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Blog do Empreendedor
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As pessoas estão começando a se perder (e perder) no Linkedin

24 de fevereiro de 2017

Reid Hoffman, criador do Linkedin

Linkedin é uma rede social para profissionais fundada por um empreendedor profissional que poucos conhecem, justamente… por seu profissionalismo. Ele organiza, mas sai, discretamente, antes da festa acabar. Por isso, quando Reid Hoffman (pouco) fala, boa parte dos melhores empreendedores desta nova geração, escuta.

“Facebook é como o churrasco que você faz no seu quintal com seus amigos e familiares, brincando, jogando e compartilhando fotos. Linkedin é o escritório, é como você se atualiza e resolve seus desafios profissionais”,  diz, comparando a empresa do qual foi um dos primeiros investidores (sim, ele investiu no Facebook) com a empresa que fundou.

Talvez poucos sejam tão genuinamente do Vale do Silício quando Hoffmann, pois ele nasceu em Palo Alto, pequena e mais importante cidade da região e estudou na Universidade de Stanford (que fica na cidade), trabalhou na Apple, investiu no Friendster, uma das primeiras redes sociais a atingir milhões de usuários e aprendeu a empreender fundando a sua própria startup, a SocialNet em 1997. Três anos depois, devido a problemas com os sócios e com o desempenho da Socialnet, ele saiu da empresa que tinha fundado para se tornar diretor de operações da Confinity, uma startup fundada por Peter Thiel, que tentava oferecer um serviço de pagamento por meio do Palm Top (lembra-se do assistentes pessoal?). Meses depois, a Confinity se juntaria a X.com, fundada por outro empreendedor desconhecido na época chamado Elon Musk, para se tornar o PayPal. Quando o PayPal foi adquirido pelo eBay em 2002 por US$ 1,5 bilhão, Hoffman ficou milionário.

Enquanto seus amigos de startup (que passou a ser conhecido como PayPal Mafia) compravam Ferraris e Porshes, Hoffman preferiu tirar duas semanas de férias para cruzar a Austrália. Mas já na primeira semana, teve uma ideia que o fez desistir da viagem e voltar para casa. Mesmo sendo época de Natal, ele e alguns amigos que tinham trabalhado no Socialnet e Paypal começaram a trabalhar na sala de estar da casa de Hoffman no final de 2002. Meses depois, como uma versão beta nas mãos, convidaram 350 amigos para testar o sistema. No final do mês já havia quatro mil utilizando o Linkedin, que terminou o ano com 81 mil usuários. Era um crescimento espantoso para uma rede social especializada em reunir apenas profissionais e executivos. Oito anos depois, já com 100 milhões de usuários em todo o mundo, o Linkedin abriu o seu capital, atingindo o valor de US$ 9 bilhões.

E o que mais impressionava os novos investidores era o modelo de negócio bem consolidado e a operação bem gerida do Linkedin, que continuou a crescer exponencialmente. Em receita, o Linkedin passou de US$ 522 milhões em 2011, ano do IPO, para quase US$ 3 bilhões em 2015. O serviço passou a ser cada vez mais respeitado não só pelos usuários, que atingiu cerca de 500 milhões de profissionais cadastrados no final de 2016, como também por empresas contratantes que respondem por 65% das receitas totais do Linkedin. Na rede social fundada por Hoffman só aparecia a melhor parte de cada profissional. “Ninguém se preocupa em quem está saindo com quem no Linkedin…” – afirmava.

Por todo este sucesso, o Linkedin sempre foi objeto de desejo de quase todas as outras grandes empresas de tecnologia. Ninguém, nem mesmo a Microsoft, conseguia ter esta relação de confiança, admiração e profissionalismo com uma quantidade tão grande de executivos ao redor do mundo. Do estagiário ao CEO das menores às maiores empresas, todos estavam no Linkedin. Justamente por este posicionamento, a empresa de Bill Gates pagou US$ 26 bilhões em 2016 (ou quase três vezes o valor do Linkedin no seu IPO) para adquirir a rede social profissional criada na sala de estar da casa do Reid Hoffman.

Finalmente, com vários anos de atraso, a Microsoft conseguia ter o seu próprio Facebook. E isto ficou muito mais claro quando o Linkedin, já sob a direção da gigante de Redmond, anunciou agora, em janeiro de 2017, uma drástica mudança no seu layout, interação com o conteúdo gerado pelos usuários e integração com seu aplicativo.

Se por um lado, os resultados foram imediatos com o aumento do uso do aplicativo, do número de postagens e interações com o conteúdo, por outro, o Linkedin vem se transformando em um Facebook já que os “profissionais” estão se perdendo em seu amadorismo, seja na viralização de raízes/nutellas, nas frases de efeito motivacionais, nas discussões raivosas e comentários ásperos ou nos erros conceituais grosseiros quando entram em debates em áreas que desconhecem.

Muitos recrutadores que utilizam as redes sociais para contratar costumavam dizer que uma pessoa era contratada pelo seu Linkedin mas perdia sua vaga pelo seu Facebook.  O Linkedin está deixando de ser aquele escritório em que você aprende e lida com desafios profissionais. Mas também não está se tornando aquele churrasco com família e amigos. Para isto, há o WhatsApp.

Infelizmente, está se tornando aquele final de festa da firma quando todos os profissionais já foram dormir porque precisam trabalhar no dia seguinte.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Raio post-itzador: a triste post-itzação da criatividade

3 de fevereiro de 2017

Quer deixar um criativo desorientado? Esconda seus post-its. O sujeito para de pensar, começa a suar e os seus olhos o entregam: E agora?

“E agora vai lá e faz!” – pensam os presentes.

É triste perceber como o post-it está caricaturizando a criatividade, tornando-a um mosaico teórico colorido que só fica na parede ou em uma folha de papel. Mas enquanto alguns dependem do bloquinho mágico e o inclui viciosamente entre as suas mais modernas técnicas coladas de inventividade, a trajetória da sua fabricante é a melhor e a mais autêntica escola de fazer inovação do mundo.

Hoje em dia, um criativo de post it não fala que fracassou. Diz que vai pivotar. E foi exatamente isto que fizeram os fundadores da Companhia de Manufatura e Mineração do Minnesota. Em 1902, cinco investidores se cotizaram para adquirir uma mina de coríndon, um mineral extremamente duro utilizado quando muito cristalino para joias e quando não, para lixas. Felizes com sua mina de joias descobriram que a produção não era tão cristalina assim. Assim buscaram ânimo para pivotar e produzir lixas. Mas perceberam que as pedras não eram coríndon, mas outra rocha qualquer sem valor. Mas como já tinham se decidido pela produção de lixas, o jeito foi comprar matéria-prima de terceiros e o negócio de abrasivos começou assim mesmo.

Outra máxima da inovação atualmente é o conceito de plataforma de inovação. Assim, em 1914, os fundadores da 3M perceberam que um dos lotes de rochas que haviam comprado da Espanha se desprendia com facilidade do papel lixa. Indignados, os sócios começaram a pesquisar todas as hipóteses para aquilo acontecer. Descobriram que as rochas estavam impregnada de azeite, também vinda da Espanha no mesmo barco. Decidiram assar as pedras em um forno, descobrindo um novo material ainda mais adequado para lixas. Começava ali o admirado departamento de pesquisa e desenvolvimento da 3M.

Mas a grande descoberta foi que eram bons em lixas, mas eram melhores ainda na tecnologia de adesivação (crucial na produção de papéis abrasivos). E a partir desta competência poderiam desenvolver diversas soluções que exigisse adesivação. Até hoje isto é a principal e a mais robusta plataforma de inovação da empresa, respondendo por boa parte dos mais de 55 mil produtos que a empresa comercializa, sendo que o Post-it é um dos exemplos mais conhecidos.

O criativo de post it não diz que teve uma ideia, mas sim um insight. Mas pioneiramente o insight se consolidou na 3M como algo do dia-a-dia, começando pelo insight da importância do P&D, da adesivação como plataforma de inovação e vários outros como a lixa à base de água (que reduz o pó), a fita crepe, durex, fita antiderrapante, fita isolante, micropore, entre outros. Desta forma, seus colaboradores são curiosos mesmo diante da sua rotina diária.

Mas o insight da fita crepe só ocorreu porque a 3M também dava um tempo livre para os seus colaboradores pensarem em projetos livres para a organização desde 1923. Foi neste tempo livre que o seu jovem funcionário, Richard Drew, percebeu que poderia utilizar um papel adesivado na pintura de um carro, preservando os espaços cobertos pela fita. Atualmente esta prática é adotada pelas empresas reconhecidas como as mais inovadoras do mundo.

Por fim, um termo que sempre entra na fala dos criativos atuais é a empatia. Muitos sabem explicar o que é, entretanto são raros os casos em que os mesmos são assim. De qualquer forma, a descoberta do Post-it é um resumo sobre como a 3M fez a sua história até aqui. O departamento de P&D da empresa fracassou ao inventar uma super cola em 1968. O resultado foi exatamente o inverso, uma cola muito fraca. Anos depois, em 1974, Art Fry, um funcionário da empresa, teve o insight de utilizar a cola em pequenos pedaços de papel e adesivá-los no livro dos cultos religiosos que utilizava nos finais de semana. Assim, a página que precisava acessar ficava facilmente identificável e ele poderia mover o papel para outra página sem danificar as folhas. Lançado como produto três anos depois, o produto foi um fracasso. Ninguém sabia para que servia. Para descobrir quem era o cliente, a empresa enviou o bloquinho para diversas pessoas. Quem respondeu pedindo mais foram as secretárias. A 3M criava ali uma abordagem que agora é alardeada como Customer Development.

A lógica que explica como a 3M se manteve inovadora em todos os momentos da sua trajetória é simples: Tem uma ideia? Vai lá e faz!

Para os criativos de post it, seu próprio criador questiona: “Muitas pessoas se aproximam e dizem: ‘eu também tive a ideia de fazer um papel adesivo! ’. E eu pergunto: por que então não fez nada a respeito?” – diz Arthur Fry.

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

Mais uma vez: rosa não é cor de menina e azul não é cor de menino

6 de janeiro de 2017

“Papai, uma coisa que eu percebi nas propagandas é que as coisas de menina são rosa e as coisas de menino são azuis…” – comenta minha filha Helen, de 7 anos, enquanto olha, despretensiosamente, para a televisão. “E você acha que existe cor de menino e cor de menina?” – pergunto, também sem muito interesse para não influenciar na resposta. “Acho que não…” – Helen responde. “Menina pode usar azul?” – pergunto. “Sim…” – responde rápido.  “E menino, pode usar rosa?” – continuo o nosso bate-papo.   “Sim.” – Helen responde tranquilamente. “Todos podem gostar da cor que quiser…” – complementa, voltando a prestar atenção na TV.

Depois que me tornei pai de duas filhas, a questão do empoderamento feminino se tornou muito mais importante e presente na minha vida. Assim, choca como as meninas ainda são tratadas pelas empresas que vendem o mundo “cor-de-rosa” para as pequenas que antigamente queriam Barbies e agora estão viciadas em Shopkins. E pelos pais que aceitam isto e alguns (muitos) que até incentivam, mesmo que inconscientemente, o estilo de vida consumista (e fútil) de Barbie (e agora Shopkins).

Por isso, a comparação das capas das revistas Girl´s Life e Boy´s Life de setembro do ano passado, mais uma vez, esquentou a discussão sobre como educamos meninos e meninas. Na revista dos meninos, a chamada: “Explore seu futuro. Astronauta, artista, bombeiro, chef? Veja aqui como ser o que quiser ser”. E fotos de satélite, avião, computador, microscópio, caminhões, chapéu de bombeiro para ilustrar a chamada.

E os atrativos da capa da revista das garotas? A atriz e cantora de séries da Disney, Olivia Holt, também muito conhecida por fazer propaganda dos brinquedos de “meninas” como Bratz e Littlest Pet Shop (pais de garotas sabem quem são) e chamadas como: A moda outono que irá amar. Acorde bonita. O cabelo dos seus sonhos. Uma lista de coisas para as pessoas amarem o seu jeans.

Se cada uma das capas forem mostradas individualmente e separadamente para diferentes públicos, poucos se incomodarão pois o “mundo é assim”. Há coisas de “meninos” e de “meninas”… O choque vem quando as capas são colocadas lado a lado e percebemos que a diferença vai muito além dos brinquedos (carrinhos x bonecas), brincadeiras (que sujam x que não sujam), direitos e deveres em casa (ficar jogando videogame x ajudar na limpeza, não tomar banho x banho + lavar cabelo + secar + pentear) ou cores (azul x rosa). O choque mais incomodo é sobre o futuro das meninas ou sobre o presente das mulheres que vemos atualmente: submissão, violência, funções domésticas, diferença de salários, posições de liderança nas empresas, presença reduzida em áreas que produzem ou utilizam satélites, aviões, computadores, microscópios, caminhões, chapéu de bombeiro (lembra-se da capa da Boy´s Life?), entre tantas frentes de batalhas das iniciativas de empoderamento feminino que tentam agora igualar séculos de princesas indefesas e ingênuas sendo salvas por príncipes encantados.

Mas este empoderamento não precisa ser feito apenas por negócios inclusivos como a Impulso Beta, que faz isto em empresas, Mulheres na Computação ou Rede Mulher Empreendedora. Muitas organizações e empreendedores já perceberam a demanda de pais como eu e estão criando negócios que também empoderam meninas e as libertam deste viciante mundo pink.

Mas as oportunidades só estão no início para os que acreditam que é preciso parar de generalizar o mundo em vida de “menino” ou de “menina” e começar a preparar pessoas melhores para um mundo melhor, independente se tudo será azul ou rosa na vida delas.

Enquanto os meus pensamentos estão no futuro da minha filha, ela desliga a televisão e vem me perguntar sobre o novo filme de Star Wars. Falo que é sobre uma moça com nome difícil, Jyn Erso, que lidera um movimento contra o Darth Vader. Helen fica curiosa e pergunta quando iremos assistir…

“Que a força esteja com você, filha” – penso enquanto respondo que iremos ver Rogue One semana que vem…

Marcelo Nakagawa é pai da Helen e da Stella e também Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper, Vanzolini, FIA, Instituto Butantan.

10 startups que podem ajudar a aumentar a sua renda em 2017

26 de dezembro de 2016

 

Infelizmente o ano de 2017 não será fácil para uma grande parcela dos brasileiros. Mesmo que consiga manter o emprego no próximo ano, o aumento do custo de diversos itens do dia-a-dia vai, invariavelmente, se chocar com a manutenção ou até a redução da renda de cada um. A expectativa é que o desemprego continue a crescer, pelo menos no primeiro semestre do próximo ano. E esta tendência só complica a situação de quem está em busca de uma vaga de trabalho.

Neste contexto, uma nova geração de startups tem sido uma boa alternativa para complementar ou mesmo ser a principal fonte de renda para um número crescente de pessoas. A Uber tem sido um bom exemplo, não só pela qualidade do serviço prestado, mas também por criar um novo mercado de prestadores e consumidores de serviços oferecidos diretamente de pessoas para pessoas sem laços anteriores de relacionamento.

Nesta nova abordagem de negócios que geram renda para milhares de pessoas, o que vale é a reputação obtida por quem presta um serviço de excelente qualidade de forma recorrente. Assim, se você for uma pessoa séria e realmente comprometida em prestar um serviço de alta qualidade, as startups apresentadas a seguir podem ser muito úteis para aumentar a sua renda no próximo ano.

1. AirbNb
Se tiver, pelo menos, um cantinho para receber um hóspede na sua casa, deveria, pelo menos, conhecer o Airbnb. Perceberá que há espaços muito parecidos com o que você tem. A única diferença é que o site manda o seu pessoal para o local para tirar fotos mais bacanas. Muitos já perceberam que o Airbnb é um excelente negócio a ponto de alugar imóveis somente para disponibilizá-los desta forma.

2. Apptite
Todo mundo tem uma receita que se orgulha, mesmo que seja um ovo frito. No Apptite você monta seu mini restaurante delivery na sua casa com os pratos que melhor cozinha e vende para sua vizinhança. E mesmo quem diz que não sabe cozinhar, se treinar, vai conseguir fazer a melhor feijoada light da região e em poucos dias já estará cheio de orgulho com o sucesso no bairro.

3. Carlicity
Se tem um automóvel, talvez já tenha pensado em ganhar dinheiro com o Uber, Cabify ou 99Top. Mas no Carlicity é possível transformar o seu veículo em um outdoor ambulante e ganhar dinheiro com isso. Talvez o carro não fique exatamente bonito, mas pagando bem, que mal tem?

4. Casa e Café
O Casa e Café é a maior plataforma de trabalhos domésticos do Brasil. Pode ser uma boa opção para quem tem interesse em gerar renda atuando como diarista, faxineira, cozinheira, motorista, entre tantas opções que o serviço oferece.

5. Click Babá
Nos Estados Unidos é muito comum vizinhos ou pessoas que moram próximas ganhando algum dinheiro trabalhando como babás em residências da região. No Brasil, isto é menos comum. O Click Babá quer mudar isto facilitando o trabalho dos país em encontrar uma babá de confiança e, de preferência, que resida bem próximo, principalmente para o caso das emergências de última hora.

6. DogHero
Todos sabem que o mercado de animais de estimação vem crescendo muito, apesar da crise. Com isto também aumenta a demanda por cuidadores e locais que recebam estes animais no caso de viagem dos donos. Se gosta de pets, não só vai ganhar dinheiro com o DogHero, mas também vai se divertir muito.

7. Elo7
Se tem algum talento com trabalhos manuais e artesanatos e ainda não conhece o Elo7, está perdendo tempo. O site conecta artistas e artesões com quem precisa comprar algo diferente para si, um presente mais pessoal, lembrancinhas para algum evento ou mesmo brindes bacanas para os clientes da empresa.

8. Eu Entrego
Ideia mais simples não há. O EuEntrego conecta pessoas e empresas que precisam que algo seja entregue ou retirado com pessoas dispostas a fazer este serviço. Assim, qualquer um pode ganhar dinheiro se tornando um mini negócio de entregas expressas.

9. Get Ninjas
Apesar do GetNinjas oferecer serviços residenciais e de assistência técnica, o site também permite que profissionais com carreira executiva também aumentem sua renda por meio de serviços de consultorias, aulas e projetos.

10. Quem cuida
Além de oferecer opções para aumentar a renda sendo babá, o Quem Cuida também oferece uma opção de geração de renda cuja demanda vem crescendo fortemente nos últimos anos: cuidador de idoso. Se já tiver ou buscar capacitação nesta área, a chance de ser contratado quase que imediatamente é muito alta.

Sei que 2016 não foi um ano fácil e que o próximo ainda será muito difícil. Mas apesar de tudo o que temos observando com as corrupções, atrocidades e irracionalidades, é preciso continuar a caminhada, trabalhando muito e fazendo o que for possível para vivermos bem fazendo bem o bem.

Boas festas!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

Para o seu próprio bem, as empresas deveriam valorizar os mais velhos

16 de dezembro de 2016

“Eu não tenho medo de morrer…” – diz minha mais que colega, minha amiga de trabalho. “Tenho medo sobre como vou morrer…”. Dona Áurea, como a chamamos, é vitalidade, bom humor e resiliência em todos os sentidos. Ela não gosta de falar da idade, mas acho que viu o Brasil ser campeão em todas as Copas. Já não precisa da remuneração do trabalho há muito tempo, mas cumpre sua jornada diária porque gosta muito do que faz. Mas isto não a impede de apreciar um bom restaurante, jogar cartas com os amigos, postar novidades no seu Facebook, ir para a praia de tempos em tempos e ser viciada em tênis. Não conheço alguém que goste mais de tênis do que a Dona Áurea. Até hoje não sei se é por causa do esporte ou dos tenistas. Mas seja o que for, ela está certíssima. Dona Áurea sempre está certa. Errados estão os outros que se acham inválidos por causa da idade.

Mas a Dona Áurea é uma exceção no Brasil. Enquanto em outros países como no Japão, Coréia do Sul ou mesmo nos Estados Unidos é absolutamente normal idosos trabalharem, no Brasil a pirâmide etária organizacional está se achatando cada vez mais. Se não trabalhar em um órgão público, notará o predomínio da faixa de 20 a 30 anos e depois uma drástica redução nas faixas posteriores até ter dificuldade em citar pessoas com 50 a 60 anos. Mas isto ocorre menos pela vontade dos profissionais mais experientes e mais pela métrica financeira da margem crescente de lucros. Daí a intensa juniorização no quadro de colaboradores das empresas. Isto é ótimo para a juventude “que tem resposta para tudo” que entra no mercado de trabalho, mas algo cada vez mais preocupante para os “entas” (40, 50, 60) que lutam para manter seus crachás e sobrenomes corporativos.

Além disso, muitos idosos, talvez até já aposentados, precisam complementar sua renda. Neste ano, uma empresa de Curitiba anunciou a vaga de secretária com remuneração de R$ 1.200,00, mas dizia que tinha interesse em candidatos com idade mínima de 60 anos. A empresa entendia que candidatos com este perfil tinham mais paciência, eram mais comprometidos, além de ter experiência. Recebeu 1.700 currículos de cinco estados brasileiros. O IBGE estima que cerca de, pelo menos, 220 mil idosos estejam nesta situação. E o que mais assusta é que esta demanda vem crescendo 60% nos últimos quatro anos.

Este cenário assustador para todos nós que, invariavelmente, envelhecemos, tem mostrado alguns alentos (que estão longe se ser comemoráveis), mas que servem de exemplos para a importância dos profissionais mais experientes em trazer mais do que conhecimento, rede de relacionamento ou vontade real de trabalhar. Estes profissionais trazem mais serenidade, sabedoria e tem mais compromisso com a empresa, com as pessoas, principalmente clientes. E o principal, estes idosos tornam a empresa mais humana.

Muitas empresas já criaram programas de contração de profissionais mais experientes. Agora, inspirados no filme “Um Senhor Estagiário”, em que Robert De Niro representa um senhor de 70 anos que arranja uma vaga em uma startup e a revoluciona a partir da (re)descoberta de aspectos verdadeiramente humanos como a compaixão, a ética, o compromisso, a organização, o senso de equipe, a curiosidade em aprender e principalmente o amor fraternal pelas pessoas, várias novas empresas também estão interessadas em trazer um estagiário sênior para suas equipes.

Um dos grandes responsáveis pela valorização dos profissionais mais experientes é o empreendedor Mórris Litvak Jr. Ele fundou a startup MaturiJobs, a primeira plataforma brasileira que só conecta pessoas com mais de 50 anos com empresas que buscam este perfil, mas que também incentiva um número maior de organizações e em mais setores a também valorizarem não só a experiência, mas a sabedoria que só vem com a idade.

Para o nosso próprio bem, incentive e divulgue a valorização daquilo que é o futuro de todos nós. E viva como não ficasse velho nunca, pelo menos esse é o conselho da Dona Áurea. Já que você não pode escolher como vai morrer, pelo menos escolha como vai viver.

E viva a vida, Dona Áurea!

Marcelo Nakagawa é Head de Empreendedorismo da FIAP

Por que já não é possível construir negócios do futuro com ferramentas do passado

4 de novembro de 2016

Dos 40 termos listados a seguir, quantos você realmente conhece?

AARRR, Aceleradora Corporativa, Agile, Analytics, Bootcamp, Bounce Rate, Business Model Canvas, CAC, CDO, Coinvação, Corporate Venture, Coworking, Customer Development, Daily Meeting, Deck (Pitch Deck), Design Sprint, Design Thinking, Double Diamond, Dynamic Pricing, Empreendedorismo Exponencial, Fab Lab, Funil de Conversão, Growth Hacking, Hackathon, Inbound Marketing, Inovação Aberta, Iteração (não é interação), Job to be Done (Customer Job), Lean Startup,  LTV, Mapa de Empatia, Makerthon, MVP, O2O, OKR, Pivotar, Rapid Prototyping, Scrum, Startup, Teste A/B, Value Proposition Canvas.

E desta pequena lista, quantos conceitos a sua empresa adota neste momento?

Houve uma época em que tudo era convenientemente bem explicado nos livros do Kotler, Chiavenato ou qualquer outro livro introdutório de administração. Tanto as abordagens como os exemplos eram válidos durante décadas. Aprendíamos com os casos da Blockbuster, BankBoston, Mappin, Bamerindus, Border’s Bookstore, Compaq, Lotus 123, Parmalat ou Sharp, entre tantas outras marcas que admirávamos.

Mas veio o Século XXI e as tecnologias digitais mudaram definitivamente como os negócios são criados, desenvolvidos e conduzidos. Pesquisa da consultoria Accenture explica que a questão digital é a principal razão para mais da metade das empresas da Fortune 500, ranking das maiores empresas do mundo, ter desaparecido desde o ano 2000. Todas as maiores organizações que mais crescem no mundo são digitais e, muitas vem evoluindo justamente sobre negócios tradicionais criados no século passado e que ainda adotam práticas elaboradas em um passado distante. Por esta razão, estas empresas do passado não conseguem criar os negócios do futuro, pois suas lógicas de planejamento e gestão e o modelo mental dos seus colaboradores não conseguem visualizar oportunidades, pois só enxergam ideias patéticas sem nenhum potencial para gerar os retornos esperados de investimentos. Assim, não faz sentido para uma rede hoteleira criar um serviço de hospedagem onde o local e as amenidades serão oferecidas por pessoas comuns e em suas próprias residências. E a ideia é ainda mais insana se o nome do serviço for “Cama de Ar e Café da Manhã”. E quando Air Bed and Breakfast (ou simplesmente Airbnb) se torna a empresa com o maior valor de mercado da indústria de hospedagem, mesmo assim, muitos do setor continuam achando a ideia idiota. Algo semelhante já tinha acontecido um século antes com os principais fabricantes de carruagens que acreditavam que aqueles malucos fabricantes de automóveis apenas atendiam um pequeno nicho de mercado até serem atropelados por soluções que tinham muito mais cavalos de potência.

As novas gigantes corporativas do Século XXI se mantêm como startups, privilegiam a iteração e não utilizam as técnicas tradicionais como as que levaram a Coca-Cola a lançar (e fracassar) a New Coke. Empresas como o Uber elaboram MVPs, fazem testes A/B, mensuram o Bounce Rate e avaliam o funil de conversão. Se houver tração, o serviço é melhorado e mantido, caso contrário, ninguém mais fala no assunto como ocorreu com o Ubercopter. Tampouco pensam em controlar exatamente o que cada colaborador faz ou deixa de fazer como defendia as abordagens de tempos e métodos do Fordismo ou o desdobramento de metas do Balanced Scorecard. Por quê contratar funcionários inteligentes, talentosos e dedicados e depois vigiá-los, cobrando deles metas exatas estipuladas anualmente? O Google, seguido de outras grandes empresas e startups de tecnologia, vai de ORK para lidar com seus mais de 50 mil intraempreendedores e, nesta abordagem, já não pensa em um horizonte anual, mas trimestral de entregas – afinal, o mundo está mudando em velocidade tão rápida que a lista inicial deste artigo já tem 41 termos…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Advisor de Empreendedorismo da FIAP

 

É preciso que as faculdades parem de formar desempregados

14 de outubro de 2016

“Professor, estou buscando empreendedores. Conhece algum aluno ou ex-aluno que está empreendendo?” Ele desviou sua atenção do computador, encarou-me como se fosse um ET e com um olhar oblíquo e desinteressado perguntou quem eu era e se poderia ser mais claro. Disse que trabalhava com venture capital e que estava em busca de startups para investir. Ele voltou-se para o monitor e balbuciou algo que entendi que ele não poderia ajudar. Agradeci a atenção e saí da sua sala com a dúvida se ele tinha entendido alguma coisa do que tinha falado ou se tinha ficado bravo por tê-lo abordado sem um agendamento prévio. Mas a cena se repetiu inúmeras vezes naquele ano de 1999 em outras faculdades e universidades e a quase totalidade dos professores não tinha nenhuma compreensão ou referência de empreendedorismo.

Dezessete anos depois e esta universidade que tinha visitado inicialmente, a UNICAMP, é a principal referência acadêmica nacional de empreendedorismo. É a que mais gera patentes no país, tem uma das principais incubadoras e parques tecnológicos do Brasil, a mais atuante agência de inovação e seus dirigentes não se cansam de falar das “filhas da UNICAMP”, um conjunto monitorado de 286 empresas que foram criadas por egressos da instituição e que juntas faturaram algo próximo a R$ 3 bilhões e geraram 20 mil empregos altamente qualificados em 2015.

Mas enquanto a UNICAMP não só incluiu o tema empreendedorismo, principalmente a partir de 2002, quando o Professor Carlos Henrique Brito Cruz assumiu a reitoria, mas também criou as bases de um ecossistema condizente com a sua estrutura e papel social, muitas faculdades e universidades do país ainda não perceberam o papel cada vez mais relevante em formar alunos empreendedores e inovadores.

Se os temas empreendedorismo e inovação já se tornaram rotina nas faculdades de negócios, engenharias e computação, em outras são solenemente ignoradas e, em certos casos são até execradas como símbolo maldito do capitalismo.
Em cursos como Medicina, Odontologia, Fisioterapia, Educação Física, Pedagogia, Direito, Contabilidade, Psicologia, Nutrição, Design, Arquitetura, Moda ou Gastronomia, entre tantos, a opção de atuar por conta própria será considerada pelo(a) aluno(a) em algum momento da sua carreira profissional e este momento tem sido cada vez mais cedo. Desta forma, conhecimentos, habilidades e atitudes empreendedoras só o(a) tornará um(a) melhor profissional, trabalhando para si ou para os outros.

Mas há outros cursos que muitos não enxergam uma relação direta com o empreendedorismo e inovação. Filosofia e Biblioteconomia são dois exemplos emblemáticos. Estes não entendem o real motivo de Mario Sergio Cortella, Luiz Felipe Pondé ou Clovis de Barros Filho fazerem tanto sucesso empreendendo algo que tende a ser cada vez mais, o maior problema do ser humano: a sua própria existência. Também desconhecem como o Google surgiu justamente a partir de um problema de pesquisa bibliográfica e a relevância de uma determinada referência em um mundo inundado de informações inúteis ou desconexas.

Mas o principal motivo de incluirmos empreendedorismo e inovação na grade curricular de todos os cursos superiores não está no fato de darmos mais alternativas de carreiras para os nossos alunos, mas porque ensinamos olhando para o passado, com exemplos, técnicas e abordagens de anos ou décadas atrás, que, em várias situações já não são mais utilizados pelo mercado.

Isto tem criado um desemprego sistêmico e funcional em que uma massa crescente de jovens não consegue encontrar uma vaga para aplicar o que aprendeu. Por outro lado, o aluno empreendedor é um visionário que tem iniciativa, sabe identificar oportunidades e estabelecer soluções inovadoras. Ser um empreendedor não se limita às pessoas que criam iniciativas muito rentáveis, negócios sociais ou mesmo empresas sem fins lucrativos. O comportamento empreendedor existe em todos os setores, em todos os níveis de carreira, em todos os momentos da vida. E, curiosamente, é o perfil mais demandado pelas principais empresas que precisam contratar talentos que querem empreender e inovar dentro das organizações. O empreendedor pode querer ou não ser empregado, mas nunca ficará desempregado.

Mas voltando ao professor… Ele tinha vários alunos e ex-alunos empreendendo. Anos depois, acabamos investindo na startup criada pelo Fabricio Bloisi e outros colegas da faculdade. Fabrício co-fundou a Compera, atual Movile, a maior empresa de aplicativos móveis da América Latina, com soluções como a PlayKids, iFood e TruckPad, tornando-se um dos principais empreendedores brasileiros da atualidade.  Um golaço da UNICAMP…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.

 

Quem reclama, sabe fazer melhor

7 de outubro de 2016

O que Ghandi, a dentista brasileira que criou o escorredor de arroz e o fundador da ONG Médicos Sem Fronteiras têm em comum? Ele pararam de reclamar e foram fazer melhor

Eu reclamo. Tu reclamas. Ele reclama. Nós reclamamos. Vós reclamais. Eles reclamam. Até que eu reclamo porque eles reclamam. E de repente, todos estão reclamando. É o trânsito. São os políticos. É o atendimento ruim que recebeu. O seu chefe. Seus funcionários. O governo. É a violência. Quantas vezes já reclamou hoje, mesmo que mentalmente?

Ainda me lembro de uma mensagem colada na porta da sala de um professor da faculdade em que estudei: Quem reclama, sabe fazer melhor! Depois que li isto, desisti de falar com ele. Nem ia reclamar, mas achei melhor voltar depois com uma melhor solução.

Vários anônimos ou nem tanto, se depararam com mensagem semelhante em portas da vida. Enquanto a maioria reclama da provocação, outros são provocados a fazer melhor.  Alguns reclamam do mundo de todos. Cansado de reclamar da falta de engajamento da Cruz Vermelha em suas ações, o médico francês Bernard Kouchner co-fundou a Médicos Sem Fronteiras em 1971, organização não governamental que buscava alinhar ajuda humanitária, sensibilização mundial e discussão política sobre graves problemas localizados de saúde.

Outros reclamam do nosso mundo. Quantas vezes já reclamou da corrupção no país? O alemão Peter Eigen também. Mas ele parou de reclamar disso a partir de 1993 quando co-fundou a ONG Transparência Internacional que monitora e divulga o nível de corrupção nos países. Graças ao ranking da corrupção mundial da Transparência em 2015, a população da Dinamarca, país menos corrupto do mundo, pode reclamar das razões do país ter tirado nota 91 e não 100. Da mesma forma, por que Finlândia e Suécia tiraram 91 e 89, respectivamente e não 100. E enquanto isso no Brasil… a população começa a não aceitar a nota 38…

Você pode também reclamar dos seus problemas mais mundanos do seu mundo. Que tal reclamar do aspirador de pó? No final da década de 1970, esse era o hobby do inglês James Dyson. Era o barulho ensurdecedor, a oscilação da potência e quem já tirou o saco do aspirador sabe que saco representa bem a situação.

Como quem reclama, sabe fazer melhor, o sujeito pediu demissão e se trancou em uma oficina improvisada em sua casa por cinco anos. Entre 1979 e 1984, criou 5.127 protótipos de um aspirador que não tinha saquinho e era mais silencioso. Até que chegou a um resultado que julgou perfeito. Tentou vender sua criação para os fabricantes de aspiradores de pó, mas descobriu que eles não estavam neste negócio e sim no de sacos. Até quem em 1992 decidiu criar a sua própria empresa. A Dyson Ltd se tornou muito bem sucedida e seu bilionário fundador passou a ser oficialmente reconhecido como Sir James Dyson. Até suas reclamações mais simples são provocações para você fazer melhor.

A dentista brasileira Beatriz Zorowich já estava cansada de encontrar a pia da cozinha entupida com arroz preparado pela sua empregada quando teve a ideia de criar o escorredor de arroz em 1959. Era uma bacia conectada a uma peneira que facilitava a lavagem do arroz. Patenteou o produto e encontrou empresas interessadas em comercializá-lo. Hoje a inovação brasileira é encontrada em diversos países.

Quase 20 anos depois da citação da porta do professor, encontrei mensagem semelhante no trabalho de uma aluna que citava Ghandi: Seja a mudança que quer ver no mundo!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

 

Conheça as pessoas e os lugares para quem quer empreender em SP

23 de setembro de 2016

Se ignorarmos o Complexo de Vira Lata, notaremos que a cidade de São Paulo está se posicionando entre os melhores ecossistemas de empreendedorismo digital do mundo e isto é o resultado de iniciativas e principalmente de pessoas que se destacariam em qualquer lugar do mundo.

 

Para perceber esta nova realidade, a viagem começa por um bairro que nem os paulistanos sabem direito onde fica, os Campos Elíseos. Pelo fato de ter sido o primeiro bairro nobre da cidade, onde os ricos fazendeiros de café construíam suas residências, ainda é possível apreciar a beleza da arquitetura de algumas construções enquanto se dirige para a Alameda Eduardo Prado, 397. É neste local que Rogério Tamassia trabalha. Em parceria com a seguradora Porto Seguro, ele e a sua equipe, criaram a Oxigênio, uma das mais jovens aceleradoras de startups de São Paulo e justamente em uma região que tanto precisava de novos ares. Dos Campos Elísios, é possível se conectar diretamente com a cidade de Sunnyvale, uma das principais do Vale do Silício, onde a Plug&Play, aceleradora parceirassa da Oxigênio, tem sede.

Depois de dar uma oxigenada na sua capacidade empreendedora, é preciso tomar um vento na Bela Vista. De metrô, é fácil, fácil. É só descer na estação Vergueiro, caminhar 500 metros e chegar à Rua Martiniano de Carvalho, 851. Aqui fica aceleradora do Grupo Telefónica, a Wayra, que em linguagem Quechua, falada pelos antigos povos andinos, significa vento. A Wayra vem trazendo bons ventos para o ecossistema de empreendedorismo brasileiro desde 2011, tendo acelerado mais de 50 startups, inclusive algumas já bem conhecidas como a Qranio, outras que estão tendo um crescimento acelerado como a Reglare e grandes promessas como a QueroQuitar. Se tiver sorte, vai encontrar o sempre elegante Renato Valente, empreendedor bem sucedido, que agora lidera a Wayra e a Telefónica Open Future, iniciativa de inovação aberta do grupo espanhol.

Depois de uma caminhada de 10 ou 15 minutos, terá chegado à Av. Paulista, 171. É neste prédio que fica a ACE, o novo nome da Aceleratech, que se posiciona como a melhor aceleradora da América Latina, pois tem ganhado este título no Latam Founders Awards há três anos. A ACE tem se especializado em acelerar startups que são adquiridas depois como ocorreu com a Fundacity, SkyHub, Infoprice e mais recentemente com a LoveMondays. O e a cabeça da ACE é Pedro Waengertner, alguém com consegue integrar conhecimento de empreendedorismo digital, didática, comunicação e simpatia como poucos. Isto explica porque é um dos professores mais queridos da ESPM.

Da Av. Paulista, a poucas quadras, na Rua Coronel Oscar Porto, 70, fica o novíssimo Google Campus. Ao contrário das outras aceleradoras onde seria necessário agendar uma reunião, aqui basta fazer um cadastro pela internet e se tornar membro. Os andares mais baixos são de livre acesso, enquanto que os mais altos são para startups pré-selecionadas. Talvez encontre o Andre Barrence, head do Google Campus. Importado de Minas Gerais onde tinha sido um dos responsáveis por organizar o ecossistema de empreendedorismo digital de Belo Horizonte, agora faz o mesmo excelente trabalho na versão paulistana do Google. Ainda no Campus, tem a chance de encontrar o Felipe Matos, outro ícone e um dos principais hubs de empreendedorismo digital do Brasil e responsável pelo êxito do programa Startup Brasil. De volta a sua fazenda, Felipe é um dos líderes do Startup Farm, considerada a maior aceleradora de startups da América Latina, iniciativa que tinha co-fundado, e que agora também está baseada no Google Campus. O local também abriga outras duas iniciativas fundamentais para o fortalecimento do ecossistema de startups no Brasil. A TechStars é mais conhecida por organizar os Startup Weekends por todo o país, mas esta organização internacional, liderada pelo Tony Celestino no Brasil tem sido essencial na formação de toda uma nova geração de empreendedores. E a Innovators, coordenada pelos globe trotters André Monteiro (no Brasil) e Bedy Yang (Estados Unidos) é uma das principais responsáveis por criar conexões fortes e constantes de empreendedores brasileiros com o Vale do Silício.

O dia estará acabando quando pegar um Uber e se dirigir para a Vila Olímpia. Na Rua Casa do Ator, 919 fica um prédio com o sugestivo nome de Cubo, que em menos de um ano de existência se tornou o maior ponto de conexão de empreendedorismo digital do Brasil. É difícil definir o Cubo, resultado da parceria entre o Banco Itaú e a firma de venture capital Redpoint, já que é um espaço de coworking de mais de 50 startups e grandes empresas, local de vários eventos e treinamentos diários e local de networking e co-desenvolvimento de inovações. A frente de tudo isso, o multi-homem, incansável e sempre solícito Flávio Pripas. Eleito uma das 100 pessoas mais criativas do mundo pela revista Fast Company, Pripas também é uma das pessoas mais queridas do ecossistema de empreendedorismo digital brasileiro. Como há tantos eventos no Cubo, é bem provável que termine o dia em um happy hour no rooftop do prédio batendo um papo com ele…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.

Por que hoje é o Dia de Pensar Grande?

26 de agosto de 2016

O maior legado dos grandes empreendedores não são suas empresas ou produtos, estes ganham novos destinos quando crescem ou se perdem em algum momento da história quando fracassam, mas a inspiração que trazem para as futuras gerações. E a maior de todas as inspirações são seus gestos de grandiosidade.

Poucos se lembram da Kodak e um número menor ainda de pessoas sabe quem foi George Eastman, que ainda jovem, inventou o filme fotográfico e a câmera fotográfica portátil. Mas quem estudou no MIT nos Estados Unidos vai se lembrar do Mr. Smith. Em 1912, o Massachusetts Institute of Technology ainda era pequeno e planejava expandir o campus. Mesmo com o suporte de apoiadores muito ricos e poderosos, o MIT só conseguiu arrecadar doações de US$ 500 mil, uma soma altíssima mesmo em valores da época.

Um dos principais engenheiros da Kodak tinha estudado no MIT e, com uma baixa expectativa, resolveu pedir para o seu chefe contribuir com algum valor, mesmo sabendo que ele era muito criterioso com a fortuna que tinha ganhado. “De quanto precisam?” – perguntou George Eastman. “Dois milhões e meio de dólares” – respondeu o representante do MIT.

Surpreendentemente, Eastman concordou em ajudar com todo o valor necessário imediatamente, mas com uma condição: que a doação fosse anônima. Depois, mudou de ideia e pediu para que fosse comunicado que o investimento teria sido feito por um “Mr. Smith”, algo como “Sr. Silva” se isto tivesse ocorrido no Brasil. O fundador da Kodak investiu mais de US$ 20 milhões nos anos seguintes até que sua identidade fosse realmente descoberta. Daqui a 100 ou 200 anos, quando não estivermos mais aqui, quase ninguém saberá o que é um filme ou uma câmera fotográfica, mas a imagem, a história e a grandiosidade de George Eastman continuarão inspirando os líderes que passarem pelo MIT.

Mas a versão correta do Sr. Smith no Brasil não é o Sr. Silva, mas o Sr. Lemann. Jorge Paulo Lemann não inventou nada, mas foi hábil em elevar a níveis mundiais de excelência das instituições financeiras, empresas de alimentos e bebidas entre outros negócios. Mas descobriu que seu maior talento não é vender títulos de valores mobiliários, cervejas, hambúrgueres ou mesmo ketchup, mas identificar talentos e formar líderes.

Erroneamente muitos entendem que o atual “Sonho Grande” de Lemann é criar impérios empresariais. Isto até pode ter sido assim como apresentado no livro homônimo da jornalista Cristiane Correa e que se tornou um dos maiores best-sellers da história editorial do País – uma marca extraordinária tratando de uma biografia de empreendedores, tema não tão corriqueiro no dia-a-dia dos brasileiros. Mas o que antes era “Dream Big”, agora vem se transformando em “Dream Great”.

Da mesma forma como o Sr. Smith naquela época, atualmente o Sr. Lemann vem apoiando iniciativas que estão formando os líderes do Brasil do amanhã, sejam líderes empresariais na 3G Capital, líderes com excelência acadêmica na Fundação Estudar, líderes na educação na Fundação  Lemann ou na Stanford Lemann Center, líderes empreendedores no Instituto Empreender Endeavor, líderes em startups no Fundo Gera, líderes executivos no Insper Instituto de Ensino e Pesquisa e até líderes no ranking de tênis no Instituto Tênis, um dos seus esportes favoritos.

E neste momento de grandes problemas pelo quais passamos a inspiração vinda de Jorge Paulo Lemann não é a sua posição entre as pessoas mais ricas no ranking da Revista Forbes (se for isto, há vários outros na sua frente), mas sua trajetória de vida, trabalho e dedicação em ser o melhor no que faz sonhando sempre grande.

“Sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho. Mas quando sonhamos grande, todos os problemas se tornam pequenos!” – costuma dizer o aniversariante de hoje, 26 de agosto, Jorge Paulo Lemann.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.