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A nova mulher empreendedora

16 de julho de 2018

No mundo todo, são 274 milhões de mulheres empreendedoras em 74 países, conforme o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016/2017.

É uma grande conquista da globalização e das novas tecnologias a derrubada das barreiras que limitam o comércio entre países. Acima de tudo, a globalização está derrubando as diferenças que limitavam o comércio entre países por cultura, raça ou, como é o caso desta pesquisa, de gênero. Em vista destas informações, muitos governos estão estimulando o empreendedorismo feminino, pois é notório que as mulheres investem – em sua grande maioria – até 90% mais na saúde e educação de seus empregados e de suas comunidades.

Aqui estão alguns dados interessantes do GEM Report:

1. Mais de 20% de mulheres do que homens citam a “oportunidade” como a motivação para iniciar o próprio negócio nas economias emergentes ou pobres. Já em economias mais inovadoras e tecnológicas, as mulheres têm até três vezes mais motivação com foco em oportunidades.

Detalhe: a visão de oportunidade em negócios - Total Entrepreneurial Activity (TEA) - é uma medida considerada muito importante para calcular a capacidade de empreendedorismo de uma comunidade.

2. O relatório indica que as mulheres têm 5% maior capacidade de inovação nos negócios do que os homens, em todos os 74 países.

3. Surpreendente é a notícia de que a atividade empreendedora das mulheres cai consideravelmente com a prosperidade econômica. América Latina e Ásia, com economias emergentes, mostraram a maior igualdade empreendedora entre homens e mulheres. Já nas economias mais tradicionais, como na Europa e nos Estados Unidos, a estabilidade faz que a mulheres tenham até 40% menos presença em novos empreendimentos.

4. Nas economias mais desenvolvidas, mais da metade das mulheres empreendedoras se dedicam a negócios nos setores públicos, de saúde, serviço social e de educação. São setores de grande fator humano e de relacionamento, considerado um dos pontos fortes do modo de empreender feminino.

5. A atividade empreendedora entre as mulheres também cai na medida do aumento do nível de escolaridade. Isso faz pensar que o estudo não seja tão preponderante para empreender. Ou pode estar relacionado com o item anterior. O relatório cita um caso específico no Sudão, onde um campo de refugiados houve o surgimento de novos mini-empreendimentos, majoritariamente de mulheres.

Aqui no Brasil, ao mesmo tempo que estamos congelados pela crise, é justamente neste cenário onde as mulheres se destacam na busca de oportunidades de empreendimento, inovam e prosperam.

É importante citar o trabalho que duas brasileiras vem fazendo, percorrendo o mundo coletando e documentando as diversas formas de empreendimento feminino, com o projeto The Girls on the Road. O projeto de Taciana Mello e Fernanda Moura começou em 2016, e já tive oportunidade de escrever um pouco naquela ocasião. Continua sendo muito válido e importante.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Bolovo?

2 de julho de 2018

Você conhece a Bolovo? Não? Tudo bem, não fique preocupado, isso é normal se você tem mais de 30 anos. A Bolovo já é um fenômeno, não apenas pelo sucesso do que eles fazem, mas também como fonte de inspiração para novos empreendedores. Vale a pena saber mais da empresa (e do modelo de negócios) que Deco Neves e Lucas Stegmann criaram e na qual ganham a vida – literalmente – se divertindo. A Bolovo é uma produtora de vídeos, que tem também uma marca de roupa, e que também faz festas.

Tudo começa lá por 2006, quando Deco e Lucas começaram a andar juntos aos 15 anos e foram fazendo viagens, vídeos, andando de skate, umas e outras loucuras, e começaram a tentar ganhar algum dinheiro com tudo isso para manter a festa sempre rolando. A resultado é difícil de definir, fácil de admirar. Em resumo, eles fazem o que dá na telha. Eu diria que é a volta – renovada – do velho lema punk: faça você mesmo. E eles fazem bem feito.

O Deco Neves me deu uma entrevista onde conta mais da Bolovo.

Como você e o Lucas se conheceram e se tornaram sócios?

Nós somos amigos desde os tempos da escola, e nossa sociedade foi se formando de forma natural quando começamos a gravar e fotografar algumas coisas juntos. E por interesse fomos estudando mais e apreendendo mais, e temos tentado manter essa mentalidade até hoje.

Me fala um pouco do que vocês fazem – e porque dá tão certo.

Assim, ‘certooo certoooo’ nem sempre dá. Acho que um ponto fundamental de tudo e que tentamos se manter muito firmes aos nossos ideais, e vamos nos moldando a cada fase que vivemos. Começamos fazendo vídeos e tirando fotos de viagens e roles com os amigos quando tínhamos uns 15 anos. Depois começamos a fazer algumas coberturas de eventos para ganhar nossos primeiros trocados. Inventamos uns vídeos com roteiro e sempre trabalhando muito fomos evoluindo. Por volta de 2009, assinamos com a MTV para criar/dirigir e apresentar 30 programas de 15 minutos, sem nunca antes ter trabalhado na TV. Foi um desafio enorme e depois vieram outros maiores ainda nos outros cinco anos que passamos lá. Durante esse período, fazíamos roupas, mas nunca de forma continua, o foco era mesmo o trabalho de produção de vídeo e conteúdo.  E isso gerou trabalho com diversas outras marcas. Mas chegou uma hora que nossos caminhos se separam com a MTV e começamos a focar na roupa e em contar nossas próprias histórias.
A partir de 2016 o foco maior da Bolovo mudou para a marca e abrimos nossa primeira loja em Pinheiros, São Paulo. Desde então tem sido muito interessante ver o crescimento da marca e também da empresa como um todo.

Como você e o Lucas dividem as atividades na gestão da empresa? O que cada um faz?

Nós fazemos muitas coisas e todo mundo participa um pouco de tudo. Mas tem algumas áreas de expertise que se dividem um pouco mais, o Lucas é responsável pela parte de vídeos, eu fico mais responsável pela confecção e administrativo e a Luiza que é nosso braço direito em tudo é nossa responsável pelo RH e produção de tudo.

Qual foi o maior perrengue que passaram?

Já perdemos três dias de imagens gravadas, nosso ônibus já quebrou indo caminho da casa do Ronaldinho Gaúcho e quase perdemos uma exclusiva com ele, tivemos que pedir carona pra atravessar a Rússia. Ficamos sem dinheiro na conta diversas vezes. A gente sempre passa por muito perrengue, empresa pequena é sempre assim. Já tivemos que ficar muitas noites em claro ou finais de semana pra resolver pepinos. Acho que não existe outro jeito de superar qualquer coisa do que com esforço. Nós temos entendido cada vez mais como o planejamento é importante também para ajudar a superar e evitar problemas. Mas além disso que é o básico de qualquer empresa temos o lema de sempre tratar bem as pessoas e tentar ter uma atitude positiva em relação aos problemas. Tratar bem as pessoas é muito importante.

Qual o maior acerto?

A maior vitória acho que é continuar junto depois de tanto tempo, a Bolovo como empresa já tem mais de 10 anos, e ainda termos muita motivação pra fazer as coisas. As histórias que temos pra contar graças a Bolovo fazem tudo valer a pena. É isso que motiva a gente.

O que querem no futuro da empresa?

Queremos ser cada vez mais independentes financeiramente para produzir nossas ideias, queremos cada vez fazer produtos melhores e continuar tendo momentos de diversão enquanto trabalhamos.

Como você se vê daqui a 30 anos?

Eu espero poder estar ajudando mais na formação da molecada. Tenho muita vontade de ajudar o pessoal mais jovem a por a mão na massa mesmo. Não estar acima do peso, continuar fazendo coisas por ai pra ter novas histórias e estar com meus amigos por perto.

Últimas:
A Bolovo fez parceria com a Rider, aqui o resultado: https://vimeo.com/274030124
Site: www.bolovo.com.br
Bolovo Ministore: R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 47

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

25 de junho de 2018

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

Há um ditado que afirma “ser empresário, no Brasil, não é para amadores”.

Algumas notícias recentes na mídia, de empresas internacionais encerrando operações no Brasil, me fazem pensar que o Brasil pode ser bastante cruel com os empresários profissionais também. Empresas de sucesso internacional tem tido dificuldades para se manter no jogo verde e amarelo.

Os sobreviventes – tanto empresas nacionais quanto internacionais – podem se considerar acima de média e sortudos – e realmente o são -  mas a dificuldade de prosperar no mercado brasileiro provoca algumas perguntas necessárias:

- Afinal, porque o Brasil é tão difícil?
- Será que no exterior, e com o mesmo esforço, a mesma empresa prosperaria mais e melhor?
- Quanto custa, no médio e longo prazo, ser um mercado difícil, complexo e instável?

Não tenho as respostas, mas quero acreditar que começar a fazer as perguntas pode fazer a gente a pensar em alguma solução.

É uma história conhecida que os executivos brasileiros são muito valorizados no exterior por causa da grande capacidade de adaptação e a trazer resultados mesmo em ambientes hostis. Isso diz muito de como o Brasil é hoje.

Cada vez que uma empresa fecha no Brasil, não são apenas os empregos que são perdidos, mas todo um giro da economia, aprendizado, os melhores profissionais migram, os que ficam precisam recomeçar.

Preparei uma lista de algumas destas noticias da midia:

Häagen-Dazs, junho de 2018 - a famosa marca de sorvetes comunica fechamento das oito lojas próprias
WalMart, junho de 2018 – vende 80% da operação no Brasil
Lush, maio de 2018 – a marca inglesa de cosméticos naturais encerra no Brasil e queima estoque
FNAC, julho de 2017 – vende para a Livraria Cultura. Recentemente a Cultura comunica o fechamento da icônica FNAC de Pinheiros
Garrett Popcorn, junho de 2017 – com menos de um ano de funcionamento, a rede de pipocas americana fechou as 2 lojas no Aeroporto de Guarulhos
Kirin, fevereiro de 2017 – a japonesa vende as operações no Brasil para a Heineken
Citibank, outubro de 2016 – o Citi é comprado pelo Itaú
HSBC, julho de 2016 – banco inglês vende toda a operação ao Bradesco
Cacao Sampaka, março de 2016 – a marca espanhola de chocolates fecha loja e vende tudo
Ladurée, março de 2016 – a famosa confeitaria francesa culpa a crise e fecha única loja no Brasil

E a lista vai e vai.

Sem dúvida a crise que passamos nos últimos anos deve ter sido um dos motivos finais, mas não acredito que seja o único. As grandes empresas sabem que as crises são passageiras, e dificilmente abandonam investimentos que foram criados com planejamento de longo prazo. Penso que, em algum momento, este pessoal se deu conta: o Brasil não é fácil, cuidado!

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

Publicada a lei do alimento artesanal

18 de junho de 2018

Finalmente, e depois de muitos anos de conversa, o Brasil liberou o transporte e comercialização interestadual de alimentos artesanais de origem animal feito através da Lei 13.680 de 14 de junho de 2018.

Na verdade, o Brasil está apenas tentando acompanhar o que já é comum e corrente há décadas em vários países que protegem e valorizam o pequeno produtor rural e os alimentos com DOC (Denominação de Origem Controlada), como a Europa e os EUA.

Antes da lei, o produtor artesanal de alimentos de origem animal (como queijos e embutidos, por exemplo) já de posse de todos os certificados estaduais da ANVISA, e que estivesse interessado em vender para fora do seu estado, precisava fazer um complexo e redundante processo para conseguir também uma certificação federal chamada de “selo SIF” (Serviço de Inspeção Federal).

O “selo SIF” é exigido nas grandes indústrias e tem altos custos. Ora, na prática, esta exigência ao pequeno produtor inviabilizava o produto, tanto pelos valores, quanto pelo tempo e burocracia dedicado na tramitação.

Muitos produtores e clientes desobedeciam e corriam altos riscos. O assunto ganhou destaque e indignação de toda a comunidade da gastronomia no último Rock in Rio, quando a premiada cozinheira Roberta Sudbrack sofreu fiscalização e abandonou o evento. A matéria do Estadão de 16 de setembro de 2017 diz:

“A chef Roberta Sudbrack, que era um dos principais nomes da área gourmet do Rock in Rio, saiu do festival em seu primeiro dia de trabalho, depois que a Vigilância Sanitária apreendeu mais de 80 kg de queijo e 80 kg de linguiça que, segundo ela, estavam dentro da validade e apenas não tinham um selo exigido pelos agentes para a liberação.

Indignada com a atitude dos fiscais e com a insensatez da lei, Roberta expôs o assunto em diversas entrevistas, e levantou a bandeira da defesa do pequeno produtor artesanal de alimentos, na busca da legalidade. Com seu carisma e sua importância na gastronomia nacional, ela foi um porta-voz deste movimento que culminou na lei.

Em sua conta do Instagram, Roberta comemorou a nova lei com um post: “Este é o dia que o produto artesanal brasileiro conquistou o direito de circular livremente pelo seu pais! O dia em que juntos mudamos a HISTÓRIA DO BRASIL! A todos que ajudaram a ecoar o grito e que acreditaram que era possível mudar o rumo da história, parabéns! Este é o dia que a cultura brasileira volta a respirar! Compartilhem! Comemorem! Orgulhem-se desse Brasil de mãos cheias de terra que a partir de agora tem voz! Muito obrigada, juntos somos mais fortes…”

Minha admiração e gratidão a Roberta Sudbrack! Que sirva de modelo a outras tantas bandeiras que precisamos levantar para desencalhar o Brasil.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)


 

O que Anthony Bourdain me ensinou

11 de junho de 2018

Foi um baque, o coração ficou pesado e, por alguns momentos, o pensamento demora a acreditar, a aceitar: Tony B morreu. Ele, que inspirou muitos de nós a comer melhor, a viajar pelos caminhos secundários e, acima de tudo, a procurar viver a vida de uma forma única, fazendo as próprias regras, tirou a vida no auge da trajetória.

Faz um par de anos escrevi sobre um empreendimento que ele estava fazendo em Nova York no famoso Pier 57. E apenas um mês atrás ele esteve no Uruguai gravando um capitulo do programa Parts Unknown – cheio de significados para mim – mostrando o pais onde eu nasci e sempre retorno a visitar minha família. O programa foi tão lindo, melancólico, num ritmo intimista – como bem cabe ao uruguaio – mostrando as pessoas de verdade em seu meio natural. Imperdível aqui.

Eu acho que ele diria: f*****. Independente da morte trágica, ele deixa um legado positivo que impactou milhares de pessoas, inclusive os empreendedores. Aqui vai um resumo do que ele me ensinou:

1. Não tenha medo de mudar

Se Tony houvesse continuado sendo um chef de relativo sucesso em Nova York, provavelmente nunca teríamos ouvido falar dele. Mas, em algum momento, ele decidiu que queria escrever – ele não se deixou rotular como apenas um cozinheiro. E conseguiu transformar todo o conhecimento de cozinha em outra coisa totalmente nova e disruptiva, iniciando uma nova jornada através dos programas de TV que influenciaram milhares de pessoas. Ou seja, qualquer um de nós pode ter chegado a ser dono do próprio negócio de sucesso – com muito esforço, sem dúvida. Mas se lembre: não somos limitados apenas a isso. Podemos fazer nosso próprio destino, nunca deixe de sonhar, arrisque mudar!

2. Esteja sempre em movimento

Os fãs de Bourdain estão homenageando a lembrança dele citando muitas frases dele, e por um bom motivo: ele era um cara sábio (e desbocado) e tinha ótima frases. Uma que eu adoro:

“Se eu fosse dar um conselho, seria o de estar em movimento, sempre. O mais longe que puder, tantas vezes quanto possível. Seja do outro lado do oceano, ou do outro lado do rio. Se coloque no lugar de outra pessoa e coma sua comida. É um acréscimo na vida de qualquer um.”

O ensinamento para empreendedores é claro: é preciso estar sempre inquieto, em crescimento, em aprendizado. Se você acha que já faz tudo certinho, e que o mundo não tem nada de novo a ensinar, você está decididamente equivocado. O aprendizado constante mantém você afiado e competitivo.

3. Seja curioso

Anthony sempre estava muito à vontade sentado na sala de algum estranho, num país estrangeiro. Nunca julgava, e tinha essa incrível habilidade de ser gentil ao mesmo tempo que fazia perguntas difíceis ou indiscretas. Comia a comida local, a comida simples, de rua, muitas vezes feita com ingredientes pouco comuns (para não dizer bizarros) e de origem duvidosa. Bebia e fumava o mesmo que as pessoas locais, sempre tentando entender o contexto. Ser curioso deixa você aberto a novas experiências. É impossível ser um empreendedor sem tentar coisas novas.

4. Mostre respeito

Uma coisa que sempre ficava clara nos programas de Bourdain é o respeito que tratava as pessoas e as culturas. Aprendia algumas palavras e costumes locais para demonstrar este respeito. E sempre experimentava toda comida oferecida a ele, sabendo que muitas vezes as pessoas ofereciam o pouco e o que tinham de melhor em suas casas.

Todos estamos sempre tentando fazer o melhor possível. Lembre-se disso quando um funcionário fizer um erro, ou as coisas não acontecerem do jeito que você queria. Seja zen, e pratique o respeito pelas pessoas que estão ao seu redor.

5. Aproveite a viagem!

Sem dúvida que Anthony curtia a vida, aproveitava cada momento. Ele fez o próprio caminho, e isso fez dele uma pessoa admirável, inspiradora. Ele era autêntico, desbocado, teatral, um personagem. E agora que ele se foi, ninguém pode dizer que ele não viveu praticamente de tudo o imaginável.

“O seu corpo não é um templo. É um parque de diversões. Aproveite a viagem.”

Obrigado por tudo Tony, você vai fazer falta. A gastronomia ficou mais careta sem você.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Por mais empreendedores assim

4 de junho de 2018

Uma fórmula para manter um pequeno negócio, motivado pela necessidade, em comunidades de baixa renda e em cenários marcados pelo desemprego e pela violência. Essa é a proposta da Besouro Agência de Fomento Social, de Porto Alegre, que desenvolveu uma metodologia própria e promove cursos de capacitação gratuitos em favelas, vilas e periferias do Brasil.

Vinicius Mendes Lima é o tipo de empreendedor cada vez mais necessário neste mundo: engajado e capaz de transformar projetos sociais em empresas que aliem lucratividade e impacto social. Ele mesmo originário da periferia da capital gaúcha, foi com muita dificuldade que conseguiu completar seus estudos de Administração e Marketing e investiu num mestrado na Universidade de Ciências Empresariais e Sociais na Argentina.

Desta experiência de vida e estudos surgiu a Besouro e um método diferente e diversas outras propostas sociais nas comunidades carentes: Vinicius apostou em ensinar e promover o empreendedorismo com foco em resultados e com um acompanhamento diferenciado.

“Entre morros e vielas, em um ambiente hostil, onde não há sequer saneamento básico, existem pessoas que conseguem se reinventar, empreender e sustentar sua família. Quando comecei a estudar o poder econômico e de desenvolvimento que existe dentro das comunidades, conheci muitos empreendedores que deram certo, que ganham dinheiro – mais do que muita empresa do chamado ‘asfalto’. E essas pessoas entendem muito de gestão, marketing, pessoas e finanças. Só que de forma empírica, e não teórica.”

No vácuo entre as ações e investimentos sociais promovidos pelas empresas do terceiro setor e projetos de responsabilidade social desenvolvidos pelas do segundo, Vinicius buscou parcerias com empresas que querem ampliar ações de responsabilidade social. O sucesso e a eficiência de sua metodologia de ensino chamaram atenção de fundações e até do poder público: já está sendo aplicado hoje em 80 cidades brasileiras com maior Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ), incluindo Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Seguro e Florianópolis, em parceria com o Governo Federal.

Os cursos são intensos: 30 horas de aulas presenciais, divididas em 10 módulos temáticos e cinco encontros e, ao final, o aluno sai com um plano de negócios e estruturação que lhe permitem iniciar o empreendimento no dia seguinte.  Depois, ocorrem o acompanhamento presencial e a orientação técnica de  uma equipe por 90 dias, que entra em contato com os novos empreendedores e tiram dúvidas, acompanham o andamento do pequeno negócio, a comunicação, as finanças, vendas e fluxo de caixa.

“O método de ensino é acessível e leva em conta as limitações que frequentemente são impostas àqueles que empreendem por necessidade, como a falta de tempo, ausência de investimento inicial e de conhecimentos teóricos sobre marketing e administração, assim como a necessidade de retorno financeiro imediato”

A Besouro em números de abril 2018
40  cidades atendidas
12  Estados
mais de 600 alunos matriculados
1.560  horas de aulas práticas
mais de 400 marcas criadas
mais de 400 alunos incubados
5.000  ligações de acompanhamento
4.865 minutos de consultoria online
100% dos negócios incubados na metodologia By Necessity, exclusiva da Besouro, estão gerando renda
70% é o aumento de renda média
7  dias é o prazo para que o aluno projete o negócio com geração de renda
100%  de aumento de renda após 30 dias

Por mais empreendedores assim! Além de tocar a Besouro, Vinicius é autor dos livros ‘A riqueza das favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas’, e ‘By Necessity’, literatura didática sobre sua metodologia. É também docente na Faculdade de Administração Mario Quintana (Famaqui) e na Universidade do Rio dos Sinos (Unisinos), ambas em Porto Alegre/RS.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

O efeito manada nos negócios

28 de maio de 2018

Não canso de me espantar com um erro que muitos empreendedores praticam: entrar na “modinha” dos outros.

Ao longo dos anos já vimos vários ciclos de modismo: videolocadoras, lan-houses, boi gordo, brigaderias, hamburguerias, paleterias, casas de bolos, food trucks, e a lista vai e vai. Eu tento imaginar por que isso acontece. Será o efeito manada, deveras difícil de escapar? O sedutor canto da sereia, de ganhar dinheiro fácil?

Sempre tive ojeriza a ser mais um no bando. Talvez esse mecanismo de autodefesa tenha me mantido longe das modinhas. É bem verdade que isso não me livrou de quebrar a cara algumas vezes. Mas quebrei com ideias próprias e isso é muito importante no aprendizado de empreendedorismo.

Minha dica de negócios é sempre a mesma: fazer algo que tenha valor pessoal, além do negócio em si. O caminho criativo, a vanguarda, a ideia original, tudo isso é valor em estado puro! Pode até dar errado, mas se der certo, as oportunidades são muito maiores: um mercado inicial livre de concorrência, sempre um ou dois anos à frente dos demais.

Nem tudo são flores, porém. Se você é dos que criam, saiba desde já que você será copiado, adulterado e, eventualmente, até melhorado. Tem que aprender a viver com isso, ou vai sofrer muito. O seu negócio deu certo? Se prepare para o aparecimento dos copiadores, as “manadas” que acabam com o pasto verde e secam a água. Às vezes, eles instalam a nova empresa a poucos metros uma da outra, sem se preocupar em fazer uma pesquisa para saber se o mercado e o bairro comportam mais um negócio igual.

Outras vezes ainda, copiam todos os detalhes do empreendimento – sequer se dão ao trabalho de tentar buscar uma solução diferente, uma identidade própria, um estilo, um diferencial. Resultado: o negócio copiado não prospera tanto quanto os que o inspiraram. Pior: cria concorrência predatória com os inspiradores. Está cheio de casos em que afundam todos, inspiradores e copiadores.

Por isso, fica o alerta: imitar os outros pode até ser mais cômodo a princípio, mas é um mau negócio a longo prazo, porque satura o mercado. E em mercado saturado, ninguém se dá bem.

Se é para fazer um novo negócio, tente que ele seja isso: novo. Não necessariamente uma invenção do zero, porque isso talvez não exista, mas no sentido de ser diferente, especial, original, único de certa forma, que represente sua identidade. Porque de empresas parecidas, o cemitério do mundo dos negócios está cheio.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

O jeito Netflix de empreender

21 de maio de 2018

Dos tantos palestrantes bacanas que estiveram reunidos na semana passada no VTEX DAY de 2018, o que mais me empolgou – e eu admito que não esperava – foi o ex-CEO e cofundador da Netflix, Marc Randolph. Eu achei que assistiria a uma palestra burocrática e cheia de clichês de Silicon Valley, mas fui surpreendido por um cara muito bem-humorado, que descreveu a sua jornada cheia de imperfeições e reviravoltas, com verdadeiros conselhos práticos para qualquer empreendedor.

Desde 2004, Marc já não faz mais parte do dia a dia da Netflix e se dedica à sua paixão: iniciar empresas de tecnologia. Às vezes acerta, às vezes erra, mas adora mesmo assim, como ele mesmo diz, com muito carisma. Se acaso alguém ainda tiver alguma dúvida do currículo dele, aqui algumas empresas de sucesso que ele participou e investiu, em ordem cronológica:

1983: Mailbox Music
1984: Guitar FPTM Magazine
1986: MacUser Magazine
1987: MacWarehouse
1988: MicroWarehouse
1995: IntegrityQA
2012: Looker Data Science

Mas, sem dúvidas, todos estávamos lá para ouvir sobre a Netflix, e Marc não decepcionou. Contou do inicio da ideia, quando ele pegava carona na Kombi de seu amigo e futuro sócio Reed Hastings e falavam sobre empreender, encontrar uma ideia que valesse a pena apostar.

Os ensinamentos:

- Netflix era uma ideia ruim e não tínhamos dinheiro. Mas no final deu certo. O importante é testar a ideia e adaptar constantemente
- O empreendedor precisa de três coisas: alta tolerância a riscos, uma ideia e confiança
- Não precisa ser uma grande ideia, não precisa ser original, não precisa ser complicada, não precisa nem ser uma boa ideia
- Minha mulher achou a Netflix a ideia mais estúpida que eu já tive
- Assuma os riscos e faça alguma coisa com a sua ideia. Posso garantir a vocês: ninguém tem certeza de nada. Ninguém pode prever o que vai dar certo ou errado
- Ficar muito tempo avaliando se a ideia é boa ou não é pura perda de tempo. Tem que testar
- Onde encontrar uma bia ideia? Procure pela dor, pela dificuldade, onde as pessoas passam dificuldades. É na solução de problemas onde estão as melhores ideias
- A vida média de uma ideia é 24 horas. Começamos a semana com 60 ideias e no final da semana, com sorte, temos uma ideia viável
- Eu nunca sonhei que a Netflix se tornaria o que é hoje
- Sou um péssimo investidor anjo, pois me apaixono por todos os projetos

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

Heavy metal nos negócios online

14 de maio de 2018

Começa nesta segunda-feira, às 12h30, o VTEX DAY com palestra Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, ícone de rock, piloto, empresário, investidor, cervejeiro, escritor, locutor, esgrimista e, hoje em dia, é também um dos palestrantes mais carismáticos do mundo dos negócios.

O maior evento de vendas multicanal da América Latina tem consolidado seu prestígio nos últimos anos por ser um evento de pegada mais leve e divertida, mas sem perder o foco em resultados: vendas. Integrando o online e o offline, as palavras de ordem fundamentais para quem quer entender o novo momento são os temas das inúmeras palestras:  omnichannel; cross border; marketplace; marketing, TI, estratégias e ações comerciais e operacionais; cases globais de sucesso; negócios na prática.

São esperadas 13 mil participantes entre segunda e terça, e mais de 150 palestrantes – um aumento de 25% em relação ao ano passado – e feira com os grandes ‘players’ do mercado. O evento acontece desde 2013, sempre com palestrantes importantes no cenário brasileiro e internacional.

No ano passado tive o privilégio de assistir a palestra de abertura com Sir Richard Branson .

Alguns dos nomes internacionais que estarão palestrando:

Marc Randolph, veterano empresário, conselheiro e investidor do Silicon Valley. Marc foi cofundador do serviço de transmissão de filmes e televisão on-line Netflix, que atua como CEO fundador, como produtor executivo do site e como membro do Conselho de Administração até sua aposentadoria em 2004.

Brian McBride, Chairman da ASOS.com, o varejista de moda on-line e presidente da Wiggle Ltd, o negócio de ciclismo e tri-esportes online. É o Ex-Country Manager da Amazon.co.uk, com base em Slough, no Reino Unido

Sucharita Kodali, especialista em e-commerce, varejo omnichannel, comportamento do consumidor e tendências no espaço de compras on-line. Ela também é uma autoridade em desenvolvimentos tecnológicos que afetam o setor de comércio on-line e fornecedores que facilitam o marketing on-line e o merchandising. Em sua pesquisa, a Sucharita aborda tópicos orientados para o consumidor, como previsão e tendências de e-commerce, melhores práticas de merchandising, otimização de conversão e computação social no mundo do varejo. Ela também é autora do “The State Of Retailing Online”, um estudo conjunto realizado anualmente com a NRF.

Leslie Leifer, vice-presidente de Estratégia Empresarial e Desenvolvimento de Negócios da 1-800-Flowers.com, Inc. Em sua função atual, Leslie é responsável por novas iniciativas de negócios e incubação de marcas para a empresa, que inclui: 1-800-Flowers. com, Harry & David, Cheryl’s Cookies e The Popcorn Factory. Sua experiência nos últimos 12 anos no 1-800-Flowers.com, Inc, inclui gerenciamento de produtos, gerenciamento de projetos, SEO, análise da web, UX / UI, integrações e migrações de plataformas e gerenciamento de campanhas.

Hannu Vangsgaard,  com mais de 20 anos de experiência de vários papéis na arena digital e de comércio eletrônico, ele co-fundou uma das primeiras agências de marketing on-line na Dinamarca em 1998 e, mais tarde, ele foi nomeado chefe de comércio eletrônico no maior varejista da Dinamarca, Dansk Supermarked, onde encabeçou o estabelecimento do negócio de e-com do grupo a partir do zero. Depois disso, ele atuou como chefe de digital no mesmo grupo. Ele passou a ser o principal funcionário digital de uma das três principais agências de publicidade e agora Hannu trabalha como consultor independente no comércio eletrônico e na transformação digital.

Zia Daniell Wigder, Chief Global Content Officer da Shoptalk, um novo evento no varejo global e comércio eletrônico com mais de 7.500 participantes e 700 CEOs.  Zia é responsável pelo desenvolvimento de mais de 100 sessões na agenda e pelo recrutamento de mais de 300 palestrantes de inovações de startups inovadores, marcas estabelecidas e varejistas, empresas de capital de risco, promotores imobiliários e muito mais. Ela ingressou na Shoptalk em 2015 depois de passar mais de sete anos como Diretora de Pesquisa na Forrester, onde supervisionou a loja digital da empresa e a pesquisa de comércio omnichannel. Ela também liderou a cobertura global de comércio eletrônico da Forrester com foco em mercados emergentes como Brasil e China.

Saiba mais do evento, inscrições e palestrantes: http://vtexday.vtex.com/

Nos vemos lá!Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

A força dos livros na era digital

7 de maio de 2018

Vai ser realizado no dia 9 de maio, na FECOMERCIO SP, um seminário celebrando os 40 anos da Associação Nacional de Livrarias, com o tema “A Sociedade do Conhecimento e o Livro como Ferramenta”. Serão abordados assuntos muito importantes sobre o mercado de livros no Brasil e no mundo, com debates sobre as tendências futuras e os números de vendas.

Temos que lembrar que o livro foi, provavelmente, o primeiro grande afetado pelo advento da internet. Hoje, praticamente qualquer livro é acessível online. É curioso lembrar que Gutemberg revolucionou o mundo em 1439 ao produzir os primeiros livros numa impressora, permitindo livros mais baratos e iniciando uma era de difusão popular do conhecimento humano. Assim também aconteceu em 1969 – data oficial do início da internet – quando se iniciou a revolução que hoje permite que toda pessoa com celular tenha acesso a praticamente qualquer conteúdo na palma da mão.

Mesmo assim o livro – e as livrarias – continuam resistindo firmes e fortes ao avanço da internet, e inclusive tem tido aumento de vendas. Mais de 90% das vendas de livros no Brasil ainda acontecem em livrarias e lojas físicas. Redes de Livrarias com a Livraria da Vila, com 10 lojas, não tem e-commerce. E a rede Leitura (de Minas Gerais) com cerca de 60 lojas, fechou sua loja online. Pelo visto, quando se refere a livros, muitas pessoas ainda preferem o contato com o papel, o caminhar pelos corredores e prateleiras com livros.

Em 2018 está mostrando um aumento no número de livros vendidos no Brasil de quase 10% sobre 2017. Já o valor arrecadado nestas vendas foi 6% menor. Os livros didáticos são os maiores vendedores, com 20%. Depois vem a ficção com 13%, seguidos pela literatura estrangeira com 12%. Os livros de direito são 9% do mercado e os dicionários tem 7% seguidos pela medicina com 6%. As maiores quedas de vendas foram dos livros direcionados para concursos públicos, que perderam 24%, seguidos por arte e comunicação com -0% e direito com -9%.

Achei pessoalmente interessante saber que as histórias em quadrinhos – também chamados de comics – e jogos tiveram um crescimento no último ano de 42% e hoje representam 3% da venda total – e eu entendo perfeitamente, pois eu continuo comprando e colecionando, reforçando a cada ano minha biblioteca de HQ.

Mais informações e inscrições:
www.anl.org.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)