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As lições de Disney para ser um bom marido e pai e daí, um grande empreendedor!

28 de novembro de 2014

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Muitos empreendedores casam-se com suas empresas. Outros consideram seus negócios como filhos únicos. Assim, seus verdadeiros cônjuges ou filhos vão perdendo espaço em suas vidas até o ponto em que a relação tempo e espaço deixa de existir. Desta forma, não raro, empreendedores apelam para o divórcio porque não conseguem levar dois casamentos em frente e ainda pedem desculpas a seus verdadeiros filhos por não tê-los vistos crescer, seja por meio do pedido em si ou oferecendo recompensas quando já estão crescidos.

Mas sucesso financeiro no futuro não compra a chance de ter sido mais feliz no passado. E muitos empreendedores descobrem isto quando seu sucesso estará incompleto para sempre.

Por esta razão, a trajetória de Walt Disney se torna ainda mais encantadora.

Mesmo diante dos altos e baixos, ele e sua esposa Lillian conseguiram manter um casamento feliz até seu falecimento em 1966. Ela, ao final da sua vida, declarou que não trocaria um minuto sequer da vida maravilhosa que teve ao lado do pai do Mickey. E isto porque Lillian não gostava do seu entusiasmo, da sua genialidade e suas criações. Certa vez, uma de suas amigas disse que Disney era um gênio e ela, grosseiramente respondeu com uma pergunta: “Que tal se você fosse casada com um? “.  Mas no fundo, ela era possessiva e ciumenta. Mas tinha ciúmes mesmo do Mickey, um personagem que ela própria tinha ajudado a criar. Quando criou o ratinho, Disney iria chama-lo de Mortimer, mas foi sua esposa que o convenceu que Mickey Mouse teria uma melhor aceitação do público. Agora, com o sucesso do seu filho, vinha perdendo a atenção do marido. Nunca aceitou isso direito. Disney, por sua vez, tentava atender a todos os seus desejos. Também sempre fez questão de manter ajudantes em casa para que Lillian tivesse mais tempo para ela, para ele e depois para as filhas. E Walt Disney sempre a admirou pelo esforço que ela fazia em manter a família feliz.

Se sua esposa o ajudou a criar seu maior personagem, suas filhas, Diane e Sharon, o inspiraram a criar a Disneylândia. Quando eram pequenas, Disney fez questão de não ter nada em casa que remetesse ao seu império. Dentro de casa, queria ser um grande pai como qualquer outro. Tanto que sua filha Diane, só descobriu que Disney era o Walt Disney aos seis anos. Diante da descoberta, sorriu e pediu um autógrafo. Mas antes disso, Disney corria com as meninas pela casa, brincava na piscina, carregava-as no ombro. “Eu achava que meu pai era o homem mais forte do mundo e o mais engraçado também” – recordou certa fez Diane, sua filha mais velha. À noite, fazia questão de ler para as filhas e, depois, passou a levá-las para brincar no estúdio. Nos finais de semana, iam sempre ao parque de diversão da cidade. “Aqueles foram alguns dos dias mais felizes da minha vida. Elas eram apaixonadas por seu pai.” – lembrou Disney.

E foram nestas visitas ao parque que começou a surgir a ideia da Disneylândia. Disney achava que o parque era sujo, confuso e por vezes, inseguro. Por que não criar um parque de diversões limpo, inspirador e muito seguro a partir dos seus personagens para as suas filhas? E por que não dividir este sonho com outras famílias e suas crianças?

Visto desta forma, Walt Disney só foi um grande empreendedor porque também tentou ser um marido e um pai dedicado. Isto aconteceu porque teve a capacidade de criar um negócio assim e as tomar as decisões que permitissem isso.

Um homem jamais deve negligenciar sua família em favor do seu negócio.” – sempre foi um dos seus principais lemas de vida e negócio.