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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Empreender é doce, mas não é mole não

17 de setembro de 2018

Esta é a história de Ana Rita Leme de Mello, 46 anos, e de sua filha Giulia, 12 anos. Com sólida formação em publicidade e propaganda e pós-graduação em marketing e administração, Ana Rita trabalhou desde os 21 anos no mundo corporativo em grandes empresas como Avon, Souza Cruz e Portugal Telecom. Em 2008, quando era diretora de comunicação corporativa da Portugal Telecom, venceu um câncer de mandíbula que quase lhe tirou a vida, e assim deu início a uma guinada na carreira e fundou a Nano Doces.

Antes da Nano, como era tua vida profissional?
Sempre fui executiva e sempre trabalhei muito. Com a minha formação, minhas responsabilidades eram desenvolver canais de vendas, zelar pela imagem das marcas, das empresas e de seus executivos.  Sempre atuei em cargos de responsabilidade ligados à presidência das empresas, o que contribuiu muito para a minha experiência pois, tive a oportunidade de conhecer outras áreas nas quais não era especialista. O conhecimento, os desafios que este mercado te oferece tem um valor inestimável, principalmente se você tem a sorte, como eu tive, de trabalhar com pessoas muito competentes.

Como começou essa ligação forte que você tem com a gastronomia?
A paixão pela cozinha começou na infância, quando passava os finais de semana na casa dos meus avós paternos. Minha avó era uma cozinheira de mão cheia, e nos divertíamos fazendo pratos deliciosos para a família que almoçava junta todos os domingos. O preparo dos doces era feito com o maior carinho, e então minha avó me deixava colocar, literalmente, a mão na massa de bolo. Em 2001 , me casei e fui morar em Milão, na Itália,  quando aproveitei para visitar as livrarias, encher a minha casa de livros de gastronomia e testar receitas do velho continente. Inesperadamente, nossos amigos vinham em casa para experimentar a culinária brasileira e as receitas que tinha aprendido nas minhas pesquisas pela Europa, e foi assim que começou a nossa aventura: vender doces brasileiros para italianos, em Milão. Por estar na Europa, o acesso aos livros, aos restaurantes, ao melhor da culinária era mais fácil. Aproveitava meu tempo para viajar em busca do legado e da cultura gastronômica de cada país.  As malas voltavam cheias de livros e do sonhos de um dia poder transformar esta paixão em realidade.

Em que momento você decidiu largar a vida corporativa e empreender?
Apareceu um câncer quase incurável, tinha chances mínimas de sobreviver. Foi um ano de muita luta. Meu tumor era muito agressivo e raro, mas estive nas mãos dos melhores médicos da área e com força de vontade, garra, muita vontade de viver, me tiraram dessa. Sou uma pessoa movida a desafios. Durante o tratamento fiz vários cursos de gastronomia, confeitaria para aperfeiçoar meus conhecimentos em culinária. Não tive dúvida: era hora de juntar uma paixão antiga aos conhecimentos que tinha adquirido. Assim decidi dar uma virada na vida e empreender no meu antigo sonho. Fundei a Nano Doces, com foco no food service. Nossas sobremesas – petit gateaus, cookies, tortas, brownies, entre outras – estão presentes em aproximadamente 150 estabelecimentos comerciais de São Paulo e também em outros Estados.

E as dificuldades?
Nestes dois últimos anos, gerenciar um negócio como este têm sido muito cansativo e desafiador. A carga de impostos é altíssima, o aumento no custo do frete inviabiliza, muitas vezes, a expansão da empresa para outros Estados, o custo dos ingredientes inviabiliza a produção de alguns itens, encontrar mão de obra qualificada é um desafio e, algo que me chama muita atenção, é a falta de incentivos para o desenvolvimento do microempreendedor. Recentemente, compramos a Original Brownie que trouxe para a Nano um produto de muito sucesso: os cookies recheados. Eles aumentam significativamente o faturamento dos nossos clientes.

Como manter a pequena empresa relevante num cenário de crise?
Temos que nos adequar constantemente: implantamos um sistema de avaliação dos funcionários baseado em metas, substituímos os colaboradores pouco produtivos, desenvolvemos novos produtos sem abrir mão da nossa qualidade, desenvolvemos novos sabores dos nossos produtos mais vendidos, paramos de atender supermercados que, nos pagam com 45 dias de prazo e internalizamos o frete, que antes era feito por uma empresa terceira. Tiramos de linha nossos produtos que eram o coração da empresa, os copinhos de vidro. Após a crise que vem nos assolando, nossos fornecedores aumentaram seu volume mínimo de venda. Para se ter uma ideia, nosso fornecedor de tampas para os copos de vidro passou a vender somente em quantidades acima de 35 mil unidades, o que faz com que nosso custo seja muito alto. E não paramos por aí. Estamos trabalhando em um projeto para abrir as vendas para pessoas físicas e vamos dar início a produção de salgados pois, temos estrutura para isso. Contratamos uma profissional que fará a gestão operacional da fábrica para que eu possa estar exclusivamente dedicada ao desenvolvimento do negócio, seja na criação de novas linhas de produtos ou no desenvolvimento das vendas e expansão do grupo. Estamos também conversando com investidores que entrarão com capital para abrir nossas vendas para o consumidor final.

A família participa do empreendimento?
Não. Não acredito que família envolvida no empreendimento colabore. Família é família e já dá muito trabalho por si só. Gosto de separar as coisas. Também não gosto de envolver amigos nos negócios.

Qual o futuro do Brasil?
Incerto. Vivemos este momento de eleições com muita apreensão pois a única certeza que temos é que do jeito que está não dá mais para ficar. Nosso País está dividido, uns contra os outros. Precisamos de um governante que trabalhe para unir o país. O que mais me preocupa são candidatos preocupados em acusar uns aos outros, em vez de vir ao público apresentar suas ideias, discutir ideias, trabalhar em projetos factíveis. Somos um País rico, seja do ponto de vista natural ou financeiro. Mas como usam estes recursos? Para o bem de uma nação? Não!  Quando vejo nossos meios de comunicação trabalhando para aumentar a discórdia e inflar os ânimos dos candidatos, fico ainda mais estarrecida. Temos que explorar ao máximo as ideias, os projetos, entrevistar, analisar o perfil psicológico dos candidatos, o seu curriculum, suas experiências, seus resultados e, votar com consciência, não por conveniência. Acredito no futuro do País e acredito que a Nano possa crescer ainda mais.

Instagram: @nanodoces
Facebook: facebook.com/nanodoces
Email: contato@nanodoces.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

Tudo pela carne

3 de setembro de 2018

O uruguaio Rodrigo Facal, que abriu um restaurante em São Paulo

Esta é a história de Rodrigo Facal, uruguaio radicado no Brasil, torcedor fanático do Nacional, casado com a brasileira Silvia e pai de Pedro Henrique, de 2 anos. Formado chef de cozinha na conceituada Escuela de Turismo y Gastronomia del Uruguay, abriu faz um ano em São Paulo a Parrillada Fuego Celeste, restaurante de assados ao estilo típico do Uruguai. O lugar virou ponto de encontro da comunidade uruguaia, e não é difícil encontrar jogadores de futebol e artistas nas mesas.

Como você chegou ao Brasil?
Minha história com o Brasil começou quando conheci a Silvia numa noite em Santiago do Chile, há doze anos. Depois, ela foi conhecer a minha família em Montevidéu e. para formalizar mais ainda. me convidou a passar “uns dias” em São Paulo. Eu sabia que coisas boas iriam acontecer, entendia que poderia ser meu lugar no mundo, tanto pelo lado pessoal como profissional… E assim foi, fiquei em São Paulo.

De onde surgiu a ideia do Fuego Celeste?
O amor pela gastronomia e pela “parrilla” começou desde pequeno, observando minha mãe e minha avô cozinhar. Sempre tive o sonho de ter um restaurante, mas desde cedo eu sabia que para chegar até lá não seria suficiente só saber cozinhar e assar carnes, tinha que aprender a ser líder e aprender a lidar com grupos.  Quando mudei para São Paulo, trabalhei dez anos numa multinacional, onde aprendi muito e entendi a importância da empatia com todos os membros da equipe. Muitas vezes você tem os melhores profissionais com curriculum nível “Le Cordon Bleu”, mas na prática, se não estiverem motivados no dia a dia, terão “data de vencimento”, ou pior ainda, aparecerão as primeiras laranjas podres que ninguém quer.

E você decidiu empreender em vez de seguir empregado?
Caminho percorrido, chegou a hora da aventura e me desligar da empresa para afrontar o pior dos medos do empreendedor, a incerteza. Após entender as debilidades do mercado gastronômico (alguns com atendimento paupérrimo e ou preços surreais que não condizem com a qualidade do produto apresentado) e de ter realizado eventos e churrascos na casa de amigos, entendi que tinha chegado a hora de transformar toda essa experiência numa profissão. E foi assim que após várias reuniões com Douglas, Fabrício e Flávio (amigos da vida que o Brasil me proporcionou) decidimos virar sócios e abrir o Fuego Celeste com três pilares inquebráveis: atendimento diferenciado, preços justos e uma excelente qualidade de produtos.

Como se destacar no meio da concorrência de restaurantes em São Paulo?
Poderíamos descrever hoje que a ideia de Fuego Celeste é brindar uma experiência de uma típica parrillada de bairro uruguaia, pequena, informal, usamos lenha para assar as carnes e onde não vai faltar uma excelente proposta gastronômica típica junto com a decoração e o sotaque.

Primeiro apareceu a ideia do negócio ou primeiro surgiu o empreendedor?
Primeiro veio a vontade de empreender e depois o negócio, mas confesso que o meu lado empreendedor (que não conhecia) me surpreendeu positivamente. São dessas habilidades ocultas do ser humano que só quem se aventura (seja qual for a magnitude do projeto) pode descobrir.

Como é que a família participa no empreendimento, no estilo de vida?
O período de adaptação foi de aproximadamente 8 meses, entre a parrillada e a família, e não foi nada fácil. Se tivesse que resumir tudo numa palavra só seria sacrifício. Para me ver, a família tinha de ir ao restaurante. E voltar para casa significava “deitar” por umas horas… E olha lá. Hoje, com o estabelecimento estruturado posso “me dar o luxo” de voltar para casa todas as noites para desfrutar da família. Amigos e família entenderam com o tempo que a vida da gastronomia é assim, gratificante e tirana ao mesmo tempo.

Quais são os planos de futuro?
Em nível pessoal, quero desfrutar o momento do Fuego Celeste e tentar recuperar o tempo com a família. Em  nível comercial, estamos planejando a expansão onde serão filiais próprias da empresa, não franquias.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?
Paciência, perseverança e inteligência. O grande desafio a superar dos jovens empreendedores está justamente nestes três quesitos. Paciência para chegar, perseverança e inteligência para a parte mais difícil do empreendedorismo… se manter.

Qual o futuro do Brasil?
Obviamente, o Brasil não está passando por um bom momento, mas confesso que nunca me interessei muito pela política. Acredito fortemente no trabalho e no esforço das pessoas. É justamente isso que passo para meu filho.

Parrillada Fuego Celeste

Rua Joaquim Távora 1068 - Vila Mariana - SP
Tel: 11 45638999
Face: www.facebook.com/FuegoCelesteOficial/
Instagram: @fuegocelesteoficial
E-mail: contato@fuegoceleste.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

O missionário empreendedor

27 de agosto de 2018

Loja do Coletivo Emaús, marca de moda urbana que destina parte do seu faturamento para projetos assistenciais

Esta é a história de Tom Dias, designer, empreendedor e fundador da marca de moda jovem Coletivo Emaús, com forte pegada de street wear, rap, skate e … bíblias! Tom e sua mulher, Cibele, estão empreendendo de forma a realizar não apenas a vontade de serem donos do próprio negócio, mas também de compartilhar e doar. “Somos uma marca de moda urbana que segue os preceitos bíblicos e achamos importante praticar essa relação humanitária, que consiste em devolver ao universo uma parte do que conquistamos.” E Tom fala sério e compartilha pesado: 30% do lucro obtido é doado para projetos assistenciais e auxílio a missionários espalhados pelo mundo, como em Juazeiro do Norte – CE (Brasil), Arequipa (Peru), Moçambique e Sudão.

O que é o Emaús?
O Coletivo Emaús mostra a força da criatividade e amor através de camisetas que falam sobre um caminho, uma verdade e uma vida que começa aqui, mas não acaba aqui! Somos uma marca que promete um lifestyle com qualidade, esperança e muito amor! Esse é nosso intuito! A pessoa quando veste um produto Emaús sente algo diferente. É muito mais do que uma camiseta. É algo diferente, é algo que surpreende.

De onde surgiu a ideia de fundar o Coletivo?
A necessidade de apoiar projetos e pessoas que deixam seus lares, suas vidas para prestar serviços de assistencialismo a famílias, crianças, adolescentes. Muitos desses são chamados de “Missionários” porque entenderam que existe uma necessidade maior, um anseio maior para que outras vidas possam ser apoiadas, conhecendo um amor, uma graça, que pode mudar suas condições.

Primeiro apareceu a ideia do negócio ou primeiro surgiu o empreendedor?
Desde pequeno sempre fui avesso a ideia de trabalhar com carteira assinada. Sempre perguntava aos meus pais porque eles não poderiam ser livres para fazer suas coisas que sempre sonharam. E a resposta que sempre ouvia era “estude para arrumar um emprego decente”. Eu sempre fui ouvinte, obediente (salvos muitas exceções) e muito teimoso com meus pais. No princípio, aos 17 anos, arrumei meu primeiro emprego como designer de estampas, isso foi em 2004. Mas sempre questionando o motivo  de acordar super cedo, ter uma hora de almoço e ter hora para ir embora. Nunca entendi muito porque as pessoas adoram a sexta-feira. enfim…. De lá pra cá, passei por agências de comunicação, escritórios de moda, cenografia, publicidade entre outros. Minha teimosia foi o gatilho para abrir o próprio negócio. A princípio prestando serviços de design e querendo tocar ao mesmo tempo o Emaús confeccionando camisetas. Percebi que era muito perfeccionista e decidi abandonar a área de serviços e aprendi a amar o Emaús fazendo a melhor camiseta da vida de qualquer pessoa!

Como é que a família participa no empreendimento? No estilo de vida?
Eu e minha esposa somos sócios nesta empreitada! Preciso confessar: não é nada fácil, mas sempre conseguimos entrar num acordo. As coisas, querendo ou não, se misturam muito. O legal é que as crianças já crescem percebendo que a vida não é um mar de rosas e acredito que eles adoram ter o pai e a mãe sempre por perto. Nossa rotina é muito dinâmica e bem cansativa, acordamos, levamos as crianças pra escola, voltamos, conversamos sobre o dia, vamos a loja/escritório, trabalhamos com as agendas do dia, como criação, produção, vendas estratégias etc. Nos fins de semana, fazemos eventos em igrejas, levando nossas camisetas para apresentar a marca aos irmãos.

Tom Dias, criador do Coletivo Emaús, em seu ateliê

Como é o seu dia de trabalho?
Já houve quarta-feira que foi meu domingo e já houve domingo que acordei na empresa. Não existe nem dia e nem hora para quem quer conquistar um sonho, seja ele material, espiritual ou pessoal. Não existe! Nosso tempo com a família é super-importante, pelo menos uma refeição do dia fazemos juntos. E procuramos passar um ou dois dias da semana juntos, passeamos, comendo ou apenas deitados na cama assistindo Netflix durante um dia inteiro! Família é primordial para que tudo dê certo. Sem família, nada do que fazemos faria sentindo. Amo muito nossa família, e tudo que faço, as horas e dias investidos, são por eles e para eles!

Quais são os planos de futuro do Emaús?
A internet é um ser a ser explorado durante vidas e vidas! Nossa intenção é descobrir cada vez mais como ela funciona, pois nosso Cliente (com maiúscula) está ali! Queremos sempre criar camisetas novas, expandir os negócios na internet. Automatizar processos cada vez mais sem perder o contato humano do atendimento. Sonhamos em expandir fisicamente o nosso negócio, mas cremos que ainda não é o tempo. Acredito numa frase de Salomão: “Há tempo para tudo estabelecido abaixo dos céus”. Um dia de cada vez, vivendo, aprendendo, vendendo e expandindo conforme Deus quer.

Se pudesse dar uma dica aos jovens empreendedores que estão chegando, qual seria?
Encontre um propósito para seu negócio, não uma necessidade para ganhar dinheiro. Encontre um propósito e o dinheiro virá como consequência para alimentar o negócio e o propósito. Sei lá, pense em ajudar asilo, orfanato, ONGs, comunidades, igrejas com parte do seu faturamento. A generosidade gera renda! Quando mais dou, mais eu tenho para dar! Aquela máxima, “Quem tem para pagar a conta, tem sempre”… Seu diferencial não seja atendimento ou um produto/serviço bacana! Que isso seja obrigação. Encontre seu diferencial nos detalhes que só o cliente e você percebam, talvez uma aproximação mais pessoal, algo que lembre as pessoas de algo nostálgico que traga lembranças positivas, pense nos detalhes como diferencial. Não tenha limites para trabalhar! Trabalhe, estude com diligência e muita força! O mundo e as pessoas estão cada vez mais profissionais e se você quer bater de frente, precisa ser profissional ao extremo! Agora se você quer ser mais um, é só cair toda hora em campo e fingir que está machucado…

Qual o futuro do Brasil?
Vejo um futuro de pessoas cada vez mais empreendendo no Brasil. A internet é o lugar das oportunidades. Os mais novos já nascem com um smartphone acoplado em suas mãos. O que precisa é guiar essa garotada que está vindo a querer ser cada vez mais técnicos, profissionais, porque talento muitos deles já tem! Não vejo carteiras assinadas, não vejo mais empregados. Mas vejo pessoas trabalhando em acordos montados com seus chefes e tendo a possibilidade de escolher o que fazer cada vez mais. Vejo pessoas sendo preparadas cada vez mais! E pessoas com multitalentos ora são cozinheiros, ora são profissionais de TI ou produtores musicais. Não vejo pessoas com profissões padronizadas, mas vejo cada vez mais jovens super talentosos, graças à bendita da internet!

Onde encontrar:

www.coletivoemaus.com (Loja online)

Facebook: www.facebook.com/coletivoemaus

Instagram: www.instagram.com/coletivo_emaus

Endereço Coletivo Emaús:  Av. Brasil, 361A – Vila Correa, Ferraz de Vasconcelos – SP; telefone: (11) 3425-7299; horário de funcionamento: das 10h às 18h.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

A importância da reinvenção aos 110 anos de existência

13 de agosto de 2018

Fachada do centenário Empório Chiapetta no Mercado Municipal de São Paulo

Esta é a história de Renato Galgiardi Chiapetta, de 38 anos, quarta geração de uma família de comerciantes de alimentos. Ele é bisneto do fundador do Empório Chiapetta, Carlo, calabrês chegado a São Paulo em 1908 e que se instalou numa pequena banca no antigo Mercado São João. Em 1933, Carlo mudou a banca para o atual endereço, no então recém-inaugurado Mercadão Municipal de São Paulo.

Renato está hoje na linha de frente da renovação da operação, com novas marcas e novas frentes de negócios. “Temos 110 anos de história e estamos passando por mais um período de renascimento, fazendo os ajustes necessários para o negócio durar mais 110 anos.”

Como é trabalhar com a família?
Na nossa família, a empresa é um assunto que está presente todo o tempo, é uma extensão natural de casa. Foi assim desde pequeno: comigo, meus irmãos, meus primos. Nós, assim como nossos pais e antepassados, começamos a ajudar desde cedo, então, essa ligação fica muito forte e natural. Isso é um traço muito forte da nossa origem italiana, igual a tantas outras famílias de imigrantes. Quando se trabalha em família e com muita paixão, tudo envolve muita energia e muita emoção, e esse é o nosso combustível. A vida da nossa família pode ser vista em muitos filmes italianos e sobre italianos. Desde de O Poderoso Chefão, Concorrência Desleal, Rocco e Seus Irmãos, Estômago, A Grande Noite, entre outros.

Você trabalhou em outras atividades além do Empório?
Eu estudei Publicidade e Administração de Empresas e segui minha vida, trabalhei bastante tempo como fotógrafo e diretor de filmes para comerciais e programas de TV. Durante esse tempo, sempre estive presente e acompanhando a trajetória da empresa. Isso foi muito bom por vários motivos. O principal deles foi a oportunidade de poder olhar o Empório Chiappetta de fora — foi um ponto de vista novo e muito surpreendente para mim. Compreender o negócio, o valor dele e a percepção do público de uma posição neutra são coisas fundamentais para qualquer empreendedor, numa empresa de 110 anos isso pode ser mais difícil do que se imagina, por mais que seja óbvio.

Aos 110 anos, qual é o momento atual da empresa?
O Empório Chiappetta mudou de negócio muitas vezes na sua trajetória. Começamos como feirantes, praticamente antes de existir o próprio mercadão. Depois fomos atacadistas de alimentos básicos, depois importadores de produtos especiais, depois distribuidores de food service , depois lojas de varejo. Em mais de um século de história acredito que a capacidade de adaptação e o espírito de luta do meu bisavô, meu avô, meus pais, meus tios, meus primos e meus irmãos foram essenciais para irmos tão longe. Hoje, estamos mudando de “business” novamente, uma vez que estamos produzindo produtos de alta qualidade aqui no Brasil, em vez de importar, que era a atividade principal da empresa nos últimos 30 anos. Não é fácil fazer isso e esse é o nosso desafio neste momento.

Produtos da marca Gastronomia Chiapetta, braço dos negócios da família

São vários negócios?
Hoje, temos a loja histórica no mercadão, na rua G box 8, onde ficam meus tios Leonardo e Eduardo, que é maravilhosa, está a pleno vapor e tem esses dois personagens extremamente carismáticos. E na parte de food service nós temos duas marcas em dois campos de atuação muito claros, que são a Gastronomia Chiapetta e a Fiumefreddo. A Gastronomia Chiappetta é uma linha de produtos gourmet e saudáveis ao mesmo tempo, como mix de frutas secas, temperos especiais e pastas espalmáveis naturais, como um creme de avelã e cacau vegano e uma pasta pura de pistache. São produtos destinados a lojas de produtos saudáveis, naturais, empórios e supermercados. Já a Fiumefreddo é voltada para o público profissional de gelateria e confeitaria, com insumos totalmente naturais para produção artesanal de sorvetes, sobremesas geladas e confeitaria em geral. Foi um mercado muito interessante que identificamos e é carente de produtos de alta qualidade. A gelateria de artesanal chegou ao mercado brasileiro para ficar. São esses dois projetos o nosso foco e grande desafio neste momento.

Como é a sua rotina de empreendedor?
Eu sou completamente apaixonado pelo meu ofício, uma das primeiras implicações disso é não ter horário para nada. Nós fazemos um trabalho ao lado dos grandes chefs de uma forma invisível, criando e pesquisando ingredientes, formatando produtos e soluções, mas sempre sem aparecer, afinal quem tem de brilhar é o chef. Isso vale para o nosso trabalho em gastronomia e em gelateria também, faz parte do mundo do sorveteiro essa alquimia, esses segredos misteriosos.

Quais os planos de futuro?
Nós estamos passando por mais um período de renascimento, fazendo os ajustes necessários para o negócio durar mais 110 anos. Nós acreditamos na nossa marca, temos uma visão de qualidade e estamos vendo o mundo da alimentação passar por uma grande revolução como um todo, o que gera uma série de oportunidades. Hoje, as pessoas leem as etiquetas, sabem que matérias-primas devem evitar e quais valorizar, têm preferência pelo produto local, evitam corantes, conservantes, estão muito mais informadas sobre processos, responsabilidade, sustentabilidade e outros assuntos super-importantes, sem dúvida é uma grande evolução. Existem as tendências e os nichos que se formaram e estão cada vez mais identificáveis, como os veganos, vegetarianos, o público fitness, os que evitam glúten, lactose, orgânicos, os que procuram o low carb entre tantos outros. Isso tudo gera novos negócios, novas empresas e novas marcas. Se nós do Empório Chiappetta queremos continuar nossa trajetória, devemos acompanhar tudo que está acontecendo e ainda agregar a nossa longa experiência no mundo da alimentação.

Se pudesse dar uma dica aos jovens empreendedores que estão chegando no seu setor, qual seria?
Eu não sou ninguém para dar dica. Posso falar das coisas que aconteceram conosco e que nos fizeram chegar até aqui e evoluir: nós sempre optamos pelo produto e pelo nicho de qualidade e não de preço; tivemos capacidade de adaptação para mudar de mercado e de segmento para sobreviver e trabalhamos com muita paixão, que nunca é demais. Estamos vivendo tempos em que as pessoas se reúnem em casa para cozinhar com os amigos, fazer pão, cerveja… tudo em casa. Isso é fantástico. Estamos vendo diversas novas marcas inovadoras, com produtos inovadores nos mais diferentes mercados do mundo da alimentação, nos sucos, nos produtos naturais, no próprio sorvete, nas cervejas, nos chocolates, nas massas… é um novo mercado praticamente.

Qual o futuro do Brasil?
Os empresários são uma parte muito importante do processo para a engrenagem funcionar. Nós devemos ajudar a sociedade dentro do nosso campo de habilidade, acreditar no terceiro setor e cumprir nossa função de empresário pensando no social e em um país melhor para todos.

Serviço:
www.chiappetta.com.br
www.fiumefreddo.com.br

Instagram: gastronomiachiappetta / fiumefreddogelato
E-mail: renato@chiappetta.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

O Admirável Móvel Novo do Estúdio Gloria

30 de julho de 2018

Esta é a história da Karina, do André e da filha Serena, de 13 anos. Uma família de empreendedores de São Paulo, que mistura arte, design, arquitetura e reality show.

André Lima é publicitário e arquiteto. Karina Vargas é formada em moda e design de interiores. “Quando nos conhecemos, há 20 anos, a Karina já era formada em moda, e eu nem formado era… hahaha”, lembra André. Foi com ele que conversei na sede do Estúdio Gloria em Cotia, a 20 minutos de São Paulo, rodeado de móveis multicoloridos, objetos de design retrô e com vista para um jardim de árvores frutíferas com vasto horizonte. O astral do lugar é de absoluta paz e cantos de pássaros, o que combina bem com o vizinho templo Budista Tibetano Odsal Ling – um templo muito lindo e pouco conhecido do público (aberto a visitação aos sábados).

Como foi que vocês se conheceram?
Era 1998 e eu cursava publicidade na FAAP. Por indicação de um amigo comecei a trabalhar em um estúdio fotográfico sem saber nada do assunto. Eles atendiam uma grande conta de varejo e acabei sendo escalado para atender esse cliente como executivo de contas. Adivinha quem era a produtora? Sim, a Karina. Eu um garoto recém-saído das fraldas e ela um mulherão. Acabamos nos dando muito bem, mas eu achava que ela não era para o meu bico hahaha. No fim não desgrudamos mais um do outro. E estamos até hoje juntos :-)

Que época era aquela?
Era uma época muito boa para trabalhar com fotografia. Trabalhávamos muito, mas éramos bem remunerados. Tempos depois eu e a Karina abrimos o próprio estúdio e atendemos grandes contas por 11 anos, até 2009! Eu ainda sai por um tempo, trabalhei em agencias, tive uma produtora de trilha sonora, até voltar como sócio da Karina em 2005, quando a nossa filha Serena nasceu.

Passaram por algum perrengue? E como o superaram?
Foram vários. Mas em 2009 foi o maior, quando fechamos o estúdio de fotografia. Foi muito difícil, tivemos que nos reinventar depois de anos navegando em mar tranquilo. Foi quando decidimos nos dedicar de corpo e alma ao Estúdio Gloria, até então uma “brincadeira”.

Como o Estúdio Gloria veio a se transformar na grande referência estética que é?
A Karina acabou desenvolvendo uma verdadeira loucura por móveis antigos. Sabe gente que começa a resgatar animais abandonados e passa do ponto? Pois é, com ela acontece igual com móveis. Ela juntou centenas de móveis desde sempre. Acho que já sabia o que queria. Até que em 2007, quando ainda tínhamos o estúdio fotográfico, ela organizou um bazar em nossa casa em Cotia para vender alguns deles. Mas antes resolveu reformar todos usando cores e estampas. Sem saber, ela acabou ali criando um negócio e uma nova linguagem de mobiliário, a partir do reaproveitamento de móveis descartados. Aliás, é bom lembrar que nessa época aqui no Brasil móvel antigo era totalmente desvalorizado. Literalmente jogado em caçambas de lixo.

Se você pudesse dar uma dica a quem está começando agora, qual seria?
O mais importante é: tenha capital de giro hahahaha. Mas também paixão pelo ofício e muita persistência. Nós, mesmo sabendo do nosso propósito e amando o que estávamos criando, quase desistimos algumas vezes. Quando nada dá certo acho que é natural achar que estamos errados. Empreender é difícil. Escuto amigos falando em bônus e 13 salário e fico com um pouco de inveja hahaha, mas passa rápido.

A família tem um estilo de vida todo especial e único, parte vivendo no meio de projetos de arte, de design, e parte na frente das câmeras de uma reality show de sucesso.  Como é isso?
Acho que todas as dificuldades que passamos acabaram por transformar a família toda. Naturalmente fomos revendo valores. O meio de publicidade é fútil e tivemos que nos desprender de tudo. Ao mesmo tempo ficamos muito unidos, nós três. A Serena cresceu vendo nossa luta de empreendedores, não sei como ela vai lembrar dessa fase da vida dela, mas acho que será positivo. Quando recebemos a proposta de gravar o programa da GNT “Admirável Móvel Novo”, num formato de reality, abrimos nossa vida, somos uma família que trabalha junto e que temos uma linguagem estética própria.

A vida de vocês mudou muito depois da TV?
Quando essa história de programa começou não imaginávamos o que aconteceria. Não mudou muito. Não ficamos ricos (rs). Continuamos trabalhando até mais, porque a crise atingiu em cheio o mercado de decoração. Mas o programa só trouxe coisas boas e a energia das pessoas que gostam do programa e nos procuram é sempre muito bacana. É gostoso.

Quais os próximos projetos de vocês? Novas temporadas na TV?
Temos uma nova temporada gravada que estreia em agosto e vai até novembro (assistam no GNT!). Ideias não faltam. Nosso negócio foi se transformando e hoje estamos mais dedicados a projetos de decoração do que propriamente compra, reforma e venda de móveis como era no início. Incrível, mas tivemos que nos reinventar novamente!

Como é o trabalho além da TV?
É legal que com o programa recebemos convites para palestras, muita gente quer nos ouvir. Isso é incrível. E viajar é o que mais gostamos de fazer, porém nossa inspiração vem do Brasil mesmo. Amamos a Bahia, o Nordeste, e se existe algum plano é que se um dia conseguirmos nos aposentar é pra lá que vamos.

Como é a rotina de trabalho?
Não tem rotina hahahaha. Hoje em dia viajamos todo o Brasil. Amanhã, por exemplo, embarcamos todos para Itacaré para finalizar uma pousada de uns estrangeiros. Temos projetos e consultorias em andamento com restaurantes e hotéis. Escolhemos apenas projetos que nos empolguem. Queremos difundir nossa linguagem de decoração, um conceito que chamamos de Casas com Alma.

A propósito, não percam: sábado, 11 de agosto, vai acontecer um grande Bazar aberto ao público na enorme propriedade, onde estarão à venda grande parte do acervo, dos tesourinhos garimpados pelo casal em suas viagens pelo interior do Brasil. Mais informações www.estudiogloria.com.br.

Serviço:
www.estudiogloria.com.br
E-mail: contato@estudiogloria.com.br
Fone: (11) 4551-7889

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

A nova mulher empreendedora

16 de julho de 2018

No mundo todo, são 274 milhões de mulheres empreendedoras em 74 países, conforme o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016/2017.

É uma grande conquista da globalização e das novas tecnologias a derrubada das barreiras que limitam o comércio entre países. Acima de tudo, a globalização está derrubando as diferenças que limitavam o comércio entre países por cultura, raça ou, como é o caso desta pesquisa, de gênero. Em vista destas informações, muitos governos estão estimulando o empreendedorismo feminino, pois é notório que as mulheres investem – em sua grande maioria – até 90% mais na saúde e educação de seus empregados e de suas comunidades.

Aqui estão alguns dados interessantes do GEM Report:

1. Mais de 20% de mulheres do que homens citam a “oportunidade” como a motivação para iniciar o próprio negócio nas economias emergentes ou pobres. Já em economias mais inovadoras e tecnológicas, as mulheres têm até três vezes mais motivação com foco em oportunidades.

Detalhe: a visão de oportunidade em negócios - Total Entrepreneurial Activity (TEA) - é uma medida considerada muito importante para calcular a capacidade de empreendedorismo de uma comunidade.

2. O relatório indica que as mulheres têm 5% maior capacidade de inovação nos negócios do que os homens, em todos os 74 países.

3. Surpreendente é a notícia de que a atividade empreendedora das mulheres cai consideravelmente com a prosperidade econômica. América Latina e Ásia, com economias emergentes, mostraram a maior igualdade empreendedora entre homens e mulheres. Já nas economias mais tradicionais, como na Europa e nos Estados Unidos, a estabilidade faz que a mulheres tenham até 40% menos presença em novos empreendimentos.

4. Nas economias mais desenvolvidas, mais da metade das mulheres empreendedoras se dedicam a negócios nos setores públicos, de saúde, serviço social e de educação. São setores de grande fator humano e de relacionamento, considerado um dos pontos fortes do modo de empreender feminino.

5. A atividade empreendedora entre as mulheres também cai na medida do aumento do nível de escolaridade. Isso faz pensar que o estudo não seja tão preponderante para empreender. Ou pode estar relacionado com o item anterior. O relatório cita um caso específico no Sudão, onde um campo de refugiados houve o surgimento de novos mini-empreendimentos, majoritariamente de mulheres.

Aqui no Brasil, ao mesmo tempo que estamos congelados pela crise, é justamente neste cenário onde as mulheres se destacam na busca de oportunidades de empreendimento, inovam e prosperam.

É importante citar o trabalho que duas brasileiras vem fazendo, percorrendo o mundo coletando e documentando as diversas formas de empreendimento feminino, com o projeto The Girls on the Road. O projeto de Taciana Mello e Fernanda Moura começou em 2016, e já tive oportunidade de escrever um pouco naquela ocasião. Continua sendo muito válido e importante.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Bolovo?

2 de julho de 2018

Você conhece a Bolovo? Não? Tudo bem, não fique preocupado, isso é normal se você tem mais de 30 anos. A Bolovo já é um fenômeno, não apenas pelo sucesso do que eles fazem, mas também como fonte de inspiração para novos empreendedores. Vale a pena saber mais da empresa (e do modelo de negócios) que Deco Neves e Lucas Stegmann criaram e na qual ganham a vida – literalmente – se divertindo. A Bolovo é uma produtora de vídeos, que tem também uma marca de roupa, e que também faz festas.

Tudo começa lá por 2006, quando Deco e Lucas começaram a andar juntos aos 15 anos e foram fazendo viagens, vídeos, andando de skate, umas e outras loucuras, e começaram a tentar ganhar algum dinheiro com tudo isso para manter a festa sempre rolando. A resultado é difícil de definir, fácil de admirar. Em resumo, eles fazem o que dá na telha. Eu diria que é a volta – renovada – do velho lema punk: faça você mesmo. E eles fazem bem feito.

O Deco Neves me deu uma entrevista onde conta mais da Bolovo.

Como você e o Lucas se conheceram e se tornaram sócios?

Nós somos amigos desde os tempos da escola, e nossa sociedade foi se formando de forma natural quando começamos a gravar e fotografar algumas coisas juntos. E por interesse fomos estudando mais e apreendendo mais, e temos tentado manter essa mentalidade até hoje.

Me fala um pouco do que vocês fazem – e porque dá tão certo.

Assim, ‘certooo certoooo’ nem sempre dá. Acho que um ponto fundamental de tudo e que tentamos se manter muito firmes aos nossos ideais, e vamos nos moldando a cada fase que vivemos. Começamos fazendo vídeos e tirando fotos de viagens e roles com os amigos quando tínhamos uns 15 anos. Depois começamos a fazer algumas coberturas de eventos para ganhar nossos primeiros trocados. Inventamos uns vídeos com roteiro e sempre trabalhando muito fomos evoluindo. Por volta de 2009, assinamos com a MTV para criar/dirigir e apresentar 30 programas de 15 minutos, sem nunca antes ter trabalhado na TV. Foi um desafio enorme e depois vieram outros maiores ainda nos outros cinco anos que passamos lá. Durante esse período, fazíamos roupas, mas nunca de forma continua, o foco era mesmo o trabalho de produção de vídeo e conteúdo.  E isso gerou trabalho com diversas outras marcas. Mas chegou uma hora que nossos caminhos se separam com a MTV e começamos a focar na roupa e em contar nossas próprias histórias.
A partir de 2016 o foco maior da Bolovo mudou para a marca e abrimos nossa primeira loja em Pinheiros, São Paulo. Desde então tem sido muito interessante ver o crescimento da marca e também da empresa como um todo.

Como você e o Lucas dividem as atividades na gestão da empresa? O que cada um faz?

Nós fazemos muitas coisas e todo mundo participa um pouco de tudo. Mas tem algumas áreas de expertise que se dividem um pouco mais, o Lucas é responsável pela parte de vídeos, eu fico mais responsável pela confecção e administrativo e a Luiza que é nosso braço direito em tudo é nossa responsável pelo RH e produção de tudo.

Qual foi o maior perrengue que passaram?

Já perdemos três dias de imagens gravadas, nosso ônibus já quebrou indo caminho da casa do Ronaldinho Gaúcho e quase perdemos uma exclusiva com ele, tivemos que pedir carona pra atravessar a Rússia. Ficamos sem dinheiro na conta diversas vezes. A gente sempre passa por muito perrengue, empresa pequena é sempre assim. Já tivemos que ficar muitas noites em claro ou finais de semana pra resolver pepinos. Acho que não existe outro jeito de superar qualquer coisa do que com esforço. Nós temos entendido cada vez mais como o planejamento é importante também para ajudar a superar e evitar problemas. Mas além disso que é o básico de qualquer empresa temos o lema de sempre tratar bem as pessoas e tentar ter uma atitude positiva em relação aos problemas. Tratar bem as pessoas é muito importante.

Qual o maior acerto?

A maior vitória acho que é continuar junto depois de tanto tempo, a Bolovo como empresa já tem mais de 10 anos, e ainda termos muita motivação pra fazer as coisas. As histórias que temos pra contar graças a Bolovo fazem tudo valer a pena. É isso que motiva a gente.

O que querem no futuro da empresa?

Queremos ser cada vez mais independentes financeiramente para produzir nossas ideias, queremos cada vez fazer produtos melhores e continuar tendo momentos de diversão enquanto trabalhamos.

Como você se vê daqui a 30 anos?

Eu espero poder estar ajudando mais na formação da molecada. Tenho muita vontade de ajudar o pessoal mais jovem a por a mão na massa mesmo. Não estar acima do peso, continuar fazendo coisas por ai pra ter novas histórias e estar com meus amigos por perto.

Últimas:
A Bolovo fez parceria com a Rider, aqui o resultado: https://vimeo.com/274030124
Site: www.bolovo.com.br
Bolovo Ministore: R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 47

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

25 de junho de 2018

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

Há um ditado que afirma “ser empresário, no Brasil, não é para amadores”.

Algumas notícias recentes na mídia, de empresas internacionais encerrando operações no Brasil, me fazem pensar que o Brasil pode ser bastante cruel com os empresários profissionais também. Empresas de sucesso internacional tem tido dificuldades para se manter no jogo verde e amarelo.

Os sobreviventes – tanto empresas nacionais quanto internacionais – podem se considerar acima de média e sortudos – e realmente o são -  mas a dificuldade de prosperar no mercado brasileiro provoca algumas perguntas necessárias:

- Afinal, porque o Brasil é tão difícil?
- Será que no exterior, e com o mesmo esforço, a mesma empresa prosperaria mais e melhor?
- Quanto custa, no médio e longo prazo, ser um mercado difícil, complexo e instável?

Não tenho as respostas, mas quero acreditar que começar a fazer as perguntas pode fazer a gente a pensar em alguma solução.

É uma história conhecida que os executivos brasileiros são muito valorizados no exterior por causa da grande capacidade de adaptação e a trazer resultados mesmo em ambientes hostis. Isso diz muito de como o Brasil é hoje.

Cada vez que uma empresa fecha no Brasil, não são apenas os empregos que são perdidos, mas todo um giro da economia, aprendizado, os melhores profissionais migram, os que ficam precisam recomeçar.

Preparei uma lista de algumas destas noticias da midia:

Häagen-Dazs, junho de 2018 - a famosa marca de sorvetes comunica fechamento das oito lojas próprias
WalMart, junho de 2018 – vende 80% da operação no Brasil
Lush, maio de 2018 – a marca inglesa de cosméticos naturais encerra no Brasil e queima estoque
FNAC, julho de 2017 – vende para a Livraria Cultura. Recentemente a Cultura comunica o fechamento da icônica FNAC de Pinheiros
Garrett Popcorn, junho de 2017 – com menos de um ano de funcionamento, a rede de pipocas americana fechou as 2 lojas no Aeroporto de Guarulhos
Kirin, fevereiro de 2017 – a japonesa vende as operações no Brasil para a Heineken
Citibank, outubro de 2016 – o Citi é comprado pelo Itaú
HSBC, julho de 2016 – banco inglês vende toda a operação ao Bradesco
Cacao Sampaka, março de 2016 – a marca espanhola de chocolates fecha loja e vende tudo
Ladurée, março de 2016 – a famosa confeitaria francesa culpa a crise e fecha única loja no Brasil

E a lista vai e vai.

Sem dúvida a crise que passamos nos últimos anos deve ter sido um dos motivos finais, mas não acredito que seja o único. As grandes empresas sabem que as crises são passageiras, e dificilmente abandonam investimentos que foram criados com planejamento de longo prazo. Penso que, em algum momento, este pessoal se deu conta: o Brasil não é fácil, cuidado!

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

Publicada a lei do alimento artesanal

18 de junho de 2018

Finalmente, e depois de muitos anos de conversa, o Brasil liberou o transporte e comercialização interestadual de alimentos artesanais de origem animal feito através da Lei 13.680 de 14 de junho de 2018.

Na verdade, o Brasil está apenas tentando acompanhar o que já é comum e corrente há décadas em vários países que protegem e valorizam o pequeno produtor rural e os alimentos com DOC (Denominação de Origem Controlada), como a Europa e os EUA.

Antes da lei, o produtor artesanal de alimentos de origem animal (como queijos e embutidos, por exemplo) já de posse de todos os certificados estaduais da ANVISA, e que estivesse interessado em vender para fora do seu estado, precisava fazer um complexo e redundante processo para conseguir também uma certificação federal chamada de “selo SIF” (Serviço de Inspeção Federal).

O “selo SIF” é exigido nas grandes indústrias e tem altos custos. Ora, na prática, esta exigência ao pequeno produtor inviabilizava o produto, tanto pelos valores, quanto pelo tempo e burocracia dedicado na tramitação.

Muitos produtores e clientes desobedeciam e corriam altos riscos. O assunto ganhou destaque e indignação de toda a comunidade da gastronomia no último Rock in Rio, quando a premiada cozinheira Roberta Sudbrack sofreu fiscalização e abandonou o evento. A matéria do Estadão de 16 de setembro de 2017 diz:

“A chef Roberta Sudbrack, que era um dos principais nomes da área gourmet do Rock in Rio, saiu do festival em seu primeiro dia de trabalho, depois que a Vigilância Sanitária apreendeu mais de 80 kg de queijo e 80 kg de linguiça que, segundo ela, estavam dentro da validade e apenas não tinham um selo exigido pelos agentes para a liberação.

Indignada com a atitude dos fiscais e com a insensatez da lei, Roberta expôs o assunto em diversas entrevistas, e levantou a bandeira da defesa do pequeno produtor artesanal de alimentos, na busca da legalidade. Com seu carisma e sua importância na gastronomia nacional, ela foi um porta-voz deste movimento que culminou na lei.

Em sua conta do Instagram, Roberta comemorou a nova lei com um post: “Este é o dia que o produto artesanal brasileiro conquistou o direito de circular livremente pelo seu pais! O dia em que juntos mudamos a HISTÓRIA DO BRASIL! A todos que ajudaram a ecoar o grito e que acreditaram que era possível mudar o rumo da história, parabéns! Este é o dia que a cultura brasileira volta a respirar! Compartilhem! Comemorem! Orgulhem-se desse Brasil de mãos cheias de terra que a partir de agora tem voz! Muito obrigada, juntos somos mais fortes…”

Minha admiração e gratidão a Roberta Sudbrack! Que sirva de modelo a outras tantas bandeiras que precisamos levantar para desencalhar o Brasil.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)


 

O que Anthony Bourdain me ensinou

11 de junho de 2018

Foi um baque, o coração ficou pesado e, por alguns momentos, o pensamento demora a acreditar, a aceitar: Tony B morreu. Ele, que inspirou muitos de nós a comer melhor, a viajar pelos caminhos secundários e, acima de tudo, a procurar viver a vida de uma forma única, fazendo as próprias regras, tirou a vida no auge da trajetória.

Faz um par de anos escrevi sobre um empreendimento que ele estava fazendo em Nova York no famoso Pier 57. E apenas um mês atrás ele esteve no Uruguai gravando um capitulo do programa Parts Unknown – cheio de significados para mim – mostrando o pais onde eu nasci e sempre retorno a visitar minha família. O programa foi tão lindo, melancólico, num ritmo intimista – como bem cabe ao uruguaio – mostrando as pessoas de verdade em seu meio natural. Imperdível aqui.

Eu acho que ele diria: f*****. Independente da morte trágica, ele deixa um legado positivo que impactou milhares de pessoas, inclusive os empreendedores. Aqui vai um resumo do que ele me ensinou:

1. Não tenha medo de mudar

Se Tony houvesse continuado sendo um chef de relativo sucesso em Nova York, provavelmente nunca teríamos ouvido falar dele. Mas, em algum momento, ele decidiu que queria escrever – ele não se deixou rotular como apenas um cozinheiro. E conseguiu transformar todo o conhecimento de cozinha em outra coisa totalmente nova e disruptiva, iniciando uma nova jornada através dos programas de TV que influenciaram milhares de pessoas. Ou seja, qualquer um de nós pode ter chegado a ser dono do próprio negócio de sucesso – com muito esforço, sem dúvida. Mas se lembre: não somos limitados apenas a isso. Podemos fazer nosso próprio destino, nunca deixe de sonhar, arrisque mudar!

2. Esteja sempre em movimento

Os fãs de Bourdain estão homenageando a lembrança dele citando muitas frases dele, e por um bom motivo: ele era um cara sábio (e desbocado) e tinha ótima frases. Uma que eu adoro:

“Se eu fosse dar um conselho, seria o de estar em movimento, sempre. O mais longe que puder, tantas vezes quanto possível. Seja do outro lado do oceano, ou do outro lado do rio. Se coloque no lugar de outra pessoa e coma sua comida. É um acréscimo na vida de qualquer um.”

O ensinamento para empreendedores é claro: é preciso estar sempre inquieto, em crescimento, em aprendizado. Se você acha que já faz tudo certinho, e que o mundo não tem nada de novo a ensinar, você está decididamente equivocado. O aprendizado constante mantém você afiado e competitivo.

3. Seja curioso

Anthony sempre estava muito à vontade sentado na sala de algum estranho, num país estrangeiro. Nunca julgava, e tinha essa incrível habilidade de ser gentil ao mesmo tempo que fazia perguntas difíceis ou indiscretas. Comia a comida local, a comida simples, de rua, muitas vezes feita com ingredientes pouco comuns (para não dizer bizarros) e de origem duvidosa. Bebia e fumava o mesmo que as pessoas locais, sempre tentando entender o contexto. Ser curioso deixa você aberto a novas experiências. É impossível ser um empreendedor sem tentar coisas novas.

4. Mostre respeito

Uma coisa que sempre ficava clara nos programas de Bourdain é o respeito que tratava as pessoas e as culturas. Aprendia algumas palavras e costumes locais para demonstrar este respeito. E sempre experimentava toda comida oferecida a ele, sabendo que muitas vezes as pessoas ofereciam o pouco e o que tinham de melhor em suas casas.

Todos estamos sempre tentando fazer o melhor possível. Lembre-se disso quando um funcionário fizer um erro, ou as coisas não acontecerem do jeito que você queria. Seja zen, e pratique o respeito pelas pessoas que estão ao seu redor.

5. Aproveite a viagem!

Sem dúvida que Anthony curtia a vida, aproveitava cada momento. Ele fez o próprio caminho, e isso fez dele uma pessoa admirável, inspiradora. Ele era autêntico, desbocado, teatral, um personagem. E agora que ele se foi, ninguém pode dizer que ele não viveu praticamente de tudo o imaginável.

“O seu corpo não é um templo. É um parque de diversões. Aproveite a viagem.”

Obrigado por tudo Tony, você vai fazer falta. A gastronomia ficou mais careta sem você.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)