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A jornada do app OndeParar: iterar para aprender e descobrir novas oportunidades

11 de agosto de 2014

Marcelo Pimenta é professor da ESPM e fundador do Laboratorium

A cultura startup incorporou no seu vocabulário um verbo que veio da linguagem dos sistemas da informação: iterar. Iteração significa repetir e acumular conhecimento para uma próxima tentativa. Prática fundamental para dar musculatura a um  novo negócio, fazendo com que o empreendedor repita sucessivas vezes o mesmo ciclo ágil:

1. Criar as condições para que se possa testar um ou mais aspectos do modelo de negócios;

2. Analisar resultados e acumular conhecimento num ciclo de aprendizagem – identificando novas oportunidades, desapegando-se das hipóteses falhas e criando novas alternativas a serem testadas.

Um caso interessante para ilustrar esse conceito é a trajetória do App OndeParar. A ideia original do empreendedor Thiago Lopes é de janeiro de 2013: criar um aplicativo que ajudasse a encontrar vagas nas garagens vizinhas – aproveitar a ociosidade para gerar receita. Nas pesquisas do projeto, o time encontrou uma notícia sobre uma lei que impede que moradores de outros prédios possam ocupar as vagas de garagem nos condomínios. Essa premissa fez com que eles pivotassem, ou seja, mudassem de rumo visando então outra oportunidade: mapear as vagas dos estacionamentos privados, mostrando além da localização, os preços e as vagas disponíveis.  O aplicativo teve boa aceitação dos usuários e principalmente dos donos dos estacionamentos, que viram no App mais um canal para conquista de clientes.

Desse ciclo de iteração veio a versão 2.0 do aplicativo, lançada recentemente. Além de melhorias na usabilidade, advindas do feedback dos usuários, foram incluídos os bicicletários. E a ideia original, de cadastrar vagas privadas disponíveis voltou! Eles se deram conta que essa lei que proíbe o aluguel para terceiros em condomínios não vale para todo o Brasil e, além disso, há vagas em casas e outros locais que não são prédios.

Novos parceiros e usos do serviço foram identificados nessa trajetória. “Fechamos uma parceria estratégica com uma empresa que faz sensores para vagas e painéis, a Intelimotion”, conta Thiago. Ele vê muitas oportunidades na perspectiva do fim do uso do papel para controle das vagas públicas. Já está implementado e em funcionamento um piloto na cidade de Águas de São Pedro. “Cada vaga tem um sensor e nosso aplicativo mostra isso em tempo real”.

Eles contam que também hoje já mostram em vários sites de eventos, como o do Grupo RBS – Hagah, Obaoba, Guia da Semana, os estacionamentos disponíveis perto dos shows e festas. Outra oportunidade que surge é mostrar as vagas livres nos estacionamentos dos shoppings. Enfim, eles estão avançando no funil do conhecimento, na busca por um modelo repetível, escalável e lucrativo continuamente.  A nova versão do aplicativo está disponível na Apple Store é gratuita e pode ser muito útil. Sugiro que testem aqui.

A iteração é necessária no momento de vida da startup que se está realizando o  design do negócio. É caminho para refinar o produto ou serviço, acumulando conhecimento para que se repita o ciclo ágil de verificar o estágio de desenvolvimento do negócio. Os ciclos de iteração podem ter como objetivo testar diferentes aspectos do modelo: proposta de valor, fontes de receita, parcerias… o importante é que cada experiência traga novos elementos para o refinamento da solução.

PS – Não confundir iteração com interação. Se iteração significa o ciclo de repetição e acúmulo de experiências, interação são os fenômenos de troca e relacionamento entre as partes (sejam pessoas com pessoas, pessoas com máquinas, máquinas com máquinas). Por meio da interação é que ocorre o processo de iteração.

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