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‘A gente não para de pensar no negócio um minuto sequer’, diz Adolpho Schaefer

8 de outubro de 2018

Esta é a história de Adolpho Guedes Schaefer, orgulhoso pai da Bruna, e dono de um dos mais famosos food trucks do Brasil, o Holy Pasta, especializado em massas – um sucesso de crítica e público.

Adolpho também é uma das estrelas do ‘reality show’ do GNT chamado “Food Truck” que está na quarta temporada. A seguir, trechos de um bate-papo que eu fiz com ele.

Adolpho, me conta um pouco da tua família?
Casei cedo, fiquei 10 anos casado e depois de me separar encontrei uma carioca linda que me dá ‘mó’ força. A minha filha Bruna vai fazer nove anos daqui a alguns dias, ela é a mascote do Holy. Meu pai, minha referência de pessoa de caráter, João Luiz Schaefer, entrou no mercado financeiro em uma das primeiras financeiras do País, vendendo letra de câmbio. Décadas depois tentou a vida de restauranter, mas não deu certo. Minha mãe Eliane Guedes é pura energia e essa ‘vibe’ infinita de trabalhar que eu tenho acho que puxei dela.

De onde surgiu a ideia de fundar o Holy Pasta?
A ideia do Holy acendeu na minha cabeça quando comecei a acompanhar o movimento de food trucks nos EUA  em 2013, o que me levou a querer resgatar o espírito do meu primeiro emprego – um restaurante de almoço executivo no meio do Itaim Bibi em 1999 chamado Truta Forte – a informalidade no atendimento e a qualidade da comida formavam uma dupla surpreendente e arrancavam sorrisos de todos que nos davam a chance de mostrar nosso trabalho. Em poucas palavras, o Holy é o Truta Forte de rodas (risos).

Primeiro apareceu a ideia ou o empreendedor?
A ideia veio primeiro! Apesar de eu já ter tentado ter meu próprio negócio em outras duas vezes (primeiro uma ‘Lanhouse’ com lanchonete e depois uma lanchonete em um lava-rápido na Faria Lima), com o Holy, primeiro veio a ideia de sair de onde eu estava, cuidando do negócio dos outros para cuidar do meu negócio, com a minha cara, a minha identidade. Para viabilizar não foi fácil, eu não tinha grana e é aí que entram os meus sócios (antigos patrões) e meu irmão por opção: Paulo Ribas Bixo. Eu tinha a ideia, o projeto, tudo na cabeça e esses caras articularam para juntos formarmos uma sociedade e tirar a ideia do papel.

Como é que a família participa no empreendimento?
A família não escapa de participar, todos acabam se envolvendo seja fisicamente (a Bruna fica comigo em nosso QG pelo menos duas vezes por semana, fora às vezes em que fica no truck), a namorada, além de frequentar sempre que consegue, me ajuda um monte me escutando e me aconselhando, minha mãe, meu pai, meus irmãos, estão sempre querendo saber como andam os negócios. Enfim, em família de empreendedor todo mundo ri e chora junto.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Ainda mais num food truck. Como é isso?
Com certeza são fora do normal, a gente não para de pensar no negócio um minuto sequer, inclusive isso é um desafio diário, eu me policio direto para dar um jeito de desligar nos momentos que não são cruciais para tentar olhar e pensar do lado de fora do furacão. Empreender nesse ramo de alimentação é saber que na maioria dos dias você estará trabalhando enquanto seus amigos estão no churrasco, mas sempre que consigo, eu estaciono o truck e corro pra lá. Com a família a mesma coisa, só que rola um cuidado especial com a Holy Girl (Bruna) que tem um dia da semana reservado para ela. No truck é ‘mó’ doideira, carrega, descarrega, monta, desmonta, olha pro céu e torce para não chover e também para não fazer aquele sol do agreste. São tantas variáveis que você aprende que não adianta sofrer por antecipação, o negócio é estar sempre pronto para vender o máximo que conseguir.

Quais são os planos de futuro do negócio?
O futuro é crescer, expandir, gostaria de te falar hoje que meu plano é abrir 10 lojas nos próximos 2 anos, mas por enquanto a meta 01 é abrir uma loja – nos mesmos moldes do truck – pede, paga, pega e come. Isso no ano que vem.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando, qual seria?
Queira mais do que qualquer coisa! Tenha claro pra você que mesmo quando você não quiser o seu negócio irá precisar de você. Que a qualquer momento você irá precisar dar mais um pouco da sua energia para ele continuar girando. E não esqueça, não faça mais do mesmo, disso o mercado está lotado!

Na tua opinião, qual o futuro do Brasil?
Em um país onde todos os que estão abaixo da grande cúpula dos políticos e megaempresários milionários, não passam de escravos do capitalismo, vou lutar para fazer as pessoas sentirem que vale a pena ser feliz com um bela pratada de macarrão. Tá difícil engolir que a gente trabalha 16 horas por dia para pagar a regalia dessa corja.

Como o público encontra você na rua?
Nossas redes sócias são nosso canal com o público, entra lá: @holypastafoodtruck no Insta e no Face e veja qual é a próxima parada. Se quiser falar com a gente aproveita e manda uma mensagem.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo