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Estimulada pela ONU, pesquisa deve ajudar na construção de cidades mais humanas

12 de dezembro de 2018

Maure Pessanha *


Na trilogia Homo Faber, o sociólogo norte-americano Richard Sennett defende que o planejamento urbano e a arquitetura podem ser mais do que ferramentas para que uma cidade funcione corretamente; podem ser, na realidade, elementos para torná-la mais aberta, receptiva a misturas e transformações. Mais do que uma decisão técnica, está em jogo uma escolha ética que define o modo como vivemos e nos relacionamos com a cidade. Uma escolha, sobretudo, decisiva em tempos de questionamento de como podemos construir cidades mais humanas – que tenham o cidadão no centro de um processo socioeconômico e cultural transformador.

 

Nesse contexto, penso que oportunidades para empreender negócios de impacto social são muitas e, quando associadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), representam a possibilidade de um avanço exponencial na qualidade de vida da população – sobretudo na de menor renda. No entanto, as decisões e prioridades devem ser estabelecidas a partir de um processo de escuta responsável e genuíno.

Rocinha, no Rio, onde a percepção da população para o aumento de favelas é de 97%. Foto: Wilton Junior/Estadão-30/4/2018

 

Na prática, é preciso inserir todos os brasileiros e brasileiras, que vivenciam os problemas em suas cidades, para a construção de soluções coletivas. É dentro dessa seara que se insere a consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis. O Colab – negócio de impacto social dedicado a questões urbanas e manifestações de cidadania – está liderando essa enquete popular. Acelerada pela Artemisia, a startup propicia ao cidadão a oportunidade de ser ouvido pelo poder público.

 

A consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, via ONU-Habitat. A proposta é que os brasileiros e brasileiras comparem a vida urbana de hoje à de dois anos atrás. As questões estão relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas; no Brasil, essa parcela é de quase 85%. O objetivo da agência é cruzar as respostas dos brasileiros com os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e órgãos internacionais para monitorar esse desempenho perante o desafio da ODS 11.

 

Com o apoio da Artemisia, o ONU-Habitat e o Colab estão conduzindo essa consulta pública para diagnosticar o avanço do Brasil perante aspectos da vida urbana. Com a participação dos cidadãos brasileiros será possível ter um diagnóstico completo sobre a percepção popular em temas como transporte, inclusão, serviços básicos e transparência. Em curso desde 1º de outubro de 2018, já temos dados preliminares, que apontam a percepção do aumento do número de favelas e assentamentos informais para 78% dos brasileiros que responderam ao questionário; no Rio de Janeiro, o índice é de 97%. Já em relação ao acesso a serviços básicos – água potável, saneamento, eletricidade e coleta de resíduos – 45% dos brasileiros têm a percepção de que melhorou nos últimos dois anos; em Brasília, esse índice é de 50%; em Campinas e Niterói, 47%.

 

A consulta abrirá espaço para a atuação de tantas outras iniciativas de empreendedorismo social, pois trará insumos importantes para o desenvolvimento de produtos e serviços voltados à construção dessa cidade inteligente e inclusiva para todos. Para a produção de um diagnóstico transformador, a participação de todos é fundamental. Colabore com a iniciativa, respondendo as 29 questões de múltipla escolha até 24 de dezembro. O questionário está disponível no www.colab.re ou pelo aplicativo Colab. Podemos, juntos, construir um novo Brasil.

 

* Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil

 

 

|Por Maure Pessanha

Na trilogia Homo Faber,o sociólogo norte-americano Richard Sennett defende que o planejamento urbano e arquitetura podem ser mais do que ferramentas para que uma cidade funcione corretamente; podem ser, na realidade, elementos para torná-la mais aberta, receptiva a misturas e transformações. Mais do que uma decisão técnica, está em jogo uma escolha ética que define o modo como vivemos e nos relacionamos com a cidade; uma escolha, sobretudo, decisiva em tempos de questionamento de como podemos construir cidades mais humanas – que tenham o cidadão no centro de um processo socioeconômico e cultural transformador.

Nesse contexto, penso que oportunidades para empreender negócios de impacto social são muitas e, quando associadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), representam a possibilidade de um avanço exponencial na qualidade de vida da população – sobretudo na de menor renda. No entanto, as decisões e prioridades devem ser estabelecidas a partir de um processo de escuta responsável e genuíno. Na prática, é preciso inserir todos os brasileiros e brasileiras, que vivenciam os problemas em suas cidades, para a construção de soluções coletivas. É dentro dessa seara que se insere a iniciativa Consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis. O Colab – negócio de impacto social dedicado a questões urbanas e manifestações de cidadania – está liderando essa enquete popular. Acelerada pela Artemisia, a startuppropicia ao cidadão a oportunidade de ser ouvido pelo poder público.

A consulta Cidades e Comunidades Sustentáveisé uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, via ONU-Habitat. A proposta é que os brasileiros e brasileiras comparem a vida urbana de hoje à de dois anos atrás. As questões estão relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas; no Brasil, essa parcela é de quase 85%. O objetivo da agência é cruzar as respostas dos brasileiros com os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e órgãos internacionais para monitorar esse desempenho perante o desafio da ODS 11.

Com o apoio da Artemisia, o ONU-Habitat e o Colab estão conduzindo essa consulta pública para diagnosticar o avanço do Brasil perante aspectos da vida urbana. Com a participação dos cidadãos brasileiros será possível ter um diagnóstico completo sobre a percepção popular em temas como transporte, inclusão, serviços básicos e transparência. Em curso desde 1º de outubro de 2018, já temos dados preliminares, que apontam a percepção do aumento do número de favelas e assentamentos informais para 78% dos brasileiros que responderam ao questionário; no Rio de Janeiro, o índice é de 97%. Já em relação ao acesso a serviços básicos – água potável, saneamento, eletricidade e coleta de resíduos – 45% dos brasileiros têm a percepção que melhorou nos últimos dois anos; em Brasília, esse índice é de 50%; em Campinas e Niterói, 47%.

A consulta abrirá espaço para a atuação de tantas outras iniciativas de empreendedorismo social, pois trará insumos importantes para o desenvolvimento de produtos e serviços voltados à construção dessa cidade inteligente e inclusiva para todos. Para a produção de um diagnóstico transformador, a participação de todos é fundamental. Colabore com a iniciativa, respondendo as 29 questões de múltipla escolha até 24 de dezembro. O questionário está disponível no www.colab.reou pelo aplicativo Colab. Podemos, juntos, construir um novo Brasil.

|Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

A criatividade como estratégia de desenvolvimento sustentável

10 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Lucas Foster é psicólogo especialista em criatividade. Em 2011, fundou a ProjectHub, empresa de tecnologia que acelera e simplifica o investimento em projetos criativos com foco na experiência de vida das pessoas, na inovação e no desenvolvimento sustentável. Atende clientes como Google, Mercado Livre, YouTube, entre outros gigantes.

Para ele, é difícil fazer planos de futuro para os negócios no Brasil, por isso prefere ver os negócios em “ciclos de amadurecimento”. “Penso que (fazer negócio no Brasil) é como plantar uma semente saudável em um solo instável. Por mais que tenha potencial, os fatores externos podem destruir uma safra”, diz ele, que na entrevista abaixo conta mais de sua experiência como empreendedor.

O empreendedor Lucas Foster, do ProjectHub. Foto: Rafael Arbex/Estadão

Como é ser empreendedor com um pé na psicologia?

Me formei em psicologia, mas sempre me interessei pelo empreendedorismo. Meus avós eram empreendedores, assim como meus pais. Nasci e vivi a maior parte da minha vida na região da Avenida Paulista. Sou filho de pais que vieram do interior nos anos 1960, cresceram na periferia da cidade e conquistaram muitas coisas por uma extrema dedicação aos estudos e ao trabalho.

Como surgiu o empreendedor em você?

Meus pais assinavam as revistas em quadrinhos da Turma da Mônica, que chegavam todo mês, desde os meus 6 anos de idade. Um dia, decidi pegar todas elas e levar na calçada da rua onde a gente morava. Junto com meus amigos, vendemos tudo e, ao final do mês, tínhamos dinheiro suficiente para comprar alguns brinquedos e ir a uma lanchonete da Rua Augusta. Tenho na minha recordação que essa foi a minha primeira experiência empreendedora. Só não continuei fazendo isso porque tinha acabado o estoque (risos).

Já na vida adulta, decidi empreender porque não enxergava outra alternativa para o desenvolvimento da minha vida profissional. Eu tinha começado minha carreira no setor público, pois acreditava na missão de qualificar a experiência de vida das pessoas de maneira direta e efetiva. No entanto, a burocracia e a cultura do setor público no Brasil dificultam bastante a realização deste propósito. Com isso, tentei buscar emprego no setor privado, mas não conseguia me encaixar nas vagas que me interessavam. Assim, fiquei com duas alternativas: ou voltava para a faculdade ou empreendia. Decidi empreender.

E a ProjectHub?

Após realizar um período de estudos em liderança internacional fora do país, retornei ao Brasil, em 2010, com o desejo de empreender para qualificar a experiência de vida das pessoas, um propósito que me acompanhou durante toda a vida e que se tornou realidade em 2011.

No início, quando registrei o domínio do site e fiz minha primeira apresentação comercial, a única coisa que tinha certeza era que minha empresa iria trabalhar para qualificar a experiência de vida das pessoas. O resto foi consequência do meu entusiasmo em trabalhar por este objetivo.

A família participa do empreendimento, do estilo de vida?

Minha família foi determinante para minha decisão de iniciar um negócio e continuar persistindo até ele dar certo. O investimento financeiro que eles fizeram no início foi: não me expulsar de casa e oferecer um teto, roupa, comida, um computador e acesso à internet até que eu começasse a ganhar dinheiro por conta própria, o que levou quase um ano.

No entanto, o verdadeiro e principal apoio que eles me deram foi afetivo e emocional. Tinham a paciência de me ouvir e conversar comigo sobre as coisas que tinham acontecido naquele dia, incentivar e valorizar minha coragem e meu empenho. Sem dúvida alguma, o acolhimento emocional dos meus pais foi o melhor investimento que eles poderiam ter feito, pois o custo financeiro era baixo, mas o retorno em dedicação, persistência e equilíbrio emocional eram muito altos.

Com isso, foi questão de tempo até encontrar o modelo de negócios certo que equilibrasse o propósito de trabalhar para qualificar a experiência de vida das pessoas e a necessidade de ganhar dinheiro com isso.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Como é isso com você?

Existe uma grande diferença entre o tempo do empreendedor e o tempo do colaborador. Ambos são essenciais e interdependentes. A convenção de um período fixo do dia dedicado para o trabalho permite ao colaborador a possibilidade de estabelecer uma rotina um pouco mais estruturada, mas não é uma realidade comum ao empreendedor.

Ao mesmo tempo em que o empreendedor precisa ser responsável por liderar o negócio e gerar oportunidades que tragam o faturamento necessário para preservar essa rotina aos colaboradores, essa condição permite ao empreendedor ter uma flexibilidade maior no seu dia a dia, inclusive para assumir compromissos e responsabilidades afetivas que não dizem respeito ao conjunto de deveres dos colaboradores, como a ansiedade com o futuro, as incertezas do mercado, as mudanças no relacionamento com fornecedores, parceiros e governo e, principalmente, a necessidade de manter seu negócio competitivo e relevante para seus clientes.

Aos poucos, portanto, fui perdendo o contato com meus amigos que escolheram uma trajetória corporativa e fui me identificando, cada vez mais, com outros empreendedores e empreendedoras considerando que os desafios e a realidade são mais parecidos. Hoje, faço parte de vários grupos e comunidades empreendedoras no Brasil e em outros países sempre com a intenção de construir uma rede de apoio que ajude cada um de nós a ser melhor um dia após o outro.

Quais são os planos para os próximos anos?

É muito difícil fazer planos de futuro para os negócios no Brasil. Penso que é como plantar uma semente saudável em um solo instável. Por mais que tenha potencial, os fatores externos podem destruir uma safra. Por isso, prefiro olhar para a evolução dos nossos negócios em ciclos de amadurecimento.

Desde a fundação da ProjectHub, vivemos três ciclos de amadurecimento com resultados expressivos. Agora, estamos iniciando nosso quarto ciclo de amadurecimento. Em 2019, vamos anunciar a criação de duas novas empresas, o LabCriativo (empresa de mídia e educação) e a Originals Media House, nossa empresa produção audiovisual.

Ao mesmo tempo, continuaremos investindo para trazer novos talentos e mais inovação para a ProjectHub, nossa empresa de tecnologia que fornece software para grandes empresas fazerem a transformação digital de seus investimentos de marca, reduzindo custos e desperdícios de tempo e energia de seus colaboradores.

Se você pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?

Os setores ligados à criatividade e à inovação estão em forte expansão. Com a evolução das novas tecnologias e cada vez mais pessoas conectadas, novos modelos de negócios surgem diariamente e, portanto, mais oportunidades para novos empreendedores. A melhor maneira de começar nesta área é pesquisando o mercado, participando de grupos e comunidades ligadas ao tema e testando sua ideia antes de realizar grandes investimentos.

Compartilhe suas ideias de maneira saudável com pessoas próximas e confiáveis. Teste o seu discurso e crie um MVP (minimum viable product, ou produto mínimo viável) antes de contratar pessoas ou assumir custos fixos robustos. Ou seja, minha principal dica é que os entrantes sigam um conceito usado pelas startups chamado “bootstrapping”.

Fazer bootstrapping significa começar um negócio a partir de recursos limitados, sem o apoio de investidores. Ou seja, nessa forma de iniciar startups, o empreendedor geralmente utiliza recursos próprios para lançar o negócio sem o apoio de fundos de investimento e prioriza o faturamento com clientes em vez de ir em busca de grandes investidores.

Qual o futuro do Brasil?

O futuro do Brasil é promissor. Temos um mercado consumidor em potencial gigantesco, somos o maior país da América do Sul e uma das maiores economias do mundo. O brasileiro gosta de novas tecnologias e é um grande consumidor de diferentes tipos de conteúdo. O contexto mostra que estamos em um momento de transição e que o Brasil precisa se conectar mais com a Ásia e ampliar seus investimentos em educação, redução da burocracia e diminuição das despesas públicas, incluindo a Previdência e folha de pagamento com servidores.

Se essas medidas forem feitas de maneira eficaz, o Brasil passa a ser um solo fértil para o desenvolvimento de novos negócios, atraindo investimentos e gerando emprego. Me vejo contribuindo com o desenvolvimento do Brasil, mas entendendo que minha parte é muito pequena diante do todo.

No entanto, qualquer organização comprometida em incentivar a criatividade e a inovação como estratégias de desenvolvimento sustentável, para qualificar a experiência de vida das pessoas no Brasil e que atue para conectar nossa economia criativa com o mundo, para ampliar oportunidades aos nossos empreendedores e acelerar a internacionalização de startups brasileiras ao redor do mundo, deve ser estimulada e apoiada. Vamos em frente.

 

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

2018, o melhor ano da história das startups no Brasil

7 de dezembro de 2018

 

Marcelo Nakagawa*

Os boatos já circulavam no final de dezembro de 2017, mas no dia 2 de janeiro de 2018 o Brasil tinha, oficialmente, seu primeiro unicórnio. A chinesa Didi assumiu o controle do aplicativo de transporte urbano 99 por R$ 1 bilhão. Somado aos outros investimentos da empresa (criada em 2012 por Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Paulo Veras), esse valor definia a primeira startup criada no Brasil avaliada em US$ 1 bilhão. A 99 foi apenas a primeira de vários outros unicórnios que vieram depois, como Nubank, Stone, Movile, iFood e Arco. Excluindo China e Estados Unidos, nenhum outro país conseguiu criar tantos cavalinhos com um único chifre como o Brasil.

Janeiro não havia acabado quando o IPO da PagSeguro na Bolsa de Nova York deixou o mercado internacional incrédulo. “NYSE’s Biggest IPO Since Snap Is $2.3 Billion for Brazil Fintech” foi o título da reportagem publicada na Bloomberg. Aquela startup corporativa que vendia maquininhas de pagamento havia levantado US$ 2,3 bilhões e chegou a valer quase US$ 9 bilhões no primeiro dia de negociação, caindo depois. A PagSeguro abriu caminho para outras ofertas públicas iniciais de ações nos Estados Unidos como o da Stone e da Arco Educação

Funcionários na sede da 99 em São Paulo. Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Em fevereiro, o Bradesco inaugurou o inovaBra Habitat, um prédio de 10 andares e 22 mil metros quadrados quase na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação, na cidade de São Paulo. Posicionando-se como um centro de co-inovação, o Bradesco convidou dezenas de grandes corporações e quase duas centenas de startups, além de parceiros tecnológicos, universidades, investidores, consultores e mentores, para habitarem o espaço e co-criarem inovações entre si.

Seguindo a mesma lógica, o Cubo, iniciativa do Banco Itaú com o fundo de investimento Redpoint eVentures, mudou de prédio e inaugurou o novo Cubo (carinhosamente chamado de Cubão), em agosto. Neste novo espaço de 14 andares e 20 mil metros quadrados, grandes corporações lideram andares temáticos como educação (Kroton), varejo (BR Malls), saúde (DASA), indústria (Schneider) ou fintech (Itaú e Rede) e mantêm-se próximas de startups do setor.

Considerando apenas Habitat e Cubo, o País ganhou espaços para hospedar cerca de 400 startups que interagem diariamente com grandes corporações, investidores e mentores Em junho de 2018, outra novidade que terá grandes impactos para as startups nos próximos anos foi lançada. A Lei de Informática foi atualizada, e as empresas beneficiárias como Samsung, Lenovo ou Positivo Informática poderão investir até 2,7% da sua receita bruta em fundos de investimentos de venture capital, aceleradoras ou diretamente em startups.

Mais de R$ 500 milhões poderão estar disponíveis para startups todos os anos. Mas este volume é apenas o começo, já que outras leis que determinam investimento compulsório em pesquisa e desenvolvimento (como ocorre no setor de energia elétrica, petróleo e gás) ou optativo, como a Lei do Bem, poderão em breve seguir lógica semelhante, incentivando o investimento de grandes corporações em startups

Sede da Loggi em Alphaville, em SP. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O Brasil ficou parado entre a Copa na Rússia e as eleições, mas em outubro o mercado brasileiro de startups ficou de queixo caído com a chegada do mais poderoso de todos os fundos de venture capital do mundo. O Softbank, que administra o Vision Fund e inacreditáveis US$ 100 bilhões, aportou R$ 400 milhões na Loggi, uma das principais startups de entregas expressas do Brasil. Em seguida, o mercado ficou admirado com outro aporte gigantesco em novembro. A General Atlantic, um dos maiores investidores internacionais, liderou o investimento de R$ 250 milhões na QuintoAndar, startup de aluguel de imóveis.

E o mês de novembro ainda surpreende pois o iFood, principal aplicativo de pedido de comida do País, recebeu um aporte de quase R$ 2 bilhões de investidores como o Innova e a Naspers. Com o investimento, tanto o iFood como a Movile, sua controladora, atingiram publicamente o status de unicórnios.

O ano ainda não acabou, mas os boatos sugerem que o próximo ano será ainda melhor para as startups brasileiras.

* Marcelo Nakagawa é professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Black Friday 2018 dispara e supera vendas do ano passado

3 de dezembro de 2018

 

Por Ivan Bornes *

A Black Friday definitivamente foi incorporada na cultura de compras do brasileiro. A data surgiu nos Estados Unidos nos anos 1990 e inaugura oficialmente a temporada de compras de Natal com grandes promoções e descontos. Rapidamente se espalhou pelo mundo.

Segundo Javier Goilenberg, CEO e cofundador da Real Trends, plataforma de análise e gestão para vendedores do Mercado Livre: “O mercado brasileiro já incorporou a Black Friday como uma data importante no calendário, e a expectativa é que as vendas continuem crescendo à medida que os consumidores confiem mais nos descontos oferecidos”.

Dia de Black Friday em hipermercado de São Paulo. Foto: Suamy Beydoun/Agif-23/11/2018

As expectativas dos varejistas brasileiros eram altas, mas se viram superadas. Depois de tantos anos de crise, os consumidores não decepcionaram neste ano. De acordo com a Ebit/Nielsen, por volta das 17h da sexta-feira dia 23 as vendas já tinham quase alcançado a meta esperada para este ano, de R$ 2,4 bilhões em vendas, atingindo a incrível cifra de R$2,1 bilhões – valor total arrecadado na edição de 2017 do evento. Comparando com o mesmo horário do ano passado, o crescimento foi de 26%.

A sexta-feira representou para o e-commerce cerca de 4,5% do faturamento anual desta modalidade. Como referência, os 10 dias que antecedem o Natal representam juntos 18% do faturamento, segundo relatório da XP Investimentos.

As compras feitas pelo celular, o chamado mobile commerce, também tiveram grande destaque neste ano. Segundo pesquisa do Rankmyapp, foi registrado um crescimento no número de visitas orgânicas em aplicativos à medida que a Black Friday se aproximava. Destaque para a semana do dia 12 a 18 de novembro, que registrou aumento de 15,68% no volume de visitas. Além disso, o número de instalações orgânicas de aplicativos também aumentou com a proximidade da data, registrando um aumento de 25,91% na semana do dia 19 a 25 de novembro.

Grandes sites de vendas on-line, chamados “marketplaces“, como Mercado Livre, B2W, Submarino e Lojas Americanas, registraram um pico de crescimento de 20,85% no número de pedidos durante no dia 23/11. Sendo os que mais registraram vendas entre os dias 23 e 26 de novembro foram B2W, com representatividade de 44%, e Mercado Livre, com 31,64% do volume total de vendas geradas. Quando observado isoladamente o dia 23, B2W e Mercado Livre também registraram maior volume de vendas, com 49,33% e 24,12%, respectivamente.

Javier Goilenberg define o funcionamento dos marketplaces “como quando um shopping funciona 24 horas em datas especiais para aumentar as vendas: é feita uma grande publicidade e durante esses dias o shopping recebe uma alta quantidade de clientes. Por fim, acaba concretizando um maior volume de vendas, grande parte impulsionadas pelas promoções e descontos vigentes durante a ação. Se o vendedor toma as decisões adequadas antes, durante e depois da ação, pode ter uma grande diferença no seu faturamento”.

De todas as vendas geradas no segundo semestre deste ano, 31% se concentraram no mês da Black Friday, totalizando quase o dobro do que foi alcançado no mês de setembro, tendo o estado de São Paulo liderado as vendas da data (36,43%), seguido por Rio de Janeiro (11,51%) e Minas Gerais (10,77%), valores que ultrapassam 50% das conversões.

* Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)