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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Ainda é pouco, Brasil

6 de março de 2017

Uma noticia bacana no Estadão da semana passada é que o prazo médio para abertura de uma empresa vai ser reduzido dos atuais 101 dias para 5 dias. Por enquanto a desburocratização anunciada é apenas em São Paulo, mas espera-se que em breve possa ser espraiada para todo o Brasil.

É bom – ótimo, na verdade. Mas infelizmente ainda não é suficiente para facilitar a jornada dos empreendedores. Principalmente dos pequenos e médios, que são o grande potencial de futuro econômico do pais. Abrir uma empresa é só o pontapé inicial. Todo mundo sabe que o difícil mesmo é manter a empresa aberta. E tem pelo menos quatro pontos importantes que o Brasil precisa mudar com urgência ser quiser mais gente empreendendo, prosperando, criando empregos, gerando impostos e, principalmente, mantendo o negócio aberto:

Imposto. Já sabemos que em 2018 o Supersimples vai ficar “supercomplicado” com uma alteração que estão implementando. Além do mais, o valor do teto para ser enquadrado no Supersimples deveria ser ampliado para permitir que as empresas continuem crescendo. Já escrevi bastante sobre o assunto ponderando que na forma que o tributo é utilizado, as empresas são penalizadas com a mudança tributária brusca e terminam por não querer crescer – reduzindo seu potencial e capacidade de gerar empregos.

Ainda não entendo a dificuldade dos governantes de perceberam que, quando as empresas prosperam, a economia gira e gera empregos, o consumo aumenta, os salários sobem e a dinâmica de prosperidade acontece. A impressão que tenho é que o governo continua insistindo em pegar a parte dele antes de todo mundo, dando uma grande banana pra geral.

Crédito. Um dos grandes papéis do governo deveria ser facilitar o credito para os pequenos empreendedores, pois é algo que os grandes bancos não podem ou não querem fazer. Os pequenos empreendedores geram 45% dos empregos no Brasil, e giram 27% do PIB deste pais. Porém, o que vimos no último ano foi o total corte de credito de quem era um grande aliado do pequeno empreendedor: o BNDES. Através do BNDES o pequeno conseguia comprar matéria prima, comprar pequenas máquinas, fazer investimentos em obras e estrutura e crescer o negócio, de forma simples e com poucos recursos. Mas tudo acabou na lama das denúncias de corrupção, com o mau uso da verba do banco, e sobrou para quem de fato usava o dinheiro para a finalidade correta. Em resumo, foram cortados todos os credito do BNDES. O governo precisa rever urgente esta questão, ainda mais na crise atual, onde o dinheiro nos bancos particulares está cada vez mais caro.

Lei Trabalhista. Nos últimos 70 anos as relações de trabalho – e o conceito de trabalho – mudaram tanto, mas tanto, que algumas das leis criadas dos anos 1940 estão mais atrapalhando que que ajudando o trabalhador, o empreendedor e a sociedade. Não podemos esquecer que o empreendedor e o trabalhador são iguais, pessoas de mesma origem, as mesmas pessoas de mãos juntas procurando a mesma coisa: ter uma vida melhor, digna e próspera. Um precisa do outro, e todo empreendedor foi – ou ainda é – um empregado. O pior é que a lei trabalhista coloca o trabalhador numa guerra contra o empresário e vice-versa, quando deveria promover a justiça. Não são inimigos, como querem nos fazer acreditar. Além do mais, a lei trabalhista é a mesma para uma grande empresa do que para o pequeno empreendedor, sendo desproporcional com uma empresa de 10 funcionários ter as mesmas obrigações de multas de demissão de uma empresa de 10 mil funcionários. Sendo que o pequeno empreendedor não tem os benefícios das grandes empresas, como acontece com a indústria de automóveis, por exemplo. Os custos para demitir os ruins faz que a empresa não consiga contratar – e remunerar bem – os bons. Me parece que o mais urgente é flexibilizar a jornada de trabalho, permitindo que o trabalhador e a empresa possam acordar o quanto trabalhar e quanto receber, seja por dia, por hora ou do jeito que acharem melhor.  E, por fim, se não der certo:

Fechar. No Brasil demoramos em torno de 6 meses para fechar uma empresa, e com um custo médio 44% maior do que abrir. Sem contar que é impossível dar de baixa na empresa caso haja dívida com o Fisco.

Para o governo é muito fácil, pois não arrisca nada e sempre fica com uma fatia importante do trabalho do empreendedor e do trabalhador, se comporta como um sócio predador, que só recebe. Mas na hora que dá errado, bem que o governo poderia dar uma ajuda pelo menos parcelando a dívida e liberando o empreendedor para começar de novo. Recomeçar é uma das grandes forçar do empreendedor, quanto antes, melhor e maior a chance de dar certo.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve nas segundas feiras.

Carta a Jorge Paulo Lemann

27 de fevereiro de 2017

Estimado Sr. Lemann, li matéria muito interessante da ‘The Economist’, publicada no Estadão, e achei oportuno lhe escrever.

A reportagem relata os esforços realizados pela sua equipe da 3G Capital, através da gigante de alimentos Kraft Heinz, na tentativa de adquirir a também gigante Unilever. Ok, não deu certo desta vez. Mas fica claro, pelos elogios que a revista americana faz, que a 3G está revolucionando a indústria mundial de alimentos, implementando nas empresas que adquire a sua cultura, a “mentalidade de dono”.

O que mais que chamou a atenção na matéria, porém, e me fez escrever-lhe esta carta, é a informação de que a indústria mundial de alimentos está passando por mudanças desafiadoras (leia-se dificuldade) pois “é cada vez maior o número de consumidores que buscam produtos mais saudáveis, mais naturais e autênticos” – justamente o oposto do que as gigantes fazem.

Me parece, Sr. Lemann, que em um outro setor de seus negócios –  nas cervejarias – este assunto já está sendo bem encaminhado pelo seu grupo, através de investimentos feitos em algumas microcervejarias artesanais, como a americana Goose Island e a brasileira Wäls, por exemplo, potencializando seu crescimento sem perder a qualidade e a autenticidade, e atendendo ao novo consumidor.

Mas no setor de alimentos, ninguém ainda conseguiu tomar a dianteira e estabelecer um diferencial realmente significativo. A grande indústria continua batendo cabeça tentando encontrar formas de responder à equação de (saudabilidade + autenticidade) x escala = credibilidade/valor. E para qualquer gigante, com o pensamento lento e burocrático, vai ser difícil se agachar o suficiente para olhar olho no olho destes novos consumidores exigentes e bem informados.

É aqui, Sr. Lemann, justamente aqui que estamos nós, do Pastifício Primo. “Produtos mais saudáveis, mais naturais e autênticos”, como definiu a The Economist, é o nosso DNA. Esta tem sido nossa missão desde 2010, quando iniciamos o Pastifício Primo com a desejo de ser uma rede de presença nacional, fazendo massa fresca sete dias por semana, obstinados em oferecer produtos impecáveis, saudáveis e sem aditivos químicos ou conservantes. Passados 6 anos, temos 10 unidades no Brasil – e conforme prometido, fazendo massa fresca todos os dias.

E queremos ir muito além, Sr Lemann, e precisamos de reforços para continuar nossa missão de levar produtos frescos e artesanais para todos os cantos do Brasil, e sem perder nossos valores. Acreditamos que nosso cliente merece um produto cada vez melhor e com o melhor preço. E, para isso, precisamos de músculos, de escala.

Por isso, Mr Lemann, eu lhe provoco: não estaria na hora de a 3G Capital começar a olhar para pequenos produtores artesanais de alimentos como nós em seu portfólio de investimentos? Para atender o consumidor que se mostra cada vez mais avesso às velhas fórmulas industriais de produção de alimentos?

Se você decidir levar a revolução nos alimentos, como a The Economist aplaude, para um outro patamar como você já fez com as cervejarias, quero apenas dizer que estamos aqui. Estamos convictos de que encontramos a direção certa. E sabemos disso pelo suspiro satisfeito de nossos clientes depois de devorar um alimento preparado por nós.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve nas segundas feiras.

 

Empreendedorismo de Necessidade

13 de fevereiro de 2017

Conforme dados do IBGE divulgados no final de 2016, o desemprego no Brasil atinge número recorde de 12 milhões de pessoas da população economicamente ativa. Isso significa 12% da população brasileira que tem condições de trabalho – equivalente a toda a cidade de São Paulo – estivesse parada. São 2 milhões a mais do que em 2015 que, diga-se de passagem, já foi um ano bem difícil.

Com a crise, vejo acontecer o aumento de um fenômeno já conhecido no Brasil: o empreendedorismo de necessidade. Ou seja, iniciar um negócio próprio por pura urgência de sobrevivência econômica.

Isso significa, na maioria das vezes, que o empreendedor novato não está preparado para os desafios de iniciar a própria empresa, aumentando – mais ainda – a enorme taxa de mortalidade de novos negócios, derretendo as economias de muitas famílias no processo.

Algumas características do Empreendedor de Necessidade:

1. Não está pronto. Aquela pessoa que passou a vida toda esperando um momento ideal para se preparar, estudar, fazer um curso de fluxo de caixa – mas não teve ou não deu prioridade, por mil motivos válidos. E agora perdeu o emprego e já investiu toda a poupança no negócio do cunhado.  Caso você já esteja com o negócio aberto, e sentindo que não está pronto, fique sabendo: é normal se sentir assim.

Dica: dedicar algumas horas por noite a estudar as questões pontuais e de rápido retorno (fluxo de caixa, mercado, produto, embalagem, etc). Participar dos cursos do SEBRAE com foco no negócio, assistir vídeos do youtube, enfim, fazer o que for necessário. É correr atrás do que falta, ou morrer. Simples assim.

2. Não tem o dinheiro necessário. Quero deixar claro que não é questão de muito ou pouco dinheiro, e sim de ter o dinheiro suficiente para o que se quer fazer. Abrir um negócio e desconhecer a necessidade de capital de giro pode significar quebrar antes do negócio ter a mínima chance de mostrar a que veio. Ou seja, evite subir uma montanha sem roupa de frio e botas de neve. Não fique viajando de construir um prédio de 100 andares com 100 reais no bolso. E nada de alugar um imóvel de 10 mil por mês sem saber exatamente qual a meta de vendas para pagar este aluguel.

Dica: neste caso, é abrir equilibrado com o capital de giro disponível. Um rascunho de plano de negócios é muito útil nesta hora. Fale com seu contador, que geralmente costuma dar apoio nestes momentos iniciais – e já viu muita tragédia acontecendo.

3. Abre um negócio que não gosta. Ou não entende – só porque acha que dá dinheiro fácil. Quando a pessoa é forçada a empreender rapidamente, desempregado, com as contas batendo na porta, muitas vezes escolhe o negócio pelo motivo mais errado possível para um empreendedor: acha que vai ganhar muito dinheiro – sem ter a mínima ideia do que acontece nos bastidores. O empreendedor bem preparado começou primeiro conhecendo a si mesmo, entendendo seus pontos fortes e fracos, para depois dedicar a energia e tempo naquilo que tem mais facilidade e gosto de fazer. O talento e o preparo vai guiando a direção do tipo de negócio.

Dica: caso você já esteja comprometido com um negócio, e descobriu que odeia o que faz, minha dica é tentar usar a experiência como aprendizado para o futuro. E fazer as coisas de um jeito todo seu, que provoque orgulho, independente de qual seja o negócio. Sempre haverá margem para melhorar e aprender. Força!

4. Copia o vizinho. Só porque o vizinho está indo bem, não quer dizer que outros terão a mesma sorte. Aliás, é mais provável que não. Copiar os outros aumenta as chances de insucesso porque, muito possivelmente, você está entrando em um mercado em que já há concorrentes muito bem estabelecidos (aqueles que você admira, mas dificilmente conseguirá fazer melhor – porque eles chegaram primeiro e já tem mais experiência) ou pode estar perto da saturação. Na maioria dos casos, só o que se consegue é queimar a própria poupança mijando na sopa do outro.

Dica: se você já entrou num negócio de paleteria mexicana, por exemplo, e quer saber como sair da encrenca, procure buscar alguma coisa original dentro de si – ou de sua família ou de seus empregados – alguma coisa (produto ou serviço) com um diferencial competitivo, que possa ser organizado num modelo de negócios simples, e tentar se reinventar a partir desse ponto.

5. É superqualificado. Alguns desavisados realmente acreditam que podem fazer qualquer negócio ser um sucesso, ganhar dinheiro rápido e, de preferência, fácil, só porque tem 2 faculdades, moraram no exterior, e têm um currículo de 10 páginas. Ou eram diretores de multinacional, com 2 secretarias e 10 assistentes, mas não sabiam operar a máquina de café sozinhos. Lamento informar, mas subestimar as dificuldades do negócio próprio é um erro muito comum, principalmente com pessoas que têm uma formação desnecessária para o trabalho, principalmente quando falta humildade. E quando caem no empreendedorismo por necessidade (onde é normal ser faxineiro de manhã, office boy ao meio dia e operador de máquina de tarde) acham que vão ficar “administrando” o negócio desde o escritório.

Dica: reconhecer que, quanto menor o negócio, maior deve ser o envolvimento operacional do empreendedor. Não existe isso de ficar sentado. Não tem essa de ficar mandando alguém fazer. Quem não colocar as mãos na massa, não vai ter massa nenhuma.

6. Acha vai trabalhar menos. Pode ser surpreendente, mas ainda tem gente que acredita que sendo “seu próprio patrão” vai trabalhar menos horas. Depois de perder o emprego, algumas pessoas aproveitam a oportunidade para iniciar seu próprio negócio e fazer as coisas de seu jeito particular. Até aí, tudo normal e saudável. O problema é quando o objetivo do novo empreendimento se resume a encolher a jornada de trabalho. Ainda não vi nenhum caso dar certo.

Dica: encontrar a motivação suficiente para trabalhar 10 a 12 horas por dia, que é a média mínima necessária para dar empuxo a qualquer negócio. Foco na família, nos objetivos, nos seus sonhos, em deixar um legado. Seja qual for a sua motivação, se agarre nela com todas as forças.

Não digo que as pessoas não devam empreender, nem correr riscos – correr riscos é ótimo! O que digo é que as pessoas deveriam estar bem preparadas para o que irão enfrentar. Claro que nem sempre se escolhe o momento, mas sem dúvida que os que estiverem preparados, terão muito mais chance de sucesso.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve toda semana. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Super Bowl para empreendedores

6 de fevereiro de 2017

O evento esportivo mais importante dos Estados Unidos, chamado Super Bowl, é também o maior acontecimento da televisão americana. A audiência de ontem foi estimada em mais de 114 milhões de espectadores. Os Estados Unidos literalmente pararam para ver o jogo.

Mas não são apenas os finalistas da NFL (National Football League) que se enfrentam. Também acontece uma acirrada disputa nos bastidores da propaganda.  Mostrar um comercial na TV, de apenas 30 segundos, durante o jogo de ontem, custou estimados 5 milhões de dólares (aprox. 16 milhões de reais).

Uma pesquisa de 2016 afirmou que 17% da audiência considera o intervalo comercial mais interessante que o jogo em si. E não é à toa, pois alguns dos comerciais são verdadeiras obras de arte e engenhosidade, empacotando em alguns segundos uma mensagem forte o suficiente que pode ser capaz de influenciar a cultura de um pais. Apenas para lembrar, foi no Super Bowl de 1984 que a Apple mostrou um empolgante comercial dirigido por Ridley Scott (Blade Runner, Alien, Gladiador, etc) promovendo o lançamento do computador Macintosh.

Mas o motivo de eu trazer toda esta história de futebol americano é que ontem foram mostrados, nos segundos mais caros da TV de todo o mundo, 2 comerciais que fazem uma homenagem a empreendedores fundadores:

1.       Papa John é uma rede de pizzarias, e no comercial de ontem mostrou a história de como seu fundador, John Schnatter, vendeu seu estimado carro para comprar um forno de pizza. Uma história de gente simples em busca de um sonho, próxima de qualquer empreendedor.
(Veja o comercial)

2.       A cerveja Budweiser (hoje sob o comando dos brasileiros da turma do Lemann & InBev) mostrou a difícil jornada do imigrante alemão Adolphus Busch, até encontrar um sócio nos Estados Unidos e iniciar o negócio num aperto de mãos. Não tem como não se emocionar
(Veja o comercial)

Também foram mostrados 2 comerciais com foco direto a empreendedores iniciantes, que querem abrir suas empresas começando por registrar o endereço de site ou construindo a própria página de internet:

1.       A Squarespace é uma empresa de registros de domínios e internet, e o comercial mostra a dificuldade do ator John Malkovich em registrar próprio nome para iniciar um negócio de roupas. Hilário  ou não, na opinião de Malkovich.
(Veja o comercial)

2.       Para quem quer iniciar o próprio negócio com um site, a Wix.com tem a solução. O comercial conta com famosos atores de ação e mostra as aventuras e desventuras de um jovem chef tendo que adaptar seu site às constantes mudanças de ambiente.  Parte 1 e parte 2.

Considero muito, muito importante destacar a importância simbólica que alguns dos segundos mais caros da televisão mundial foram dedicados a empreendedores. O que significa que, pelo menos nos Estados Unidos, empreender está mais na moda do que nunca. Tomara que aqui no Brasil a moda pegue.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve toda semana. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Começa hoje o maior evento empresarial da América Latina

7 de novembro de 2016

Começa hoje o maior evento de gestão empresarial da América Latina, o HSM Expo 2016, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. São 3 dias recheados de palestrantes e assuntos de alto interesse.

Também é, na minha opinião, um dos eventos empresariais mais empolgantes dos últimos tempos. Não apenas pelo formato, com diversos palcos e muitas formas de interagir intensamente com a maioria dos palestrantes. Mas principalmente pelo calibre dos convidados nacionais e internacionais que estão aqui. Para que tenham uma ideia, hoje, dia 7, teremos no palco principal, entre outros:
- Thomas Friedman, vencedor de 3 Pulitzer e autor do best seller – agora já um clássico – O mundo é plano.
- Phil Libin, fundador da Evernote, “unicórnio” hoje cotada acima de USD 1 bi.
- Jim Collins, o guru pessoal de Jorge Paulo Lemann, fecha o dia com uma teleconferência via satélite.

Na terça-feira, dia 8, mais pesos-pesados:
- Steve Wozniak (foto), o co-fundador da Apple, por quem tenho grandíssima simpatia, e estou ansioso para assistir ao vivo.
- Claudio Galeazzi, o polêmico reestruturador de empresas falidas, admirado por alguns, odiado por muitos.
- Marcio Fernandes, aos 36 anos o CEO da Elektro tem nível de satisfação interna de sua equipe acima de 98%.

Na quarta-feira, dia 9, pra fechar o evento:
- Tom Peters, outro guru de primeiro nível, considerado o pensador da empresa pós-moderna.
- Oliver Stone, super cultuado diretor de cinema, com filmes de impacto cultural enorme.
- Eric Boullier, diretor da equipe de corrida de Fórmula-1 McLaren.
- Leandro Karnal, conhecido e reconhecido de todos hoje em dia.
- Roger Martin, referência mundial em design thinking e estratégia, encerra o evento.

Mas não é só isso: em todos os dias, e ao mesmo tempo das grandes atrações já mencionadas acima, outras centenas de palestrantes também estarão realizando debates e interações com o público. Vale a pena citar alguns nomes nacionais, como Fernando Gabeira, Jose Ernesto Bolonha, Marcelo Tas, Viviane Mosé.

A programação completa pode ser conferida aqui. A participação é para os fortes: o investimento para um dia avulso de atividade é R$ 3316,00 e para todos os 3 dias sai pela bagatela de R$ 7162,00 (inclui o coffee-break e almoço). Ainda há vagas. Quem se habilita?

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br) – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Sorte ou azar? O imponderável nos negócios

24 de outubro de 2016

Uma estrada interditada fez com que um crítico renomado conhecesse o restaurante de Massimo Bottura, eleito neste ano o melhor chef do mundo

Eu me considero um cara bastante prático e objetivo, principalmente no que diz respeito ao mundo dos negócios. Por isso, demorei a admitir que existe um fator que pode ser decisivo no sucesso (ou insucesso) de um empreendimento: o que chamo de componente imponderável.

Ao longo dos últimos anos, várias situações me levaram a reconhecer que esta variável deve sempre ser levada em conta na hora de empreender, e com um certo “fair play”. Afinal, ganhar e perder fazem parte do jogo.  Sorte ou azar, diriam alguns.Já vi empresas que tinham tudo pra dar certo: uma ótima ideia, capital à vontade, plano de negócios impecável com missão e visão, e lideres talentosos em suas áreas de expertise… Mas, mesmo assim, não deram certo.

Na contramão, me deparei com negócios em que tudo apontaria para o fracasso e, no entanto, acabaram bombando – contrariando, às vezes, regras básicas dos negócios.É um fator angustiante, admito. Porque o imponderável pode se manifestar de várias formas: pode ser uma ideia genial que chega cedo demais – e encontra um mercado imaturo para entende-la – se chegasse um pouco depois, talvez fosse outra história. Ou pode ser a escolha do ponto equivocado, ou ainda, a cidade equivocada, para implementar o negócio. Ou uma campanha publicitária que é mal interpretada. Ou uma mega crise econômica, como a que estamos passando agora no Brasil. Pequenos detalhes.

Do lado oposto, pode-se dar a sorte de acidentalmente cair no gosto de uma celebridade, e isso fazer toda a diferença no marketing. Ou estar em um endereço que cai nas graças de uma tribo de clientes que passam a ser seus embaixadores espontâneos.

O mundo empresarial – e gastronômico – está cheio de histórias deste tipo, em que o acaso foi fator decisivo. Como a Osteria Francescana, do chef Massimo Bottura, eleito o melhor do mundo neste ano. O próprio Bottura costuma contar essa história: depois de anos de dificuldades e críticas negativas no início do seu negócio, o chef estava prestes a fechar o restaurante na cidadezinha de Modena, quando uma avaria na estrada fez com que um renomado crítico de gastronomia parasse para jantar em seu endereço, totalmente por acaso. E o resto é história.

As vezes a boa sorte brilha. É estar no lugar certo, na hora certa. Como diz aquela célebre frase: quando a sorte aparecer, quero que ela me encontre trabalhando.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A fragmentação dos meios de produção, unicórnios e cavalos

10 de outubro de 2016


Fomos convidados a umas reuniões para avaliar propostas de investimento em nossa empresa. A tentação é grande: isso pode levar nosso projeto de negócios para o próximo nível. E está sendo, acima de tudo, uma oportunidade de olhar nossa empresa pelo lado de fora, no microscópio, de forma científica, fria, com os olhos de quem nos observa como um produto na prateleira, sem mais nem menos. Assim, estamos descobrindo um pouco deste mundo dos investidores.

Uma palavra que escutei em uma destas reuniões foi “unicórnio”. Parece que encontrar um unicórnio é o sonho de quase todos por ali. Fiz cara de entendido, mas depois vim googlear o que isso significa exatamente, nos negócios.

Em resumo, as empresas unicórnio são aquelas que rapidamente alcançam valores de mercado acima de 1 bilhão. Exemplos: AirBnB, Uber, Facebook, Dropbox e outras que surgiram repentinamente e hoje fazem parte de nosso dia a dia. Algumas características em comum: são empresas disruptivas, tem capacidade mundial de escalabilidade, crescimento exponencial, e são todas – pelo menos por enquanto – de tecnologia. Também tem as que não dão certo, e fazem pensar que unicórnios são instáveis.

Agora, voltando à nossa realidade real – nós fazemos massas e molhos para vender no bairro – sabemos que estamos mais para cavalo do que para unicórnio.

Entendemos que nosso negócio tem outras regras. Afinal, fazemos produto, e precisamos de lojas onde produzir e contatar o cliente para entregar nossos produtos. Mesmo nosso e-commerce precisa de produto. Portanto nossa escalabilidade vai ser sempre mais lenta quando comparada com modelos de negócios de tecnologia. Esta lentidão, por outro lado, nos permite um controle de risco muito maior, e o crescimento é sólido e palpável, entre outras vantagens.

Nosso cavalo fica cada vez mais interessante quando leio um artigo da Deloitte analisando uma incipiente tendência que une produto à tecnologia: a fragmentação dos meios de produção. Acredito que vale a pena ficar de olho neste assunto, pois chegou para ficar.

Lendo nas entrelinhas, percebo uma grande e silenciosa revolução acontecendo: indivíduos – ou pequenos grupos – com baixo investimento, podem ter acesso aos meios de produção e atender/criar produtos e serviços em suas comunidades, bairros, cidades, com acesso direto ao cliente/consumidor.

Eu vejo de forma apaixonada esta movimentação, pois é justamente o modelo de negócio que sonhamos desde nosso início. No começo era apenas uma ideia, mas agora vejo o conceito prosperando em toda direção.

Por exemplo, na impressão 3D. Um pequeno escritório vizinho de minha casa desenvolve um projeto customizado, envia para a Dinamarca para ser impresso e vendido localmente para um consumidor específico. Diferente da tradicional exportação, o que se movimenta de um lugar ao outro não é o produto, mas a tecnologia do produto, que é feito localmente. E isto é fantástico!

Eu vejo muitas semelhanças com nosso negócio artesanal, onde cada unidade do Pastifício Primo tem produção autônoma! Em comum com as impressoras 3D de alta tecnologia, evitamos transporte de produto finalizado, evitamos estoques, evitamos poluição. Entregamos o produto personalizado, mais rápido e perto de você. Esta é basicamente nossa filosofia de expansão. Localmente cada unidade pode atender a demanda de sua região. Apenas o conhecimento artesanal é transportado.

Todos podem ser empreendedores, donos da própria vontade, da criatividade e dos meios de produção. Será que a utopia anarquista de derrubar grandes corporações e monopólios está sendo reinventada? Com unicórnio, a cavalo ou a pé, vamos em frente.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

O futuro segundo Star Trek: só vai trabalhar quem quiser

8 de setembro de 2016

Recém estreou o novo filme da saga Star Trek – Jornada nas Estrelas, na versão em português – e isso me empolgou a indicar uma das leituras mais interessantes dos últimos tempos, o livro “Trekonomics: The Economics of Star Trek” de Manu Saadia.

Conheci o projeto do livro no final de 2015 por acaso, enquanto garimpava alguma notícia sobre o filme, e encontrei um link para o crowdfunding da obra. Li alguns artigos do escritor a respeito do processo de elaboração do livro, explicando o conceito e a complexidade de criar uma teoria econômica baseada na filosofia e ética mostradas em Star Trek. Sinceramente, como super nerd que sou, achei o projeto sensacional e venho acompanhando desde então.

O livro foi finalmente lançado em maio de 2106, pode ser baixado na Amazon e quem sabe em breve – tomara! – alguma editora nacional se interesse por traduzir.

Enquanto isso, me atrevo a tentar resumir alguns pontos que o autor apresenta no desenvolvimento deste cenário econômico, feito com base nos filmes e séries dos últimos 50 anos de Jornada nas Estrelas.

No futuro utópico do século 25, de acordo com a ficção estelar, a humanidade vai estar viajando pelo universo com naturalidade, teletransportando pessoas, e todas as necessidades materiais estarão completas. O dinheiro é obsoleto, e praticamente tudo o que você quiser – ou precisar – pode ser produzido em replicadores, basicamente de graça. Não há pobreza, nem fome. A medicina e educação são gratuitas e acessíveis a todos. A pessoa trabalha apenas se quiser trabalhar.

Então, as principais perguntas que o Manu Saadia procura inicialmente responder são: como seria o funcionamento prático da economia numa sociedade na qual as pessoas não precisam mais trabalhar? O sistema econômico não entraria em colapso sem o dinheiro? Os sistemas de produção seriam afetados sem as pessoas terem motivação de trabalhar por dinheiro? Seria possível dispensar o dinheiro como forma de remuneração?

Partindo desta premissa, Saadia desenvolve cenários e testa o funcionamento prático desta economia futurística, simulando a complexidade de diversas camadas de interação de uma sociedade “normal”. Por exemplo: Quem faz a construção das naves? Quem faz o encanamento numa casa? Quem programa os computadores? Quem toma conta das crianças? E como estas pessoas são (ou não) remuneradas?

Achei muito interessante esta abordagem, pois quando falamos de utopias para um mundo melhor sempre pensamos nos grandes heróis e nas grandes ideias. Mas o Trekonomics vai nos pequenos detalhes para testar a viabilidade do modelo econômico no dia a dia das pessoas comuns, da dona de casa, do encanador.

Então fica claro um grande dilema a ser enfrentado pela sociedade/indivíduo do futuro: quando tudo é de graça, os objetos – as coisas – não serão mais símbolos de status. Como então responder a esta demanda que parece tão natural ao ser humano – de ser exibicionista?

Conforme Saadia, a sociedade de Star Trek encontrou uma resposta sólida o suficiente para nos fazer sonhar em seguir o mesmo caminho: o sucesso de uma pessoa não será mais medido pelo dinheiro que ela possui, e sim através de suas realizações.

Portanto, as pessoas irão trabalhar para alcançar estes objetivos pessoais, e não pela remuneração. Muito interessante, não é?

E a propósito do  motivo de existir este Blog do Empreendedor:  é extremamente adorável que o nome da emblemática nave Enterprise, na qual são centradas todas as histórias de Jornada nas Estrelas, signifique, literalmente, empresa. Vamos fazer de nossas empresas a nave para o futuro? “Audaciosamente indo, onde ninguém jamais esteve”.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastificio Primo, escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva direto para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Meias verdades: o chocolate caseiro que, na verdade, é industrializado

14 de julho de 2016

Não tinha como não gostar, quando li uma matéria numa revista gringa, em 2008, sobre a fantástica fábrica de chocolate artesanal de dois irmãos jovens, tatuados, barbudos, que se divertiam fazendo chocolate e velejando o mundo em busca do cacau perfeito. Os Mast Brothers começaram no apartamento no Brooklyn em 2007 e rapidamente se transformaram em celebridades do trabalho artesanal em Nova York e uma referência da nova gastronomia “feita a mão”.

Eu era fã declarado e divulgador pro bono, ao ponto de que, quando viajava a NY trazia as barras de chocolate deles como lembrança de viagem aos amigos. A embalagem também é, de fato, belíssima.

No final do ano passado uma notícia no jornal The New York  Times derreteu o respeito e a admiração que eu tinha pelos irmãos descolados e sua marca.Em resumo, foi descoberto que alguns dos chocolates vendidos pelos brothers eram, na verdade, produto industrializado, reprocessado, embalado e vendido por US$ 10 a barra (aproximaadamente R$ 37,00), um preço apenas justificável pelo suposto trabalho artesanal, e principalmente pela garantia de origem do cacau. Até a barba, que conferia um ar “lenhador hipster” aos irmãos, foi uma criação de marketing.

O storytelling – seja de um produto, uma marca ou de uma pessoa – quando honesto, é algo positivo e serve para contextualizar, ambientar e nos fazer perceber o valor de tudo o que está em jogo. Mas, se a história é boa demais, é bom tomar cuidado, pois pode ser criação de um marqueteiro – do tipo que conta as histórias de nossos políticos em campanha.

Aqui no Brasil tivemos também dois péssimos exemplos recentes – e mais uma vez, eu acreditei em tudo e era consumidor de ambas marcas – que foi o sorvete da Diletto e o suco da Do Bem.

A Diletto contava a história de um vovô italiano que criou as receitas dos sorvetes com frutas e neve, mas foi obrigado a vir ao Brasil por causa da segunda guerra mundial. Chegava ao detalhe de mostrar fotos de um carro antigo que era usado para vender sorvete pelo tal vovô. Eu me identifiquei de imediato com a história contada pela marca, que foi inclusive divulgada em jornais e revistas como verdadeira, e esta empatia me fazia pagar feliz por um produto caro. Em 2014 o assunto veio a tona e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) obrigou a empresa a explicitar que o personagem não existe.

Já a suco Do Bem afirmava nas embalagens que as laranjas eram da fazendo do Seu Francisco, colhidas fresquinhas, e feito por jovens cansados da mesmice. Uma história matadora, sem dúvida que isso merece apoio do consumidor. Só que depois foi descoberto que a laranja era mais do mesmo, fornecida por uma multinacional.

Já deu para perceber que sou bem ingênuo, não é? Me emociono fácil e acredito numa boa história. Ou talvez eu apenas queira de fato consumir produtos que tenham valores que eu defendo como cidadão e, portanto, como consumidor.

Procuro levar essa mesma crença a sério como empreendedor. Por isso, um dos ingredientes que eu levo em conta no meu negócio é a autenticidade: tudo o que está envolvido no Pastifício Primo – da matéria-prima dos nossos alimentos à decoração de nossas lojas, passando pela linha de comunicação e pelas referências que fazem o estilo de nossa empresa -, tudo está genuinamente relacionado ao que eu gosto, uso e acredito.

Porque storytelling, para se perpetuar, precisa que a “story” seja verdadeira. O “telling” é consequência.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastifício Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor.

O que vai ser tendência na gastronomia mundial

7 de julho de 2016

Acabo de voltar da 62º Summer Fancy Food, que levou a Nova York 3670 expositores de todo o mundo, mostrando 180 mil produtos, as novidades na gastronomia, sabores, tendências, ingredientes, temperos, matéria prima e tudo o é relacionado com comida.

Neste ano, o evento teve 46 mil visitantes, de praticamente todos os países do mundo. O Brasil esteve representado por poucos expositores, e poucos participantes – bastante compreensível pelo momento atual de retração.

A sensação boa que eu tive é que a gastronomia de vanguarda no Brasil está bem sintonizada na busca de alimentos mais saudáveis, de origem não industrial, produtos feitos por pessoas com história e comprometimento, que é o que esteve mais em evidência na feira. Ou seja, acredito que não existe mais um abismo entre o Brasil e os EUA no que se refere à busca de uma melhor alimentação.

Mas percebi, sim, algumas diferenças brutais no acesso que pessoas comuns tem a todas estas novidades saudáveis. Fica evidente que o consumidor estadunidense consegue bancar uma grande quantidade e diversidade de pequenos produtores através do poder aquisitivo, do consumo, fazendo possível que tendências se consolidem e não sejam apenas modas passageiras, ou para poucos, como acontece no Brasil.

A nota curiosa e de minha total alegria é que o produto que ganhou o prêmio de inovação foi… massa!

O que mais se destacou, na minha opinião:

PLANT BASED
São os alimentos de origem vegetal (legumes, cereais, vegetais, frutas, flores e tudo o que se possa imaginar) e – muito importante – orgânicos e não modificados geneticamente. É como se os veganos estivessem com todos os desejos realizados, com lanches, sorvetes, leites, doces e uma infinidade de alimentos destacando que são 100% de origem vegetal e não-transgênicos – o grande inimigo da vez são os transgênicos. Ou seja, não adianta ser de origem vegetal, tem que ser orgânico e não-transgênico. Foto: Leite de macadâmia, da Austrália, da Nova Zelândia ou Havaí. Sabor excepcional, cremosidade, perfeitamente capaz de converter um fã de leite de vaca em vegano em instantes.

CANNABIS
Sim, a maconha na gastronomia não chega a ser novidade, mas agora está chegando com força total e numa diversidade enorme de produtos.E a cannabis está presente em tudo: leite vegetal com cannabis (orgânica e não-transgênica), nos flocos, nos iogurtes, nos biscoitos, no óleo de cozinha. Importante ressaltar que é uma variedade de Sativa sem o THC, que é o componente “chapante”. Fazer receitas com cannabis deixou de ser coisa de maluco beleza para se transformar num ingrediente com alto índice de proteínas, e além de ter o sabor e aroma valorizado.

SUPER LOCAL
Estamos falando das hortas em cima dos prédios de grandes cidades, como Nova Iorque e Chicago, e estufas de cultivo em áreas urbanas. A filosofia é usar áreas de baixo custo em grandes cidades (os telhados de edifícios ou fábricas), e assim evitar o transporte de alimentos em grandes distâncias, principalmente alimentos que contém muita agua, como a batata e o tomate, com 95% de agua. Hoje a plantação nos telhados dos prédios é um negócio não apenas rentável, como promove muitas pesquisas de cultivo sem o uso de agrotóxicos, usando insetos de controle, por exemplo. O “superlocal” é um conceito muito querido por nós, e que tem muito a ver com o trabalho que fazemos em todas as unidades do Pastifício Primo produzindo massas localmente.

O pensamento mais bacana que escutei do William Rosenzweig, da Food Business School: a produção de alimentos vai ser – se é que já não é – a mais importante ferramenta para a paz mundial. A humanidade precisa de alimento em primeiro lugar. Amém.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastifício Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor