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5 mitos sobre empreendedorismo

21 de agosto de 2017

Empreender é o sonho de muita gente que quer abandonar emprego e iniciar o seu próprio negócio ou mudar de vida. Sair da zona de conforto para colocar a sua ideia de serviço ou produto no mercado dá um certo medo – o que é bem compreensível.

Recebo toda semana algumas perguntas via e-mail – todas muito interessantes e que procuro responder, sempre que possível, de forma direta. Selecionei 5 perguntas que considero universais, e que valem a pena debater e desmistificar, pois são preocupações de toda pessoa que quer iniciar o próprio negócio.

1.     Um leitor, empregado insatisfeito em uma multinacional, quer saber se, iniciando o próprio negócio, ele poderia ganhar mais dinheiro do que como empregado.

Depende. Se o negócio dá certo, o ganho pode ser maravilhoso e rápido, e 5 anos de prosperidade podem valer por 20 anos de salários de seu atual emprego. Mas se o negócio dá errado, significa perder poupança, fazer dívidas, vender patrimônio, envolver a família, não honrar garantias. A despesa é toda do empreendedor. Ou seja, prepare-se para a guerra, faça um plano, treine, aprenda. Minha dica: não entre no empreendedorismo só pelo dinheiro, encontre primeiro o seu sonho.

2.     Estudante de arquitetura, com desejo de abrir um site de venda online, pergunta o que é mais difícil, depois de abrir a loja.

Manter um negócio aberto é muito mais difícil do que abrir. Sempre é bom lembrar que, no Brasil, o índice de mortalidade de empresas em 5 anos é mais de 60%. Para manter um negócio aberto é preciso aprender rápido a encontrar os clientes. Muitos negócios que fazem produtos e serviços ótimos, não conseguem que os clientes cheguem na loja. Google e Facebook estão cada vez mais complexos e caros. Minha dica: se as pessoas não sabem que você existe, as pessoas não virão e o negócio morre. Comunique-se!

3.      Uma professora pergunta se empreender é mais fácil do que o trabalho atual dela.

Claro que cada trabalho é diferente, e sem dúvida que lecionar é uma das atividades mais complexas e desgastantes que existem, e com remuneração aviltada. Mas antes de acreditar que empreender é o paraíso, olhe com cuidado, pois quando você é o empreendedor é preciso fazer muitas mais tarefas que até pouco tempo atrás eram totalmente desconhecidas. São vários trabalhos diferentes e assustadores ao mesmo tempo: produzir, administrar, vender, limpar, atender RH, pagar as contas, negociar com bancos, negociar com fornecedores, visitar sindicato, fazer demissões e etc. Quando se começa não se tem dinheiro para contratar profissionais para cada um desses setores. Minha dica: o EMPRETEC do Sebrae é um curso sensacional para quem quer descobrir e desenvolver o empreendedorismo

4.     Bancário comenta que, ao empreender, ele pretende trabalhar menos e organizar a própria agenda.

Esse é um mito muito comum de quem quer ser empreendedor, e eu posso garantir que não vai rolar. Ou melhor, posso garantir 24 x 7 dias de agenda ocupada e trabalho sem parar por um bom tempo. Quando um negócio está em fase inicial, o empreendedor precisa estar dedicado ao negócio o tempo todo. Grandes ideias precisam se concretizar, precisam serem realizadas, precisam de muito esforço para que aconteçam e se transformem em valor. Minha dica: nunca entre num empreendimento querendo trabalhar menos, pois a expectativa nunca vai ser realizar. Procure empreender no que gosta, e nem vai sentir o cansaço.

5.     Um atleta profissional, chegando em idade onde precisa de outras opções profissionais de vida, considera a opção de empreender e quer saber se vai ter liberdade.

Essa é uma pergunta complexa, mas de resposta muito simples. O empreendedor de sucesso vai assumir muitas responsabilidades, e vai ter que dedicar-se de corpo e alma ao negócio. Isso pode parecer pouca liberdade para alguns. Mas, por outro lado, a realização de sua ideia, e a construção de um negócio de seu jeito pessoal, com sua cultura, sua filosofia de trabalho e seus valores éticos, traz uma satisfação pessoal que poucos conseguem de outro jeito. A formação de uma equipe de trabalho, o relacionamento com os clientes e fornecedores, enfim, tudo aquilo que significa ser o líder de um empreendimento, é uma das sensações mais libertadores que existem. Quem tem a disciplina de atleta, sabe do que estou falando.Minha dica: se como cantava Renato Russo, disciplina é liberdade, e a liberdade de fazer o que se quer vem com um preço. Empreender é liberdade.
Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Precisamos falar sobre sonegação

14 de agosto de 2017

Na semana passada muito se falou da intenção do governo de aumentar impostos. Claro que houve grande objeção de todo lado – inclusive minha, manifestada numa entrevista para a TV.

Nos últimos anos, os brasileiros estão fazendo um sacrifício atrás do outro para pagar a conta dos descontroles de nossos governantes, e provavelmente ainda teremos muito a ralar antes de colocar o Brasil nos trilhos. Principalmente as classes média e baixa, que viram perder empregos, poupanças, oportunidades, desejos, sonhos, faculdade dos filhos, enfim, muita coisa duramente conquistada foi por água abaixo.

Por isso, o governo, antes de continuar esfolando o brasileiro com novos tributos, deveria fazer seu trabalho. Por exemplo, vejo uma enorme quantidade de dinheiro público sendo sonegada nos pequenos e médios comércios e serviços. Me refiro àqueles lugares que não dão nota fiscal de forma espontânea, que têm que pedir por favor para dar a nota, e ainda olham feio pelo trabalho “a mais”.Você, leitor, já deve ter lembrado de alguns lugares assim, eu aposto.

O sonegador, além de cometer um crime, sabota o desenvolvimento das melhorias sociais e econômicas, que dependem justamente dos tributos. E também pratica concorrência desleal, guardando o tributo sonegado em benefício próprio, ou usa como um diferencial competitivo nos preços, roubando clientes de quem paga impostos legítimos.

Quando o consumidor dispensa a nota fiscal, sem querer termina por ser conivente. O cidadão precisa ser consciente desta pequena ação cívica: pedir sempre a nota fiscal. Fornecer nota fiscal não é um favor, é uma obrigação em qualquer compra de produto ou serviço!

Minha sugestão seria que o governo – que é “o cara” que controla que as regras sejam cumpridas – cobrasse de quem não paga impostos, antes de continuar inventando mais impostos em cima de quem paga.

E fica o alerta: no final do dia, quem paga qualquer aumento de impostos é a população, ou seja, o consumidor, aquele que compra qualquer produto ou serviço, ou seja, todos nós. É  uma ilusão – que alguns insistem em acreditar – de que que paga o imposto é o empresário. O empresário nada mais é de um intermediário do imposto, que é transferido no final da conta.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A importância de se manter otimista

7 de agosto de 2017

Eu acredito que o otimismo é uma das forças mais importantes para levar adiante qualquer projeto ou empresa. O brilho nos olhos é fundamental quando vamos buscar capital, para conquistar clientes ou na hora de contratar os melhores funcionários.

O entusiasmo gerado pelo otimismo pode gerar também uma motivação contagiante e capaz de transformar uma ideia numa realidade. O otimista olha o copo pela metade, e convence todos ao seu redor que o copo está meio cheio.

Ser empreendedor e ser otimista são praticamente sinônimos. Porém, ao longo do tempo – e das crises – pode acontecer do pessimismo aparecer. Ser empreendedor é intenso e excitante, mas é também difícil e muitas vezes assustador. Quando tudo parece jogar contra, quando o copo começa a ficar meio vazio, é hora de ligar o alerta amarelo e redobrar o cuidado para não perder o foco positivo.

Eu acredito que o otimismo começa pela liderança, e se propaga por toda equipe através de intensa comunicação. O objetivo é que seja enraizado na cultura da empresa, reverberado por todos, até mesmo por fornecedores e clientes. É o que faz a empresa perseverar nos momentos difíceis e encontrar soluções para os problemas.

Nestes tempos de crise, cultive o otimismo, mantenha a mente positiva.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

7 razões para não comer fora de casa

31 de julho de 2017

Quando iniciei o Pastifício Primo, em 2010, eu não imaginava algumas das coisas que aconteceram e que ajudaram – e continuam ajudando – nosso negócio a prosperar.

Naquele momento, recém-chegado a São Paulo, eu estava procurando fazer a melhor massa do mundo, treinar a equipe, conquistar a confiança de nossos clientes e atender o máximo de pedidos – uma massa e um molho de cada vez. Eu apenas enxergava esses objetivos simples, que eram a parte visível no dia a dia de uma pequena loja/fábrica artesanal de comida.

Mas havia outras coisas interessantes acontecendo – que hoje podemos chamar de tendências – no mundo da gastronomia e no consumo de alimentos, e que estavam “cozinhando” em fogo lento, esperando o momento mágico de serem descobertas pelo grande público. Uma delas – a principal delas para o nosso negócio – é o chamado “home food” (comer em casa).

Acredito que seja provável que esta tendência, ainda tímida no Brasil no começo dos anos 2000, tenha sido acelerada por conta da crise de 2009 – e que se repete na crise atual. Uma combinação do desejo/necessidade de gastar menos, mas sem abrir mão da qualidade adquirida.

Portanto, as pessoas passaram a comer mais – e melhor – em casa, criando essa demanda por alimentos preparados com comprometimento, com filosofia, com responsabilidade, permitindo assim o surgimento de uma geração inteira de novos artesãos e pequenos negócios para atender essa demanda. E o Pastifício Primo floresceu no meio disso tudo.

Outro ingrediente importante foi o crescimento da percepção de que o alimento está diretamente relacionado com a saúde. Assim, as pessoas passaram a questionar mais o que estão consumindo, passaram a evitar comidas industrializadas que, mesmo mais baratas, representam uma ameaça ao bem-estar de si mesmo e das pessoas queridas. Esse é um assunto muito sério, e que voltarei a tratar num futuro próximo.

E podemos ir além, na arquitetura das casas, por exemplo. Antigamente as casas e apartamentos tinham a cozinha separada da sala de visitas ou da sala de jantar, e muitas vezes eram simplesmente a parte mais feia da casa! Já as cozinhas de hoje são espaçosas, confortáveis, lindas, iluminadas, e geralmente se transformam no centro de qualquer festinha.

Outra comparação necessária é que antigamente a maioria das pessoas considerava cozinhar uma obrigação, um “fardo” relegado, sempre que possível, para as empregadas. E, sempre que havia uma ocasião especial para celebrar, como um aniversário, ou uma formatura, ou um jantar romântico, a moda era reservar um restaurante. Havia famílias que tinham mesa garantida em restaurantes todo domingo, e agora recebem toda a família em casa, cada um preparando e exibindo orgulhosos seus pratos preferidos.

Assim, o ato de cozinhar e compartilhar a mesa foi redescoberto de forma lúdica, uma atividade calmante, zen, um ato de amor. E cozinhar em casa se consolidou como um estilo de vida.

Isso porque há muitas vantagens no home food, e eu analiso 7 que me ocorrem agora:

1. É mais em conta. Cada um leva um ingrediente, um prato, ou um par de garrafas de vinho. Uns levam a sobremesa. Outros levam o pão e antepastos. Chamar os amigos em casa para um almoço ou jantar é algo divertido, além de ser muito mais econômico que um restaurante. Por um instante imagine a conta num restaurante bacana, com uma turma de 10 a 15 amigos, adicione 10% de serviço e mais o valet. Imaginou? Pois é. Dá pra fazer de vez em quando, mas nem sempre.

2. Visitar as casas dos amigos. Parece coisa de cidade do interior, mas de fato está acontecendo em São Paulo! O almoço de domingo pode ser um dia na casa de um, depois o jantar é na casa do outro. Isso permite trocar receitas, conhecer novas culturas urbanas e, acima de tudo, comer bem. Se for beber, Uber, taxi ou bike são a solução. Manter a vida simples é um mantra somente possível com a prática.

3. Faça você mesmo. Hoje em dia, as pessoas não precisam cortar lenha no mato, nem sair para caçar, né? Não construímos a casa com as mãos, nem consertamos o próprio carro – e tem quem não saiba trocar um pneu. Numa grande cidade, estamos forçosamente afastados de qualquer ato de “fazer com as próprias mãos”. Mas cozinhar é a nossa salvação, podemos preparar nossa própria comida, escolher os ingredientes, é uma oportunidade simples de resgatar significado ao verbo “fazer”.

4. Descubra uma nova forma de namorar. Era tradicional levar namorada/o para um restaurante badalado, e gastar uma nota para impressionar e nem sempre comer bem. Agora, acredite em mim, poucas coisas impressionam mais – e melhor – do que preparar o jantar em casa, comer com calma, sem o garçom ficar empurrando o couvert ou enchendo a taça para você gastar mais.

5. Coma mais saudável. Comer em casa permite escolher com muito mais cuidado os ingredientes, a higiene e, principalmente, alimentos menos processados, menos industrializados.

6. Declarar a liberdade das filas, dos shoppings e dos valets. Entendo perfeitamente a vontade de conhecer um lugar novo, da moda, e que tem filas quilométricas na porta. Eventualmente pode valer a pena. Mas é um contrassenso juntar a família e se meter numa fila de horas. Principalmente no dia das mães ou no dia dos pais.

7. Por fim, lembrando o velho ditado: lar, doce (e saboroso) lar.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Google pesquisa equipes de sucesso

24 de julho de 2017

Uma das iniciativas mais interessantes do Google é o Projeto Aristóteles, que pesquisa o que de melhor e mais genial acontece dentro da imensa empresa, com o objetivo específico de identificar e codificar os segredos das “equipes de sucesso”.

Ou seja, Google quis saber porque algumas equipes são excelentes e outras ficam para atrás, mesmo que os indivíduos que fazem parte de todas as equipes sejam excelentes Para isso, o Projeto Aristóteles acompanhou 180 equipes por 2 anos, e realizou inúmeras entrevistas. Apesar de não encontrar o tão sonhado algoritmo infalível para formar uma equipe perfeita, ficou claro que as melhores equipes não são formadas juntando as pessoas “mais qualificadas” com base no currículo, e sim que uma equipe de sucesso tem inteligência coletiva, ou seja, habilidades que aparecem na colaboração entre os membros.

Julia Rozovsky, gerente de análise de pessoas do Google, fez um favorzão e resumiu as 5 características fundamentais para uma equipe vencedora:

1. Confiança. Os membros da equipe estão comprometidos entre eles, fazem o que têm que ser feito, cumprem prazos, e atendem às expectativas entre si.

2. Estrutura e Clareza. Equipes de alta performance têm metas claras, e as pessoas têm papéis bem definidos no grupo, independente da hierarquia.

3. Significado. O trabalho tem importância essencial na vida de cada membro.

4. Impacto. O grupo acredita que o trabalho tem um propósito para um bem maior.

5. Segurança Psicológica. Isso mesmo, na base de tudo está a segurança. As pessoas que fazem parte das equipes de maior sucesso e eficiência se sentem seguras dentro do grupo. Fácil de entender quando imaginamos uma reunião com pessoas que ficam competindo entre si, e temos medo de sermos apontados por nossos erros, e guardamos ideias ou perguntas importantes por puro desconforto ou timidez. Agora imagine uma situação totalmente diferente, onde todos estão seguros para falar, para errar, para aceitar uma crítica, onde os gerentes criam zonas seguras onde as suas equipes podem baixar a guarda. Isso é segurança psicológica, e faz todo sentido.

Curioso para pesquisar mais? Vale a pena ler o artigo completo no NY Times.
Como disse Aristóteles, homenageado no nome do Projeto do Google, “o todo é maior que a simples soma das suas partes”.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Negócio da (na) China

17 de julho de 2017

Não é à toa que a China está caminhando a passos rápidos para se tornar a maior potência mundial: o pessoal lá não brinca em serviço. Semana passada o governo chinês anunciou mais um pacote de medidas para estimular o que chama de “empreendedorismo de massa”, com descrição detalhada de como pretendem turbinar a inovação e desenvolvimento de empresas.

Conforme divulgação oficial do gabinete do primeiro ministro Li Keqiang, “a promoção do empreendedorismo vai aumentar o emprego, otimizar a estrutura econômica e facilitar os mecanismos de crescimento”.

Um resumo das medidas anunciadas:

- Desburocratizar a abertura e fechamentos de empresas.

- Remover barreiras para setores da economia ainda fechados, citando como exemplo a educação.

- Apoio oficial ao registro de patentes, em especial em setores emergentes.

- Investir na educação universitária, com parcerias da iniciativa privada, para desenvolver centros e inovação e desenvolvimento de estratégias para a economia digital.

- Expansão dos canais de financiamento para startups, inclusive com a criação de fundos de venture capital governamentais.

- Redução nos custos trabalhistas para atrair – e reter – empreendedores e profissionais inovadores, tanto locais como estrangeiros.

- Facilitar que estrangeiros possam residir e trabalhar na China, e empreendedores estrangeiros que queiram iniciar negócios na China terão facilidades.

No artigo “O Clubinho Dos 3 Grandes”, apontei como o Brasil tem muitos elementos únicos em comum com a China e os EUA, mas mesmo assim, tropeçamos em nossas dificuldades políticas e regulamentações. Lendo como a China faz para estimular o desenvolvimento do trabalho e da prosperidade, surge a pergunta inevitável: será que estamos tão para atrás da China e dos EUA justamente pela pouca importância que o Brasil dá ao empreendedorismo?

Repetindo o texto do governo chinês: “a promoção do empreendedorismo vai aumentar o emprego, otimizar a estrutura econômica e facilitar os mecanismos de crescimento”. Agora, o Brasil está esperando o quê para ajudar os empreendedores a fazerem seu trabalho?

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A importância de agradecer

10 de julho de 2017

Parece óbvio, mas dizer “obrigado” é considerado uma ferramenta muito importante nos negócios. O empreendedor Gary Vaynerchuck escreveu um livro chamado The Thank You Economy (A Economia De Dizer Obrigado), onde destaca que as empresas que fazem questão de agradecer a funcionários, clientes e fornecedores – e de forma autêntica – têm um diferencial competitivo importante.

Então vale a pena refletir se a cultura geral de sua empresa está com um pensamento de gratidão. Basta conferir o tom dos e-mails, aquela frase a mais que demonstra verdadeira atenção pela pessoa do outro lado… Ou acompanhar as conversas de sua equipe com algum fornecedor.

Caso o resultado não seja positivo, recomendo olhar para o dono da empresa. Num negócio pequeno ou médio, a cultura da gratidão geralmente começa na base, ou seja, nos donos.

Coletei algumas dicas no livro:

1.      Seja específico. Quando agradecer sua equipe ou funcionários pelo esforço realizado, vale a pena fazer isso de forma pessoal, se possível até individual. Por exemplo: “obrigado por ficar até mais tarde ontem para me ajudar a terminar o trabalho”.

2.      Seja antiquado. Para surpreender um cliente, às vezes um postal enviado pelo correio. Ou uma carta escrita à mão. São gentilezas que demandam tempo e a pessoa que recebe entende a valor do gesto.

3.      Agradeça (e muito!) os clientes que reclamam. Quando um cliente toma o tempo para escrever uma reclamação, é um privilégio. Significa que a pessoa se importa de verdade com o produto ou empresa.

4.      Seja autêntico. De nada adianta agradecer  de forma reativa, friamente. Tome a iniciativa: olhe nos olhos, faça um esforço e, com o tempo, a coisa vai melhorando. Dizer obrigado vira um hábito que melhora a cada dia!

Aliás, obrigado por ler este post!

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Ainda é pouco, Brasil

6 de março de 2017

Uma noticia bacana no Estadão da semana passada é que o prazo médio para abertura de uma empresa vai ser reduzido dos atuais 101 dias para 5 dias. Por enquanto a desburocratização anunciada é apenas em São Paulo, mas espera-se que em breve possa ser espraiada para todo o Brasil.

É bom – ótimo, na verdade. Mas infelizmente ainda não é suficiente para facilitar a jornada dos empreendedores. Principalmente dos pequenos e médios, que são o grande potencial de futuro econômico do pais. Abrir uma empresa é só o pontapé inicial. Todo mundo sabe que o difícil mesmo é manter a empresa aberta. E tem pelo menos quatro pontos importantes que o Brasil precisa mudar com urgência ser quiser mais gente empreendendo, prosperando, criando empregos, gerando impostos e, principalmente, mantendo o negócio aberto:

Imposto. Já sabemos que em 2018 o Supersimples vai ficar “supercomplicado” com uma alteração que estão implementando. Além do mais, o valor do teto para ser enquadrado no Supersimples deveria ser ampliado para permitir que as empresas continuem crescendo. Já escrevi bastante sobre o assunto ponderando que na forma que o tributo é utilizado, as empresas são penalizadas com a mudança tributária brusca e terminam por não querer crescer – reduzindo seu potencial e capacidade de gerar empregos.

Ainda não entendo a dificuldade dos governantes de perceberam que, quando as empresas prosperam, a economia gira e gera empregos, o consumo aumenta, os salários sobem e a dinâmica de prosperidade acontece. A impressão que tenho é que o governo continua insistindo em pegar a parte dele antes de todo mundo, dando uma grande banana pra geral.

Crédito. Um dos grandes papéis do governo deveria ser facilitar o credito para os pequenos empreendedores, pois é algo que os grandes bancos não podem ou não querem fazer. Os pequenos empreendedores geram 45% dos empregos no Brasil, e giram 27% do PIB deste pais. Porém, o que vimos no último ano foi o total corte de credito de quem era um grande aliado do pequeno empreendedor: o BNDES. Através do BNDES o pequeno conseguia comprar matéria prima, comprar pequenas máquinas, fazer investimentos em obras e estrutura e crescer o negócio, de forma simples e com poucos recursos. Mas tudo acabou na lama das denúncias de corrupção, com o mau uso da verba do banco, e sobrou para quem de fato usava o dinheiro para a finalidade correta. Em resumo, foram cortados todos os credito do BNDES. O governo precisa rever urgente esta questão, ainda mais na crise atual, onde o dinheiro nos bancos particulares está cada vez mais caro.

Lei Trabalhista. Nos últimos 70 anos as relações de trabalho – e o conceito de trabalho – mudaram tanto, mas tanto, que algumas das leis criadas dos anos 1940 estão mais atrapalhando que que ajudando o trabalhador, o empreendedor e a sociedade. Não podemos esquecer que o empreendedor e o trabalhador são iguais, pessoas de mesma origem, as mesmas pessoas de mãos juntas procurando a mesma coisa: ter uma vida melhor, digna e próspera. Um precisa do outro, e todo empreendedor foi – ou ainda é – um empregado. O pior é que a lei trabalhista coloca o trabalhador numa guerra contra o empresário e vice-versa, quando deveria promover a justiça. Não são inimigos, como querem nos fazer acreditar. Além do mais, a lei trabalhista é a mesma para uma grande empresa do que para o pequeno empreendedor, sendo desproporcional com uma empresa de 10 funcionários ter as mesmas obrigações de multas de demissão de uma empresa de 10 mil funcionários. Sendo que o pequeno empreendedor não tem os benefícios das grandes empresas, como acontece com a indústria de automóveis, por exemplo. Os custos para demitir os ruins faz que a empresa não consiga contratar – e remunerar bem – os bons. Me parece que o mais urgente é flexibilizar a jornada de trabalho, permitindo que o trabalhador e a empresa possam acordar o quanto trabalhar e quanto receber, seja por dia, por hora ou do jeito que acharem melhor.  E, por fim, se não der certo:

Fechar. No Brasil demoramos em torno de 6 meses para fechar uma empresa, e com um custo médio 44% maior do que abrir. Sem contar que é impossível dar de baixa na empresa caso haja dívida com o Fisco.

Para o governo é muito fácil, pois não arrisca nada e sempre fica com uma fatia importante do trabalho do empreendedor e do trabalhador, se comporta como um sócio predador, que só recebe. Mas na hora que dá errado, bem que o governo poderia dar uma ajuda pelo menos parcelando a dívida e liberando o empreendedor para começar de novo. Recomeçar é uma das grandes forçar do empreendedor, quanto antes, melhor e maior a chance de dar certo.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve nas segundas feiras.

Carta a Jorge Paulo Lemann

27 de fevereiro de 2017

Estimado Sr. Lemann, li matéria muito interessante da ‘The Economist’, publicada no Estadão, e achei oportuno lhe escrever.

A reportagem relata os esforços realizados pela sua equipe da 3G Capital, através da gigante de alimentos Kraft Heinz, na tentativa de adquirir a também gigante Unilever. Ok, não deu certo desta vez. Mas fica claro, pelos elogios que a revista americana faz, que a 3G está revolucionando a indústria mundial de alimentos, implementando nas empresas que adquire a sua cultura, a “mentalidade de dono”.

O que mais que chamou a atenção na matéria, porém, e me fez escrever-lhe esta carta, é a informação de que a indústria mundial de alimentos está passando por mudanças desafiadoras (leia-se dificuldade) pois “é cada vez maior o número de consumidores que buscam produtos mais saudáveis, mais naturais e autênticos” – justamente o oposto do que as gigantes fazem.

Me parece, Sr. Lemann, que em um outro setor de seus negócios –  nas cervejarias – este assunto já está sendo bem encaminhado pelo seu grupo, através de investimentos feitos em algumas microcervejarias artesanais, como a americana Goose Island e a brasileira Wäls, por exemplo, potencializando seu crescimento sem perder a qualidade e a autenticidade, e atendendo ao novo consumidor.

Mas no setor de alimentos, ninguém ainda conseguiu tomar a dianteira e estabelecer um diferencial realmente significativo. A grande indústria continua batendo cabeça tentando encontrar formas de responder à equação de (saudabilidade + autenticidade) x escala = credibilidade/valor. E para qualquer gigante, com o pensamento lento e burocrático, vai ser difícil se agachar o suficiente para olhar olho no olho destes novos consumidores exigentes e bem informados.

É aqui, Sr. Lemann, justamente aqui que estamos nós, do Pastifício Primo. “Produtos mais saudáveis, mais naturais e autênticos”, como definiu a The Economist, é o nosso DNA. Esta tem sido nossa missão desde 2010, quando iniciamos o Pastifício Primo com a desejo de ser uma rede de presença nacional, fazendo massa fresca sete dias por semana, obstinados em oferecer produtos impecáveis, saudáveis e sem aditivos químicos ou conservantes. Passados 6 anos, temos 10 unidades no Brasil – e conforme prometido, fazendo massa fresca todos os dias.

E queremos ir muito além, Sr Lemann, e precisamos de reforços para continuar nossa missão de levar produtos frescos e artesanais para todos os cantos do Brasil, e sem perder nossos valores. Acreditamos que nosso cliente merece um produto cada vez melhor e com o melhor preço. E, para isso, precisamos de músculos, de escala.

Por isso, Mr Lemann, eu lhe provoco: não estaria na hora de a 3G Capital começar a olhar para pequenos produtores artesanais de alimentos como nós em seu portfólio de investimentos? Para atender o consumidor que se mostra cada vez mais avesso às velhas fórmulas industriais de produção de alimentos?

Se você decidir levar a revolução nos alimentos, como a The Economist aplaude, para um outro patamar como você já fez com as cervejarias, quero apenas dizer que estamos aqui. Estamos convictos de que encontramos a direção certa. E sabemos disso pelo suspiro satisfeito de nossos clientes depois de devorar um alimento preparado por nós.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve nas segundas feiras.

 

Empreendedorismo de Necessidade

13 de fevereiro de 2017

Conforme dados do IBGE divulgados no final de 2016, o desemprego no Brasil atinge número recorde de 12 milhões de pessoas da população economicamente ativa. Isso significa 12% da população brasileira que tem condições de trabalho – equivalente a toda a cidade de São Paulo – estivesse parada. São 2 milhões a mais do que em 2015 que, diga-se de passagem, já foi um ano bem difícil.

Com a crise, vejo acontecer o aumento de um fenômeno já conhecido no Brasil: o empreendedorismo de necessidade. Ou seja, iniciar um negócio próprio por pura urgência de sobrevivência econômica.

Isso significa, na maioria das vezes, que o empreendedor novato não está preparado para os desafios de iniciar a própria empresa, aumentando – mais ainda – a enorme taxa de mortalidade de novos negócios, derretendo as economias de muitas famílias no processo.

Algumas características do Empreendedor de Necessidade:

1. Não está pronto. Aquela pessoa que passou a vida toda esperando um momento ideal para se preparar, estudar, fazer um curso de fluxo de caixa – mas não teve ou não deu prioridade, por mil motivos válidos. E agora perdeu o emprego e já investiu toda a poupança no negócio do cunhado.  Caso você já esteja com o negócio aberto, e sentindo que não está pronto, fique sabendo: é normal se sentir assim.

Dica: dedicar algumas horas por noite a estudar as questões pontuais e de rápido retorno (fluxo de caixa, mercado, produto, embalagem, etc). Participar dos cursos do SEBRAE com foco no negócio, assistir vídeos do youtube, enfim, fazer o que for necessário. É correr atrás do que falta, ou morrer. Simples assim.

2. Não tem o dinheiro necessário. Quero deixar claro que não é questão de muito ou pouco dinheiro, e sim de ter o dinheiro suficiente para o que se quer fazer. Abrir um negócio e desconhecer a necessidade de capital de giro pode significar quebrar antes do negócio ter a mínima chance de mostrar a que veio. Ou seja, evite subir uma montanha sem roupa de frio e botas de neve. Não fique viajando de construir um prédio de 100 andares com 100 reais no bolso. E nada de alugar um imóvel de 10 mil por mês sem saber exatamente qual a meta de vendas para pagar este aluguel.

Dica: neste caso, é abrir equilibrado com o capital de giro disponível. Um rascunho de plano de negócios é muito útil nesta hora. Fale com seu contador, que geralmente costuma dar apoio nestes momentos iniciais – e já viu muita tragédia acontecendo.

3. Abre um negócio que não gosta. Ou não entende – só porque acha que dá dinheiro fácil. Quando a pessoa é forçada a empreender rapidamente, desempregado, com as contas batendo na porta, muitas vezes escolhe o negócio pelo motivo mais errado possível para um empreendedor: acha que vai ganhar muito dinheiro – sem ter a mínima ideia do que acontece nos bastidores. O empreendedor bem preparado começou primeiro conhecendo a si mesmo, entendendo seus pontos fortes e fracos, para depois dedicar a energia e tempo naquilo que tem mais facilidade e gosto de fazer. O talento e o preparo vai guiando a direção do tipo de negócio.

Dica: caso você já esteja comprometido com um negócio, e descobriu que odeia o que faz, minha dica é tentar usar a experiência como aprendizado para o futuro. E fazer as coisas de um jeito todo seu, que provoque orgulho, independente de qual seja o negócio. Sempre haverá margem para melhorar e aprender. Força!

4. Copia o vizinho. Só porque o vizinho está indo bem, não quer dizer que outros terão a mesma sorte. Aliás, é mais provável que não. Copiar os outros aumenta as chances de insucesso porque, muito possivelmente, você está entrando em um mercado em que já há concorrentes muito bem estabelecidos (aqueles que você admira, mas dificilmente conseguirá fazer melhor – porque eles chegaram primeiro e já tem mais experiência) ou pode estar perto da saturação. Na maioria dos casos, só o que se consegue é queimar a própria poupança mijando na sopa do outro.

Dica: se você já entrou num negócio de paleteria mexicana, por exemplo, e quer saber como sair da encrenca, procure buscar alguma coisa original dentro de si – ou de sua família ou de seus empregados – alguma coisa (produto ou serviço) com um diferencial competitivo, que possa ser organizado num modelo de negócios simples, e tentar se reinventar a partir desse ponto.

5. É superqualificado. Alguns desavisados realmente acreditam que podem fazer qualquer negócio ser um sucesso, ganhar dinheiro rápido e, de preferência, fácil, só porque tem 2 faculdades, moraram no exterior, e têm um currículo de 10 páginas. Ou eram diretores de multinacional, com 2 secretarias e 10 assistentes, mas não sabiam operar a máquina de café sozinhos. Lamento informar, mas subestimar as dificuldades do negócio próprio é um erro muito comum, principalmente com pessoas que têm uma formação desnecessária para o trabalho, principalmente quando falta humildade. E quando caem no empreendedorismo por necessidade (onde é normal ser faxineiro de manhã, office boy ao meio dia e operador de máquina de tarde) acham que vão ficar “administrando” o negócio desde o escritório.

Dica: reconhecer que, quanto menor o negócio, maior deve ser o envolvimento operacional do empreendedor. Não existe isso de ficar sentado. Não tem essa de ficar mandando alguém fazer. Quem não colocar as mãos na massa, não vai ter massa nenhuma.

6. Acha vai trabalhar menos. Pode ser surpreendente, mas ainda tem gente que acredita que sendo “seu próprio patrão” vai trabalhar menos horas. Depois de perder o emprego, algumas pessoas aproveitam a oportunidade para iniciar seu próprio negócio e fazer as coisas de seu jeito particular. Até aí, tudo normal e saudável. O problema é quando o objetivo do novo empreendimento se resume a encolher a jornada de trabalho. Ainda não vi nenhum caso dar certo.

Dica: encontrar a motivação suficiente para trabalhar 10 a 12 horas por dia, que é a média mínima necessária para dar empuxo a qualquer negócio. Foco na família, nos objetivos, nos seus sonhos, em deixar um legado. Seja qual for a sua motivação, se agarre nela com todas as forças.

Não digo que as pessoas não devam empreender, nem correr riscos – correr riscos é ótimo! O que digo é que as pessoas deveriam estar bem preparadas para o que irão enfrentar. Claro que nem sempre se escolhe o momento, mas sem dúvida que os que estiverem preparados, terão muito mais chance de sucesso.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve toda semana. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br