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Blog do Empreendedor
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O que acontece quando um bilionário flagra um funcionário dormindo no trabalho?

9 de junho de 2016

Pode acontecer com qualquer um. Não é normal, mas todos nós conhecemos o caso de algum funcionário que dormiu no trabalho. O que varia, na verdade, é o que pode acontecer quando o dono da empresa flagra a situação. Muitos podem imaginar que o resultado foi único e, desculpe a redundância, um só: a pessoa foi demitida.

Não no caso da Virgin e de seu proprietário, o bilionário Richard Branson. Ao visitar a filial da empresa na Austrália, ele se deparou com a situação e não teve dúvidas: tirou uma foto ao lado do ‘dorminhoco’ e ainda por cima mencionou a situação em um post no blog mantido pela empresa em seu site.

“Para ser justo, ele estava em ‘standby’. precisando descansar. Ele imaginou que estava sonhando (ao ver o executivo ao seu lado posando para uma foto) pois voltou a dormir”, escreveu Branson, deixando claro assim que o funcionário não sofreria qualquer tipo de punição.

O caso pode ser encarado pelo aspecto da cultura da empresa, abordado nesta quinta-feira por Ivan Primo Bornes em seu post sobre a ação que planejou para o Dia dos Namorados. A cultura da empresa é definidora não apenas dos atos dos executivos, dos proprietários, como dos funcionários. É ela que baliza as ações de todos. Para funcionar, é preciso mais do que a boa formulação do que se pretende, é necessário também – a cada momento – passar isso para frente, comunicar isso de maneira correta.

Resumindo: se está na cultura da empresa que você respeita os limites do ser humano que trabalha para você, deixe isso claro – também – se flagrá-lo descansando no trabalho.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Em tempo: alertado por um dos nossos leitores no Facebook, faço um adendo ao post. Pode ter sido uma ação de marketing da corporação, para ela posar de ‘boazinha’ em todo o mundo. Realmente: a Virgin e seu fundador são bons de marketing e isso já ficou provado inumeras vezes; mas olhando um pouco mais a fundo, entendo, também, que eles são bons de cultura empresarial.

Decisão da Justiça de prender executivo do Facebook acende sinal de alerta para empreendedores

1 de março de 2016

A prisão do vice-presidente do Facebook no País  acende um sinal de alerta gigantesco para empreendedores dos quatro cantos do Brasil. Resumidamente, o pedido de prisão preventiva feito pelo juiz Marcelo Maia Montalvao, de Sergipe, indica mais ou menos o seguinte: se você, empreendedor, criar uma solução de comunicação que se torne popular, pode ser responsabilizado pelo uso que as pessoas fazem desse sistema.

Foi exatamente o que aconteceu hoje. O Facebook, proprietário do WhatsApp, foi responsabilizado por trocas de mensagens entre investigados envolvidos em tráfico de drogas. Mais do que isso até. A responsabilidade recaiu sob os ombros de um executivo da companhia, detido no aeroporto de Guarulhos.

É plausível pensar, por exemplo, que o executivo – ou empreendedor, se fosse o caso – dos Correios pode ser também preso caso se envie entorpecentes pelo sistema de entregas da companhia; ou que o dono de um restaurante possa ser preso porque se recusou a quebrar a privacidade dos consumidores que frequentam o estabelecimento e não liberou imagens de eventuais criminosos que usaram o local para combinar um ato delituoso.

A intervenção da Justiça em negócios inovadores já mostrou-se um problema recentemente. Como bem escreveu o professor Marcelo Nakagawa,‘Cento e vinte e cinco anos depois, um juiz brasileiro (legalmente amparado, para deixar claro) pediu o bloqueio do Whatsapp, deixando quase 100 milhões de brasileiros e outros milhões ao redor do mundo à beira da loucura social. Como se comunicariam com as outras pessoas? Manda um torpedo! – sugere alguém. Torpedo? O que é isso? – pergunta o outro. Até que alguma pessoa lembra do Telegram. E, de repente, milhões que nunca enviaram um telegrama na vida, estão baixando o aplicativo “tipo Whatsapp” ou criando VPN para ter o acesso ao seu aplicativo preferido de volta. O bloqueio era de 48 horas, mas só durou poucas horas diante de tanta repercussão mundial.’

A intervenção agora foi maior e atingiu diretamente um executivo da companhia que controla o WhatsApp. Poderia ser um empreendedor.

Daniel Fernandes trabalha no Estadão PME

Eu só queria uma pizza

21 de janeiro de 2016

Eu só queria uma pizza.

Sábado passado, decidimos, eu e minha mulher, evitar a noite confusa de São Paulo. Não queríamos pensar em um restaurante para ir. Não queríamos chegar lá e encontrar filas. Queríamos ficar em casa, comer uma (boa) pizza e experimentar uma nova cerveja de Barcelona que compramos recentemente. Decisão tomada, peguei o carro e dirigi com ela até uma pequena e simpática pizzaria delivery do bairro.

Ela, a pizzaria, abriu as portas idealizada por um amigo de um amigo nosso com uma proposta interessante. Vender pizzas que fossem mais elaboradas – como a que se chama ‘alho negro’ e a que faz homenagem a uma das primeiras pizzarias da cidade e se chama ‘castelões’. Entra mês, sai mês, e a diferenciação de mercado não surtiu o efeito esperado – suspeito que as pessoas, os consumidores, pensaram: ‘Se é para comer uma pizza mais elaborada, isso tem de fazer parte do ritual de sair para comê-la em um restaurante, não em um domingo à noite enquanto espero o Fantástico começar.’

Uma pena.

Depois de alguns meses adiando o inevitável, o delivery foi vendido e quem o assumiu foram dois empreendedores que deveriam estar à frente de uma startup, criando o novo Facebook, a nova Netflix. Onde mais, afinal, você esperaria a sua pizza no balcão escutando Smiths? Hipsters que tinham algo a dizer: colocaram wi-fi, mantiveram os meus sabores preferidos no cardápio – castelões e alho negro – e popularizaram as pedidas com versões mais tradicionais das redondas.

Aparentemente não deu certo. Antes do último sábado, havia ido até a pizzaria no começo de dezembro e não os vi mais por lá. Havia dois novos empresários. Calculei o óbvio e posso estar errado: eles, os hipsters, também ‘passaram o ponto’. Não liguei para o assunto, levei a pizza para casa e, como todos nós, fui me deprimir em frente da televisão esperando o Fantástico começar, acabar e a inevitável segunda-feira chegar.

O que nos leva ao último sábado.

Cheguei no balcão e fiz a pedida certa: meia alho negro e meia castelões.

O rapaz, muito atencioso, anotou o pedido e sacramentou: fica pronta em dez minutos. Fomos, eu e minha mulher, esperar na porta da pizzaria, onde há algumas mesinhas em que você pode até se servir do seu pedido por lá mesmo se desejar. Dez minutos, quinze minutos, vinte minutos e nada da pizza. Ficamos preocupados quando ouvimos o rapaz do balcão gritar com o pizzaiolo: ‘Não,  o pesto (de alho negro) não vai na castelões. Vai na outra’. Mantivemos nossa fé, mas confesso que fiquei com uma pergunta na cabeça: eles não sabem produzir a pizza que está no cardápio?

Não sabiam. Mais vinte minutos de espera e nos entregam a pizza. Agradecem nossa compreensão. Mas não resistimos. Abrimos ali mesmo a caixa para verificar se algum milagre ocorrera e o pedido estava certo. Não estava. A alho negro, que leva pesto de alho negro e nozes, não tinha nem uma coisa nem outra. Tinha queijo e tomate-cereja (?!?!). O pesto, de manjericão, estava espalhado pela castelões, que trazia linguiça de javali praticamente crua.

Não poderíamos aceitar. Pedi para devolverem o dinheiro. Devolveram. Confesso. Fiquei com pena do rapaz no balcão, que tem tudo para ser o novo dono da pizzaria, completamente perdido diante de um simples pedido de pizza. ‘Ele não sabe fazer a pizza que está no cardápio’, minha mulher disparou depois no carro, de volta para casa.

‘É, não sabe’, respondi. E pensei: ‘Eu só queria uma pizza’.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Consumidor não é fiel ao WhatsApp; nem os concorrentes são solidários

17 de dezembro de 2015

O WhatsApp está fora do ar no Brasil por decisão da justiça. Os detalhes que levaram ao bloqueio do serviço por 48 horas não foram divulgados, mas sabe-se que o Facebook, controlador da empresa de mensagens instantâneas, optou por manter sigilosos dados pessoais aos quais a justiça gostaria de ter acesso.

Mark Zuckerberg, criador do Facebook e dono do WhatsApp, usou a rede social para criticar o sistema judiciário brasileiro. Diz que se trata de um dia triste para o Brasil e que a empresa trabalha duro para reverter a situação. Jan Koum, o idealizador da ferramenta, foi um pouco mais duro – disse que o Brasil se isolou do mundo com a decisão.

Não tenho conhecimento suficiente do assunto para entrar no mérito da validade ou não da proibição – a Justiça tem direito? O criador do app tem o dever de manter a confidencialidade de uma conversa? É uma discussão boa e não deve se encerrar com o fim do bloqueio.

Do ponto de vista empreendedor, entretanto, vale a pena comentar um ponto específico.

Ouvi outro dia de um professor que não havia mais fidelidade por parte do consumidor. Queiram as marcas ou não, compramos o que melhor nos atende naquele momento. Seja um iogurte ou um carro. Ou um aplicativo de mensagens. Desde o anúncio do bloqueio, ainda no fim da tarde da quarta-feira, dia 16, as pessoas – consumidores – começaram a procurar alternativas para manter sua comunicação virtual.

Sim, é um caso extremo. O serviço foi interrompido e, portanto, simplesmente perdeu a capacidade de concorrer com outras ferramentas. Mesmo assim, o comportamento desta quinta-feira, dia 17, do consumidor vale a pena ser observado mais a fundo. Ao mesmo tempo que as pessoas manifestavam desaprovação pela decisão da justiça – proibir o acesso de todos por causa de uma questão específica -, também trocavam ideias em velocidade espantosa sobre alternativas ao aplicativo de Jan Koum.

Falar do WhatsApp, então, não significa não falar mais virtualmente. Não houve – pelo menos até onde eu percebi no urgente da apuração para publicar este post – nenhuma mobilização de solidariedade. Houve sim, o uso da internet para a troca de informação sobre alternativas. O que é melhor neste momento em que o principal produto do mercado não opera mais?

É com isso, também, que Zuckerberg e Koum devem se preocupar a partir do caso brasileiro. E se surgir algo melhor que o WhatsApp, será que as pessoas vão continuar fiéis?

Mercado. Costumam dizer que o ambiente de livre concorrência é cruel. Hoje, de fato, é um dos raros dias no qual é possível visualizar isso na prática. Dois concorrentes do WhatsApp se colocaram, por meio de posts patrocinados no Facebook e no Instagram (doce ironia!), como alternativas ao serviço bloqueado para o consumidor. Solidariedade? A gente não vê no mercado do século XXI.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e a última mensagem que ele recebeu no WhatsApp antes do bloqueio foi a resolução de um exercício de planejamento tributário do MBA (doce ironia!)

 

Um segredinho por trás do lançamento de ‘Star Wars’

15 de dezembro de 2015

Não é para menos. Há uma expectativa enorme em torno de ‘Star Wars: O Despertar da Força’. O longa traz o retorno do veterano Harrison Ford ao papel de Han Solo e apenas isso seria motivo suficiente para causar um frisson daqueles em Hollywood. Mas os produtores criaram habilmente uma expectativa ainda maior – e diria até artificial – para a estreia mundial do filme, marcada para a próxima quinta-feira, dia 17 de dezembro.

Por decisão deles, o filme não foi exibido para as associações de críticos. Também o sindicato dos produtores, diretores e atores ficaram a ver navios. Sequer a conceituada Hollywood Foreign Press, que distribui os Globos de Ouro, viu o filme.

Ou seja, criou-se uma expectativa gigante (artificial?) em torno do lançamento, uma estratégia vista com frequência em outros mercados, mas pouco usada em Hollywood. Pedir a opinião dos críticos é arriscado – eles podem detestar o filme. Mas certamente pode garantir alguns ingressos comprados a mais no fim do dia se a recepção é positiva.

Mas é fato! A marca ‘Star Wars’ não precisa dos críticos. E isso ficou claro quando uma das produtoras do novo longa, Kathleen Kennedy, justificou sua decisão. “Desde o começo, respeitamos os fãs. E eles querem ser surpreendidos. Hoje em dia, é muito difícil manter o segredo sobre um longa, muitas vezes o trailer entrega tudo”.

Eis os dois ensinamentos desse lançamento para os empreendedores. Você usa a mesma estratégia de todos, a mais convencional do mercado, quando você tem algo comum nas mãos. Um filme, por mais que tenha consumido milhões de dólares em orçamento e conte com um elenco estrelado, é apenas um filme que precisa dos críticos. Quando você tem o poder da força, quando a sua marca é do tamanho do simbolismo que essas duas palavras – Star Wars – carregam, você pode fazer o que você quiser, até esnobar o mercado. O mercado, diga-se, não os fãs.

E como os donos da franquia pensam nos fãs. Há uma infinidade de produtos, principalmente nos Estados Unidos, que carregam a marca. Há creme de barbear, caneca, máquina de fazer torradas, computador e até, acreditem, sopas, maças e laranjas…..

Que a força esteja com você, porque a força da marca, está com eles….

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

 

Nossos heróis não querem mais especular na Bolsa de Valores

2 de dezembro de 2015

Recentemente, coloquei as mãos em um livro chamado ‘Os Axiomas de Zurique – Os conselhos dos banqueiros suíços para orientar seus investimentos’. Li em menos de uma semana as 155 páginas da obra escrita por Max Gunter em 1985 e que está na sua 27ª edição no Brasil.

Em 1985, o mundo era bastante diferente do atual e a leitura nos dá um panorama sobre a cultura que envolvia o mundo dos negócios nos Estados Unidos naquela época. São recorrentes alguns conselhos de Gunter durante todo o livro: ‘seu objetivo é ficar rico’, ‘você faz especulação, não investimentos’ (e eles são uma espécie de jogo) e ‘resultados são imprevisíveis’. O negócio era faturar alto.

A possibilidade de ficar rico estava ao alcance de todos e você poderia atingir esse objetivo por meio da especulação, por exemplo, na Bolsa de Valores. Eu tinha 9 anos em 1985. E, como criança, não entendia nem um pouco o que era cultura, muito menos a cultura dos yuppies norte-americanos (a palavra significa young urban professionals).

Mas pouco tempo depois eu me tornei jovem. E isso aconteceu em um mundo que já havia mudado um pouco, dando um passo ainda tímido em direção à igualdade. Mas os meus heróis tinham morrido de AIDS. E de overdose. Cazuza, Jimi Hendrix, Janis Joplin….depois Kurt Cobain tirando a própria vida. Uma pena!

Foi assim que eu cresci. E eu não cresci com a intenção de empreender. Para a minha geração, ainda vigorava o esquema: faculdade – bom emprego – uma casa própria e, com sorte, uma aposentadoria boa no banco. Mas aí, quando eu já estava mais ou menos no meio do caminho, surgiu o Vale do Silício. Empreendedores se tornaram os novos ‘rock stars’, os novos ‘pop stars’.

Era possível enxergar neles uma quebra de paradigma, uma mudança na forma de ver a vida, de imaginar o mundo, de idealizar o mundo. Larry Page, Sergey Brin, Steve Jobs…….e preciso me render….Mark Zuckerberg. A sua trajetória, para muitos controversa, ganhou um novo capítulo que mostra exatamente a mudança de paradigma, de cultura do mundo dos negócios.

Mark divulgou que pretende doar 99% das suas ações do Facebook para causas sociais. Hoje, essas ações significam algo em torno de US$ 45 bilhões – muito, mas muito mais do que o prêmio da Mega Sena que saiu para um apostador de Brasília. Ao fazer o anúncio, ele se coloca ao lado de outro herói de ‘novos jovens’ como eu (se vamos morrer cada vez mais tarde, 40 anos não é algo tão ruim assim!): Bill Gates. O idealizador da Microsoft, por sinal, anunciou por esses dias um fundo de US$ 7 bilhões para fomentar o uso de energias mais limpas.

Outro herói dos nossos tempos é o criador da TOMS. Blake Mycoskie criou um negócio em que cada coisa comprada, é doada. Começou com sapatos e expandiu-se para outras áreas. Poderia gastar mais uns dez parágrafos citando gente como eles. Como se vê, nossos (meus) heróis não querem mais especular na Bolsa de Valores. Eles tentam mudar o mundo. Ainda bem.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

 

Duas visões de mundo

20 de novembro de 2015

Uma padaria, em São Paulo, resolveu orientar seus clientes a não contribuir com dinheiro para moradores de rua, que por conta da ação não mais saem da porta do estabelecimento. Essa orientação surgiu por meio de uma placa, afixada bem em frente aos caixas responsáveis por coletar os pagamentos.

De acordo com o representante da padaria, que pediu para não ser identificado, a decisão de fazer esse pedido aos consumidores que frequentam o local não tem a ver com um ato de repúdio aos moradores de rua. “Não tenho nada contra pobre, mas eles querem dinheiro, não comida”, afirmou. “Se dou (comida) para dois, vem dez. Se dou para dez, vem vinte. Meu objetivo é que todos vivessem bem e não precisasse disso.” Ainda segundo esse representante, os pedintes dormem do outro lado da rua e fazem suas necessidades no local.

A atitude do empresário se justifica? No lugar dele, o que você faria? Fiz uma pesquisa rápida em um grupo no Whatsapp formado por pessoas que estudam comigo na Fundação Getúlio Vargas (FGV). O objetivo era brevemente apurar qual o impacto da placa nesse grupo específico de pessoas. Poucos se manifestaram. Mas uma resposta me chamou a atenção: “Por que esse empresário não faz diferente, convida seus clientes a comprarem uma refeição solidária e em determinados horários do dia as entrega, de forma organizada?”

::: Leia também: Inteligência emocional para lidar com o cliente sem noção :::

O motivo da padaria existir não é ser um negócio social. Ela visa o lucro de seus proprietários ao se esforçar por oferecer os melhores produtos para os consumidores. Mas a padaria, a farmácia, o comércio em geral, as empresas de serviços. Grandes ou pequenas. Deveriam prestar atenção em uma outra visão de mundo.

Ganha força, como tendência, o empreendedorismo social, em que negócios surgem também com uma causa. Não há nada de inocente nesses negócios. Eles visam lucro, como qualquer outra empresa, mas prometem destinar uma parte desses ganhos para o bem-estar social. Pode ser na região onde a empresa está localizada. Pode ser também em alguma área em que vivem pessoas mais necessitadas.

Essa segunda visão de mundo – lucrar e promover o bem-estar – está atrelada, como dissemos, a uma tendência que já ganhou até nome próprio. Empreendedorismo social. O caso mais famoso no mundo talvez seja o da empresa TOMS, nos Estados Unidos. Para cada par de sapatos adquirido por um consumidor, a companhia criada por Blake Mycoskie se propõe a doar outro par para pessoas necessitadas. De acordo com Bel Pesce, colunista do Estadão PME, 45 milhões de pares já foram dados à crianças carentes ao redor do mundo.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

 

 

O dia em que o Burger King adotou a estratégia das pequenas empresas

24 de setembro de 2015

Burger King McDonalds McDonald´s delivery telefone

O Burger King, gigante do segmento de alimentação rápida, anunciou nesta quinta-feira (24) que passará a oferecer em todas as suas lanchonetes, a partir do próximo dia 29, um hambúrguer vegetariano.

É exatamente isso: a multinacional, que se autodeclara a segunda maior rede de fast food de hambúrgueres do mundo, deu um passo decisivo em direção ao saudável. Exigência do consumidor faz algum tempo – as pessoas se preocupam cada vez mais com a qualidade e, principalmente, com as consequências daquilo que consomem -, o novo item do menu nada mais é do que a reprodução, em escala global, da estratégia já adotada faz tempo por pequenas e médias empresas do segmento.

É exatamente isso. A marca global adota uma estratégia de diferenciação que em muito se parece com o plano de ação de marcas como a Lanchonete da Cidade. A pequena rede paulistana mantém em seu cardápio, por exemplo, o Quitandinha – hambúrguer vegetariano com mix de cogumelos, legumes grelhados, coberto com mussarela de búfala, tomate caqui, rúcula e pesto de manjericão.

Não. Uma rede do tamanho do Burger King não consegue ser tão sofisticada em atender as exigências dos clientes. É preciso pensar em insumos comuns a todas as regiões e que se encaixem nas políticas de custos da companhia para manter um produto rentável. Mas a marca se esforça: o ‘hambúrguer’ é empanado à base de batata, shimeji, shitake e recheio de queijo derretido. De acordo com a multinacional, o preço sugerido à rede é de R$ 21,90 no combo com batatas e refrigerante ‘free refil’.

O fato é que todas as companhias – não importa qual o porte – tem de dar um passo em direção ao saudável se atuam com alimentação. O consumidor mudou. E é preciso acompanhar essa transformação. Não à toa, o comunicado de lançamento do lanche indica isso. “Recebíamos pedidos dos consumidores para lançarmos um produto que atendesse aos vegetarianos e que fosse muito saboroso”, comunica Kellen Silvério, gerente de marketing da marca no Brasil. “Somos uma marca que quer agradar a todos os paladares”, complementa.

A frase, no entanto, me fez pensar em uma antiga aula de marketing. Se você quer agradar todo mundo, a quem você quer agradar…….

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME. Já provou o hambúrguer vegetariano, mas prefere o bom e velho hambúrguer de carne bovina.

O maravilhoso segredo por trás da febre da criação de personagens do Charlie Brown na internet

22 de setembro de 2015

Daniel Fernandes*

Uma das premissas de qualquer estratégia minimamente comprometida com o crescimento de qualquer empresa – pequena, média, grande, gigantesca…Amazon – é fazer com que a comunicação a respeito do seu produto e serviço chegue com eficiência até o seu público-alvo. No marketing, muitos especialistas (acho que todos!) defendem que o negócio que pretende vender para todo mundo acaba não vendendo para ninguém.

Verdade. Parece impossível vender um produto de massa como se ele fosse absolutamente único para cada um dos seres humanos que habitam essa terra azul.

Impossível?

Uma maravilhosa exceção à regra tem inundado as redes sociais nos últimos dias. A empresa por trás da estratégia é a Twenthieth Century Fox Film Corporation. O produto de massa, no caso, é o The Peanuts Movie – com estréia prevista para novembro – e a estratégia é permitir que o internauta crie um personagem do filme a sua imagem e semelhança. A partir da proposta muito bem executada, cada pessoa tem uma percepção muito particular – extremamente positiva – do filme que vai estrear.

O ponto principal, e que também vale a pena destacar, é que a execução não fosse extremamente eficiente – a ferramenta é simples de  ser usada e, guardadas as devidas proporções, consegue cumprir o que promete: criar um personagem razoavelmente parecido com o usuário.

Mas vale para a pequena empresa? Como estratégia, sim. Prestar atenção no que grandes corporações fazem – principalmente no marketing – ajuda pequenos empreendedores a terem insights, a formarem um banco de ideias cujas partes podem ser replicadas em seu próprio negócio. Do ponto de vista financeiro, dificilmente o empresário ainda modesto terá condições de executar uma ação desse tipo.

Ou não?

*Dizem que o boneco abaixo se parece com o editor do Estadão PME, que é quem escreve este post.

Steve Jobs odiava o conceito por trás do Apple Pencil! Será mesmo?

10 de setembro de 2015

Na velocidade da internet. Bastou Jonathan Ive apresentar a novidade, no caso, o Apple Pencil, para a internet – essa ferramenta maravilhosa que amamos tanto odiar – lembrar a todos nós que Steve Jobs odiava o conceito desse tipo de produto. Nota  da versão online de O Globo, por exemplo, lembrou de uma conferência em que Jobs dizia textualmente. “Quer uma caneta? Você precisa pegá-la, puxá-la, perdê-la. Ninguém quer uma caneta.”

Mas aprendi que quando falamos de inovação não adianta olharmos o passado. O que não era ontem pode ser hoje. O passado ensina, ajuda a construir o futuro, mas serve para apenas isso. Para a internet, então, digo o seguinte: não adianta criticar a Apple pela caneta-lápis do futuro que Jobs odiaria. Na verdade, a pergunta a título de especulação que deve ser feita é a seguinte: Jobs realmente odiaria hoje a caneta-lápis?

Óbvio que eu não tenho (ninguém tem) a menor ideia da resposta. É possível supor, talvez, que ele simplesmente não estaria preocupado com ela. Ele estaria preocupado em criar uma nova necessidade para o consumidor, algo que a pessoa simplesmente não tem ideia de que precisa. Como o iPod, como o Iphone…até como o iPad.

Diante disso, e aí sim, há uma ruptura em relação à Apple do presente, e o que ela propõe para o futuro, em relação à companhia idealizada por Jobs no passado. Não há mais a noção de desenvolver uma ideia que atenda uma necessidade. Há simplesmente (e fazer isso não é tão simples assim) a noção de que a realidade sem Jobs é de que a ideia – no caso o Apple Pencil – não precisa ser única (concorrentes já têm o produto), mas sim ser bem usada pelo empreendedor.

Talvez, a frase de Jobs ‘Esteja sempre faminto, seja sempre um tolo’ esteja sendo paulatinamente substituída pelo conceito de que ‘Oportunidades é que geralmente são únicas, não as ideias’.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME, formado em jornalismo pela FIAM e pós-graduado em ciências aplicadas ao consumidor pela ESPM. Curso atualmente MBA em Gestão Empresarial na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e, com muita frequência, perco o sono tentando imaginar como será o trabalho de conclusão de curso.