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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Para empreendedor, o equilíbrio na vida está na gestão do desequilíbrio

14 de janeiro de 2019

 

Ivan Bornes *

Essa é a história fascinante de Flávio Peralta, vice-presidente da MultiCrédito – considerada a maior plataforma de análise de crédito, antifraude e big data para varejo do Brasil – e apaixonado pela atitude positiva. Flávio é hiperativo, curioso, inquieto e escolheu ser empreendedor dentro da empresa que o contratou, onde entrou como vendedor, na filial de Porto Alegre, para hoje ser sócio e VP instalado em São Paulo.

Além de desenvolver produtos e ideias, Flávio viaja o Brasil montando equipes comerciais, palestrando e motivando pessoas em busca de resultados. E ainda escreve o blog Energia para Voar e compartilha frases e pensamentos no site Pensador.

“Os motivos para você agir não estão lá fora, eles estão dentro de você. Olhe para dentro, sinta e decida o que precisa mudar, o que vai fazer para ter a vida que escolheu”

Flávio Peralta (no canto inferior à esq.) com equipe de treinamento. Foto: Flávio Peralta

 

Flávio, me fale um pouco do exemplo familiar nas suas escolhas.

Venho de uma família de empreendedores, meu pai e meu tio eram donos de uma distribuidora de bebidas em Bagé (RS), onde eu nasci. Conheci desde sempre uma empresa por dentro e o comportamento de um empreendedor em casa, naquela época sem compreender qual o impacto, mas vivenciando as ausências e urgências. Sempre acreditei que o modelo seria ter uma empresa, criar empregos, fazer as escolhas, ter flexibilidade, autonomia para decidir e ajudar outros a construir suas vidas.

E você começou a empreender cedo?

Eu segui o mesmo ramo da família, com distribuição de bebidas, e para aproveitar a cadeia de transporte abri uma distribuidora de alimentos – o que hoje pode ser considerado como loja de conveniência – usando o estoque. Depois, aproveitando esses negócios, abri com um sócio um fast-food que, pela inovação na forma de trabalho e atendimento, rendeu um prêmio “homem do ano” em Bagé. Isso aos 22 anos. Foi me dando mais motivação. Ainda tive uma serigrafia e um estúdio fotográfico.

O que o empreendedor faz de diferente?

Eu acredito que o empreendedor tem a capacidade de visualizar uma ideia e a transformar em negócio. O empreendedor possui em seu DNA uma vontade maior de mover as coisas à sua volta, tem uma inquietude com status quo e uma disposição para correr riscos maiores, se for para transformar uma visão em algo que funcione. É possível sentir na conversa e no contato com um perfil empreendedor que tudo pode ser uma oportunidade para mudar algo que já existe, melhorar ou criar algo melhor.

“Quando me perguntam sobre o equilíbrio na vida de um empreendedor, eu costumo dizer que ‘o equilíbrio está na gestão do desequilíbrio’. Gerenciar o desequilíbrio é fazer escolhas o tempo todo sobre onde depositar energia e atenção”

Como a família se encaixa no dia a dia puxado de viagens e reuniões?

A família é uma parte importante da vida do empreendedor, o apoio, o porto onde o empreendedor recarrega suas energias para continuar a saga de construir algo melhor. E, se for inserida nos negócios, deve ser de forma profissionalizada.

Como são os dias e as noites de um empreendedor corporativo?

Quando me perguntam sobre o equilíbrio na vida de um empreendedor, eu costumo dizer que “o equilíbrio está na gestão do desequilíbrio”. Ou seja, como empreendedor seu dia possui mais do que 24 horas, as viagens são intermináveis, algumas horas de lazer viram negócios e muitas noites de reflexão viram conversa em família. Portanto, gerenciar o desequilíbrio é fazer escolhas o tempo todo sobre onde depositar energia e atenção de tempos em tempos. Como diz um amigo: “work hard and have fun” (trabalhe duro e divirta-se).

Quais são os planos para o futuro?

Hoje nossa empresa atua no mercado de crédito ajudando outras empresas a crescerem e a desenvolverem seus negócios. De forma direta e indireta, estamos fomentando e apoiando o desenvolvimento de empreendedores, seja um empresário que quer vender mais, seja um consumidor que quer realizar um sonho, pois garantimos que as vendas sejam seguras e proporcionamos ingresso no mercado para quem não é “bancarizado”.

No futuro, vamos continuar a desenvolver soluções para o crescimento das vendas e segurança aos nossos clientes, por outros meios e outras tecnologias, pois há um enorme espaço para inovar na área de fintechs, insurtechs e creditechs.

Quais dicas você dá aos que estão chegando agora?

Acredite na ideia que você está vendo e desenvolva um plano. Teste seus argumentos, seu produto. Vá a campo, mesmo que o mundo à sua volta continue a chamar você de “louco”. Estude e busque conhecimento para cuidar dos seus pontos fracos. Avalie os riscos e, principalmente, parta para a ação! O trabalho nunca acaba, sempre poderá ser melhor.

Qual o futuro do Brasil?

Acredito que o crescimento do Brasil deverá acontecer com o desenvolvimento do empreendedorismo, pois novas tecnologias, conhecimento disponível, visão de parceria e ambientes colaborativos, somados a novas leis e aos incentivos econômicos, criam o melhor ambiente para o empreendedor desenvolver a sua visão diferente do mundo.

“Quando surgirem os obstáculos, encare-os como desafios para alcançar a sua meta. Se necessário, mude a sua direção, mas não a decisão de conquistá-la”

 

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo

O instinto e o coração na tomada de decisões

7 de janeiro de 2019

Ivan Primo Bornes *

Esta é a história de Bia Job e Helô Hervé, duas empreendedoras de Porto Alegre inspiradas – e inspiradoras – que depois de 18 anos atuando com publicidade e moda, decidiram pivotar radicalmente as relações de trabalho em busca de uma vida mais plena. Assim surgiu uma marca própria de roupas confortáveis, a 2B, e uma loja física e colaborativa, ALOJA, num dos endereços mais bacanas da capital gaúcha.

Fazer a entrevista com a Bia e a Helô foi uma delícia, pois elas transmitem energia positiva e felicidade até quando falam dos perrengues que passaram, além de me contarem das peripécias que enfrentaram ao seguir o instinto e o coração na tomada de decisões. Eu fiquei profundamente impactado pela sabedoria e gentileza delas. Espero poder transmitir a todos os leitores da coluna um pouco desta aula de vida e de valores fundamentais. Desejo que vocês aproveitem, se inspirem e se divirtam tanto quanto eu.

Heloisa Herve e Bia Job, sócias e criadoras da ALOJA e da marca de roupas 2B. Créditos: Bia Job

Me contem um pouco de vocês duas.

Helô: começando pelo mais relevante, eu sou de Libra, com ascendente em Libra e Lua em Libra. Bia é Escorpião, ascendente em Câncer e Lua em Touro. ‘Zodiacamente’ falando, é um caos. Mas, como diria Levy Moshe, “o caos completo é, ironicamente, um tipo de perfeição”.

Bia: a Helô nasceu em 1962 e eu em 1965, um péssimo ano para os vinhos – considerado um dos anos de piores safras da história – mas que se justifica pelo nascimento de uma grande apreciadora do produto! Ou seja, a natureza focou em produzir uma grande consumidora.

Essa foi a melhor abertura de entrevista que já tive! Vocês se apresentaram maravilhosamente. E como vocês se conheceram?

Helô: em comum, nenhuma das duas sabia o que queria ser quando crescer . A título de informação, a dúvida persiste até hoje (risos). Fizemos vários vestibulares, mudamos de curso universitário, viajamos, moramos fora, com ênfase para Bia que ficou quatro anos em Israel – a artimanha do destino é tamanha que quem tem cara de judia sou eu!!! A Bia fez carreira no teatro e eu escrevia, e se tivesse Netflix na época, iria ser roteirista de série – com certeza.

Bia: acabamos formadas em publicidade, com pós-graduação, especializações e tudo que tínhamos direito. Nós duas sempre amamos o conhecimento e a curiosidade sempre nos moveu. Na minha escolha tardia pelo curso de comunicação, calhou de eu ser aluna da Helô e deu match (na era pré-Tinder) e estamos juntas desde então.

E como começaram a empreender?

Bia: eu nunca tive um trabalho formal, mas sempre trabalhei e sempre criei minhas oportunidades de negócios. A Helô depois de alguns empregos formais dentro e fora da área de publicidade, acabou abrindo sua própria empresa.

Helô: eu queria ser minha própria chefe. Mas se for pensar bem, bem mesmo, não é que eu quisesse ser apenas minha própria chefe, mas sim ter muitos chefes, e vi nos clientes uma forma disso se realizar.  A Bia começou a trabalhar comigo e criamos um projeto diferente de tudo, na época, uma agência de publicidade tipo boutique, focada em moda. Atendemos algumas contas realmente grandes e ganhamos bastante dinheiro na época. Foi um “oceano azul” que durou 18 anos, até que descobrimos que éramos boas em gerar negócios e péssimas em gerir negócios. E com o ‘fim’ do mercado da comunicação, decidimos fechar a agência há 4 anos.

E como é a dinâmica de vocês trabalhando juntas?

Bia: antes de montarmos a empresa juntas, montamos uma cumplicidade, coisa fundamental para uma sociedade. Cumplicidade é um efetivo essencial para as sociedades darem certo. Não tivemos um insight empreendedor, a coisa foi acontecendo e dando certo, crescendo sem um plano ou um objetivo claro. Os objetivos que lançamos são para a vida e não para os negócios, pois a vida está um pouco acima dos negócios e quebrar a primeira empresa nos deu a dimensão disso.

Helô: é um desafio, estamos 24 horas juntas. E aqui vale novamente a máxima que hoje rege a nossa vida: os negócios fazem parte da nossa vida, mas a nossa vida é muito maior do que isso. O grande investimento tem de ser no que acreditamos e enfiar os negócios nisso, jamais confundir sucesso ou fracasso financeiro com sucesso ou fracasso pessoal. Empresas dão certo e dão errado e a vida continua, só fique atento e jamais se iluda, tenha o pé bem no chão e a cabeça nas nuvens.

Bia: nunca se iluda, achando que o negócio é a sua vida. Tivemos sorte em aprender isso perdendo o negócio da publicidade e seguindo com a vida.

Na opinião de vocês, o empreendedor nasce ou se forma?

Bia: uma coisa é certa, tu nasces empreendedor. Não adianta. Tá no DNA. Ou é ou não é! Empreendedor é uma coisa dentro da pessoa que a faz olhar as oportunidades e se não as enxergar, inventa.

Helô: tem empreendedor de oportunidade, aquele que surfa na onda, pois enxergou a onda. E tem o outro que vai e faz.

Bia: a crise mostrou que empreendedorismo é uma capacidade do ser humano que floresce mesmo soterrada em uma cultura absurda da estabilidade da carteira assinada. Da crise, surgiram grandes empreendedores.

Vocês já deram voltas e voltas no mundo e nos negócios. Qual é a visão de vocês sobre empreender?

Helô: perfil empreendedor, na nossa opinião, são pessoas irrequietas, curiosas, que amam novidades e que, para o bem ou para o mal, são pessoas ótimas em gerar e ruins em gerir. O empreendedor, para nós, é uma pessoa generalista por natureza.

Ou seja, o empreendedor precisa saber um pouco de tudo?

Helô: entendemos o empreendedor de sucesso com a seguinte fórmula 200%:
+ 50% inventivo, aquela pessoa que tira algo do nada
+ 25% criativo, aquela pessoa que pega duas coisas nada a ver e as mistura, fazendo algo novo
+ 25% inovador, pega algo que já existe e melhora
+ 100% ‘viola no saco’, humildade, pois se começa a “se achar”, o empreendedor se perde.
Isso dá um empreendedor, uma pessoa que precisa ser 200%.

Me falem do aprendizado dos últimos anos, do que é importante na vida de vocês.

Helô: quando fizemos nossa primeira viagem de negócios pela nossa empresa (a que quebrou), nos olhamos e falamos em voz alta: tomara que esta seja a primeira de milhares. E realmente aconteceu. Mas posso aqui usar a frase sábia da minha Vó Tina: as malas viajam, mas não aproveitam nada. Cada minuto da nossa vida tem de ser aproveitado, se for viajar a trabalho, VIAJE.

Bia: pelo número de horas que passamos alimentando as redes sociais, deixamos a vida morrer de fome, isso acontece não pelo trabalho, mas por esquecer da vida. Hoje a Aloja, nossa loja colaborativa, é nossa atividade onde vivemos o trabalho de forma simples, como aprendemos a viver nossa vida.

Helô: uma coisa que vale ressalva: saímos do mundo corporativo que vivíamos com a agência de propaganda e começamos a fazer feiras autorais. Este movimento depurou não só nossa humildade como também as nossas amizades e reforçou a ideia de jamais confundir sucesso financeiro com sucesso pessoal. Pois três anos de feiras nos enriqueceram muito mais do que 30 anos de mundo corporativo.

Quais são os planos de negócios para o futuro?

Bia: o plano de futuro é viver um dia de cada vez e aprender com os nossos clientes.

Helô: nosso modelo de negócio atual é sem amarras, e temos três frentes bem claras:
1. Nossa marca de roupas – a 2B (que tem esse nome pois é o Plano B de nós duas) – focadas em coisas que gostamos de fazer e são confortáveis
2. Aloja – é uma loja física, colaborativa, de bairro, com 14 marcas autorais, atendida somente pelas duas bonitas aqui, e cuja curadoria se deu em feiras que participamos. Juntamos um pessoal que é nosso cúmplice neste empreendimento, que sem dúvida veio para ficar no que hoje entendemos de varejo.
3. Participação em feiras autorais – divulgamos a nossa marca própria e também nossa loja física, captamos novos colaboradores e nos divertimos muito!

Bia: esta é a nossa contribuição, não só para o Brasil, mas para o planeta. Sermos felizes, honestos e incentivarmos produtos e negócios feitos por gente feliz e honesta.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?

Bia: o nosso conselho para qualquer empreendedor é o mesmo que Al Pacino deu para seu gato de estimação no filme Perfume de Mulher: When in doubt… fuck (quando estiver em dúvida, trepe). Faça menos planos e siga sua intuição.

 

Saiba mais
ALOJA – Av. Cel. Lucas de Oliveira, 265 – Porto Alegre – Bairro Moinhos de Vento
www.sitealoja.com.br
www.instagram.com/alojalucasdeoliveira

 

* Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

As palavras mágicas para 2019

3 de janeiro de 2019

Eu acredito que tem coisas importantes que você quer fazer em 2019. Eu tenho, você tem, todos temos desejos e ambições a serem realizadas.

Em todo começo de ano há um simbolismo especial: uma nova possibilidade de começar – ou de recomeçar – de ajustar o percurso, de continuar em frente. Para ajudar a fazer o planejamento para 2019, preparei uma lista das palavras com significado especial para qualquer empreendedor. São palavras com o poder de resumir grandes ideias.  Para tanto, é bom conhecer bem sua definição.  Use e abuse destas palavras mágicas.

so·nho |ô|
(latim somnium, -ii)
substantivo masculino

1. Conjunto de ideias e de imagens que se apresentam ao espírito durante o sono.
2. [Figurado]  Utopia; imaginação sem fundamento; fantasia; devaneio; ilusão; felicidade; que dura pouco; esperanças vãs; .ideias quiméricas.
3. [Culinária]  Bolinho muito fofo, de farinha e ovos, frito e depois geralmente passado por calda de açúcar ou polvilhado com açúcar e canela.

o·ti·mis·mo
(.ótimo + -ismo)
substantivo masculino
1. Disposição, natural ou adquirida, para ver as coisas pelo bom lado e esperar sempre uma solução favorável das situações
2. Confiança no porvir.
3. Doutrina de Leibniz (1646-1716) segundo a qual, a despeito da realidade do mal, o mundo em que vivemos foi escolhido por Deus como o mais perfeito possível, como aquele em que a felicidade tende a prevalecer sobre a adversidade.
4. Sistema dos que têm fé no progresso moral e material atuais, na evolução social para o bem e para o ótimo.

em·pre·en·de·dor |ô|
adjetivo e substantivo masculino
Que ou aquele que empreende; que é animoso para empreender; trabalhador; amigo de ganhar a vida (traçando empresas novas).

po·ten·ci·al
(potência + -al)
adjetivo de dois gêneros
1. Relativo a potência.
2. Virtual.
3. [Filosofia]  Que só está em potência.
4. [Gramática]  Diz-se de um modo gramatical que designa a possibilidade.substantivo masculino
5. Conjunto dos recursos de que uma .atividade dispõe; capacidade de trabalho, de produção ou de .ação. = POTENCIALIDADE
6. Conjunto de qualidades de um indivíduo, geralmente inatas ou originais. = POTENCIALIDADE

re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
substantivo feminino
1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.
2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.  co·ra·gem 1(francês courage)substantivo feminino1. Firmeza de ânimo ante o perigo, os reveses, os sofrimentos.
2. [Figurado]  Constância, perseverança (com que se prossegue no que é difícil de conseguir).

von·ta·de
(latim voluntas, -atis)
substantivo feminino
1. Faculdade comum ao homem e aos outros animais pela qual o espírito se inclina a uma .ação.
2. Desejo.
3. .Ato de se sentir impelido a.
4. Ânimo, espírito.
5. Capricho, fantasia, veleidade.
6. Necessidade física.
7. Apetite.
8. Arbítrio, mando, firmeza de .caráter.
9. Zelo, interesse, empenho.

re·so·lu·ção
substantivo feminino
1. .Ato ou efeito de resolver.
2. Decisão; tenção; deliberação; propósito.
3. Soltura de ventre.
4. Transformação.
5. Intrepidez; coragem.
6. [Álgebra]  Cálculo para achar a solução de um problema.
7. Conteúdo de um texto que define a solução para determinada questão em um congresso, em uma assembleia etc.

per·se·ve·ran·ça
(latim perseverantia, -ae)
substantivo feminino

1. Qualidade ou .ação de quem persevera.2. Constância, firmeza, pertinácia.3. Duração aturada de alguma coisa.

cer·te·za |ê|
(certo + -eza)
substantivo feminino
1. Qualidade do que é certo. ≠ INCERTEZA
2. Coisa certa.
3. Adesão absoluta e voluntária do espírito a um fato, a uma opinião.
4. Ausência de dúvida. = CONVICÇÃO
5. Estabilidade.6. Habilidade ou firmeza em trabalhos manuais.

pro·pó·si·to
(latim propositum, -i)
substantivo masculino
1. Tomada de decisão. = DELIBERAÇÃO, RESOLUÇÃO
2. Aquilo que se pretende alcançar ou realizar. = INTENTO, .PROJETO, TENÇÃO
3. Finalidade, fim, mira.
4. Tino, juízo, seriedade, prudência.

tra·ba·lhar
verbo transitivo
1. Dar determinada forma a (ex.: trabalhar a madeira). = LAVRAR
2. Fazer ou preparar algo para determinado fim (ex.: trabalhar a terra).
3. Rever ou refazer com cuidado (ex.: trabalhar o texto). = APERFEIÇOAR, LIMAR
4. Treinar ou exercitar para melhorar ou desenvolver (ex.: trabalhar os músculos).
5. Causar preocupação ou aflição. = ATORMENTAR, INQUIETAR, PREOCUPAR, RALAR verbo transitivo e intransitivo
6. Fazer esforço para algo. = EMPENHAR-SE, DILIGENCIAR, LIDAR, PROCURAR
7. Exercer uma .atividade profissional verbo intransitivo
8. Fazer algum trabalho ou tarefa (ex.: vou para casa trabalhar).
9. Formar .ideias ou fazer reflexões. = COGITAR, MATUTAR, PENSAR10. Estar em funcionamento. = FUNCIONAR, MOVER-SE

Grite bem alto, use cada palavra como uma armadura contra os medos e a paralisia. Vamos em frente!

Pesquisa feita no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa  https://dicionario.priberam.org/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Faça o teste: o quanto você é – ou não é – empreendedor?

24 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Essa é a história do inquieto Thiago de Carvalho, de 35 anos, mestre em Ensino de Negócios pela New York University, country manager da Clinton Education e professor de empreendedorismo do Insper. Quando criança, foi diagnosticado com DDA (distúrbio de déficit de atenção) e o que poderia ter sido uma dificuldade se transformou num aprendizado de como lidar com a hiperatividade nos estudos e nos negócios.

Durante a estadia em Nova York, Thiago começou a pensar numa forma de organizar as diversas características do empreendedor. Assim surgiu a metodologia Quociente Empreendedor – ou Qemp (faça o teste gratuito clicando no link). Com a validação de especialistas em educação, ensino superior e empreendedores, hoje é uma startup que apoia o ensino de novos negócios, empreendedorismo e inovação. Confira abaixo a entrevista com Thiago.

Thiago, qual foi sua primeira experiência como empreendedor?

Quando eu estava na 7a série, em 1993, abriu uma loja que vendia computadores, perto de onde eu morava. Passei a fazer um bico lá, ajudando a montar PCs e depois eu mesmo passei a montar computadores em casa a pedido de amigos. Era uma época em que a internet tinha uns 500 sites – no mundo todo! – e a conexão era discada, com uns modens barulhentos. Eu ia de ônibus até a Santa Ifigênia e comprava as peças. Eu tinha 12 ou 13 anos, não imaginava isso como um negócio, era mais um hobby remunerado.

Agora você também é professor de empreendedorismo. Foi natural para você fazer essa escolha de carreira?

Sim e não! Eu era muito festeiro, perdi um ano da faculdade, o que me obrigou a mudar totalmente meu estilo de vida. Passei a ser um nerd, adorar bibliotecas e leitura, caso contrário não conseguiria terminar a faculdade de comunicação. Esse engajamento forçado me fez gostar tanto de aprender que depois da graduação fiz um mestrado em educação, em que pesquisei o processo de aprendizagem de empreendedores que receberam investimento de capital de risco. Também me tornei professor de empreendedorismo na mesma faculdade em que fiz uma pós-graduação em administração. Aliás, eu trabalho na Insper desde 2006, onde entrei como voluntário do centro de empreendedorismo.

E o seu lado empreendedor convive bem com o lado acadêmico?

Atualmente empreendo em uma área que me parece como um chamado. Eu me sinto extremamente confortável lidando com os desafios de quem quer abrir um negócio. É como se fosse um xadrez super sofisticado, mas não só com a matemática e a lógica desse jogo. Existe algo sem muita estrutura, que precisa ser descoberto conforme o negócio se desenvolve, especialmente algo que nasce do capital dos próprios empreendedores. Empreender hoje é diferente de empreender há 15 anos. Hoje é uma carreira. As pessoas se preparam, escolhem seguir esse caminho, hoje é possível ser empreendedor de forma organizada. Pesquisas mostram que os negócios seguintes de empreendedores tendem a durar mais que os negócios anteriores, pois empreendedores aprendem com os erros do passado.

“Para quem quer empreender no setor de educação, eu recomendo que só faça isso ao se associar com alguém da área”

Me fale do Qemp.

Em resumo, os empreendedores fazem uma avaliação online, e a ferramenta retorna uma avaliação científica dos pontos fortes e a melhorar do negócio. Não conheço nada parecido nos mercados nacional e internacional. Em cerca de 20 minutos, empreendedores recebem feedback personalizado, conseguem aprender sobre seus desafios e recebem um curso personalizado. Utilizamos esse método em startups, aceleradoras e grandes empresas interessadas em desenvolver o empreendedorismo corporativo.

São seis pilares no teste Qemp: controle e planejamento, dinâmica do mercado, aderência, perfil empreendedor, recursos e experiência. Por exemplo: é possível medir o quanto alguém controla e planeja, comparado com sua habilidade de identificar recursos ou o quanto entende da dinâmica do mercado em que atua ou planeja atuar. Além dos pilares, o teste também mede as dimensões pessoais. Ou seja, o que é dominante em relação ao projeto: inovação, análise, processos ou relacionamento.

A partir da avaliação, apresentamos objetivos de ação, adaptados conforme as respostas.

Para o empreendedor, os dias e as noites são bem diferentes do normal das pessoas. Como que você vive isso no dia a dia?

Durante uma época, cheguei a trabalhar por diversos dias das 4h às 23h. Era um trabalho intelectual pesado – montar um negócio em um setor ainda em construção -, isso significou um peso maior do que consegui carregar. Na virada de 2017 para 2018, tive diversos sintomas relacionados à síndrome do burnout. Após cerca de 10 meses de trabalho mais leve, vou lançar uma versão 2.0 do produto, o que significa que seremos, sem dúvida, a melhor ferramenta do mercado para o que ela se propõe.

Quais seriam tuas dicas aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor?

Primeiro, gostaria de passar uma dica para quem quer empreender de forma geral: se está muito difícil vender ou construir um produto ou serviço, você está no caminho errado. Pare e repense tudo o que está fazendo, inclusive se deve continuar fazendo isso. Para quem quer empreender no setor de educação, eu recomendo que só faça isso ao se associar com alguém da área. Diferentemente de setores como varejo ou alimentação, por exemplo, o setor de educação é uma área em que poucas pessoas têm experiência.

Vejo muitos empreendedores engajados nessa área, mas que não fazem ideia do que estão fazendo. A vontade e a motivação de atuar na área da educação, que é fascinante, atrapalha a percepção sobre o que sabem ou não sabem desse setor. Outra dica para quem está começando é: se você gastou cerca de R$ 50 mil ou mais para começar um negócio e sua receita ainda não paga várias contas da empresa, considere que você também pode estar no caminho errado.

“Em diversas áreas, o Brasil está atrasado cerca de 30 a 40 anos em relação aos países considerados desenvolvidos. Em outros setores, está até mais atrasado”

Qual o futuro do Brasil?

Em diversas áreas, o Brasil está atrasado cerca de 30 a 40 anos em relação aos países considerados desenvolvidos. Em outros setores, está até mais atrasado. Dessa forma, será necessária uma ou duas gerações para que tenhamos alguns indicadores de primeiro mundo. O que me preocupa é que existem carreiras que não são ensinadas em faculdades, mas ganharam uma sofisticação imensa. Por exemplo, as carreiras do crime organizado e corrupção. Por mais que em diversos outros indicadores o Brasil venha a melhorar, como renda média, mortalidade infantil, alfabetização etc., em outros setores haverá pessoas em que a única razão de existir seja a de fazer mal aos demais.

O Brasil é atrasado da forma que é por causa de 200, 300 mil pessoas. Entre eles estão os principais líderes de quadrilhas, sejam quais forem, promotores de desigualdade e insegurança. Ainda assim, o Brasil é 99,9% bom. Meu papel está em fornecer ferramentas e oportunidades para quem quer seguir a carreira de empreendedor. Faço isso há 10 anos e continuarei por mais algumas décadas, no mínimo.

Acompanhe o trabalho de Thiago (thiago@qemp.com.br) e faça o teste do empreendedorismo no site do Qemp.

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Startup de conteúdo ao vivo, ClapMe mostra caminho de reinvenção

17 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Esta é a história do empreendedor, sonhador e jornalista Filipe Callil, 29 anos, casado com Maria (de quem ele foi colega na faculdade de jornalismo), neto de libaneses e um dos fundadores da startup ClapMe, plataforma de vídeos – live e vod – para agências de publicidade e marcas, focada na criação, produção e execução de conteúdo transmitido ao vivo (streaming).

A ClapMe, como nos conta Filipe na entrevista a seguir, surgiu com a ambição de ser a “Netflix dos shows ao vivo”, mas após dificuldades no meio do caminho, em 2016 eles deram uma virada de mesa e se transformaram numa das maiores – senão na maior – empresa no Brasil que atende o mercado publicitário com conteúdo ao vivo.

Instalada na nova sede na Rua Fidalga – na badalada Vila Madalena – a ClapMe já transmitiu ao vivo mais de 2 mil eventos, tem mais de 250 mil usuários e 12 mil artistas cadastrados, além de uma grade de programas de humor, shows e entretenimento com interação ao vivo entre público, artistas e marcas.

Filipe Callil, Diego Yamaguti, Celso Augusto Forster e Felipe Imperio, sócios da ClapMe em espaço em reforma na sede na Vila Madalena. Foto: Giovani Cavalcanti

Como foi sua jornada de aprendizado antes do surgimento da ClapMe?

Cresci numa família de classe média e, desde pequeno, tive que aprender a me virar. Meus pais tiveram muitos momentos de crises financeiras. Tive que ver meu pai quebrar e recomeçar inúmeras vezes ao longo da vida. O meu primeiro “emprego” foi aos 13 anos de idade. Eu cuidava de uma lojinha de roupas e acessórios fitness que meu pai tinha na época dentro de uma academia de São Paulo. No primeiro ano de faculdade, voltei a trabalhar com meu pai em uma confecção. Ele era o gerente comercial da fábrica e eu trabalhava na estamparia.

Ainda no primeiro ano de faculdade, eu consegui arrumar o meu primeiro estágio como jornalista em uma assessoria de comunicação, a X Comunicação. Foi lá que conheci o Celso Augusto Forster, com quem anos depois fundei a ClapMe. Ele era o meu melhor amigo no trabalho, além de um “chefinho” mentor com quem eu tinha liberdade para falar sobre tudo, principalmente sobre rock’n roll. A paixão por música é o que nos uniu logo de cara.

E depois consegui finalmente meu estágio na TV Record – meu sonho era ser repórter de TV. Trabalhei na Record de 2009 a 2013, quando pedi demissão para focar 100% na ClapMe. Sou muito grato a tudo o que pude aprender na Record. Muito do que hoje aplico na minha empresa aprendi lá com os meus colegas de trabalho e ex-chefes.

 

“Ao escolher que você quer empreender, você irá privar a sua família de algumas escolhas. É uma decisão difícil e, nesse aspecto, muitas vezes egoísta também.”

 

Você sempre destaca a importância da família e, sobretudo, de sua mulher, Maria, no empreendimento. Como você avalia a importância do apoio familiar no sucesso do empreendedor?

Mais do que uma namorada e amiga, Maria foi a pessoa que, apesar de todas as incertezas, apostou comigo no sonho. Até 2016, ela pagava todas as contas praticamente sozinha. Até hoje ela paga muito mais conta do que eu (risos). Atualmente, a Maria trabalha na área de comunicação de uma grande multinacional. Quando eu contei para os meus pais que iria pedir demissão da Record para me dedicar a um projeto pessoal, eles acharam que eu não estava muito bem da cabeça – até pouco tempo atrás eles ainda achavam isso (risos). Mas sempre respeitaram minha decisão e tentaram me dar o suporte necessário dentro do que podiam. Com a Maria também não foi muito diferente. Mas ela ainda teve que sofrer mais as dores comigo.

Depois que fomos morar juntos, quando a empresa ainda não podia me pagar um pró-labore, era ela quem me dava todos os subsídios para que eu pudesse sobreviver. Desde o dinheiro para ônibus, roupas, comida, viagens etc. Com tudo isso, eu aprendi que empreender é uma decisão que, cedo ou tarde, irá influenciar na vida das pessoas que estão ao seu redor. Ao escolher que você quer empreender, você irá privar a sua família de algumas escolhas. É uma decisão difícil e, nesse aspecto, muitas vezes egoísta também. Mas sou muito grato à Maria por toda paciência e confiança que ela depositou em mim. Sem o apoio dela, com certeza a história teria sido muito pior.

Você estava com emprego bom, num grande grupo de mídia, já se encaminhando para ser repórter de TV. De onde veio essa vontade de empreender, que deixou todo mundo de cabelo em pé?

Eu já devo ter nascido empreendedor. Desde criança eu gostava de inventar coisas, eu preferia construir os meus brinquedos do que brincar com um pronto, compor músicas e fazer “rolos”. O meu primeiro violão foi fruto de um rolo que fiz, aos 11 anos de idade, com um vizinho: eu dei um patins que não me servia mais e ele me deu o violão. Essa era a época em que meus pais estavam mais apertados de dinheiro, então eu construía coisas ou fazias rolos para poder ter as coisas que eu queria.

Um pouco antes dessa época, quando eu tinha uns oito anos de idade, eu montei uma vara de pescar com ímã para pegar as moedas que caíam no ralo que tinha em frente à cantina do colégio. Era um fosso de uns 5 metros de altura. E eu ficava no recreio ou no final da aula pescando as moedas que caíam lá. Enfim, cresci querendo montar coisas, fazer coisas… Tive banda de rock na adolescência. Acredito que tudo isso fez com que a minha veia empreendedora florescesse.

E como surgiu a ClapMe?

Ainda na época da faculdade, eu dizia para os meus amigos de classe – inclusive para Maria – que um dia montaria um negócio. Não tinha ideia exatamente do que seria. Mas dizia que iria montar um negócio no mercado da música. O pessoal me achava meio doido, inclusive Maria. Até tentei arrumar uns sócios na faculdade, mas ninguém levou muito a sério. Quando eu estava no final da faculdade, já estagiando na Record, eu tentei montar a ClapMe com alguns amigos da Record. Não foi muito para a frente e acabei guardando a ideia na cabeça.

No final de 2011, quando estava em Ribeirão Preto prestes a voltar para São Paulo, conheci o Diego Yamaguti da Silva e o Felipe Imperio. Na época, eles estavam encerrando as operações da AdBees, uma plataforma de compras coletivas. Comentei com eles que tinha uma ideia ainda da época da faculdade: um palco virtual para artistas se apresentarem. Eles gostaram da ideia e começaram a me ajudar a tirá-la do papel. Decidimos virar sócios. Pouco tempo depois, ligamos pro Celso e convidamos ele para ser nosso sócio também.

 

“Para mim, ser empreendedor não é ter um bom diploma. Está mais ligado à personalidade da pessoa e ao modo como enxerga o mundo. Conhecimento qualquer um pode adquirir. Resiliência, não. E, para mim, resiliência é a principal virtude que um empreendedor precisa ter”

 

Como é o dia a dia da empresa?

Eu tendo a dizer que empreendedor não se constrói. Ou você é ou você não é. Toda empresa precisa ter pelo menos um sócio que seja realmente empreendedor. Tem gente que cria um negócio sem ter a veia empreendedora e, para o projeto evoluir, precisa encontrar um sócio que assuma esse protagonismo empreendedor. No caso da ClapMe, acredito que os quatro sócios tenham essa veia empreendedora. Dependendo do momento ou da situação, um dos quatro assume o protagonismo – e isso é muito bom para dividir o peso e as responsabilidades do negócio.

Na tua opinião, qual a principal característica de um bom empreendedor?

Para mim, ser empreendedor não é ter um bom diploma, conhecimento, bagagem, experiência – apesar de que tudo isso agrega valor e, muito provavelmente, fará com que você economize tempo na sua jornada empreendedora. Para mim, ser empreendedor está mais ligado à personalidade da pessoa e ao modo como enxerga o mundo. Conhecimento qualquer um pode adquirir. Resiliência, não. E, para mim, resiliência é a principal virtude que um empreendedor precisa ter.

Falando particularmente de mim, acho que o meu lado empreendedor nasceu muito antes da ideia – por mais que eu tenha começado a ClapMe sem ter a menor ideia prática ou teórica do que era empreender (risos). Se não tivesse sido a ClapMe, cedo ou tarde, teria sido outro negócio, outra ideia. Até hoje muito dos nossos acertos são com base nos erros que a gente cometeu lá atrás e que ainda cometemos.

Não somos empreendedores acadêmicos ou de “palco” (aqueles que vendem mais livros e palestras do que desenvolvem negócios). Eu e meus sócios somos empreendedores “graxa”, como costumamos dizer. Estamos construindo nossa empresa em cima de cada erro e acerto que cometemos. E isso dá um tesão danado, pois o desafio é constante.

 

“Investidor gosta disso: empreendedor que não desiste mesmo quando todo mundo já desistiu”

 

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do normal das pessoas. Como é a tua rotina?

Eu não consigo mais separar trabalho de vida pessoal. Sei que isso pode até ser considerado errado. Mas é o modo como vivo a vida. E acaba tendo bônus e ônus. Ao mesmo tempo em que trabalho praticamente todas as horas/dias em que estou acordado, por outro outro lado tenho a flexibilidade de organizar a minha agenda da forma que melhor me convém. Posso fazer jiu-jítsu na hora do almoço, à tarde, à noite, o horário que quiser. Posso viajar no meio da semana. Posso fazer home-office quando quiser. Se acordo com dor de cabeça, posso cancelar todas as minhas reuniões do dia e dormir – não que alguma vez eu tenha conseguido de fato fazer isso (risos).

No começo era bem difícil. Porque eu não tinha dinheiro para poder fazer coisas com a Maria (jantares, cinema, viagens etc) nem tempo, pois tinha que trabalhar o máximo que aguentasse para mudar a situação. Mas, de fato, esse equilíbrio só vem com o tempo e com dinheiro. Hoje, eu e meus sócios já conseguimos nos organizar melhor para aproveitar também nossas famílias. Por exemplo: eu tenho um acordo com Maria de não usar o celular para trabalhar em viagens de férias. E tenho conseguido respeitar o acordo. Eu vou trabalhar todos os dias de bike elétrica – são 7 km entre Moema, onde moro, e a Vila Madalena, onde fica o escritório. Gosto de aproveitar o trajeto para pensar em novas ideias, observar a movimentação da cidade.

Quais são os planos de futuro para a ClapMe?

Estamos negociando mais um round de investimento – este será o nosso 4º round – para ampliar algumas linhas de negócio. Estamos inseridos dentro de um mercado (mídia/economia criativa) extremamente competitivo e com poucas barreiras de entrada. Então, acaba ganhando quem tem mais velocidade e melhor execução. Vale lembrar que a ClapMe precisou dar uma pivotada em 2016 para sobreviver.

No começo, queríamos ser uma plataforma de assinatura de conteúdos artísticos (peças, shows, etc)… uma espécie de “Netflix de shows ao vivo”. Por várias razões, o modelo acabou não tracionando. Decidimos guardar o modelo numa gaveta imaginária e decidimos ir atrás de onde estava o dinheiro desse mercado.

Acabamos nos tornando uma espécie de plataforma de conteúdos para agências de publicidade e marcas. Só em 2018, nós realizamos mais de 100 projetos com transmissões ao vivo com marcas. Indiscutivelmente, somos hoje a principal empresa que atende o mercado publicitário na criação, na produção e na execução de ativações com transmissão ao vivo.

Mas, há alguns meses, nós decidimos retomar o nosso modelo de negócios “raiz” – a assinatura de conteúdos – e estamos desenhando novas estratégias para conseguir colocar o modelo de pé.

 

“Dinheiro bom é o dinheiro dos clientes e não o dinheiro de investidor”

 

Muitos empreendedores que acompanham esta coluna tem curiosidade sobre a captação de investimentos. Como foi para vocês?

O curioso dessa história é que não estávamos buscando investimento quando começamos a negociar com eles. Havíamos acabado de ganhar o InovAtiva Brasil (um programa brasileiro de startups público e privado) e parte da premiação resumia-se a mentorias dessas alumnis de Harvard. Com isso, pudemos ser 100% transparentes com eles, contando sobre nossas dificuldades, falhas… E, depois de alguns meses, a proposta surgiu deles.

Foi um aprendizado muito legal: é muito melhor quando o investidor quer vocês do que o contrário. E de novo bato na tecla da resiliência. Tendo a acreditar que foi a nossa persistência – mesmo frente a diversos fracassos e incertezas – que chamou a atenção deles. Investidor gosta disso: empreendedor que não desiste mesmo quando todo mundo já desistiu.

Quero destacar quem são nossos investidores: Jump Brasil (aceleradora do Porto Digital, Recife), Triple Seven (fundo privado de investimento aqui de São Paulo) e HBS Brasil (Harvard Business School Brasil, comitê formado por alumnis de Harvard que investem em empresas de inovações). O investimento de HBS foi muito produtivo, pois trouxe pra dentro do negócio mais de 20 executivos de alto escalão. Diretores, VPs, Presidentes das maiores corporações globais (ambev, Itaú, IBM, Cielo etc). Só de ter a agenda de pessoas com esse gabarito para tomar um café e falar de negócios, o investimento já se justifica.

Que dicas pode dar aos empreendedores que estão chegando agora?

Vá atrás do dinheiro. Às vezes a ideia pode ser brilhante, escalável, sexy e ultra-inovadora. Mas ela não valerá de nada se você não tiver clientes. Dinheiro bom é o dinheiro dos clientes e não o dinheiro de investidor. Ache um modelo rápido de colocar de pé, mesmo que não seja o mais brilhante, escalável, sexy e ultra-inovador. Mas vai ser o modelo para fazer com que você, no futuro, possa desenvolver o outro modelo mais brilhante, escalável, sexy e ultra-inovador. Eu vi muita startup morrer porque os sócios ficaram insistindo em um modelo que não gerava receita. No começo você até se vira para manter a operação. Mas depois de dois, três anos… fica inviável.

Outra dica: não decida empreender por falta de opção e sim o contrário. Empreender é uma escolha! Tenho visto muitas pessoas que estão montando negócio porque perderam o emprego, por exemplo, e sem alternativa estão montando startups. Isso é ruim para a pessoa e também para o ecossistema. O mercado satura com um monte de startups mal administradas e sem visão de futuro.

Na tua opinião, qual o futuro do Brasil?

Ainda temos muito o que evoluir em relação a empreendedorismo no Brasil. A mudança talvez precise começar nas escolas. Como jornalista posso dizer que não aprendi nada na universidade sobre empreendedorismo. É importante fomentar o assunto nas universidades e gerar debates entre os alunos. Eu gosto muito de contribuir com o mercado de empreendedorismo. Sempre que posso, dou mentorias para novos empreendedores, participo de eventos de setor e afins. Em breve, espero ter condições para me tornar investidor.

Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

A criatividade como estratégia de desenvolvimento sustentável

10 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Lucas Foster é psicólogo especialista em criatividade. Em 2011, fundou a ProjectHub, empresa de tecnologia que acelera e simplifica o investimento em projetos criativos com foco na experiência de vida das pessoas, na inovação e no desenvolvimento sustentável. Atende clientes como Google, Mercado Livre, YouTube, entre outros gigantes.

Para ele, é difícil fazer planos de futuro para os negócios no Brasil, por isso prefere ver os negócios em “ciclos de amadurecimento”. “Penso que (fazer negócio no Brasil) é como plantar uma semente saudável em um solo instável. Por mais que tenha potencial, os fatores externos podem destruir uma safra”, diz ele, que na entrevista abaixo conta mais de sua experiência como empreendedor.

O empreendedor Lucas Foster, do ProjectHub. Foto: Rafael Arbex/Estadão

Como é ser empreendedor com um pé na psicologia?

Me formei em psicologia, mas sempre me interessei pelo empreendedorismo. Meus avós eram empreendedores, assim como meus pais. Nasci e vivi a maior parte da minha vida na região da Avenida Paulista. Sou filho de pais que vieram do interior nos anos 1960, cresceram na periferia da cidade e conquistaram muitas coisas por uma extrema dedicação aos estudos e ao trabalho.

Como surgiu o empreendedor em você?

Meus pais assinavam as revistas em quadrinhos da Turma da Mônica, que chegavam todo mês, desde os meus 6 anos de idade. Um dia, decidi pegar todas elas e levar na calçada da rua onde a gente morava. Junto com meus amigos, vendemos tudo e, ao final do mês, tínhamos dinheiro suficiente para comprar alguns brinquedos e ir a uma lanchonete da Rua Augusta. Tenho na minha recordação que essa foi a minha primeira experiência empreendedora. Só não continuei fazendo isso porque tinha acabado o estoque (risos).

Já na vida adulta, decidi empreender porque não enxergava outra alternativa para o desenvolvimento da minha vida profissional. Eu tinha começado minha carreira no setor público, pois acreditava na missão de qualificar a experiência de vida das pessoas de maneira direta e efetiva. No entanto, a burocracia e a cultura do setor público no Brasil dificultam bastante a realização deste propósito. Com isso, tentei buscar emprego no setor privado, mas não conseguia me encaixar nas vagas que me interessavam. Assim, fiquei com duas alternativas: ou voltava para a faculdade ou empreendia. Decidi empreender.

E a ProjectHub?

Após realizar um período de estudos em liderança internacional fora do país, retornei ao Brasil, em 2010, com o desejo de empreender para qualificar a experiência de vida das pessoas, um propósito que me acompanhou durante toda a vida e que se tornou realidade em 2011.

No início, quando registrei o domínio do site e fiz minha primeira apresentação comercial, a única coisa que tinha certeza era que minha empresa iria trabalhar para qualificar a experiência de vida das pessoas. O resto foi consequência do meu entusiasmo em trabalhar por este objetivo.

A família participa do empreendimento, do estilo de vida?

Minha família foi determinante para minha decisão de iniciar um negócio e continuar persistindo até ele dar certo. O investimento financeiro que eles fizeram no início foi: não me expulsar de casa e oferecer um teto, roupa, comida, um computador e acesso à internet até que eu começasse a ganhar dinheiro por conta própria, o que levou quase um ano.

No entanto, o verdadeiro e principal apoio que eles me deram foi afetivo e emocional. Tinham a paciência de me ouvir e conversar comigo sobre as coisas que tinham acontecido naquele dia, incentivar e valorizar minha coragem e meu empenho. Sem dúvida alguma, o acolhimento emocional dos meus pais foi o melhor investimento que eles poderiam ter feito, pois o custo financeiro era baixo, mas o retorno em dedicação, persistência e equilíbrio emocional eram muito altos.

Com isso, foi questão de tempo até encontrar o modelo de negócios certo que equilibrasse o propósito de trabalhar para qualificar a experiência de vida das pessoas e a necessidade de ganhar dinheiro com isso.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Como é isso com você?

Existe uma grande diferença entre o tempo do empreendedor e o tempo do colaborador. Ambos são essenciais e interdependentes. A convenção de um período fixo do dia dedicado para o trabalho permite ao colaborador a possibilidade de estabelecer uma rotina um pouco mais estruturada, mas não é uma realidade comum ao empreendedor.

Ao mesmo tempo em que o empreendedor precisa ser responsável por liderar o negócio e gerar oportunidades que tragam o faturamento necessário para preservar essa rotina aos colaboradores, essa condição permite ao empreendedor ter uma flexibilidade maior no seu dia a dia, inclusive para assumir compromissos e responsabilidades afetivas que não dizem respeito ao conjunto de deveres dos colaboradores, como a ansiedade com o futuro, as incertezas do mercado, as mudanças no relacionamento com fornecedores, parceiros e governo e, principalmente, a necessidade de manter seu negócio competitivo e relevante para seus clientes.

Aos poucos, portanto, fui perdendo o contato com meus amigos que escolheram uma trajetória corporativa e fui me identificando, cada vez mais, com outros empreendedores e empreendedoras considerando que os desafios e a realidade são mais parecidos. Hoje, faço parte de vários grupos e comunidades empreendedoras no Brasil e em outros países sempre com a intenção de construir uma rede de apoio que ajude cada um de nós a ser melhor um dia após o outro.

Quais são os planos para os próximos anos?

É muito difícil fazer planos de futuro para os negócios no Brasil. Penso que é como plantar uma semente saudável em um solo instável. Por mais que tenha potencial, os fatores externos podem destruir uma safra. Por isso, prefiro olhar para a evolução dos nossos negócios em ciclos de amadurecimento.

Desde a fundação da ProjectHub, vivemos três ciclos de amadurecimento com resultados expressivos. Agora, estamos iniciando nosso quarto ciclo de amadurecimento. Em 2019, vamos anunciar a criação de duas novas empresas, o LabCriativo (empresa de mídia e educação) e a Originals Media House, nossa empresa produção audiovisual.

Ao mesmo tempo, continuaremos investindo para trazer novos talentos e mais inovação para a ProjectHub, nossa empresa de tecnologia que fornece software para grandes empresas fazerem a transformação digital de seus investimentos de marca, reduzindo custos e desperdícios de tempo e energia de seus colaboradores.

Se você pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?

Os setores ligados à criatividade e à inovação estão em forte expansão. Com a evolução das novas tecnologias e cada vez mais pessoas conectadas, novos modelos de negócios surgem diariamente e, portanto, mais oportunidades para novos empreendedores. A melhor maneira de começar nesta área é pesquisando o mercado, participando de grupos e comunidades ligadas ao tema e testando sua ideia antes de realizar grandes investimentos.

Compartilhe suas ideias de maneira saudável com pessoas próximas e confiáveis. Teste o seu discurso e crie um MVP (minimum viable product, ou produto mínimo viável) antes de contratar pessoas ou assumir custos fixos robustos. Ou seja, minha principal dica é que os entrantes sigam um conceito usado pelas startups chamado “bootstrapping”.

Fazer bootstrapping significa começar um negócio a partir de recursos limitados, sem o apoio de investidores. Ou seja, nessa forma de iniciar startups, o empreendedor geralmente utiliza recursos próprios para lançar o negócio sem o apoio de fundos de investimento e prioriza o faturamento com clientes em vez de ir em busca de grandes investidores.

Qual o futuro do Brasil?

O futuro do Brasil é promissor. Temos um mercado consumidor em potencial gigantesco, somos o maior país da América do Sul e uma das maiores economias do mundo. O brasileiro gosta de novas tecnologias e é um grande consumidor de diferentes tipos de conteúdo. O contexto mostra que estamos em um momento de transição e que o Brasil precisa se conectar mais com a Ásia e ampliar seus investimentos em educação, redução da burocracia e diminuição das despesas públicas, incluindo a Previdência e folha de pagamento com servidores.

Se essas medidas forem feitas de maneira eficaz, o Brasil passa a ser um solo fértil para o desenvolvimento de novos negócios, atraindo investimentos e gerando emprego. Me vejo contribuindo com o desenvolvimento do Brasil, mas entendendo que minha parte é muito pequena diante do todo.

No entanto, qualquer organização comprometida em incentivar a criatividade e a inovação como estratégias de desenvolvimento sustentável, para qualificar a experiência de vida das pessoas no Brasil e que atue para conectar nossa economia criativa com o mundo, para ampliar oportunidades aos nossos empreendedores e acelerar a internacionalização de startups brasileiras ao redor do mundo, deve ser estimulada e apoiada. Vamos em frente.

 

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Black Friday 2018 dispara e supera vendas do ano passado

3 de dezembro de 2018

 

Por Ivan Bornes *

A Black Friday definitivamente foi incorporada na cultura de compras do brasileiro. A data surgiu nos Estados Unidos nos anos 1990 e inaugura oficialmente a temporada de compras de Natal com grandes promoções e descontos. Rapidamente se espalhou pelo mundo.

Segundo Javier Goilenberg, CEO e cofundador da Real Trends, plataforma de análise e gestão para vendedores do Mercado Livre: “O mercado brasileiro já incorporou a Black Friday como uma data importante no calendário, e a expectativa é que as vendas continuem crescendo à medida que os consumidores confiem mais nos descontos oferecidos”.

Dia de Black Friday em hipermercado de São Paulo. Foto: Suamy Beydoun/Agif-23/11/2018

As expectativas dos varejistas brasileiros eram altas, mas se viram superadas. Depois de tantos anos de crise, os consumidores não decepcionaram neste ano. De acordo com a Ebit/Nielsen, por volta das 17h da sexta-feira dia 23 as vendas já tinham quase alcançado a meta esperada para este ano, de R$ 2,4 bilhões em vendas, atingindo a incrível cifra de R$2,1 bilhões – valor total arrecadado na edição de 2017 do evento. Comparando com o mesmo horário do ano passado, o crescimento foi de 26%.

A sexta-feira representou para o e-commerce cerca de 4,5% do faturamento anual desta modalidade. Como referência, os 10 dias que antecedem o Natal representam juntos 18% do faturamento, segundo relatório da XP Investimentos.

As compras feitas pelo celular, o chamado mobile commerce, também tiveram grande destaque neste ano. Segundo pesquisa do Rankmyapp, foi registrado um crescimento no número de visitas orgânicas em aplicativos à medida que a Black Friday se aproximava. Destaque para a semana do dia 12 a 18 de novembro, que registrou aumento de 15,68% no volume de visitas. Além disso, o número de instalações orgânicas de aplicativos também aumentou com a proximidade da data, registrando um aumento de 25,91% na semana do dia 19 a 25 de novembro.

Grandes sites de vendas on-line, chamados “marketplaces“, como Mercado Livre, B2W, Submarino e Lojas Americanas, registraram um pico de crescimento de 20,85% no número de pedidos durante no dia 23/11. Sendo os que mais registraram vendas entre os dias 23 e 26 de novembro foram B2W, com representatividade de 44%, e Mercado Livre, com 31,64% do volume total de vendas geradas. Quando observado isoladamente o dia 23, B2W e Mercado Livre também registraram maior volume de vendas, com 49,33% e 24,12%, respectivamente.

Javier Goilenberg define o funcionamento dos marketplaces “como quando um shopping funciona 24 horas em datas especiais para aumentar as vendas: é feita uma grande publicidade e durante esses dias o shopping recebe uma alta quantidade de clientes. Por fim, acaba concretizando um maior volume de vendas, grande parte impulsionadas pelas promoções e descontos vigentes durante a ação. Se o vendedor toma as decisões adequadas antes, durante e depois da ação, pode ter uma grande diferença no seu faturamento”.

De todas as vendas geradas no segundo semestre deste ano, 31% se concentraram no mês da Black Friday, totalizando quase o dobro do que foi alcançado no mês de setembro, tendo o estado de São Paulo liderado as vendas da data (36,43%), seguido por Rio de Janeiro (11,51%) e Minas Gerais (10,77%), valores que ultrapassam 50% das conversões.

* Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)


Um case de sucesso no Terceiro Setor

12 de novembro de 2018


Esta é a história de Marcelo Nonohay, fundador e diretor executivo da MGN, empresa especializada na gestão de projetos para transformação social. Gaúcho, bom contador de histórias e que nas horas vagas faz aula de guitarra, Marcelo é mestre em administração pela conceituada Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e membro Titular do Conselho Nacional do Voluntariado 2018/2019. Ele conta que a jornada empreendedora começou em 2006, apenas formado em Porto Alegre, e em 2010 desembarcou em São Paulo para colocar a MGN em abrangência nacional. Já deu palestras para mais de 15 mil executivos de empresas nacionais e internacionais, tornando-se uma referência nas áreas de voluntariado empresarial e educação.

Quando teve vontade de empreender?

Sempre tive um exemplo empreendedor dentro de casa. Antes mesmo de eu entender o que significa ser empreendedor eu via várias facetas do empreendedorismo. Tanto as coisas boas quanto as não tão boas em ser dono de um negócio próprio: paixão pelo que se faz e o orgulho pelas realizações; longas horas de trabalho e uma preocupação constante com o bem-estar dos funcionários; satisfação de clientes e a perenidade do negócio. Ser empreendedor sempre foi uma opção aberta, mas só virou uma realidade bem mais tarde. Nesta época eu já estava formado em administração e decidi fazer um mestrado. Neste período, além de um grande aprendizado acadêmico, pela primeira vez entendi que conseguiria viver sem ter um emprego formal e que eu poderia fazer um caminho diferente, pagar os custos e colher os frutos de uma vida mais independente. Foi nesse período que nasceu a MGN.

Olhando para atrás, houve uma inspiração especial?

Sim, na escola fiz parte de um programa que desenvolve empreendedorismo entre jovens com o trabalho de voluntários do mercado – a Miniempresa da Junior Achievement. Essa experiência foi transformadora, pois moldou em grande parte o meu negócio atual.

Primeiro apareceu o empreendedor ou a ideia?

No início eu achava que para ser um empreendedor de sucesso eu teria que ter uma ideia genial. É obvio que se você tem uma ideia genial e o mercado aprova, você está muito bem encaminhado. Mas entendo que nem todos os empreendedores terão uma ideia genial para começar. Olhando em retrospectiva, eu comecei fazendo o que sabia, explorando o que gostava e sempre muito aberto a aprender. Não criei a MGN a partir de uma ideia genial, mas hoje tenho certeza que o que ela faz é genial. Se me perguntassem há uns 15 anos se eu achava que uma empresa como a MGN poderia existir, eu diria que não.

Qual o foco de trabalho da MGN?

Nós trabalhamos com a gestão de projetos para a transformação social. Criamos esse guarda-chuva amplo, pois estamos envolvidos em projetos de voluntariado, educação e diversidade. Por isso, entendemos que nosso negócio sempre tem relação com algum tipo de transformação social que queremos ver na sociedade. Nem sempre tivemos esse foco exclusivo, no entanto. O começo de um negócio é sempre muito difícil. Por se tratar de um negócio de consultoria, também fizemos muitos trabalhos de planejamento: planos de negócios, planejamento estratégico e planos de marketing. Aproveitamos até hoje a experiência que adquirimos com esse tipo de trabalho. Muitos temas que desenvolvemos nessa época ainda aplicamos nos nossos projetos, como por exemplo empreendedorismo, sustentabilidade, inovação, gestão estratégica e pesquisa de mercado.

Como é que a família participa (ou não) no empreendimento?

A família do empreendedor sempre participa do seu negócio. No caso da MGN tenho membros da família que se envolvem de forma pontual em alguns trabalhos, de acordo com suas competências. Além disso, todos sofrem um pouco com as noites mal dormidas, assim como vibram com cada conquista.

E como é a rotina diária de uma empresa do Terceiro Setor?

Nosso cotidiano é bastante intenso. Por sermos uma empresa que presta serviço, é esperado que estejamos funcionando no horário comercial, mas como trabalhamos com muitos eventos, em especial de atividades de voluntariado empresarial, trabalhamos muitas noites e fins de semana, horários em que muitos programas de voluntariado corporativo realizam suas atividades. Para dar conta dessa demanda, zelamos por manter um ótimo clima organizacional, valorizamos a diversidade para que todos se sintam acolhidos e temos sistemas de bonificação para as lideranças e para quem trabalha em eventos. Além disso, o resultado do nosso trabalho sempre é carregado de muita satisfação pessoal, pois atuamos no que eu chamo de Economia do Bem. Para mim, esse conceito vai muito além das definições de Terceiro Setor ou Negócios Sociais. Aqui entram todas as formas de produção, trocas, consumo e descarte que propõem uma revisão das maneiras tradicionais.

Quais são os planos de futuro do negócio?

Nossos planos de futuro incluem a expansão concêntrica de negócios. Estamos explorando novos mercados onde podemos aplicar nossa expertise no Brasil e fora.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor, qual seria?

Vejo que atuar no setor, seja por meio de uma Organização ou Negócio Social, ou até mesmo com uma consultoria é muito tentador para os jovens. Essa nova geração já chega ao mercado pensando em empreender com propósito. Todos querem fazer o que gostam. Não há mais espaço para ser infeliz no trabalho e fazer o bem nas horas vagas. O ponto é que empreender em qualquer setor, mesmo que seja para fazer o bem, não é fácil e não é para qualquer um. Às vezes me preocupa ver tantas pessoas se jogando no mercado sem nenhuma noção ou preparo. Mesmo em um negócio que é 100% ligado à realização pessoal do empreendedor, as dificuldades e a vontade de desistir baterão à porta. Tudo começa por autoconhecimento: a pessoa tem que estar disposta a viver a vida de empreendedor.

Qual o futuro do Brasil?

Embora seja um clichê, eu acredito que o Brasil tem um enorme potencial, um grande mercado consumidor, uma cultura rica, grande diversidade ambiental e social, algumas ilhas de excelência e um povo criativo. O problema é que para que esse potencial seja realizado, precisamos investir em educação com um pensamento de longo prazo. Vejo que a MGN dá uma contribuição, pois quando desenvolvemos know-how para dar mais efetividade e maior impacto ao investimento social privado, estamos trabalhando para construir um futuro melhor.

Saiba mais:

http://mgnconsultoria.com.br/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

 

Depois de quebrar e se reerguer, boliviano se firma com a Comedoria Gonzales

5 de novembro de 2018

Checho Gonzales dá uma dica para quem quer empreender: 'Tente ser original'. Foto de Lucas Terribili

Esta é a história de Checho Gonzales, boliviano chegado ao Brasil aos 7 anos, cidadão do mundo, chef revelação em 2001 e 2002 pela Revista Gula, e que quebrou, e se levantou, algumas vezes, e sempre melhor que antes. Em 2012, Checho foi uma das pessoas que revolucionaram a gastronomia de São Paulo, juntamente com Henrique Fogaça e Lira Yuri, realizando um evento mensal chamado O Mercado, que trazia para um formato de feira de rua comidas de qualidade e de chefs renomados a preços razoáveis. O impacto foi tão importante, que mudou para sempre a forma como o paulistano se relaciona com o alimento no dia a dia da cidade, fazendo com que as pessoas perdessem o medo de comer na rua, de pé, e sem frescura. Isso abriu caminho para a vinda dos food trucks e dos restaurantes com serviço mais informal. Depois de alguns anos, Checho decidiu sair das ruas e ancorar num lugar fixo. Escolheu o Mercado Municipal de Pinheiros para abrir a Comedoria Gonzales, em 2014, servindo comidas latino-americanas – em especial os ceviches – e foi, mais uma vez, pioneiro da transformação desse antigo mercadão num ponto de encontro da gastronomia da cidade. Sempre com seu humor peculiar, conversamos sobre a jornada do empreendedor.

Primeiro apareceu uma ideia que forçou você a virar empreendedor? Ou primeiro apareceu o empreendedor que saiu procurando uma ideia?
Bom, eu sempre fui muito roleiro, até hoje consigo vender ou trocar todo tipo de coisa. Interessa um skate híbrido? Também estou com uma barra fixa. Vendo ou troco por instrumentos ou equipamento… Meu primeiro negócio apareceu quando voltei de Barcelona, vivi lá por 2 anos. Era 1993 e não sabia o que queria da vida e fui fazer umas comidinhas no bar de uns amigos. Foi a primeira vez que cozinhei pra ganhar um dinheirinho. Um dos sócios estava insatisfeito e achei uma boa oportunidade, acabei comprando a parte dele. Não foi uma ideia sensacional, mas me deu uma super referência. Era um bar de rock & roll, sexo e muitas drogas. Depois de passar um par de anos nesse clima cheguei à conclusão de que tinha que dar uma direção na minha vida. Podemos, então, dizer que foi o que alavancou tudo.

A sua família trabalha com você na Comedoria?
Agora meu pai cuida do meu financeiro e minha companheira vai responder às redes sociais. Tentei escravizar a minha filha também, mas ela fugiu…

Como é o dia a dia de um empreendedor da gastronomia?
Passei anos sem vida social regular, saía muito de madrugada, vida bem boemia. Depois que mudei de modelo de negócio e fiquei mais velho, tudo se normalizou: trabalho durante o dia e à noite faço coisas normais. Não sei até quando dura, pois isso acompanha o tipo de negócio.

Quais são os seus planos de futuro?
Creio que a Comedoria tem ainda muito tempo de vida, não bombando como foram os últimos anos, algo mais sóbrio, mas é o apoio que necessito para montar um outro restaurante. Ainda não encontrei a ideia correta, o espaço adequado, o formato que me agrada… Continuo na procura, sei que vai aparecer.

Se pudesse dar uma dica a quem está chegando agora na sua área, qual seria?
Pare de fazer cópias de tudo, tente ser original

Qual o futuro do Brasil?
Ave, neste momento não tenho a mínima ideia. A minha contribuição está no meu dia a dia, sei que agrego, que construo. Tento ser correto em tudo, acho que isso já soma

Saiba mais:
Comedoria Gonzales
Mercado Municipal de Pinheiros – boxe 85
Horário de funcionamento: segunda a sábado, 11h às 20h
@comedoriagonzales

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

A empreendedora dos azeites

31 de outubro de 2018

Vista interna da Rua do Alecrim, em Moema

Esta é a história de Iris Jönck, publicitária por formação, que decidiu empreender para fazer as coisas acontecerem pelas próprias mãos. Assim surgiu a Rua do Alecrim, uma loja online que oferece produtos de origem de diversos países e regiões diferentes do Brasil, e que virou ponto de encontro dos melhores azeites “de origem” do Brasil e do mundo. A Iris nos conta como foi sua evolução pessoal e profissional, como a ideia de uma loja online se transformou em loja física e os desafios e soluções encontrados nessa jornada.

Como tudo começou?
Sempre fui movida por desafios e sede de aprendizado, mas também sempre me deu muita satisfação ver os projetos acontecendo de verdade, saindo do planejamento e virando algo real. E acho que foram estes fatores que aos poucos foram me fazendo querer me dedicar mais a criar e fazer novas coisas acontecerem com minhas próprias mãos.Um momento importante, que me ajudou nessa guinada para o empreendedorismo, foi ter realizado um curso de pós-gradução em Tendências na Universidad Ramón Llul-Blanquerna, em Barcelona. Ali eu abri muito a cabeça, observando movimentos culturais e de comportamento que me ajudaram a enxergar um mundo com muito mais possibilidades de atuação do que as de um emprego tradicional em uma empresa ou ainda de uma agência de publicidade.A decisão de empreender, é claro, passou por uma conjunção de fatores e foi se desenhando a partir de inspirações e trocas entre mim e meu marido, que é meu sócio na vida e na empresa. O Arnaldo Comin é jornalista por profissão e sempre trabalhou como repórter e editor, sobretudo em jornais de economia e negócios. Nós dois sempre gostamos muito de viajar e sempre tivemos uma conexão muito forte com a cozinha e a gastronomia. Quando passamos nossa lua de mel na Turquia, a caixa de Pandora se abriu. O contato com aquele mundo de temperos e sabores caiu como uma bomba na nossa cabeça. Foi ali que tomou corpo a ideia de criar um negócio que resgatasse os valores gregários da cozinha, da gastronomia como elemento de união entre as pessoas e as culturas.

Primeiro apareceu a ideia ou a empreendedora?
Considerando o contexto, acho que a ideia precedeu a empreendedora. Nós queríamos trabalhar com um negócio que tivesse três elementos em comum: gastronomia, internet e o conteúdo forte para a construção da marca. Foi assim que nasceu a Rua do Alecrim. Alimentos com histórias para contar e um valor intrínseco para todas as pessoas que apreciam o que é especial. Nosso primeiro produto foram kits de presente temáticos por país: França, Itália, Espanha, Oriente Médio, assim por diante. Vinho, tempero e outros ingredientes típicos. Foi quando esbarramos logo de cara naquilo que seria a nossa marca registrada: os azeites. Vimos que era um produto super nobre, com uma riqueza cultural imensa, que não era muito bem trabalhado pelo varejo. Fomos conhecendo e nos apaixonando. Tanto que a nossa assinatura evoluiu para Rua do Alecrim Azeites e Gastronomia. Temos orgulho de oferecer em São Paulo uma das poucas lojas no mundo especializadas em azeites de origem. Mesmo em países produtores, como Espanha, Itália e Portugal, são raríssimas as lojas desse tipo. Do site, acrescemos para uma loja física no bairro de Moema, que se tornou uma “embaixada do azeite”. Fazemos um trabalho especial, e que muito nos orgulha, que é a promoção dos produtores artesanais brasileiros, uma nova geração que está começando a fincar raízes, literalmente, da olivicultura no País.

Iris em meio a oliveiras em Puglia, na Itália

Como é o estilo de vida de vocês, do pessoal ao profissional?
Nossa família é bem pequena. Somos só nós dois e, na verdade, a vida tão intensa do empreendedorismo adiou um pouco nossos planos de filhos. O desafio agora, por sinal, é conciliar as duas coisas: aumentar a família e os negócios ao mesmo tempo!  Depois de seis anos de negócios, a gente vai percebendo na prática um certo “paradoxo” do empreendedor: você fica muito imerso no seu mundo e vê que os seus amigos de sempre, principalmente aqueles que sempre viveram num esquema profissional mais tradicional, não acompanhar muito bem as suas opções de vida. E a agenda sempre tão carregada infelizmente te afasta um pouco da convivência. Por outro lado, ao empreender você agrega um monte de pessoas novas ao seu redor. Ainda mais quando o assunto é gastronomia. A gente trabalha muito, mas há a oportunidade de conhecer gente muito interessante e terminar um dia exaustivo de evento tomando um vinho feliz da vida com um degustador profissional ou um cozinheiro bacana. É a prova de como a boa comida aproxima as pessoas e expõe o nosso lado mais humano.

Quais são os planos de futuro do negócio?
Quem trabalhou com varejo nos últimos quatro ou cinco anos sabe como esse período foi difícil. No nosso caso, que trabalhamos predominantemente com produtores de origem do Mediterrâneo e alguns vinhos e azeites da América do Sul, o câmbio foi especialmente cruel. Isso nos levou a diversificar muito o negócio em busca de rentabilidade. Fomos do ecommerce puro com a ruadoalecrim.com.br para um híbrido com loja física, fora as vendas de brindes corporativos para empresas, que sempre foram muito importantes para o nosso resultado. Com o nosso crescimento muito grande no mercado de produtos italianos para pizzas e panificação, criamos em 2017 um segundo ecommerce, farinhasitalianas.com.br. Paralelamente criamos nossa marca própria de vinagres artesanais, azeite e temperos, além de ter iniciado no ano passado a importação direta de alguns rótulos de azeites de alto nível da Itália e da Espanha. Vale lembrar que sempre fizemos muitos cursos e workshops de azeites, pizzas, pães e vários outros temas de cozinha. É muita coisa!

Ao mesmo tempo, vemos que o nosso negócio precisa de escala para crescer: se trabalharmos com três ou quatro lojas, aumentando a importação direta e o investimento em marca própria, o negócio pode crescer bastante, tanto na revenda para o varejo quanto na comercialização direta ao cliente final. O objetivo para 2019, portanto, é estreitar o foco, priorizar as áreas de negócios com melhor potencial e conversar com gente do mercado que tenha interesse em investir conosco na expansão da empresa. Nosso desafio não difere de tantos bons empreendedores brasileiros: ter acesso a capital para crescer com o apoio de um parceiro estratégico que não aporte apenas dinheiro.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora
no seu setor, qual seria?
Pense leve. No ramo do varejo e da gastronomia é muito tentador ir aumentando o portfólio de produtos e serviços sem se dar conta. Assim como um restaurante que está sempre inventando pratos novos sofre com mais perdas de matéria-prima, tempo e pouco poder de negociação com ingredientes de baixo volume de uso ou de venda, no varejo acontece o mesmo. No caso do ecommerce, não menospreze os custos e o lado operacional. A tecnologia avançou muito desde que abrimos o negócio, há seis anos, mas vender pela internet é muito custoso, há muitos gargalos e pode levá-lo a muita perda, se os processos não estiverem muito bem montados e a equipe não for bem treinada. Além disso, o bom cliente de gastronomia dá valor à qualidade, à origem do produto e ao atendimento. Mas normalmente é bem informado e não abre mão do preço justo. É uma linha tênue. Por isso, a equipe precisa conhecer profundamente o seu produto e saber vender paixão. Comer e beber bem é um ato de indulgência. Com raríssimas exceções, nossos clientes são essencialmente pessoas que querem experimentar algo diferente e ser felizes. É uma compra por alegria e não por necessidade. Isso é o que dá mais prazer em ter um negócio como a Rua do Alecrim.

Qual o futuro do Brasil?
Pensar no futuro do Brasil não anima muito, para falar a verdade. Ao mesmo tempo em que me sinto muito preocupada com uma nova onda conservadora e de coação às nossas liberdades, não está muito claro se o País pretende realmente abraçar a causa do empreendedorismo e adotar uma agenda mais amigável ao investimento privado e ao livre mercado. Como empresária da gastronomia, acho que a melhor contribuição é ajudar no desenvolvimento dos produtores de origem, artesanais e orgânicos. O mundo está passando por uma revisão importante na forma como lida com a agricultura familiar e com a relação da alimentação com a vida em comunidade. O Brasil não pode ficar fora disso.

Conheça mais:
Rua do Alecrim Azeites e Gastronomia
Rua Normandia, 12 – Moema – São Paulo
eCommerce: www.ruadoalecrim.com.br e www.farinhasitalianas.com.br
Insta: @ruadoalecrim e @farinhasitalianas