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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Burger com sotaque italiano

20 de agosto de 2018

Esta é a história de Massimiliano Galise, o Max, italiano aventureiro que chegou ao Brasil em 2006, atrás do amor da vida, Luciana. Quando apareceu a oportunidade de empreender, decidiu realizar um antigo sonho familiar e, no começo do ano, abriu as portas do Galise Burger, no bairro Paraíso. Com estilo slow food, ele mesmo comanda a cozinha todos os dias, cuidando de cada detalhe, do compromisso “ultrafresh” e, claro, influência de sua família italiana nas receitas.

Aqui ele nos conta a sua jornada de vida e de empreendedor. “Os italianos são românticos e dramáticos ao mesmo tempo. Quero me despedir deste mundo cozinhando, como dizia aquela minha tia-avó napolitana que cozinhava tão bem e que tinha passado fome durante as duas grandes guerras. Se eu morrer, vou morrer cozinhando. Mas, antes disso, tenho caminho pela frente.”

Qual é sua história?
Sou nascido, criado e crescido na Itália até a tenra idade de 32 anos. Venho de um povoado de 17 mil pessoas, Saluzzo, no noroeste da Itália, no meio dos Alpes, bem na divisa com a França. Praticava muito alpinismo nos arredores do meu povoadinho. Montanhas, natureza… Em 2005 fui à Bolívia escalar um vulcão de 6 mil metros e lá conheci minha mulher, Luciana, que é brasileira.

Foi amor à primeira vista?
Bom…posso dizer que rapidamente voltei para a Itália para arrumar as malas e vender tudo porque depois daquele encontro tinha que seguir a Luciana! Hoje nossas filhas Teodora e Carmela tem 9 e 7 anos. Estou muito feliz…só me faltam os Alpes.

E a chegada ao Brasil?
Fiz de tudo nestes 12 anos de Brasil. Por exemplo, fui taxista por três anos, nesta cidade um milhão de vezes maior que a minha. Experiência boa e inesquecível. Um dia vou escrever um livro destas aventuras.

Desde quando você tem interesse pela gastronomia?
A minha família italiana (no caso eu, Mamma e Papá) não tinha incríveis condições econômicas. Não chorávamos, mas nunca fomos ricos. E sempre fizemos o que tinha que se fazer para “tirare avanti”, para irmos em frente de forma mais que digna. O sonho dos meus pais era, um dia, antes de morrer, abrir um pequeno restaurante. Os italianos são românticos e dramáticos ao mesmo tempo: antes de morrer… eu queria ter um restaurante e realizar este sonho da família. O restaurante tinha que ter 11 mesas, um número recorrente na cabalística de casa. E em casa cozinhávamos sempre. Sempre. Meu pai, minha mãe, eu. Viajávamos para o sul (o meu pai era de Pompei) e lá também todos cozinhavam e comiam. Existe um percurso culinário para ser desvendado na Itália, do norte ao sul. Sabores, temperos, mesclas, jeitos diferentes de preparar o mesmo prato que mudam em poucos quilômetros. E eu, desde criança, sempre em uma cozinha, entre norte e sul, querendo ajudar, querendo fazer…ou simplesmente roubando um gnocchi que tinha acabado de ser feito ou dando uma escapada na horta do tio para roubar um tomate direto do pé…E com aquela mordida,  descobrindo sabores maravilhosos. Não existia “não gosto disso ou daquilo”. Comia de tudo.

Quando apareceu o momento de empreender?
Bom, infelizmente em 11 de abril de 2011 minha mãe faleceu. Poucos anos depois o meu pai se juntou a ela. Era um dia 11 também. Como único filho herdei uma casa na Itália. Vendi a casa e decidi realizar o sonho dos meus pais: abrir o tal do restaurante de 11 mesas. Galise Burger é, portanto, o resultado do dinheiro que herdei, junto a vontade de investir o mesmo em algo que tivesse o sobrenome da família e que vingasse aquele sonho que meus pais não realizaram. O slogan da casa é “cucinando tutta la vita”, cozinhando a vida inteira.

Por que uma hamburgueria e não um restaurante mais italiano?
Apesar de uma vida de intensa prática em cozinhas caseiras, achei que não tinha suficiente experiência para abrir um restaurante, sabe…tipo de culinária italiana. E não tinha muuuito dinheiro para investir. Muitos pensam em burger como algo simples e básico. Talvez por alguns momentos também pensei isso, pelo menos antes de abrir. Creio sim que acreditei um pouco nisso. Hoje julgo o meu burger como algo que não faz parte da mesmice de muitos, e que porta a marca dos tempos e dos conhecimentos de vida e de viagens que fiz pela Itália e pelo mundo. O fato de procurar produtos orgânicos, de nunca congelar a carne que uso e de trabalhar exclusivamente com produtos de primeira, complica as coisas, ainda mais para quem abre pela primeira vez ao público e faz questão de estar na cozinha, na sala e no escritório da contadora. Tudo ao mesmo tempo, claro. Uma logística que poucos conseguem entrelaçar. Estou no começo: sete meses de porta aberta.

Como é a vida de um empreendedor?
O lado primata do empreendedor está no coração, claro, mas creio que esteja evoluindo conforme vejo crescer o meu espaço. Digamos que estamos caminhando de mãos dadas. Claro que não inventei o Galise sem pensar e sem ter convicção do produto que queria criar. Foi como um coquetel de ideias, sonhos, oportunidade e um pouco de loucura. Não escondo que o momento do Brasil, a casa muito nova e a primeira viagem no setor deixa tudo um pouco mais complicado: falo da minha vida  que mudou e também  do perfil econômico do negócio. Mas de verdade, penso que é isso que quero fazer até talvez um dia me aposentar..ou até morrer (rsrs).
Nestes dias, com a casa muito cheia e os pedidos que não paravam de chegar na minha cozinha, vivi um sentimento que talvez não saiba explicar: queria uma trégua, só um instante! Para tudo que estou me perdendo aqui! Mas ao mesmo tempo uma voz falasse assim “está tudo sob controle, você manda bem pra caramba, olha que linda a apresentação deste burger, já já acabam estes pedidos e você vai dar uma volta no salão, perguntando para os clientes se estão satisfeitos.” E eu adoro esta voltinha no salão, vendo as cabeças se mexendo em sinal de aprovação antes de eu perguntar qualquer coisa. Acho que é indispensável um pouco de loucura ou insensatez lógica e controlada para trabalhar na cozinha de um restaurante. Pelo menos é necessário ter a vozinha que fala com você mesmo. Como disse, os horários mudaram, e quando não estou cozinhando, penso. Penso nas novas receitas e (trabalho com um cardápio enxuto e que muda a cada 15 dias) nas possibilidades de modificar o espaço atendendo novas exigências que surgiram depois do primeiro semestre, e claro, nas finanças do empreendimento. A parte que gosto menos. Se você anda comigo na rua, eu estou sempre com pressa, vejo produtos novos, imagino, crio, não te escuto enquanto você fala de futebol e agora que percebo, estou a 10 metros pra frente de você. Os amigos se acostumaram. Acho. E gostam de como descrevo um prato que poderia ser feito por exemplo com aquela abóbora. Aliás, deixe eu anotar “abóbora” como um ingrediente de um futuro burger.

Como é a relação da família no empreendimento?
Inevitavelmente a família está envolvida: os meus horários malucos são o primeiro aspecto que mais revolucionaram a nossa rotina. As minhas filhas enlouquecem me vendo numa cozinha como profissional, e claro, queriam ajudar todas as vezes que jantam no Galise. Talvez sintam falta de cozinhar comigo, em casa, de domingo, assim como acontecia antes de abrir, quando juntos preparávamos gnocchi. Eu e minha mulher nos complementamos. Eu sou o sonhador, o impulsivo, aquele que não para. A Luciana é a parte lógica, o lado responsável do negócio. Eu me vejo hoje em uma deliciosa posição no ranking do Trip Advisor (8° lugar entre todos os restaurantes com 5* de SP) e quero subir mais e mais e mais… Ela fica mais de olho nas contas, ainda bem! De alguma forma, agradeço as minhas três mulheres pela paciência comigo!

Quais são os planos de futuro do negócio?
Para ser honesto, depois de sete meses de abertura, preciso recuperar o meu capital investido. Depois disso vou focar em um futuro mais longe. Não quero mais Galises. Talvez pense sim em um Galise com um espaço maior do que o atual, mas não estou pensando em franquias. Este negócio pertence a um sonho. E quero que permaneça, de alguma forma, ligado àquele sonho primordial. Mas poderia pensar em outra linha de produto. Um outro restaurante. Sei que tenho muitas coisas pra dizer e fazer para que as pessoas provem uma verdadeira cozinha italiana. Eu não frequento restaurantes italianos de São Paulo. Me perdoem, mas para um italiano o melhor restaurante é a casa da mamãe.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão iniciando, qual seria?
Siga os sonhos, seja ousado, saia da mesmice, não crie um produto que já existe, seja único, e tenha ao seu lado alguém que te ama….e que de vez em quando te traz a realidade daquele boleto que está quase para vencer rsrsrs. Precisamos dos dois lados (o prático e o genial) para ter sucesso. Tenho certeza disso, e tenho certeza que preciso daquela minha Luciana pra me trazer, muitas vezes, de volta pro chão. E tenham respeito e paciência com a equipe: somos nós os malucos. Eles ajudam a realizar o que temos na cabeça e no coração. Se alguém um dia tem a receita para criar o dia de 28 horas eu topo uma sociedade para fazermos juntos. A todo sabor.

Qual o futuro do Brasil?
Venho de um país que viveu duas guerras mundiais (e não se saiu bem em nenhuma das duas) e que sempre acreditou na política do “ir pra frente”. “Avanti c’é posto” dizia meu pai: lá na frente sempre tem lugar. Mesmo que a situação econômica atual não seja a mesma da época de quando cheguei aqui, estou confiante no futuro do Brasil. Há muita coisa para ser criada e com certeza os jovens empreendedores podem ter muitas coisas para falar, demonstrando a criatividade, a força de vontade e muita atitude naquilo que criam. Os políticos deveriam ser cozinheiros, criando sempre algo de gostoso e que todos possam saborear, não? Se cada um se colocar como exemplo de renovação e criação de coisas boas e novas, o futuro estará se abrindo como uma flor de abobrinha. Aliás, boa ideia esta flor, para o meu burger vegetariano.

Serviço
Galise Burger
Fone: (11) 2372-0735
Rua Carlos Steinen 270, Paraíso, SP
Instagram: galise.galise
Facebook: Galiseburger

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

Alta gastronomia com tradição familiar

7 de agosto de 2018

Esta é a história de Silvana e de seu filho Cristiano, duas gerações de empreendedores da alta gastronomia. Eles vêm mostrando a força e a capacidade de manter o empreendimento atualizado num setor extremamente competitivo e difícil.

Há 20 anos, Silvana Borella atendia A&B (alimentos e bebidas) de grandes eventos em São Paulo (F1, Salão do Automóvel), até que um dia encontrou uma antiga fábrica de pães abandonada, no bairro do Brooklin, e teve uma visão muito clara do que queria fazer: um restaurante italiano de alta gastronomia, porém sem as afetações esnobes tão comuns em restaurantes deste nível. Assim nasceu o Vicolo Nostro, que desde o surgimento frequenta todas as listas dos melhores restaurantes de São Paulo, sendo precursor do que agora se chama de “comfort food”, ou seja, ambiente e comida que remetem aos sabores caseiros, das afetividades familiares, do bem-estar.

Cristiano Panizza, de 35 anos, foi criado nesse ambiente e decidiu seguir os passos da matriarca, cursando gastronomia na Anhembi Morumbi. Faz 10 anos que assumiu o comando da cozinha do Vicolo. É ele quem nos conta a história e a trajetória familiar: “trabalhar com a mãe é diferente do que trabalhar com um tio ou com um irmão. Até que acabamos discutindo um pouco, mas sendo mãe, eu respeito, pois é preciso escutar a voz da experiência.”

Como foi crescer no meio da cozinha?
A família já trabalhava com restaurantes há tempos. Eu comecei ainda criança a ajudar uma tia que tinha lanchonetes em colégios. Eu estudava pela manhã e trabalhava no período da tarde desde uns 12 anos de idade. Também acompanhava minha mãe nos eventos. Até hoje eu não curto muito Formula 1, por conta das incontáveis vezes em que tive de acompanhá-la. Ela chegou a tocar 16 eventos ao mesmo tempo. Sempre deu certo, mas a operação deixava qualquer um maluco.

Para o empreendedor da gastronomia, chef de cozinha, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Como é isso?
Realmente é muito diferente. Enquanto os outros estão se divertindo, você está trabalhando. Está trabalhando para que os outros se divirtam. É complicado ter vida social. Você acaba recebendo seus amigos no restaurante que acaba meio que virando a sala da sua casa. Recebo todos como se fosse na minha casa mesmo e o pessoal já está acostumado com isso. Os amigos é que vem até nós, não costumamos nos encontrar com eles em outros lugares.

Percebo no Vicolo uma extrema qualidade e atenção aos detalhes, várias camadas de história pessoal, tudo muito verdadeiro…
A decoração é feita com itens de família. De viagens. De amigos que sabem do que gostamos e acabam trazendo algo de mercados de pulgas na Itália ou em outros países da Europa. É construída assim, com pequenos detalhes e cada um tem uma história diferente. A decoração do novo salão é um pouco diferente, com uma pegada meio que rococó, rustica, mineira. Minha mãe é apaixonada por artistas mineiros, principalmente de Bichinho (Tiradentes), onde garimpa diretamente com os artesãos boa parte das obras que enfeitam o restaurante. Uma vez minha mãe voltou da Itália com uma caixa enorme com um casal de marionetes antigos (Othelo e Desdêmona) que percorreu a Europa durante cerca de três décadas com uma companhia teatral. Ela se hospedou em frente a um antiquário, e da janela do quarto se encantou pelas marionetes que estavam na vitrine. Todos os dias tentava negociar, mas o proprietário não queria vender. Até que no dia anterior à sua partida deu um ultimato no dono da loja que acabou vendendo. Assim é nossa decoração.

O novo salão que você mencionou é uma ampliação?
A gente chamou de Sala dos Espelhos, é um espaço para eventos. Duas pessoas não atrapalham 100 pessoas, mas 100 pessoas atrapalham duas. Justamente para poder separar os grupos mais festivos dos casais que querem mais intimidade e silêncio investimos neste salão, que comporta até 150 pessoas, focando principalmente em eventos sociais, tais como mini wedding e batizados, além dos já tradicionais eventos corporativos.

Quais são os planos de futuro do Vicolo? Expansão, filiais?
Por conta da decoração garimpada e histórica, nosso restaurante não é facilmente replicável. Na verdade, ele também não foi criado com esta intenção. Ficaria algo meio que artificial se o fosse. Preferimos algo realmente autêntico, uma casa com este carinho familiar. Temos planos de expansão sim, mas em negócios mais simples e enxutos. Acredito que até o próximo ano montaremos uma panineria-, um lugar mais descontraído para tomar uma taça de vinho, comer uma tábua de frios. Será um espaço anexo ao Vicolo, até mesmo para utilizar a mesma cozinha e estrutura, e claro, tornando-o muito mais fácil para administrar. Também apostamos bastante nos eventos

Se pudesse dar uma dica aos jovens empreendedores que estão chegando na gastronomia, qual seria?
Se optarem pelo curso de gastronomia, recomendo que estagiem desde o primeiro semestre para que vejam se além de gostar da área, se realmente estão dispostos a trabalhar muito. Perder finais de semana e férias. Além, é claro, de estudar bastante. Muita gente acha que é glamoroso, que vai aparecer em revista. Essa imagem é superficial. Em geral esquecem que vai queimar a mão, que vai cozinhar por horas na frente do fogão. A vida é de batalha. Estude bastante, pois você nunca vai saber tudo. Sempre você vai aprender algo novo.

Qual o futuro do Brasil?
A perspectiva talvez não seja boa, mas espero que melhore. Como empreendedor estamos fazendo a nossa parte. Gerando empregos e ajudando a girar a economia. Acredito sim que melhorará. Acho o pessoal da gastronomia ainda muito desunido. Deveríamos nos unir mais para brigar por benefícios para o setor.

Serviço:
Vicolo Nostro
Rua Jataituba, 29 – Brooklin, SP
Contato: (11) 5561-5287
Instagram: @vicolonostro
Facebook: facebook.com/vicolonostroSite
www.vicolonostro.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

O maior intrapreneur que o Brasil já teve

6 de agosto de 2018

A recente notícia do acordo comercial que a Boeing e a Embraer pretendem fazer mostra claramente que o setor de grandes aeronaves civis se reconfigura para um claríssimo duopólio, dado que o consórcio europeu Airbus assumiu o controle da canadense Bombardier há menos de um ano atrás. A notícia também leva a uma reflexão: como o Brasil, infelizmente com um histórico relativamente escasso de vanguarda tecnológica, conseguiu gerar a Embraer, terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, com mais de 8.000 aeronaves comercializadas em seus quase 50 anos de história?

Alguns nomes particularmente se destacam dentre os milhares que se dedicaram à construção e ao sucesso da Embraer. O engenheiro mecânico Mauricio Botelho foi talvez o maior responsável pelo percurso e posicionamento da Embraer nas últimas duas décadas. Tendo assumido a Presidência da empresa em 1995, conduziu uma reorganização pós-privatização e capitaneou o lançamento dos jatos da família ERJ-145 (para até 50 passageiros), cujo projeto havia se iniciado em 1989. O conhecimento tecnológico então gerado possibilitou o desenvolvimento dos modelos das séries 170 e 190, lançados em 1999 (para 70 a 90 passageiros), e mais recentemente das séries 195 e 175, para até 122 passageiros.

A fundação da Embraer, entretanto, se deu 30 anos antes disso, em 1969, por iniciativa do Governo Federal e sob a liderança do engenheiro aeronáutico Ozires Silva, após alguns anos à frente da equipe que projetou o primeiro avião turboélice da empresa, o Bandeirante. O brilhante e gentil Coronel Ozires é formado pelo ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e um capacitado piloto militar e aeronaval. Ao resgatarmos a fundação da Embraer e a própria formação de Ozires Silva, nos deparamos então com o ITA e com a organização ao qual esse esteve vinculado desde sua origem, o CTA, ou Centro de Tecnologia Aeronáutica.

Nesse ponto, chegamos a um personagem fundamental na história da Embraer: Casimiro Montenegro, nascido em Fortaleza em 1904. Em 12 de junho de 1931, realizou o vôo inaugural do Correio Aéreo Militar, que veio a se tornar posteriormente o Correio Aéreo Nacional (CAN). Frequentou a primeira turma do curso de Engenharia Aeronáutica na antiga Escola Técnica do Exército, atual IME – Instituto Militar de Engenharia, onde se graduou em 1941.

Realizou visitas ao MIT – Massachusetts Institute of Technology, nos anos de 1943/1944, e daí criou a visão de desenvolver uma instituição similar no Brasil, com o objetivo de formar profissionais e dominar a tecnologia aeronáutica. Com o apoio do chefe do Departamento de Engenharia Aeronáutica do MIT, Richard Habert Smith, desenvolveu as diretrizes da nova instituição. No restante da década de 1940, Montenegro se dedicou totalmente à construção de seu sonho em São José dos Campos, ganhando confiança de seus superiores para ter grande autonomia. Essa mesma confiança que gerava foi responsável pela contratação de um corpo docente altamente qualificado, com professores vindo de vários países para conduzirem as aulas no ITA, instituição idealizada e fundada por Montenegro.

O Marechal do Ar Casimiro Montenegro ocupou a direção do CTA por longos períodos até 1965, e sua visão, determinação e atitudes na liderança do ITA viabilizaram e foram condição sine qua non para a criação da Embraer. morreu em 2000, aos 95 anos de idade. Pensando em empreendedorismo, ou mais especificamente em intraempreendedorismo – a postura e atitude empreendedora que acontece dentro de uma grande organização já estabelecida – é um grande exemplo que vemos em Montenegro em relação à sua organização de origem, a Aeronáutica. É um desses heróis que o Brasil teima em esquecer e pouquíssimo reverenciar, apesar de sua história, exemplo e legado absolutamente admiráveis.

Fabio De Biazzi é Doutor em engenharia de produção pela Poli-USP, conselheiro do Grupo Rede Amazônica, consultor, professor do Insper, diretor da Brain Business School e autor do livro “Lições essenciais sobre Liderança e Comportamento Organizacional”.

Yellow: a startup que aposta que os brasileiros agem corretamente

3 de agosto de 2018

Tiago Queiroz/Estadão

Bicicletas compartilhadas não são novidade nas principais cidades brasileiras. Elas são coloridas, alegres e presas a fortes barras metálicas quando não estão em uso. Mas, o que vem intrigando muitas pessoas, em especial, empreendedores e investidores ao redor do mundo são as bicicletas compartilhas que ficam disponíveis e soltas em qualquer lugar. O usuário destrava a bicicleta, sai pedalando e depois a deixa em qualquer local público. Se isto por si só já traria uma série de questões sobre furtos, vandalismos e segurança, os números que estas startups têm alcançado surpreendem.

A chinesa Ofo, a maior delas, tem valor estimado de US$ 3 bilhões. Ela tem mais de (inacreditáveis) 15 milhões de bicicletas espalhadas ao redor do mundo e já captou US$ 2,2 bilhões de investidores. Sua maior concorrente, a Mobike, acabou de ser adquirida por US$ 3,4 bilhões.  Estes números têm incentivado centenas de empreendedores a fundar negócios similares ao redor do mundo. A Lime, uma startup norte-americana, que aluga bicicletas e também scooters elétricos, já captou quase US$ 467 milhões e se tornou uma startup unicórnio (com valor acima de US$ 1 bilhão) em menos de um ano de vida.

Agora este tipo de startup também estreia no Brasil por meio da Yellow, a nova startup criada por Ariel Lambrecht e Renato Freitas, co-fundadores da 99, e Eduardo Musa. A Yellow também já captou US$ 9 milhões, um valor muito alto para os padrões brasileiros para esta fase do negócio, e aposta no mesmo modelo de aluguel de bicicletas sem as travas fixas em locais pré-determinados.

O usuário baixa o aplicativo, faz o cadastro indicando o meio de pagamento e já consegue destravar uma das 500 bicicletas amarelas (é claro) deixadas na região da Av. Faria Lima e Vila Olímpia na cidade de São Paulo. O custo é de R$ 1 a cada 15 minutos. A fase é ainda de testes e ajustes, mas a Yellow já planejou disponibilizar 100 mil bicicletas em todas as regiões de São Paulo e em outras cidades em 2019.

Mais do que uma boa oportunidade de negócio, a proposta da Yellow é redefinir como as pessoas interagem com a sua cidade, não só por meio do deslocamento em si, mas principalmente em acreditar que as pessoas fazem o que é correto, não para si, mas para os outros. No caso da Yellow, o correto é utilizar a bicicleta com cuidado e deixá-la em locais públicos. Isto pressupõe não furtá-la, não retirar suas peças, não desmontá-la, não revender suas peças, não mantê-la em locais fechados.

Por isso, a torcida pelo sucesso da Yellow não é pela empresa em si, mas por um comportamento que o País precisa para, de fato, se tornar não um País de futuro mas uma nação do presente.

Mas esta torcida não é apenas pelo Brasil. Em todos os países que este modelo de negócio estreou, as preocupações foram as mesmas. No Chile, as bicicletas da Mobike começaram a ser furtadas, aparecer nas sacadas de apartamento, dentro de carros, ou ainda jogadas em topos de árvores. O símbolo deste incômodo foi um vídeo em que um grupo de jovens arremessa a bicicleta no rio Mapocho, que cruza Santiago. Muitos se incomodaram com aquela atitude e os veículos de mídia criticaram severamente o grupo afirmando que estas atitudes não representavam os chilenos.

O sucesso da Yellow no Brasil será um símbolo de que o País tem futuro… agora!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

 

O desafio da execução

23 de julho de 2018

Um dos grandes – talvez o maior – de todos os desafios que um empreendedor enfrenta em sua jornada é conseguir tirar uma ideia do papel e colocar na prática. Com o mundo cada vez mais acelerado e o Brasil passando pela pior crise da história recente, as mudanças e adaptações são cada vez mais necessárias, mais rápidas, mais urgentes.

Porém, sair da inércia nunca foi fácil. A primeira Lei de Newton define inércia: “se um corpo está parado, ele permanece parado, e se está em movimento, ele permanece em movimento em linha reta e a sua velocidade se mantém constante, até que uma força atue sobre ele”. Sair da inércia sempre exige força.

E não importa se é uma ideia genial, “a grande ideia” de uma startup disruptiva. Ou apenas a simples ideia de organizar o setor de estoque. Ou talvez abrir uma nova filial. Sozinha, uma ideia nunca vai sair da inércia.

O momento de executar um projeto, de tirar ele do papel e colocar em movimento, como diz Newton, exige muita força (de vontade inclusive). Essas dificuldades podem congelar e derrotar qualquer um, e por isso mesmo é sempre bom se preparar, entender compartilhar as experiências.

Pensando nisso, o professor Marcelo Pimenta, preparou uma manhã muito especial – nesta quinta feira – para falar do assunto numa mesa redonda durante uma manhã inteira, com 4 convidados de diferentes áreas – e eu serei um deles.

No formato de mesa redonda, esperamos muitas participações do público para tratarmos de casos práticos. Acima de tudo, será uma troca de experiências com foco em resultados! Espero ver você lá, traz tuas dúvidas e questionamentos

Participantes da Mesa:

- Marcelo Pimenta é professor da ESPM, especialista em Criatividade, Inovação e Design Thinking

- Manoel Carlos Junior, pioneiro do marketing de experiência e vendas

- Paola Tucunduva, empreendedora e coach

- Tiago Corrêa, empreendedor e músico da banda Reverb

- E eu, que falarei um pouco de minha abordagem “mãos na massa”, com foco em gastronomia, lojas de alimentos e varejo de rua

A inscrição é gratuita, com lugares limitados, por isso é importante você se inscrever no link e – por favor – não deixe para última hora – faça o planejamento e execute!

O lugar do evento é outro ponto relevante. A Digital House é uma Coding School no padrão Vale do Silicio, localizada aqui pertinho da gente.

RESUMO

“O desafio da execução”

Palestras e Mesa Redonda

Quinta-feira, 26, das 9:00 às 12:30

Local: Digital House / Av. Dr. Cardoso de Melo 90, Vila Olímpia

 

Antes do Google Translator, havia a tecla SAP…

20 de julho de 2018

Nesta semana, discutimos tantas siglas na aula que um dos alunos pediu para ligar a tecla SAP. Felizmente havia um aluno da empresa na sala. Quem é desta época entente o contexto…

O fluxo ainda pulsa
O fluxo ainda pulsa…

IOT, Bitcoin,
Blockchain, Fintech
Cloud, Inbound
SaaS, Retail Tech
Digital Transformation
Analytics, Legaltech
MVP, Robotics
Machine Learning, Agritech

E o fluxo ainda pulsa
E o fluxo ainda pulsa

Artificial Intelligence
Accelerator, Construtech
App e a Nenê
HR Tech
Autonomous Car
Uberization, Squad
Virtual Reality, Autotech
Exponential Growth
3D Printing, Healthtech

Tudo ainda é pouco
Tudo ainda é pouco
Assim…

Hackathon, Canvas,
Pivot, Foodtech
Uberization, Squad
API, Medtech
Augmented Reality
Blockchain, Insurtech
Chatbot, Industry 4.0
Smart Utility, Stage Tech

O fluxo ainda pulsa
E o ROI ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco

Fluxo
ROI
Fluxo
ROI

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

 

As botas de Schumpeter, o Empreendedor e a “sina do inovador”

17 de julho de 2018

Lembro com saudade dos meus alunos de MBA que, mais de vinte anos atrás, achavam pitoresca a insistência de Joseph Schumpeter em preconizar que os ciclos econômicos seriam dominados por empreendedores que, fazendo da inovação tecnológica sua bandeira, lançariam as bases do capitalismo dos novos tempos. Eram os idos de 1939. Agora, 80 anos depois, fala-se somente em empreendedorismo e em inovação. Pitoresco, não?

Schumpeter era uma figura fora do comum. Economista brilhante, discípulo da celebrada Escola de Viena, com o advento do nazismo na Europa migrou para os Estados Unidos onde, em 1932, começou a lecionar na Harvard University. Lá, ele deixou uma longa lista de discípulos fieis, apaixonados por suas teorias, que vislumbravam um futuro inovador; e, também, a lembrança das suas aristocráticas botas de cano alto e de suas calças de montaria, das quais não se separava nem em sala de aula. De fato, Schumpeter foi o filho visionário de duas épocas, preso entre mundos que estavam mudando em ritmo acelerado, contemporaneamente inebriados pelos ritmos dos loucos anos 20 e assustados pelo fragor dos morteiros de uma nova guerra de alcance mundial, que estava por vir.

É genial a ideia de Schumpeter segundo a qual a inovação tecnológica impulsiona a atividade do empreendedor na direção de obter, não somente o merecido lucro, mas também, lucros extraordinários, ou seja, lucros acima da média do mercado. É o caráter extraordinário desses lucros que estimula novos investimentos e novos entrantes naquela indústria, fugindo de outras, que não apresentam a mesma performance e os mesmos retornos sobre capital.

A possibilidade de transferir capitais entre diferentes indústrias de distintos setores da economia democratiza o fluxo de recursos financeiros e, certamente, aumenta a possibilidade de um maior número de empreendedores obterem financiamentos para seus projetos. Desta forma, suas ideias inovadoras podem sair do papel e transformar-se em realidade produtiva, criando empregos e riqueza, e pagando impostos.

Olha só: acabamos de desenhar, na sua essência, o ciclo econômico virtuoso!

Entretanto, -conforme adiantei em outro artigo publicado em 22 de maio passado, neste blog-, a facilidade que os fluxos de capital têm de migrarem de indústria em indústria acaba criando aquela condição que apelidei de “ sina do inovador”, que pode ser resumida no seguinte moto: “uma vez inovador, sempre inovador”.

Tal condição pode ajudar a entender a necessidade contínua de inovar, por parte de quem já inova constantemente.

Resumidamente, existem dois fatores primordiais, que obrigam o empreendedor a criar seu próprio estoque de obsolescência tecnológica (leia-se: a inovar), para poder continuar a oferecer produto novos, tanto em mercados B2C como B2B:

1)      O primeiro fator deriva diretamente da mobilidade dos fluxos de capitais, que podem migrar rapidamente de setor em setor e de empresa em empresa. Nosso empreendedor-inovador deverá continuar a performar positivamente, oferecendo aos investidores lucros acima da média, sob pena do capital ir para outras indústrias. Tarefa, essa, bastante invulgar, por sim só…

2)     O segundo fator é ligado à manutenção do próprio market share. O inovador deve continuar a inovar, criando novos mercados, para poder dominá-los e garantir sua fatia de mercado. De outra forma, outros seguidores virão dividir com ele seu market share, tornando seus lucros sempre menos extraordinários e estimulando, assim, uma fuga de capitais para outros players e outros setores. Não é por acaso que a Apple lança um novo modelo de iphone com periodicidade predefinida e pontualidade britânica, mesmo que o produto não esteja totalmente aperfeiçoado.

Quem falou que inovar seria fácil e rentável, desde o começo?

Acabamos de desenhar o cenário mais calamitoso que possa existir para a atividade do empreendedor-inovador.

Como esse perigo pode ser afastado e como esse quadro pode ser revertido? No próximo artigo, falaremos de inovação disruptiva (ou não).

Luca Borroni-Biancastelli é PhD em Economia e Teorias Econômicas, co-fundador e Dean da Brain Business School, conselheiro emérito da UNICON-Consortium for University-based Executive Education, conselheiro, professor universitário e empreendedor.

 

Na era da crescente complexidade, (re)aplicar as 10 Leis da Simplicidade nos mantém na rota de crescimento

29 de junho de 2018

Entre as várias sortes que tive na vida, uma delas foi ter chefes brilhantes. Aprendi muito com suas atitudes e com algumas frases que os marcaram. Antonie Roux foi um deles. Ele liderou a área de investimentos em startups do grupo sul-africano Naspers e costumava terminar suas análises com “as simples as that”. Não sei se isto era proposital, mas destacava o brilhantismo da sua liderança em questões complexas ligadas a tendências de mercado, desenvolvimento tecnológico, novos mercados e comportamentos humanos.

Isto me marcou pois ser simples diante de contextos cada vez mais complexos se tornou um dos pilares mais desafiadores da minha forma de viver. Para mim, é complexo ser simples. Mas é muito mais simples ser complexo. Por isso, reler, refletir e (re)aplicar As 10 Leis da Simplicidade, de John Maeda (Editora Novo Conceito, 2007) é um exercício contínuo para continuar crescendo, pois a simplicidade avança muito mais facilmente do que a complexidade.

Escrito na época em que Maeda era o chefe do MIT Media Lab, um dos principais centros de inovação do mundo, seu livro faz o exercício monumental de um centro que lida com as tecnologias mais complexas do mundo em tornar as coisas mais simples.

Simplicidade = sanidade. Esta é a provocação inicial do livro. Em seguida, Maeda traz uma das nossas principais agonias atuais: “A tecnologia tornou nossas vidas mais completas; contudo, ao mesmo tempo, tornamo-nos desconfortavelmente“completos”.

Para os interessados no trabalho de John Maeda, recomendo a leitura do seu livro de apenas 100 páginas. É uma tarde de sábado que vale por muitas outras tardes da sua vida. Mas para simplificar, estas são as dez leis que tornam nossas vidas e negócios mais simples e, consequentemente, mais saudáveis.

Lei 1: Reduza! A forma mais simples de alcançar a simplicidade é por meio redução planejada.

Lei 2: Organize! A organização torna o sistema de muitos parecer poucos.

Lei 3: Poupe tempo! Economizar tempo aumenta a percepção da simplicidade.

Lei 4: Aprenda! Conhecimento torna tudo mais simples pois evita desnecessidades.

Lei 5: Valorize as diferenças! Para a simplicidade ser percebida, a complexidade também merece a mesma percepção.

Lei 6: Repense o contexto! O que está no entorno da simplicidade definitivamente deveria (também) ser simplificado.

Lei 7: Boas emoções aumentam a simplicidade! Mais boas emoções são melhores do que menos.

Lei 8: Transmita (e) confiança! A simplicidade aumenta a percepção de confiabilidade.

Lei 9: Permita-se fracassar! Algumas coisas nunca poderão ser simplificadas.

Lei 10: Concentre-se na essência! Simplicidade é excluir o óbvio e incluir o que é essencialmente significativo.Todos os principais empreendedores e inovadores conseguiram tornar propostas complexas em conceitos simples. Simples assim! – diria meu antigo e saudoso chefe.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

Não se deixe enganar na maior Feira de Franquias

21 de junho de 2018

Vamos continuar nos preparando para a Franchising Expo, com o objetivo de conhecer, analisar e avaliar as melhores oportunidades de negócios para cada visitante. Importante lembrar que, um bom negócio para mim, talvez não seja tão bom para você e pode ser péssimo para um terceiro.

Uma feira de negócios é como um shopping center de marcas onde os stands são vitrines e as pessoas dentro deles são vendedoras de um produto: franquia, ou seja estão vendendo um business que é mais do que a venda de roupas, cursos, comida, acessórios, serviços de limpeza e manutenção predial ou cosméticos.

Falo isso porque muitas vezes vemos nas propagandas de franquias, o produto que a loja franqueada vende, como uma arara com roupas. Mas, o futuro franqueado vai comprar o conceito de negócio daquela marca, o modelo de gestão, o sistema gerencial, o estoque (lojas físicas), o mobiliários, equipamentos e utensílios, contratar pessoas para trabalhar na unidade.

Este shopping center de negócios está se preparando para receber milhares de pessoas, curiosas ou ansiosas por conhecer aquele que pode ser o negócio de suas vidas.

Vamos às dicas:

1. Visite o site www.abfexpo.com.br e estude o que será este evento, os expositores, os temas das palestras na Arena do Conhecimento, quais serão as atrações, baixe o app no seu smartphone. Invista tempo neste estudo

2. Veja o mapa da Expo e marque as marcas que você considera interessantes como investimento.  Link para o mapa:

https://www.abfexpo.com.br/content/dam/Informa/abfexpo/portuguese/2018/pdf/abfexpo_planta_2018.pdf

3. Monte um roteiro de visitas em que você ganhe tempo, não se canse indo e vindo perdidamente pelos corredores e foque em seu interesse em investir. Você precisa estar tranquil@ e descansad@ para estar mais atent@.

4. Resista em não ficar parando em tudo quanto é stand, porque achou algo que lhe chamou atenção. Este momento virá: anote as segundas opções de negócios que você se interessou, ao longo da visita.

5. Divida seu tempo entre as visitas aos stands e breves reuniões com as equipes dos franqueadores e as palestras que você irá assistir, pois elas orientam muito bem sobre o Franchising em muitos aspectos.

6. Feito isso, vem o momento das segundas opções de visitas, com a mesma atenção da 1ª rodada. A cada visita, faça suas anotações de percepção de valor e qualidade sobre aquele marca, o negócio em si, postura profissional da equipe, forma de atendimento, nível de informações.

7. Para ir preparad@ no detalhe das perguntas e observações, recomendo um livro: Checklist Minha Franquia, do José Rubens Oliva Rodrigues, com mais de 200 perguntas que você deve escolher para sanar suas dúvidas durante e depois da Expo, no contato com os Franqueadores.

Segue o link do Clube de Autores, onde você pode encontrar o livro:

https://www.clubedeautores.com.br/book/209608–Checklist_Minha_Franquia#.WyFYPFMvyRs

Ou faça contato com o próprio José Rubens, que ele deve ter um livro esperando por você José Rubens, que ele deve ter um livro esperando por você.

8. Após as visitas qualificadas – aquelas que você se preparou para fazer e analisar oportunidades reais de negócios para você, vá passear e curtir as delícias da Expo: degustações, praça de alimentação, conhecer mais novidades e pessoas, encontrar conhecidos pelos corredores e perguntar “O que você está fazendo aqui?? Que coincidência!”

9. Cuidado com os notebooks, IPADs e celulares em cima das mesas, para não esquecer e/ou ninguém se confundir e levar algo seu embora, se é que me entende.

10. O Pós feira é tão, ou mais importante, que o contato durante o evento: organize os cartões e folders, faça um resumo de suas percepções e observe o comportamento/cuidado das empresas com você: se farão contato, enviarão material sobre a franquia, se te chamarão para a primeira reunião, convidarão para conhecer uma unidade em operação e por aí vai o possível ingresso de Franchising como negócio em sua vida.

Prepare-se para o melhor, sendo criterios@, cuidados@ e com coragem de empreender com a mais acertada das escolhas que, só será feita no mínimo, após 5 contatos diretos com o franqueador, sua equipe e franqueados atuando.  Bons negócios!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

“Just Do It”

13 de junho de 2018

Em texto publicado neste mesmo espaço, em 22 de maio de 2018, o professor Luca Borroni-Biancastelli, com muito brilho e clareza, nos chama a atenção para o fato de que nenhum empreendedor, por mais capaz que seja, vence sozinho. Os empreendedores bem-sucedidos, segundo ele, cercam-se de pessoas capazes, alinhadas, apaixonadas pelo negócio, que sejam também colaborativas e agregadoras. Além disso, importantíssimo, é necessário que os membros do time aportem capacidades complementares às do próprio empreendedor e essenciais ao desenvolvimento e gestão do negócio. Para Borroni-Biancastelli, “nenhuma startup é criada por uma pessoa só, por mais genial que ela seja. Uma empresa de uma pessoa só não saberia adquirir velocidade e, desde logo, não teria agilidade para se estruturar e para desbravar seu próprio mercado.”

Phil Knight, fundador da gigantesca e extremamente bem-sucedida Nike, é um grande exemplo para ilustrarmos a necessidade de o empreendedor se cercar desde o início das pessoas certas. Ele publicou em 2016 sua autobiografia, narrando sua epopeia desde a criação da empresa até transformá-la em um negócio multibilionário. Com base em seu relato, percebemos como sua visão, persistência e a presença de poucos mas essenciais “companheiros de viagem” transformaram a Nike em um dos maiores sucessos empresariais do século XX.

Relembrando brevemente a trajetória de Phil Knight e da própria Nike, seu ponto de partida foi imaginar que os tênis japoneses pudessem superar rapidamente (no início da década de 1960) os tênis alemães da Adidas e da Puma, assim como as câmeras fotográficas japonesas estavam superando as câmeras alemãs. Esse insight veio das aulas de empreendedorismo no MBA de Stanford. Sem nenhum contato, experiência ou dinheiro, ele foi até Kobe, no Japão, e usou de sua capacidade de persuasão e de inspirar confiança para convencer Kihachiro Onitsuka, fundador da Onitsuka Tiger (hoje ASICS), a lhe dar a representação dos seus tênis de corrida para a costa oeste dos EUA.

Fundou a Blue Ribbon (que depois viria a se tornar Nike) em sociedade com Bill Bowerman – treinador de atletismo do Oregon e depois da equipe olímpica americana – com 500 dólares cada, ou seja, praticamente sem capital, e passou vários anos assombrado pela falta de recursos financeiros, temendo falir ou ser destituído como representante pelos japoneses.

Quase dez anos depois – como reação ao risco de perder a venda dos Tiger –, iniciou a produção em uma fábrica no México, pagou 35 dólares pelo logo e adotou o nome Nike (a deusa da Vitória na Mitologia Grega) por sugestão de seu incansável e entusiasmado homem de vendas, Jeff Johnson. Bowerman tinha o conhecimento técnico sobre o funcionamento dos tênis de corrida e foi o responsável pelas experiências com novos solados e o desenvolvimento de novos modelos.

Além de Bowerman e Johnson, Phil Knight não teria chegado ao sucesso sem um outro parceiro desde os momentos iniciais da Blue Ribbon: Robert Woodell, cuja capacidade de organização e gerenciamento e de antecipação de problemas organizacionais o levou à posição de primeiro COO da Nike.

Ao longo dos anos 70, a Nike passou a desenvolver calçados para não atletas, mas a empresa só se consolidou com a abertura de capital em 1980. O incrível crescimento das vendas nos anos seguintes decorreu da inovação liderada por Bowerman e pelo uso do poder de atração de atletas famosos, em especial John McEnroe e Michael Jordan.

Hoje, a Nike tem um faturamento anual de US$ 30 bilhões e cerca de 70.000 funcionários. Obviamente, inúmeros desses funcionários impactaram de maneira diferenciada o crescimento e os resultados da empresa, mas sua história teria sido outra se, ao poder de referência, visão e persistência de Phil Knight, não tivessem sido agregados, desde o início, o conhecimento técnico e a capacidade de inovar de Bowerman e as qualificações, brilho e empenho de Johnson e Woodell, respectivamente nas frentes comercial e de operações. Juntos, eles superaram todas as dificuldades geradas pela falta inicial de capital e de poder de barganha nas negociações e construíram do zero uma marca e uma empresa para concorrer ombro a ombro – e em parte superar – as gigantes já estabelecidas Adidas e ASICS.

Fabio De Biazzi é doutor em Engenharia de Produção pela POLI-USP, conselheiro, consultor, diretor da Brain Business School, professor do Insper e autor do livro ‘Lições Essenciais Sobre Liderança e Comportamento Organizacional’