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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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O avanço das mulheres no empreendedorismo

2 de outubro de 2017

Dados recém divulgados  pelo GEM – Global Entrepreneurship Monitor – revelam que a separação entre homens e mulheres empreendedores está diminuindo a passos largos no mundo, e em especial no Brasil.

Donna Kelley, professora do Babson College e coautora do estudo, celebra a magnitude da contribuição global das mulheres para o crescimento e bem-estar de suas sociedades através da geração de empregos, produtos e serviços.No ano passado, 163 milhões de mulheres iniciaram o próprio negócio.

Foram pesquisados 63 países, entre eles o Brasil, e comprovado que entre 2015 e 2017 a atividade empreendedora entre mulheres subiu 10%. Neste período, a diferença percentual entre homens e mulheres diminuiu para apenas 5%, na média mundial.

No Brasil, o avanço foi ainda maior: junto com Indonésia, Filipinas, Vietnam e México, as mulheres brasileiras tiveram iniciativa empreendedora igual ou maior que os homens!

Algumas informações que se destacam no relatório:

- Quanto maior é a educação e a renda familiar da mulher, diminui sensivelmente a participação feminina em empreendimentos.

- Ao mesmo tempo, quanto maior é a educação e a renda familiar das mulheres, menor é a taxa de mortandade de negócios dirigidos por elas.

- Nas economias menos desenvolvidas, o percentual de mulheres que citam a necessidade como motivo primordial para empreender é 20% maior que dos homens.

- Por outro lado, o percentual de mulheres que tem iniciado negócios inovadores é 5% superior ao de homens.

E o Brasil é citado em várias partes do relatório:

- No Brasil, o maior percentual de mulheres empreendedoras ocorre entre 25 e 34 anos. Depois há uma queda brusca de participação feminina.

- Um outro dado relevante que diz respeito ao Brasil é que apenas 6% das mulheres empreendedoras têm ensino superior completo.

- 25% das mulheres empreendedoras no Brasil estão no chamado auto-emprego.

- Na América Latina, números contrastantes nas expectativas: enquanto na Colômbia 35% das mulheres tem ambição de crescimento quando comparados com homens, no Brasil esse percentual é de apenas 2%, um dos mais baixos do mundo.

- As brasileiras têm 5 vezes mais participação do que os homens em negócios de educação, saúde e bem-estar social.

- 91% dos novos negócios iniciados por mulheres nos últimos 2 anos fora financiados pela família. É o percentual mais alto do mundo, segundo a pesquisa.

Os números da pesquisa são bastante contraditórios e mostram que não existe uma medida única, uma solução única para todos os problemas enfrentados pelas empreendedoras ao redor do mundo. O Brasil mostrou alguns números ótimos, e outros bem ruins, provavelmente devido ao recrudescimento da crise em 2016. Temos bastante trabalho à frente.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

O melhor de empreender

25 de setembro de 2017

Tenho escrito diversas e repetidas vezes sobre as dificuldades de empreender, e pode até parecer que desejo afastar as pessoas da ideia de iniciar seu próprio negócio. Mas o meu objetivo é apenas alertar os desavisados – aqueles que acreditam que irão ficar ricos com pouco esforço – e ajudar a preparar melhor os que estão prestes a iniciar – ou já estão no meio – a jornada se empreender.

Mas hoje quero falar sobre coisas boas, o outro lado da moeda, sobre como empreendedor pode mudar a sua vida. E, se você está interessado em ser dono do próprio negócio, este pode ser o melhor momento de começar: na crise.


Aqui estão algumas das melhores coisas se ser empreendedor:

– No controle das horas: quando se é empregado, se trabalha um número limitado de horas, e os ganhos também são limitados pela própria característica do arranjo entre as partes. Mas quando se é dono do próprio negócio, passam a valer as suas regras, as suas horas, e isso é libertador.

- Dono do dinheiro: quando se trabalha para outros, é normal que a remuneração seja sempre controlada. Por outro lado, quando o negócio é seu, começa uma verdadeira relação de causa e efeito nos ganhos (e nas perdas) e nada se compara à sensação de construir um negócio desde o zero e ver ele prosperando.

– Novas conexões: o empreendedor interage em todos os níveis de negócio e, ao desenvolver a visão holística de gestão – que inclui até mesmo a vida pessoal, enriquece sua jornada de vida. Na busca de soluções, conhece outros empreendedores, lideres, influenciadores e a sua reputação e credibilidade vai crescer, trazendo significado na comunidade, o que é muito gratificante.

– Experiência de valor: o aprendizado é muito exclusivo, principalmente em matéria de liderança e tomada de decisão com alto stress. Este conhecimento é muito raro, e mesmo que tudo de errado, tem grande valor profissional e pessoal para a próxima etapa de vida.

- Uma vida rica de lembranças: não subestime o poder subjetivo das experiências adquiridas. A busca da felicidade pode ser a felicidade em sí. Assim como lembramos de viagens por muitos anos, também nos lembramos de uma vida rica de e aventuras.

Como podem ver, os ganhos potenciais ao empreender são muito maiores do que dinheiro: é a própria satisfação com a vida.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

O bom e barato

18 de setembro de 2017

Boas novas são raras nestes dias, por isso ficamos super excitados e felizes na sexta-feira quando recebemos a noticia de que o Pastifício Primo é um dos 3 finalistas Comer e Beber Melhores de São Paulo, da revista VejaSP, na categoria Bom e Barato. O vencedor vai ser conhecido no próximo dia 23.

Além do destaque em si, é uma grande alegria sermos indicados na categoria Bom e Barato, que é um respiro em meio ao “raio gourmetizador” que atingiu tantas operações gastronômicas – muitas vezes parecendo apenas um pretexto para salgar os preços. Temos trabalhado para manter nossos preços em níveis sensatos, sem nunca renunciar à qualidade. No meio da crise que vivemos, pode ter elogio maior do que ser chamado de bom e barato?

Quando se trata de nosso oficio artesanal, de fazer comida com significado, eu confesso: somos muito competitivos (e muito exibidos também!). Ficamos orgulhosos quando somos premiados, reconhecidos e valorizados. Por isso compartilho a vibração que estamos sentindo.

Na cidade que tem o segundo maior número de restaurantes do MUNDO, é uma pequena façanha aparecer, se destacar e – principalmente – se manter na Primeira Divisão da gastronomia. A competição é muito grande, e o funil, estreito. O público paulistano e os críticos da grande mídia são extremamente exigentes, não brincam em serviço. E nós adoramos tudo isso.

Eu acredito que a explicação para manter uma alta performance é simples, e já foi mencionada diversas vezes nas minhas postagens sobre empreendedorismo : são as pessoas. É tudo sobre as pessoas. Sem equipe não há prêmios. Sem clientes não há prêmios. Sem fornecedores, não há prêmios.

Para encerrar, um pequeno histórico dos prêmios do Pastifício Primo: em 2013 Melhor Rotisseria da VejaSP (inauguramos a categoria “Rotisseria”). Neste ano também ganhamos Melhor Rotisseria do jornal Folha de São Paulo. Em 2014 conquistamos o prêmio Melhor Rotisseria VejaSP no Voto do Público. Desde então estamos sempre entre as melhores. Uma honra em servir.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A odisseia de empreender

11 de setembro de 2017

Quer ser um empreendedor? Pois prepare-se para uma odisseia em tempo real. Empreender é uma jornada de incertezas e peripécias. É também uma divertida aventura, um estilo de vida de longa linhagem na humanidade: de migrantes, mercantes, navegantes, astronautas – todos, ao seu modo, em seu tempo, empreendedores.

Acredito que três importantes qualidades fazem a pessoa estar pronta para empreender, com boas chances para tocar um negócio (qualquer negócio) com sucesso. Não sei bem se são características adquiridas ou naturais. Talvez um pouco de cada, aprimoradas  através da experiência (tentativa e erro) e do autoconhecimento:

1 – Flexibilidade para se adaptar rapidamente aos desdobramentos de qualquer assunto.
2 – Resiliência para se recuperar, física e emocionalmente, de um dia (ou um ano) duro.
3- Aprender rápido (ou morrer), pois a Flexibilidade e a Resiliência um dia acabam, né gente.

Quando entrevisto os nossos futuros franqueados, minha primeira tarefa é detalhar as dificuldades do dia a dia de uma empresa. Enumerando os problemas diários, descrevo o cansaço com que terminamos alguns dias cheios de suor e pouco charme. Falo de tudo aquilo oculto sob o canto da sereia de ser seu próprio chefe. Falo como, donos do próprio negócio, trabalhamos muito mais do que em qualquer emprego (algo que, por incrível que pareça, alguns acreditam que será ao contrário!). E falo do pouco dinheiro que retiramos de imediato, pois tudo é a longo prazo – e nada é garantido. Alguns se assustam e desistem nessa etapa, o que é normal quando não se está pronto ou apto. De fato, deve ser a entrevista de venda de franquia mais anti-comercial que você poderia imaginar. Mas, veja bem, o meu objetivo nesse momento não é vender, e sim selecionar um bom parceiro, que será um colega de jornada e de negócios. É um momento fundamental para todos.

Os que passam desta etapa muito me interessam. Procuro justamente os que têm gosto pelo desafio. Aqueles que preservam o brilho no olho, os que querem saber mais, que têm fome de conhecimento, que percebem que é nas tempestades e dificuldades desta jornada que poderão exercitar seus talentos e capacidades, e assim ter a chance de expressar seu potencial, construir, fazer acontecer. Quando vamos iniciar um novo negócio, empreender a jornada, não há espaço para arrependimentos e nem volta atrás. Um pouco trágico? Às vezes. Heroico? Sem dúvida! Por isso mesmo que Odisseu (Ulisses) tem tudo a ver!

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Combinação mágica: food + design

4 de setembro de 2017

Vira e mexe me pedem indicações de cursos de alta performance com foco em empreendedores da gastronomia.

Pois agora em outubro começa um curso inédito no Brasil, e que vale a pena recomendar: o Food Design do IED – Istituto Europeo di Design São Paulo.

A proposta de imediato me atraiu: o estudo dos processos que geram alto valor agregado no negócio de alimentação. Isso significa, entre alguns dos pontos abordados no curso, percorrer a gestão, o mercado, o consumidor, o produto, a embalagem, a marca, as mídias, a logística, as ferramentas, etc. O Food Design tem como objetivo alinhar todos estes vetores em um sistema holístico e eficiente. E, o mais importante, transformar tudo isso num negócio produtivo e rentável.

Entrevistei o coordenador do curso, o argentino Christian Ullmann, que tem um currículo de alto nível: formado em Desenho Industrial pela Facultad de Arquitectura, Diseño y Urbanismo de la Universidad de Buenos Aires, na Argentina. Atua como designer, consultor e coordenador de projetos no Brasil para empresas, governos e instituições desde 1996, e seus produtos e projetos receberam prêmios na Itália, Espanha, Brasil e Argentina. É coordenador do Núcleo Exploratório de Design do Istituto Europeu di Design desde 2015.

Christian afirma – e concordo com ele – que “desenhar um alimento significa tornar o ato de comer mais completo, saberes e sabores se amalgamam em relação a uma perspectiva sociológica, antropológica, econômica, cultural e multissensorial”.  Os professores convidados são uma atração à parte, pois trazem a experiência acumulada ao longo de muitos anos e tem a capacidade de resumir isso aos alunos.

O curso tem duração de um ano, com aulas nos finais de semana alternados, o que permite que profissionais atuantes, pessoas que trabalham, ou de fora de São Paulo, possam participar, e um módulo final em Barcelona. Resumo:

Cultura alimento e Design – Conhecimento dos aspectos culturais relacionados ao ato de se alimentar e introdução das ferramentas do Design para um pensamento crítico deste universo.

Tecnologia e Negócios – Desde a visão do Pensamento de Design: pesquisa e desenvolvimento de estratégias para negócios gastronômicos, de grande ou pequena escala, bem como o desenvolvimento de acessórios e complementos.

Projeto : Food Design Experience – Aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, observando oportunidades de mercado e desenvolvimento de serviços.

Módulo internacional- ampliar o conhecimento do Food Design em um contexto europeu, com práticas consolidadas. Desta forma, o aluno traz o conhecimento de práticas assertivas ao seu projeto, em um processo de benchmarking. A sede escolhida foi Barcelona por misturar elementos da cozinha francesa, espanhola, mediterrânea com Turismo, Arte e Hospitalidade de forma contemporânea. Barcelona se tornou um ponto de referência internacional para o universo do design, alimentos, gastronomia, turismo e eventos.

O Istituto Europeo di Design foi inaugurado em 1966, na Itália, e se apoia na síntese do pensamento do seu fundador Francesco Morelli: “saber e saber fazer”. Nada mais apropriado para um empreendedor. Para saber mais detalhes, confere o link.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Sorria, você está sendo filmado!

28 de agosto de 2017

Tem um ancestral provérbio chinês que diz: “O homem que não sabe sorrir não pode abrir uma loja”.

Sabe-se lá quando nasceu esta expressão – e em quais circunstâncias – mas ela é tão antiga que, certamente, foi pensada e dita em uma época em que ainda não havia redes sociais, marketing, arquitetos de lojas, vitrinistas, storytelling e tantas outras ferramentas que se usa hoje para ajudar a atrair clientes.

E, mesmo hoje, não existe lição mais valiosa e certeira para quem quer ser empreendedor: nada supera a qualidade de atendimento. Saber ou não saber sorrir, no sentido metafórico, faz toda diferença no sucesso de um negócio.

Quando lidamos com o cliente, é preciso saber sorrir mesmo quando se está com uma dor de cabeça infernal, depois de um dia cheio de problemas no negócio. Mesmo quando recebemos críticas e reclamações; ou quando não existem tantos motivos para sorrir quanto se gostaria. Mesmo – e talvez principalmente – quando o cliente é chato.

Um negócio, do jeito que eu conheço e pratico, é gente na frente (o cliente) gente ao lado (os colaboradores) e gente atrás (os fornecedores). É gente por todo lado.

‘Saber sorrir’ é um talento? Ou uma atitude de vida?

Nem todo mundo traz esta ferramenta entre os “aplicativos pessoais”, mas um pouco de dedicação pode resolver. Desenvolver o sorriso pode exigir treinamento e, acima de tudo, acredito que é preciso gostar de gente, um interesse genuíno pela outra pessoa, empatia. Pense bem nisso antes de empreender.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

5 mitos sobre empreendedorismo

21 de agosto de 2017

Empreender é o sonho de muita gente que quer abandonar emprego e iniciar o seu próprio negócio ou mudar de vida. Sair da zona de conforto para colocar a sua ideia de serviço ou produto no mercado dá um certo medo – o que é bem compreensível.

Recebo toda semana algumas perguntas via e-mail – todas muito interessantes e que procuro responder, sempre que possível, de forma direta. Selecionei 5 perguntas que considero universais, e que valem a pena debater e desmistificar, pois são preocupações de toda pessoa que quer iniciar o próprio negócio.

1.     Um leitor, empregado insatisfeito em uma multinacional, quer saber se, iniciando o próprio negócio, ele poderia ganhar mais dinheiro do que como empregado.

Depende. Se o negócio dá certo, o ganho pode ser maravilhoso e rápido, e 5 anos de prosperidade podem valer por 20 anos de salários de seu atual emprego. Mas se o negócio dá errado, significa perder poupança, fazer dívidas, vender patrimônio, envolver a família, não honrar garantias. A despesa é toda do empreendedor. Ou seja, prepare-se para a guerra, faça um plano, treine, aprenda. Minha dica: não entre no empreendedorismo só pelo dinheiro, encontre primeiro o seu sonho.

2.     Estudante de arquitetura, com desejo de abrir um site de venda online, pergunta o que é mais difícil, depois de abrir a loja.

Manter um negócio aberto é muito mais difícil do que abrir. Sempre é bom lembrar que, no Brasil, o índice de mortalidade de empresas em 5 anos é mais de 60%. Para manter um negócio aberto é preciso aprender rápido a encontrar os clientes. Muitos negócios que fazem produtos e serviços ótimos, não conseguem que os clientes cheguem na loja. Google e Facebook estão cada vez mais complexos e caros. Minha dica: se as pessoas não sabem que você existe, as pessoas não virão e o negócio morre. Comunique-se!

3.      Uma professora pergunta se empreender é mais fácil do que o trabalho atual dela.

Claro que cada trabalho é diferente, e sem dúvida que lecionar é uma das atividades mais complexas e desgastantes que existem, e com remuneração aviltada. Mas antes de acreditar que empreender é o paraíso, olhe com cuidado, pois quando você é o empreendedor é preciso fazer muitas mais tarefas que até pouco tempo atrás eram totalmente desconhecidas. São vários trabalhos diferentes e assustadores ao mesmo tempo: produzir, administrar, vender, limpar, atender RH, pagar as contas, negociar com bancos, negociar com fornecedores, visitar sindicato, fazer demissões e etc. Quando se começa não se tem dinheiro para contratar profissionais para cada um desses setores. Minha dica: o EMPRETEC do Sebrae é um curso sensacional para quem quer descobrir e desenvolver o empreendedorismo

4.     Bancário comenta que, ao empreender, ele pretende trabalhar menos e organizar a própria agenda.

Esse é um mito muito comum de quem quer ser empreendedor, e eu posso garantir que não vai rolar. Ou melhor, posso garantir 24 x 7 dias de agenda ocupada e trabalho sem parar por um bom tempo. Quando um negócio está em fase inicial, o empreendedor precisa estar dedicado ao negócio o tempo todo. Grandes ideias precisam se concretizar, precisam serem realizadas, precisam de muito esforço para que aconteçam e se transformem em valor. Minha dica: nunca entre num empreendimento querendo trabalhar menos, pois a expectativa nunca vai ser realizar. Procure empreender no que gosta, e nem vai sentir o cansaço.

5.     Um atleta profissional, chegando em idade onde precisa de outras opções profissionais de vida, considera a opção de empreender e quer saber se vai ter liberdade.

Essa é uma pergunta complexa, mas de resposta muito simples. O empreendedor de sucesso vai assumir muitas responsabilidades, e vai ter que dedicar-se de corpo e alma ao negócio. Isso pode parecer pouca liberdade para alguns. Mas, por outro lado, a realização de sua ideia, e a construção de um negócio de seu jeito pessoal, com sua cultura, sua filosofia de trabalho e seus valores éticos, traz uma satisfação pessoal que poucos conseguem de outro jeito. A formação de uma equipe de trabalho, o relacionamento com os clientes e fornecedores, enfim, tudo aquilo que significa ser o líder de um empreendimento, é uma das sensações mais libertadores que existem. Quem tem a disciplina de atleta, sabe do que estou falando.Minha dica: se como cantava Renato Russo, disciplina é liberdade, e a liberdade de fazer o que se quer vem com um preço. Empreender é liberdade.
Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Precisamos falar sobre sonegação

14 de agosto de 2017

Na semana passada muito se falou da intenção do governo de aumentar impostos. Claro que houve grande objeção de todo lado – inclusive minha, manifestada numa entrevista para a TV.

Nos últimos anos, os brasileiros estão fazendo um sacrifício atrás do outro para pagar a conta dos descontroles de nossos governantes, e provavelmente ainda teremos muito a ralar antes de colocar o Brasil nos trilhos. Principalmente as classes média e baixa, que viram perder empregos, poupanças, oportunidades, desejos, sonhos, faculdade dos filhos, enfim, muita coisa duramente conquistada foi por água abaixo.

Por isso, o governo, antes de continuar esfolando o brasileiro com novos tributos, deveria fazer seu trabalho. Por exemplo, vejo uma enorme quantidade de dinheiro público sendo sonegada nos pequenos e médios comércios e serviços. Me refiro àqueles lugares que não dão nota fiscal de forma espontânea, que têm que pedir por favor para dar a nota, e ainda olham feio pelo trabalho “a mais”.Você, leitor, já deve ter lembrado de alguns lugares assim, eu aposto.

O sonegador, além de cometer um crime, sabota o desenvolvimento das melhorias sociais e econômicas, que dependem justamente dos tributos. E também pratica concorrência desleal, guardando o tributo sonegado em benefício próprio, ou usa como um diferencial competitivo nos preços, roubando clientes de quem paga impostos legítimos.

Quando o consumidor dispensa a nota fiscal, sem querer termina por ser conivente. O cidadão precisa ser consciente desta pequena ação cívica: pedir sempre a nota fiscal. Fornecer nota fiscal não é um favor, é uma obrigação em qualquer compra de produto ou serviço!

Minha sugestão seria que o governo – que é “o cara” que controla que as regras sejam cumpridas – cobrasse de quem não paga impostos, antes de continuar inventando mais impostos em cima de quem paga.

E fica o alerta: no final do dia, quem paga qualquer aumento de impostos é a população, ou seja, o consumidor, aquele que compra qualquer produto ou serviço, ou seja, todos nós. É  uma ilusão – que alguns insistem em acreditar – de que que paga o imposto é o empresário. O empresário nada mais é de um intermediário do imposto, que é transferido no final da conta.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A importância de se manter otimista

7 de agosto de 2017

Eu acredito que o otimismo é uma das forças mais importantes para levar adiante qualquer projeto ou empresa. O brilho nos olhos é fundamental quando vamos buscar capital, para conquistar clientes ou na hora de contratar os melhores funcionários.

O entusiasmo gerado pelo otimismo pode gerar também uma motivação contagiante e capaz de transformar uma ideia numa realidade. O otimista olha o copo pela metade, e convence todos ao seu redor que o copo está meio cheio.

Ser empreendedor e ser otimista são praticamente sinônimos. Porém, ao longo do tempo – e das crises – pode acontecer do pessimismo aparecer. Ser empreendedor é intenso e excitante, mas é também difícil e muitas vezes assustador. Quando tudo parece jogar contra, quando o copo começa a ficar meio vazio, é hora de ligar o alerta amarelo e redobrar o cuidado para não perder o foco positivo.

Eu acredito que o otimismo começa pela liderança, e se propaga por toda equipe através de intensa comunicação. O objetivo é que seja enraizado na cultura da empresa, reverberado por todos, até mesmo por fornecedores e clientes. É o que faz a empresa perseverar nos momentos difíceis e encontrar soluções para os problemas.

Nestes tempos de crise, cultive o otimismo, mantenha a mente positiva.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

7 razões para não comer fora de casa

31 de julho de 2017

Quando iniciei o Pastifício Primo, em 2010, eu não imaginava algumas das coisas que aconteceram e que ajudaram – e continuam ajudando – nosso negócio a prosperar.

Naquele momento, recém-chegado a São Paulo, eu estava procurando fazer a melhor massa do mundo, treinar a equipe, conquistar a confiança de nossos clientes e atender o máximo de pedidos – uma massa e um molho de cada vez. Eu apenas enxergava esses objetivos simples, que eram a parte visível no dia a dia de uma pequena loja/fábrica artesanal de comida.

Mas havia outras coisas interessantes acontecendo – que hoje podemos chamar de tendências – no mundo da gastronomia e no consumo de alimentos, e que estavam “cozinhando” em fogo lento, esperando o momento mágico de serem descobertas pelo grande público. Uma delas – a principal delas para o nosso negócio – é o chamado “home food” (comer em casa).

Acredito que seja provável que esta tendência, ainda tímida no Brasil no começo dos anos 2000, tenha sido acelerada por conta da crise de 2009 – e que se repete na crise atual. Uma combinação do desejo/necessidade de gastar menos, mas sem abrir mão da qualidade adquirida.

Portanto, as pessoas passaram a comer mais – e melhor – em casa, criando essa demanda por alimentos preparados com comprometimento, com filosofia, com responsabilidade, permitindo assim o surgimento de uma geração inteira de novos artesãos e pequenos negócios para atender essa demanda. E o Pastifício Primo floresceu no meio disso tudo.

Outro ingrediente importante foi o crescimento da percepção de que o alimento está diretamente relacionado com a saúde. Assim, as pessoas passaram a questionar mais o que estão consumindo, passaram a evitar comidas industrializadas que, mesmo mais baratas, representam uma ameaça ao bem-estar de si mesmo e das pessoas queridas. Esse é um assunto muito sério, e que voltarei a tratar num futuro próximo.

E podemos ir além, na arquitetura das casas, por exemplo. Antigamente as casas e apartamentos tinham a cozinha separada da sala de visitas ou da sala de jantar, e muitas vezes eram simplesmente a parte mais feia da casa! Já as cozinhas de hoje são espaçosas, confortáveis, lindas, iluminadas, e geralmente se transformam no centro de qualquer festinha.

Outra comparação necessária é que antigamente a maioria das pessoas considerava cozinhar uma obrigação, um “fardo” relegado, sempre que possível, para as empregadas. E, sempre que havia uma ocasião especial para celebrar, como um aniversário, ou uma formatura, ou um jantar romântico, a moda era reservar um restaurante. Havia famílias que tinham mesa garantida em restaurantes todo domingo, e agora recebem toda a família em casa, cada um preparando e exibindo orgulhosos seus pratos preferidos.

Assim, o ato de cozinhar e compartilhar a mesa foi redescoberto de forma lúdica, uma atividade calmante, zen, um ato de amor. E cozinhar em casa se consolidou como um estilo de vida.

Isso porque há muitas vantagens no home food, e eu analiso 7 que me ocorrem agora:

1. É mais em conta. Cada um leva um ingrediente, um prato, ou um par de garrafas de vinho. Uns levam a sobremesa. Outros levam o pão e antepastos. Chamar os amigos em casa para um almoço ou jantar é algo divertido, além de ser muito mais econômico que um restaurante. Por um instante imagine a conta num restaurante bacana, com uma turma de 10 a 15 amigos, adicione 10% de serviço e mais o valet. Imaginou? Pois é. Dá pra fazer de vez em quando, mas nem sempre.

2. Visitar as casas dos amigos. Parece coisa de cidade do interior, mas de fato está acontecendo em São Paulo! O almoço de domingo pode ser um dia na casa de um, depois o jantar é na casa do outro. Isso permite trocar receitas, conhecer novas culturas urbanas e, acima de tudo, comer bem. Se for beber, Uber, taxi ou bike são a solução. Manter a vida simples é um mantra somente possível com a prática.

3. Faça você mesmo. Hoje em dia, as pessoas não precisam cortar lenha no mato, nem sair para caçar, né? Não construímos a casa com as mãos, nem consertamos o próprio carro – e tem quem não saiba trocar um pneu. Numa grande cidade, estamos forçosamente afastados de qualquer ato de “fazer com as próprias mãos”. Mas cozinhar é a nossa salvação, podemos preparar nossa própria comida, escolher os ingredientes, é uma oportunidade simples de resgatar significado ao verbo “fazer”.

4. Descubra uma nova forma de namorar. Era tradicional levar namorada/o para um restaurante badalado, e gastar uma nota para impressionar e nem sempre comer bem. Agora, acredite em mim, poucas coisas impressionam mais – e melhor – do que preparar o jantar em casa, comer com calma, sem o garçom ficar empurrando o couvert ou enchendo a taça para você gastar mais.

5. Coma mais saudável. Comer em casa permite escolher com muito mais cuidado os ingredientes, a higiene e, principalmente, alimentos menos processados, menos industrializados.

6. Declarar a liberdade das filas, dos shoppings e dos valets. Entendo perfeitamente a vontade de conhecer um lugar novo, da moda, e que tem filas quilométricas na porta. Eventualmente pode valer a pena. Mas é um contrassenso juntar a família e se meter numa fila de horas. Principalmente no dia das mães ou no dia dos pais.

7. Por fim, lembrando o velho ditado: lar, doce (e saboroso) lar.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br