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7 razões para não comer fora de casa

31 de julho de 2017

Quando iniciei o Pastifício Primo, em 2010, eu não imaginava algumas das coisas que aconteceram e que ajudaram – e continuam ajudando – nosso negócio a prosperar.

Naquele momento, recém-chegado a São Paulo, eu estava procurando fazer a melhor massa do mundo, treinar a equipe, conquistar a confiança de nossos clientes e atender o máximo de pedidos – uma massa e um molho de cada vez. Eu apenas enxergava esses objetivos simples, que eram a parte visível no dia a dia de uma pequena loja/fábrica artesanal de comida.

Mas havia outras coisas interessantes acontecendo – que hoje podemos chamar de tendências – no mundo da gastronomia e no consumo de alimentos, e que estavam “cozinhando” em fogo lento, esperando o momento mágico de serem descobertas pelo grande público. Uma delas – a principal delas para o nosso negócio – é o chamado “home food” (comer em casa).

Acredito que seja provável que esta tendência, ainda tímida no Brasil no começo dos anos 2000, tenha sido acelerada por conta da crise de 2009 – e que se repete na crise atual. Uma combinação do desejo/necessidade de gastar menos, mas sem abrir mão da qualidade adquirida.

Portanto, as pessoas passaram a comer mais – e melhor – em casa, criando essa demanda por alimentos preparados com comprometimento, com filosofia, com responsabilidade, permitindo assim o surgimento de uma geração inteira de novos artesãos e pequenos negócios para atender essa demanda. E o Pastifício Primo floresceu no meio disso tudo.

Outro ingrediente importante foi o crescimento da percepção de que o alimento está diretamente relacionado com a saúde. Assim, as pessoas passaram a questionar mais o que estão consumindo, passaram a evitar comidas industrializadas que, mesmo mais baratas, representam uma ameaça ao bem-estar de si mesmo e das pessoas queridas. Esse é um assunto muito sério, e que voltarei a tratar num futuro próximo.

E podemos ir além, na arquitetura das casas, por exemplo. Antigamente as casas e apartamentos tinham a cozinha separada da sala de visitas ou da sala de jantar, e muitas vezes eram simplesmente a parte mais feia da casa! Já as cozinhas de hoje são espaçosas, confortáveis, lindas, iluminadas, e geralmente se transformam no centro de qualquer festinha.

Outra comparação necessária é que antigamente a maioria das pessoas considerava cozinhar uma obrigação, um “fardo” relegado, sempre que possível, para as empregadas. E, sempre que havia uma ocasião especial para celebrar, como um aniversário, ou uma formatura, ou um jantar romântico, a moda era reservar um restaurante. Havia famílias que tinham mesa garantida em restaurantes todo domingo, e agora recebem toda a família em casa, cada um preparando e exibindo orgulhosos seus pratos preferidos.

Assim, o ato de cozinhar e compartilhar a mesa foi redescoberto de forma lúdica, uma atividade calmante, zen, um ato de amor. E cozinhar em casa se consolidou como um estilo de vida.

Isso porque há muitas vantagens no home food, e eu analiso 7 que me ocorrem agora:

1. É mais em conta. Cada um leva um ingrediente, um prato, ou um par de garrafas de vinho. Uns levam a sobremesa. Outros levam o pão e antepastos. Chamar os amigos em casa para um almoço ou jantar é algo divertido, além de ser muito mais econômico que um restaurante. Por um instante imagine a conta num restaurante bacana, com uma turma de 10 a 15 amigos, adicione 10% de serviço e mais o valet. Imaginou? Pois é. Dá pra fazer de vez em quando, mas nem sempre.

2. Visitar as casas dos amigos. Parece coisa de cidade do interior, mas de fato está acontecendo em São Paulo! O almoço de domingo pode ser um dia na casa de um, depois o jantar é na casa do outro. Isso permite trocar receitas, conhecer novas culturas urbanas e, acima de tudo, comer bem. Se for beber, Uber, taxi ou bike são a solução. Manter a vida simples é um mantra somente possível com a prática.

3. Faça você mesmo. Hoje em dia, as pessoas não precisam cortar lenha no mato, nem sair para caçar, né? Não construímos a casa com as mãos, nem consertamos o próprio carro – e tem quem não saiba trocar um pneu. Numa grande cidade, estamos forçosamente afastados de qualquer ato de “fazer com as próprias mãos”. Mas cozinhar é a nossa salvação, podemos preparar nossa própria comida, escolher os ingredientes, é uma oportunidade simples de resgatar significado ao verbo “fazer”.

4. Descubra uma nova forma de namorar. Era tradicional levar namorada/o para um restaurante badalado, e gastar uma nota para impressionar e nem sempre comer bem. Agora, acredite em mim, poucas coisas impressionam mais – e melhor – do que preparar o jantar em casa, comer com calma, sem o garçom ficar empurrando o couvert ou enchendo a taça para você gastar mais.

5. Coma mais saudável. Comer em casa permite escolher com muito mais cuidado os ingredientes, a higiene e, principalmente, alimentos menos processados, menos industrializados.

6. Declarar a liberdade das filas, dos shoppings e dos valets. Entendo perfeitamente a vontade de conhecer um lugar novo, da moda, e que tem filas quilométricas na porta. Eventualmente pode valer a pena. Mas é um contrassenso juntar a família e se meter numa fila de horas. Principalmente no dia das mães ou no dia dos pais.

7. Por fim, lembrando o velho ditado: lar, doce (e saboroso) lar.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br