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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Na lanterna do empreendedorismo

11 de dezembro de 2017

Foi sem surpresa – mas com um bocado de decepção – que vi a posição brasileira no ranking mundial de empreendedorismo Global Entrepreneurship Index (GEI), divulgado dias atrás.

O Brasil mais uma vez apareceu na colocação 98, entre os 137 países estudados pela organização The Global Entrepreneurship and Development Institute (Gedi), com sede em Washington (EUA).

Não só estacionamos (a posição é a mesma do ano passado), como ficamos atrás de países como Namíbia (61), Sérvia (74), Jamaica (89), Gana (93), Bósnia e Herzegovina (95). O levantamento avalia 14 variáveis, como capital humano, competitividade, logística, telecomunicações, inovações de produtos, habilidade das startups e internacionalização.

Como bem lembra a Gedi ao apresentar os resultados do estudo anual, o empreendedorismo é um motor crucial para o crescimento econômico. “Sem empresários e empresários, haveria pouca inovação, pouco crescimento de produtividade e poucos empregos novos”. É o  óbvio dos óbvios, né? Mas parece que os nossos governantes ainda não entendem o verdadeiro valor do empreendedor, desperdiçando fortunas em grandes empresas em vez de olhar para os milhares de pequenas empresas que geram 48% dos empregos do Brasil e servem como um excelente e natural distribuidor de renda. O empreendedorismo não existe no vácuo: é preciso um ‘ecossistema’ mínimo, que envolve atitudes, recursos e infra-estrutura onde possamos desenvolver nosso trabalho.

E, neste sentido, não espanta que estejamos estacionados – e, pior, numa posição vergonhosa: confusão trabalhista, pesado sistema tributário, a instabilidade política, a falta de crédito, o excesso de leis e a burocracia, o Brasil não está sendo mesmo um ambiente amigável para empreender.

A consequência está aí: economia com pífio crescimento de 0,1% em um trimestre – como foi o último. E poderia ter sido muito pior. Alguém pode ajudar a mudar isso?

 
Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A rede empreendedora sustentável

28 de novembro de 2017

 

 

Uma das grandes satisfações que tenho no dia a dia é o contato direto, no balcão, com as pessoas que frequentam as lojas. Tenho um interesse genuíno pela vida de cada um, que me enriquece, e termina por desenvolver amizades e ótimos encontros. Esses contatos fortuitos com clientes – às vezes são alguns segundos, uma frase; e outras vezes rende vários dias de conversa – seja de receitas, de viagens, e da vida em geral, me trazem grande prazer, sendo um grande bônus do trabalho.

Nesses encontros do acaso, na semana passada conheci a Glória Andrade, empreendedora de sucesso na área de eventos. A Glória me contou que a filha passou a não comer carne em certo momento, e isso aprofundou a curiosidade dela nesse mundo do alimento saudável: de onde vem, como chega até o consumidor, onde está o produto, etc. “A dificuldade de encontrar as informações organizadas é enorme, é tudo na sorte do Google”.

Acompanhando os interesses da filha, Gloria começou a pesquisar, experimentar, conhecer pessoas e projetos criativos, e o lado empreendedora dela começou a formatar uma ideia – vinda da própria necessidade de informações – de conectar pessoas interessadas numa alimentação saudável, como ela e a filha, com as empresas que compartilham os mesmos valores.

Assim surgiu a primeira plataforma digital – em parceria com a Safra Digital – com propósito de reunir empresas que priorizam o uso de recicláveis, orgânicos, não poluentes, naturais, em sintonia com o meio ambiente, chamada Maria Conecta.

Fiquei fascinado no projeto, pois me identifiquei tanto como consumidor quanto como empresa, e achei ótima a iniciativa de poder encontrar mais empresários com as mesmas afinidades – e construir parcerias em busca de custos, de novidades, de informação. Virei fã e apoiador imediato.

Fica o convite a empreendedores e consumidores, de visitar a plataforma, fazer contato, levantar a bandeira abraçar esta causa, que vale a pena.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Sejamos como a água, que passa pelas fendas

19 de novembro de 2017

Sempre digo que um empreendedor precisa de um grande capital de informação. Informação é alimento de primeira necessidade. Mas precisa, ainda mais, de largos estoques de inspiração.

Quando falo de inspiração não me refiro apenas a ideias práticas para o negócio em si. E sim de sopros para o estado anímico – porque em negócios, a atitude faz toda a diferença. Motivar equipes, lidar com clientes, negociar com fornecedores, credores ou devedores, gerenciar contratempos mil, tomar decisões no calor do momento… tudo exige espírito preparado e uma certa calma marcial.

Acho importante ler biografias e textos de empresários visionários – atuais ou de outros tempos – mas as melhores fontes para beber inspiração nem sempre são necessariamente ligadas ao mundo dos negócios. Às vezes, os oráculos estão bem longe do universo empresarial.

Por exemplo, eu tenho particular devoção por Bruce Lee. Em alguns momentos de grande tensão, com mil coisas acontecendo e prestes a explodir, posso parar e lembrar de ensinamentos dele, que misturam palavras como “combate”, “força” e “gentileza” na mesma frase. Situações que demandam energia e movimentos precisos com os de um lutador de artes marciais. Inevitável um sorriso nessas horas, com a clássica cena em que ele chama os inimigos ao combate de forma zombeteira e desafiadora, com um gesto de mão (https://youtu.be/9PAW5Cden4U)

Ele também foi um empreendedor, e deixou sua marca e ensinamentos cheios de leveza, sabedoria e força. Uma combinação sensacional. Aqui um pouco de seu jeito de pensar:

1.      Saber não é suficiente. Você precisa aplicar. Vontade não é suficiente. Você precisa agir

2.      Vontade forte cria seus próprios talentos e oportunidades

3.      Se você passar muito tempo pensando sobre uma coisa, nunca vai fazê-la

4.      Não é o trabalho, mas como você o faz

5.      Derrota não é derrota, a menos que você a aceite como uma realidade em sua própria mente

6.      Faça da pedra de tropeço um degrau de subida. Cada fato negativo pode ser transformado em uma experiência positiva

7.      Se você pensa que é impossível, só vai torná-lo impossível

8.      O que você sabe não tem valor; o valor está no que você faz com o que sabe

9.      A confiança nasce do conhecimento

10.   Guardo meus infortúnios passados como um tesouro na memória. Eles acrescentam muito à minha fortaleza interior

11.   Para o inferno as circunstâncias, eu crio oportunidades

12.   Seja como água que passa por entre as fendas

Como Caetano já dizia, no mundo dos negócios, é melhor ser “tranquilo e infalível como Bruce Lee”.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.brivan.primo@pastificioprimo.com.br

O empreendedor global

13 de novembro de 2017

De hoje a domingo, 35 mil eventos em 165 países comemoram a Semana Global do Empreendedorismo, a maior celebração mundial dos inovadores e criadores de emprego. A abertura estará a cargo do empreendedor serial sir Richard Branson.

Mais do que a grande mobilização em torno do tema, esta Semana do Empreendedor chama a atenção pela importância que assumiram aqueles que iniciam negócios, mesmo em países em conflito ou em crise.

O empreendedorismo é vibrante mesmo em regiões onde pode não ser esperado. Na China, ele vem promovendo uma verdadeira revolução na economia. Na Venezuela, em meio à turbulência política e econômica, o empreendedorismo está evoluindo por necessidade. Mesmo em países devastados pela guerra, como a Síria, existem bolsões de startups.

Isso prova que empreender ultrapassa diferenças políticas e geográficas: empreendedorismo de diversos países tem muito em comum, desde suas motivações a seus desafios. Um exemplo disso é o desemprego – principalmente o de jovens –, que vem sendo um motor pra iniciar negócios em quase todas as partes do mundo.

Por outro lado, em quase todos os países existe o desafio de espalhar geograficamente o empreendedorismo, que costuma ser um fenômeno urbano. A preocupação em diversas regiões é estimular o início de novos negócios em áreas e setores menos empresariais.

E, por fim, há a faca de dois gumes da tecnologia: ao mesmo tempo em que ela cria novas oportunidades de negócios e as espalha geograficamente, também está fazendo que estes novos negócios funcionem com cada vez menos trabalhadores. Ou seja, a tecnologia limita o impacto social das novas empresas.

De toda forma, a Semana Global do Empreendedor confirma o que se vem afirmando aqui nesta coluna semana após semana: os empreendedores são mais importantes do que nunca. E não importa em que idioma, nível político, regime econômico ou mesmo inclinação religiosa.

Empreender é a grande linguagem universal.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

As pontes empreendedoras entre a Sicília e o Brasil

30 de outubro de 2017

Estou finalizando minha viagem pelos quatro cantos da Sicília, conhecendo empreendedores do agronegócio e da gastronomia nesta ilha que – faz milênios – é um extraordinário hub de cultura e arte de diversas civilizações antigas. Ao mesmo tempo, temos tantos pontos em comum com o Brasil – muito mais do que poderia imaginar. É curioso ver que, mesmo separados pela distância geográfica, o “mindset” do empreendedor tem sempre muita semelhança: a busca constante de fazer dar certo, um sonho, uma visão, e muito trabalho.

Para contextualizar que não é moleza empreender por aqui: um relatório econômico de 2015 da Comunidade Europeia aponta a Sicília com 22% de taxa de desemprego (piora de 61% entre 2009 e 2015) e o menor PIB regional da Itália e um dos piores da Europa. Por outro lado, a Sicília apresenta alto potencial no agronegócio, no turismo e na pesca.

Destaco mais dois exemplos dos novos empreendedores que estão mostrando novas formas de criar valor e liderando as novas gerações:

Caseificio Occhipinti. Nascido dentro da tradição, no coração das montanhas Iblei, Giuseppe Occhipinti transformou completamente há 3 anos o pequeno laticínio familiar. Modernizou a apresentação de produtos, rótulos, investiu na agricultura biológica e faz a produção diariamente com leite da região. Hoje, o laticínio produz clássicos como o queijo Ragusano DOP, com até 48 meses de maturação, até a ricota embalada num cesto de vime, resgatando uma embalagem como era feita há centenas de anos. Na visita ao porão, estão armazenados centenas de queijos de valor inestimável. Cada queijo tem um número, uma história, e Giuseppe o pega no “colo” pra nos mostrar, como se fosse um filho.

Note di Zafferano. Angelo Liali é mais um exemplo do novo – e jovem – empreendedor siciliano, que já viajou o mundo e fez a volta ao perceber o valor escondido na terra dos ancestrais. Enquanto muitos dos amigos já migraram para as grandes cidades, ele fez o caminho de retorno em busca de cultivos de alto rendimento e qualidade, para se posicionar de forma destacada no mercado internacional. A empresa combina alta tecnologia com agricultura biológica na região de Giarratana, com foco em especiarias, em especial a açafrão. O mais bacana é a visão de marketing, com uma pegada que une o antigo, a credibilidade do produto, com uma comunicação moderna e atrativa. Abertos a contatos para trazer seus produtos ao Brasil!

Todos estes jovens empreendedores sicilianos reforçaram minha crença de que vale a pena investir tempo e energia em produzir alimentos de qualidade, apostar na reinvenção de ofícios históricos da gastronomia e, principalmente, resgatar as tradições alimentares, modernizando a forma que transmitimos o valor de produto e processo. Como fazemos no Pastifício Primo – continuamos no caminho, e vem muita gente junto!

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A nova Sicília empreendedora

23 de outubro de 2017

Estou na metade do meu giro na Sicilia, dando a volta nesta ilha cheia de história, mezzo férias com toda a família e mezzo trabalho, bem do jeito que eu gosto. Coloquei especial foco em conhecer as pequenas cidades e os pequenos produtores de alimentos, e tenho observado com curiosidade e interesse a dinâmica do pequeno empreendedor da ilha. Nas pequenas cidades, a minha primeira impressão é que praticamente todos são donos de algum negócio, estabelecidos há gerações: o dono da padaria, o dono do laticínio, o dono do restaurante, e assim por diante. Os funcionários do negócio são basicamente a própria família.

Giuseppe Occhipinti, preparando queijos DOP em Ragusa

Eu fiquei imaginando que isso pode ter um lado bom e um lado ruim. O lado bom é que os filhos já nascem com uma certa garantia de trabalho, no negócio da família, e não precisam construir um negócio do zero. Pode ser bastante confortante, e mesmo que pareça estranho para muitos de nós, é algo muito comum aqui – e na Europa em geral. O lado ruim é que existe muito pouco espaço para novos empreendedores ou, pelo menos, para empreender fora da área de atuação daquela família. A demanda de trabalho e serviços nas cidades pequenas é escassa, são povoados que não tem turismo, e por isso é tão comum, numa família grande muitos filhos migrarem em busca de oportunidades na cidade grande, ou em outros países. Me parece que é muito similar com o que acontece nas cidades pequenas do interior do Brasil.

Ao mesmo tempo, fui impactado pela descoberta de uma outra Sicília, de pensamento moderno, uma galera que eu defino na vanguarda da gastronomia, conectada com o mundo, atuando de forma a valorizar a terra e o conhecimento ancestral. Este pessoal não está mais pensando no mercado local, e sim no mercado mundial, e mesmo que pareça óbvio, não é fácil encontrar um lugar no mundo competitivo da gastronomia, e eles estão conseguindo. Ao encontrar novas soluções de se apresentar no mercado, agregando valor ao trabalho local, estão criando um modelo de prosperidade a ser seguido pelos novos jovens empreendedores da ilha.

No meio das montanhas, as azeitonas da Calaforno


Agrobiologica Calaforno Angelica
(www.locandaangelica.it).
No meio das montanhas, no qual cheguei através de um caminho sinuoso de difícil acesso, nos recebe Salvatore Angelica, jovem empreendedor de 25 anos que é o “guardião” de mais de 7 mil oliveiras “soltas” nos vales ao redor. A paisagem milenar, silenciosa, com muitas pedras e com oliveiras enormes, contrasta com o que vejo ao entrar no edifício de manipulação e produção: é um laboratório, máquinas novas, tudo extremamente limpo, organizado, amplo (eu, que sou um apreciador dos métodos de produção artesanal, fiquei emocionado), unindo a última tecnologia a um dos rituais mais antigos da humanidade: colher azeitonas na mão e prensar para extrair o azeite. Salvatore me mostra a diferença entre os vários tipos de azeitonas, e como as cores de suas azeitonas são 100% naturais, sem corantes. Descemos no deposito onde são feitas a salmouras em temperatura controlada, tudo impecável. Acima de tudo, Salvatore mostra o orgulho da terra, do produto que ele faz e conhece a fundo. Mas com uma visão agressiva de apostar no mercado internacional através dos selos da produção biológica.

Nossa visita à Chocolate Sabadi

Chocolate Sabadi (www.sabadi.it). Conheci este pessoal na feira Summer Fancy Food em New York, e agora pude finalmente conhecer a pequena e moderna fábrica bio-artesanal em Módica. Esta cidade é reconhecida no mundo todo pelos chocolates trabalhados a baixa temperatura, o que traz um paladar único e os torna muito mais saudáveis. Como reinventar a roda do chocolate? Pois aqui um jovem empreendedor chamado Simone Sabaini está mostrando como se faz, através da comunicação inteligente, com um packaging cheio de bom humor e personalidade. O slogan da empresa é “slowliving” (que pode ser traduzido como “viver lentamente” fazendo alusão ao “slow food”). É bom destacar que a Sabadi tem 5 prêmios consecutivos de melhor chocolate de Módica – o que não é pouca coisa – e trabalha com selos orgânicos e bios. Como o Simone diz, viver na Sicília é uma escolha, e desta pequena cidade no interior, e com uma pequena equipe, os chocolates vão para o mundo todo!

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

O avanço das mulheres no empreendedorismo

2 de outubro de 2017

Dados recém divulgados  pelo GEM – Global Entrepreneurship Monitor – revelam que a separação entre homens e mulheres empreendedores está diminuindo a passos largos no mundo, e em especial no Brasil.

Donna Kelley, professora do Babson College e coautora do estudo, celebra a magnitude da contribuição global das mulheres para o crescimento e bem-estar de suas sociedades através da geração de empregos, produtos e serviços.No ano passado, 163 milhões de mulheres iniciaram o próprio negócio.

Foram pesquisados 63 países, entre eles o Brasil, e comprovado que entre 2015 e 2017 a atividade empreendedora entre mulheres subiu 10%. Neste período, a diferença percentual entre homens e mulheres diminuiu para apenas 5%, na média mundial.

No Brasil, o avanço foi ainda maior: junto com Indonésia, Filipinas, Vietnam e México, as mulheres brasileiras tiveram iniciativa empreendedora igual ou maior que os homens!

Algumas informações que se destacam no relatório:

- Quanto maior é a educação e a renda familiar da mulher, diminui sensivelmente a participação feminina em empreendimentos.

- Ao mesmo tempo, quanto maior é a educação e a renda familiar das mulheres, menor é a taxa de mortandade de negócios dirigidos por elas.

- Nas economias menos desenvolvidas, o percentual de mulheres que citam a necessidade como motivo primordial para empreender é 20% maior que dos homens.

- Por outro lado, o percentual de mulheres que tem iniciado negócios inovadores é 5% superior ao de homens.

E o Brasil é citado em várias partes do relatório:

- No Brasil, o maior percentual de mulheres empreendedoras ocorre entre 25 e 34 anos. Depois há uma queda brusca de participação feminina.

- Um outro dado relevante que diz respeito ao Brasil é que apenas 6% das mulheres empreendedoras têm ensino superior completo.

- 25% das mulheres empreendedoras no Brasil estão no chamado auto-emprego.

- Na América Latina, números contrastantes nas expectativas: enquanto na Colômbia 35% das mulheres tem ambição de crescimento quando comparados com homens, no Brasil esse percentual é de apenas 2%, um dos mais baixos do mundo.

- As brasileiras têm 5 vezes mais participação do que os homens em negócios de educação, saúde e bem-estar social.

- 91% dos novos negócios iniciados por mulheres nos últimos 2 anos fora financiados pela família. É o percentual mais alto do mundo, segundo a pesquisa.

Os números da pesquisa são bastante contraditórios e mostram que não existe uma medida única, uma solução única para todos os problemas enfrentados pelas empreendedoras ao redor do mundo. O Brasil mostrou alguns números ótimos, e outros bem ruins, provavelmente devido ao recrudescimento da crise em 2016. Temos bastante trabalho à frente.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

O melhor de empreender

25 de setembro de 2017

Tenho escrito diversas e repetidas vezes sobre as dificuldades de empreender, e pode até parecer que desejo afastar as pessoas da ideia de iniciar seu próprio negócio. Mas o meu objetivo é apenas alertar os desavisados – aqueles que acreditam que irão ficar ricos com pouco esforço – e ajudar a preparar melhor os que estão prestes a iniciar – ou já estão no meio – a jornada se empreender.

Mas hoje quero falar sobre coisas boas, o outro lado da moeda, sobre como empreendedor pode mudar a sua vida. E, se você está interessado em ser dono do próprio negócio, este pode ser o melhor momento de começar: na crise.


Aqui estão algumas das melhores coisas se ser empreendedor:

– No controle das horas: quando se é empregado, se trabalha um número limitado de horas, e os ganhos também são limitados pela própria característica do arranjo entre as partes. Mas quando se é dono do próprio negócio, passam a valer as suas regras, as suas horas, e isso é libertador.

- Dono do dinheiro: quando se trabalha para outros, é normal que a remuneração seja sempre controlada. Por outro lado, quando o negócio é seu, começa uma verdadeira relação de causa e efeito nos ganhos (e nas perdas) e nada se compara à sensação de construir um negócio desde o zero e ver ele prosperando.

– Novas conexões: o empreendedor interage em todos os níveis de negócio e, ao desenvolver a visão holística de gestão – que inclui até mesmo a vida pessoal, enriquece sua jornada de vida. Na busca de soluções, conhece outros empreendedores, lideres, influenciadores e a sua reputação e credibilidade vai crescer, trazendo significado na comunidade, o que é muito gratificante.

– Experiência de valor: o aprendizado é muito exclusivo, principalmente em matéria de liderança e tomada de decisão com alto stress. Este conhecimento é muito raro, e mesmo que tudo de errado, tem grande valor profissional e pessoal para a próxima etapa de vida.

- Uma vida rica de lembranças: não subestime o poder subjetivo das experiências adquiridas. A busca da felicidade pode ser a felicidade em sí. Assim como lembramos de viagens por muitos anos, também nos lembramos de uma vida rica de e aventuras.

Como podem ver, os ganhos potenciais ao empreender são muito maiores do que dinheiro: é a própria satisfação com a vida.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

O bom e barato

18 de setembro de 2017

Boas novas são raras nestes dias, por isso ficamos super excitados e felizes na sexta-feira quando recebemos a noticia de que o Pastifício Primo é um dos 3 finalistas Comer e Beber Melhores de São Paulo, da revista VejaSP, na categoria Bom e Barato. O vencedor vai ser conhecido no próximo dia 23.

Além do destaque em si, é uma grande alegria sermos indicados na categoria Bom e Barato, que é um respiro em meio ao “raio gourmetizador” que atingiu tantas operações gastronômicas – muitas vezes parecendo apenas um pretexto para salgar os preços. Temos trabalhado para manter nossos preços em níveis sensatos, sem nunca renunciar à qualidade. No meio da crise que vivemos, pode ter elogio maior do que ser chamado de bom e barato?

Quando se trata de nosso oficio artesanal, de fazer comida com significado, eu confesso: somos muito competitivos (e muito exibidos também!). Ficamos orgulhosos quando somos premiados, reconhecidos e valorizados. Por isso compartilho a vibração que estamos sentindo.

Na cidade que tem o segundo maior número de restaurantes do MUNDO, é uma pequena façanha aparecer, se destacar e – principalmente – se manter na Primeira Divisão da gastronomia. A competição é muito grande, e o funil, estreito. O público paulistano e os críticos da grande mídia são extremamente exigentes, não brincam em serviço. E nós adoramos tudo isso.

Eu acredito que a explicação para manter uma alta performance é simples, e já foi mencionada diversas vezes nas minhas postagens sobre empreendedorismo : são as pessoas. É tudo sobre as pessoas. Sem equipe não há prêmios. Sem clientes não há prêmios. Sem fornecedores, não há prêmios.

Para encerrar, um pequeno histórico dos prêmios do Pastifício Primo: em 2013 Melhor Rotisseria da VejaSP (inauguramos a categoria “Rotisseria”). Neste ano também ganhamos Melhor Rotisseria do jornal Folha de São Paulo. Em 2014 conquistamos o prêmio Melhor Rotisseria VejaSP no Voto do Público. Desde então estamos sempre entre as melhores. Uma honra em servir.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A odisseia de empreender

11 de setembro de 2017

Quer ser um empreendedor? Pois prepare-se para uma odisseia em tempo real. Empreender é uma jornada de incertezas e peripécias. É também uma divertida aventura, um estilo de vida de longa linhagem na humanidade: de migrantes, mercantes, navegantes, astronautas – todos, ao seu modo, em seu tempo, empreendedores.

Acredito que três importantes qualidades fazem a pessoa estar pronta para empreender, com boas chances para tocar um negócio (qualquer negócio) com sucesso. Não sei bem se são características adquiridas ou naturais. Talvez um pouco de cada, aprimoradas  através da experiência (tentativa e erro) e do autoconhecimento:

1 – Flexibilidade para se adaptar rapidamente aos desdobramentos de qualquer assunto.
2 – Resiliência para se recuperar, física e emocionalmente, de um dia (ou um ano) duro.
3- Aprender rápido (ou morrer), pois a Flexibilidade e a Resiliência um dia acabam, né gente.

Quando entrevisto os nossos futuros franqueados, minha primeira tarefa é detalhar as dificuldades do dia a dia de uma empresa. Enumerando os problemas diários, descrevo o cansaço com que terminamos alguns dias cheios de suor e pouco charme. Falo de tudo aquilo oculto sob o canto da sereia de ser seu próprio chefe. Falo como, donos do próprio negócio, trabalhamos muito mais do que em qualquer emprego (algo que, por incrível que pareça, alguns acreditam que será ao contrário!). E falo do pouco dinheiro que retiramos de imediato, pois tudo é a longo prazo – e nada é garantido. Alguns se assustam e desistem nessa etapa, o que é normal quando não se está pronto ou apto. De fato, deve ser a entrevista de venda de franquia mais anti-comercial que você poderia imaginar. Mas, veja bem, o meu objetivo nesse momento não é vender, e sim selecionar um bom parceiro, que será um colega de jornada e de negócios. É um momento fundamental para todos.

Os que passam desta etapa muito me interessam. Procuro justamente os que têm gosto pelo desafio. Aqueles que preservam o brilho no olho, os que querem saber mais, que têm fome de conhecimento, que percebem que é nas tempestades e dificuldades desta jornada que poderão exercitar seus talentos e capacidades, e assim ter a chance de expressar seu potencial, construir, fazer acontecer. Quando vamos iniciar um novo negócio, empreender a jornada, não há espaço para arrependimentos e nem volta atrás. Um pouco trágico? Às vezes. Heroico? Sem dúvida! Por isso mesmo que Odisseu (Ulisses) tem tudo a ver!

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br