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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Como conseguir dinheiro para empreender?

19 de abril de 2018


Foto: Getty Images

Para empreender é necessário ideias, contatos, pessoas, técnica e dinheiro. Muitas vezes o entusiasmo e a sorte nos ajudam a começarmos um negócio, mas sem dinheiro é sempre mais difícil e improvável que a futura empresa cresça e se desenvolva de forma sustentável. Qual a melhor opção para conseguirmos recursos financeiros?

Há algumas opções para captarmos, mas lembre-se: dinheiro no Brasil é bastante caro e escasso. Intuitivamente tendemos a imaginar que os recursos de financiamentos bancários são mais caros. Na teoria financeira, captar financiamentos é mais barato do que captar recursos de investidores. Investidores tendem a perceber mais riscos e apesar de não cobrarem juros, pedem relevantes participações societárias e exigem condições para o aporte. Além de ser mais caro, captar de investidores nos obriga a adequarmos nosso modelo de gestão de acordo com os padrões de governança exigidos.

A melhor opção de captação de recursos nem sempre é a mais barata. Para captar recursos é importante analisar os riscos envolvidos e as exigências associadas, além de avaliar qual o percentual da companhia que se está disposto a vender, bem como quanto de poder é preciso abrir mão.

Dependendo da fase de desenvolvimento que a empresa estiver, ela pode acessar diferentes investidores ou financiadores. O nível de maturidade da companhia é diretamente relacionado ao seu nível de risco, o que determina que tipo de investidor aceitaria este nível de risco e qual seria sua exigência de participação ou mesmo de rigor em termos de governança. Desta forma, quanto mais nova ou arriscada a companhia for, provavelmente maior será a participação que o investidor exigirá para investir.

Novos negócios que estão começando agora
Negócios ou projetos que estão começando tendem a ser mais arriscados por estarem ainda em fase de estruturação, em prova de conceito, em desenvolvimento de protótipos e em formação do time. Neste momento de maior risco, os investidores tenderiam a exigir participações bem altas do capital para investir, o que pode inviabilizar a captação, uma vez que os empreendedores podem perceber que não vale colocar todo seu esforço para ficar com poucas ações.

Nesta fase inicial é preferível usar recursos financeiros da reserva pessoal dos empreendedores, ou partir para captar recursos das suas famílias e dos seus amigos, especialmente dos amigos mais ricos. Muitos empreendedores até vendem seus carros ou seus bens para investir na ideia.

Outra forma interessante para captar é acessar recursos de agências de fomento públicas como a Fapesp, Finep e CNPQ. Estas agências têm geralmente linhas de apoio a empreendedores para a fase de pesquisa, mas requerem um projeto. O processo de captação costuma ser longo e um pouco burocrático, mas as linhas são de ótima qualidade e às vezes são até a fundo perdido.

A opção por fazer um financiamento coletivo
Outra opção interessante para a fase inicial são os chamados financiamentos coletivos, o que os americanos chamam de crowdfunding. Este tipo de captação se dá por intermédio de plataformas online, onde o empreendedor publica seu projeto na web e investidores diversos fazem pequenos aportes.

A ideia é que uma quantidade grande de investidores, geralmente pessoas físicas, invistam pequenos valores, mas coletivamente totalizem a necessidade de recursos que o empreendedor precisa para o seu projeto. É importante que o projeto seja bem estruturado, que mostre os objetivos a serem atingidos com os recursos e qual o retorno esperado para o investidor. As plataformas mais famosas aqui no Brasil são o Kikante, Kria e Catarse.

Outra forma de captar em fases iniciais é buscar recursos com os chamados “anjos”. Geralmente são investidores que já empreenderam ou são executivos, que além de prover recursos, se tornam mentores conselheiros dos empreendedores nos quais investem.

A idéia principal é conseguir destes anjos não só dinheiro, mas idéias, orientação na formação da empresa e até mesmo indicações de pessoas e negócios. Os anjos são investidores arrojados que assumem bastante risco, mas geralmente exigem participações altas das companhias ou dos projetos. Alguns dos principais grupos de anjos são os seguintes: Anjos do Brasil, Eqseed e a Gávea Angels. Estima-se que existam mas de cem mil investidores anjo no Brasil.

Muitos empreendedores em fase inicial costumam fazer trocas de participação acionária com o desenvolvimento de parte do projeto. Por exemplo: trocar uma parte do projeto pelo desenvolvimento de um sistema, processo, teste ou mesmo pela simples participação de um mentor importante que poderia abrir portas ou mesmo atrair futuros clientes. Os laboratórios de tecnologia, as chamadas “fábricas de sistemas”, as aceleradoras ou mesmo as incubadoras muitas vezes fazem este papel.

Como fazer quando a empresa tem um pouco mais de experiência
Uma vez que a empresa foi formada e já conseguiu uma certa tração nas vendas, as portas dos fundos de investimentos começam a se abrir. Existem diversos tipos de fundos: venture capital, growth capital e private equity. Nesta fase procure pelos fundos de venture capital pois eles que geralmente investem em empresas em fase inicial. Costumam buscar qualquer tipo de idéia inovadora, especialmente as que têm tecnologia e patentes associadas. Fatores como diferenciação, inovação e potencial de crescimento são altamente desejados por este tipo de investidor.

Apesar de arriscado, captar financiamento de bancos pode ser uma opção boa em fases iniciais das companhias. É certamente mais barato do que captar de investidores, apesar de termos que pagar compulsoriamente os juros e em algum momento o principal. O risco de começarmos a empresa com financiamentos é maior, porém, não exige alto nível de governança e o empreendedor mantem todas as suas ações.

Neste momento, as taxas de juros no Brasil estão em patamares baixos, o que pode ser bem atrativo. Porém, tome muito cuidado com os financiamentos. Procure buscar financiamentos de longo prazo, com carência de pagamento e se possível, com juros subsidiados pelos bancos estatais, como o BNDES e o Desenvolve SP. Um dos maiores impeditivos é que o banco provavelmente exigirá garantias reais. Alguns empreendedores às vezes optam por fazer um financiamento com garantia de seus imóveis, o que é geralmente uma forma mais barata de conseguir recursos, com um prazo bastante grande para o pagamento do principal.

Uma certeza: será preciso tomar dinheiro emprestado para empreender
De uma forma geral, captar recursos é algo absolutamente imprescindível para iniciar um negócio. A captação pode ser a chave para acelerar o desenvolvimento da empresa, mas pode ser um desastre se não captarmos os recursos com a linha certa, do investidor mas adequado e nas condições que realmente tragam confiança para o desenvolvimento de forma sustentável.

Procure investidores que tragam não somente dinheiro para a empresa, mas que também contribuam com outros fatores, como gestão, clientes e tecnologia. E lembre-se: quem tem que escolher o investidor são os empreendedores e não o inverso, por que no final das contas, quem empreende é quem tem paixão pelo negócio e está apostando tudo. Seja exigente com quem for se associar, pois esta relação deve ser de longo prazo e se for mal sucedida, pode comprometer o seu futuro.

Ricardo Mollo (Especial para o Estado) – É empreendedor, CEO da Brain Business School e PhD candidate na University of London.

Agir como uma empresa de pequeno porte (independentemente de qual seja seu real tamanho)

22 de fevereiro de 2018

Agir como empresa de pequeno porte, independentemente de qual seja seu real porte, é muito mais do que um jogo de palavras. Pode tornar-se uma estratégia para empresas que se apoiam no marketing dirigido a produtos (ou serviços) visando a ampliar seus horizontes de crescimento, para fortalecimento da qualidade e das avaliações favoráveis de seus clientes.

Afora as características da pequena empresa, em limitações de recursos materiais, financeiros e processos de gestão, agir como empresa de pequeno porte é operar rápido, com ênfase na confiança e na flexibilidade daquilo que agrega valor numa demonstração de compromisso com o tempo do cliente. É cuidar, é dar atenção, zelar e comprometer-se com as promessas feitas ao usuário ou cliente.

O consumidor de serviços, por exemplo, antes de qualquer coisa, acredita no intangível, no abstrato, na promessa de que o serviço atenderá às suas necessidades expectativas e desejos.

Agilidade e simplificação na empresa contemporânea passam pela redução da burocracia. O corte de camadas da hierarquia formal mantendo poucos colaboradores de escritório em paralelo ao treinamento de funcionários de nível mais baixo promove liberdade para a tomada de decisões em vez de sobrecargas de regulamentos e regras. O que inibe a flexibilidade e autonomia deve ser revisto e aperfeiçoado. Há muito conhecimento dentro das empresas que não é gerido e o momento requer independente do porte da empresa, desenvolver generalizado apreço pela simplicidade.

Ser empresa de grande porte proporciona os recursos e a complexidade suficientes para produtos e serviços em ambiente global. No entanto, nesse ambiente, a competitividade dependerá de estruturas descentralizadas, enxutas, com colaboradores mais conscientes de suas atribuições, mais responsáveis e membros de equipes autodirigidas.

O objetivo da empresa não deve ser outro senão aumentar a produtividade e a satisfação dos clientes, substituindo a burocracia pela criatividade, respeito mútuo e capacidade organizacional.

Os valores organizacionais humanos como integridade, alegria e trabalho em equipe provocam uma visão compartilhada de elevado propósito.

Algumas empresas hoje, embora de grande porte, conseguem por meio de softwares de gestão e equipes multifuncionais bem treinadas conseguem impressionar favoravelmente o cliente com sua eficiência e pessoalidade no atendimento. Ainda são poucas.

É fácil para nossos clientes realizarem negócios conosco? Ou, é fácil para nós realizarmos negócio conosco mesmos? Estas são perguntas que funcionam como bússola para orientar as estratégias e táticas visando operar uma empresa eficaz, independentemente de qual for seu real porte.

Operar como empresa de pequeno porte significa ter competência para adaptar-se às preferências do mercado e à personalidade de cada cliente. É adequar o atendimento conforme as circunstâncias, aliviando a carga sobre o cliente se ocorrer problemas e agir rapidamente, de forma pessoal para fazer os clientes sentirem-se especiais. Propositalmente especiais.

“Quando as pessoas são peças-chave do produto ou serviço, agir como uma empresa de pequeno porte é ser uma grande empresa.”

Gilberto Cavicchioli é engenheiro, mestre em administração, professor na pós-graduação da ESPM, da FGV e do SENAC. Também é consultor de empresas e palestrante.

 

A nova alma do negócio

11 de janeiro de 2018

Esqueça grandes investimentos em infraestrutura tecnológica, cronogramas de longo prazo e a obrigatoriedade de acertar. Também jogue fora a antiga máxima repetida por nossos avós de que é preciso guardar segredo para ter sucesso nos negócios. Com ela, descarte metodologias processuais ou ideias sobre produtos e serviços de capacidade e alcance limitados. E se tem receio de empreender na crise, repense.

O Brasil sempre foi reconhecido pela aptidão ao empreendedorismo muito pela característica criativa de seu povo e pelo poder de sedução que a possibilidade de ser seu próprio chefe exerce nas pessoas. Ter uma boa ideia, recursos para investir nela e um plano de negócio bem elaborado eram basicamente as condições necessárias para colocar o sonho em prática. Alguma coragem e ousadia davam o empurrão final para quem, por desejo ou necessidade, se lançava no caminho do empreendedorismo.

Tirando as características da personalidade e qualificação, todo o resto já ficou para trás. Vivemos um momento de transformação estimulado por provocações constantes e propósitos. O empreendedorismo digital está aí para nos ensinar sobre um novo jeito de tangibilizar ideias inovadoras, no qual o contexto econômico importa menos do que o potencial de escalabilidade de um produto ou a disposição de seus idealizadores para serem colaborativos.

No passado, a tecnologia era uma barreira de entrada para quem queria empreender, já que os custos para aquisição de servidores, softwares e licenças eram muito altos. Sem a tecnologia, era muito difícil atingir escala, o que limitava o crescimento das empresas. Para resolver essa questão, investia-se cada vez mais dinheiro em grandes estruturas internas, o que tornava a empreitada mais complexa se o ambiente econômico fosse desfavorável. Agora, a acessibilidade é facilitada e, mesmo que se tenha necessidade de máquinas superpotentes para fazer um processamento em inteligência artificial, por exemplo, o preço é customizado já que infraestrutura e serviços estão em nuvem.

É nesse ambiente que as startups se desenvolvem. São empresas que resolvem problemas reais, do mundo real, por meio da criação de uma solução com potencial de escala, usando a tecnologia como meio para atingir o maior número de clientes ao mesmo tempo. Para além do campo idealizador e da utilização de ferramentas tecnológicas para tocar seu projeto, esses empreendedores também se desobrigam de acertar. Eles testam hipóteses e as incrementam ao longo do tempo. Se erram, voltam a experimentar.

O planejamento continua sendo fundamental para negócios bem-sucedidos, mas os prazos encurtaram. A construção se dá ao longo do tempo justamente porque os testes aprimoram continuamente o plano inicial. Desse modo, o resultado de um projeto fica atrelado a um conjunto de sucessivas pequenas implementações que promovem um maior engajamento dos clientes. Como posso me tornar mais simples? Como posso otimizar o tempo do usuário e entregar mais e melhor? São as perguntas frequentes de um profissional cada vez mais dinâmico e realizador.

Mais do que uma simples ideia, os novos empreendedores também têm o desejo genuíno de mudar o patamar das entregas de produtos e serviços para a sociedade. Buscam agregar inovações que realmente ajudem as pessoas e estão plenamente disponíveis em colaborar uns com os outros. Querem contribuir com o ecossistema ao invés de competirem entre si. E fazem dessa mudança de paradigma o trampolim decisivo que ajuda o seu negócio e o restante da cadeia a crescer. Chegam ao ponto de combinarem soluções para produzir um terceiro produto ainda mais eficiente e completo, desprendidos daqueles segredos inconfessáveis que nossos avós acreditavam ser o diferencial para o sucesso.

É por isso que grandes empresas se aproximam desse novo modelo de se fazer e pensar negócios. É um ganha-ganha contínuo em uma quase simbiose entre o tradicional e o novo. Não por acaso, os espaços de coworking ou incubadoras de startups se multiplicam, o que é agregador para todos. Ambientes motivadores trazem inspiração para que haja transformações positivas em processos tradicionais. Alimentam o ecossistema, criam densidade e promovem ainda mais interações, tão necessárias para o desenvolvimento de novas soluções.

E se o contexto econômico é mais difícil, não há impedimento para que haja fluxo, já que a colaboração se sobrepõe à competição e a mentalidade de escassez, independentemente de o ambiente ser ou não de abundância, estimula a criatividade. Nesse sentido, o ideal é pensar soluções digitais do início ao fim do processo, o que certamente reduz os custos e torna desnecessário depender de um exército para fazê-las funcionar. Sendo assim, o valor agregado de novas ideias pode ser medido por sua capacidade de escala, quando uma mesma estrutura de suporte e operação pode multiplicar seu alcance.

Estamos falando de um ecossistema poderoso, de um novo modelo de empreendedorismo em que cada agente da cadeia tem o seu papel. Seja a incubadora, o investidor, a universidade ou quem disponibiliza o ambiente para que as interações aconteçam. Se parte de um ingrediente inesperado na receita ou de uma sacada genial, o que importa hoje é a colaboração, o investimento digital, ideias inovadoras e bons propósitos. Essa é a nova alma dos novos negócios.

Lineu Andrade é diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco e responsável pelo Cubo Itaú, maior centro de empreendedorismo da América Latina.

O empreendedor global

13 de novembro de 2017

De hoje a domingo, 35 mil eventos em 165 países comemoram a Semana Global do Empreendedorismo, a maior celebração mundial dos inovadores e criadores de emprego. A abertura estará a cargo do empreendedor serial sir Richard Branson.

Mais do que a grande mobilização em torno do tema, esta Semana do Empreendedor chama a atenção pela importância que assumiram aqueles que iniciam negócios, mesmo em países em conflito ou em crise.

O empreendedorismo é vibrante mesmo em regiões onde pode não ser esperado. Na China, ele vem promovendo uma verdadeira revolução na economia. Na Venezuela, em meio à turbulência política e econômica, o empreendedorismo está evoluindo por necessidade. Mesmo em países devastados pela guerra, como a Síria, existem bolsões de startups.

Isso prova que empreender ultrapassa diferenças políticas e geográficas: empreendedorismo de diversos países tem muito em comum, desde suas motivações a seus desafios. Um exemplo disso é o desemprego – principalmente o de jovens –, que vem sendo um motor pra iniciar negócios em quase todas as partes do mundo.

Por outro lado, em quase todos os países existe o desafio de espalhar geograficamente o empreendedorismo, que costuma ser um fenômeno urbano. A preocupação em diversas regiões é estimular o início de novos negócios em áreas e setores menos empresariais.

E, por fim, há a faca de dois gumes da tecnologia: ao mesmo tempo em que ela cria novas oportunidades de negócios e as espalha geograficamente, também está fazendo que estes novos negócios funcionem com cada vez menos trabalhadores. Ou seja, a tecnologia limita o impacto social das novas empresas.

De toda forma, a Semana Global do Empreendedor confirma o que se vem afirmando aqui nesta coluna semana após semana: os empreendedores são mais importantes do que nunca. E não importa em que idioma, nível político, regime econômico ou mesmo inclinação religiosa.

Empreender é a grande linguagem universal.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Mega campeão olímpico fala de gestão em São Paulo

6 de novembro de 2017

O campeão olímpico Michael Phelps

Michael Phelps, o atleta com mais medalhas olímpicas da história, e seu treinador Bob Bowman, vêm a São Paulo para palestrar no HSM EXPO 2017 , evento de liderança e alta performance empresarial. O tema da palestra de ambos é a busca pela excelência. A palestra de Phelps e Bowman vai ser dia 8/11 às 10 horas. O evento da HSM vai ser realizado no Transamérica Expo Center de hoje até quarta-feira.

Phelps tem 22 medalhas de ouro em olimpíadas — mais do dobro de qualquer outro atleta – e mesmo que possamos imaginar que a carreira dele foi sempre uma curva ascendente e vitoriosa, ele vai falar da trajetória pessoal, intima, cheia de dificuldades e imprevistos, altos e baixos, depressão, e drogas, como lidar com a pressão por uma constante superação de recordes. Na Olimpíada do Rio 2016, Phelps encerrou a carreira após dar a volta por cima, ganhando 5 medalhas de ouro e uma de prata.

É impossível separar a imagem de campeão de Phelps do seu treinador Bob Bowman. Ele é o grande arquiteto da carreira do atleta, e conta da descoberta do garoto comum de 11 anos, com déficit de atenção, e que se tornou uma celebridade aos 16 anos ao bater o recorde mundial. Bowman aborda o seu método de trabalho de 5 etapas e de como adaptá-lo aos negócios:

1.     1. Estabelecer metas

2.     2. Visualizar

3.     3. Preparar-se para todos os cenários

4.     4. Manter o foco mesmo com resultados ruins

5.     5. Treinar

Os convidados do evento são todos muito interessantes. Ao longo dos três dias se revezam Monja Coen, Joanna Barsh, Amy Cuddy, Adam Grant, Jack Welch, José Gallo, Salim Ismail, Chip Conley, Nassim Taleb, Stelleo Tolda, entre outros.

Ingressos? Um dia custa R$ 3.675,30 e o pacote de 3 dias a bagatela de R$ 7.990,00

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

A nova Sicília empreendedora

23 de outubro de 2017

Estou na metade do meu giro na Sicilia, dando a volta nesta ilha cheia de história, mezzo férias com toda a família e mezzo trabalho, bem do jeito que eu gosto. Coloquei especial foco em conhecer as pequenas cidades e os pequenos produtores de alimentos, e tenho observado com curiosidade e interesse a dinâmica do pequeno empreendedor da ilha. Nas pequenas cidades, a minha primeira impressão é que praticamente todos são donos de algum negócio, estabelecidos há gerações: o dono da padaria, o dono do laticínio, o dono do restaurante, e assim por diante. Os funcionários do negócio são basicamente a própria família.

Giuseppe Occhipinti, preparando queijos DOP em Ragusa

Eu fiquei imaginando que isso pode ter um lado bom e um lado ruim. O lado bom é que os filhos já nascem com uma certa garantia de trabalho, no negócio da família, e não precisam construir um negócio do zero. Pode ser bastante confortante, e mesmo que pareça estranho para muitos de nós, é algo muito comum aqui – e na Europa em geral. O lado ruim é que existe muito pouco espaço para novos empreendedores ou, pelo menos, para empreender fora da área de atuação daquela família. A demanda de trabalho e serviços nas cidades pequenas é escassa, são povoados que não tem turismo, e por isso é tão comum, numa família grande muitos filhos migrarem em busca de oportunidades na cidade grande, ou em outros países. Me parece que é muito similar com o que acontece nas cidades pequenas do interior do Brasil.

Ao mesmo tempo, fui impactado pela descoberta de uma outra Sicília, de pensamento moderno, uma galera que eu defino na vanguarda da gastronomia, conectada com o mundo, atuando de forma a valorizar a terra e o conhecimento ancestral. Este pessoal não está mais pensando no mercado local, e sim no mercado mundial, e mesmo que pareça óbvio, não é fácil encontrar um lugar no mundo competitivo da gastronomia, e eles estão conseguindo. Ao encontrar novas soluções de se apresentar no mercado, agregando valor ao trabalho local, estão criando um modelo de prosperidade a ser seguido pelos novos jovens empreendedores da ilha.

No meio das montanhas, as azeitonas da Calaforno


Agrobiologica Calaforno Angelica
(www.locandaangelica.it).
No meio das montanhas, no qual cheguei através de um caminho sinuoso de difícil acesso, nos recebe Salvatore Angelica, jovem empreendedor de 25 anos que é o “guardião” de mais de 7 mil oliveiras “soltas” nos vales ao redor. A paisagem milenar, silenciosa, com muitas pedras e com oliveiras enormes, contrasta com o que vejo ao entrar no edifício de manipulação e produção: é um laboratório, máquinas novas, tudo extremamente limpo, organizado, amplo (eu, que sou um apreciador dos métodos de produção artesanal, fiquei emocionado), unindo a última tecnologia a um dos rituais mais antigos da humanidade: colher azeitonas na mão e prensar para extrair o azeite. Salvatore me mostra a diferença entre os vários tipos de azeitonas, e como as cores de suas azeitonas são 100% naturais, sem corantes. Descemos no deposito onde são feitas a salmouras em temperatura controlada, tudo impecável. Acima de tudo, Salvatore mostra o orgulho da terra, do produto que ele faz e conhece a fundo. Mas com uma visão agressiva de apostar no mercado internacional através dos selos da produção biológica.

Nossa visita à Chocolate Sabadi

Chocolate Sabadi (www.sabadi.it). Conheci este pessoal na feira Summer Fancy Food em New York, e agora pude finalmente conhecer a pequena e moderna fábrica bio-artesanal em Módica. Esta cidade é reconhecida no mundo todo pelos chocolates trabalhados a baixa temperatura, o que traz um paladar único e os torna muito mais saudáveis. Como reinventar a roda do chocolate? Pois aqui um jovem empreendedor chamado Simone Sabaini está mostrando como se faz, através da comunicação inteligente, com um packaging cheio de bom humor e personalidade. O slogan da empresa é “slowliving” (que pode ser traduzido como “viver lentamente” fazendo alusão ao “slow food”). É bom destacar que a Sabadi tem 5 prêmios consecutivos de melhor chocolate de Módica – o que não é pouca coisa – e trabalha com selos orgânicos e bios. Como o Simone diz, viver na Sicília é uma escolha, e desta pequena cidade no interior, e com uma pequena equipe, os chocolates vão para o mundo todo!

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Sobre férias e o que queremos ensinar aos nossos filhos

16 de outubro de 2017

Escrevo de Ragusa, cidade mais do que adorável da Sicília, onde estou em férias com a família. Por que escolhi a Sicília para férias? Confesso para vocês: foi o trabalho.

Como empreendedor, não consigo separar a vida familiar da vida empresarial. Faço questão de que os dois aspectos andem colados: minha vida familiar, meus valores, minhas vivencias e necessidades pautam muito do que faço nos negócios. E vice-versa.

E assim é com minhas férias.

O ponto de partida de minha viagem familiar foi um convite de Salvatore Lialli e seu filho, Angelo, donos do Molino di Ragusa, ancestral, que produz sêmolas e farinhas de alta qualidade. Conheci-os numa feira já faz uns bons 12 anos, quando o Plastifico Primo era apenas um sonho ainda a ser realizado. O Angelo, que quando o conheci devia ter uns 15 ou 16 anos e já acompanhava o pai nas exposições de trabalho, hoje é um jovem empreendedor agrícola procurando seu próprio caminho, e cultiva o valioso açafrão (o verdadeiro) e outras frutas e legumes orgânicos.

Quando decidi aceitar o convite deles para conhecer o moinho e o trabalho que fazem, vi aparecer a oportunidade para, mais uma vez, aliar a busca do aprimoramento empresarial e vivencia pessoal. A combinação perfeita de trabalho e diversão, nosso lema de vida. Assim, decidimos alugar um motor home e dar a volta na ilha, visitando produtores, pesquisando – e comendo! – a gastronomia local, que é uma das mais inspiradoras do mundo. E jogando conversa fora com os sicilianos, que são maravilhosos.

É nossa primeira vez nesta que é uma ilha carregada da história do mediterrâneo, palco de muitas disputas que moldaram sua paisagem e sua cultura. E estamos encantados. A ideia do motor home surgiu de uma brincadeira de que a gente queria conhecer pelo menos dez cidades, e lógico que isso significava ficar abrindo e fechando malas pelo menos dez vezes – e trabalho dobrado com crianças. Assim, apenas desembarcamos nos instalamos na nossa casinha rodante e “andiamo via” no hotel sobre rodas.

Entre paisagens de perder o fôlego e ruínas milenares, temos aproveitado para ensinar aos nossos filhos sobre a origem de coisas que lhes são familiares como o azeite de oliva (foto acima), a farinha, o queijo, o presunto. Temos visitado produtores locais, conhecido sua rotina, acompanhado seu trabalho – e suas dificuldades, e o sorriso de felicidade, o orgulho quando falam de seus produtos. E tento, com isso, mostrar aos meus filhos que tudo de bom que se come tem, por trás, pessoas, trabalho duro, suor e dedicação.

Se, ao crescer, eles não quiserem seguir o caminho da gastronomia, que ao menos saibam reconhecer o valor do trabalho alheio. Como fazem nossos clientes.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Estamos formando profissionais paras as empresas do passado ou do futuro?

13 de outubro de 2017

Quase todos concordam que há muitas novas profissões surgindo e que as atuais sofrerão grande impacto nos próximos anos. A discordância está na projeção. A Manpower, uma das maiores empresas de gestão de pessoas do mundo, diz que 65% das funções que serão executadas por aqueles que são adolescentes agora ainda não foram criadas. O Institute for the Future (IFTF), instituição que pesquisa o futuro há décadas, é ainda mais agressivo. Aponta que 85% das atividades profissionais que estarão sendo executadas em 2030 ainda não existem atualmente. A McKinsey, uma das principais consultorias de gestão do mundo, afirma que, pelo menos 60% de todas as ocupações atuais sofrerão impactos com o uso de diversas tecnologias exponenciais combinadas. Disso tudo, uma necessidade: você precisará ser empreendedor de si mesmo para encarar as mudanças como oportunidades e não ameaças.

Entretanto, estas pessoas irão trabalhar em que tipo de empresa? Uma parte desta resposta já existe agora. Não só no Brasil, mas em boa parte dos outros países, os jovens querem trabalhar na sua empresa. Daí criar startups inovadoras é o novo sonho desta geração. Empreender seu negócio próprio é o desejo de dois a cada três jovens brasileiros aponta uma pesquisa recente da Firjan. Isto já vinha sendo apontado por várias outras pesquisas anteriores. Pode ser romantismo, ingenuidade ou desconhecimento do que é criar um negócio próprio, mas os jovens e adolescentes querem empreender. Mais do que criar um negócio, empreender para estes jovens, mesmo que sejam como intraempreendedores (empreendedores dentro de uma organização), é a oportunidade para serem protagonistas dos seus futuros.

Mas mesmo que as pesquisas do interesse dos jovens e adolescentes em empreender estejam (muito) erradas e não se confirmem, a parcela excludente irá trabalhar em empresas já constituídas. As organizações atuais serão as mesmas do futuro? Como imagina uma instituição financeira, uma empresa de bens de consumo, uma varejista ou um escritório de arquitetura nos próximos anos?

Uma pesquisa apresentada por Pierre Nanterme, principal executivo da Accenture, outra empresa entre as mais respeitadas consultorias do mundo, aponta que a questão digital é a principal razão de quase metade das maiores empresas que estavam na Fortune 500 sumirem do ranking desde o ano 2000. Por isso, a “dica” de Luca Cavalcanti, diretor executivo do Bradesco, é bastante efetiva: “Quando seu chefe está falando sobre um tópico digital, e você não está, você está atrasado no jogo”.

A questão digital não impacta apenas profissionais especializados e grandes empresas intensivas no uso de tecnologia. Ela está criando grandes disrupções em todas as atividades profissionais e mercados. Muitos não percebem, mas milhares de atendentes de call centers estão sendo substituídos por soluções de inteligência artificial, big data e machine learning. Mas contadores, administradores, médicos, advogados, engenheiros, professores ou qualquer outra profissão tradicional também.

No mesmo evento (World Economic Forum) em que Nanterme da Accenture explicou o impacto da questão digital, outro líder empresarial, Marc Benioff, CEO e fundador da Salesforce, defendeu que, diante destas drásticas mudanças, a necessidade urgente de países e empresas terem uma espécie de ministro ou diretor do futuro. Alguém que olhe exclusivamente para as mudanças e disrupções que estão por vir nos próximos anos ou décadas e prepare as bases da sua organização para chegar lá. Não é possível dirigir algo em direção ao futuro olhando o retrovisor!

Por isso, neste momento em que empresas, universidades, faculdades e escolas estão planejando o próximo ano, uma pergunta poderia fazer parte deste processo: estamos formando profissionais paras as empresas do passado ou do futuro?

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação e consultor dos programas InovaBra do Bradesco e Inova+Startups da Cyrela Commercial Properties (CCP).

O momento do empreendedor

10 de outubro de 2017

Eventos discutirão assuntos e terão atividades que vão ajudar o empreendedor em suas rotinas

Nas próximas semanas serão realizados em São Paulo dois dos mais importantes eventos de – e para – empreendedores. Um fato importante a ser destacado é que ambos eventos contam com suporte de grandes meios de comunicação. Na minha opinião isso demonstra a relevância que os empreendedores representam como noticia, na economia, e também como os empreendedores precisam cada vez mais de qualidade de informação para aprimorar a formação.

Dias 19, 20 e 21 de outubro:

O Festival de Cultura Empreendedora é um evento conjunto da PEGN, Época Negócios e Valor Econômico e está sendo chamado de FLIP do empreendedorismo (uma alusão ao conceituado Festival Literário de Parati), por juntar makers, geeks, artistas, investidores, historiadores, educadores e muitos empreendedores de vários países. Ah, e também está prometida uma “batalha das startups” disputando investidores-anjo. Serão as START WARS? Parece divertido. Em sua primeira edição, vai ocupar os galpões da CO.W. Berrini.

Pode ir com a família também, pois haverá atividades para crianças e adolescentes. Confere mais no link https://www.culturaempreendedorafest.com/

Dias 26, 27 e 28 de outubro:

A Semana Pró-PME é organizada pelo Estadão e vai convidar grandes empresários a debater, em três dias de palestras e mesas- redondas, o futuro do empreendedorismo, apresentar as jornadas de sucesso (e fracasso), marketing, finanças, gestão e inovação. Ainda como reforço, do dia 23 ao 28 o Estadão PME vai publicar reportagens especiais com dicas para pequenos e médios empresários. O evento ainda vai ter mentorias, possibilitando bate-papo com empreendedores renomados, business games, e networking, pois o evento é todo focado em trocas e compartilhamento e oportunidades reais de negócios. O evento vai ocorrer no Unibes Cultural, na Rua Oscar Freire 2500. Inscrições no link https://www.eventbrite.com.br/e/estadao-semana-pro-pme-tickets-36953575138

Estou torcendo que estes eventos sejam um sinal definitivo da retomada da economia e, acima de tudo, a volta da valorização do empreendedorismo no Brasil.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Se não houver espaço para o erro, não haverá espaço para a inovação

15 de setembro de 2017

O CEO de uma grande empresa na qual presto consultoria reuniu centenas de colaboradores e explicou que para inovar para a empresa, eles poderiam cometer erros. Ninguém entendeu muito bem o que aquilo significava já que, erros, tradicionalmente, sempre são punidos nas organizações. Mas só nas organizações míopes. Nas visionárias, o erro, desde que cometido na tentativa de melhorar, não é apenas tolerado, mas até incentivado. David Packard, cofundador da HP, costumava dizer que se você não está errando, provavelmente não está inovando. E esta reflexão precisa acender uma lâmpada na cabeça das pessoas e organizações que querem, verdadeiramente, inovar.

Mostre-me uma pessoa que nunca cometeu um erro, e eu mostrarei a você uma pessoa que nunca fez nada de relevante na vida.”- explicava William Rosenberg, fundador da Dunkin’ Donuts.

Por esta razão tão óbvia, empresas realmente comprometidas com a inovação, encaram o erro e fracasso como parte do processo do aprendizado organizacional. O Google permite que seus colaboradores utilizem parte do tempo de trabalho em projetos pessoais e incentiva objetivos ambiciosos para que, mesmo não atingindo 100% do resultado, sejam valorizados pela bravura em buscar algo realmente visionário.

Mas nas empresas tradicionais, o funcionário ainda teme fracassar e ser desligado da companhia por isso. E estão certos! São empregados para exercer uma função como qualquer outro ativo da organização que busca a eficiência, e se não entregar os resultados esperados, são descartados na escuridão das incertezas.

Mas há muito tempo, em diversos segmentos, ser eficiente já não é mais uma vantagem competitiva tanto para o empregado como para a empresa. Agora, empresas estão sendo pressionadas a inovar. E a inovação pressupõe espaço para os bons erros e fracassos.

Mas esta valorização do bom fracasso não é nova. “Não tenha medo de errar. Mas certifique de não cometer o mesmo erro duas vezes.” Esta era a recomendação de Akio Morita, co-fundador da Sony para todos na sua empresa. Ele gostava que todos falassem abertamente sobre seus fracassos para que apenas erros novos fossem cometidos. “Em todo o tempo que estive na empresa, eu consigo lembrar de pouquíssimas pessoas que eu gostaria de ter demitido pelos erros cometidos.” – recorda em sua biografia. “Falhas e erros de cálculo são humanos e algo normal, e analisando no longo prazo, isto não prejudicou a empresa. Mas se uma pessoa que cometer um erro é condenada e desprestigiada, ela poderá perder sua motivação pelo resto da sua passagem pela empresa, privando a companhia de qualquer coisa construtiva que poderia oferecer. Se a causa do erro for esclarecida e divulgada, a pessoa não esquecerá e outros não cometerão a mesma falha. Por isso, eu digo ao nosso pessoal: Vá em frente e faça o que acha que é correto. Se errar, aprenderá com isso”.

Assim, se estiver atuando em uma organização que diz que quer inovar, mas percebe que não há incentivos ou mesmo tolerância aos fracassos, continue não cometendo erros e manterá o seu emprego até alguém mais inovador apagar a luz.

Porém, se há espaço para bons erros para quem busca verdadeiramente inovar, paradoxalmente, nunca irá fracassar: “Eu nunca fracassei. Só descobri dez mil alternativas que não funcionaram…” – dizia o maior inovador de todos os tempos, Thomas Edison, o responsável pela tal lâmpada que ilumina os caminhos da inovação.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper