Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

As dicas da Maria Brigadeiro para quem pretende empreender

7 de agosto de 2013

Juliana Motter compartilhou durante oito meses suas histórias envolvendo a criação da Maria Brigadeiro, inclusive que até pensou em desistir. Precursora do movimento que catapultou o brigadeiro ao estrelato, Juliana conquistou fãs não só com seus doces, mas também com seus textos semanais no Blog do Empreendedor.

Separamos quatro posts para relembrar a participação da empresária.

Vendo máquina de fazer brigadeiro
Juliana e a experiência desastrosa da máquina de fazer coxinha transformada em máquina de fazer brigadeiro.

‘Meu plano de negócios começou ainda no colo da minha mãe’
No post, Juliana conta que nunca planejou abrir um ateliê especializado em brigadeiro, mas tudo aconteceu naturalmente.

Definir o preço como se joga na loteria só leva ao prejuízo
Juliana comenta a difícil tarefa de definir o preço dos produtos.

Livros que me inspiraram a empreender
A empresária sempre desconfiou de livros de administração, mas encontrou boas leituras.

 

 

E a Maria Brigadeiro pensou em desistir do seu sonho doce

31 de julho de 2013

Juliana se despede hoje do blog

Lembro desse dia como se fosse hoje: caía uma chuva diluviana em São Paulo, causando um congestionamento recorde na cidade. Todas as encomendas da tarde estavam presas no trânsito, a quilômetros de distância de serem entregues.

Tínhamos um único telefone na época e fizemos  fila indiana, Carol, Maria e eu, para ligar para os clientes e explicar o motivo do atraso. Conseguimos contornar a situação, exceto por uma única encomenda, que eu mesmo havia tirado.

Tratava-se de uma cliente que estava indo visitar a irmã em Goiânia depois de anos sem vê-la e seu presente – esperado ansiosamente pela outra – seria uma caixa de  25 brigadeiros. Havia no pedido uma recomendação minha em caneta vermelha: “Não atrasar! Cliente sai para o aeroporto às 16h em ponto. Vai levar os brigadeiros para irmã, depois de muitos anos sem vê-la.”

Nossos pedidos são assim, bem descritivos. Passava das 15h30 quando o motorista ligou dando o último boletim do trânsito e a má notícia “não vou conseguir chegar a tempo”.

Liguei para cliente para explicar a situação. Ela entendeu, mas chorou no telefone quando falou da felicidade que seria para irmã receber os brigadeiros, seu doce preferido. Fiquei arrasada. Liguei para Deus e o mundo, cotei remessas aéreas, perguntei se algum amigo iria para Goiânia naquela data e nada. Sentamos eu e Carol (hoje gerente de marketing da Maria Brigadeiro) na soleira da porta da casinha de vila onde era a Maria Brigadeiro e choramos de frustração e cansaço. E mesmo que os homens condenem isso, com todos os manuais harvardianos e columbianos de boas práticas corporativas, sim, mulheres choram no trabalho, especialmente na TPM.

Naquele dia, que já virava noite, pensei seriamente em desistir. Tinha deixado minha profissão de jornalista para fazer doces porque acreditava que ia fazer as pessoas felizes com eles, mas estava fazendo chorar até quem eu não conhecia.

Que contradição cruel seria essa, afinal? Antes que eu pudesse concluir o pensamento, a porta abriu e entrou o Joce, nosso motorista, todo molhado. Ele se aproximou do meu computador e com um sorriso no rosto deixou um protocolo de entrega de pedido com uma nota de um estacionamento do aeroporto. Depois que desligamos, ele ligou para a cliente e disse que ia fazer uma última tentativa de entrega, diretamente no aeroporto. Ele conseguiu. Entregou os brigadeiros minutos antes dela embarcar.

E desde então tem sido sempre assim. Quando eu desanimo ou não tenho mais recursos para resolver um problema, alguém da equipe sempre me puxa pela mão. Com tudo quero dizer o seguinte: são as pessoas que fazem uma empresa, não os processos. E se elas acreditam no sonho, elas nunca vão te deixar esquecer dele.

A decoração (certa) ajuda a contar a história da sua loja

24 de julho de 2013

Juliana começou loja na porta de casa

Quando eu era criança, gostava de brincar de “vendinha”. Jorginho, meu amigo, foi meu primeiro e único sócio. Arrastávamos (sabe-se Deus como) um aparador de jacarandá da minha mãe para a calçada da casa de vila onde a gente morava e lá vendíamos um pouco de tudo que tinha na dispensa: sorvete de vitamina de Neston, bolo nega maluca que faziam lá pra casa, gelatina colorida, brigadeiro de colher.

Isso que era vontade de montar uma loja de doce.

Herdei o móvel de jacarandá e foi sobre ele que eu improvisei a primeira vitrine da Maria Brigadeiro. E como abri o ateliê em casa, porque aprendi que doce bom é aquele que sai fresco da cozinha, meus móveis e meus objetos pessoais foram naturalmente sendo incorporados à decoração da empresa e constituindo a identidade da marca.

A boa notícia é que quando me mudei para uma loja maior, tinha tudo o que precisava para deixar o lugar com a minha cara. Eu mesma coloquei, da noite para o dia, as coisas todas no lugar. Ou seja, não gastei quase nada com decoração. A notícia não muito boa é que tive que começar a minha casa do zero, pois até as panelas passaram a ser “acervo” da Maria Brigadeiro.

Eis aqui algumas coisas que aprendi nessa arrastação de móvel toda:

1) Uma empresa é um sonho de alguém. E o ambiente, a decoração ajuda a contar essa história. Quanto mais pessoais eles forem, mais único será o negócio.

2) Às vezes, mudar as coisas de lugar é tudo o que você precisa para dar uma cara nova à decoração. Aquela mesa ou cadeira que estão encostados no almoxarifado podem ganhar cara nova com um restauro ou uma pintura.

3) Móveis e objetos antigos e/ou usados são mais exclusivos e podem ser arrematados por ótimos preços em feiras de antiguidades, brechós e sites

4) Se você não quer um ambiente corporativo, opte por móveis domésticos em vez dos de escritório.

5) Não é TOC não. Um quadro torto e qualquer objeto desalinhado causa uma sensação inconsciente de desconforto. Se a ideia é proporcionar uma experiência marcante, cada detalhe conta.

Atenção na escolha de fornecedores!

17 de julho de 2013

Você sabe escolher bem quem vai suprir sua empresa de produtos e serviços?

Quem tem uma empresa pequena trabalha com uma estrutura mais enxuta. É natural que o dono tenha que tomar decisões importantes, sem o auxílio de profissionais treinados para encontrar soluções vencedoras para o montão de demandas que pipocam diariamente. E nesta seara, todo cuidado é pouco. Não é só por falta de qualificação que os erros são cometidos.

As vezes, a simples falta de atenção ou um ruído na comunicação podem gerar problemas de difícil solução. Principalmente naquelas questões que envolvem parceiros e fornecedores. Subestimar esse cuidado é garantia de problemas, não tenha dúvidas. Os fornecedores são tão importantes quanto a sua equipe de funcionários. Eles são uma espécie de extensão da empresa fora do ambiente físico onde ela está localizada.

Agora, imagine: se manter a engrenagem funcionando com supervisão já é um procedimento que demanda esforço, controlar o que se passa fora é ainda mais delicado e importante.

De nada adianta implementar controles rígidos de qualidade, higiene e ter uma boa gestão de todos os departamentos da empresa se todos esses requisitos não estiverem alinhados com os colaboradores. Um descuido ou uma prática inadequada por parte deles coloca em risco a reputação do seu negócio.

Por isso, checar os procedimentos logísticos, tributários e de gestão da empresa que você contrata garante o controle da qualidade não só daquilo que você se propõem a vender, mas também é uma forma de contribuir com a sociedade de forma responsável, evitando contratar o serviço de quem explora a mão de obra ou não cumpre com obrigatoriedades sanitárias básicas, que podem interferir na qualidade da matéria prima e se tornar algo perigoso se consumido. Visitar  parceiros para conhecer as instalações e entender os valores da empresa pratica evita dor de cabeça no futuro.

Aprender com os erros faz parte do processo de ter seu próprio negócio. Proteger sua empresa também. De nada adiantará um planejamento meticuloso, seguido à risca, se você não der atenção a aspectos que vão além de um custo mais baixo.

Selecionei pontos de atenção que podem ajudar na hora de contratar um fornecedor ou até mesmo firmar uma parceria comercial.

Preço baixo mesmo? Se pautar apenas pelo preço é o erro mais básico. Quem oferece custos menores geralmente têm estruturas maiores que a sua e trabalha com uma grande escala de clientes, ou seja, você pode não ter a atenção necessária e não fideliza um procedimento que, ao longo do tempo, pode se reverter em alguns benefícios para a sua empresa.

Pesquise, pesquise e pesquise Há muitas ofertas no mercado. Para tudo. Investigar o histórico da empresa ajuda. E não falo de contratar uma consultoria especializada para fazer isso. Primeiro porque a empresa deve ser transparente logo no primeiro contato sobre como são os seus processos. Desconfie da escassez de informações e não hesite em investigar. Um site como o Reclame Aqui pode ser um ponto de partida. Além disso, uma pesquisa paciente na internet também pode revelar muitas informações ou pontos de atenção. Mas fique atento, principalmente, aos procedimentos logísticos do seu fornecedor. Saber como ele se prepara para entregas, como é o estoque, como é feito o armazenamento e o transporte são informações preciosas.

Seja objetivo Parece óbvio, mas não é. O ruído de informações pode se transformar em um complicador. Estabelecer claramente o que é de responsabilidade de cada um é prudente e necessário. É importante também registrar os acordos. Contratos dão segurança para ambas as partes. Mas não basta apenas assinar um papel. As clausulas devem ser claras para não ter surpresas no caminho…

Planejamento detalhado Ok, mais um ponto que parece óbvio, mas que na prática se mostra muito mais complicado que na teoria. A organização é peça fundamental para que o negócio de certo. Um planejamento feito com antecedência ajuda a prever uma série de custos que podem surgir inesperadamente, por fatores externos, ao longo do ano.  Ele também ajuda a estabelecer uma relação mais duradoura com os fornecedores, que saberão das suas necessidades e terão margem para entregar o que você precisa e em condições mais facilitadas.

Fechado para ser feliz

10 de julho de 2013

Curtir um feriado em casa faz parte do meu negócio

Quando era jornalista, trabalhei muito em feriado – perdi não sei quantas viagens, festas de família, namorados – e, quando abri minha empresa, me fiz uma promessa: viver mais encarnada na pessoa física do que na jurídica. Mas como juras e ovos são feitos para se quebrar, só consegui um fim de semana inteiro sem brigadeiro três exaustivos anos mais tarde.

A gente às vezes tem aquela ideia romântica de que não ter chefe significa trabalhar menos. Mas, na realidade,  trabalhamos mais. Muito mais. A diferença é que podemos decidir como e quando. O fundador de uma empresa tem uma liberdade (e uma responsabilidade) muito especial, a de definir os valores que irão construir a cultura de uma organização.

Sempre foi meu objetivo fechar domingos e feriados, e essa é uma das razões pelas quais nunca quis ter loja em shopping. Queria que as pessoas da equipe, incluindo eu, pudessem ter mais tempo para viver, o que acredito ser a premissa para trabalhar feliz. Depois de três anos, finalmente consegui. E se Deus quiser, no que depender de mim, ninguém vai mais perder feriados, festas de família e namorados por causa de trabalho.

Gestão demais de vez em quando complica o simples

3 de julho de 2013

De quem é a culpa pela chuva? Da gestão!

Gestão. Até os 30, pouco tinha ouvido falar dela, e hoje é a palavra que eu mais pronuncio depois de brigadeiro. Me pergunto (muito silenciosamente, para que ninguém aqui me ouça e me demita por insubordinação administrativa) em que momento, afinal, a tal da gestão ganhou essa importância toda no vocabulário corporativo.

Repare que tudo hoje em dia é gestão. Assim como na medicina, de uns tempos pra cá, tudo passou a ser virose. O funcionário faltou porque ficou preso na manifestação de M boi Mirim? O RH falhou na gestão do transporte. A máquina de café quebrou? A gestão de produção foi deficiente. Choveu mais em junho do que no ano todo de 2013  e entrou água na loja? A gestão do telhado anda meio capenga. Acabou a luz? Alguém por favor acende uma vela e marca uma reunião com o eletricista para entender como ele tem feito a gestão elétrica da empresa?

E a gestão vai com a gente pra casa. Recentemente contratei uma cozinheira e vivia me culpando por não ter tempo de fazer a “gestão” dela por estar sempre atrasada para o trabalho. Resultado? Passamos quinze dias comendo pizza e ela, assistindo a sessão da tarde.

Dois quilos mais gorda, fui desabafar com uma amiga, que me deu um conselho tão óbvio que me desconcertou: “Se você não tem tempo de ensinar, dê a ela um livro de receitas e deixe que ela cozinhe”. Gênia!

Peguei alguns exemplares que uso para decorar a minha cozinha e dei a ela, constrangida por estar delegando aos livros uma função que meti na cabeça ser minha. E não é que hoje cheguei em casa faminta e encontrei um quibe assado delicioso? Pois é, gestão demais de vez em quando complica o que pode ser muito simples.

Empreender é ter paciência, a mesma usada para fazer brigadeiro

26 de junho de 2013

A excelência está nos detalhes

Não adianta reclamar. Quando você é o dono de um negócio suas responsabilidades aumentam. A solidão também. São tantas demandas diárias, decisões importantes, que fica difícil terminar o dia sem a sensação de que ele foi curto demais.

Eu poderia passar todo o tempo que eu não tenho explicando o quanto difícil é administrar uma empresa. Mas não vou fazer isso. Já aviso também que não sou uma reencarnação da Pollyana, mas tento ver o lado positivo das coisas.

Conduzir um negócio e esperar dele excelência em todos os departamentos é um exercício diário de paciência. Sem paciência, é fácil meter os pés pelas mãos. E é se apropriando dela, como aliada e não inimiga, que um empreendedor consegue distinguir com mais facilidade os projetos bons dos que não vão levar a nada.

Fica mais fácil de visualizar, também, o médio e o longo prazo – visões, essas, que podem contribuir muito para a formação de uma empresa e marca sólida. No dia a dia, basicamente, fazer o bom uso dela consiste em não tentar resolver tudo às pressas, sem atenção aos detalhes. E são nos detalhes que a excelência de uma empresa é testada pelo cliente.

A equação é difícil. De um lado, o mundo cobra agilidade. Do outro, você sabe o que fazer e sacrificar para ser ágil, mas não sabe se a ação vai gerar resultados. Nessas horas, só com paciência para avaliar que passo tomar sem deixar as portas da sua empresa abertas para que a ansiedade corporativa se instale.

Se ela entrar, a primeira malvadeza que fará quando instaurada será sabotar o seu padrão de qualidade, seja de um produto ou serviço. Se você deixar, adeus excelência e respeito dos clientes. Contar até 10 não funciona no mundo dos negócios. E nem é isso que deve ser feito na minha modesta opinião.

Quando procuro respostas, miro o foco no que me fez empreender: o brigadeiro. O doce exige paciência em todas as fases de preparação da receita (fogo baixo; mexer sempre a massa para não grudar no fundo da panela; deixar esfriar para bolear, confeitar e embalar). Ignorar o passo a passo da receita pode resultar num desastre culinário. Ignorar os detalhes, lugar onde a excelência busca abrigo, é desistir de fazer o melhor. Seja por uma receita de doce ou pelo sucesso de uma empresa.

 

ABAIXO OS IMPOSTOS!

19 de junho de 2013

Pequena empresa sofre com os impostos


Com esta onda de manifestações no País, fiquei com vontade de largar as panelas no fogo e sair pelas ruas de São Paulo atrás da multidão rebelada, reivindicando a redução dos impostos. Sempre quis ter uma empresa para poder contribuir com o desenvolvimento do País, e acho que esse é o sonho de todo empreendedor: produzir algumas células da mudança que se quer ver no mundo.

E entendi cedo, numa visita da escola ao governo, que é com os impostos que pagamos que se obtém os recursos para investir em infra-estrutura e na melhoria das condições de vida da população, na saúde, na educação, no transporte.

Aprendi que imposto era sinônimo de desenvolvimento. O tempo passou, virei sócia do governo, e descobri que na prática as coisas não eram bem assim: pagamos regularmente todos impostos (que estão entre os mais altos do mundo) e a médio e longo prazos não vemos esse dinheiro retornar em qualidade de vida para as pessoas.

Quando abri a empresa, em 2009, ficava satisfeita de arcar com as minhas obrigações tributárias mas não me sobravam muitos recursos para outras coisas. Cada vez que uma funcionária precisava de um atendimento de emergência e ficava um dia inteiro na fila do SUS ou levava três meses para marcar uma consulta médica, eu me sentia a pior empregadora do mundo.

Um dos meus objetivos durante os três primeiros anos foi fazer caixa para custear um plano de saúde empresarial. Não é só a saúde pública que desampara. O transporte também deixa muita gente que precisa dele à pé. Para chegar no horário, a maioria das meninas da cozinha sai de casa quatro horas da manhã. Como os aluguéis nas regiões centrais de São Paulo estão cada vez mais caros, o jeito é morar na periferia, há pelo menos 150 km do trabalho, trajeto que requer pelo menos dois ônibus, um trem ou um metrô. Os ônibus são poucos e lotados, assim como as linhas de trem que atravessam a cidade abarrotadas de gente.

Dá para entender perfeitamente porque 0,20 centavos a mais na passagem fere tão fundo a dignidade de quem depende de transporte público.

Voltando aos impostos, acho que sim, eles devem ser cobrados e pagos responsavelmente, mas penso que deve haver um bom senso tanto na arrecadação quanto no uso desses recursos. Tenho visto muitas empresas fecharem porque não conseguem arcar com os altos custos tributários.

E ironicamente são essas pequenas empresas que tem impulsionado a economia do Brasil: elas geram mais da metade dos empregos do país, segundo um estudo recente divulgado pelo Sebrae. E são esses empregos que pagam a conta do plano de saúde, do transporte, da educação e da segurança que o estado tem deixado de prover.

Como é que se faz um brigadeiro bom se a pessoa não está bem?

12 de junho de 2013

Uma empresa de sucesso precisa de amor, confiança e dedicação

Uma jornalista me perguntou, numa entrevista, o que eu mais faço no meu dia a dia de trabalho. Brigadeiro? Já foi. Atualmente estou quase sempre ocupada em aprimorar uma outra receita, que admito não ser exatamente a minha especialidade: fazer gestão de pessoas.

Costumo dizer brincando que passo a maior parte da minha vida discutindo a relação (corporativa) com a minha equipe. Como é que se faz um brigadeiro bom se a pessoa não está bem? Minha avó, por exemplo, quando acordava com o pé esquerdo, não chegava nem perto dos tachos de doce porque dizia que azedava.

Também vou dando meu jeitinho para não perder o ponto. Gosto de conversar. E nesses diálogos fico sabendo que o bebê está com cólica, que o marido saiu de casa,  que o trem atrasou de novo…

Não é fácil adoçar o mundo quando o mundo anda meio amargurado. Mas a nossa missão é justamente essa, assim como a missão de um palhaço é fazer rir. E depois de ter botado tantas panelas no fogo, entendo que meu papel hoje em dia é outro: motivar.

Repassar incansavelmente, um por um, os ingredientes simbólicos do primeiro brigadeiro que fizemos, para que a gente nunca se esqueça do propósito de estarmos ali. E se uma receita clássica do doce se faz com três coisas, que são leite condensado, chocolate e manteiga, fazer dele uma empresa exigiu de todos pelo menos outros três: amor, confiança e dedicação.

E isso a gente não pode perder jamais

 

Uma boa ideia surge mesmo do improviso

5 de junho de 2013

Um potinho de papinha pode se transformar em produto

Nossas embalagens não são exatamente convencionais e geralmente nos perguntam de onde surgem as ideias. Podia empertigar a resposta, falando de livros, viagens e bonitezas que inspiram um olhar. Mas tendo a achar que uma boa ideia surge mesmo é do improviso.

Nossa primeira embalagem foi uma marmita de metal, daquelas que as pessoas usam para levar comida. Antes de abrir a loja, costumava presentear os amigos no aniversário com uma bandeja de brigadeiros. Colecionava uma porção delas. Veio então a festa de um amigo e eu só tinha bandejas com estampas femininas. Descobri isso tarde demais para sair e comprar uma versão mais neutra.

O jeito foi improvisar.

Revirei os armários da cozinha e achei uma marmita onde guardava temperos. Esvaziei e coloquei ali os brigadeiros. Amarrei um pano de prato rendado para a fazer as vezes de papel de presente e lá fui eu para a festinha, sem desconfiar que três anos depois a tal marmita se tornaria a embalagem mais vendida da Maria Brigadeiro.

E quer saber mais? Os temperos indianos que estavam na marmita impregnaram nos brigadeiros dando origem ao masala, um dos nossos 40 sabores. O nosso potinho de brigadeiro de colher, que inspirou tantas versões por aí, também foi obra de um feliz  (e sonado) improviso.

Uma cliente me encomendou um brigadeiro diferente para dar de lembrança no nascimento do seu filho. Passei a noite em claro, folheando a Larousse do bebê (emprestada da vizinha) e rabiscando cegonhas gigantes comedoras de brigadeiro que lá pelas tantas mais pareciam o satangôs (o monstro do Jaspion).

Desolada e cambaleando de sono, abri um pote de papinha de maçã e fui para o computador escrever um e-mail declinando oficialmente da missão. Segundos antes de apertar o botão “enviar” olhei para o potinho vazio sobre a mesa e veio a ideia de fazer uma versão com brigadeiro, colocar uma colherinha e personalizar com o nome do bebê.

Essa tem sido, desde então, a lembrancinha mais pedida em nascimentos. A demanda ficou tão grande que hoje temos uma equipe exclusivamente  dedicada aos potes. Com a panelinha de brigadeiro, da qual falei no último post, não foi diferente. Recebi uma amostra de panela de uma cliente, que queria fazer  algo parecido para um chá de panela. Fiz, entreguei e deixei a amostra da panela em cima da minha mesa no ateliê, com clips. Não tinha uma pessoa que não suspirasse de emoção quando via a tal panela. Atendendo a pedidos, acabamos colocando em linha e não tiramos nunca mais.