercado. Quem já tem um negócio pode citar inúmeras forças de mercado, começando pelas políticas, econômicas, sociais e tecnologias. E em alguns casos, as forças legais e ambientais também atrapalham ou mesmo inviabilizam o negócio. Além disso, ainda faltava definir em quais tendências a startup iria surfar. Não há negócio que cresça rapidamente sem estar vinculado a uma ou mais tendências. E por fim era preciso pensar nas otimizações possíveis para aumentar as entradas de caixa e reduzir as saídas. Muitos empresários até acham graça quando contam as gambiarras que fizeram para economizar ou gerar mais renda no início dos seus negócios.

Só fiquei um pouco mais satisfeito quando inclui estas quatro partes que acho que podem trazer o modelo de negócio daquele empreendedor inovador que não tem concorrência para o mundo real, duro e desleal dos negócios.

 

Se tiver interesse em entender esta versão ampliada do Canvas do Modelo de Negócio, visite este link e bons negócios!

 

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper e Coordenador de Área em Pesquisa para Inovação da FAPESP

De onde vem o otimismo do comércio online?

15 de fevereiro de 2017

Já há alguns anos os resultados do e-commerce no Brasil mostram esse setor na contramão da crise pela qual vem passando o país, principalmente nos últimos três anos. E isso é fato. Mesmo com alguns players registrando uma margem de crescimento menor, o comércio online está entre os poucos segmentos que seguem avançando. Mas, afinal, o que move esse motor?

Além dos grandes e-commerces há também milhares de micro, pequenos e médios empreendedores que fazem essa roda girar e que, segundo pesquisa realizada pelo Sebrae e pela E-Commerce Brasil em 2016, representam 90% das lojas em atividade. Uma importante parcela representada por típicos brasileiros que não desistem nunca; homens e mulheres determinados a fazerem seus negócios darem certo. A atuação desses empreendedores no marketplace mercadolivre.com é muito representativa e, por isso, já há três anos realizamos uma pesquisa, em parceria com o IBOPE Conecta, para conhecer seus resultados e perspectivas sobre os negócios online que realizam dentro e fora da nossa plataforma.

Desde 2015, primeiro ano da pesquisa, a maioria se mostra otimista. Na edição 2017, realizada no mês passado, dos 512 empreendedores MPMEs (Micro, Pequenas e Médias empresas) entrevistados em todo o Brasil, 77% declararam haver crescido suas vendas online em 2016, registrando um aumento médio de 41% frente a 2015. Outros 20% afirmaram não haver registrado crescimento e 3% não souberam responder. Sobre as perspectivas para 2017, 94% dos entrevistados esperam crescer seus negócios online a uma média de 35%.

Até mesmo a confiança desses empreendedores no país está acima da média da população brasileira. Enquanto o índice de Confiança Social medido pelo IBOPE está em 50 pontos, o dos vendedores online entrevistados alcançou 73 pontos. Esse “Índice de Confiança Social” é um estudo contínuo realizado pelo IBOPE. Por meio de pesquisa quantitativa, com questionário aplicado face a face, o instituto realiza um cálculo que gera um índice padronizado sobre o grau de confiança do brasileiro frente às instituições, organizações, pessoas e grupos sociais do país. Este foi o primeiro ano que essa pesquisa com os empreendedores online levantou essa questão. As expectativas são boas também quando o assunto é novas contratações. Ao contrário do ano anterior, os empreendedores se mostram mais dispostos a aumentar suas equipes em 2017. Na pesquisa realizada no início de 2016, 37% planejavam realizar contratações – percentual que passa para 48% nas expectativas para este ano. A parcela de entrevistados que não pretendia contratar em 2016 (27%) passa, em 2017, para 20%. As que não sabem responder passam de 37% para 32%.  Apesar disso, as equipes se mantêm pequenas: 59% possuem até três funcionários; 9%, de quatro a cinco; 8%, mais de seis; e 25% são empresários que trabalham sozinhos.

Enfim, olhando esses números não é difícil responder à pergunta proposta no título deste artigo: De onde vem o otimismo do comércio online? Da energia e da garra dos micro, pequenos e médios empreendedores brasileiros que atuam no setor, sem sombra de dúvida. Que outros setores se contagiem!

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

O que a cultura startup pode ensinar às corporações

15 de fevereiro de 2017

Marcelo Pimenta, especial para O Estado de S.Paulo

Muitas startups estão dominando os mercados em que atuam. Uber, Netflix, YouTube, Facebook, AirBnb, DropBox são alguns exemplos de empresas que deixaram para trás empresas tradicionais como as cooperativas de táxi, emissoras de TV, conglomerados de mídias, grandes redes de hotéis e datacenters.  Isso significa que todas as grandes empresas vão desaparecer? Não necessariamente. Existem várias companhias globais como Nestlé, Unilever, GE e brasileiras como Natura, Bradesco, Itaú que estão decididas a incorporar as melhores práticas das startups no seu modelo de gestão, de forma a sustentar sua posição de liderança. Algumas dessas práticas são características da cultura das melhores startups e podem inspirar todos os negócios:

- Equipes enxutas – Jeff Bezos, lendário fundador da Amazon, conta que para executar qualquer projeto forma uma equipe do tamanho máximo de duas pizzas que possam alimentá-los. Isso mesmo, não há um número definido, mas é um número de pessoas que fica entre 5 e 9 pessoas, não mais que isso. E estamos falando de projetos muitas vezes grandiosos como conceber uma nova versão do Kindle.

- Estrutura horizontal – Menos hierarquia, maior autonomia e velocidade na tomada de decisão. Revise estruturas formadas por departamentos, gerências, diretorias, superintendências, vice-presidências…  O NuBank é um exemplo disso. Lá os times são organizados em “squads” (ou pelotões, em português), que tem entre 10 e 50 pessoas, e devem resolver todos os seus problemas internamente. Por exemplo, a área de análise de crédito é formada por analistas financeiros, designers, programadores, marqueteiros, tudo que trata de análise de crédito é resolvido ali, não precisa pedir nada para outros departamentos.

- Valorização de profissionais com carreira em T – Cada vez existe menos espaço para profissionais super especializados. O perfil do novo profissional não é nem apenas um generalista nem um especialista. Como mostra essa imagem publicada pela IBM.

É preciso que o profissional tenha uma abrangência de conhecimento sobre vários assuntos mas tenha uma profundidade em um, que faça com que ele seja reconhecido como expert em determinando assunto.

- “Experimentar é o novo planejar” – A consagrada revista Fast Company lançou este artigo em 2012 – “Experimentation in the new planning”. É como se fosse um manifesto pró-experimentação. Em um mundo em que o número de variáveis é cada vez maior, o controle sobre as coisas é cada vez menor e as mudanças são cada vez mais disruptivas, melhor do que ficar planejando, planejando, planejando é planejar rápido e testar o quanto antes. Pois esse teste vai gerar muito aprendizado e trazer poderosos insights para que você possa executar com maior confiabilidade. O Lean Startup bebe dessa fonte. Assim como o mestre Steve Blank, que ensina que “não existem fatos dentro de casa”.

- Não ter medo de errar – Não há como fazer algo realmente novo sem errar. Ninguém faz nada pela primeira vez e acerta. Por isso é preciso que você abrace a cultura da prototipação e consiga aprender com os erros. Aqui é importante que se diga: não se deve confundir erro com negligência, incompetência, desleixo, preguiça. Você deve fazer o seu melhor, tentando acertar. E estar preparado para eventuais erros. Também é bom deixar claro que, muitas vezes, você precisa de um ambiente controlado para errar. Não é aceitável que um médico erre numa cirurgia nem um ator não saiba o texto numa grande estreia – é preciso aprender a criar situações onde o erro é permitido.

- Criar um ambiente de trabalho maravilhoso – Muitos profissionais vão passar a maior parte de  sua vida adulta dentro de um escritório. Não há motivos para que esse ambiente seja insalubre, escuro, chato, desinteressante. Por isso empresas como o Google criam espaços coloridos como esse abaixo, de uma reportagem da Charllote Maganize que destaca os ambientes criativos criados pelas startups. Neles são oferecidos além de espaços de trabalho, locais para alimentação, esporte, lazer. Claro que isso muitas vezes só é possível em grandes empresas, mas mesmo em pequenos espaços assim como em coworkings é possível criar um ambiente bacana para se trabalhar.

– Liderança criativa – Não há mais espaço para o chefe autoritário e mandão. É preciso desenvolver e cultivar um novo estilo de liderança tão comprometido com os resultados quanto com o bem-estar de sua equipe. Que seja capaz de usar o pensamento sistêmico e a liderança para fazer acontecer  (já escrevi sobre esse tema aqui).

- Propósito em resolver problemas – Talvez o mais importante deles. Criar negócios que resolvam problemas reais das pessoas. O AirBnb é um sucesso pois permite que os viajantes tenham experiências incríveis em todo o mundo, fugindo da impessoalidade dos hotéis. O DropBox facilita a vida deixando acessíveis os arquivos onde quer que você esteja. O Uber nos livrou do monopólio dos táxis. Todas essas empresas cresceram e se tornaram bilionárias, pois se dedicaram a criar um modelo que melhora a vida de seus usuários – e não porque buscaram o lucro como principal objetivo.

Se você tem um negócio e não deseja ser atropelado por uma startup, considere incorporar essas práticas em seu estilo de gestão. Muito da sobrevivência de seu negócio pode passar por aí.

Marcelo Pimenta é jornalista, empreendedor e mentor de startups e negócios inovadores, professor da ESPM e criador do blog www.mentalidades.com.br

 

Empreendedor de si mesmo: Da Brasilândia para Harvard

10 de fevereiro de 2017

A Disneylândia é uma terra de fantasia, mas a Brasilândia é a terra da realidade. Na terra de Walt Disney, seu sonho se realiza. Mas na terra do jovem Gilmar Cintra, seu sonho se torna estatística. Uma triste estatística.

Mas estatísticas tristes também podem contar belas histórias que merecem ser celebradas porque todos nós, queiramos ou não, somos Brasilândia.

Uma das coisas mais legais das mesas redondas é que a pessoa mais importante presente não fica na cabeceira, e neste caso, nem mesa havia. Mas lá estava eu na “mesa redonda” organizada pela Prefeitura de São Paulo no último Campus Party. Quase do meu lado, o secretário de Trabalho e Empreendedorismo da cidade, Eliseu Gabriel, entre outras autoridades municipais e mais sete jovens que estavam desenvolvendo projetos para melhorar a cidade de São Paulo. Um aplicativo de monitoramento de árvores, uma solução de gestão de atendimento jurídico para pessoas de baixa renda, uma plataforma de orientação de carreira para jovens e um rapaz magrinho com uma camiseta de Harvard que falava da sua solução de comunicação para pessoas que sofrem de paralisia.

Explico que trabalho no Insper e o jovem da camiseta, com o ar um pouco tímido, fala para os presentes: “Eu precisava de um dinheiro para comprar um kit Arduino… daí o professor Vinicius Licks, que é do Insper, não é?… tira 800 reais e me dá… acho que ele não sabe como isto mudou a minha vida…”

Quando termina o evento, vou lá pedir para tirar uma foto com o rapaz para enviar para o meu amigo e também para entender como ele conheceu o Licks. Meio sem jeito, Gilmar Cintra conta que nasceu e ainda mora na Brasilândia, um bairro da periferia da cidade de São Paulo. Explica que os jovens da região não sonham já que lidam uma com uma dura realidade desde que nascem. Mas ele se achava estranhamente diferente dos seus colegas. Quando criança era fanático pela série O Mundo de Beakman e sonhava em ser cientista. As pessoas que o conheciam riam do seu sonho. Estudar, virar cientista? Para alguém que vive na Brasilândia?

Com muito esforço, anos depois, Gilmar passou em ciência da computação em uma faculdade privada da Zona Norte de São Paulo. Não era o que queria, pois sempre sonhou em estudar na USP, mas pelo menos estava estudando. E aí sua mãe falece… Sua principal apoiadora não veria seu cientista da Brasilândia se formar…

Mas mesmo em algum outro lugar, ela continuou apoiando seu filho. Com era funcionária pública, Gilmar passou a receber uma pequena pensão que dava para custear a faculdade ou… para pagar um cursinho para tentar entrar na USP. O que uma mãe que acredita no filho aconselharia?

Gilmar foi fazer o cursinho e passou na USP, mas em meteorologia, uma das últimas opções que escolheu. Em vez de se abater, ficou feliz, pois pelo menos, tinha entrado em uma instituição que quase ninguém da sua região tinha sequer tentado prestar. Para ganhar uns trocados, se tornou monitor de experimentos científicos da universidade e logo depois, arranjou um emprego na AsterDomus, uma curiosa empresa que tem um planetário inflável itinerante. Com isso, conheceu várias cidades brasileiras e aprofundou seus conhecimentos em ciências. Enquanto isso tentava chegar mais próximo do seu sonho. Até que pouco tempo depois, conseguiu ser transferido para o tão aguardado curso de Ciência da Computação da Universidade de São Paulo.

Quando atingiu o seu sonho, colocou na cabeça que gostaria ir para Harvard. Como ainda precisa terminar a graduação, o mais próximo que conseguiu foi um emprego no escritório da universidade em São Paulo, onde trabalha atualmente.

Mas, pelo menos, já conseguiu ir até aos Estados Unidos. O pessoal do escritório brasileiro se mobilizou. Jason Dyett, o chefe do escritório brasileiro da época, pediu para que sua mãe hospedasse Gilmar lá e o jovem cientista sonhador da Brasilândia foi para Harvard, tocar o sapato da estátua de John Harvard, uma tradição dos alunos da universidade em busca de boa sorte.

Aquela conversa com conversa com o Gilmar estava sendo a melhor coisa que tinha me acontecido nos últimos meses diante de tantas, tantas notícias ruins do Brasil que recebemos todos os dias. Em meio a tanta corrupção, decapitações, desemprego, havia alguém na Brasilândia que mostrava que, apesar de tudo, continuava sonhando. Mas precisava ir embora em função de outro compromisso…. É uma pena que haja tão poucos que têm a coragem de empreender a si mesmos como o Gilmar. – pensei. É uma triste estatística em nossas brasilândias.

E Gilmar, agora falava com mais coragem do seu novo sonho: fazer doutorado no MIT.

Neste momento lembrei de que a Brasilândia e a Disneylândia coexistem em nós. “Todos os nossos sonhos podem se tornar realidade – se tivermos a coragem de persegui-los”. – dizia Walt Disney.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Segurança online: faz bem para os negócios

8 de fevereiro de 2017

O Dia Internacional da Internet Segura, celebrado essa semana, é uma data lembrada em vários países para destacar os avanços da tecnologia voltada para a segurança no uso da rede e disseminar hábitos que, se adotados pelos usuários, podem contribuir para aumentar a segurança durante a navegação.

Houve um tempo em que navegar na internet era algo pouco habitual e, por isso, gerava dúvidas e inseguranças em muitas pessoas. Apesar desse tempo não estar assim tão distante – a internet comercial no Brasil tem pouco mais de 20 anos – essa percepção já é bastante antiga. Ao longo dos anos, a tecnologia voltada para a segurança na rede evoluiu imensamente.

Uma pesquisa realizada pelo IBOPE Conecta, a pedido do Mercado Livre, ouviu 512 empreendedores online MPMEs (Micro, Pequenas e Médias empresas) em todo Brasil sobre os resultados do e-commerce no ano passado (2016) e as expectativas para este ano. A maior parte (79%) acredita que o e-commerce crescerá em média 25% no Brasil em 2017. Entre os principais motivos para esse crescimento, segundo 76% desses entrevistados, está o aumento da percepção de segurança nas compras online por parte dos compradores

Um outro estudo, realizado também neste ano pela empresa de tecnologia financeira Mercado Pago, com 543 internautas, comprovou que os empreendedores estão seguindo a pista certa. O levantamento revelou um comprador mais conectado, 85% deles já utilizam o celular para acessar a internet – crescimento de 10 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior -, e adaptado às práticas de segurança na rede. O uso de antivírus já é costume para 76% dos entrevistados e 68% responderam que também observam se um site é seguro ao acessá-lo, ou seja, se possui a sequência “https://” antes da url da página.

Considerando que segurança é o valor número um para o público online, o empreendedor tem o dever de deixá-lo 100% confortável, navegando pelas páginas do seu site. A relação de confiança precisa ser estabelecida já na home page da loja, onde o consumidor deve comprovar facilmente a transparência e a seriedade da marca. Exibir selos e certificados de segurança, apresentar endereço físico e razão social da empresa e disponibilizar diferentes canais de atendimento são apenas alguns itens que tornam o laço e-commerce-cliente mais forte ao primeiro olhar e que aumentam o potencial de conversão e fidelização.

Avançando nas alternativas para o empreendedor, uma das práticas que cresceram no gosto do consumidor é o uso de dispositivos de autenticação conhecidos como tokens. A utilização desses recursos entre os entrevistados da pesquisa do Mercado Pago subiu de 30%, no ano passado, para 44% em 2017. O mesmo estudo apontou que 73% dos entrevistados têm o cuidado de utilizar um meio de pagamento de confiança ao comprar pela internet. Incrementar a operação da sua loja online com essas ferramentas agrega valor à marca.

Além disso, também é possível – e aconselhável – ir mais longe. Vale disseminar essas boas práticas sempre que possível. O seu cliente com certeza vai entender rapidamente que está tratando com uma empresa na qual ele pode confiar.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

 

A China se prepara para liderar o empreendedorismo no mundo

30 de janeiro de 2017

Desde a reforma que a abriu ao mundo, há 30 anos, a China não para de surpreender. Em setembro de 2014 o Premier Li Kequiang falou na abertura do Summer Davos (Davos de Verão) e, no seu discurso, ele mencionou pela primeira vez o conceito de “Empreendedorismo de Massa”. E este pessoal não brincou em serviço. Em apenas 2 anos, e apesar da crise mundial, o Empreendedorismo de Massa chinês se transformou de tendência, em uma força econômica que está mobilizando a desburocratização da administração pública, passando pela eficiência do sistema de financiamento de pequenos empreendedores, e chegando na logística e infraestrutura.

Verdade seja dita, a China tem muitas questões, no mínimo, polêmicas  - e assustadoras – para a maioria de nós, que prezamos o livre arbítrio. Mas, aspectos políticos à parte, é inspirador como, em pouquíssimo tempo, a China foi hábil em reconhecer que o Empreendedorismo de Massa acelera o emprego, gera riqueza e suaviza pressões financeiras. E graças a isso, se tornou a segunda maior potência econômica mundial.

Apenas em 2016 este setor criou mais de 10 milhões de empregos urbanos, ajudando a manter a média de desemprego abaixo de 5%. Além disso, as patentes cresceram 44% (apenas em 2016!!!) indicando um momento de intensa inovação no país.
E mais: estão se preparando para uma nova escalada de crescimento. No final de 2016 foram divulgadas novas políticas públicas com objetivo de dar suporte a esta nova onda de empreendedorismo que estão fomentando.

- Isenções de tributos a empresas que criem novas tecnologias ou novos produtos, com objetivo de estimular desenvolvimento e pesquisa. Isso inclui custos de produção de novos equipamentos e até mesmo custos de horas extras usadas na pesquisa, que passam a contar com suporte oficial do governo.

- O Ministério de Ciência e Tecnologia publicou novas regras para eliminar barreiras na compra e venda de tecnologia. Até o ano de 2015, qualquer transação de tecnologia acima de USD 765 mil precisava de autorização de 2 ministérios diferentes.

- O turbinamento de empreendedorismo não é apenas para tecnologia. O varejo e setores off-line também receberam enormes investimentos em estrutura, logística e apoio ao emprego.

- Em todo o pais a implementação de internet para que empreendedores estejam conectados com o mundo.
Quem dera que aqui tivéssemos um pouquinho desta visão – e deste apoio. Em vez disso, o Brasil tem optado por dar estímulo (tributário e financeiro) aos grandes grupos econômicos, e relegando a segundo plano os pequenos empreendedores, que somos responsáveis por 44% dos empregos do Brasil.

Poderíamos gerar muito mais empregos e riqueza se tivéssemos um pouco da filosofia econômica da China e sua sabedoria em reconhecer que é o pequeno que faz um país grande.

A propósito do Ano Novo chinês que começou no último dia 28 de janeiro.(Feliz Ano Novo!) Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve toda semana. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Celebre seus fracassos! É a melhor forma de vencer a si mesmo

27 de janeiro de 2017

Phil Knight lutou 18 anos para não fechar a Nike

Este é um bom momento para você escrever um currículo só com seus fracassos! Não aprendemos isto na faculdade, a não ser que tenha sido aluno da Professora Tina Seelig da Universidade de Stanford. Ela, comumente, começa suas aulas falando de fracasso.

Celebrar fracassos aumenta nossas chances de conseguir um novo emprego ou construir um negócio melhor. Todo headhunter vai questioná-lo(a) a respeito dos seus fracassos. Ele ou ela não quer que você se humilhe, mas que mostre a sabedoria desenvolvida a partir destes eventos.  Se você tem ou pretende abrir um negócio, o fracasso é algo mais presente na trajetória de todos os empreendedores do que o sucesso. Mas alguns sabem lidar com isto, outros não. Thomas Edison costumava dizer que nunca tinha fracassado na vida. “Eu só encontrei 10 mil alternativas que não funcionaram” – dizia. Edison era tão obcecado em criar, testar, descartar ou produzir uma invenção que costumava dormir no laboratório. Com isto, fundou a GE, uma empresa que hoje fatura US$ 150 bilhões e provocaria o caos na Terra se deixasse de existir.

Thomas Edison tinha um grande amigo que também foi muito bom em fracassos. Sua primeira empresa, a Detroit Automobile Company faliu depois de 3 anos de aberta. Não satisfeito, colocou seu nome na próxima empresa e a chamou de Henry Ford Company. Esta fracassou ainda mais rapidamente. Em menos de dois anos já tinha falido. E seguindo a lógica do provérbio japonês, se cair duas vezes, levante três, no ano seguinte, fundou a Ford Motor Company. Se você acha que o resto é história, lembre-se que foi o modelo T que fez de Ford uma lenda. Mas o modelo T não foi seu primeiro modelo. Se o T não foi o primeiro, qual letra você imaginaria que Ford escolheu para seu primeiro veículo nesta fase? Pois é, com seu primeiro modelo A, Henry Ford vendeu 1.750 carros. Seu modelo seguinte, o B, vendeu 500 unidades.  Não satisfeito, Ford lançou o Ford C e vendeu 800 veículos. O alfabeto evoluiu de 1903 (A) até 1908, ano de lançamento do Ford T, que se tornou lendário com seus 15 milhões de unidades produzidas. Fracasso é somente uma oportunidade para começar novamente de forma mais inteligente – acreditava Henry Ford.

Poucos anos depois, quando Edison e Ford já estavam consolidados como exemplos de empreendedores de sucesso, outro empreendedor também passou a celebrar o fracasso. Ao assumir o comando da empresa que viria a ser a IBM, Thomas Watson espalhou diversos cartazes na empresa. Um deles dizia: “Perdoamos fracassos que tragam aprendizados”. Quando também se tornou um empreendedor de sucesso e questionado como conseguiu tal proeza, Watson explicou: “Isto é muito simples, mesmo. Dobre a sua taxa de fracasso. Você pode imaginar que o fracasso é o inimigo do sucesso. Mas não é.  Você pode ficar desencorajado pelo fracasso ou você pode aprender com ele”.

E desde então, saber celebrar fracassos se tornou um dos pilares de resiliência dos melhores empreendedores e executivos. No ano passado, o recatado empreendedor Phil Knight, co-fundador da Nike, surpreendeu o mercado ao lançar sua sincera autobiografia. Das 382 páginas do livro, nas primeiras 342, ele só fala, sem rodeios ou enfeites, sobre suas dificuldades, fracassos e como a Nike esteve prestes a quebrar, desde quando começou a pensar o negócio em 1962 a 1980, quando abre o capital em bolsa. Mas nestes 18 anos de dificuldades, Knight manteve sua mente de corredor persistente sintetizada na mensagem da primeira propaganda que sua empresa conseguiu pagar: “Não há linha de chegada. Vencer a competição é relativamente fácil. Vencer a si mesmo é um compromisso sem fim.”

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper