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A nova Sicília empreendedora

23 de outubro de 2017

Estou na metade do meu giro na Sicilia, dando a volta nesta ilha cheia de história, mezzo férias com toda a família e mezzo trabalho, bem do jeito que eu gosto. Coloquei especial foco em conhecer as pequenas cidades e os pequenos produtores de alimentos, e tenho observado com curiosidade e interesse a dinâmica do pequeno empreendedor da ilha. Nas pequenas cidades, a minha primeira impressão é que praticamente todos são donos de algum negócio, estabelecidos há gerações: o dono da padaria, o dono do laticínio, o dono do restaurante, e assim por diante. Os funcionários do negócio são basicamente a própria família.

Giuseppe Occhipinti, preparando queijos DOP em Ragusa

Eu fiquei imaginando que isso pode ter um lado bom e um lado ruim. O lado bom é que os filhos já nascem com uma certa garantia de trabalho, no negócio da família, e não precisam construir um negócio do zero. Pode ser bastante confortante, e mesmo que pareça estranho para muitos de nós, é algo muito comum aqui – e na Europa em geral. O lado ruim é que existe muito pouco espaço para novos empreendedores ou, pelo menos, para empreender fora da área de atuação daquela família. A demanda de trabalho e serviços nas cidades pequenas é escassa, são povoados que não tem turismo, e por isso é tão comum, numa família grande muitos filhos migrarem em busca de oportunidades na cidade grande, ou em outros países. Me parece que é muito similar com o que acontece nas cidades pequenas do interior do Brasil.

Ao mesmo tempo, fui impactado pela descoberta de uma outra Sicília, de pensamento moderno, uma galera que eu defino na vanguarda da gastronomia, conectada com o mundo, atuando de forma a valorizar a terra e o conhecimento ancestral. Este pessoal não está mais pensando no mercado local, e sim no mercado mundial, e mesmo que pareça óbvio, não é fácil encontrar um lugar no mundo competitivo da gastronomia, e eles estão conseguindo. Ao encontrar novas soluções de se apresentar no mercado, agregando valor ao trabalho local, estão criando um modelo de prosperidade a ser seguido pelos novos jovens empreendedores da ilha.

No meio das montanhas, as azeitonas da Calaforno


Agrobiologica Calaforno Angelica
(www.locandaangelica.it).
No meio das montanhas, no qual cheguei através de um caminho sinuoso de difícil acesso, nos recebe Salvatore Angelica, jovem empreendedor de 25 anos que é o “guardião” de mais de 7 mil oliveiras “soltas” nos vales ao redor. A paisagem milenar, silenciosa, com muitas pedras e com oliveiras enormes, contrasta com o que vejo ao entrar no edifício de manipulação e produção: é um laboratório, máquinas novas, tudo extremamente limpo, organizado, amplo (eu, que sou um apreciador dos métodos de produção artesanal, fiquei emocionado), unindo a última tecnologia a um dos rituais mais antigos da humanidade: colher azeitonas na mão e prensar para extrair o azeite. Salvatore me mostra a diferença entre os vários tipos de azeitonas, e como as cores de suas azeitonas são 100% naturais, sem corantes. Descemos no deposito onde são feitas a salmouras em temperatura controlada, tudo impecável. Acima de tudo, Salvatore mostra o orgulho da terra, do produto que ele faz e conhece a fundo. Mas com uma visão agressiva de apostar no mercado internacional através dos selos da produção biológica.

Nossa visita à Chocolate Sabadi

Chocolate Sabadi (www.sabadi.it). Conheci este pessoal na feira Summer Fancy Food em New York, e agora pude finalmente conhecer a pequena e moderna fábrica bio-artesanal em Módica. Esta cidade é reconhecida no mundo todo pelos chocolates trabalhados a baixa temperatura, o que traz um paladar único e os torna muito mais saudáveis. Como reinventar a roda do chocolate? Pois aqui um jovem empreendedor chamado Simone Sabaini está mostrando como se faz, através da comunicação inteligente, com um packaging cheio de bom humor e personalidade. O slogan da empresa é “slowliving” (que pode ser traduzido como “viver lentamente” fazendo alusão ao “slow food”). É bom destacar que a Sabadi tem 5 prêmios consecutivos de melhor chocolate de Módica – o que não é pouca coisa – e trabalha com selos orgânicos e bios. Como o Simone diz, viver na Sicília é uma escolha, e desta pequena cidade no interior, e com uma pequena equipe, os chocolates vão para o mundo todo!

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br