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Blog do Empreendedor
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Cara de pau, vestir-se bem e driblar a burocracia: confira as dicas de um dono de startup

6 de agosto de 2013

Renato Steinberg criou, ao lado do amigo Flavio Pripas, a rede social de moda Fashion.me e compartilhou em seus posts a experiência e desafios de abrir e administrar uma startup no Brasil e também no exterior. Em seu último post, Renato deu um conselho para o empreendedor: não tenha medo de se expor. Coloque a sua cara a mostra!

Separamos quatro posts para relembrar a participação do empresário:

Ferramentas para fechar parcerias: cara de pau e um telefone
Nesse post, Renato fala sobre o início do Fashion.me, quando a empresa não tinha dinheiro para atrair novos usuários.

Vestir-se bem importa mais do que você imagina em uma reunião
Esse foi um dos posts mais polêmicos do empresário e gerou 94 comentários.

No Brasil são 3 meses para abrir a empresa; no exterior são 4 dias
Renato falou sobre as diferenças entre a burocracia brasileira e nos EUA

Oito respostas para você que deseja se tornar um empreendedor
O empresário comparou a carreira formal com a de empreendedor e resolveu responder algumas perguntas.

Dormir é para os fracos

30 de julho de 2013

Renato criou o Fashion.me

Às vezes aparecem algumas oportunidades que fazem você sair da zona de conforto. Acho que todo empreendedor tem uma propensão a risco e a aventura. Escrever este blog durante 7 meses, todas as semanas, foi uma dessas aventuras para mim.

Eu não sou jornalista, nunca gostei das matérias de humanas, eu me dou muito melhor com a matemática e a computação. Eu já tinha escrito alguns artigos antes. Um dos meus avanços mais importantes na carreira, quando eu trabalhava no mercado financeiro, foi um discurso que escrevi durante uma reunião estratégica. Não acho que eu escrevo bem, mas acho que tenho uma boa imaginação.

Mas é incrível como todos nós não sabemos prever o tamanho dos nossos desafios. Quando eu topei o desafio de escrever aqui, eu achei que ia ser mais fácil. Um monte de gente me pede conselhos sobre startups no dia-a-dia, basta colocá-los no papel. Imaginei que ia conseguir deixar alguns tópicos prontos, que eu ia perder no máximo uma hora para escrever todas as semanas. Eu estava enganado.

Este mesmo fenômeno acontece nos meus projetos. Eu sempre acho que é fácil, que vai ser mais rápido e que vai custar menos. Sempre quebro a cara. A gente esquece dos detalhes, a gente esquece das pequisas, a gente esquece que existem outras atividades que também tem que ser feitas. As madrugadas, os fins de semana, tão aí para isso, tirar o atraso.

“Dormir é para os fracos!” Este é o lema informal de todo startupeiro. Durante alguns encontros com outros colegas, a gente até compete para ver quem está dormindo menos.  Mas tem as recompensas! A primeira é saber que eu fui capaz. Alguns textos ficaram bons, outros ficaram ruins. Tem alguns que, olhando agora, eu tenho até vergonha…

Eles estão aí para a internet inteira ler, e o Google não deixa ninguém esquecer. A outra recompensa são as conexões com as pessoas. Em mais de um evento que eu fui, alguém virou para mim e falou que leu meus artigos aqui ou no Linked In (eu escrevo também para lá) . Teve até um cara que não desgrudava de mim o evento inteiro, confesso que eu fiquei com um pouco de medo.

O meu último conselho para você empreendedor, aqui no Estadão é esse: não tenha medo de se expor. Coloque a sua cara a mostra! Comunique-se. Crie um blog, poste o seu dia-a-dia, fale o que está na sua cabeça, mostre que a sua empresa é feita de pessoas e que elas tem uma visão de mundo.

Escreva para seus funcionários também, mostre para eles qual é a sua visão de mundo, não só nos aspectos do dia-a-dia do negócio, mas sobre tudo. Escrevendo você aprende muito. Eu termino aqui, mas continuo em outros lugares:

LinkedIn: http://www.linkedin.com/influencer/625159
Twitter: @renatost
E não deixem de visitar o Fashion.me (http://fashion.me)

Beijos e Abraços, foi uma experiência incrível!

Startup brasileira não é o Facebook e precisa gerar caixa rápido

23 de julho de 2013

Renato fala sobre longo prazo x curto prazo

A gente aprende na escola a pensar no longo prazo, escrever a visão e a missão e elaborar as estratégias do negócio. Na vida real, grande parte do tempo se dá nas tarefas de curto prazo, coisas do dia-a-dia, como se preparar para uma reunião, responder um e-mail do cliente, negociar com o fornecedor, etc.

Quase nunca paramos para pensar se esta ou aquela atividade estão de acordo com as nossas estratégias, quando muito pensamos como ela impacta a linha da receita ou da despesa. Na grande maioria das vezes fazemos as atividades porque é o nosso trabalho, você sempre fez estas atividades, ou alguém mandou você fazer isto e pronto.

Na grande maioria das vezes, as atividades que fazemos no dia-a-dia, e os nossos objetivos de longo-prazo vão na mesma direção, mas nem sempre é assim:

O Fashion.me, por exemplo, é um site e vende publicidade para os seus cliente. De vez em quando, aparece um cliente que não quer comprar publicidade, mas sim usar a nossa tecnologia e está disposto a (e bem) pagar por isto.  Pensando na estratégia de longo-prazo, e nosso foco, deveríamos negar este cliente e continuar a vender publicidade, afinal, vender tecnologia não é o nosso foco e se queremos ser a maior rede social de moda do mundo, não faz sentido licenciar a nossa tecnologia.

Por outro lado, precisamos de caixa e esta é uma ótima oportunidade de gerar um lucro extra. É bem difícil dizer o que se deve fazer nestas situações, o que tentamos fazer é procurar alinhar de alguma forma este pedido com a nossa estratégia. Por exemplo, no caso anterior, poderíamos tentar fazer com que os usuários desta plataforma licenciada também sejam usuários da rede principal, e que eles saibam que estão participando do Fashion.me.

Deste modo, mesmo em um outro ambiente, eles de algum modo fazem parte da rede e aumentam a nossa audiência. Quando a sua empresa tem recursos é mais fácil dizer não para estas coisas. É comum ouvir histórias de startups americanas que tiveram oportunidades de ganhar bastante dinheiro mas não toparam porque ia contra os seus objetivos de longo prazo.

O Facebook, por exemplo, durante muito tempo não aceitou fazer anúncios para não atrapalhar a experiência do usuário e mesmo quando resolveu aceitar, fez de uma maneira diferente do convencional, na época, que era o uso de banners.A realidade brasileira é que a maioria das startups não tem muita opção, é preciso gerar caixa muito rápido, fazendo o que for preciso, e isto quase sempre inclui atividades que não são o foco e que não estão de acordo com as estratégias de longo prazo.

Sem desculpas

16 de julho de 2013

Não fique esperando por uma ideia brilhante. Se quer empreender,  comece imediatamente


Muitas pessoas têm vontade de empreender, mas não empreendem. Falam que a ideia de um negocio inovador ainda não apareceu.

Minha resposta para elas é: isso não é desculpa. É raro se ter uma ideia para um negocio inovador quando você está fazendo outra coisa. Não é que nem em desenho animado em que a “luzinha” acende na sua cabeça quando você está parado no trânsito ou tomando banho.

Para os que querem empreender, a coisa mais importante é começar. Mesmo sem uma ideia certinha e definitiva do que vai ser o seu negócio. Pegue uma indústria que você goste, alguma coisa que você veja que pode ser melhorado e parta daí. Mesmo que você a principio esteja fazendo algo que já existe sem nenhum diferencial.

Com o tempo, e pensando no seu novo negocio  o tempo inteiro, as ideias começarão a aparecer. Se você gosta do mercado infantil por exemplo, construa um e-commerce. Sim, já existem milhares de e-commerces de roupas infantis por aí. Mas assim que você mergulhar de cabeça no negócio você vai perceber que alguma coisa está faltando em alguns, que você pode focar em um nicho que ninguém está olhando, que a sua distribuição pode ser diferente, e quando você para, observa que tem uma coisa única, uma ideia que ninguém mais teve.

Outro exemplo é pegar um problema que você sabe que existe, mesmo que você não tenha uma ideia formada de como resolver. Eu estava no aeroporto esperando as minhas malas na ultima viagem e pensando: “deveria haver um jeito melhor, eu não deveria ficar esperando a minha mala aqui durante 1 hora, depois de ter ficado 15 horas dentro do avião e mais um tanto na imigração”.

O problema está aí, na cara de todo mundo. A pessoa que resolver se dedicar, a estudar como este processo funciona pode achar um jeito de quem sabe resolver o meu (e com certeza de muitas outras pessoas) problema.

Quanto mais você se envolve em uma indústria, mais fácil fica entender as ineficiências e as oportunidades. As vezes vendo de fora, você tem uma visão simplista de que algo deveria ser diferente e que existe uma ineficiência no processo. Mas quando você passa a conhecer mais a fundo os processos percebe que a solução não é tão simples, envolve mais recursos e mais tempo do que você imaginava. Nós não sabemos o que não sabemos, dizem que se soubéssemos o que iríamos enfrentar na vida de empreendedor, poucos se aventurariam. Mas é por isto que surgem as inovações.

Comece o seu negócio, mesmo sem saber exatamente o seu diferencial. Planeje o suficiente para tomar riscos calculados, mas não tente fazer um plano de negócios com centenas de cenários. Eu aposto que a realidade não estará em nenhum deles. Comece pequeno, teste as suas hipóteses, converse com outros empreendedores e com as pessoas do seu mercado.

Devagarzinho as ideias vão aparecer para você também e você vai ter o seu negócio único.

Programar faz bem para a cabeça

9 de julho de 2013

Fazer o pessoal de negócio e de tecnologia falar a mesma língua era um desafio


Recentemente eu conversei com um amigo empreendedor que me disse que na empresa dele todo mundo tem que aprender a programar, independente da sua função. Eu acho que isto é um exagero, mas saber programar computadores deixou de ser uma coisa super especializada para poucos e cada vez mais é importante nas mais diversas profissões.

Saber um pouco de programação possibilita acelerar muito das tarefas que você tem que fazer no dia a dia. Sabe aquela planilha que você demora o dia inteiro para montar? Provavelmente você conseguiria fazer um programinha que geraria ela em 5 minutos. Todo mundo tem um monte de tarefas repetitivas no seu dia a dia que seria facilmente automatizável.

Além disso, aprender a programar te ajuda a entender melhor como o computador funciona, e aí você vai poder se virar sozinho quando o maldito travar. Você passa a compreender melhor o funcionamento do sistema operacional e os motivos que podem ter levado o programa a parar de responder ou ficar lento.

A vantagem mais importante, na minha opinião, é a lógica. Computadores são maquinas extremamente complexas e que operam segundo a lógica. Quando você escreve uma linha de código, o computador executa ela a risca. Ele não interpreta o que você escreveu e tenta colocar em um contexto onde aquilo faça sentido, ele vai executar exatamente o que está escrito.

Programar é como resolver aqueles problemas de lógica que vem nas revistas de palavras cruzadas, sabe? Faz bem para a cabeça.

Uma das coisas mais desafiadoras quando eu trabalhava no mercado financeiro era fazer o pessoal de negócio e o pessoal de tecnologia falar a mesma língua. Durante muito tempo focamos em fazer o pessoal de tecnologia entender de negócio. Com certeza melhorou o diálogo, mas ainda faltava alguma coisa quando estávamos planejando um projeto.

É difícil fazer uma pessoa de negócio entender que ela precisa pensar em TODOS os cenários possíveis. Fazer a pessoa de negócio entender um pouco de tecnologia melhora ainda mais este diálogo. Fica mais fácil entender porque aquela telinha simples vai demorar um mês para ficar pronta.

Fora que além de tudo isso, você pode realmente gostar da coisa e criar a próxima grande empresa de tecnologia. Quem saber você não faz o próximo Google ou Facebook… Eles não tem um dom natural, como dançarinos ou músicos, são apenas pessoas inteligentes que entenderam bem cedo o poder que você tem quando domina os computadores.

Eu não estou dizendo que todos precisem ser feras em programação. Existem milhões de assunto super avançados que muitas vezes nem os programadores experientes entendem se aquilo não faz parte do dia a dia, mas é fundamental saber mais do que simplesmente saber fazer um “PROCV” no Excel.

Você só falha quando desiste, certo?

2 de julho de 2013

Uma comparação entre o golfe e o empreendedorismo

Faz uns 10 anos, quase todos os fins de semana, eu jogo golfe com a minha família. Eu sou péssimo, mesmo! Quase não acerto a bola, mesmo assim, eu acordo cedo (e olha que isso é bem difícil para mim, mesmo!) e vou jogar. Golfe é um esporte de auto-superação, você joga contra si mesmo muito mais do que contra os outros. O objetivo é baixar o seu handicap, o número de tacadas a mais que você faz comparado com a sua média, por isso, mesmo sendo ruim eu consigo me divertir.

O importante não é ganhar do adversário, mas jogar cada vez melhor.

Se eu fosse ruim em outro esporte provavelmente já teria desistido, mas o fato de eu não desistir diz muita coisa sobre mim como empreendedor: você só falha quando desiste, certo? Ou seja, se você não parar de jogar você ainda não falhou, só está demorando mais do que as outras pessoas para conseguir. Quantas pessoas que estavam a um passo de uma grande virada desistiram?

Mesmo nos momentos em que as coisas não vão bem, não desista!

No golfe, muitas vezes, o que está no cartão não diz muito sobre como você jogou. Você pode ter jogado muito bem quase todos os buracos, mas em dois ou três você estourou. A sua pontuação foi medíocre, mas o seu jogo pode ter sido muito bom. Na vida de empreendedor conta muito também o jogo e não só o balanço. Quando você decide empreender, você opta por um estilo de vida diferente, que às vezes é pior no seu bolso do que a vida corporativa, mas pode ser bem mais prazeroso. E não é só pelo jogo, é pelo estilo de vida.

Você tem que comprometer 4 horas da sua vida por partida de golfe, fora o tempo de ir até o campo e esperar a sua vez. Acaba tomando boa parte do dia, mas em compensação, você passa essas 4 horas andando em campos gramados, com árvores, lagos e belas paisagens e batendo papo com grandes amigos. Ao se tornar empreendedor você também opta por um estilo de vida. Muitas vezes significa trabalhar muito mais tempo do que o normal, inclusive nos fins de semana, e deixar de ir viajar nas férias, mas este comprometimento também tem as vantagens.

Você trabalha no que você gosta, grande parte dos meus amigos empreendedores nem percebem que estão trabalhando, prazer e trabalho se misturam. A ética é bem importante durante o jogo. É você quem diz quantas tacadas você deu e se você teve alguma punição. Se você “roubar”, provavelmente ninguém ficará sabendo. Ao contrário de uma grande empresa em que existem departamentos de auditoria interna e compliance. Quando você é dono da sua própria empresa, não existe ninguém te vigiando, cabe a você recolher os seus impostos e fazer negócios honestos.

O esquema de handicap permite que jogadores de vários níveis compitam entre si em igualdade de condições, você desconta a diferença de tacadas entre a sua média histórica e a média histórica do seu oponente. Isto faz com que mesmo um jogador iniciante possa ganhar uma partida de um jogador experiente. Na vida real não é assim, todos jogamos sem handicap, mas cada vez mais existem serviços e produtos que podem fazer uma pequena empresa competir em pé de igualdade com uma grande corporação. Coisas como Saas (Software as a service) e cloud computing estão nivelando esta competição, uma empresa iniciante pode ganhar de uma grande corporação.

Como o esporte que você pratica te ajuda nos negócios?

O que os protestos no Brasil podem ensinar sobre viralizar a sua empresa nas redes sociais

18 de junho de 2013

Como tornar o seu produto conhecido para as massas

Uma das coisas que sempre buscamos, principalmente no empreendedorismo digital, é o efeito de rede. Um usuário trazendo seus amigos para usar os nossos serviços e este amigos trazendo mais e mais pessoas em uma progressão geométrica. Alguns chamam isso de efeito viral.

Algumas coisas me fizeram pensar sobre isto nessas últimas semanas: a primeira foi o livro recém-lançado que eu li nas minhas férias: “Inferno”, do Dan Brown, no qual ele fala sobre a super população humana que também cresce em PG e os efeitos de uma epidemia que poderia aniquilar boa parte do mundo.

A segunda coisa que me fez pensar sobre isso foi como ocorreu a organização e a comunicação sobre os protestos em São Paulo e pelo Brasil, que foi “viralizada” pelas redes sociais. Tanto a organização quanto a cobertura dos eventos.

Há algum tempo atrás eu li um livro chamado “The tipping point”, do Malcolm Gladwell, onde ele tenta explicar porque alguns produtos e algumas empresas viralizam e outras não. Ele fala de 3 aspectos que são necessários para que uma empresa atinja o ponto da virada que ele chama de “3 rules of epidemics”:

Law of the few – Ele cita que algumas pessoas são muito bem conectadas e são experts em suas áreas e convencer e comunicar-se para essas pessoas é fundamental.

The stickness factor – A mensagem tem que ser algo que seja fácil de se lembrar e seja relevante.

The power of Context – Tem que existir um contexto propício para que a mensagem se dissemine, como uma sensação de todos de que se precise fazer alguma coisa.

É interessante tentar entender o que o ocorreu nos protestos sobre a ótica do Malcom Gladwell. Os 3 fatores estavam presentes e talvez por isso que desta vez os protestos foram viralizados. Atingir o ponto da virada nos negócios não é tão simples.

Mesmo conhecendo a teoria do livro, é muito difícil encontrar as pessoas certas, a mensagem certa e o contexto certo para tornar o seu produto viral. No Fashion.me sempre buscamos mecanismos de viralização. Eles são maneiras bastante baratas e muitas vezes eficazes de se adquirir mais usuários e fazer marketing.

Algumas das coisas que fazemos são: conversar com influenciadores (Law of the few), mostrar o que fazemos e convidar eles a divulgarem o nosso trabalho se eles gostarem. Testar o tempo todo mensagens e maneiras de se comunicar diferente (Stickness Factor) para cada canal de contato com o usuário para entender qual é o melhor jeito de falar com ele.

Buscar os melhores canais para falar da empresa (Power of context), e as vezes eles não são óbvios, além dos canais tradicionais como facebook, instagram, twitter e etc, já fizemos parcerias com faculdades, revistas, programas de tv e etc. Este com certeza não é o único modo de entender como atingir o ponto da virada, mas eu recomendo a leitura do livro do Gladwell.

Atenção leitores!

4 de junho de 2013

O nosso blogueiro Renato Steinberg está de férias. Ele retorna no dia 18 de junho com um post inédito.

Uma recompensa (financeira) para quem acredita no seu sonho

28 de maio de 2013

Renato fala sobre como motivar a equipe da startup

Ontem o Pedro falou sobre meritocracia. Em uma startup, todos o lucro é reinvestido no negócio, então, é mais difícil se falar em PLR e divisão de lucros. O mais próximo que conseguimos fazer de uma divisão de lucros e PLR é o stock option plan (plano de opção de compra de ações da empresa).

É uma prática bastante comum em empresas nascentes, principalmente de tecnologia, dar opções de compra de ações da empresa a funcionários-chave. Uma startup não consegue pagar os melhores salários do mercado, então, para atrair os melhores talentos e para motivar essas pessoas, a empresa pode oferecer stock options. É uma opção em que o funcionário tem de comprar ações da empresa a um determinado preço em um momento no futuro.

O mais comum é “converter” estas opções em ações no ato de um evento de liquidez, ou seja, quando a empresa for vendida, houver um IPO ou algum outro evento em que os acionistas recebam dinheiro da empresa ou de investidores.

Geralmente essas opções têm um período de vesting. É o tempo que o funcionário deve trabalhar para receber integralmente  as opções a que tem direito. Por exemplo, em um vesting de quatro anos, o funcionário poderia receber 25% a cada ano para que em quatro anos tenha todas as opções.

Distribuir as opções é uma atividade que pode ser anual, assim como a distribuição do PLR citada pelo Pedro. A cada ano, os diretores da empresa podem se reunir e decidir quem e quanto cada funcionário vai receber, de modo a deixá-los sempre motivado.

O maior problema desse modelo, principalmente aqui no Brasil, é que é muito difícil para o funcionário perceber o valor que essas opções podem ter. Quando o Google, o Facebook e outras empresas abrem capital na Nasdaq, muitos dos seus funcionários ganham muito dinheiro. Muitos deles tinham opções de compra de ações destas empresas e ao exercerem esse direito ganharam um pedaço do bolo.

O nosso problema é que ainda não temos muitas startups que viraram grandes empresas e fizeram IPO no mercado de internet, e aí é difícil acreditar que se pode ganhar dinheiro de verdade com as opções.

Eu também acredito no modelo de meritocracia e de partnership. Eu devo grande parte da minha carreira, antes de virar ‘startupeiro’ a uma partnership no mercado financeiro. Eu entrei lá como estagiário, passei por diversos cargos e um dia me ofereceram a oportunidade de comprar ações da empresa. Ela foi vendida e eu, como todos os outros que acreditaram, ganhei a minha parte.

O stock option plan é uma recompensa por uma aposta no nosso sonho. O funcionário acredita que a empresa pode dar certo e recompensamos ele com uma participação neste sonho.

O Google dá 20% do tempo para o funcionário. E você?

21 de maio de 2013

Renato fala sobre criação

A vida de startupeiro é super corrida e pensar em fazer alguma coisa além de trabalhar na própria startup é quase impossível, mas ter um projeto pessoal pode ser uma vantagem. Tanto eu quanto o meu sócio temos alguns projetinhos em paralelo.

Ajudamos algumas outras startups, dando assessoria ou participando do conselho, além de ajudar a promover um evento de empreendedorismo que acontece mensalmente. Outros colaboradores do Fashion.me também têm os seus projetos: alguns fazem trabalho de freelance no fim de semana e outros têm um projeto de montar a sua própria startup.

Eu não consigo quantificar isso, mas eu consigo dizer com certeza que os projetos paralelos de todos nós, de alguma forma ou de outra, contribuíram para o Fashion.me. Seja em acharmos parceiros nos eventos, até em rachar o aluguel do escritório ou de contratar uma dessas startups para fazer um job para a gente.

O Google é famoso por deixar que seus funcionários trabalhem até 20% do seu tempo em projetos pessoais. Dizem que o Gmail e o Orkut nasceram desses tipos de trabalho. Eu sei, o Google é uma empresa gigante e pode se dar ao luxo de ter 80% do tempo do funcionário; é outra realidade. Mas será que o Google está certo? Eu acho que vale o debate.

Para atrair talentos é uma política interessante, quem não quer poder trabalhar no que realmente gosta, nem que seja 20% do tempo? E se o projeto der certo, eles ainda ficam com um pedaço. Eu conheço algumas empresas que proíbem os funcionários de trabalharem em outros projetos e fazer freelance. Outras vão além e fazem o funcionário assinar que tudo o que ele fizer é de propriedade da empresa. Os argumentos são que fins de semana são para descansar, para que você volte bem disposto na segunda-feira e que muitas vezes esses trabalhos acabam ‘invadindo’ o expediente.

A pessoa que realmente quiser, acaba fazendo escondido e quando o projeto começa a dar certo, abandona a empresa. O Fashion.me começou de um projeto pessoal. Eu e o Flavio começamos a trabalhar durante as noites e os fins de semana. Só com quase 4 meses de projeto é que resolvemos nos dedicar a ele em tempo integral. Incentivar projetos pessoais também pode ser um jeito de explorar novas ideias para a própria empresa.

Sempre existem projetos que nunca saem do papel porque ninguém tem tempo para eles. Alguém pode se interessar por eles e mesmo que não seja a prioridade pode fazer com que eles ganhem vida e aí todo mundo ganha. Ainda estamos muito longe de oficializar os 20% do tempo para projetos pessoais como o Google, mas eu acredito que uma discussão aberta sobre eles na empresa e um incentivo para projetos pessoais que tenham a ver com a empresa pode ser importantes para o sucesso da sua empresa.