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A pergunta que só 6% entre os mais inteligentes sabem responder

20 de outubro de 2017

É o MBA mais caro do mundo. O investimento total estimado para os dois anos de dedicação integral do aluno é de, no mínimo, R$ 700 mil. É também o mais exigente. A média da nota do GMAT, prova que avalia conhecimentos de matemática, lógica, inglês e rapidez de pensamento, dos aprovados neste programa em 2016 foi de inacreditáveis 737 pontos, a mais elevada entre todos os programas de MBA do planeta.

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E mesmo diante do custo e da dificuldade, cerca de oito mil pessoas se inscrevem para participar do processo seletivo deste curso. A média dos outros nove MBAs mais demandados do mundo é de cinco mil interessados. Considerando estes aspectos, o MBA da Escola de Negócios da Universidade de Stanford é, de longe, o mais difícil de passar no mundo. De cada 100 inscritos, apenas seis entram. A média dos outros nove MBAs mais concorridos é de 17%.

O preço pode não explicar a dificuldade em ser aprovado em Stanford. Outras escolas de negócio renomadas cobram quase o mesmo valor. E pelo menos dois terços dos aprovados recebem algum apoio financeiro para bancar o curso. Tampouco o GMAT. A média dos outros nove MBAs mais demandados do mundo é apenas um pouco mais baixa: 724 pontos. Assim, uma boa parte dos mais bem aprovados nas outras também passaria na Escola de Negócios de Stanford se o GMAT fosse o principal critério.

A maior dificuldade em passar está na temida e muito conhecida questão da redação. Há duas dissertações. A segunda é bastante fácil de ser respondida: Por que Stanford? Não é preciso dar muitas explicações do interesse em estudar na universidade que é o centro do Vale do Silício. Mas o desafio da vida é encontrar algo para primeira pergunta, que é simples mas que responde pelo seu passado, presente e futuro:

O QUE É MAIS IMPORTANTE PARA VOCÊ E POR QUE?

Há mais de 13 anos que a Universidade de Stanford mantém esta questão que faz os interessados buscarem uma resposta dentro de si. Em boa parte das pessoas esta resposta sequer existe. Esses errantes já desistem no rascunho resposta. Afinal, o que é mais importante para você e por que?

Alguns responderiam que a família é a coisa mais importante. Além de ser algo óbvio, a universidade diria: Ótimo, concordamos. É melhor ficar com ela. Outros responderiam: dinheiro. E novamente, a resposta se limitaria a então é melhor escolher outra instituição. Dos 25 principais programas de MBA do mundo, Stanford ocupa a última posição quando o assunto é sair empregado na formatura e o salário médio de um recém-MBA seu não é o maior.

Stanford mantém a pergunta, pois sabe que muitas pessoas nunca pararam para pensar sobre o que é realmente importante para elas e daí vivê-las intensa e verdadeiramente. São errantes, zumbis que se alegram, cada vez mais, com emojis, kkkk, likes e shares. Que vivem vidas alheias e seguem pessoas inteligentes que pensam da mesma forma. E ao serem questionadas sobre o que é realmente importante, perceberão, de forma trágica, que é o seu perfil em alguma rede social, pois é lá que gasta a maior parte do seu tempo. Mas aí vem a parte final da pergunta que traz um vazio existencial: Por que?

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Assim, de todas as dicas disponíveis para dar uma boa resposta para a pergunta que não é da Escola de Negócios de Stanford, mas da sua vida, a mais impactante foi dada no discurso de formatura mais popular de todos os tempos, a do Steve Jobs, justamente para os formandos em Stanford em 2005: “Seu tempo é limitado. Assim não perca seu tempo vivendo a vida de outra pessoa. Não seja ludibriado por dogmas, que é o resultado do pensamento dos outros. Não permita que o barulho da opinião dos demais cale a sua própria voz. E o mais importante: tenha a coragem de seguir seu coração e intuição. Eles, de alguma forma, já sabem o que você realmente quer se tornar”.

É muito provável que muitos procurarão, mas não encontrarão uma resposta e, consequentemente, não entrarão neste MBA. Mas só fazer com que a pessoa acorde para si mesma e busque seu verdadeiro propósito de vida já fará com que a Escola de Negócios de Stanford cumpra a sua missão: Transforme vidas. Transforme organizações. Transforme o mundo.
Por isso, esta é pergunta do MBA da sua vida: O que é realmente importante para você e por que?

Marcelo Nakagawa é coordenador de área – Pesquisa para Inovação – da FAPESP

Estamos formando profissionais paras as empresas do passado ou do futuro?

13 de outubro de 2017

Quase todos concordam que há muitas novas profissões surgindo e que as atuais sofrerão grande impacto nos próximos anos. A discordância está na projeção. A Manpower, uma das maiores empresas de gestão de pessoas do mundo, diz que 65% das funções que serão executadas por aqueles que são adolescentes agora ainda não foram criadas. O Institute for the Future (IFTF), instituição que pesquisa o futuro há décadas, é ainda mais agressivo. Aponta que 85% das atividades profissionais que estarão sendo executadas em 2030 ainda não existem atualmente. A McKinsey, uma das principais consultorias de gestão do mundo, afirma que, pelo menos 60% de todas as ocupações atuais sofrerão impactos com o uso de diversas tecnologias exponenciais combinadas. Disso tudo, uma necessidade: você precisará ser empreendedor de si mesmo para encarar as mudanças como oportunidades e não ameaças.

Entretanto, estas pessoas irão trabalhar em que tipo de empresa? Uma parte desta resposta já existe agora. Não só no Brasil, mas em boa parte dos outros países, os jovens querem trabalhar na sua empresa. Daí criar startups inovadoras é o novo sonho desta geração. Empreender seu negócio próprio é o desejo de dois a cada três jovens brasileiros aponta uma pesquisa recente da Firjan. Isto já vinha sendo apontado por várias outras pesquisas anteriores. Pode ser romantismo, ingenuidade ou desconhecimento do que é criar um negócio próprio, mas os jovens e adolescentes querem empreender. Mais do que criar um negócio, empreender para estes jovens, mesmo que sejam como intraempreendedores (empreendedores dentro de uma organização), é a oportunidade para serem protagonistas dos seus futuros.

Mas mesmo que as pesquisas do interesse dos jovens e adolescentes em empreender estejam (muito) erradas e não se confirmem, a parcela excludente irá trabalhar em empresas já constituídas. As organizações atuais serão as mesmas do futuro? Como imagina uma instituição financeira, uma empresa de bens de consumo, uma varejista ou um escritório de arquitetura nos próximos anos?

Uma pesquisa apresentada por Pierre Nanterme, principal executivo da Accenture, outra empresa entre as mais respeitadas consultorias do mundo, aponta que a questão digital é a principal razão de quase metade das maiores empresas que estavam na Fortune 500 sumirem do ranking desde o ano 2000. Por isso, a “dica” de Luca Cavalcanti, diretor executivo do Bradesco, é bastante efetiva: “Quando seu chefe está falando sobre um tópico digital, e você não está, você está atrasado no jogo”.

A questão digital não impacta apenas profissionais especializados e grandes empresas intensivas no uso de tecnologia. Ela está criando grandes disrupções em todas as atividades profissionais e mercados. Muitos não percebem, mas milhares de atendentes de call centers estão sendo substituídos por soluções de inteligência artificial, big data e machine learning. Mas contadores, administradores, médicos, advogados, engenheiros, professores ou qualquer outra profissão tradicional também.

No mesmo evento (World Economic Forum) em que Nanterme da Accenture explicou o impacto da questão digital, outro líder empresarial, Marc Benioff, CEO e fundador da Salesforce, defendeu que, diante destas drásticas mudanças, a necessidade urgente de países e empresas terem uma espécie de ministro ou diretor do futuro. Alguém que olhe exclusivamente para as mudanças e disrupções que estão por vir nos próximos anos ou décadas e prepare as bases da sua organização para chegar lá. Não é possível dirigir algo em direção ao futuro olhando o retrovisor!

Por isso, neste momento em que empresas, universidades, faculdades e escolas estão planejando o próximo ano, uma pergunta poderia fazer parte deste processo: estamos formando profissionais paras as empresas do passado ou do futuro?

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação e consultor dos programas InovaBra do Bradesco e Inova+Startups da Cyrela Commercial Properties (CCP).

Cinco startups brasileiras que toda grande empresa deveria conhecer

6 de outubro de 2017

Nos últimos anos intensificou-se o interesse de várias empresas de grande porte ao redor do mundo, inclusive no Brasil, em interagir com startups. Isto, quando bem realizado, traz diversos ganhos para as duas partes. Para a grande empresa, é uma oportunidade para inovar com mais rapidez, mais barato e com menos riscos, para incentivar a cultura do intraempreendedorismo entre seus colaboradores e, em diversos, para conquistar novos mercados ou se manter competitiva perante seus concorrentes. Para a startup, é a chance de conquistar um grande cliente que traz não apenas mais faturamento, mas também um selo de validação para conquistar outras organizações.


Mas há uma ilusão de quem entra nesta dinâmica que é prometer grandes resultados em um curto espaço de tempo, esquecendo-se que grande empresa e startups são elementos muitos distintos, quase antagônicos, mas que podem criar relacionamentos que trarão grandes impactos positivos para ambos.

Tenho atuado na integração de grandes empresas com startups nas últimas duas décadas e há um pequeno detalhe que precisa ser considerado logo no início desta relação, principalmente quando é o primeiro ano do programa: é preciso entregar resultados de curto prazo, pois a grande empresa vive de anos fiscais e os executivos envolvidos precisam entregar metas anuais. Se os resultados, mesmo que pequenos, forem positivos, o programa de relacionamento grande empresa e startups não é só renovado, mas ampliado e há uma grande chance dos executivos serem premiados. Por isso, meu conselho para cada empreendedor que começa a interagir com um executivo de uma grande empresa é: Faça com que o executivo que está te apoiando seja promovido! Em outras palavras, o empreendedor precisa entender quais são as metas do executivo e, por meio da sua startup, contribuir para que ele(a) atinja seus objetivos. De forma mais objetiva, como a sua startup irá ajudá-lo(a) a fazer com que sua empresa amplie as vendas, reduza custos, aumente o valor da companhia ou, em casos, específicos, ajude a cumprir sua missão estratégica.

Neste contexto, há muitas startups que podem ajudar a trazer resultados de curto para as grandes empresas de forma mais objetiva considerando diversos desafios comuns que elas têm. Apresento cinco apenas para ilustrar esta lógica.

Toda grande empresa pode ter problemas com cobranças. Neste período de crise a inadimplência disparou mas a abordagem de cobrança tradicional, em muitos casos, só acirra a relação que já vai mal com o inadimplente. Nesta situação, conheça a QueroQuitar e convide o fundador, Marc Lahoud, para um café.

Toda grande empresa tem desafios em contratar mão de obra operacional, mesmo que seja via fornecedor terceirizado. O turnover é sempre alto, a motivação é baixa, muitos moram muito longe e chegam cansados, o processo seletivo é um inferno. Se respondeu sim para todas estas questões, precisa conhecer a EmpregoLigado e o empreendedor Jacob Rosenbloom.
Aproveite para ele palestrar para seus colaboradores e contar porque veio dos Estados Unidos para resolver um problema social no Brasil.

Toda grande empresa precisa lidar com contencioso. É muito processo vindo de qualquer lado. Se estiver gastando muito com estes processos, marque uma reunião com o Hélio Katanosaka da Reglare. Vai se surpreender com a tecnologia desenvolvida por ele e sua equipe.

Toda grande empresa precisa investir em treinamentos e os resultados são sempre questionáveis. Quem aprendeu de fato, quem são os ninjas de cada assunto e quem não está nem aí para o curso? Neste caso, chame os camisa rosa da Qranio. Não tem como não gostar do Samir Iasbeck, fundador da empresa.

Poderia continuar citando mais dezenas de startups e empreendedores que realmente confio, mas preciso fechar o artigo, mas termino com outro enorme desafio. Toda grande empresa precisa gerenciar operacionalmente seus milhares de funcionários. Entrada, saída, hora extra, banco de horas, férias, etc. Pode ter sistema, planilha, comunicação por email, whatsapp, mas o pessoal sempre esquece. Se isto for uma pequena dor de cabeça multiplicada por milhares de empregados, avalie o FolhaCerta. Marcos Machuca, largou a principal empresa de consultoria estratégica do mundo, para levar a gestão a rotina trabalhista para onde todos estão: no celular.

Por fim, toda grande empresa precisa inovar neste momento de grandes disrupções, mas deveria começar investindo muito pouco e correndo poucos riscos apenas para iniciar o aprendizado. Este investimento deveria começar por um café…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação e consultor dos programas InovaBra do Bradesco e Inova+Startups da Cyrela Commercial Properties (CCP).

Tem mais sucesso quem incentiva os pecados ou as virtudes capitais?

29 de setembro de 2017

Há um paradoxo talvez moral ou filosófico que pode chocar quem está empreendendo ou pensa em iniciar um novo negócio. Tem mais sucesso comercial quem incentiva os pecados ou as virtudes capitais?

Historicamente, o teólogo romano Evágrio do Ponto (345-399) é citado como o primeiro formulador de uma lista de oito “pecados capitais” que tornavam as pessoas cada vez mais egocêntricas espelhadas em si. Posteriormente, o Papa Gregório I, reduziu a sete pecados capitais, entendo que vaidade e orgulho representariam conceitos similares. Assim, a lista se fixou em luxúria, ganância, gula, preguiça, ira, inveja e vaidade. Para não incorrer nos tais pecados, era necessário praticar as virtudes capitais, apontadas, inicialmente, pelo poeta, também, romano Prudêncio (348-410): Pureza, caridade, temperança, diligência, paciência, bondade e humildade.

Da natureza humana, depois religiosa, agora a reflexão chega a muitos empreendedores a respeito dos seus negócios.

“As redes sociais têm mais sucesso quando incentivam um dos sete pecados capitais. O Facebook incentiva a vaidade. O Zynga, a preguiça. O Linkedin é a ganância.”, explicou Reid Hoffman, fundador do próprio Linkedin, em uma entrevista ao The Wall Street Journal, ainda em 2011.

Conscientemente ou não, muitos empreendedores já sabiam disso mesmo antes de Hoffman apontar, de forma tão franca, um dos principais pilares do sucesso dos negócios. Criado em 2004, o Facebook tinha pouco mais de 100 milhões de usuários em 2008. O lançamento do botão Curtir em fevereiro de 2009 fez sua base dobrar em apenas um mês, e a rede social de Mark Zuckerberg fechou aquele ano com 360 milhões de pessoas querendo ser curtidas.

Pela perspectiva de Hoffman, entende-se o sucesso de tantos negócios de comida ao redor do mundo. Canais de televisão transmitem gordices 24 horas por dia, cozinheiros com milhões de seguidores, sites de receitas com bilhões de page views e aplicativos milionários de comida que instigam a gula mesmo daqueles mais disciplinados na dieta.  A luxúria é outro pecado capital que serve como principal combustível de diversos negócios desde os mais objetivos aplicativos de encontros aos mais obscuros serviços pessoais.

E de todos os pecados capitais, a ira é um dos mais emblemáticos. Como criar um negócio a partir da raiva e do ódio das pessoas?  Quem melhor soube aproveitar esta poderosa força que surge nas pessoas descontentes com algo ou alguém foi o brasileiro Maurício Vargas. Ele mesmo, enfurecido com um péssimo serviço que recebeu de uma companhia área em 2001, resolveu criar um espaço em que as pessoas pudessem descarregar sua ira com atendimentos ruins que recebiam das empresas. O ReclameAqui, o negócio fundado por Vargas é um exemplo de como canalizar um pecado capital em algo bom para outras pessoas já que as empresas estão mais atentas a sua reputação.

Mas se o ReclameAqui é um dos sites mais acessados do Brasil, haveria um espaço para um ElogieAqui? Sim, e existe o ElogieAki, mas infelizmente está na posição 105.585 entre os mais acessados do  país.

E também infelizmente estamos ganhando cada vez mais espelhos e por isso, estamos vendo um mundo cada vez mais doente.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Nossas gaiolas mentais: ‘não tenho dinheiro para iniciar um negócio’

22 de setembro de 2017

Pensando em empreender, mas ainda não tem o capital inicial? Uma amiga, Tina Seelig, professora de criatividade da Universidade de Stanford, fez com que seus alunos vivenciassem uma experiência de duas horas, que mudou para sempre não só a resposta para esta pergunta, mas a pergunta em si. Ela dividiu a classe em quatorze grupos e deu um envelope com cinco dólares para cada equipe. Era uma tarde de quarta-feira e as turmas teriam até a noite do domingo para colocar em prática a ideia de negócio que rendesse o máximo de dinheiro. Teriam todo o tempo para pensar, entretanto ao abrir o envelope, só teriam duas horas para executar a ideia.

Na segunda-feira, cada grupo teria três minutos para apresentar seu projeto para a classe. Alguns grupos pensaram em comprar um bilhete de loteria, contudo desistiram diante da probabilidade de ganho, outros pensaram em criar um negócio de lavagem de carros, barraca de limonada e serviço para enchimento de pneus de bicicletas, um meio de transporte popular na universidade. Na apresentação dos trabalhos, Tina ficou impressionada, já que na média, os grupos transformaram cinco dólares em duzentos e cinco dólares.

Um grupo foi muito criativo e criou um serviço para colocar pessoas em filas de restaurantes concorridos, que vendiam suas senhas por vinte dólares para clientes que não desejam esperar mais de uma hora pela sua vez. Outro fez mapas da região para vender para os turistas e houve um que ganhou dinheiro com fotos em eventos. Entretanto, o grupo vencedor, que faturou 650 dólares não havia utilizado o dinheiro e nem as duas horas. Como os alunos de Stanford são muito demandados em função da região em que está, o Vale do Silício, o grupo vencedor vendeu os três minutos que tinham para que uma empresa anunciasse suas vagas para a classe. O grupo percebeu que o que tinha de mais valioso não eram suas limitações de recurso e tempo, mas que poderiam resolver outro problema a partir de uma nova perspectiva.
Mesmo não conhecendo a Tina, Tallis Gomes, quando era adolescente na pequena cidade mineira de Carangola, queria comprar uma bateria para sua banda de música. Sem muito dinheiro, teve a ideia de criar um catálogo de telefones celulares vendidos no Mercado Livre aumentando os preços em 25%. Com o catálogo impresso foi abordar as pessoas na rua. Assim que a pessoa comprava, pedia o pagamento antecipado, entrava no Mercado Livre e colocava os dados de entrega do seu cliente. Em poucos dias, sua banda já tinha uma bateria novinha. Anos depois, Tallis fundou o Easy Taxi, gastando quase nada para tirá-la do papel no início.

Ainda seria possível contar dezenas de outras histórias de empreendedores que não se limitaram pela falta de recursos quando iniciaram seus negócios, mas meu aprendizado mais recente veio de um jovem aluno, o Victor Fiss, na época com 21 anos. Quando entrou na faculdade, descobriu que todos que tinham um notebook Apple precisariam fazer ajustes para conseguir rodar os diversos programas utilizados nas matérias. Alguns veteranos faziam estes ajustes, mas cobravam 200 reais pelo trabalho. Ele achou caro e disse que conseguiria pagar 50 reais pelo ajuste, prontamente negado pelo veterano, que fez uma contraoferta de 150 reais. Achando o valor ainda alto, Victor fez outra pergunta: “Se eu trouxer dois alunos, você faz o ajuste de graça para mim?” Visto desta perspectiva, o veterano aceitou rapidamente. Minutos depois, Victor aparecia com mais dois clientes. Com o notebook ajustado, ele fez mais uma pergunta: “A cada cliente que trouxer você me paga 50 reais?”.

Novamente uma resposta positiva do veterano. No dia seguinte, Victor apareceu com uma lista de 40 clientes… Agora, quase dois anos depois, ele captou dinheiro de diversos investidores e com quase nada de capital inicial próprio, abriu sua primeira clinica médica popular. Não satisfeito, já fechou novas rodadas de captação para abrir outras unidades.

Por isso, para quem ainda sonha em empreender, mas ainda posterga o sonho devido à limitação do capital inicial, Tallis Gomes dá um tapa na cara para quem deseja acordar: “Quem quer vai lá e faz. Quem não quer, inventa desculpas!” – diz.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Se não houver espaço para o erro, não haverá espaço para a inovação

15 de setembro de 2017

O CEO de uma grande empresa na qual presto consultoria reuniu centenas de colaboradores e explicou que para inovar para a empresa, eles poderiam cometer erros. Ninguém entendeu muito bem o que aquilo significava já que, erros, tradicionalmente, sempre são punidos nas organizações. Mas só nas organizações míopes. Nas visionárias, o erro, desde que cometido na tentativa de melhorar, não é apenas tolerado, mas até incentivado. David Packard, cofundador da HP, costumava dizer que se você não está errando, provavelmente não está inovando. E esta reflexão precisa acender uma lâmpada na cabeça das pessoas e organizações que querem, verdadeiramente, inovar.

Mostre-me uma pessoa que nunca cometeu um erro, e eu mostrarei a você uma pessoa que nunca fez nada de relevante na vida.”- explicava William Rosenberg, fundador da Dunkin’ Donuts.

Por esta razão tão óbvia, empresas realmente comprometidas com a inovação, encaram o erro e fracasso como parte do processo do aprendizado organizacional. O Google permite que seus colaboradores utilizem parte do tempo de trabalho em projetos pessoais e incentiva objetivos ambiciosos para que, mesmo não atingindo 100% do resultado, sejam valorizados pela bravura em buscar algo realmente visionário.

Mas nas empresas tradicionais, o funcionário ainda teme fracassar e ser desligado da companhia por isso. E estão certos! São empregados para exercer uma função como qualquer outro ativo da organização que busca a eficiência, e se não entregar os resultados esperados, são descartados na escuridão das incertezas.

Mas há muito tempo, em diversos segmentos, ser eficiente já não é mais uma vantagem competitiva tanto para o empregado como para a empresa. Agora, empresas estão sendo pressionadas a inovar. E a inovação pressupõe espaço para os bons erros e fracassos.

Mas esta valorização do bom fracasso não é nova. “Não tenha medo de errar. Mas certifique de não cometer o mesmo erro duas vezes.” Esta era a recomendação de Akio Morita, co-fundador da Sony para todos na sua empresa. Ele gostava que todos falassem abertamente sobre seus fracassos para que apenas erros novos fossem cometidos. “Em todo o tempo que estive na empresa, eu consigo lembrar de pouquíssimas pessoas que eu gostaria de ter demitido pelos erros cometidos.” – recorda em sua biografia. “Falhas e erros de cálculo são humanos e algo normal, e analisando no longo prazo, isto não prejudicou a empresa. Mas se uma pessoa que cometer um erro é condenada e desprestigiada, ela poderá perder sua motivação pelo resto da sua passagem pela empresa, privando a companhia de qualquer coisa construtiva que poderia oferecer. Se a causa do erro for esclarecida e divulgada, a pessoa não esquecerá e outros não cometerão a mesma falha. Por isso, eu digo ao nosso pessoal: Vá em frente e faça o que acha que é correto. Se errar, aprenderá com isso”.

Assim, se estiver atuando em uma organização que diz que quer inovar, mas percebe que não há incentivos ou mesmo tolerância aos fracassos, continue não cometendo erros e manterá o seu emprego até alguém mais inovador apagar a luz.

Porém, se há espaço para bons erros para quem busca verdadeiramente inovar, paradoxalmente, nunca irá fracassar: “Eu nunca fracassei. Só descobri dez mil alternativas que não funcionaram…” – dizia o maior inovador de todos os tempos, Thomas Edison, o responsável pela tal lâmpada que ilumina os caminhos da inovação.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

10 filmes para os grandes empreendedores de ontem e os do amanhã

11 de setembro de 2017

Bons filmes divertem. Ótimos filmes inspiram. Grandes filmes nos fazem agir. De tempos em tempos, assisto Sociedade dos Poetas Mortos. A cena em que o professor pede para que seus alunos subam em suas mesas para enxergar o mundo com outra perspectiva é o que me motivou a trabalhar com inovação e empreendedorismo.

A vantagem agora é que boa parte destes grandes filmes estão disponíveis em formato streaming e escolhi alguns que estão disponíveis neste momento no Netflix. Curiosamente, o próprio Reed Hastings só decidiu fundar a própria empresa depois de ter assistido ao filme Apollo 13 em 1996. Mesmo com a excelente atuação de Tom Hanks, não foi o filme em si que o motivou, mas o que aconteceu quando esqueceu de devolver a fita VHS para a locadora e pagou uma multa de 40 dólares. Aquilo o incomodou tanto que fundou a Netflix.

Entretanto, muitos grandes empreendedores só começaram a agir, de fato, depois de terem assistido a um grande filme. Talvez o que tenha impactado o maior número deles foi Star Wars. Ser um rebelde que enfrentar o lado negro da força que tentava dominar o mundo fez com que vários jovens Jedis na vida real agissem criando negócios com a mesma finalidade. O mais rebelde deles tinha apenas 22 anos em 1977 quando ficou imobilizado por um tempo no cinema enquanto os créditos eram mostrados sob a música de John Williams explodindo nos autofalantes. Steve Jobs ainda voltaria ao cinema mais duas vezes naquela semana de estreia. A saga em lidar com o lado negro da força seria utilizada por ele muitas vezes depois, inclusive contra a IBM e Microsoft. Atualmente, muitos empreendedores, novamente, se sentem Jedis quando lutam com o lado negro da força das grandes organizações que querem tornar obsoletas.

Além de Guerra nas Estrelas, há várias outras opções no Netflix que podem contribuir para que aja agora, empreendendo suas ideias. Dois filmes “escondidos” e quase caseiros que lidam com jovens que se superam para atingir seus objetivos são Sushi a La Mexicana e Spare Parts. No filme do sushi, Juana, é uma mexicana que sonha em ser sushiwoman em um restaurante japonês. Apesar do enredo ser previsível, lida com o preconceito de nacionalidade e gênero. Mas também se destacam os papéis da dedicação, maestria e resiliência. Em Spare Parts, um grupo de quatro estudantes mexicanos que vivem nos Estados Unidos participam de uma competição de robótica contra as grandes universidades norte-americanas. Novamente, a estória é previsível. Mas será que ela é real? Ambos os filmes são ótimos para aqueles que já têm um “não” para começar.

Na mesma linha da superação, mas a partir de um personagem já consagrado, o filme Walt antes do Mickey conta o começo (pouco conhecido) de Walt Disney em que passou muitas dificuldades, tendo que buscar comida em latas de lixo para sobreviver. Mais que a genialidade de Walt, o filme destaca a importância de Roy Disney, seu irmão, como sócio, parceiro e alguém que dava (um pouco) de estabilidade ao imprevisível criador do Mickey Mouse.

Outro filme que pode incomodar muitos que dizem que querem empreender, mas não agem é Amor sem Escalas, onde George Clooney descobre que tem perdido boa parte dos momentos mais valiosos da sua vida tralhando muito, fazendo algo que é vazio, que não se orgulha e que ainda pode ser substituído por uma nova tecnologia. O filme é um soco ou uma injeção de vida para zumbis corporativos.

E para quem já lidera um negócio próprio, dois outros filmes disponíveis no Netflix baseados em histórias reais são importantes para refletir diversos aspectos do seu negócio. Em Decisões Extremas, um pai, na tentativa de salvar seus dois filhos de uma doença rara, decide empreender em sociedade com um pesquisador que acredita ter uma solução para interromper a evolução da enfermidade. Todos os aspectos na criação de uma startup de alto potencial de crescimento são tratados no filme. E Fome de Poder conta a trajetória de Ray Krock, empreendedor do McDonald´s e sua relação com os fundadores da empresa, Rick e Mac McDonald. Inovação, visão de futuro, modelo de negócio, processo e ética são alguns temas farão empreendedores repensar seus negócios e, principalmente, sócios.

Enquanto muitos filmes motivam a começar, um em especial, incentiva o empreendedor a finalizar seu ciclo. Foi depois de ter visto Tempo de Partir, filme em que dois idosos (Jack Nicholson e Morgan Freeman) em estágio terminal decidem fazer uma lista de coisas que gostariam de fazer antes de morrerem, que o sempre recluso Phil Knight, fundador da Nike, decidiu escrever (por conta própria) sua biografia em que confessa, por exemplo, ter roubado documentos de um parceiro comercial e o remorso pela culpa em não ter participado mais da vida do seu filho que supostamente se suicidou. Tanto o filme como o livro, nos faz pensar profundamente sobre o que é viver na perspectiva de quem sabe (ou acha) que logo irá partir. Quem assistiu ao filme sabe o que é beijar a mulher mais bonita do mundo, um dos itens da lista.

Por isso, mais do que assistir a um filme que inspire ou incentive a ação, é preciso fazer de nossas vidas algo extraordinário. Carpe diem. E que a Força esteja com você!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Empreendedor 10%: viva seu sonho de empreender sem deixar o emprego

1 de setembro de 2017

Este é o intrigante título do livro escrito por Patrick McGinnis, empreendedor e investidor-anjo, e um dos principais destaques do Congresso de Investimento Anjo da Anjos do Brasil deste ano. Ele criou um conceito muito simples e eficaz para quem sempre sonhou em empreender um negócio próprio e, por vários motivos, não pode viver seu projeto pessoal.

Em uma das entrevistas que deu à Escola de Negócios de Wharton, McGinnis conta como formulou este conceito para si próprio: “Eu era aquele sujeito que andava tateando pelo quarto escuro em busca de uma luz para minha vida. ” Ele tinha um bom emprego, ganhava bem, mas buscava um algo a mais que não sabia exatamente o que era. A partir deste incômodo, começou a pensar em uma lógica em que pudesse vivenciar novas experiências na carreira sem precisar largar seu emprego, afinal, gostava do que fazia, apesar de não se sentir plenamente realizado.


Conversando com outros amigos e conhecidos, descobriu que muitos tinham este mesmo dilema. “Sempre quis ter um restaurante ou algo parecido. Aí, param e pensam. Seria incrível, mas eu tenho um bom trabalho. Estou fazendo algo que gosto. Não vou desistir de tudo para viver na montanha russa de ser empreendedor”
, relembra.

Formado em economia, começou a raciocinar sobre quanto tempo deveria investir para encontrar esta tal luz da sua vida. Começou com 20% e logo percebeu que era muito tempo. A partir das suas experimentações, chegou à conclusão de 10% era uma proporção ideal. Entendeu que havia muitos executivos mantinham suas carreiras mas costumavam investir 10% do seu patrimônio em novos negócios. Assim, podiam vivenciar e apostar no seu sonho pessoal que também era o mesmo de outros empreendedores, que, estes sim, dedicavam-se integralmente ao negócio. Outros, em vez de dinheiro, investiam 10% seu tempo atuando como conselheiros e mentores de novos empreendedores. Era uma forma de experimentar viver o seu sonho pessoal ajudando outros que estavam tornando-o realidade.

Mas a barreira mental para se tornar um Empreendedor 10% é o sentimento de pequenez que aflige muitos. “Eu quase não tenho patrimônio pessoal. Como investir 10% de quase nada?” É fato que muitas pessoas têm muito pouco capital para investir mesmo que apenas 10% deste valor já que julgam este montante irrisório. Mas há um outro fato que constata que empreendedores demandam pouco capital para iniciar um negócio, daí o sucesso de muitas iniciativas de microcrédito não só no Brasil, mas em todo o mundo. E mesmo que não tenha dinheiro ou não queira investi-lo neste primeiro momento, sempre terá um pouco de tempo para ajudar empreendedores.

Esta é a função de mentoria que cresce exponencialmente no Brasil (e no mundo). Ser mentor de uma startup é, para muitos, até um sinônimo de status profissional. Mas aqui pode surgir, de novo, o seu eu pequeno: Mas eu não tenho conhecimento para ajudar ou orientar um empreendedor. Mesmo sendo muito jovem e com quase ou nenhum conhecimento de negócio, você ajudar negócios, por exemplo, que estão lidando com jovens como você. Cada vez mais as startups utilizam lógicas de design centrado no usuário, design thinking, lean startup. Todas elas, ter a visão do cliente não é apenas valiosa, é obrigatória para ter sucesso. A mesma lógica vale para o profissional já aposentado que se sente “velho”. Além de conseguir orientar empreendedores que lidam com este mesmo público, ainda pode contribuir com todo o conhecimento profissional e rede de contatos que construiu durante sua vida profissional.

Se ficou interessado em se tornar um Empreendedor 10%, talvez, a próxima dúvida seja como encontrar empreendedores e startups para investir e/ou orientar. Isto pode estar mais próximo do que imagina, pois, seus amigos, conhecidos, amigos de amigos e conhecidos de conhecidos já estão, provavelmente, empreendendo ou pensando em criar um negócio próprio. Entre em contato com a faculdade em que se formou ou outra que esteja mais próximo, entenda se há algum centro ou núcleo de empreendedorismo ou mesmo professores de empreendedorismo. Agende um bate-papo e voluntarie-se para ajudar. No Insper, por exemplo, temos um programa de mentores e uma iniciativa de investidores-anjo.

Participe de eventos de empreendedorismo. Há inúmeros ao redor do país como Startup Weekends, hackatons, demo days, meetups e conheça os hubs de empreendedorismo como o Google Campus, Cubo, Oxigênio e inúmeros coworkings que se espalham pelo Brasil.

Acompanhe o trabalho de organizações que apoiam o empreendedor inovador no Brasil como a Endeavor, Artemísia e Junior Achievement. Todas trabalham com programa de mentoria para empreendedores.

Por fim, conheça iniciativas de grande porte para lidar com interessados em ser mentores como o do Inovativa Brasil e investidores-anjo como a Anjos do Brasil.

Se começar a participar deste ecossistema do empreendedorismo brasileiro, descobrirá que quanto mais ajuda, mais será ajudado. Que quanto mais se ensina, mais se aprende. Que quanto mais vive o seu sonho (por mais romântico que isto seja), maior e mais real ele se tornará. No final, entenderá que não se trata de 10%, mas de 110% de você.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Há mais de 50 mil vagas disponíveis em startups e empresas inovadoras

25 de agosto de 2017

Há muitas posições em aberto em startups e empresas inovadoras no Brasil e em outros países. No caso das brasileiras, são organizações que estão crescendo (muito) apesar da crise.

O Cubo reúne boa parte das posições em aberto nas principais startups do Brasil. Veja as vagas nas startups aqui. E para os que ainda não conhecem o Cubo, recomendo que, pelo menos, assinem a newsletter do coworking criado pelo Banco Itaú em parceria com o fundo de investimento Redpoint eVentures. Há muita, muita coisa boa acontecendo aqui.

Outro local de empreendedorismo e inovação que precisa ser conhecido é a Wayra Brasil. A aceleradora de startups do Grupo Telefônica também disponibiliza suas vagas e das startups por ela apoiada. Vale muito a pena conhecer não apenas as vagas, mas as startups. Há muita inovação aqui!

Se tiver interesse em trabalhar em uma empresa inovadora mas já um pouco mais consolidada, precisa conhecer o trabalho da Endeavor Brasil, uma organização não governamental internacional de empreendedorismo, e as empresas que ela apoia. Recentemente, a Endeavor criou uma página em que disponibiliza as posições em aberto nas Empresas Endeavor. Além de trabalhar em uma empresa inovadora em franco crescimento, terá a oportunidade de atuar junto com um(a) empreendedor(a) que está entre os melhores do mundo.

Ainda se estiver buscando vagas em startups ou empresas inovadoras no Brasil, vale muito a pena investir um tempo olhando as empresas que disponibilizam as vagas no Workable, uma startup muito interessante que faz a gestão de vagas. O problema para quem busca uma vaga é, paradoxalmente, achar as vagas já que a Workable oferece soluções para a contrantante e não para o candidato. Mas utilizando o Google Advanced Search é possível encontrar uma lista de vagas disponíveis. Veja-as neste link.

Uma dica aqui: talvez nunca tenha ouvido falar de alguma startup que disponibiliza vagas no Workable (ou mesmo no Cubo, Endeavor e outras que menciono aqui), mas faça uma busca rápida na internet e é bem provável que se surpreenderá com a atuação da empresa.

Uma concorrente da Workable é a Recruitee. Mesma situação… Vagas via Google neste link. Grandes “startups” como a Movile anunciam aqui.

E se não achar nenhuma vaga que goste ou tenha condições de aplicar, deixei a Glassdoor para o final porque eles dizem ter mais de 30 mil vagas disponíveis no Brasil em empresas incríveis como Facebook, Salesforce ou Oracle. Veja as vagas aqui.

E que tal uma carreira global? Você pode pensar nisso bem mais cedo se considerar as opções em startups internacionais. Por isso, conheça a plataforma de empregos da AngelList.

E se o inglês ainda for uma barreira, considere Portugal. O país é lindo, as pessoas são educadas, a comida é ótima, o clima é perfeito e há um enorme esforço em tornar o país mais empreendedor e inovador. Não há um grande número de posições em aberto em Portugal, mas uma parte delas pode ser encontrada aqui.

Se conhecer alguém muito empreendedor e inovador que queira trabalhar em startups ou empresas altamente inovadoras, compartilhe estas oportunidades!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Quer vender mais? Qual é a sua oferta Fácil-Sim?

18 de agosto de 2017

Apresento uma ferramenta que utilizo para orientar empreendedores que, de tão simples, nunca pensei em torná-la público. Acho que sua lógica é tão óbvia que já deve ter alguém que criou algo, pelo menos, parecido.

Eu a chamo de Fácil-Sim (ou Matriz da Primeira Venda) e tem sido especialmente útil na realização da primeira venda de uma solução desenvolvida por um negócio nascente para uma empresa de qualquer porte, com destaque para as grandes, já que cresce o número de iniciativas de corporate venture, programas de parcerias entre corporações e startups.

Vamos à parte que acho óbvia: Quando um empreendedor entra em contato com um executivo de uma empresa para vender-lhe sua solução, ele(a) receberá em algum momento a um sim ou um não. Um detalhe que talvez o empreendedor não se atente seja o fato de que este sim/não pode ser fácil ou difícil de ser dado pelo representante da empresa. E na combinação destas alternativas que se forma a Matriz da Primeira Venda.

Não raro, quando o empreendedor entra em contato com a empresa, ele(a) já imagina sua solução sendo adotada de forma plena por toda a organização. Já oriento a área de inovação de um grande banco e sempre, absolutamente sempre, o empreendedor já vem com sua oferta para as quase cinco mil agências, dezessete milhões de clientes ou para os seus mais de cem mil colaboradores. É nesta situação que ligo meu radar mental esperando uma frase do empreendedor que começa com “É só”. “É só migrar para a nossa solução em nuvem que já terá uma economia de 47% no segundo mês…”.

Neste momento, o executivo da empresa começa a colocar a proposta do empreendedor no quadrante Fácil-Não, Difícil-Não ou Difícil-Sim. De todos, o Fácil-Não é o mais fácil de ser considerado pelo representante da empresa. Ele(a) entende que a solução não resolve nenhum dos seus desafios na empresa, não o(a) ajuda a atingir nem a sua meta ou a de algum colega e dirá que não tem interesse. Se questionado(a) do motivo, apresentará um argumento difícil de ser contornado pelo empreendedor.

Mas se o funcionário da empresa perceber que a solução pode, de alguma forma, resolver algum desafio da sua organização e ainda o(a) ajudar a atingir suas metas de desempenho, a proposta do empreendedor cairá nas opções que começam por difícil. Pode ser difícil por diversos motivos: falta de verba ou orçamento, tecnologia incompatível, desconfiança na capacidade de execução do empreendedor, necessidade de pesquisar outras soluções alternativas e pode até chegar a questões pessoais como ter gostado da solução, mas não do empreendedor. O executivo levará a proposta do empreendedor ao conhecimento de outros colaboradores e várias (podendo chegar a dezenas de) reuniões serão convocadas. E depois, quem sabe, de dois ou mais meses, a empresa chegará a um sim ou não. Se for um Difícil-Não, o empreendedor perdeu dezenas (talvez centenas) de horas preciosíssimas (que já não tinha) sonhando com aquela “parceria” com uma grande empresa. Mas se for um Difícil-Sim, ainda não vai comemorar. Seu processo de compra ainda deverá passar por outras instâncias como o departamento de compras, jurídico, tecnológico, etc. E mesmo tendo um Difícil-Sim, o empreendedor ainda corre o risco de alguém na empresa sabotar a “parceria” porque talvez entenda que perderá poder, status, influência ou até seu emprego mesmo.

Por isso, dado que sua solução tenha o potencial de resolver, de alguma forma, o problema da empresa e ajudar o executivo a atingir suas metas, o empreendedor precisa fechar sua apresentação de vendas para um potencial novo cliente com uma oferta Fácil-Sim. Em boa parte dos casos, a oferta Fácil-Sim não é a solução completa implantada em toda a organização. Isto deve ser o objetivo final do empreendedor, mas precisa ter consciência que se for nessa linha logo na primeira interação pode cair no Difícil-Não ou Difícil-Sim. Mas se conseguir emplacar um produto ou serviço Fácil-Sim, terá a oportunidade de criar vínculos crescentes de confiança, entenderá melhor a empresa e terá a chance de avançar com mais ofertas Fácil-Sim até chegar ao equivalente à solução inicial Difícil-Sim.

Uma oferta Fácil-Sim pode ser uma PoC (Prova de Conceito) rodada em uma base ou segmento muito segmentada e que não represente grandes riscos e incertezas para o executivo e sua organização, um parte da solução que possa ser rapidamente testada a custo zero ou reduzido ou talvez o acesso a toda a solução por um prazo determinado desde que não implique em altos custos e trabalho para a equipe da empresa que está sendo prospectada. A reação do executivo deve ser algo parecido com um “Por que não (tentar)?” Se não conseguir  algo parecido com esta conclusão, fica claro que o empreendedor ainda não tem uma oferta Fácil-Sim.

De forma muito resumida, esta é a Matriz da Primeira Venda. Sei que é algo óbvio, mas comece a monitorar a abordagem aos seus prospects e entenda se sua oferta tem se enquadrado mais em qual quadrante. Se estiver caindo com frequência no Fácil-Não, sua solução não resolve o problema da empresa e do executivo e/ou está falhando na sua comunicação. Sabe o que deve ser feito, não? Se estiver se concentrando nos difíceis não ou sim, desenvolva e comece a testar sua oferta Fácil-Sim. E se estiver vendendo bem logo na primeira inteiração com um novo cliente, guarde este segredo!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper