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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Para empreendedor, o equilíbrio na vida está na gestão do desequilíbrio

14 de janeiro de 2019

 

Ivan Bornes *

Essa é a história fascinante de Flávio Peralta, vice-presidente da MultiCrédito – considerada a maior plataforma de análise de crédito, antifraude e big data para varejo do Brasil – e apaixonado pela atitude positiva. Flávio é hiperativo, curioso, inquieto e escolheu ser empreendedor dentro da empresa que o contratou, onde entrou como vendedor, na filial de Porto Alegre, para hoje ser sócio e VP instalado em São Paulo.

Além de desenvolver produtos e ideias, Flávio viaja o Brasil montando equipes comerciais, palestrando e motivando pessoas em busca de resultados. E ainda escreve o blog Energia para Voar e compartilha frases e pensamentos no site Pensador.

“Os motivos para você agir não estão lá fora, eles estão dentro de você. Olhe para dentro, sinta e decida o que precisa mudar, o que vai fazer para ter a vida que escolheu”

Flávio Peralta (no canto inferior à esq.) com equipe de treinamento. Foto: Flávio Peralta

 

Flávio, me fale um pouco do exemplo familiar nas suas escolhas.

Venho de uma família de empreendedores, meu pai e meu tio eram donos de uma distribuidora de bebidas em Bagé (RS), onde eu nasci. Conheci desde sempre uma empresa por dentro e o comportamento de um empreendedor em casa, naquela época sem compreender qual o impacto, mas vivenciando as ausências e urgências. Sempre acreditei que o modelo seria ter uma empresa, criar empregos, fazer as escolhas, ter flexibilidade, autonomia para decidir e ajudar outros a construir suas vidas.

E você começou a empreender cedo?

Eu segui o mesmo ramo da família, com distribuição de bebidas, e para aproveitar a cadeia de transporte abri uma distribuidora de alimentos – o que hoje pode ser considerado como loja de conveniência – usando o estoque. Depois, aproveitando esses negócios, abri com um sócio um fast-food que, pela inovação na forma de trabalho e atendimento, rendeu um prêmio “homem do ano” em Bagé. Isso aos 22 anos. Foi me dando mais motivação. Ainda tive uma serigrafia e um estúdio fotográfico.

O que o empreendedor faz de diferente?

Eu acredito que o empreendedor tem a capacidade de visualizar uma ideia e a transformar em negócio. O empreendedor possui em seu DNA uma vontade maior de mover as coisas à sua volta, tem uma inquietude com status quo e uma disposição para correr riscos maiores, se for para transformar uma visão em algo que funcione. É possível sentir na conversa e no contato com um perfil empreendedor que tudo pode ser uma oportunidade para mudar algo que já existe, melhorar ou criar algo melhor.

“Quando me perguntam sobre o equilíbrio na vida de um empreendedor, eu costumo dizer que ‘o equilíbrio está na gestão do desequilíbrio’. Gerenciar o desequilíbrio é fazer escolhas o tempo todo sobre onde depositar energia e atenção”

Como a família se encaixa no dia a dia puxado de viagens e reuniões?

A família é uma parte importante da vida do empreendedor, o apoio, o porto onde o empreendedor recarrega suas energias para continuar a saga de construir algo melhor. E, se for inserida nos negócios, deve ser de forma profissionalizada.

Como são os dias e as noites de um empreendedor corporativo?

Quando me perguntam sobre o equilíbrio na vida de um empreendedor, eu costumo dizer que “o equilíbrio está na gestão do desequilíbrio”. Ou seja, como empreendedor seu dia possui mais do que 24 horas, as viagens são intermináveis, algumas horas de lazer viram negócios e muitas noites de reflexão viram conversa em família. Portanto, gerenciar o desequilíbrio é fazer escolhas o tempo todo sobre onde depositar energia e atenção de tempos em tempos. Como diz um amigo: “work hard and have fun” (trabalhe duro e divirta-se).

Quais são os planos para o futuro?

Hoje nossa empresa atua no mercado de crédito ajudando outras empresas a crescerem e a desenvolverem seus negócios. De forma direta e indireta, estamos fomentando e apoiando o desenvolvimento de empreendedores, seja um empresário que quer vender mais, seja um consumidor que quer realizar um sonho, pois garantimos que as vendas sejam seguras e proporcionamos ingresso no mercado para quem não é “bancarizado”.

No futuro, vamos continuar a desenvolver soluções para o crescimento das vendas e segurança aos nossos clientes, por outros meios e outras tecnologias, pois há um enorme espaço para inovar na área de fintechs, insurtechs e creditechs.

Quais dicas você dá aos que estão chegando agora?

Acredite na ideia que você está vendo e desenvolva um plano. Teste seus argumentos, seu produto. Vá a campo, mesmo que o mundo à sua volta continue a chamar você de “louco”. Estude e busque conhecimento para cuidar dos seus pontos fracos. Avalie os riscos e, principalmente, parta para a ação! O trabalho nunca acaba, sempre poderá ser melhor.

Qual o futuro do Brasil?

Acredito que o crescimento do Brasil deverá acontecer com o desenvolvimento do empreendedorismo, pois novas tecnologias, conhecimento disponível, visão de parceria e ambientes colaborativos, somados a novas leis e aos incentivos econômicos, criam o melhor ambiente para o empreendedor desenvolver a sua visão diferente do mundo.

“Quando surgirem os obstáculos, encare-os como desafios para alcançar a sua meta. Se necessário, mude a sua direção, mas não a decisão de conquistá-la”

 

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo

O superocupado não é o novo herói, é o novo estúpido. E preciso me lembrar disso o tempo todo

11 de janeiro de 2019

Marcelo Nakagawa *

Eu tinha prometido à minha filha Stella, de seis anos, que a buscaria na escola levando sua bicicleta e ela voltaria para casa pedalando. Ela sempre volta de carro pois meus sogros, normalmente, a buscam. Era uma promessa simples de ser cumprida pois a distância não passa de 500 metros. Stella sempre me cobrava a promessa e eu sucessivamente explicava que papai estava ocupado, mas tentaria na próxima semana. Passaram-se mais de três anos até a semana em que me dei conta de que aquela era a última da Stella naquela escolinha. Ela mudaria de escola. E a nova, de ensino fundamental e médio, era muito mais longe, já em outro bairro de São Paulo, impossibilitando a volta com sua bicicletinha.

Com tantas reuniões, aulas e outros compromissos já agendados, eu só poderia cumprir minha promessa na quinta ou sexta-feira daquela última semana. Mas no último dia seria inviável pois também deveria trazer todo o restante do material que ela utilizou durante o ano. Era pesado e volumoso. Depois de ter perdido mais de 700 oportunidades nos últimos anos, agora só restava um dia para cumprir minha promessa: a última quinta-feira que ela teria aula na sua escola de ensino infantil. Eu me sentia péssimo em “não ter tido tempo”…

Não avisei a Stella de que a buscaria de bicicleta na quinta-feira. Queria fazer uma surpresa. Mas minha mãe, que nos visitava naquela semana, sem saber da surpresa, avisou-a na noite anterior. Stella brilhou de felicidade e nem conseguiu dormir direito. Acordou cedo e já foi me perguntar se ela voltaria mesmo de bicicleta da escola para casa. “É claro!” – respondi meio chateado com o anúncio da não mais surpresa. Pelo que a conheço, Stella deve ter falado com todos os seus amiguinhos, professores e funcionários da escola de que voltaria de bicicleta para casa.

Mas naquela quinta-feira choveu… E choveu muito em São Paulo! Se eu já me sentia mal anteriormente, agora me achava o pior pai do mundo.

Neste momento, eu lembrei de uma parábola que foi um soco no estômago da minha paternidade.

Certa vez um mestre convidou seus discípulos para uma reflexão. No encontro, colocou uma jarra de vidro na mesa. Da sua sacola, retirou um saco com pedras grandes e colocou uma a uma dentro da jarra até não caber nenhuma. Perguntou para seus discípulos se a jarra estava cheia. Sim foi a resposta unânime. Então, o mestre pegou um saco com pedras menores e o virou cuidadosamente sobre a jarra. As pedrinhas foram ocupando os espaços vazios que ainda restavam. Mais uma vez, perguntou se a jarra estava cheia. Sim foi a resposta agora não tão unânime. Em seguida, o mestre tirou um saco de areia e o esparramou pelo jarro e refazendo a mesma pergunta. Agora seus discípulos já estavam divididos. Mas o mestre continuou sua demonstração e tirou uma garrafa de água da sacola e encheu a jarra com o líquido. “O que esta demonstração significa?” – perguntou o mestre. “Não importa quanto atarefado você esteja, sempre será possível fazer mais.” – responde um dos discípulos. “É uma forma de enxergar o mundo…” – responde. “Mas se não colocar as pedras grandes primeiro, não conseguirá colocá-las depois. E as grandes coisas são aquilo que valorizaremos no final da nossa vida como nossa família, nossos amigos, nossa saúde e nossos sonhos realizados. O resto encontrará seu espaço…” – finalizou o mestre.

Em relação semelhante de mestre e discípulo, Bill Gates ficou chocado quando viu a agenda em papel que Warren Buffett usava (e ainda usa). “Eu tinha cada minuto agendado do meu tempo e acreditava que as coisas só funcionavam assim…” – explicou Gates. “Mas a verdade é que ele (Buffett) é tão cuidadoso com seu tempo que há dias em que ele não coloca nada na sua agenda…” – continua. Gates se deu conta que é você quem controla o seu tempo e ter uma agenda lotada em cada minuto do seu tempo não é uma indicação de seriedade. “As pessoas começam a querer o seu tempo e é a única coisa que você mesmo não consegue comprar. Isto quer dizer que eu posso comprar qualquer coisa que queira, basicamente, mas não consigo comprar tempo.” – diz Buffett. E explica que tempo é o seu bem mais precioso e por isso mesmo precisa ter muito cuidado em vivê-lo com o mesmo elevado nível de preciosidade.

Assim saí de casa para buscar a Stella com a sua bicicletinha em uma mão e um guarda-chuva na outra. Quando coloquei o pé na rua, a chuva parou, como por milagre. Stella voltou pedalando feliz da vida para casa. E eu pensando que Deus é pai também.

* Marcelo Nakagawa é pai da Stella e da Helen, professor de empreendedorismo e inovação do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan, coordenador de inovação da FAPESP, consultor de inovação de algumas grandes corporações e tenta ser tão rico em tempo precioso quanto Warren Buffett

O instinto e o coração na tomada de decisões

7 de janeiro de 2019

Ivan Primo Bornes *

Esta é a história de Bia Job e Helô Hervé, duas empreendedoras de Porto Alegre inspiradas – e inspiradoras – que depois de 18 anos atuando com publicidade e moda, decidiram pivotar radicalmente as relações de trabalho em busca de uma vida mais plena. Assim surgiu uma marca própria de roupas confortáveis, a 2B, e uma loja física e colaborativa, ALOJA, num dos endereços mais bacanas da capital gaúcha.

Fazer a entrevista com a Bia e a Helô foi uma delícia, pois elas transmitem energia positiva e felicidade até quando falam dos perrengues que passaram, além de me contarem das peripécias que enfrentaram ao seguir o instinto e o coração na tomada de decisões. Eu fiquei profundamente impactado pela sabedoria e gentileza delas. Espero poder transmitir a todos os leitores da coluna um pouco desta aula de vida e de valores fundamentais. Desejo que vocês aproveitem, se inspirem e se divirtam tanto quanto eu.

Heloisa Herve e Bia Job, sócias e criadoras da ALOJA e da marca de roupas 2B. Créditos: Bia Job

Me contem um pouco de vocês duas.

Helô: começando pelo mais relevante, eu sou de Libra, com ascendente em Libra e Lua em Libra. Bia é Escorpião, ascendente em Câncer e Lua em Touro. ‘Zodiacamente’ falando, é um caos. Mas, como diria Levy Moshe, “o caos completo é, ironicamente, um tipo de perfeição”.

Bia: a Helô nasceu em 1962 e eu em 1965, um péssimo ano para os vinhos – considerado um dos anos de piores safras da história – mas que se justifica pelo nascimento de uma grande apreciadora do produto! Ou seja, a natureza focou em produzir uma grande consumidora.

Essa foi a melhor abertura de entrevista que já tive! Vocês se apresentaram maravilhosamente. E como vocês se conheceram?

Helô: em comum, nenhuma das duas sabia o que queria ser quando crescer . A título de informação, a dúvida persiste até hoje (risos). Fizemos vários vestibulares, mudamos de curso universitário, viajamos, moramos fora, com ênfase para Bia que ficou quatro anos em Israel – a artimanha do destino é tamanha que quem tem cara de judia sou eu!!! A Bia fez carreira no teatro e eu escrevia, e se tivesse Netflix na época, iria ser roteirista de série – com certeza.

Bia: acabamos formadas em publicidade, com pós-graduação, especializações e tudo que tínhamos direito. Nós duas sempre amamos o conhecimento e a curiosidade sempre nos moveu. Na minha escolha tardia pelo curso de comunicação, calhou de eu ser aluna da Helô e deu match (na era pré-Tinder) e estamos juntas desde então.

E como começaram a empreender?

Bia: eu nunca tive um trabalho formal, mas sempre trabalhei e sempre criei minhas oportunidades de negócios. A Helô depois de alguns empregos formais dentro e fora da área de publicidade, acabou abrindo sua própria empresa.

Helô: eu queria ser minha própria chefe. Mas se for pensar bem, bem mesmo, não é que eu quisesse ser apenas minha própria chefe, mas sim ter muitos chefes, e vi nos clientes uma forma disso se realizar.  A Bia começou a trabalhar comigo e criamos um projeto diferente de tudo, na época, uma agência de publicidade tipo boutique, focada em moda. Atendemos algumas contas realmente grandes e ganhamos bastante dinheiro na época. Foi um “oceano azul” que durou 18 anos, até que descobrimos que éramos boas em gerar negócios e péssimas em gerir negócios. E com o ‘fim’ do mercado da comunicação, decidimos fechar a agência há 4 anos.

E como é a dinâmica de vocês trabalhando juntas?

Bia: antes de montarmos a empresa juntas, montamos uma cumplicidade, coisa fundamental para uma sociedade. Cumplicidade é um efetivo essencial para as sociedades darem certo. Não tivemos um insight empreendedor, a coisa foi acontecendo e dando certo, crescendo sem um plano ou um objetivo claro. Os objetivos que lançamos são para a vida e não para os negócios, pois a vida está um pouco acima dos negócios e quebrar a primeira empresa nos deu a dimensão disso.

Helô: é um desafio, estamos 24 horas juntas. E aqui vale novamente a máxima que hoje rege a nossa vida: os negócios fazem parte da nossa vida, mas a nossa vida é muito maior do que isso. O grande investimento tem de ser no que acreditamos e enfiar os negócios nisso, jamais confundir sucesso ou fracasso financeiro com sucesso ou fracasso pessoal. Empresas dão certo e dão errado e a vida continua, só fique atento e jamais se iluda, tenha o pé bem no chão e a cabeça nas nuvens.

Bia: nunca se iluda, achando que o negócio é a sua vida. Tivemos sorte em aprender isso perdendo o negócio da publicidade e seguindo com a vida.

Na opinião de vocês, o empreendedor nasce ou se forma?

Bia: uma coisa é certa, tu nasces empreendedor. Não adianta. Tá no DNA. Ou é ou não é! Empreendedor é uma coisa dentro da pessoa que a faz olhar as oportunidades e se não as enxergar, inventa.

Helô: tem empreendedor de oportunidade, aquele que surfa na onda, pois enxergou a onda. E tem o outro que vai e faz.

Bia: a crise mostrou que empreendedorismo é uma capacidade do ser humano que floresce mesmo soterrada em uma cultura absurda da estabilidade da carteira assinada. Da crise, surgiram grandes empreendedores.

Vocês já deram voltas e voltas no mundo e nos negócios. Qual é a visão de vocês sobre empreender?

Helô: perfil empreendedor, na nossa opinião, são pessoas irrequietas, curiosas, que amam novidades e que, para o bem ou para o mal, são pessoas ótimas em gerar e ruins em gerir. O empreendedor, para nós, é uma pessoa generalista por natureza.

Ou seja, o empreendedor precisa saber um pouco de tudo?

Helô: entendemos o empreendedor de sucesso com a seguinte fórmula 200%:
+ 50% inventivo, aquela pessoa que tira algo do nada
+ 25% criativo, aquela pessoa que pega duas coisas nada a ver e as mistura, fazendo algo novo
+ 25% inovador, pega algo que já existe e melhora
+ 100% ‘viola no saco’, humildade, pois se começa a “se achar”, o empreendedor se perde.
Isso dá um empreendedor, uma pessoa que precisa ser 200%.

Me falem do aprendizado dos últimos anos, do que é importante na vida de vocês.

Helô: quando fizemos nossa primeira viagem de negócios pela nossa empresa (a que quebrou), nos olhamos e falamos em voz alta: tomara que esta seja a primeira de milhares. E realmente aconteceu. Mas posso aqui usar a frase sábia da minha Vó Tina: as malas viajam, mas não aproveitam nada. Cada minuto da nossa vida tem de ser aproveitado, se for viajar a trabalho, VIAJE.

Bia: pelo número de horas que passamos alimentando as redes sociais, deixamos a vida morrer de fome, isso acontece não pelo trabalho, mas por esquecer da vida. Hoje a Aloja, nossa loja colaborativa, é nossa atividade onde vivemos o trabalho de forma simples, como aprendemos a viver nossa vida.

Helô: uma coisa que vale ressalva: saímos do mundo corporativo que vivíamos com a agência de propaganda e começamos a fazer feiras autorais. Este movimento depurou não só nossa humildade como também as nossas amizades e reforçou a ideia de jamais confundir sucesso financeiro com sucesso pessoal. Pois três anos de feiras nos enriqueceram muito mais do que 30 anos de mundo corporativo.

Quais são os planos de negócios para o futuro?

Bia: o plano de futuro é viver um dia de cada vez e aprender com os nossos clientes.

Helô: nosso modelo de negócio atual é sem amarras, e temos três frentes bem claras:
1. Nossa marca de roupas – a 2B (que tem esse nome pois é o Plano B de nós duas) – focadas em coisas que gostamos de fazer e são confortáveis
2. Aloja – é uma loja física, colaborativa, de bairro, com 14 marcas autorais, atendida somente pelas duas bonitas aqui, e cuja curadoria se deu em feiras que participamos. Juntamos um pessoal que é nosso cúmplice neste empreendimento, que sem dúvida veio para ficar no que hoje entendemos de varejo.
3. Participação em feiras autorais – divulgamos a nossa marca própria e também nossa loja física, captamos novos colaboradores e nos divertimos muito!

Bia: esta é a nossa contribuição, não só para o Brasil, mas para o planeta. Sermos felizes, honestos e incentivarmos produtos e negócios feitos por gente feliz e honesta.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?

Bia: o nosso conselho para qualquer empreendedor é o mesmo que Al Pacino deu para seu gato de estimação no filme Perfume de Mulher: When in doubt… fuck (quando estiver em dúvida, trepe). Faça menos planos e siga sua intuição.

 

Saiba mais
ALOJA – Av. Cel. Lucas de Oliveira, 265 – Porto Alegre – Bairro Moinhos de Vento
www.sitealoja.com.br
www.instagram.com/alojalucasdeoliveira

 

* Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

O fim (simbólico) do trabalho e uma nova era para quem não precisa trabalhar

4 de janeiro de 2019

Os levantamentos assustam, mas, dependendo da pesquisa, entre 50% a 75% dos trabalhadores atuaria em outra atividade ou empresa “se pudessem escolher”. Trabalhadores nesta situação terão chances, cada vez maiores, de “escolher” nos próximos anos.

Etimológica e historicamente, trabalho não é algo prazeroso. Da sua origem latina tripallium, um instrumento de tortura, ao seu caráter obrigatório para garantia de subsistência ou acesso a outros bens, o trabalho é um meio e quase nunca um fim em si para a realização pessoal.

No Brasil, simbolicamente, “a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 26 de novembro de 1930, foi uma das primeiras iniciativas do governo revolucionário implantado no Brasil no dia 3 daquele mesmo mês sob a chefia de Getúlio Vargas. O ‘Ministério da Revolução’ – como foi chamado por Lindolfo Collor, o primeiro titular da pasta – surgiu para concretizar o projeto do novo regime de interferir sistematicamente no conflito entre capital e trabalho. Até então, no Brasil, as questões relativas ao mundo do trabalho eram tratadas pelo Ministério da Agricultura, sendo na realidade praticamente ignoradas pelo governo.” Assim começa a explicação do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) sobre o surgimento do Ministério do Trabalho no país.

O trecho é particularmente interessante pois resume a dinâmica do contexto do trabalho naquele momento. Revoluções não ocorrem da noite para o dia, por mais que uma data ou ano passem a representá-las posteriormente. Em 1930, o avanço da indústria e comércio na economia brasileira era nítido e muitos deixavam a agricultura para trabalhar em fábricas, comércios e prestadores de serviços urbanos. O conflito entre capital e trabalho também era bastante caracterizado na medida em que havia (e ainda há, não só no Brasil) elevada exploração do trabalho por aqueles que detinham o capital.

Quase 90 anos depois, agora, em 2019, o Ministério do Trabalho foi extinto e suas funções transferidas para outros ministérios como o da Economia e Justiça. Mas este fim é apenas simbólico em relação às profundas modificações naquilo que vínhamos chamando de trabalho.

Historicamente, até 1784, trabalho era algo associado aos artesãos. Pessoas que produziam, artesanalmente, algo de valor para os demais. O ferreiro, o fabricante de sapatos ou de tecidos entravam nesta categoria. Mas este ano marca o surgimento da máquina à vapor na Inglaterra que permitia que processos artesanais pudessem ser conduzidos por equipamentos, reduzindo assim a demanda e os ganhos do sapateiro, ferreiros e outros “eiros”.

Tentando frear o que depois passou a ser chamado de a 1ª Revolução Industrial, alguns destes artesãos se tornaram ludistas, pessoas que invadiam as fábricas à noite para destruir as máquinas, na esperança de manterem seus trabalhos como eram há séculos. A partir deste momento, o trabalhador também passa a ser um operário, alguém empregado para operar uma máquina em uma fábrica.

Mas havia diversas outras funções como o linkboy. Pessoas que utilizavam tochas para iluminar o caminho de pessoas que precisam se locomover durante a noite em algumas das principais cidades europeias. Mas esta profissão começa a perder o valor a partir de 1870, quando a eletricidade passa a ser adotada em fábricas e depois em cidades. Muitos apontam esta data e fato como principal divisor que marca o início da 2ª Revolução Industrial. Mas a adoção da divisão do trabalho nas fábricas teve um impacto ainda maior na sociedade já que não era mais necessário operários especializados, apenas funcionários que pudessem executar uma única tarefa simples. Por serem facilmente substituíveis, estes funcionários eram baratos para o dono da fábrica, intensificando assim a tensão entre trabalho e os donos do capital. De certa forma, este foi o contexto para que o Ministério do Trabalho fosse criado no Brasil muitas décadas depois.

O trabalho ganha novas perspectivas a partir de 1969 com a adoção de tecnologias da informação, eletrônica e automação. Agora, não apenas os funcionários das fábricas, mas os de prestadores de serviços também são afetados. Funções como calculista, datilógrafo e caixa de banco começam a perder espaços nas organizações pois novas tecnologias como planilhas eletrônicas, editores de texto e ATMs são adotadas por empresas de todos os portes, marcando a 3ª Revolução Industrial. Para continuar sendo útil para a empresa, o funcionário precisa adotar a postura de ser um colaborador, contribuindo para o desenvolvimento do negócio além da sua função inicial, pelo qual foi contratado.

Este é o modelo mental atualmente em vigência na maioria das organizações ao redor do mundo e aceito por seus trabalhadores.

Mas estamos no início da 4ª Revolução Industrial, que mais uma vez altera drasticamente o que entenderemos por trabalho e sua relação com os donos do capital. Uber, Airbnb, Didi Chuxing (99 no Brasil), Rappi, Loggi, iFood e tantas outras novas empresas estão gerando milhares de novos postos de trabalho, porém, de um novo tipo de função: os trabalhadores de aplicativo. E se no passado o capital poderia representar uma grande barreira para a entrada de novos competidores, na 4ª Revolução Industrial fintechs podem enfrentar os maiores bancos do planeta, serviços de hospedagem peer-to-peer tem mais capacidade que as maiores redes hoteleiras do mundo e startups de economia compartilhada podem ser mais eficientes que seus concorrentes intensivos em capital.

“O trabalho ganha novas perspectivas a partir de 1969 com a adoção de tecnologias da informação, eletrônica e automação.”

A 4ª Revolução Industrial também avança sobre trabalhos notadamente mais sofisticados como advogados, médicos, engenheiros e professores, já que o uso de inteligência artificial, ciência dos dados (big data) e aprendizagem máquina (machine learning) estão conseguindo oferecer soluções cada vez mais eficientes em um número cada vez maior de trabalhos. Assim como ocorreu nas revoluções industriais anteriores, uma boa parte dos trabalhadores perderá seus empregos. E a regularização da terceirização da atividade-fim pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2018, só tende a acelerar estes efeitos no Brasil.

Infelizmente, uma parcela importante dos trabalhadores impactados pela 4ª Revolução Industrial não entenderá o que está acontecendo e repetirá o ciclo que os levou àquela situação de xeque-mate profissional.  Mas outra parcela irá repensar seus talentos e habilidades, adquirir novos conhecimentos, praticar novas atitudes e, principalmente, definir o que querem fazer em suas carreiras profissionais. Essas pessoas vão procurar se reinventar como trabalhadores, tornando-se empreendedores de si mesmos. Para esta parcela, a frase do Rolim Amaro, empreendedor da TAM, sempre fará sentido: “Só trabalha, no sentido duro da palavra, quem não gosta do que faz. Por isso, eu, graças à Deus, nunca precisei trabalhar.”

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

As palavras mágicas para 2019

3 de janeiro de 2019

Eu acredito que tem coisas importantes que você quer fazer em 2019. Eu tenho, você tem, todos temos desejos e ambições a serem realizadas.

Em todo começo de ano há um simbolismo especial: uma nova possibilidade de começar – ou de recomeçar – de ajustar o percurso, de continuar em frente. Para ajudar a fazer o planejamento para 2019, preparei uma lista das palavras com significado especial para qualquer empreendedor. São palavras com o poder de resumir grandes ideias.  Para tanto, é bom conhecer bem sua definição.  Use e abuse destas palavras mágicas.

so·nho |ô|
(latim somnium, -ii)
substantivo masculino

1. Conjunto de ideias e de imagens que se apresentam ao espírito durante o sono.
2. [Figurado]  Utopia; imaginação sem fundamento; fantasia; devaneio; ilusão; felicidade; que dura pouco; esperanças vãs; .ideias quiméricas.
3. [Culinária]  Bolinho muito fofo, de farinha e ovos, frito e depois geralmente passado por calda de açúcar ou polvilhado com açúcar e canela.

o·ti·mis·mo
(.ótimo + -ismo)
substantivo masculino
1. Disposição, natural ou adquirida, para ver as coisas pelo bom lado e esperar sempre uma solução favorável das situações
2. Confiança no porvir.
3. Doutrina de Leibniz (1646-1716) segundo a qual, a despeito da realidade do mal, o mundo em que vivemos foi escolhido por Deus como o mais perfeito possível, como aquele em que a felicidade tende a prevalecer sobre a adversidade.
4. Sistema dos que têm fé no progresso moral e material atuais, na evolução social para o bem e para o ótimo.

em·pre·en·de·dor |ô|
adjetivo e substantivo masculino
Que ou aquele que empreende; que é animoso para empreender; trabalhador; amigo de ganhar a vida (traçando empresas novas).

po·ten·ci·al
(potência + -al)
adjetivo de dois gêneros
1. Relativo a potência.
2. Virtual.
3. [Filosofia]  Que só está em potência.
4. [Gramática]  Diz-se de um modo gramatical que designa a possibilidade.substantivo masculino
5. Conjunto dos recursos de que uma .atividade dispõe; capacidade de trabalho, de produção ou de .ação. = POTENCIALIDADE
6. Conjunto de qualidades de um indivíduo, geralmente inatas ou originais. = POTENCIALIDADE

re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
substantivo feminino
1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.
2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.  co·ra·gem 1(francês courage)substantivo feminino1. Firmeza de ânimo ante o perigo, os reveses, os sofrimentos.
2. [Figurado]  Constância, perseverança (com que se prossegue no que é difícil de conseguir).

von·ta·de
(latim voluntas, -atis)
substantivo feminino
1. Faculdade comum ao homem e aos outros animais pela qual o espírito se inclina a uma .ação.
2. Desejo.
3. .Ato de se sentir impelido a.
4. Ânimo, espírito.
5. Capricho, fantasia, veleidade.
6. Necessidade física.
7. Apetite.
8. Arbítrio, mando, firmeza de .caráter.
9. Zelo, interesse, empenho.

re·so·lu·ção
substantivo feminino
1. .Ato ou efeito de resolver.
2. Decisão; tenção; deliberação; propósito.
3. Soltura de ventre.
4. Transformação.
5. Intrepidez; coragem.
6. [Álgebra]  Cálculo para achar a solução de um problema.
7. Conteúdo de um texto que define a solução para determinada questão em um congresso, em uma assembleia etc.

per·se·ve·ran·ça
(latim perseverantia, -ae)
substantivo feminino

1. Qualidade ou .ação de quem persevera.2. Constância, firmeza, pertinácia.3. Duração aturada de alguma coisa.

cer·te·za |ê|
(certo + -eza)
substantivo feminino
1. Qualidade do que é certo. ≠ INCERTEZA
2. Coisa certa.
3. Adesão absoluta e voluntária do espírito a um fato, a uma opinião.
4. Ausência de dúvida. = CONVICÇÃO
5. Estabilidade.6. Habilidade ou firmeza em trabalhos manuais.

pro·pó·si·to
(latim propositum, -i)
substantivo masculino
1. Tomada de decisão. = DELIBERAÇÃO, RESOLUÇÃO
2. Aquilo que se pretende alcançar ou realizar. = INTENTO, .PROJETO, TENÇÃO
3. Finalidade, fim, mira.
4. Tino, juízo, seriedade, prudência.

tra·ba·lhar
verbo transitivo
1. Dar determinada forma a (ex.: trabalhar a madeira). = LAVRAR
2. Fazer ou preparar algo para determinado fim (ex.: trabalhar a terra).
3. Rever ou refazer com cuidado (ex.: trabalhar o texto). = APERFEIÇOAR, LIMAR
4. Treinar ou exercitar para melhorar ou desenvolver (ex.: trabalhar os músculos).
5. Causar preocupação ou aflição. = ATORMENTAR, INQUIETAR, PREOCUPAR, RALAR verbo transitivo e intransitivo
6. Fazer esforço para algo. = EMPENHAR-SE, DILIGENCIAR, LIDAR, PROCURAR
7. Exercer uma .atividade profissional verbo intransitivo
8. Fazer algum trabalho ou tarefa (ex.: vou para casa trabalhar).
9. Formar .ideias ou fazer reflexões. = COGITAR, MATUTAR, PENSAR10. Estar em funcionamento. = FUNCIONAR, MOVER-SE

Grite bem alto, use cada palavra como uma armadura contra os medos e a paralisia. Vamos em frente!

Pesquisa feita no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa  https://dicionario.priberam.org/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)