Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

“As empresas precisam sair de seus silos, abrir a janela e ter novos olhares”

24 de agosto de 2015

A designer Clarissa Biolchini, desde o início do ano, tem um novo desafio: dar vida à Laje, um misto de escola e laboratório criado para estimular a inovação em produtos, serviços e modelos de negócios para empresas e profissionais.  Com um currículo com mais de 20 anos de experiência (sendo dez na Europa e na Ásia), professora do curso de graduação em Design na PUC-Rio e do curso de Pós-Graduação em Marketing na FGV, Clarissa também é a responsável pelo prefácio da edição brasileira do livro “Isto é Design Thinking de Serviços”, considerada a mais importante publicação no mundo sobre o assunto.

Em abril deste ano ela esteve em Amsterdam fazendo o curso “This is Service Design Doing” e criou coragem para trazer ao Brasil o mesmo programa que já foi sucesso em Barcelona, Shanghai, Atlanta e Berlin. Ministrado por Marc Stickdorn, coautor do livro, e Adam Lawrence, cofundador do Global Service Jam, o workshop será oferecido em formato de três dias, de 24 a 26 de setembro na Laje (mais informações e inscrições aqui).  Nessa entrevista exclusiva, ela fala sobre o curso e sobre o momento do design nos negócios.

Clarissa: o design se torna cada mais importante no contexto em que as transformações são cada vez mais rápidas

Menta – O design vem ganhando cada vez mais espaço. A capa da Harvard Business Review de setembro é sobre Design Thinking. Qual o motivo disso, na sua opinião?

Clarissa – O Design Thinking hoje se tornou essencial para as empresas por alguns motivos: O fato de vivermos hoje em uma economia de redes está transformando drasticamente as dinâmicas de trabalho nas empresas e a vida das pessoas. Enquanto nos modelos econômicos anteriores, o planejamento estratégico baseado em pesquisas de mercado quantitativas dava conta do recado e, muitas vezes, era suficiente para as empresas direcionarem e manterem seus planos anuais de desenvolvimento e crescimento de seus negócios, hoje o cenário da economia de redes nos revela uma série de outros possíveis modelos de negócios, de utilização de recursos, e consequentemente de novas formas de relacionamento entre pessoas/clientes e empresas que, algumas vezes, “nos tira do chão”.  E  muitas empresas estão tendo que se reinventar por conta disso. Não que este fenômeno não acontecesse antes, afinal a tecnologia sempre evoluiu e nos impactou com mudanças, mas hoje a quantidade e a velocidade das transformações é muito maior.

Atualmente todos sabemos que muito facilmente uma empresa pode rapidamente perder mercado para startups que rapidamente crescem e se desenvolvem criando espaço em novos mercados, ou mesmo para substitutos, que oferecem novas formas do mesmo serviço com modelos de negócios distintos, ou em mídias distintas. O whatsapp está ai desafiando os serviços tradicionais de telefonia celular, assim como tantos outros exemplos similares, que como este, surgem a nossa volta todos os dias.  Além disso, hoje o consumidor ganhou voz – e se tornou muito mais exigente e empoderado para poder se manifestar perante as marcas  e produtos e desafiar o destinos da empresas. A economia colaborativa, antes inimaginável num cenário tradicional de mercado, nos apresenta, a cada dia, um despontar de novas ideias e negócios contando com a colaboração e inteligência  e recursos em rede, como é caso da AirBnb, os dos inúmeros aplicativos de trânsito, de streaming de música e tantos outros.

Assim, muitos modelos de negócios e as cadeias de valor de muitas indústrias estão caindo por terra, ou se transformando. Todas estas mudanças obrigam as empresas a saírem de seus silos, abrirem suas janelas e respirarem os novos ares, ouvirem seus clientes, observarem as pessoas, seus desejos, medos, comportamentos, entender a novas tecnologias, e os novos recursos existentes. Mas, a partir destas pesquisas é preciso, ser capaz de gerar novas soluções para seus problemas de negócios, criar novas ofertas, tangibilizá-las e por fim testá-las. Este é o processo poderoso do Design Thinking que reúne pensamento analítico ao pensamento criativo, permitindo com que as empresas estejam sempre aptas a inovar, testar novas ideias e soluções e obter respostas reais em cima de testes concretos, num processo 100% empírico.  O pensamento criativo leva a uma abordagem do problema de forma original e é a partir deste ponto de vista que novos caminhos são traçados.

Clarissa em ação: cocriação e diversão para construir experiências especiais, dinâmicas e produtivas

Menta – Qual o propósito da Laje? Atualmente as melhores escolas de negócios tem cursos de design thinking, estão surgindo escolas especializadas no assunto, existem eventos que disseminam as práticas e os conceitos, qual o espaço não ocupado vocês identificaram e decidiram ocupar?

Clarissa – A Laje acredita na criatividade para impulsionar a inovação de projetos, produtos, marcas e, principalmente, negócios.

Em primeiro lugar, atuamos em dois segmentos, B2C e B2B. Todos os nossos cursos são direcionados tanto para profissionais e estudantes interessados em inovar em seus projetos e carreiras, quanto para empresas (in company) e frequentemente customizados para atender demandas específicas das empresas. Nosso diferencial é que todas as atividades da Laje são baseadas em framework e metodologia aplicada, portanto em todos os cursos que oferecemos para o púbico aberto, há clientes e cases reais que estejam envolvidos em um projeto social ou sem fins lucrativos. Estes clientes-parceiros tem seus projetos beneficiados pelos trabalhos cocriados pelos alunos em sala de aula. Além disso oferecemos desafios criativos e consultorias de inovação para empresas com foco em criação ou melhoria de serviços e produtos.  Nossa ideia é sempre aliar o conteúdo a elementos que tornem as aulas mais especiais, dinâmicas e produtivas.

Estamos construindo um ecossistema de parcerias no qual estão incluídos projetos de impacto social ou ambiental como mencionado acima, além de parceiros de negócios e de conteúdo, sendo muitos destes parceiros de origem internacional, como é o caso do Curso This is Service Design Doing, e de outros workshops internacionais que traremos para o Brasil este ano ainda.

Menta – O curso que a Laje está trazendo para o Rio é o mesmo curso que você fez com os autores na Holanda? O que os alunos podem esperar dessa turma?

Clarissa – Sim, será exatamente o mesmo curso em versão pocket, pois tivemos que adaptá-lo a nossa realidade brasileira.

O Design Thinking de Serviços é uma metodologia que vem ganhando cada vez mais corpo. A partir dela, é possível pensar em soluções criativas para os mais diversos problemas, seja para um novo modelo de negócios ou para a criação de produtos ou serviços Segundo a teoria da lógica dominante de serviço (de Vargo & Lusch) , tudo é serviço.

Com Marc Stickdorn, coautor do livro “Isto é Design de Serviços”

Utilizando métodos e ferramentas que os designers usam para desenvolver soluções, o Design de Serviços é uma abordagem que auxilia as pessoas na inovação e melhoria em serviços e processos em qualquer empresa, portanto é útil para qualquer profissional que trabalhe com serviços, seja ele interno ou externo a empresa.

No curso os alunos podem espera r aprender todos os conceitos e ferramentas do Design de Serviços , além de muito aprendizado “mão na massa” e diversão, pois o curso tem um formato muito instigante e um clima lúdico do inicio ao fim, além de uma levada de dramatização, especialidade do Adam Lawrence, um dos instrutores do curso,  que além de designer de serviços é também ator.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor de inovação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Saiba mais em www.facebook.com/menta90