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Carta a Jorge Paulo Lemann

27 de fevereiro de 2017

Estimado Sr. Lemann, li matéria muito interessante da ‘The Economist’, publicada no Estadão, e achei oportuno lhe escrever.

A reportagem relata os esforços realizados pela sua equipe da 3G Capital, através da gigante de alimentos Kraft Heinz, na tentativa de adquirir a também gigante Unilever. Ok, não deu certo desta vez. Mas fica claro, pelos elogios que a revista americana faz, que a 3G está revolucionando a indústria mundial de alimentos, implementando nas empresas que adquire a sua cultura, a “mentalidade de dono”.

O que mais que chamou a atenção na matéria, porém, e me fez escrever-lhe esta carta, é a informação de que a indústria mundial de alimentos está passando por mudanças desafiadoras (leia-se dificuldade) pois “é cada vez maior o número de consumidores que buscam produtos mais saudáveis, mais naturais e autênticos” – justamente o oposto do que as gigantes fazem.

Me parece, Sr. Lemann, que em um outro setor de seus negócios –  nas cervejarias – este assunto já está sendo bem encaminhado pelo seu grupo, através de investimentos feitos em algumas microcervejarias artesanais, como a americana Goose Island e a brasileira Wäls, por exemplo, potencializando seu crescimento sem perder a qualidade e a autenticidade, e atendendo ao novo consumidor.

Mas no setor de alimentos, ninguém ainda conseguiu tomar a dianteira e estabelecer um diferencial realmente significativo. A grande indústria continua batendo cabeça tentando encontrar formas de responder à equação de (saudabilidade + autenticidade) x escala = credibilidade/valor. E para qualquer gigante, com o pensamento lento e burocrático, vai ser difícil se agachar o suficiente para olhar olho no olho destes novos consumidores exigentes e bem informados.

É aqui, Sr. Lemann, justamente aqui que estamos nós, do Pastifício Primo. “Produtos mais saudáveis, mais naturais e autênticos”, como definiu a The Economist, é o nosso DNA. Esta tem sido nossa missão desde 2010, quando iniciamos o Pastifício Primo com a desejo de ser uma rede de presença nacional, fazendo massa fresca sete dias por semana, obstinados em oferecer produtos impecáveis, saudáveis e sem aditivos químicos ou conservantes. Passados 6 anos, temos 10 unidades no Brasil – e conforme prometido, fazendo massa fresca todos os dias.

E queremos ir muito além, Sr Lemann, e precisamos de reforços para continuar nossa missão de levar produtos frescos e artesanais para todos os cantos do Brasil, e sem perder nossos valores. Acreditamos que nosso cliente merece um produto cada vez melhor e com o melhor preço. E, para isso, precisamos de músculos, de escala.

Por isso, Mr Lemann, eu lhe provoco: não estaria na hora de a 3G Capital começar a olhar para pequenos produtores artesanais de alimentos como nós em seu portfólio de investimentos? Para atender o consumidor que se mostra cada vez mais avesso às velhas fórmulas industriais de produção de alimentos?

Se você decidir levar a revolução nos alimentos, como a The Economist aplaude, para um outro patamar como você já fez com as cervejarias, quero apenas dizer que estamos aqui. Estamos convictos de que encontramos a direção certa. E sabemos disso pelo suspiro satisfeito de nossos clientes depois de devorar um alimento preparado por nós.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve nas segundas feiras.

 

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