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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Um case de sucesso no Terceiro Setor

12 de novembro de 2018


Esta é a história de Marcelo Nonohay, fundador e diretor executivo da MGN, empresa especializada na gestão de projetos para transformação social. Gaúcho, bom contador de histórias e que nas horas vagas faz aula de guitarra, Marcelo é mestre em administração pela conceituada Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e membro Titular do Conselho Nacional do Voluntariado 2018/2019. Ele conta que a jornada empreendedora começou em 2006, apenas formado em Porto Alegre, e em 2010 desembarcou em São Paulo para colocar a MGN em abrangência nacional. Já deu palestras para mais de 15 mil executivos de empresas nacionais e internacionais, tornando-se uma referência nas áreas de voluntariado empresarial e educação.

Quando teve vontade de empreender?

Sempre tive um exemplo empreendedor dentro de casa. Antes mesmo de eu entender o que significa ser empreendedor eu via várias facetas do empreendedorismo. Tanto as coisas boas quanto as não tão boas em ser dono de um negócio próprio: paixão pelo que se faz e o orgulho pelas realizações; longas horas de trabalho e uma preocupação constante com o bem-estar dos funcionários; satisfação de clientes e a perenidade do negócio. Ser empreendedor sempre foi uma opção aberta, mas só virou uma realidade bem mais tarde. Nesta época eu já estava formado em administração e decidi fazer um mestrado. Neste período, além de um grande aprendizado acadêmico, pela primeira vez entendi que conseguiria viver sem ter um emprego formal e que eu poderia fazer um caminho diferente, pagar os custos e colher os frutos de uma vida mais independente. Foi nesse período que nasceu a MGN.

Olhando para atrás, houve uma inspiração especial?

Sim, na escola fiz parte de um programa que desenvolve empreendedorismo entre jovens com o trabalho de voluntários do mercado – a Miniempresa da Junior Achievement. Essa experiência foi transformadora, pois moldou em grande parte o meu negócio atual.

Primeiro apareceu o empreendedor ou a ideia?

No início eu achava que para ser um empreendedor de sucesso eu teria que ter uma ideia genial. É obvio que se você tem uma ideia genial e o mercado aprova, você está muito bem encaminhado. Mas entendo que nem todos os empreendedores terão uma ideia genial para começar. Olhando em retrospectiva, eu comecei fazendo o que sabia, explorando o que gostava e sempre muito aberto a aprender. Não criei a MGN a partir de uma ideia genial, mas hoje tenho certeza que o que ela faz é genial. Se me perguntassem há uns 15 anos se eu achava que uma empresa como a MGN poderia existir, eu diria que não.

Qual o foco de trabalho da MGN?

Nós trabalhamos com a gestão de projetos para a transformação social. Criamos esse guarda-chuva amplo, pois estamos envolvidos em projetos de voluntariado, educação e diversidade. Por isso, entendemos que nosso negócio sempre tem relação com algum tipo de transformação social que queremos ver na sociedade. Nem sempre tivemos esse foco exclusivo, no entanto. O começo de um negócio é sempre muito difícil. Por se tratar de um negócio de consultoria, também fizemos muitos trabalhos de planejamento: planos de negócios, planejamento estratégico e planos de marketing. Aproveitamos até hoje a experiência que adquirimos com esse tipo de trabalho. Muitos temas que desenvolvemos nessa época ainda aplicamos nos nossos projetos, como por exemplo empreendedorismo, sustentabilidade, inovação, gestão estratégica e pesquisa de mercado.

Como é que a família participa (ou não) no empreendimento?

A família do empreendedor sempre participa do seu negócio. No caso da MGN tenho membros da família que se envolvem de forma pontual em alguns trabalhos, de acordo com suas competências. Além disso, todos sofrem um pouco com as noites mal dormidas, assim como vibram com cada conquista.

E como é a rotina diária de uma empresa do Terceiro Setor?

Nosso cotidiano é bastante intenso. Por sermos uma empresa que presta serviço, é esperado que estejamos funcionando no horário comercial, mas como trabalhamos com muitos eventos, em especial de atividades de voluntariado empresarial, trabalhamos muitas noites e fins de semana, horários em que muitos programas de voluntariado corporativo realizam suas atividades. Para dar conta dessa demanda, zelamos por manter um ótimo clima organizacional, valorizamos a diversidade para que todos se sintam acolhidos e temos sistemas de bonificação para as lideranças e para quem trabalha em eventos. Além disso, o resultado do nosso trabalho sempre é carregado de muita satisfação pessoal, pois atuamos no que eu chamo de Economia do Bem. Para mim, esse conceito vai muito além das definições de Terceiro Setor ou Negócios Sociais. Aqui entram todas as formas de produção, trocas, consumo e descarte que propõem uma revisão das maneiras tradicionais.

Quais são os planos de futuro do negócio?

Nossos planos de futuro incluem a expansão concêntrica de negócios. Estamos explorando novos mercados onde podemos aplicar nossa expertise no Brasil e fora.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor, qual seria?

Vejo que atuar no setor, seja por meio de uma Organização ou Negócio Social, ou até mesmo com uma consultoria é muito tentador para os jovens. Essa nova geração já chega ao mercado pensando em empreender com propósito. Todos querem fazer o que gostam. Não há mais espaço para ser infeliz no trabalho e fazer o bem nas horas vagas. O ponto é que empreender em qualquer setor, mesmo que seja para fazer o bem, não é fácil e não é para qualquer um. Às vezes me preocupa ver tantas pessoas se jogando no mercado sem nenhuma noção ou preparo. Mesmo em um negócio que é 100% ligado à realização pessoal do empreendedor, as dificuldades e a vontade de desistir baterão à porta. Tudo começa por autoconhecimento: a pessoa tem que estar disposta a viver a vida de empreendedor.

Qual o futuro do Brasil?

Embora seja um clichê, eu acredito que o Brasil tem um enorme potencial, um grande mercado consumidor, uma cultura rica, grande diversidade ambiental e social, algumas ilhas de excelência e um povo criativo. O problema é que para que esse potencial seja realizado, precisamos investir em educação com um pensamento de longo prazo. Vejo que a MGN dá uma contribuição, pois quando desenvolvemos know-how para dar mais efetividade e maior impacto ao investimento social privado, estamos trabalhando para construir um futuro melhor.

Saiba mais:

http://mgnconsultoria.com.br/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

 

Depois de quebrar e se reerguer, boliviano se firma com a Comedoria Gonzales

5 de novembro de 2018

Checho Gonzales dá uma dica para quem quer empreender: 'Tente ser original'. Foto de Lucas Terribili

Esta é a história de Checho Gonzales, boliviano chegado ao Brasil aos 7 anos, cidadão do mundo, chef revelação em 2001 e 2002 pela Revista Gula, e que quebrou, e se levantou, algumas vezes, e sempre melhor que antes. Em 2012, Checho foi uma das pessoas que revolucionaram a gastronomia de São Paulo, juntamente com Henrique Fogaça e Lira Yuri, realizando um evento mensal chamado O Mercado, que trazia para um formato de feira de rua comidas de qualidade e de chefs renomados a preços razoáveis. O impacto foi tão importante, que mudou para sempre a forma como o paulistano se relaciona com o alimento no dia a dia da cidade, fazendo com que as pessoas perdessem o medo de comer na rua, de pé, e sem frescura. Isso abriu caminho para a vinda dos food trucks e dos restaurantes com serviço mais informal. Depois de alguns anos, Checho decidiu sair das ruas e ancorar num lugar fixo. Escolheu o Mercado Municipal de Pinheiros para abrir a Comedoria Gonzales, em 2014, servindo comidas latino-americanas – em especial os ceviches – e foi, mais uma vez, pioneiro da transformação desse antigo mercadão num ponto de encontro da gastronomia da cidade. Sempre com seu humor peculiar, conversamos sobre a jornada do empreendedor.

Primeiro apareceu uma ideia que forçou você a virar empreendedor? Ou primeiro apareceu o empreendedor que saiu procurando uma ideia?
Bom, eu sempre fui muito roleiro, até hoje consigo vender ou trocar todo tipo de coisa. Interessa um skate híbrido? Também estou com uma barra fixa. Vendo ou troco por instrumentos ou equipamento… Meu primeiro negócio apareceu quando voltei de Barcelona, vivi lá por 2 anos. Era 1993 e não sabia o que queria da vida e fui fazer umas comidinhas no bar de uns amigos. Foi a primeira vez que cozinhei pra ganhar um dinheirinho. Um dos sócios estava insatisfeito e achei uma boa oportunidade, acabei comprando a parte dele. Não foi uma ideia sensacional, mas me deu uma super referência. Era um bar de rock & roll, sexo e muitas drogas. Depois de passar um par de anos nesse clima cheguei à conclusão de que tinha que dar uma direção na minha vida. Podemos, então, dizer que foi o que alavancou tudo.

A sua família trabalha com você na Comedoria?
Agora meu pai cuida do meu financeiro e minha companheira vai responder às redes sociais. Tentei escravizar a minha filha também, mas ela fugiu…

Como é o dia a dia de um empreendedor da gastronomia?
Passei anos sem vida social regular, saía muito de madrugada, vida bem boemia. Depois que mudei de modelo de negócio e fiquei mais velho, tudo se normalizou: trabalho durante o dia e à noite faço coisas normais. Não sei até quando dura, pois isso acompanha o tipo de negócio.

Quais são os seus planos de futuro?
Creio que a Comedoria tem ainda muito tempo de vida, não bombando como foram os últimos anos, algo mais sóbrio, mas é o apoio que necessito para montar um outro restaurante. Ainda não encontrei a ideia correta, o espaço adequado, o formato que me agrada… Continuo na procura, sei que vai aparecer.

Se pudesse dar uma dica a quem está chegando agora na sua área, qual seria?
Pare de fazer cópias de tudo, tente ser original

Qual o futuro do Brasil?
Ave, neste momento não tenho a mínima ideia. A minha contribuição está no meu dia a dia, sei que agrego, que construo. Tento ser correto em tudo, acho que isso já soma

Saiba mais:
Comedoria Gonzales
Mercado Municipal de Pinheiros – boxe 85
Horário de funcionamento: segunda a sábado, 11h às 20h
@comedoriagonzales

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

A empreendedora dos azeites

31 de outubro de 2018

Vista interna da Rua do Alecrim, em Moema

Esta é a história de Iris Jönck, publicitária por formação, que decidiu empreender para fazer as coisas acontecerem pelas próprias mãos. Assim surgiu a Rua do Alecrim, uma loja online que oferece produtos de origem de diversos países e regiões diferentes do Brasil, e que virou ponto de encontro dos melhores azeites “de origem” do Brasil e do mundo. A Iris nos conta como foi sua evolução pessoal e profissional, como a ideia de uma loja online se transformou em loja física e os desafios e soluções encontrados nessa jornada.

Como tudo começou?
Sempre fui movida por desafios e sede de aprendizado, mas também sempre me deu muita satisfação ver os projetos acontecendo de verdade, saindo do planejamento e virando algo real. E acho que foram estes fatores que aos poucos foram me fazendo querer me dedicar mais a criar e fazer novas coisas acontecerem com minhas próprias mãos.Um momento importante, que me ajudou nessa guinada para o empreendedorismo, foi ter realizado um curso de pós-gradução em Tendências na Universidad Ramón Llul-Blanquerna, em Barcelona. Ali eu abri muito a cabeça, observando movimentos culturais e de comportamento que me ajudaram a enxergar um mundo com muito mais possibilidades de atuação do que as de um emprego tradicional em uma empresa ou ainda de uma agência de publicidade.A decisão de empreender, é claro, passou por uma conjunção de fatores e foi se desenhando a partir de inspirações e trocas entre mim e meu marido, que é meu sócio na vida e na empresa. O Arnaldo Comin é jornalista por profissão e sempre trabalhou como repórter e editor, sobretudo em jornais de economia e negócios. Nós dois sempre gostamos muito de viajar e sempre tivemos uma conexão muito forte com a cozinha e a gastronomia. Quando passamos nossa lua de mel na Turquia, a caixa de Pandora se abriu. O contato com aquele mundo de temperos e sabores caiu como uma bomba na nossa cabeça. Foi ali que tomou corpo a ideia de criar um negócio que resgatasse os valores gregários da cozinha, da gastronomia como elemento de união entre as pessoas e as culturas.

Primeiro apareceu a ideia ou a empreendedora?
Considerando o contexto, acho que a ideia precedeu a empreendedora. Nós queríamos trabalhar com um negócio que tivesse três elementos em comum: gastronomia, internet e o conteúdo forte para a construção da marca. Foi assim que nasceu a Rua do Alecrim. Alimentos com histórias para contar e um valor intrínseco para todas as pessoas que apreciam o que é especial. Nosso primeiro produto foram kits de presente temáticos por país: França, Itália, Espanha, Oriente Médio, assim por diante. Vinho, tempero e outros ingredientes típicos. Foi quando esbarramos logo de cara naquilo que seria a nossa marca registrada: os azeites. Vimos que era um produto super nobre, com uma riqueza cultural imensa, que não era muito bem trabalhado pelo varejo. Fomos conhecendo e nos apaixonando. Tanto que a nossa assinatura evoluiu para Rua do Alecrim Azeites e Gastronomia. Temos orgulho de oferecer em São Paulo uma das poucas lojas no mundo especializadas em azeites de origem. Mesmo em países produtores, como Espanha, Itália e Portugal, são raríssimas as lojas desse tipo. Do site, acrescemos para uma loja física no bairro de Moema, que se tornou uma “embaixada do azeite”. Fazemos um trabalho especial, e que muito nos orgulha, que é a promoção dos produtores artesanais brasileiros, uma nova geração que está começando a fincar raízes, literalmente, da olivicultura no País.

Iris em meio a oliveiras em Puglia, na Itália

Como é o estilo de vida de vocês, do pessoal ao profissional?
Nossa família é bem pequena. Somos só nós dois e, na verdade, a vida tão intensa do empreendedorismo adiou um pouco nossos planos de filhos. O desafio agora, por sinal, é conciliar as duas coisas: aumentar a família e os negócios ao mesmo tempo!  Depois de seis anos de negócios, a gente vai percebendo na prática um certo “paradoxo” do empreendedor: você fica muito imerso no seu mundo e vê que os seus amigos de sempre, principalmente aqueles que sempre viveram num esquema profissional mais tradicional, não acompanhar muito bem as suas opções de vida. E a agenda sempre tão carregada infelizmente te afasta um pouco da convivência. Por outro lado, ao empreender você agrega um monte de pessoas novas ao seu redor. Ainda mais quando o assunto é gastronomia. A gente trabalha muito, mas há a oportunidade de conhecer gente muito interessante e terminar um dia exaustivo de evento tomando um vinho feliz da vida com um degustador profissional ou um cozinheiro bacana. É a prova de como a boa comida aproxima as pessoas e expõe o nosso lado mais humano.

Quais são os planos de futuro do negócio?
Quem trabalhou com varejo nos últimos quatro ou cinco anos sabe como esse período foi difícil. No nosso caso, que trabalhamos predominantemente com produtores de origem do Mediterrâneo e alguns vinhos e azeites da América do Sul, o câmbio foi especialmente cruel. Isso nos levou a diversificar muito o negócio em busca de rentabilidade. Fomos do ecommerce puro com a ruadoalecrim.com.br para um híbrido com loja física, fora as vendas de brindes corporativos para empresas, que sempre foram muito importantes para o nosso resultado. Com o nosso crescimento muito grande no mercado de produtos italianos para pizzas e panificação, criamos em 2017 um segundo ecommerce, farinhasitalianas.com.br. Paralelamente criamos nossa marca própria de vinagres artesanais, azeite e temperos, além de ter iniciado no ano passado a importação direta de alguns rótulos de azeites de alto nível da Itália e da Espanha. Vale lembrar que sempre fizemos muitos cursos e workshops de azeites, pizzas, pães e vários outros temas de cozinha. É muita coisa!

Ao mesmo tempo, vemos que o nosso negócio precisa de escala para crescer: se trabalharmos com três ou quatro lojas, aumentando a importação direta e o investimento em marca própria, o negócio pode crescer bastante, tanto na revenda para o varejo quanto na comercialização direta ao cliente final. O objetivo para 2019, portanto, é estreitar o foco, priorizar as áreas de negócios com melhor potencial e conversar com gente do mercado que tenha interesse em investir conosco na expansão da empresa. Nosso desafio não difere de tantos bons empreendedores brasileiros: ter acesso a capital para crescer com o apoio de um parceiro estratégico que não aporte apenas dinheiro.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora
no seu setor, qual seria?
Pense leve. No ramo do varejo e da gastronomia é muito tentador ir aumentando o portfólio de produtos e serviços sem se dar conta. Assim como um restaurante que está sempre inventando pratos novos sofre com mais perdas de matéria-prima, tempo e pouco poder de negociação com ingredientes de baixo volume de uso ou de venda, no varejo acontece o mesmo. No caso do ecommerce, não menospreze os custos e o lado operacional. A tecnologia avançou muito desde que abrimos o negócio, há seis anos, mas vender pela internet é muito custoso, há muitos gargalos e pode levá-lo a muita perda, se os processos não estiverem muito bem montados e a equipe não for bem treinada. Além disso, o bom cliente de gastronomia dá valor à qualidade, à origem do produto e ao atendimento. Mas normalmente é bem informado e não abre mão do preço justo. É uma linha tênue. Por isso, a equipe precisa conhecer profundamente o seu produto e saber vender paixão. Comer e beber bem é um ato de indulgência. Com raríssimas exceções, nossos clientes são essencialmente pessoas que querem experimentar algo diferente e ser felizes. É uma compra por alegria e não por necessidade. Isso é o que dá mais prazer em ter um negócio como a Rua do Alecrim.

Qual o futuro do Brasil?
Pensar no futuro do Brasil não anima muito, para falar a verdade. Ao mesmo tempo em que me sinto muito preocupada com uma nova onda conservadora e de coação às nossas liberdades, não está muito claro se o País pretende realmente abraçar a causa do empreendedorismo e adotar uma agenda mais amigável ao investimento privado e ao livre mercado. Como empresária da gastronomia, acho que a melhor contribuição é ajudar no desenvolvimento dos produtores de origem, artesanais e orgânicos. O mundo está passando por uma revisão importante na forma como lida com a agricultura familiar e com a relação da alimentação com a vida em comunidade. O Brasil não pode ficar fora disso.

Conheça mais:
Rua do Alecrim Azeites e Gastronomia
Rua Normandia, 12 – Moema – São Paulo
eCommerce: www.ruadoalecrim.com.br e www.farinhasitalianas.com.br
Insta: @ruadoalecrim e @farinhasitalianas

 

De advogado a chef de cozinha e empreendedor

23 de outubro de 2018

Esta é a história de Thiago Benetton Gil, chef de cozinha e idealizador da Burger Happens, no bairro da Vila Mariana, uma hamburgueria que começou minúscula em 2016, na garagem do prédio da família, e que mesmo após uma ampliação, continua pequena – e lotada. O cardápio tem apenas três burgers fixos e um burger inédito a cada semana, o que significa que desde a abertura foram produzidas mais de 100 diferentes receitas. Este ano, o negócio dobrou de tamanho.  “De uma garagem, passamos agora para duas garagens” brinca o Thiago.

O que te levou a deixar a profissão de advogado e empreender na gastronomia?

Desde pequeno me imaginava em uma cozinha, sendo dono de um restaurante, mas sempre soube que seria um sonho muito difícil de realizar. Ninguém na minha família trabalhou em restaurante ou teve um negócio próprio no ramo alimentício e esse fato só contribuiu para dificultar a realização do meu sonho. Me formei em Direito, pós-graduei, passei na OAB e comecei a estudar para prestar concursos, mas sabia que não era aquilo que me faria feliz. Após a frustração com os resultados de alguns concursos, fui morar em Berlim, na Alemanha. Naquele país eu comecei a ver que um negócio pequeno poderia ser mais interessante do que um negócio grande e que algo pequeno funcionaria melhor, pois eu conseguiria ter maior controle administrativo. Porém, continuava sem dinheiro para tanto.

Na Europa, trabalhei em cozinhas e aprendi muito com minhas experiências. Voltei ao Brasil, não consegui me encaixar no ramo gastronômico e voltei às atividades jurídicas. Após um ano de trabalho eu consegui juntar dinheiro para investir em um negócio. Minha avó, de surpresa, me ofereceu uma pequena garagem no prédio construído pelo meu bisavô. Eu pensei muito, fiz muitas contas e decidi abrir minha hamburgueria. Todos me perguntaram por que hambúrguer e a resposta é simples: era o que o espaço me permitia fazer, era o que meu dinheiro podia pagar e era uma das técnicas culinárias que eu mais dominava. Então finalmente consegui realizar meu sonho.

Primeiro apareceu a hamburgueria que forçou você a virar empreendedor? Ou primeiro apareceu o empreendedor que saiu procurando um negócio?

Na verdade as duas coisas. Eu sempre quis empreender, mas não sabia direito como e não tinha condições financeiras. Depois, as oportunidades surgiram, coube no meu orçamento e eu me dediquei de corpo e alma pra fazer o negócio acontecer.

Como é que a família participa do empreendimento?

Minha família tem uma participação muito importante no meu negócio. Minha irmã hoje se tornou minha sócia, meus pais nos apoiam demais e sempre que podem nos ajudam aqui. Na verdade, eu só contei que ia abrir minha hamburgueria 15 dias antes de inaugurar, porque sabia que eles teriam medo por mim. Hoje em dia meus pais sonham meu sonho comigo, sempre me ajudam muito, dão conselhos e criticam quando necessário e sempre ficam muito felizes com nosso sucesso. Tenho certeza de que eles se orgulham demais de mim e, agora, da minha irmã.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Como você vive isso?

Realmente essa é a parte mais complicada de empreender. Já tive diversos problemas por conta dos meus horários, normalmente as pessoas não entendem que não podemos deixar o negócio. Já deixei de ir a casamentos e aniversários, já deixei de confraternizar com amigos e família, já perdi um relacionamento por conta da falta de tempo, porém hoje em dia estou conseguindo me adaptar e me acostumar com essa vida. Tenho uma namorada maravilhosa que me entende e que me apoia, tenho minha família que sempre me ajuda e me incentiva, tenho amigos e familiares que fazem confraternizações aqui na hamburgueria pra que eu possa participar, enfim, infelizmente acabo abdicando um pouco da minha vida pessoal, mas faço isso porque amo meu trabalho e minha rotina. Mais pra frente, quando meu restaurante estiver andando sozinho, eu vou sentir falta da correria da operação e do calor da cozinha.

Quais são os planos de futuro do negócio?

Eu não abri o Happens pra fechar ou pra colocá-lo nas mãos de outras pessoas. Quero consolidar a base e quero abrir filiais em locais estratégicos, tenho vontade de vender o Happens como minha marca com roupas e acessórios, já pensei em abrir uma barbearia com o mesmo nome, tenho vontade de expandir o negócio com outras frentes como pizza, cozinha vegana, bistrô… Mas também tenho vontade de voltar à Europa… Isso não significa que eu teria que fechar meus empreendimentos, pelo contrário, quero mantê-los funcionando para que tenha condições de viajar pra estudar, pra aprimorar meus conhecimentos e para enobrecer meus cardápios.

Se você pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor, qual seria?

Não tenham medo de empreender! Tudo e todos farão e falarão de tudo pra que você não abra seu negócio, mas se é seu sonho e se você tem condições de bancar seu empreendimento, faça! Sem medo! Você só vai saber se valeu a pena se você arriscar!

Qual o futuro do Brasil?

Essa é uma pergunta muito difícil de responder. Espero que o Brasil se torne um país de menos impostos e mais oportunidades. Espero que diminuam as burocracias e que aumentem o respeito ao empreendedorismo. Espero que eu consiga prosperar mais e mais com meu negócio e com a minha marca. Espero poder empregar mais pessoas e poder fazer com que as pessoas que me visitam saiam sempre satisfeitas e felizes. Minha contribuição será sempre uma cozinha de qualidade pra que as pessoas esqueçam seus problemas na primeira mordida.

Burger Happens
Rua Alcindo Guanabara, 27, Vila Mariana
Fone: (11) 3578-2613
Insta: @burgerhappens
Facebook: /burgerhappens

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

5 pontos em comum a todo empreendedor na batalha do dia a dia

15 de outubro de 2018

Ao longo dos últimos meses, tenho entrevistado pequenos empreendedores em vários segmentos, perguntando sobre motivações, família, rotina e planos de futuro.  São histórias que ainda estão sendo construídas, com um recorte atual de quem está na luta do dia a dia e na linha de frente do pequeno negócio.

Estas perguntas e respostas com “gente que coloca a mão na massa” são passadas de forma direta por quem está fazendo acontecer e representam lições valiosas para quem quer empreender e aprender. Ou mesmo para quem já está empreendendo poder se reconhecer e compartilhar vivências semelhantes, sentindo-se acompanhado.

Não chega a surpreender como todas estas histórias têm muitos elementos em comum. Eu mesmo me emociono a cada relato, me identifico. É como uma fraternidade. Mesmo que a pessoa tenha trilhado uma jornada muito particular e única para chegar aonde chegou, algumas características são comuns a todos.

1. Um sonho – ou como dizem alguns, uma ideia. Tudo habitualmente começa nisso: um insight de algum produto ou serviço, a vontade de construir uma empresa ou, em muitos casos, o desejo de modernizar o negócio da família. Para empreender é preciso ter algo em mente que possa ser realizado, que possa fazer a diferença. É o que vai justificar tudo.

2. Coragem – todo empreendedor, em algum momento, quando decide iniciar o próprio negócio vai respirar fundo, fechar os olhos, visualizar mentalmente tudo o que planejou e decidir ir em frente. É nesse instante que nasce o empreendedor. Nos segundos que antecedem a assinatura do contrato de locação, ou do empréstimo no banco, ou da importação de uma máquina, ou da compra de um caminhão. Muitas vezes arriscando a segurança financeira de um emprego confortável, ou a poupança dos filhos, ou contradizendo amigos e familiares que duvidam. Sempre tem muito em risco, nunca é fácil: o estômago embrulha, o coração acelera. É preciso uma coragem inimaginável.

3. Resiliência – é começar o negócio e as coisas começam a dar errado – ou melhor, o trabalho do empreendedor é fazer as coisas que estão dando errado darem certo. Acordar todo dia de bom humor, cheio de energia, e como Sísifo levar a pedra montanha acima, é para poucos. E ao mesmo tempo, é muito comum encontrar esta capacidade, entre empreendedores, de se manter animado e confiante.

4. Valores – todos os empreendedores compartilham o respeito e orgulho da história que os fez ser o que são. E cada um tem suas particularidades. Alguns passaram por doenças que os fizeram ver a vida de forma diferente, outros são agradecidos aos filhos que lhe deram uma motivação a mais, outros lembram dos pais que os influenciaram. Ou de um professor, ou de um antigo patrão. Este respeito à sua própria história é um dos alicerces de todo empreendedor.

5. Vontade de fazer a diferença no mundo – é claro que o dinheiro é importante, é uma medida de sucesso e é necessário para recompensar o trabalho e trazer prosperidade. Mas é impressionante como nenhum dos empreendedores dá maior importância ao vil metal. Os olhos se enchem de emoção mesmo é quando falam do impacto que o negócio está trazendo para os clientes, para os colaboradores, para a família. O orgulho de fazer algo que é admirado.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

 

‘A gente não para de pensar no negócio um minuto sequer’, diz Adolpho Schaefer

8 de outubro de 2018

Esta é a história de Adolpho Guedes Schaefer, orgulhoso pai da Bruna, e dono de um dos mais famosos food trucks do Brasil, o Holy Pasta, especializado em massas – um sucesso de crítica e público.

Adolpho também é uma das estrelas do ‘reality show’ do GNT chamado “Food Truck” que está na quarta temporada. A seguir, trechos de um bate-papo que eu fiz com ele.

Adolpho, me conta um pouco da tua família?
Casei cedo, fiquei 10 anos casado e depois de me separar encontrei uma carioca linda que me dá ‘mó’ força. A minha filha Bruna vai fazer nove anos daqui a alguns dias, ela é a mascote do Holy. Meu pai, minha referência de pessoa de caráter, João Luiz Schaefer, entrou no mercado financeiro em uma das primeiras financeiras do País, vendendo letra de câmbio. Décadas depois tentou a vida de restauranter, mas não deu certo. Minha mãe Eliane Guedes é pura energia e essa ‘vibe’ infinita de trabalhar que eu tenho acho que puxei dela.

De onde surgiu a ideia de fundar o Holy Pasta?
A ideia do Holy acendeu na minha cabeça quando comecei a acompanhar o movimento de food trucks nos EUA  em 2013, o que me levou a querer resgatar o espírito do meu primeiro emprego – um restaurante de almoço executivo no meio do Itaim Bibi em 1999 chamado Truta Forte – a informalidade no atendimento e a qualidade da comida formavam uma dupla surpreendente e arrancavam sorrisos de todos que nos davam a chance de mostrar nosso trabalho. Em poucas palavras, o Holy é o Truta Forte de rodas (risos).

Primeiro apareceu a ideia ou o empreendedor?
A ideia veio primeiro! Apesar de eu já ter tentado ter meu próprio negócio em outras duas vezes (primeiro uma ‘Lanhouse’ com lanchonete e depois uma lanchonete em um lava-rápido na Faria Lima), com o Holy, primeiro veio a ideia de sair de onde eu estava, cuidando do negócio dos outros para cuidar do meu negócio, com a minha cara, a minha identidade. Para viabilizar não foi fácil, eu não tinha grana e é aí que entram os meus sócios (antigos patrões) e meu irmão por opção: Paulo Ribas Bixo. Eu tinha a ideia, o projeto, tudo na cabeça e esses caras articularam para juntos formarmos uma sociedade e tirar a ideia do papel.

Como é que a família participa no empreendimento?
A família não escapa de participar, todos acabam se envolvendo seja fisicamente (a Bruna fica comigo em nosso QG pelo menos duas vezes por semana, fora às vezes em que fica no truck), a namorada, além de frequentar sempre que consegue, me ajuda um monte me escutando e me aconselhando, minha mãe, meu pai, meus irmãos, estão sempre querendo saber como andam os negócios. Enfim, em família de empreendedor todo mundo ri e chora junto.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Ainda mais num food truck. Como é isso?
Com certeza são fora do normal, a gente não para de pensar no negócio um minuto sequer, inclusive isso é um desafio diário, eu me policio direto para dar um jeito de desligar nos momentos que não são cruciais para tentar olhar e pensar do lado de fora do furacão. Empreender nesse ramo de alimentação é saber que na maioria dos dias você estará trabalhando enquanto seus amigos estão no churrasco, mas sempre que consigo, eu estaciono o truck e corro pra lá. Com a família a mesma coisa, só que rola um cuidado especial com a Holy Girl (Bruna) que tem um dia da semana reservado para ela. No truck é ‘mó’ doideira, carrega, descarrega, monta, desmonta, olha pro céu e torce para não chover e também para não fazer aquele sol do agreste. São tantas variáveis que você aprende que não adianta sofrer por antecipação, o negócio é estar sempre pronto para vender o máximo que conseguir.

Quais são os planos de futuro do negócio?
O futuro é crescer, expandir, gostaria de te falar hoje que meu plano é abrir 10 lojas nos próximos 2 anos, mas por enquanto a meta 01 é abrir uma loja – nos mesmos moldes do truck – pede, paga, pega e come. Isso no ano que vem.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando, qual seria?
Queira mais do que qualquer coisa! Tenha claro pra você que mesmo quando você não quiser o seu negócio irá precisar de você. Que a qualquer momento você irá precisar dar mais um pouco da sua energia para ele continuar girando. E não esqueça, não faça mais do mesmo, disso o mercado está lotado!

Na tua opinião, qual o futuro do Brasil?
Em um país onde todos os que estão abaixo da grande cúpula dos políticos e megaempresários milionários, não passam de escravos do capitalismo, vou lutar para fazer as pessoas sentirem que vale a pena ser feliz com um bela pratada de macarrão. Tá difícil engolir que a gente trabalha 16 horas por dia para pagar a regalia dessa corja.

Como o público encontra você na rua?
Nossas redes sócias são nosso canal com o público, entra lá: @holypastafoodtruck no Insta e no Face e veja qual é a próxima parada. Se quiser falar com a gente aproveita e manda uma mensagem.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo

 

Empreender é doce, mas não é mole não

17 de setembro de 2018

Esta é a história de Ana Rita Leme de Mello, 46 anos, e de sua filha Giulia, 12 anos. Com sólida formação em publicidade e propaganda e pós-graduação em marketing e administração, Ana Rita trabalhou desde os 21 anos no mundo corporativo em grandes empresas como Avon, Souza Cruz e Portugal Telecom. Em 2008, quando era diretora de comunicação corporativa da Portugal Telecom, venceu um câncer de mandíbula que quase lhe tirou a vida, e assim deu início a uma guinada na carreira e fundou a Nano Doces.

Antes da Nano, como era tua vida profissional?
Sempre fui executiva e sempre trabalhei muito. Com a minha formação, minhas responsabilidades eram desenvolver canais de vendas, zelar pela imagem das marcas, das empresas e de seus executivos.  Sempre atuei em cargos de responsabilidade ligados à presidência das empresas, o que contribuiu muito para a minha experiência pois, tive a oportunidade de conhecer outras áreas nas quais não era especialista. O conhecimento, os desafios que este mercado te oferece tem um valor inestimável, principalmente se você tem a sorte, como eu tive, de trabalhar com pessoas muito competentes.

Como começou essa ligação forte que você tem com a gastronomia?
A paixão pela cozinha começou na infância, quando passava os finais de semana na casa dos meus avós paternos. Minha avó era uma cozinheira de mão cheia, e nos divertíamos fazendo pratos deliciosos para a família que almoçava junta todos os domingos. O preparo dos doces era feito com o maior carinho, e então minha avó me deixava colocar, literalmente, a mão na massa de bolo. Em 2001 , me casei e fui morar em Milão, na Itália,  quando aproveitei para visitar as livrarias, encher a minha casa de livros de gastronomia e testar receitas do velho continente. Inesperadamente, nossos amigos vinham em casa para experimentar a culinária brasileira e as receitas que tinha aprendido nas minhas pesquisas pela Europa, e foi assim que começou a nossa aventura: vender doces brasileiros para italianos, em Milão. Por estar na Europa, o acesso aos livros, aos restaurantes, ao melhor da culinária era mais fácil. Aproveitava meu tempo para viajar em busca do legado e da cultura gastronômica de cada país.  As malas voltavam cheias de livros e do sonhos de um dia poder transformar esta paixão em realidade.

Em que momento você decidiu largar a vida corporativa e empreender?
Apareceu um câncer quase incurável, tinha chances mínimas de sobreviver. Foi um ano de muita luta. Meu tumor era muito agressivo e raro, mas estive nas mãos dos melhores médicos da área e com força de vontade, garra, muita vontade de viver, me tiraram dessa. Sou uma pessoa movida a desafios. Durante o tratamento fiz vários cursos de gastronomia, confeitaria para aperfeiçoar meus conhecimentos em culinária. Não tive dúvida: era hora de juntar uma paixão antiga aos conhecimentos que tinha adquirido. Assim decidi dar uma virada na vida e empreender no meu antigo sonho. Fundei a Nano Doces, com foco no food service. Nossas sobremesas – petit gateaus, cookies, tortas, brownies, entre outras – estão presentes em aproximadamente 150 estabelecimentos comerciais de São Paulo e também em outros Estados.

E as dificuldades?
Nestes dois últimos anos, gerenciar um negócio como este têm sido muito cansativo e desafiador. A carga de impostos é altíssima, o aumento no custo do frete inviabiliza, muitas vezes, a expansão da empresa para outros Estados, o custo dos ingredientes inviabiliza a produção de alguns itens, encontrar mão de obra qualificada é um desafio e, algo que me chama muita atenção, é a falta de incentivos para o desenvolvimento do microempreendedor. Recentemente, compramos a Original Brownie que trouxe para a Nano um produto de muito sucesso: os cookies recheados. Eles aumentam significativamente o faturamento dos nossos clientes.

Como manter a pequena empresa relevante num cenário de crise?
Temos que nos adequar constantemente: implantamos um sistema de avaliação dos funcionários baseado em metas, substituímos os colaboradores pouco produtivos, desenvolvemos novos produtos sem abrir mão da nossa qualidade, desenvolvemos novos sabores dos nossos produtos mais vendidos, paramos de atender supermercados que, nos pagam com 45 dias de prazo e internalizamos o frete, que antes era feito por uma empresa terceira. Tiramos de linha nossos produtos que eram o coração da empresa, os copinhos de vidro. Após a crise que vem nos assolando, nossos fornecedores aumentaram seu volume mínimo de venda. Para se ter uma ideia, nosso fornecedor de tampas para os copos de vidro passou a vender somente em quantidades acima de 35 mil unidades, o que faz com que nosso custo seja muito alto. E não paramos por aí. Estamos trabalhando em um projeto para abrir as vendas para pessoas físicas e vamos dar início a produção de salgados pois, temos estrutura para isso. Contratamos uma profissional que fará a gestão operacional da fábrica para que eu possa estar exclusivamente dedicada ao desenvolvimento do negócio, seja na criação de novas linhas de produtos ou no desenvolvimento das vendas e expansão do grupo. Estamos também conversando com investidores que entrarão com capital para abrir nossas vendas para o consumidor final.

A família participa do empreendimento?
Não. Não acredito que família envolvida no empreendimento colabore. Família é família e já dá muito trabalho por si só. Gosto de separar as coisas. Também não gosto de envolver amigos nos negócios.

Qual o futuro do Brasil?
Incerto. Vivemos este momento de eleições com muita apreensão pois a única certeza que temos é que do jeito que está não dá mais para ficar. Nosso País está dividido, uns contra os outros. Precisamos de um governante que trabalhe para unir o país. O que mais me preocupa são candidatos preocupados em acusar uns aos outros, em vez de vir ao público apresentar suas ideias, discutir ideias, trabalhar em projetos factíveis. Somos um País rico, seja do ponto de vista natural ou financeiro. Mas como usam estes recursos? Para o bem de uma nação? Não!  Quando vejo nossos meios de comunicação trabalhando para aumentar a discórdia e inflar os ânimos dos candidatos, fico ainda mais estarrecida. Temos que explorar ao máximo as ideias, os projetos, entrevistar, analisar o perfil psicológico dos candidatos, o seu curriculum, suas experiências, seus resultados e, votar com consciência, não por conveniência. Acredito no futuro do País e acredito que a Nano possa crescer ainda mais.

Instagram: @nanodoces
Facebook: facebook.com/nanodoces
Email: contato@nanodoces.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

Tudo pela carne

3 de setembro de 2018

O uruguaio Rodrigo Facal, que abriu um restaurante em São Paulo

Esta é a história de Rodrigo Facal, uruguaio radicado no Brasil, torcedor fanático do Nacional, casado com a brasileira Silvia e pai de Pedro Henrique, de 2 anos. Formado chef de cozinha na conceituada Escuela de Turismo y Gastronomia del Uruguay, abriu faz um ano em São Paulo a Parrillada Fuego Celeste, restaurante de assados ao estilo típico do Uruguai. O lugar virou ponto de encontro da comunidade uruguaia, e não é difícil encontrar jogadores de futebol e artistas nas mesas.

Como você chegou ao Brasil?
Minha história com o Brasil começou quando conheci a Silvia numa noite em Santiago do Chile, há doze anos. Depois, ela foi conhecer a minha família em Montevidéu e. para formalizar mais ainda. me convidou a passar “uns dias” em São Paulo. Eu sabia que coisas boas iriam acontecer, entendia que poderia ser meu lugar no mundo, tanto pelo lado pessoal como profissional… E assim foi, fiquei em São Paulo.

De onde surgiu a ideia do Fuego Celeste?
O amor pela gastronomia e pela “parrilla” começou desde pequeno, observando minha mãe e minha avô cozinhar. Sempre tive o sonho de ter um restaurante, mas desde cedo eu sabia que para chegar até lá não seria suficiente só saber cozinhar e assar carnes, tinha que aprender a ser líder e aprender a lidar com grupos.  Quando mudei para São Paulo, trabalhei dez anos numa multinacional, onde aprendi muito e entendi a importância da empatia com todos os membros da equipe. Muitas vezes você tem os melhores profissionais com curriculum nível “Le Cordon Bleu”, mas na prática, se não estiverem motivados no dia a dia, terão “data de vencimento”, ou pior ainda, aparecerão as primeiras laranjas podres que ninguém quer.

E você decidiu empreender em vez de seguir empregado?
Caminho percorrido, chegou a hora da aventura e me desligar da empresa para afrontar o pior dos medos do empreendedor, a incerteza. Após entender as debilidades do mercado gastronômico (alguns com atendimento paupérrimo e ou preços surreais que não condizem com a qualidade do produto apresentado) e de ter realizado eventos e churrascos na casa de amigos, entendi que tinha chegado a hora de transformar toda essa experiência numa profissão. E foi assim que após várias reuniões com Douglas, Fabrício e Flávio (amigos da vida que o Brasil me proporcionou) decidimos virar sócios e abrir o Fuego Celeste com três pilares inquebráveis: atendimento diferenciado, preços justos e uma excelente qualidade de produtos.

Como se destacar no meio da concorrência de restaurantes em São Paulo?
Poderíamos descrever hoje que a ideia de Fuego Celeste é brindar uma experiência de uma típica parrillada de bairro uruguaia, pequena, informal, usamos lenha para assar as carnes e onde não vai faltar uma excelente proposta gastronômica típica junto com a decoração e o sotaque.

Primeiro apareceu a ideia do negócio ou primeiro surgiu o empreendedor?
Primeiro veio a vontade de empreender e depois o negócio, mas confesso que o meu lado empreendedor (que não conhecia) me surpreendeu positivamente. São dessas habilidades ocultas do ser humano que só quem se aventura (seja qual for a magnitude do projeto) pode descobrir.

Como é que a família participa no empreendimento, no estilo de vida?
O período de adaptação foi de aproximadamente 8 meses, entre a parrillada e a família, e não foi nada fácil. Se tivesse que resumir tudo numa palavra só seria sacrifício. Para me ver, a família tinha de ir ao restaurante. E voltar para casa significava “deitar” por umas horas… E olha lá. Hoje, com o estabelecimento estruturado posso “me dar o luxo” de voltar para casa todas as noites para desfrutar da família. Amigos e família entenderam com o tempo que a vida da gastronomia é assim, gratificante e tirana ao mesmo tempo.

Quais são os planos de futuro?
Em nível pessoal, quero desfrutar o momento do Fuego Celeste e tentar recuperar o tempo com a família. Em  nível comercial, estamos planejando a expansão onde serão filiais próprias da empresa, não franquias.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?
Paciência, perseverança e inteligência. O grande desafio a superar dos jovens empreendedores está justamente nestes três quesitos. Paciência para chegar, perseverança e inteligência para a parte mais difícil do empreendedorismo… se manter.

Qual o futuro do Brasil?
Obviamente, o Brasil não está passando por um bom momento, mas confesso que nunca me interessei muito pela política. Acredito fortemente no trabalho e no esforço das pessoas. É justamente isso que passo para meu filho.

Parrillada Fuego Celeste

Rua Joaquim Távora 1068 - Vila Mariana - SP
Tel: 11 45638999
Face: www.facebook.com/FuegoCelesteOficial/
Instagram: @fuegocelesteoficial
E-mail: contato@fuegoceleste.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

O missionário empreendedor

27 de agosto de 2018

Loja do Coletivo Emaús, marca de moda urbana que destina parte do seu faturamento para projetos assistenciais

Esta é a história de Tom Dias, designer, empreendedor e fundador da marca de moda jovem Coletivo Emaús, com forte pegada de street wear, rap, skate e … bíblias! Tom e sua mulher, Cibele, estão empreendendo de forma a realizar não apenas a vontade de serem donos do próprio negócio, mas também de compartilhar e doar. “Somos uma marca de moda urbana que segue os preceitos bíblicos e achamos importante praticar essa relação humanitária, que consiste em devolver ao universo uma parte do que conquistamos.” E Tom fala sério e compartilha pesado: 30% do lucro obtido é doado para projetos assistenciais e auxílio a missionários espalhados pelo mundo, como em Juazeiro do Norte – CE (Brasil), Arequipa (Peru), Moçambique e Sudão.

O que é o Emaús?
O Coletivo Emaús mostra a força da criatividade e amor através de camisetas que falam sobre um caminho, uma verdade e uma vida que começa aqui, mas não acaba aqui! Somos uma marca que promete um lifestyle com qualidade, esperança e muito amor! Esse é nosso intuito! A pessoa quando veste um produto Emaús sente algo diferente. É muito mais do que uma camiseta. É algo diferente, é algo que surpreende.

De onde surgiu a ideia de fundar o Coletivo?
A necessidade de apoiar projetos e pessoas que deixam seus lares, suas vidas para prestar serviços de assistencialismo a famílias, crianças, adolescentes. Muitos desses são chamados de “Missionários” porque entenderam que existe uma necessidade maior, um anseio maior para que outras vidas possam ser apoiadas, conhecendo um amor, uma graça, que pode mudar suas condições.

Primeiro apareceu a ideia do negócio ou primeiro surgiu o empreendedor?
Desde pequeno sempre fui avesso a ideia de trabalhar com carteira assinada. Sempre perguntava aos meus pais porque eles não poderiam ser livres para fazer suas coisas que sempre sonharam. E a resposta que sempre ouvia era “estude para arrumar um emprego decente”. Eu sempre fui ouvinte, obediente (salvos muitas exceções) e muito teimoso com meus pais. No princípio, aos 17 anos, arrumei meu primeiro emprego como designer de estampas, isso foi em 2004. Mas sempre questionando o motivo  de acordar super cedo, ter uma hora de almoço e ter hora para ir embora. Nunca entendi muito porque as pessoas adoram a sexta-feira. enfim…. De lá pra cá, passei por agências de comunicação, escritórios de moda, cenografia, publicidade entre outros. Minha teimosia foi o gatilho para abrir o próprio negócio. A princípio prestando serviços de design e querendo tocar ao mesmo tempo o Emaús confeccionando camisetas. Percebi que era muito perfeccionista e decidi abandonar a área de serviços e aprendi a amar o Emaús fazendo a melhor camiseta da vida de qualquer pessoa!

Como é que a família participa no empreendimento? No estilo de vida?
Eu e minha esposa somos sócios nesta empreitada! Preciso confessar: não é nada fácil, mas sempre conseguimos entrar num acordo. As coisas, querendo ou não, se misturam muito. O legal é que as crianças já crescem percebendo que a vida não é um mar de rosas e acredito que eles adoram ter o pai e a mãe sempre por perto. Nossa rotina é muito dinâmica e bem cansativa, acordamos, levamos as crianças pra escola, voltamos, conversamos sobre o dia, vamos a loja/escritório, trabalhamos com as agendas do dia, como criação, produção, vendas estratégias etc. Nos fins de semana, fazemos eventos em igrejas, levando nossas camisetas para apresentar a marca aos irmãos.

Tom Dias, criador do Coletivo Emaús, em seu ateliê

Como é o seu dia de trabalho?
Já houve quarta-feira que foi meu domingo e já houve domingo que acordei na empresa. Não existe nem dia e nem hora para quem quer conquistar um sonho, seja ele material, espiritual ou pessoal. Não existe! Nosso tempo com a família é super-importante, pelo menos uma refeição do dia fazemos juntos. E procuramos passar um ou dois dias da semana juntos, passeamos, comendo ou apenas deitados na cama assistindo Netflix durante um dia inteiro! Família é primordial para que tudo dê certo. Sem família, nada do que fazemos faria sentindo. Amo muito nossa família, e tudo que faço, as horas e dias investidos, são por eles e para eles!

Quais são os planos de futuro do Emaús?
A internet é um ser a ser explorado durante vidas e vidas! Nossa intenção é descobrir cada vez mais como ela funciona, pois nosso Cliente (com maiúscula) está ali! Queremos sempre criar camisetas novas, expandir os negócios na internet. Automatizar processos cada vez mais sem perder o contato humano do atendimento. Sonhamos em expandir fisicamente o nosso negócio, mas cremos que ainda não é o tempo. Acredito numa frase de Salomão: “Há tempo para tudo estabelecido abaixo dos céus”. Um dia de cada vez, vivendo, aprendendo, vendendo e expandindo conforme Deus quer.

Se pudesse dar uma dica aos jovens empreendedores que estão chegando, qual seria?
Encontre um propósito para seu negócio, não uma necessidade para ganhar dinheiro. Encontre um propósito e o dinheiro virá como consequência para alimentar o negócio e o propósito. Sei lá, pense em ajudar asilo, orfanato, ONGs, comunidades, igrejas com parte do seu faturamento. A generosidade gera renda! Quando mais dou, mais eu tenho para dar! Aquela máxima, “Quem tem para pagar a conta, tem sempre”… Seu diferencial não seja atendimento ou um produto/serviço bacana! Que isso seja obrigação. Encontre seu diferencial nos detalhes que só o cliente e você percebam, talvez uma aproximação mais pessoal, algo que lembre as pessoas de algo nostálgico que traga lembranças positivas, pense nos detalhes como diferencial. Não tenha limites para trabalhar! Trabalhe, estude com diligência e muita força! O mundo e as pessoas estão cada vez mais profissionais e se você quer bater de frente, precisa ser profissional ao extremo! Agora se você quer ser mais um, é só cair toda hora em campo e fingir que está machucado…

Qual o futuro do Brasil?
Vejo um futuro de pessoas cada vez mais empreendendo no Brasil. A internet é o lugar das oportunidades. Os mais novos já nascem com um smartphone acoplado em suas mãos. O que precisa é guiar essa garotada que está vindo a querer ser cada vez mais técnicos, profissionais, porque talento muitos deles já tem! Não vejo carteiras assinadas, não vejo mais empregados. Mas vejo pessoas trabalhando em acordos montados com seus chefes e tendo a possibilidade de escolher o que fazer cada vez mais. Vejo pessoas sendo preparadas cada vez mais! E pessoas com multitalentos ora são cozinheiros, ora são profissionais de TI ou produtores musicais. Não vejo pessoas com profissões padronizadas, mas vejo cada vez mais jovens super talentosos, graças à bendita da internet!

Onde encontrar:

www.coletivoemaus.com (Loja online)

Facebook: www.facebook.com/coletivoemaus

Instagram: www.instagram.com/coletivo_emaus

Endereço Coletivo Emaús:  Av. Brasil, 361A – Vila Correa, Ferraz de Vasconcelos – SP; telefone: (11) 3425-7299; horário de funcionamento: das 10h às 18h.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

A importância da reinvenção aos 110 anos de existência

13 de agosto de 2018

Fachada do centenário Empório Chiapetta no Mercado Municipal de São Paulo

Esta é a história de Renato Galgiardi Chiapetta, de 38 anos, quarta geração de uma família de comerciantes de alimentos. Ele é bisneto do fundador do Empório Chiapetta, Carlo, calabrês chegado a São Paulo em 1908 e que se instalou numa pequena banca no antigo Mercado São João. Em 1933, Carlo mudou a banca para o atual endereço, no então recém-inaugurado Mercadão Municipal de São Paulo.

Renato está hoje na linha de frente da renovação da operação, com novas marcas e novas frentes de negócios. “Temos 110 anos de história e estamos passando por mais um período de renascimento, fazendo os ajustes necessários para o negócio durar mais 110 anos.”

Como é trabalhar com a família?
Na nossa família, a empresa é um assunto que está presente todo o tempo, é uma extensão natural de casa. Foi assim desde pequeno: comigo, meus irmãos, meus primos. Nós, assim como nossos pais e antepassados, começamos a ajudar desde cedo, então, essa ligação fica muito forte e natural. Isso é um traço muito forte da nossa origem italiana, igual a tantas outras famílias de imigrantes. Quando se trabalha em família e com muita paixão, tudo envolve muita energia e muita emoção, e esse é o nosso combustível. A vida da nossa família pode ser vista em muitos filmes italianos e sobre italianos. Desde de O Poderoso Chefão, Concorrência Desleal, Rocco e Seus Irmãos, Estômago, A Grande Noite, entre outros.

Você trabalhou em outras atividades além do Empório?
Eu estudei Publicidade e Administração de Empresas e segui minha vida, trabalhei bastante tempo como fotógrafo e diretor de filmes para comerciais e programas de TV. Durante esse tempo, sempre estive presente e acompanhando a trajetória da empresa. Isso foi muito bom por vários motivos. O principal deles foi a oportunidade de poder olhar o Empório Chiappetta de fora — foi um ponto de vista novo e muito surpreendente para mim. Compreender o negócio, o valor dele e a percepção do público de uma posição neutra são coisas fundamentais para qualquer empreendedor, numa empresa de 110 anos isso pode ser mais difícil do que se imagina, por mais que seja óbvio.

Aos 110 anos, qual é o momento atual da empresa?
O Empório Chiappetta mudou de negócio muitas vezes na sua trajetória. Começamos como feirantes, praticamente antes de existir o próprio mercadão. Depois fomos atacadistas de alimentos básicos, depois importadores de produtos especiais, depois distribuidores de food service , depois lojas de varejo. Em mais de um século de história acredito que a capacidade de adaptação e o espírito de luta do meu bisavô, meu avô, meus pais, meus tios, meus primos e meus irmãos foram essenciais para irmos tão longe. Hoje, estamos mudando de “business” novamente, uma vez que estamos produzindo produtos de alta qualidade aqui no Brasil, em vez de importar, que era a atividade principal da empresa nos últimos 30 anos. Não é fácil fazer isso e esse é o nosso desafio neste momento.

Produtos da marca Gastronomia Chiapetta, braço dos negócios da família

São vários negócios?
Hoje, temos a loja histórica no mercadão, na rua G box 8, onde ficam meus tios Leonardo e Eduardo, que é maravilhosa, está a pleno vapor e tem esses dois personagens extremamente carismáticos. E na parte de food service nós temos duas marcas em dois campos de atuação muito claros, que são a Gastronomia Chiapetta e a Fiumefreddo. A Gastronomia Chiappetta é uma linha de produtos gourmet e saudáveis ao mesmo tempo, como mix de frutas secas, temperos especiais e pastas espalmáveis naturais, como um creme de avelã e cacau vegano e uma pasta pura de pistache. São produtos destinados a lojas de produtos saudáveis, naturais, empórios e supermercados. Já a Fiumefreddo é voltada para o público profissional de gelateria e confeitaria, com insumos totalmente naturais para produção artesanal de sorvetes, sobremesas geladas e confeitaria em geral. Foi um mercado muito interessante que identificamos e é carente de produtos de alta qualidade. A gelateria de artesanal chegou ao mercado brasileiro para ficar. São esses dois projetos o nosso foco e grande desafio neste momento.

Como é a sua rotina de empreendedor?
Eu sou completamente apaixonado pelo meu ofício, uma das primeiras implicações disso é não ter horário para nada. Nós fazemos um trabalho ao lado dos grandes chefs de uma forma invisível, criando e pesquisando ingredientes, formatando produtos e soluções, mas sempre sem aparecer, afinal quem tem de brilhar é o chef. Isso vale para o nosso trabalho em gastronomia e em gelateria também, faz parte do mundo do sorveteiro essa alquimia, esses segredos misteriosos.

Quais os planos de futuro?
Nós estamos passando por mais um período de renascimento, fazendo os ajustes necessários para o negócio durar mais 110 anos. Nós acreditamos na nossa marca, temos uma visão de qualidade e estamos vendo o mundo da alimentação passar por uma grande revolução como um todo, o que gera uma série de oportunidades. Hoje, as pessoas leem as etiquetas, sabem que matérias-primas devem evitar e quais valorizar, têm preferência pelo produto local, evitam corantes, conservantes, estão muito mais informadas sobre processos, responsabilidade, sustentabilidade e outros assuntos super-importantes, sem dúvida é uma grande evolução. Existem as tendências e os nichos que se formaram e estão cada vez mais identificáveis, como os veganos, vegetarianos, o público fitness, os que evitam glúten, lactose, orgânicos, os que procuram o low carb entre tantos outros. Isso tudo gera novos negócios, novas empresas e novas marcas. Se nós do Empório Chiappetta queremos continuar nossa trajetória, devemos acompanhar tudo que está acontecendo e ainda agregar a nossa longa experiência no mundo da alimentação.

Se pudesse dar uma dica aos jovens empreendedores que estão chegando no seu setor, qual seria?
Eu não sou ninguém para dar dica. Posso falar das coisas que aconteceram conosco e que nos fizeram chegar até aqui e evoluir: nós sempre optamos pelo produto e pelo nicho de qualidade e não de preço; tivemos capacidade de adaptação para mudar de mercado e de segmento para sobreviver e trabalhamos com muita paixão, que nunca é demais. Estamos vivendo tempos em que as pessoas se reúnem em casa para cozinhar com os amigos, fazer pão, cerveja… tudo em casa. Isso é fantástico. Estamos vendo diversas novas marcas inovadoras, com produtos inovadores nos mais diferentes mercados do mundo da alimentação, nos sucos, nos produtos naturais, no próprio sorvete, nas cervejas, nos chocolates, nas massas… é um novo mercado praticamente.

Qual o futuro do Brasil?
Os empresários são uma parte muito importante do processo para a engrenagem funcionar. Nós devemos ajudar a sociedade dentro do nosso campo de habilidade, acreditar no terceiro setor e cumprir nossa função de empresário pensando no social e em um país melhor para todos.

Serviço:
www.chiappetta.com.br
www.fiumefreddo.com.br

Instagram: gastronomiachiappetta / fiumefreddogelato
E-mail: renato@chiappetta.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)