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Blog do Empreendedor
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Likes, shares, memes e haters: Quando a felicidade é um Moleskine e um lápis B2

30 de setembro de 2016

Qual Moleskine levar para casa? Como é possível inovar tanto em algo tão simples como um caderno de anotações? Como conseguem criar o desejo no consumidor de levar mais itens do que realmente necessitamos? Como criaram uma marca tão premium e desejada em um mercado tão fácil de entrar?

Preciso prestar atenção ao estilete enquanto aponto meu lápis B2, mas meus questionamentos voam enquanto olho para o meu divertido Moleskine desenvolvido em parceria com a Lego. A ideia é maravilhosamente simples, mas poderosamente criativa. Quem não gosta de Lego deve ser muito frustrado na vida ou deve ter pisado descalço em alguma peça. Mas de qualquer forma, a base na capa é um convite para você conectar seu personagem ou montagem preferida e só isto já te leva para outra dimensão só sua onde você só existe em pensamento, onde toda a criatividade é permitida, onde você não precisa se preocupar com likes, shares ou se distrair inutilmente com memes e tampouco se envenenar com a maldade de algum hater. Mas isto porque eu escolhi um Moleskine da Lego. Mas a sensação é a mesma dos outros diante dos seus Moleskines novinhos e a companhia de um lápis bem apontado ou uma caneta macia. Neste momento, estamos nas mesmas condições de Ernest Hemingway, Oscar Wilde, Vincent van Gogh, Henri Matisse e Pablo Picasso quando iniciavam um novo caderno de anotações. Começamos a, literalmente, colocar o melhor de nós no papel.

Por todas estas questões, reflexões e aspirações, a criação da Moleskine é uma inspiração para todos os empreendedores que queiram criar produtos que exponham a melhor parte dos seus consumidores.

A origem da empresa vai decepcionar muita gente. Mesmo que os blocos de anotações fossem usados desde 1850 na Europa, foi apenas em 1997 que uma pequena editora italiana chamada Modo & Modo registrou a marca Moleskine e produziu cinco mil unidades. Isto quebra a mágica de imaginar Hemingway à beira de uma praia em Cuba fazendo anotações iniciais de O Velho e o Mar ou Van Gogh no meio de uma plantação de girassóis tentando rascunhar o brilho do sol em seus Moleskines como a Modo & Modo conseguiu incluir no imaginário popular. Mas o bloco de anotação Moleskine fez tanto sucesso que no ano seguinte, em 1998, as vendas alcançaram 30 mil unidades e a empresa nunca mais parou de crescer a ponto de alguns anos depois ter sido comprada pela Société Générale Capital, uma empresa de capital de risco. Se seu crescimento for analisado, a Moleskine se comportou como uma das melhores startups daquele momento. Talvez por isso, tenha conseguido abrir o capital da empresa na bolsa italiana em 2013.

E o que distancia a Moleskine de todos os outros seus concorrentes é a plena dedicação da empresa a sua proposta de valor que é ser o sinônimo de “estilo de vida das pessoas criativas”. Para entregar isto, a empresa trabalha com três pilares:

1) Ser icônico: Seja o meu Moleskine Lego ou o mais tradicional de capa preta e elástico, custe o que custar ou faça o que deve ser feito, o cliente precisa bater o olho e enxergar um produto exemplar, que não pode nem merece ser comparado com qualquer outro concorrente;

2) Entregar valores aspiracionais únicos: O cliente precisa perceber uma forte identidade pessoal com o produto, que precisa estar plenamente alinhado com a sua cultura e memória, precisa fazer com que viaje em sua imaginação;

3) Conectar com o passado, mas sendo moderno: É preciso criar alguma ligação com algo já conhecido pelo cliente, estabelecendo-se uma tradição ou um costume, mas com uma roupagem totalmente moderna.

Esta forma de enxergar o que os clientes querem fez com que a Moleskine nunca atuasse no mercado de cadernos de anotações. Para isto há concorrentes mais baratos e competitivos. Mas a empresa sabe disso e por esta razão vem crescendo 21% em receita e 25% em lucros anualmente nos últimos seis anos porque oferece para o cliente o que ele(a) mais quer: Um pouco de felicidade consigo mesmo. E isto, muitas vezes, é apenas um Moleskine para chamar de seu e um bom lápis bem apontado.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

 

MeuSucesso completa dois anos inspirando 150 mil empreendedores

5 de julho de 2016

No próximo mês, agosto, a escola de insights MeuSucesso.com, “NetFlix do empreendedorismo brasileiro”, completa dois anos. Nesse tempo, produziu mais de 340 programas educacionais que foram vistos por mais de 150 mil alunos (que assistiram pelo menos uma aula).

“O balanço é positivo. Nosso crescimento é consistente e o nível de satisfação de nossos alunos é muito satisfatório (monitoramos essa satisfação por meio de diversos indicadores como pesquisas, análise de rotatividade etc.)” comemora Sandro Magaldi, CEO do projeto criado pelo midas Flávio Augusto da Silva (que comanda também ao Instituto Geração de Valor,  o fundo de investimento T-BDH Capital, o time de futebol Orlando City e recentemente recomprou a escola de idiomas WiseUp – fonte de sua fortuna).

A satisfação é comprovada pelo assinante Tiago Hungria, de Campinas, um dos primeiros a aderir à plataforma. “Assinei na madrugada do lançamento. O MeuSucesso abriu as portas do mundo empreendedor, mostrou mega empreendedores e como construíram suas empresas de sucesso mostrando para todos que é possível sim.  O reflexo de tudo isso veio em dezembro do ano passado, quando ganhamos o prêmio Great Place to Work na categoria até 30 colaboradores, que nomeou a WeAudit como uma das 3 melhores empresas, com até 30 colaboraodres, para se trabalhar”. Outro aluno que está satisfeito é Jivago Siqueira, de Osasco: “Desde que fiz minha assinatura assisti praticamente todos os estudos de caso e algumas aulas extras. Uma das principais evoluções que tive foi a capacidade enfrentar o medo e arriscar de forma consciente. Afinal o NÃO já está garantido,  agora é fazer de tudo para conquistar o SIM” conta o jovem empreendedor.

O modelo da escola de insights é único no mundo. O aluno paga uma mensalidade (R$ 75,00 ao mês) e tem acesso a todo o conteúdo. A cada seis semanas, são contadas histórias de empreendedores que venceram as mais diferentes adversidades, em vários segmentos, que passam por Alair Martins (do grupo Martins), Ozires Silva (e a saga de construção da Embraer), Deusmar Queirós (fundador da farmácia Pague Menos, maior rede de varejo farmacêutico do Brasil), Arri Coser (fundador da Fogo de Chão), entre outros.  Os documentários, feitos em linguagem de cinema, são acompanhados de material complementar e aulas em outros formatos, como o Live Class e o Ask, além de encontros sobre temas específicos, ministradas por professores que são especialistas no assunto.

Mais recentemente os assinantes tem acesso a pré-estreias exclusivas, onde os protagonistas estão ao vivo, respondendo dúvidas e interagindo com a plateia do Cinépolis, no shopping JK em São Paulo (o próximo evento desses acontece em 1º de agosto, com a presença do empresário mineiro Luiz Alberto Garcia, da Algar, personagem do próximo estudo de caso da escola). Outra novidade são as séries, que tratam de temas específicos. Já foram produzidas três: sobre endomarketing, sobre franquias e sobre a cultura de inovação no vale do Silício.

Magaldi não revela quanto o MeuSucesso faturou nesses dois anos, mas diz que já foram investidos mais de R$ 10 milhões no projeto. Mas o maior retorno, garante ele, é o impacto que o projeto vem gerando. “Até hoje me surpreendo positivamente com o impacto que nosso projeto causa junto a nossos alunos. Estamos ocupando esse espaço junto àqueles que têm tido a experiência com nosso projeto. Ao tomar contato com histórias reais de empreendedores que trilharam o mesmo caminho que qualquer empreendedor ou líder está trilhando, humanizamos essas relações e construímos referências, mostrando que é possível para qualquer um, a partir de suas escolhas, concretizar seus projetos pessoais” acredita o CEO da escola. Essa crença é compartilhada pelo assinante Lucivaldo da Silva, tecnólogo de radiologia e empresário de São Paulo: “o conteúdo oferecido é capaz de mudar o mindset de uma pessoa. E a energia positiva que corre na veia do MeuSucesso me motiva , me injeta ânimo e não me deixa desistir , pelo contrário faz acreditar que sim, é possível” acredita ele.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site Mentalidades.

O efeito dominó: o poder das pequenas mudanças

6 de junho de 2016

Uma das questões mais complexas na criação e gestão de uma empresa diz respeito a criação e aprimoramento de sua cultura organizacional. Pois ela não é algo definida por decreto nem limitada a um grupo. “Ela é composta por pequenos atos, hábitos e escolhas. O acúmulo desses comportamentos – que vêm de todos os lugares, nos níveis mais altos e mais baixos dentro da hierarquia, de dentro e de fora da empresa – cria a cultura da organização” ensina Margaret Hefferman, escritora e empresária, no livro “O poder das pequenas mudanças” uma publicação original TED  (o livro foi criado a partir de palestra da autora na famosa conferência).

A edição é em formato pocket e traz uma série de casos e depoimentos colhidos pela autora ao longo de sua vida como executiva e palestrante. Selecionei alguns tópicos que achei interessantes para oferecer um “aperitivo” sobre o que o possível leitor poderá encontrar.

- Transforme conflito em confiança. A autora lembra um ensinamento que teve com Scilla Elworthy, indicada três vezes ao prêmio Nobel da paz: “enterrada sob a pata do dragão, há sempre uma pedra preciosa – alguma coisa a ser aprendida”. O desafio é ter a capacidade de identificar o que esteja acontecendo e ter habilidade para tratar de assunto.

- Um estudo sobre inteligência coletiva realizada pelo MIT identificou três características dos grupos que são excepcionalmente eficazes na solução criativa de problemas: 1) concedem tempos mais ou menos iguais de fala entre os participantes (isso não era controlado, acontecia de forma espontânea, permitindo que todos pudessem realmente contribuir); 2) conseguem “ler a mente com os olhos”: os grupos mais criativos conseguem perceber entre si sutis mudanças de humor e comportamento; 3) incluem mais mulheres (até porque as mulheres em todas as pesquisas se mostram mais empáticas que os homens).

- É o cimento – e não o tijolo – que constrói um grande edifício. “O cimento, nesse contexto, é o capital social: confiança mútua, um sentimento fundamental de conexão que constrói confiança”.

- Uma pesquisa do Conselho de Segurança dos Transportes nos EUA descobriu que 73% dos incidentes aconteciam no primeiro dia que uma equipe trabalhava junta (nos vôos, 44% das vezes que uma equipe trabalha junto numa primeira viagem acontece algum incidente). Já as tripulações que trabalham juntas por durante longos períodos conseguem desempenho muito maior que as outras.

- Os melhores parceiros não são o que concordam com suas ideias. Mas os que as desenvolvem.

- Esqueça o conceito de multitarefa. A qualidade está na monotarefa: “quando focamos em algo, aprimoramos nossa concentração e nos lembramos do que fizemos”.  Dar a atenção a uma atividade por vez não é apenas mais eficiente como também nos torna mais capazes de dar usar o conhecimento acumulado.

- A adoção de checklists simples nos hospitais durante as cirurgias grandes reduziu as morte e complicações em mais de um terço.

Veja que os exemplos citados – e a grande maioria deles descritos no livro – não são fruto de grandes projetos, orçamentos vultuosos ou mudanças radicais, mas de pequenas ações que podem dar um resultado surpreendente. A escolha dessa imagem para ilustrar esse post não é à toa: o efeito dominó está presente na gestão da cultura organizacional tanto quanto está naqueles desafios onde uma pequena peça pode desencadear uma sequência de acontecimentos. Se você quer conferir um que é muito criativo, clique aqui e surpreenda-se.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site Mentalidades.

Qual a diferença e as semelhanças entre um protótipo e um MVP

31 de maio de 2016

Uma das coisas que mais me orgulho é ser mentor voluntário do programa InovAtiva,  projeto criado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços  - MDIC. O programa busca oferecer capacitação, mentoria, networking  e conecta possíveis investidores, de forma gratuita, para estimular o crescimento de novos negócios inovadores no Brasil. Os mentores são empreendedores, cientistas, professores e técnicos de empresas como Bosch, Natura, Google, Nike, Whirpool, Dell, Mastecard, Embraer (entre outras). Conteúdos gratuitos de qualidade são disponibilizados, como essa cartilha sobre Modelagem e Validação da Proposta de Valor produzida por meu colega de Blog do Empreendedor, professor Marcelo Nakagawa.

Desde 2013 o InovAtiva já analisou 4.591 projetos, dos quais 187 concluíram o processo. Atualmente 300 startups passam pelo 1º Ciclo de Aceleração de 2016 e o edital para inscrição de projetos para o 2º ciclo desse ano está aberto a as inscrições podem ser feitas aqui.

Mas o tema que decidi abordar esta semana surgiu exatamente de um grupo de discussão que temos entre os mentores do programa Inovativa em São Paulo: MVP e protótipo são a mesma coisa?

Vamos primeiro aos conceitos.

Acredito que muitos podem não saber o que é MVP, sigla de Minimum Product Viable, ou, Mínimo Produto Viável. O termo cunhado por Frank Robinson e popularizado por Steve Blank e Eric Ries refere-se a um produto em desenvolvimento, quando se define quais são as funcionalidades mínimas capazes de permitir um teste de aceitação com seu público alvo. O objetivo do MVP é acelerar o aprendizado, fazendo com que você aprenda com o cliente, identifique que ajustes são prioritários, economizando horas de desenvolvimento para finalizar um produto, que talvez não atenda às expectativas de seu cliente.

Nas palavras de Eric Ries:  é a versão de um novo produto que seja capaz de permitir que a equipe capture, com o menor esforço, a maior quantidade de aprendizado validado sobre os clientes.

Já prototipar é dar vida às ideias. É a representação concreta de algo que estava na imaginação. A palavra vem do grego, protótupus, a primeira forma. Há protótipos de diferentes tipos: na arquitetura, nas artes, na engenharia, na culinária, na moda, nas campanhas de marketing. No processo de construção de negócios, produtos e serviços, os protótipos podem ser utilizados em diferentes níveis de fidelidade, como fica claro nesse quadro que está contido no livro Design Thinking Inovação em Negócios, da MJV:

Ou seja, ao longo do processo que vai de ter uma ideia até conseguir desenvolver um produto com maturidade necessária para que ganhe o mercado é preciso a construção de vários protótipos, com diferentes níveis de fidelidade, até que se tenha as condições mínimas de efetuar os testes com o público alvo. Nessa situação, esse protótipo, versão do produto em desenvolvimento, pode ser considerado o MVP.

Como você pode conferir na foto abaixo, esse foi um protótipo de um novo espaço de atendimento criado num workshop de um cliente. Veja que o grau de representação é ainda baixo, mas foi suficiente para que o grupo tangibilizasse a ideia. Foi um processo de cocriação para que os integrantes da equipe conseguissem criar e concordar entre eles como seria esse novo ambiente, fazendo com que o projeto não ficasse mais incompleto na cabeça de várias pessoas, mas sim unificado num modelo único e tangível. Por mais que o grau de requinte da montagem seja limitado, esse protótipo de baixa fidelidade foi de extrema valia durante o processo de concepção do projeto. Mas ainda não era um MVP, ou seja, não é uma versão que reúne as condições de ser testada pelo cliente final.

Podemos então concluir que esses dois conceitos são fundamentais e válidos no processo de criação de um negócio inovador (ou de uma inovação em um negócio já existente). Mas não podemos considerá-los sinônimos. Podemos sim afirmar que todo MVP é um protótipo. Mas que nem todo protótipo está maduro o suficiente para ser um MVP.

PS – Ao terminar esse post, fiquei refletindo e espero que esse governo provisório não queira mexer nem no projeto, nem no time InovAtiva. Afinal, “não se mexe em time que está ganhando” e essa é um dos projetos que vem só recebendo elogios de aceleradoras, de investidores e, principalmente, das startups, pois vem apresentando resultados indiscutíveis.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site Mentalidades.

 

 

Startup Timokids faz campanha #TchauAedes para distribuir livros gratuitamente

23 de maio de 2016

A Timokids cria e distribui livros e jogos infantis digitais, com temas socioeducativos, ilustrados em 3D. O acervo está em 4 idiomas e tem usuários em 190 países. Funciona como uma ferramenta de suporte a pais e professores para tratar assuntos do dia-a-dia da criança de uma forma divertida e interessante. Criada em março de 2014, a startup contabiliza mais de 100 mil downloads de seu aplicativo, disponível nas principais plataformas, tem cerca de 23 mil usuários ativos (que abrem o aplicativo pelo menos uma vez por semana). De olho em seu compromisso social, lançou recentemente uma campanha que, para cumprir seu objetivo, precisa sair do mundo online para ganhar forma, peso e tamanho.

Crianças que não tem smartphones ganham edições impressas do livro Prevenir é o melhor remédio

A campanha  #TchauAedes  dentro da plataforma Kickante tem o objetivo de arrecadar recursos para fazer versões impressas de um livro e entregá-lo gratuitamente às crianças. “Através do ´Prevenir é o melhor remédio´ queremos ensinar as crianças como se proteger das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como identificar focos e possíveis criadouros em sua casa, escola e toda comunidade” conta a CEO da startup, Fabiany Lima. Os 5.000 mil primeiros livros serão distribuídos na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo.  Fabiany diz que esse movimento para o off-line já existe no formato de cupons para acesso à plataforma, que são vendidos em gôndolas e na produção de caderno de atividades sob encomenda.

A Timokids reúne atualmente 22 colaboradores (entre sócios, funcionários e terceirizados) e obtém 32% da receita do consumidor final (que ocorre por vendas de histórias individuais e assinatura) e 68% de projetos com prefeituras e empresas que fazem Brand Social. E prepara seu caminho de internacionalização, iniciando contato com investidores para uma nova rodada que possa financiar um processo estruturado de crescimento. Até hoje, os usuários de quase 200 países chegaram até a empresa de forma espontânea. Um primeiro movimento na busca efetiva pelo mercado global aconteceu em 2015, quando Fabiany passou uma temporada no programa de aceleração Startup Chile.

Não é a primeira vez que a startup recorre ao recurso do crodwfunding. Em janeiro de 2015 eles captaram 200 mil reais através de crowdfunding equity, modalidade onde vários investidores se reúnem para capitalizar o negócio. O fato de investidores, pais e apoiadores apostarem na ideia é um sinal de que a startup está encontrando seu espaço no mercado para crescer de forma sustentável. ”Mais do que um case de sucesso ou um unicórnio, estamos redefinindo os conceitos de criação de startup escalável e de relação com investidores, criando uma empresa com propósito, uma verdadeira jornada empreendedora tupiniquim” conclui Fabiany. Para apoiar o projeto de financiamento do livro impresso você pode clicar aqui. Para conhecer mais sobre a Timokids e seus livros você pode começar por aqui.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site Mentalidades.

 

A busca pela próxima startup de um bilhão de dólares

16 de maio de 2016

Quais as estratégias das startups brasileiras que buscam ser unicórnios (negócios de um ou mais bilhão de dólares)? Quais são as similaridades e diferenças entre as startups made in Brazil que querem ser globais e as startups mais famosas do Vale do Silício? Foi em busca dessas e outras respostas que Iglá Generoso, nascido e criado em Araraquara (150 km da capital SP) planejou e executou uma viagem de estudos, imersão e aprofundamento em cultura startup pelo Vale do Silício e outros pólos de inovação nos Estados Unidos e em algumas capital brasileiras. “O meu objetivo é produzir um livro e um documentário amador, a partir de casos de estudo práticos, sobre como os founders brasileiros estão competindo e batalhando para evoluir suas startups em diferentes ecossistemas nos USA e no Brasil, cruzando com práticas que as unicórnios aplicaram para crescer”, conta ele, motivado.

Iglá (à esquerda), com Geoffrey Moore, autor que ficou famoso na década de 90 com a obra “Atravessando o Abismo”, que se transformou numa referência fundamental do marketing.

Ficar longe tanto tempo da esposa e da filha exigiu planejamento prévio e uma mudança de área na HP (desligando-se temporariamente da responsabilidade de gerenciar uma equipe de quase 200 pessoas a frente de um dos maiores contratos da empresa no Brasil). O projeto,  recentemente rebatizado como “Competindo no planeta das startups bilionárias”, se tornou público pela primeira vez num post que ele publicou no seu blog, em novembro de 2015.  Mesmo atuando hoje como executivo no mundo corporativo, Iglá não é novo na cena empreendedora. Abriu sua primeira startup em 2001, o Weblogger Brasil, primeiro serviço brasileiro gratuito para criação e hospedagem de blog do Brasil. “Chegamos a 1,5 milhão de usuários, mas em 2008, após vários testes de monetização sem sucesso, encerramos a operação. Em 2004 tive uma experiência bacana com minha segunda startup, eForcis.com, uma plataforma de e-mail marketing que vendemos para investidores em 2005.”  O projeto de uma nova startup – www.vinil180.com, um marketplace para discos de vinil – e o sonho de escrever um livro geraram combustão para que a viagem deixasse o papel e ganhasse a estrada.

Desde março, Iglá tem participado de meetups e cursos em Austin, São Francisco, Los Angeles, Boston, Nova York e Miami e visitado empresas como LinkedIn, Google, RocketSpace e Facebook. Nesses locais conseguiu vários empreendedores brasileiros que estão (ou estavam) fazendo negócios ou participando de eventos nos Estados Unidos.  A lista dos brasileiros que estão compartilhando seus aprendizados inclui Gustavo Caetano (Sambatech),  Pedro Vasconcelos (Tysdo / Beer Or Coffee), Daniel Almeida (Stayfilm),  Patrick Sigrist (iFood), Guilherme Cerqueira (Worthix), Rudi Leismann (MyTraining), Leandro Gomes (RankMyApp), Luis Novo (Skore), Vitor Pamplona (EyeNetra), Ivan Huang (Bonze), Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte (Netshowme).

Sandro Ribeiro e Iglá Generoso no TechDay, em Nova York: participação em eventos, aulas e entrevistas para descobrir como as startups brasileiras estão se preparando para competir globalmente

Sobre as principais lições que ele pode extrair dos seus estudos, entrevistas e conversas e que estarão no livro, Iglá adianta três pontos:

1. O empreendedor brasileiro precisa pensar global. “Competir em um mercado globalizado, não envolve apenas vender o produto fora do Brasil, mas também buscar conhecimento, feedback, mentores, investimento, parcerias e sinergias que potencializem a sua estratégia”.

2. Viver o espírito pay-it-forward. Uma cultura de ciclo positivo dentro do ecossistema americano onde professores, investidores e empreendedores devolvem de forma positiva, seja coaching, network ou investimento,  o suporte recebido anteriormente. “Isso gera um ciclo de progresso constante que impacta diretamente o sucesso das startups”.

3. Co-working e co-living como espaços de inovação. “Esses espaços potencializam o efeito de rede, conhecimento e conexões com o mercado”. Ficou curioso para saber mais e quais serão os próximos passos do projeto? Teremos de acompanhar no  blog http://iglageneroso.com.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site Mentalidades.

Startup brasileira desenvolve tecnologia de armazenamento de células-tronco da polpa do dente de leite

2 de maio de 2016

Um problema identificado na prática do ofício de dentista numa clínica odontológica foi o ponto de partida para o doutor em biomateriais e periodontista José Ricardo Muniz Ferreira dar início às pesquisas que o levaram a criação da R-Crio. “Queria encontrar uma forma de reabilitar os meus pacientes com perda óssea”, conta ele, e explica que nem todas as pessoas têm uma boa quantidade óssea para fazer um implante. E nem sempre é possível solucionar a perda óssea para fazer esse procedimento, principalmente em pacientes mais idosos. A inovação está no uso das células-tronco para praticar a chamada medicina regenerativa — estimular a criação de tecido novo para compensar a perda óssea. “Foi por este motivo que resolvi mergulhar nos estudos sobre o tema, para entender melhor o potencial das células-tronco da polpa do dente de leite”.

A explicação do uso dos dentes de leite como matriz para a regeneração dos tecidos é técnica, mas fica entendível nas palavras do Dr. José Ricardo: “diferente das células-tronco do cordão umbilical, chamadas de hematopoiéticas e que só podem dar origem a células sanguíneas, as células-tronco da polpa do dente de leite, chamadas de mesenquimais, possuem capacidade de formar diversos tecidos humanos como músculo, cartilagem, ossos, entre outros.” Além disso, o dente de leite é um órgão que será naturalmente perdido e que possui menor risco de rejeição, quando comparado às outras fontes. Você pode também entender o potencial regenerativo das células contidas nos dentes de leite assistindo esse vídeo.

As células-tronco começaram a virar negócio em 2014, quando José Ricardo encontrou dois investidores-anjo, também do mundo acadêmico, os ex-professores aposentados da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Alexandre Serafim e Brunella Bumachar, que são sócios do grupo educacional capixaba Multivix, hoje com cerca de 25 mil alunos. Foi assim que surgiu o R-Crio, um centro de tecnologia celular fundado no fim de 2013 para armazenar, expandir e criopreservar células-tronco da polpa do dente de leite. O investimento de R$ 20 milhões foi aplicado em equipamentos e infraestrutura e, hoje, mantém a empresa que está de olho num dos segmentos de mercado que mais crescem em todo o mundo: a medicina regenerativa por meio de pesquisas com células-tronco. No Brasil, a taxa de crescimento nesse segmento vem sendo de 25% ao ano.

Hoje mais de mil dentistas em todo o Brasil são credenciados R-Crio e estão capacitados para fazer a extração correta dos dentes de leite para que as células sejam extraídas e devidamente armazenadas. “A própria Anvisa e o Conselho Federal de Odontologia preveem uma série de regras e procedimentos que precisam ser seguidos”, explica José Ricardo, que revela também os custos do procedimento. “O serviço de criopreservação das células-tronco da polpa do dente de leite oferecido pela R-Crio custa R$ 2.980,00 — investimento que já inclui a extração do dente no dentista, o transporte do material até o laboratório, os testes para constatar a qualidade e usabilidade do material, assim como o seu armazenamento em nitrogênio. A partir do segundo ano é cobrada uma anuidade de R$ 735,00 para manter as células-tronco congeladas em nosso laboratório”.

Como forma de atender o público final foi inaugurado, no início de abril, em São Paulo, a DentalCell, primeiro espaço licenciado nacional da marca. Este centro de atendimento teve R$ 300 mil reais de investimento e é dirigido e mantido pela cirurgiã-dentista Daniela Bueno, Ph.D em genética humana e a primeira pessoa no mundo a formar osso a partir das células-tronco da polpa do dente de leite, para fechar a fenda palatina em crianças com lábio leporino.

Na clínica, os pacientes contam com serviços exclusivos, como tratamentos odontológicos personalizados, acompanhamentos com fonoaudiólogos e psicólogos e assessoramento genético para famílias de pacientes autistas. Por ser licenciada ao laboratório, a clínica oferece ainda os serviços de criopreservação das células-tronco da polpa dos dentes de leite e análise genômica (popularmente conhecida como mapeamento genético).

José Ricardo nos laboratórios: meta de obter 76 mil amostras nos próximos seis anos

A tecnologia brasileira, na quarta-feira passada, 27 de abril, ganhou reconhecimento internacional. José Ricardo Muniz Ferreira e o geneticista Roberto Fanganiello, consultor científico da R-Crio, ministraram um workshop sobre armazenamento de células-tronco mesenquimais e inovação no Space Life Science Laboratory, da Nasa.

José Ricardo conta que está 110% dedicado à R-Crio, pois entende que está entregando para a sociedade a possibilidade de usar a ciência como forma de proporcionar qualidade de vida. De olho num mercado de 7,6 milhões de crianças entre 6 e 12 anos ele pretende atingir 1% dessa população, ou 76 mil amostras, nos próximos seis anos. “Hoje, o banco de células-tronco da companhia possui a capacidade de armazenar 220 mil amostras, número suficiente para atender o Brasil e a América Latina” planeja ele, que vem se esforçando para superar os desafios de sair a vida de cientista para aprender a ser empreendedor: “fazer a transição da pesquisa para o mercado me levou a uma jornada de grandes desafios, descobertas, acertos, erros, e acima de tudo, aprendizado. Passei a dar mais atenção a áreas complementares de modo a abrir minha mente, meus olhos e meu coração para construção de um projeto com boa viabilidade financeira”.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br.

Movimento Choice dissemina negócios de impacto social entre jovens universitários

25 de abril de 2016

A mensagem chegou pelo Facebook: “Sou estudante de engenharia civil, apaixonado por empreendedorismo e fã de seus textos no Blog do Empreendedor no Estadão. Sou embaixador de um movimento chamado Choice, seria legal se você pudesse falar sobre isso para tornar o empreendedorismo social mais conhecido no Brasil”. A mensagem de Luís Henrique Garcia era simpática. Na mesma semana eu tinha acompanhando as postagens citando o Choice, de uma estudante do Mato Grosso, Martina Martinho, que conheci nas atividades da Feira do Empreendedor do ano passado, em Cuiabá. Ela postava fotos que pareciam palestras, onde muitos jovens pareciam entusiasmados. Achei que era a hora de buscar saber mais sobre a iniciativa.

Nas palavras de Luís Henrique, o Choice “é um movimento nacional criado pela Artemisia para tornar o conceito de Negócios de Impacto Social mais conhecido, tendo como foco as Universidades. Semestralmente há um processo seletivo para novos Embaixadores, tendo como pré-requisito se interessar por Negócios de Impacto Social e ser universitário”.  Os embaixadores recebem uma formação inicial que é complementada por conteúdos semanais, participam de desafios e fazem contato com diversos negócios de impacto social. Sempre identificando oportunidades para disseminar o conceito através de palestras e workshops.

Marina Martinho tem 18 anos e é estudante do 1º semestre da UFMT. Conheceu o Choice após participar como voluntária no Startup Weekend Cuiabá, em 2015. A partir daí, pesquisou sobre o assunto, se inscreveu no processo seletivo para ser Embaixadora da turma de 2016/1 e foi aprovada. “ Fiz a capacitação no Rio, foram 3 dias full time. Durante esse período recebemos informações sobre o Movimento, a Artemisia e Negócios de Impacto Social, vivenciamos todas as formas de workshops e dinâmicas que podemos realizar, aprendemos a trabalhar em rede ampliando o networking, de forma organizada, respeitosa, dinâmica e, acima de tudo, divertida!”.

Uma das dinâmicas que os embaixadores divulgam nas universidades é o Choice Game, onde os participantes têm uma hora para criar a melhor solução para um problema social.

O Choice propõe a todos os Embaixadores desafios semanais, teóricos e práticos, incluindo propor soluções para problemas sociais. Além disso precisam divulgar o Choice através de palestras, workshops e dinâmicas. Como resultado, os jovens aprendem sobre o assunto, se inserem no universo brasileiro dos negócios de impacto social, conectam-se com empreendedores – e desenvolvem-se enquanto líderes facilitadores.

Busquei saber deles o impacto que essa experiência estava trazendo para a vida (deles).

Luís conta que “caiu a ficha” quando ele notou que fazia parte do que ele chama de “Geração E”:  “Entre ganhar dinheiro OU fazer a diferença, escolhemos os dois: ganhar dinheiro E fazer a diferença”, explica ele. “Antes eu pensava em ter uma firma de engenharia tradicional, hoje penso já em fazer um negócio de impacto social. Eu sempre quis empreender e ajudar a sociedade, agora descobri que isso é possível de ser feito junto”.

“A experiência está sendo fantástica”, conta a empolgada Marina. “Estou amadurecendo e desenvolvendo características que vão me ajudar tanto na vida pessoal como na profissional, aumentando minha rede de networking, trabalhando, voluntariamente, em busca do meu sonho de tornar o mundo bem melhor e fazer a diferença na vida de milhões de pessoas, vivenciando novos ciclos de pessoas e aprendendo muito com cada uma. Além disso, vendo novas possibilidades para uma carreira profissional. A experiência de Embaixadora Choice está sendo um divisor de águas na minha vida”.

Palestra sobre negócios de impacto social organizada por Marina Martinho no Arduíno Day, em Cuiabá, em 2 de abril de 2016.

Desde a criação do Choice já foram nove turmas para Embaixadores, tendo como resultado 755 jovens líderes capacitados até hoje. Nesta nona turma são noventa jovens líderes espalhados por todo o Brasil. Para saber mais sobre o movimento e acompanhar as atividades, é possível curtir a página do movimento no Facebook ou pelo email choice@artemisia.org.br.

Num momento em que vivemos essa crise de liderança, saber que esses jovens estão trabalhando em algo que acreditam – e de impacto social – é uma esperança. Lembro-me que a canção Alucinação, lançada por Belchior em 1976 ainda embala os sonhos dos jovens que acreditam que “amar e mudar as coisas interessa mais”.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br.

 

Startups: esqueça os unicórnios, agora é vez das baratas

11 de abril de 2016

Os resultados financeiros apresentados pelas chamadas startups “unicórnios” estão preocupando os investidores.  Elas consomem muitos investimentos em marketing para conquistar clientes, mas têm dificuldade para comprovar a capacidade de gerar e sustentar lucratividade. Segundo o ranking da Fortune, são 174 empresas emergentes que conseguem esse patamar que forma o seleto grupo de unicórnios, ou seja, negócios com valor de mercado igual ou superior a  US$ 1 bilhão. Na lista, marcas já famosas como  Uber, AirBnb, DropBox, Shazam, Hootsuite, entre outras.
Todas têm em comum o fato de ter um valuation infinitamente superior ao seu faturamento. Aliás, encontrar informações sobre faturamento e despesas dessas empresas é algo muito difícil. Os relatórios preferem destacar o aumento do números de viagens (Uber), do número de reservas e quartos disponíveis (AirBnB), número de documentos compartilhados (Dropbox), porém é uma tarefa quase impossível saber quanto essas empresas estão realmente faturando, qual o montante das despesas, qual a margem de contribuição. O que se sabe é que o fluxo de caixa vem sendo financiado por sucessivas rodadas de captação e investimento – e isso tem feito os analistas lembrarem do que foi a bolha “ponto.com“.

A preocupação com a sobrevivência dos negócios vem fazendo com que os investidores estejam olhando com bons olhos as “coackroachs startups” – ao invés de ficar perseguindo unicórnios.  ”Tudo é sobre resiliência agora para enfrentar a tempestade”. A justificativa é de Tim McSweeney, diretor do fundo de investimento Restorations Partners, focado em tecnologia. “Enquanto o unicórnio é um animal mítico, uma barata pode sobreviver a uma guerra nuclear” complementa ele, no artigo de Oscar William-Grut para o Business Insider, publicado na semana passada, em que revela o temor de investidores com relação aos negócios bilionários que podem não sustentar sua posição de mercado.

Na vida real, “as cucarachas”, ao contrário das criaturas que só existem nos contos de fada, são muito resistentes. Com mais e 320 milhões de anos, preferem doces e alimentos gordurosos de origem animal, mas comem qualquer coisa. Podem viver uma semana sem beber água, até um mês sem comer e – acredite – semanas sem cabeça! Nos negócios, são aqueles que não se preocupam tanto com o crescimento rápido quanto com sua sustentabilidade e perenidade. Há também um certo desprezo por aquelas propostas de negócios que se apresentando fancy, cool e hipster, mas que no final do mês têm vergonha de mostrar o saldo da conta do banco. Em resumo,  pônei de chifre pode ser mais fashion, mas é a barata que está pagando as contas no final do mês.

Sabe aquele ditado “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”?  Um pássaro na mão (um negócio que se sustenta e gera lucro), pode estar valendo mais do que dois pássaros voando (prometem lucros a longo prazo, mas não conseguem comprovar capacidade de geração de valor).

Talvez nesse mundo de transformações constantes e cada vez mais rápida, estejamos entrando num momento em que todos – clientes, empregados, investidores, eleitores, filhos – estão se cansando de promessas. Por isso, a palavra de ordem continua sendo: entregar.

Boa semana e bons negócios.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br.

Lançamento do Tesla Model 3 é novo marco na indústria automobilística

4 de abril de 2016

A número de carros novos vendidos no Brasil no 1º trimestre de 2016 foi 17 mil unidades a menos se comparado ao mesmo período e 2015. Se a crise preocupa as principais montadoras, um novo competidor vem ganhando espaço com muita inovação e tecnologia. Na última semana, o setor automotivo protagonizou o pré-lançamento de um produto que tem tudo para ser um marco no segmento: Tesla Model 3.

O anúncio do modelo “de massa” criado por Elon Musk motivou mais de 200 mil consumidores a pagarem US$ 1 mil dólares para reservar um veículo que só será entregue no final de 2017. Até o domingo, 3 de abril, três dias após o lançamento, 253 mil consumidores já tinham fornecido seu cartão de crédito para garantir pré-compra. O carro elétrico tem preço base de US$ 35 mil com os confortos e diferenciais que um Tesla oferece: controle e monitoramento do veículo através de aplicativo no smartphone, baterias para longas distâncias e de carregamento rápido, capacidade de arranque de seis segundos para chegar a 100 km por hora. Para ativar o piloto-automático, o custo adicional será de cerca de US$ 3 mil. A novidade é que o Brasil está na lista dos países, além dos Estados Unidos, onde o veículo estará disponível.

O design inovador do modelo de negócio da Tesla não se restringe ao desenho do automóvel, que promete acomodar confortavelmente cinco pessoas. Ou por oferecer autonomia de mais de 300 km por carga na bateria. Passa pela estratégia inovadora de lançamento, pelo modelo de auto-financiamento (com a pré-venda ele já fatura US$ 235 milhões para ajudar nas despesas de pesquisa, desenvolvimento e produção), pelo serviço de assistência técnica onde o primeiro atendimento é feito remotamente e também pela interface de controle do veículo.


Exemplo de controle do teto solar: você escolhe onde quer o vento, o computador de bordo decide qual o tamanho necessário da abertura.


O lançamento do novo modelo chega ao mesmo tempo em que a Holanda, a Noruega e o Estado da Califórnia anunciam os estudos sobre possíveis datas para proibir a venda de carros movidos por combustíveis fósseis. Enquanto os holandeses pensam no ano de 2025, os americanos e noruegueses cogitam que as vendas serão proibidas em 2050. A Tesla é mais um exemplo de empresa, que, assim com o AirBNB, Spotify, NetFlix, Facebook, Google e Uber, não estão preocupados com o passado dos seus mercados –  estão dispostas a inventar o futuro. A hora é agora. Lembre-se que nessa nova economia, somos todos protagonistas.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br.