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Blog do Empreendedor
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A ex-colega do presidente da França que virou empreendedora no Brasil

2 de maio de 2018

A francesa Alexandrine Brami veio ao Brasil para passar um mês de férias em 2001. Mas o que era um passeio se tornou uma nova vida: acabou se mudando para o país e aqui, depois de trabalhar em atividades acadêmicas, decidiu fazer a difícil metamorfose para a vida de empreendedora – um desafio enorme em qualquer lugar do mundo, e que ganha ainda mais valor quando realizado dentro da complexa realidade brasileira; ainda mais para quem vem de fora.

Ex-colega de estudos do atual presidente da França, Emmanuel Macron, no Lycee Henri IV (considerado o melhor colégio do país), Alexandrine já era professora universitária em Paris quando foi convidada a treinar no Brasil estudantes da PUC-SP para ingressar na conceituada Sciences Po Paris, escola de negócios da França.

Esta demanda foi o embrião para a criação, em 2007, do IFESP, uma escola de ensino de francês especializada no acesso a renomadas universidades francesas, e que hoje se transformou numa plataforma de educação 100% online que já formou mais de 20 mil alunos, sendo que 9 mil deles ingressaram em universidades francesas, muitas deles com bolsa de estudos. Agora o IFESP cresce para oferecer muito mais do que ensinar o idioma de Victor Hugo: também prepara líderes e equipes de alta performance com treinamentos inovadores.
A seguir, Alexandrine conta a sua história empreendedora, destaca a importância da família, da ética, do gosto pelo estudo e pelo trabalho, e compartilha conosco sua visão humanista sensível com as questões sociais e políticas do Brasil.

Uma família de imigrantes
Sou francesa filha de imigrantes tunisianos e italianos. Meus pais investiram tudo que tinham (e tinham pouco, inclusive nenhum diploma e zero capital econômico) nos estudos de seus filhos. Somos oito filhos no total. E sempre nos ensinaram que o estudo é que faria diferença na nossa vida.

Nos incentivaram a estudar diariamente, buscaram as melhoras escolas públicas, contrataram professores particulares para aulas de reforço sempre que necessário. Tive a sorte de nascer na França, país onde o acesso aos estudos é facilitado por políticas públicas de fomento a educação , com bolsas e auxílios para famílias de baixa renda, com infraestrutura de boa qualidade e professores suficientemente bem pagos para se dedicarem ao seu magistério. A escola na França é ainda o grande “elevador social”. Com este legado, me considero hoje como uma “filha da República Francesa” e sinto desde sempre que devo retribuir de alguma forma tudo que eu recebi.

O gosto pelo desafio acadêmico
Como sempre gostei de estudar e de competir no plano acadêmico, fui sempre a primeira da minha classe. Com isso, consegui ingressar no melhor colégio da França, o famoso Lycee Henri IV, que historicamente acolheu grandes intelectuais, além de dois presidentes da república, o Georges Pompidou e o Emmanuel Macron, que foi meu colega de classe.

Escolhi o caminho mais difícil por gosto ao desafio e prossegui no mesmo colégio num curso preparatório para a concorrida Ecole Normale Supérieure, que formou gerações de professores universitários e pensadores. Foram dois anos matadores de intenso estudo, com matérias tão variadas, como Matemática, Filosofia, Letras, História, Geografia, Economia, Sociologia e
Russo, que estudei durante 12 anos.  O que adquiri neste curso preparatório e posteriormente na Ecole Normale Supérieure, além de um conhecimento incrivelmente extenso e rico, são competências essenciais para liderar, tais como: curiosidade, humildade intelectual, capacidade de planejamento e comunicação assertiva, forte resistência a pressão e resiliência. Alimentei ali valores enraizados na minha família: trabalho, cooperação, humanismo, excelência, além de uma ambição positiva de fazer o bem para o meus pais.

A Importância do network
Em 2001 entrei na Sciences Po Paris, uma das melhores business schools na França, que formou quase todos os nossos presidentes da república  – inclusive o atual presidente Emmanuel Macron. Lá eu fiz um mestrado em Ciências Políticas e ingressei logo no Doutorado. E ganhei, além de mais um preparo intelectual, o convívio com um network amplo e qualificado de acadêmicos, experts  e governantes ultra preparados.

Os mentores
Tenho dois grandes modelos que até hoje são fontes de inspiração para meu pensamento e a minha atuação.

- O sociólogo Pierre Bourdieu, falecido, que conseguia enxergar processos estruturais de funcionamento da sociedade e vulgarizar e comunicar com palavras impactantes as reivindicações dos jovens que protestavam na rua em busca de melhores condições de estudos e de vida. Um pensador da complexidade que falava à imprensa francesa de forma simples, traduzindo palavras de ordem totalmente dispersas em conceitos apurados; fazendo assim, ele dava legitimidade, senso e sustentação ao movimento estudantil do qual participava. Aqui no Brasil, tenho impressão que os jovens não tem sequer voz no espaço público. Às vezes eu me pergunto: onde está o Pierre Bourdieu do Brasil?

- O economista Pascal Combemale com quem tive a chance de estudar durante 3 anos macroeconomia e microeconomia, batia constantemente numa tecla: quem ambiciona mudar de dentro o paradigma neoclássico, deve conhecê-lo muito bem, estudar a fundo as hipóteses, as teorias, os conceitos, as metodologias e ferramentas, até achar as brechas e falhas. A “crítica interna”, dizia, é o que dava legitimidade e credibilidade aos melhores críticos deste modelo um lugar de destaque nas mesas de discussões ocupada afinal pelos tomadores de decisões. Aplico este método a tudo que faço: estudo sempre a fundo qualquer assunto de importância para o meu negócio, procuro conhecer por trás dos discursos as relações efetivas entre os players envolvidos e o jogo de poder que rege o tabuleiro. Com isto ganho confiança, consigo trazer na mesa insights pertinentes e dialogar de forma construtiva com quem está no topo. E olha que venho de baixo e sou uma mulher estrangeira num mundo (seja acadêmico, seja business) ainda dominado por homens.

A chegada no Brasil
Cheguei ao Brasil no final de 2001 para passar 1 mês de férias. Não tinha previsão de ficar mais, o meu doutorado era sobre a Rússia, já era professora universitária e jovem pesquisadora associada ao CERI – Centro de pesquisa de referência em Relações Internacionais em Paris.

Mas a Sciences Po me propôs um ‘challenge’: treinar intensivamente jovens estudantes da PUC-SP para que em menos de 6 meses pudessem se candidatar com mais chance de ingresso ao duplo diploma que a universidade tinha com a Sciences Po. Topei na hora. Transferimos as aulas que eu deveria dar em Paris para São Paulo. O programa deu tão certo que foi renovado e ampliado . Em 2006 eu lecionava na PUC-SP, USP e FGV e já estava preparando dezenas de estudantes. Quando cheguei ao Brasil, vivi um choque cultural grande: a população me parecia tão jovem, a proporção de jovens ia crescendo e, fora alguns privilegiados, a grande maioria estava chegando ao mercado de trabalho sem diploma nem preparo, a escola pública não assegurava a ascensão social, as infraestruturas eram insuficientes, os serviços públicos exangues.  Mas esses jovens tinham – e continuam tendo – um sonho: crescer, fazer algo relevante, viajar e conhecer o mundo lá fora e ter acesso aos bens prometidos pela sociedade de consumo.

Sentia na época que tinha no Brasil uma forte aspiração a mudança de sociedade. E aí veio Lula. E as promessas de mudanças radicais. E as frustrações geradas pelos acordos ad hoc e pelo modelo de governança por propinas e chantagens no mais alto nível do poder.

Hoje vejo que a sociedade, apesar de anestesiada politicamente, mudou: mais jovens de baixa renda cursam universidades ou tem esta expectativa, mais jovens brasileiros convivem com estrangeiros que tem ‘mindset’ e aspirações diferentes, mais jovens viajam para fora e descobrem um mundo de possibilidades. O Brasil se abriu, mesmo continuando muito fechado.

Outra diferença notável: na época, em 2002, ser empreendedor não era valorizado. Aliás, a palavra era meio depreciativa e remetia aquele microempreendedor por necessidade. Os modelos de sucesso eram executivos e empresários. Esta visão mudou. Hoje é legal se autoproclamar “empreendedor”, e assumir risco já virou um ‘soft skill’ ensinado nas melhores escolas de business. O bom nisto é que banalizou-se a imagem do empreendedor jovem ou sênior que deixa a carreira executiva mesmo que temporariamente para experimentar uma nova vida e rotina.

O surgimento da empreendedora
Para falar verdade, na época nem me passava pela cabeça abrir uma empresa ou trabalhar numa empresa. Reverenciava mesmo é a vida acadêmica e meu sonho era prosseguir na carreira acadêmica. Eu adorava livros e aquele ambiente seguro da universidade. Ainda sou apaixonada por ideias e um dia voltarei a lecionar.

Mas em 2006 decidi me instalar definitivamente  no Brasil. E precisava ganhar a vida. Então bolei um cartão de visita e comecei a correr atrás de oportunidades. Fiz varias missões no estilo freelancer para diversas empresas em jornalismo, gestão de projetos educativos, vendas etc . Por pura sobrevivência, já que tinha me desligado da academia na França. Mas no início eu era meio relutante e nos primeiros meses senti ter saído de minha zona de conforto sem saber ao certo o que me esperava.

A minha sorte veio de novo da academia e das portas que tinha aberto nesses 4 anos de ensino e pesquisa.  Eu tinha me associado ao GV-CENN, centro de empreendedorismo da FGV onde pesquisava a modernização das administrações tributárias nas três esferas do governo. Eu viajava direto para Rio e Brasília, fazia entrevistas com todos os players-chave desta mudança, frequentava cientistas políticos, encontrava grandes tributaristas e economistas em congressos.

E me aproximei da FIESP onde alguns tributaristas estavam colaborando com um projeto de reforma tributária. Acompanhei discussões e escrevi papers que foram publicados. Paralelamente passei a integrar e frequentar como pesquisadora o Comitê de Jovens Empreendedores da FIESP.

Uma noite, participei de um encontro com mais 200 jovens empreendedores reunidos para prestigiar e ouvir o Benjamin Steinbruch, da CSN. Ele foi lá contar como tudo começou, como ele virou empresário, seus erros e acertos, suas ambições e realizações. Ele falou de forma tão espontânea e apaixonada que eu tive um insight: eu também iria pensar grande e fazer a minha parte neste País. Sai do encontro eletrizada e decidi me apoiar no que eu sabia e gostava de fazer: empoderar pessoas talentosas com sonhos extraordinários, com excelência e inovação. Foi assim que nasceu o primeiro rascunho do IFESP – Instituto de Estudos Franceses e Europeus de São Paulo.

O inicio da empresa
Repito frequentemente que me tornei empreendedora por necessidade. Para sobreviver.  Mas que fiz deste vicio uma virtude. E no fundo hoje acho que eu tinha este espírito chamado “empreendedor” e energizador no sangue. E o Brasil – sua energia, o alto astral das pessoas aqui, a admiração que os brasileiros tem por tudo que vem de fora e que é diferente – deve ter potencializado isto em mim.

Nunca tinha empreendido, não tinha experiência na área, e meu sonho era outro: ser funcionária pública do governo francês, acadêmica atuando em Ciências Políticas. Desta forma , não tinha nenhuma formação em gestão, nunca tinha recrutado ninguém, não sabia como gerenciar projeto e equipe, não tinha expertise em marketing, direito, finanças. Mas fui. E errei muito. E trabalhei muito, fazendo tudo durante seis meses.

Até que encontrei a Pauline Charoki, uma jovem professora francesa que tinha acabado de chegar ao Brasil, cheia de energia, com quem compartilhava os mesmos valores e visão, ambas hard workers mas…também sem nenhum preparo para a vida empresarial :)

Em três meses a convidei para ingressar no quadro societário. Acho até agora que foi a melhor decisão que tomei. E foi no momento certo. Eu tinha 30 anos e ela 24. Nos duas começamos a trabalhar juntas, a compartilhar desta vida maluca, onde só tinha trabalho. Sacrificamos muito nossa vida pessoal. Mas valeu a pena. Não tínhamos nada – bens, contatos… – a perder além de horas de sono :)

A evolução do IFESP
Criamos o IFESP em 2007 usando e tropicalizando o modelo bem conhecido na França da escola IPESUP, tipo de cursinho para as melhores business schools de lá. Eu conhecia bem meu público alvo, jovens de 18-35 anos, com diploma universitário em curso ou na mão, que falam inglês, com mais ou menos recursos, mas todos com sonho de estudar nas melhores universidades francesas .. que são públicas então muito acessíveis aos brasileiros. Aos poucos, ampliamos o leque de atividades até nos tornarmos um hub de inovação em digital learning.

Hoje atuamos em três frentes correlatas: estruturamos uma fábrica de conteúdo digital; desenvolvemos um sistema de ensino com metodologia própria e inovadora de ensino de francês e português com duas escolas virtuais; oferecemos módulos sob medida de coaching e treinamentos profissionais com foco em Comunicação e Soft skills como complemento às aulas de idiomas para formar equipes de alta performance em multinacionais clientes e parceiras.

Uma Plataforma de Educação do Brasil para o Mundo100% de nossos serviços são online, 50% de nosso business é B2C o que nos ajuda na hora de oferecer as administrações públicas e empresas de médio a grande portes programas e cursos adaptados ao user final que conhecemos muito bem. Hoje o B2G e o B2B representam cada um 30% e 20% de nosso faturamento com licitações ganhas e contratos recorrentes com o TRT-SP e o Exército brasileiro (formamos 300 militares brasileiros espalhados no Brasil e fora em terrenos de operação)

Observamos nos últimos 12 meses uma mudança de perfil de nosso aluno: formamos profissionais mais sênior, com background mais sólido e necessidade imediata de praticar e/ ou aprender o idioma francês em tempo recorde, seja por motivações pessoais (mudar de emprego, preparar uma viajem ou reunião de negócio) ou a pedido da diretoria (no âmbito de um projeto de expatriação ou para agilizar a integração de culturas num processo de fusão – aquisição vindo de investidores franceses)

No total, em dez anos formamos 20.000 alunos, profissionais e universitários de todas as áreas, 9.000 ingressaram nas universidades francesas muitas vezes com bolsas. Registramos entre +20 e 35% de crescimento cada ano. Nunca ficamos no vermelho e sempre investimos recursos próprios para alavancar nossos projetos e preparar o futuro. Somos people e customers oriented: cada decisão é pautada desde o princípio em função do resultado esperado (performance, segurança…) de nossos clientes. Temos bom senso e seguimos boas (novas) práticas de pedagogia inspiradas nas recentes descobertas da neurociência: mesmo usando a fundo as novas  tecnologias de ensino, nunca esquecermos que o aluno é humano. Por exemplo, juntamente com ferramentas digitais que quebram barreiras, acompanhamos todos os nossos cursos online de tutoria, mentoring e coaching.

Em resumo fazemos diferença democratizando o ensino do francês, com uma metodologia inovadora 100% online, 100% completa e focada em objetivos, 100% perto do aluno.. a preços super acessíveis. Com nossa plataforma, o francês no Brasil já não é mais uma língua de luxo e quem estuda francês consegue  se destacar num mercado do trabalho cada vez mais competitivo.

Um modelo de gestão inspirador
Funcionamos num modelo organizacional sistêmico, onde squads se formam naturalmente em funções de competências, necessidades e afinidades, para acelerar a gestão de determinados projetos transversais todos com foco em inovação. Todos os colaboradores (sejam eles alocados na nave mãe ou trabalhando como parceiros em projetos pontuais) trabalham em rede com ferramentas colaborativas baratas que nos ajudam a otimizar as trocas e ganhar agilidade e produtividade em todas as etapas dos processos em todas as áreas e departamentos. Nos cercamos de uma rede de 20 mentores de alto nível, que são executivos, empresários e artistas de destaque na sua área, e que trazem conhecimento, contatos, dicas de ferramentas inovadoras e até desafios. Com eles, alimentamos nosso pipe de ideais que transformamos em projetos e resultados em tempo recorde.

O nosso principal desafio está no sourcing de talentos para alimentar de forma contínua nosso pipe de colaboradores. No Brasil, parece ser um problema estrutural: encontrar o profissional que tenha não somente valores e visão alinhadas, mas também expertise e também competências interpessoais desenvolvidas. Aprimoramos constantemente nossa política de recrutamento, implantando testes simples e assessments mais profundos para enxergar mais rapidamente os pontos fortes e o potencial de cada candidato;  estruturamos uma trilha de onboarding para cada novo integrante poder se integrar mais rápido ao resto da equipe e acelerar a aprendizagem inicial (ferramentas, processos, normas, expectativas etc); além do que implantamos uma cultura de reporting, feedback e transparência com KPI para cada área e projetos e OKR para cada membro da equipe. Com isto reduzimos em 80% os nossos “erros” de recrutamento, fomentamos a troca de conhecimentos e experiências e aumentamos a satisfação, a performance e o engajamento de nossa equipe.

Uma visão do futuro para o ensino no Brasil
Vejo um mercado enorme se abrir: o ensino médio e superior com mais de 50 milhões de jovens em busca de experiências de aprendizagem inovadoras, sem falar dos pais, educadores e grupos educacionais. Os jovens de hoje tem sede de aprender e experimentar, vontade de crescer e de se desenvolver como pessoas e profissionais. Só falta é unir forças, escutar os sinais fracos deste mercado educacional em plena transformação, ouvir e tirar as lições do que os gestores escolares e líderes educacionais fazem no dia e dia e tem a dizer, conhecer e se inspirar de experiências bem sucedidas no exterior para adapta-las a realidade brasileira…e avançar juntos para uma educação mais integrada, mais inovadora, mais focada em resultados, mais justa e mais aberta a diversidade.

A inovação chegou finalmente na agenda pública e privada e está em todos os fóruns e congressos. Passou de objeto de desejo a pauta das reformas governamentais na área.  E nós – challenger num mercado tão exigente como o mercado do francês -  estamos prontos para entrar na arena ao lado e em parceria com os melhores e mais ativos grupos educacionais do país. Penso na Kroton que adquiriu agora a Somos, a Conexia do grupo SEB, e demais  concorrentes nacionais e internacionais.

O tema da inovação e do digital learning está em voga, o timing esta bom e estamos prontos para o próximo passo. Só me falta agora encontrar os players chave e convencê-los de que o IFESP – com seu DNA startup e seu potencial – pode agregar valor. Para isto não me faltam argumentos e estarei no EDUCA Bett nos dias 8-11 de maio para defender está visão de que o francês, além e complementariamente ao inglês, representa uma oportunidade ímpar para internacionalizar os currículos de todas as escolas do país.

O bilinguismo está hoje na moda, mas sempre me recordo que ate 1946 o francês era ensinado nas escolas públicas. E quando encontro uma pessoa que estudou francês na infância falar de sua experiência de aprendizagem, me surpreendo sempre com o conjunto de emoções que surgem – prazer, alegria, sonho, saudade. O francês toca no coração,  tanto quanto ele destaca um perfil, transforma tanto quanto abre possibilidades. O que motiva qualquer pessoa a aprender? A razão? Talvez para alguns. Mas para todos eu diria: antes de tudo a emoção. “Le cœur a ses raisons que la raison ne connaît point” dizia Blaise Pascal.

A família empreendedora
Meu esposo que é francês e também empreendedor residente no Brasil há mais de 15 anos, sempre me apoiou, inclusive em decisões difíceis como retornar ao trabalho duas semanas após o nascimento de nossas filhas de 4 e 2 anos. E continua me apoiando com conselhos avisados, dicas práticas, trocas de experiências e indicações de contatos sempre pertinentes. O considero um verdadeiro parceiro que ajuda muito com as tarefas domésticas, o que me parece ser algo bem inusitado no Brasil.

Além disto, se eu tinha uma grande capacidade de trabalho e de organização, com a maternidade, tive que aprender a priorizar e sobretudo a desconectar. Aprendi lendo e praticando. Até que virou “habitus” para usar um conceito do Bourdieu que designa com isto o hábito “feito corpo”. Não leio meus e-mails nem olho meu telefone quando estou com as minhas filhas. Talvez por ter tido as meninas tardiamente, não me culpo pelo pouco tempo passado com elas e procuro oferecer a elas momentos de qualidade com presença total e escuta ativa.

Por fim, organizei minha vida pessoal de tal forma a facilitar a minha vida profissional e vice e versa. Moro a 1 minuto de meu office, posso almoçar com as meninas todo dia. Procurei e escolhi a escola, a academia, os médicos e as lojas onde faço compras num raio de 10 minutos a pé, um luxo em São Paulo. Este foco e planejamento que podem parecer trabalhosos de fora, na verdade valem muito a pena para conciliar de forma sustentável sonhos de realização profissional e pessoal, com rotina e imprevistos.

Estrangeiros empreendedores no Brasil
O Brasil é, além de uma população muito acolhedora, um fantástico laboratório de observação e experimentação, um mercado gigantesco e dinâmico onde podem importar e adaptar modelos de negócios validados em outros contextos.

Queria recomendar sobre a necessidade de enxergar o Brasil como uma economia onde precisa investir (seja tempo ou dinheiro) numa perspectiva de longo prazo para esperar colher frutos; onde, além de aliados e parceiros locais, precisa ter uma alta dose de resiliência, pois erros e fracassos são recorrentes num contexto legal e normativo em constantes mudanças; onde precisa aprender português e se imergir totalmente em círculos / networks genuinamente brasileiros, para compreender rapidamente além das palavras, as especificidades locais, seja no management ou na forma como são negociados e fechados negócios.

Sou muito grata ao Brasil por ter me acolhido e aceitado como eu sou. Aqui quebrei minhas barreiras internas, minhas crenças limitantes, virei EU verdadeira, empreendedora nata, visionária, embaixadora de minha língua e cultura, virei ativista política no sentido mais nobre do termo: formo – com meus meios e no meu nível – agentes transformadores da realidade e do mundo. Faço minha parte, ajudando os jovens talentos e profissionais a acelerar seu projeto acadêmico – profissional, dando a eles através do ensino de uma língua que destaca internacionalmente, a segurança para que possam se auto- afirmar e pleitear seu lugar na mesa dos poderosos.

Para terminar a minha citação favorita do grande poeta e pensador Victor Hugo: “Celui qui ouvre une porte d’école, ferme une prison”. Deixo aqui como um convite para todos os leitores me conhecerem e se unirem de uma forma ou de outra ao nosso projeto.

Para saber mais do IFESP:
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E-mail: contato@ifesp.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)