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Blog do Empreendedor
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Livros (agora e ainda por muito tempo) forjam os melhores empreendedores

16 de novembro de 2018

Se há algo que une os empreendedores mais bem sucedidos ao redor do mundo é a paixão pelos livros. Não como bibliófilos ou bibliomaníacos, mas como pessoas que querem e buscam aprender continuamente e encontram nos livros uma forma organizada, conveniente, eficiente e, muitas vezes, inspiradora de estudar algumas horas em uma agenda atribulada aquilo que demoraria semanas, anos ou mesmo uma vida inteira.

Por isso, a sugestão de um livro de um empreendedor bem sucedido implica em um resumo de sua sabedoria aprendida, muitas vezes, à custa de muitos fracassos e erros, e também de vitórias e acertos, que quase sempre não conhecidos pelo grande público. Mas, por outro lado, a sugestão diz respeito a questões específicas que podem não ter valor imediato. Quando Bill Gates publica sua lista de livros (www.gatesnotes.com/books), as vendas disparam nas livrarias. Mas o que Bill sugere nem sempre é útil para os mortais usuários de word, excel e powerpoint. Afinal, Bill Gates, aos sete anos, já tinha lido todos os 21 volumes de World Book Encyclopedia (equivalente a Barsa ou Enciclopédia Britânica) e, desde então, nunca mais parou de devorar livros. O mesmo vale para Elon Musk, o celebrado empreendedor da Tesla, SpaceX e SolarCity. Ele demorou “bem mais tempo” que Gates, pois só terminou de ler a coleção completa da Enciclopédia Britânica aos 10 anos, passando a ler cerca de 10 horas por dia durante toda a sua adolescência.

Mas não é a quantidade mas a qualidade da leitura que importa. E isto será sempre uma percepção pessoal, sendo sua compreensão e aplicação algo intrínseco àquele momento do indivíduo em particular.  Por isso, encare as listas de sugestões de livros exatamente como é: uma lista de sugestões.

A nova geração de startupeiros mais bem sucedida ao redor do mundo sempre coloca dois livros na lista entre os mais recomendados. De Zero a Um, de Peter Thiel e O Lado Difícil das Situações Difíceis de Ben Horowitz. Para quem vai empreender em qualquer negócio, mas principalmente uma startup inovadora e de base tecnológica, tanto Thiel como Horowitz mostram o lado real e nada romântico do empreendedorismo. E o resumo dos dois livros é o mesmo: eu avisei!

Entre os empreendedores mais famosos e lendários, a lista de livros que mais impactaram suas vidas se divide em obras filosóficas, que guiaram o seu modo de pensar ao longo do tempo e publicações instrucionais, que orientaram a sua forma de agir.

Entre as obras filosóficas, a primeira e mais importante influência em Steve Jobs foi o livro Autobiografia de Um Iogue escrito pelo guru indiano Paramahansa Yogananda. Jobs conheceu a obra aos 17 anos e passou a lê-lo anualmente até falecer. Dizem que era o único livro no seu iPad e os convidados para o seu funeral receberam a publicação como seu último presente. Yogananda pregava a simplicidade fortemente observada nas criações da Apple.

Outra obra também filosófica é Enéadas escrita pelo filósofo Plotino e publicada por volta de 270 d.C. Plotino é quase desconhecido no Brasil se não fosse pela constante referência que Luiz Antônio Seabra, co-fundador da Natura, dá quando explica como surgiu o conceito da Natura no momento em que a fundou em 1969. A visão holística, integrada e sustentável que consolidou na empresa, explica Seabra, é o resultado direto da inspiração que Plotino trouxe para a sua vida como um todo.

Neste contexto de influências filosóficas na gestão de empresas também entra o livro A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, escrito pelo filósofo alemão Eugen Herrigel, que foi ao Japão aprender a técnica milenar do arco e flecha. Durante meses aprendeu a respirar, ouvir o ambiente, escutar o coração sem atirar nenhuma flecha sequer. Para um ocidental que buscava praticidade e objetividade, aquilo foi uma tortura insana. Só depois que aprendeu a se conhecer, ouvir o ambiente e se comprometer, literalmente, de corpo e alma, começou a atirar. Esse é um livro constantemente indicado por Meyer Nigri, o fundador da Tecnisa.

A lista poderia ser enorme, mas termino com um livro de ciência exata que, para Elon Musk, também é filosófico.  Vários livros o influenciaram como o Guia do Mochileiro das Galáxias, mas foi em Estruturas: Ou porque as coisas não caem, do professor de ciência dos materiais e biomecânica J. E. Gordon, que Elon Musk passou a utilizar os conhecimentos de física nos negócios.

A lista de publicações instrucionais que influenciaram fortemente grandes empreendedores é ainda maior. Bill Gates explica que mesmo depois de mais de 20 anos de ter recebido a sugestão do seu amigo Warren Buffet, o livro Aventuras Empresariais, escrito por John Brooks, continua sendo o mais importante que leu em sua vida pois narra diversas situações empresariais de empresas reais que são grandes lições para qualquer tipo de negócio. Se este livro fala de erros, o livro preferido de Jeff Bezos, Made in America, escrito por Sam Walton, fundador do Walmart, fala de acertos e da importância da austeridade e também da inovação no desenvolvimento de grandes negócios. O livro de Sam Walton também marcou fortemente o início da vida empresarial de Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, que escreveram o primeiro prefácio da edição em português.

Para finalizar, dois livros bastante úteis para o momento atual das empresas. O primeiro lida com a formação de equipes integradas e alto desempenho. Os 5 Desafios das Equipes, escrito pelo consultor Patrick Lencioni, é a ótima sugestão de Edgard Corona, o fundador da SmartFit para este desafio. E em momentos em que muitas organizações precisam reduzir custos e aumentar receitas, o livro Dobre seus Lucros, do consultor Bob Fiffer, é sempre lembrado como o único livro que Marcel Herman Telles, empreendedor da AB-Inbev, enviou para todos os diretores das empresas do Grupo 3G mais de uma vez.

Por mais que as tecnologias de inteligência artificial avancem e as comunicações digitais proliferem, os (bons) livros, agora e por muito tempo, ainda forjarão os melhores empreendedores.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

 

Corporações e startups: os dez erros iniciais (e fatais) que os empreendedores mais cometem

12 de novembro de 2018

Por mais que pareça uma grande novidade, o interesse de grandes corporações por startups está em sua quinta onda mundial e na terceira no Brasil. Em outros momentos, as grandes empresas já tinham percebido as oportunidades em interagir, fechar parcerias e investir em startups. E, como nas ondas anteriores, executivos e empreendedores retornam ao início da jornada e precisam desenvolver conhecimentos para aumentar a eficácia neste tipo de relação.

Muitos erros são cometidos e, desta forma, há inúmeras oportunidades de melhorias pelas duas partes. Entre algumas das falhas críticas que muitos empreendedores cometem logo no início da relação estão:

Não estudar (previamente) a corporação. Mas o que a empresa de vocês faz mesmo? Pergunta o empreendedor para a banca de executivos que iria ver a sua apresentação. Nem todos os empreendedores são tão estúpidos assim, mas boa parte não faz seu dever de casa prévia e adequadamente. Estudar o histórico da empresa, sua atuação, concorrentes, estratégia e, principalmente, seus desafios (lembre-se de que ela não tem problemas… tem desafios ou objetivos estratégicos!) é o mínimo que se espera de alguém que se propõe a ser um parceiro estratégico da companhia.

Não pesquisar e identificar quem são os executivos que participarão da reunião. Estamos só esperando o CEO da empresa para começar? Questiona o empreendedor ao rapaz de camisa polo, jeans e sapatênis que está ao seu lado na mesa de reunião. Se essa é a sua preocupação, já podemos começar. – Responde o rapaz ao empreendedor que ainda não entende o sarcasmo. Nas corporações mais modernas, que aderiram à informalidade nas relações, é impossível para um forasteiro saber quem é quem na hierarquia organizacional, mesmo porque, o CEO se mistura ao seu time, não apenas fisicamente, mas em opiniões e discussões. Custa pouco pedir antecipadamente a lista de quem estará presente e pesquisar no Linkedin. Mas sai muito caro não saber com quem está falando na firma.

Não identificar qual é o desafio da corporação que sua startup resolve. Nem tinha me tocado que minha startup poderia resolver o problema dessa corporação desse jeito… – Relata o empreendedor. Muitos empreendedores se cegam fascinados pela inovação que estão desenvolvendo e não conseguem vislumbrar que sua solução seria muito útil em outros desafios empresariais aparentemente desconexos.

Não identificar rapidamente qual executivo irá ajudar a bater a meta. Não existe relação grande empresa e startup. O que há são executivos se relacionando com empreendedores. Se nenhum executivo entender que a startup o(a) ajuda a bater meta, a relação não irá adiante.

Portar-se arrogantemente como empreendedores e não executivos. É um paradoxo. A corporação diz querer inovar com startups, mas seus executivos buscam uma solução segura que não arrisquem seus empregos e a empatia é imediata quando o empreendedor também age e se porta como um executivo.

Não contextualizar e caracterizar a (grande) vantagem competitiva que se consolidará pela parceria. Ah, inclusive já atendemos seu principal concorrente! Diz o orgulhoso empreendedor tentando demonstrar que sua solução já foi validada pelo mercado. E depois, na saída reclama: Acho que eles não entenderam a solução…

Chamar mais a atenção do que a solução da sua startup. Roupa amassada, camiseta velha, jeans sujo, saia muito curta, computador com adesivos polêmicos, piadas inoportunas, cheiro de suor e até falta de higiene bucal. Não tudo isso ao mesmo tempo e (ainda bem) são exceções.

Não entender a lógica da PoC. Fechar uma parceria com uma startup é, em boa parte dos casos, um enorme risco não só para a imagem da corporação (que pode chegar a bilhões de reais) mas para o executivo que toma a decisão. Quando se contrata um grande fornecedor e o projeto dá errado, a culpa é do fornecedor. Quando se contrata um pequeno provedor, a culpa é de quem? Por isso, as grandes corporações criam uma fase de prova de conceito (que muitos empreendedores odeiam) em que a startup será validada em diversos aspectos, inclusive o comprometimento e a capacidade de execução dos empreendedores e a escalabilidade da solução.

Não compreender que a corporação é rica, mas o departamento é pobre. As grandes empresas que faturam milhões ou bilhões de reais podem parecer imponentes, mas seus departamentos sobrevivem de orçamentos restritos aprovados no ano anterior. Cada real gasto foi previsto e enxugado até o último centavo possível. Por mais que o contrato seja celebrado com a grande empresa, o recurso sairá de um departamento com orçamento de média ou até pequena empresa.

Não (saber) lidar com o jogo do Fácil-Sim. A negociação entre corporação e startup é finalizada, invariavelmente, com um sim ou um não. Este sim ou não pode ser fácil ou difícil. Não raro, a solução inovadora, escalável, disruptiva vislumbrada pela startup para a corporação será um difícil sim ou, mais provavelmente, um difícil não. A “empresa” até entente o potencial de inovação, mas o “executivo” não arriscará seu bônus do ano e até sua carreira nesta “aposta”. Cabe ao empreendedor levar a negociação para uma proposta simples, barata e com pouco risco para a empresa. Esta é a solução Fácil-Sim que será validada na PoC. Uma vez dentro da corporação, já tendo validado a solução e a capacidade de execução, aí sim, aquela solução inovadora, escalável, disruptiva começará a fazer mais sentido.

Mas de todas as falhas cometidas pelo empreendedor na sua relação com a corporação, as mais graves são as que ocorrem depois: dizem que não aprenderam nada com o processo, reclamam da perda de tempo e ainda não expandem sua rede de relacionamentos.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo.

Um case de sucesso no Terceiro Setor

12 de novembro de 2018


Esta é a história de Marcelo Nonohay, fundador e diretor executivo da MGN, empresa especializada na gestão de projetos para transformação social. Gaúcho, bom contador de histórias e que nas horas vagas faz aula de guitarra, Marcelo é mestre em administração pela conceituada Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e membro Titular do Conselho Nacional do Voluntariado 2018/2019. Ele conta que a jornada empreendedora começou em 2006, apenas formado em Porto Alegre, e em 2010 desembarcou em São Paulo para colocar a MGN em abrangência nacional. Já deu palestras para mais de 15 mil executivos de empresas nacionais e internacionais, tornando-se uma referência nas áreas de voluntariado empresarial e educação.

Quando teve vontade de empreender?

Sempre tive um exemplo empreendedor dentro de casa. Antes mesmo de eu entender o que significa ser empreendedor eu via várias facetas do empreendedorismo. Tanto as coisas boas quanto as não tão boas em ser dono de um negócio próprio: paixão pelo que se faz e o orgulho pelas realizações; longas horas de trabalho e uma preocupação constante com o bem-estar dos funcionários; satisfação de clientes e a perenidade do negócio. Ser empreendedor sempre foi uma opção aberta, mas só virou uma realidade bem mais tarde. Nesta época eu já estava formado em administração e decidi fazer um mestrado. Neste período, além de um grande aprendizado acadêmico, pela primeira vez entendi que conseguiria viver sem ter um emprego formal e que eu poderia fazer um caminho diferente, pagar os custos e colher os frutos de uma vida mais independente. Foi nesse período que nasceu a MGN.

Olhando para atrás, houve uma inspiração especial?

Sim, na escola fiz parte de um programa que desenvolve empreendedorismo entre jovens com o trabalho de voluntários do mercado – a Miniempresa da Junior Achievement. Essa experiência foi transformadora, pois moldou em grande parte o meu negócio atual.

Primeiro apareceu o empreendedor ou a ideia?

No início eu achava que para ser um empreendedor de sucesso eu teria que ter uma ideia genial. É obvio que se você tem uma ideia genial e o mercado aprova, você está muito bem encaminhado. Mas entendo que nem todos os empreendedores terão uma ideia genial para começar. Olhando em retrospectiva, eu comecei fazendo o que sabia, explorando o que gostava e sempre muito aberto a aprender. Não criei a MGN a partir de uma ideia genial, mas hoje tenho certeza que o que ela faz é genial. Se me perguntassem há uns 15 anos se eu achava que uma empresa como a MGN poderia existir, eu diria que não.

Qual o foco de trabalho da MGN?

Nós trabalhamos com a gestão de projetos para a transformação social. Criamos esse guarda-chuva amplo, pois estamos envolvidos em projetos de voluntariado, educação e diversidade. Por isso, entendemos que nosso negócio sempre tem relação com algum tipo de transformação social que queremos ver na sociedade. Nem sempre tivemos esse foco exclusivo, no entanto. O começo de um negócio é sempre muito difícil. Por se tratar de um negócio de consultoria, também fizemos muitos trabalhos de planejamento: planos de negócios, planejamento estratégico e planos de marketing. Aproveitamos até hoje a experiência que adquirimos com esse tipo de trabalho. Muitos temas que desenvolvemos nessa época ainda aplicamos nos nossos projetos, como por exemplo empreendedorismo, sustentabilidade, inovação, gestão estratégica e pesquisa de mercado.

Como é que a família participa (ou não) no empreendimento?

A família do empreendedor sempre participa do seu negócio. No caso da MGN tenho membros da família que se envolvem de forma pontual em alguns trabalhos, de acordo com suas competências. Além disso, todos sofrem um pouco com as noites mal dormidas, assim como vibram com cada conquista.

E como é a rotina diária de uma empresa do Terceiro Setor?

Nosso cotidiano é bastante intenso. Por sermos uma empresa que presta serviço, é esperado que estejamos funcionando no horário comercial, mas como trabalhamos com muitos eventos, em especial de atividades de voluntariado empresarial, trabalhamos muitas noites e fins de semana, horários em que muitos programas de voluntariado corporativo realizam suas atividades. Para dar conta dessa demanda, zelamos por manter um ótimo clima organizacional, valorizamos a diversidade para que todos se sintam acolhidos e temos sistemas de bonificação para as lideranças e para quem trabalha em eventos. Além disso, o resultado do nosso trabalho sempre é carregado de muita satisfação pessoal, pois atuamos no que eu chamo de Economia do Bem. Para mim, esse conceito vai muito além das definições de Terceiro Setor ou Negócios Sociais. Aqui entram todas as formas de produção, trocas, consumo e descarte que propõem uma revisão das maneiras tradicionais.

Quais são os planos de futuro do negócio?

Nossos planos de futuro incluem a expansão concêntrica de negócios. Estamos explorando novos mercados onde podemos aplicar nossa expertise no Brasil e fora.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor, qual seria?

Vejo que atuar no setor, seja por meio de uma Organização ou Negócio Social, ou até mesmo com uma consultoria é muito tentador para os jovens. Essa nova geração já chega ao mercado pensando em empreender com propósito. Todos querem fazer o que gostam. Não há mais espaço para ser infeliz no trabalho e fazer o bem nas horas vagas. O ponto é que empreender em qualquer setor, mesmo que seja para fazer o bem, não é fácil e não é para qualquer um. Às vezes me preocupa ver tantas pessoas se jogando no mercado sem nenhuma noção ou preparo. Mesmo em um negócio que é 100% ligado à realização pessoal do empreendedor, as dificuldades e a vontade de desistir baterão à porta. Tudo começa por autoconhecimento: a pessoa tem que estar disposta a viver a vida de empreendedor.

Qual o futuro do Brasil?

Embora seja um clichê, eu acredito que o Brasil tem um enorme potencial, um grande mercado consumidor, uma cultura rica, grande diversidade ambiental e social, algumas ilhas de excelência e um povo criativo. O problema é que para que esse potencial seja realizado, precisamos investir em educação com um pensamento de longo prazo. Vejo que a MGN dá uma contribuição, pois quando desenvolvemos know-how para dar mais efetividade e maior impacto ao investimento social privado, estamos trabalhando para construir um futuro melhor.

Saiba mais:

http://mgnconsultoria.com.br/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

 

Empreendedorismo jovem: a hora de gerar impacto social é agora

6 de novembro de 2018

Foto: Unsplash

A maior celebração mundial do empreendedorismo chega à 11ª edição com o tema Empreendedorismo Jovem: A Hora é Agora. A Semana Global de Empreendedorismo, SGE 2018, contará com uma série de atividades norteadas pelos subtemas mulheres, inclusão social e inovação, até sexta-feira, dia 9. Na minha percepção, assuntos de muita relevância, sobretudo, quando analisamos o desempenho de jovens que estão liderando empresas com modelos inovadores e de alto impacto social.

Em mais de uma década de atuação, a Artemisia tem apoiado jovens inquietos pela mudança via empreendedorismo. Um deles é Gustavo Fuga que, em 2011, fundou a 4YOU2 com o sonho de transformar a educação, democratizando o acesso ao aprendizado e ao ensino de Inglês. Para isso, o negócio de impacto social oferece cursos por valores populares por meio de escolas localizadas em regiões de periferia ou locais de fácil acesso. Na prática, proporciona experiências transculturais para a população de baixa renda – com preços acessíveis – que ampliam o acesso a informações, possibilidades de estudo e melhores empregos que alavancam o desenvolvimento dos alunos.

A empresa atua com metodologia híbrida, adaptativa e com professores estrangeiros, focados em conversação. Hoje, a rede possui oito unidades, sendo cinco em São Paulo – nos bairros de Santana, Jardim Ângela, Ipiranga, Campo Limpo e Capão Redondo –, duas em Minas Gerais e uma na Paraíba. O negócio conta com 10 mil alunos e 350 professores de todo o mundo. Com a 4YOU2, o estudante da baixa renda tem uma solução acessível que reduz a própria assimetria de informação e a vulnerabilidade social, pois oferece ferramentas para que possa competir por vagas de emprego em condições mais equiparadas aos brasileiros com melhor poder aquisitivo.

Um outro exemplo são os jovens Raphael Mayer e Mathieu Anduze. Juntos, desenvolveram a Simbiose Social, uma plataforma digital que une tecnologia e informação para conectar empresas aptas a doarem parte do pagamento de impostos a projetos aprovados pelas leis de incentivo. A plataforma foi criada a partir do cruzamento de todos os dados públicos referentes a Leis de Incentivo no país. De um lado, o Sistema de Empresas otimiza a gestão do recurso e permite buscar os projetos. Do outro, o Sistema de Projetos empodera projetos sociais ao muni-los com informações referentes ao perfil das empresas. No cerne, a ideia é promover um match entre as empresas que querem – ou costumam doar parte dos recursos para pagamento de impostos – e os projetos que lutam para captar dinheiro. Ao mesmo tempo, otimiza a pesquisa, a avaliação e a gestão dos investimentos sociais.

Os empreendedores da Simbiose Social, que foram potencializados na Aceleradora Estação Hack – iniciativa do Facebook em parceria com a Artemisia – mapearam, em 2018, um potencial de direcionamento de imposto que ultrapassa a marca de R$ 100 milhões. Desde a criação, 56 projetos já foram impactados diretamente pela plataforma, que direcionou R$ 8,5 milhões para iniciativas socioculturais que beneficiaram mais de 100 mil pessoas no país.

A força dos jovens para contribuir com a mudança é gigantesca. No Brasil, a Artemisia se orgulha de ser pioneira na disseminação da inclusão dos jovens no ecossistema de negócios de impacto social. Em 2011, criamos a maior rede de jovens engajados no tema – o Movimento Choice – que em 5 anos formou mais de 800 embaixadores em 23 Estados e mobilizou mais de 97 mil pessoas dentro das universidades. Em 2017, o movimento se tornou independente e passou a ser liderado por embaixadores da própria rede; hoje, segue “contaminando” jovens com o propósito social, além de apoiar o desenvolvimento desse público para que empreendam mudanças positivas no mundo.

Uma forma permanente de levarmos informações sobre o conceito de negócios de impacto social para o maior número de pessoas – inclusive para jovens que queiram saber mais sobre como empreender e gerar impacto positivo ao mesmo tempo – foi a criação do Curso Online de Negócios de Impacto Social. Nesse ambiente online, o aluno encontra informações teóricas e práticas sobre a temática no Brasil e no mundo, e passa a conhecer a história de empreendedores de impacto social. Acreditamos que para realizarmos o nosso sonho – um país com 100% das brasileiras e brasileiros vivendo com dignidade e poder de escolha – o engajamento de jovens empreendedores é essencial.

Mais informações sobre a programação da Semana Global de Empreendedorismo podem ser obtidas no site do movimento: http://www.empreendedorismo.org.br/

* Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

A maior celebração mundial do empreendedorismo chega à 11ª edição com o tema Empreendedorismo Jovem: A Hora é Agora. A Semana Global de Empreendedorismo, SGE 2018, contará com uma série de atividades norteadas pelos subtemas mulheres, inclusão social e inovação, no período de 5 a 9 de novembro. Na minha percepção, assuntos de muita relevância, sobretudo, quando analisamos o desempenho de jovens que estão liderando empresas com modelos inovadores e de alto impacto social.

 

Em mais de uma década de atuação, a Artemisia tem apoiado jovens inquietos pela mudança via empreendedorismo. Um deles é Gustavo Fuga que, em 2011, fundou a 4YOU2 com o sonho de transformar a educação, democratizando o acesso ao aprendizado e ao ensino de Inglês. Para isso, o negócio de impacto social oferece cursos a valores populares por meio de escolas localizadas em regiões de periferia ou locais de fácil acesso. Na prática, proporciona experiências transculturais para a população de baixa renda – com preços acessíveis – que ampliam o acesso a informações, possibilidades de estudo e melhores empregos que alavancam o desenvolvimento dos alunos.

 

A empresa atua com metodologia híbrida, adaptativa e com professores estrangeiros, focados em conversação. Hoje, a rede possui oito unidades, sendo cinco em São Paulo – nos bairros de Santana, Jardim Ângela, Ipiranga, Campo Limpo e Capão Redondo –; duas em Minas Gerais; e uma na Paraíba. O negócio conta com 10 mil alunos e 350 professores de todo o mundo. Com a 4YOU2, o estudante da baixa renda tem uma solução acessível que reduz a própria assimetria de informação e a vulnerabilidade social, pois oferece ferramentas para que possa competir a vagas de emprego em condições mais equiparadas aos brasileiros com melhor poder aquisitivo.

Um outro exemplo são os jovens Raphael Mayer e Mathieu Anduze. Juntos, desenvolveram a Simbiose Social, uma plataforma digital que une tecnologia e informação para conectar empresas aptas a doarem parte do pagamento de impostos a projetos aprovados pelas leis de incentivo. A plataforma foi criada a partir do cruzamento de todos os dados públicos referentes a Leis de Incentivo no país. De um lado, o Sistema de Empresas otimiza a gestão do recurso e permite buscar os projetos. Do outro, o Sistema de Projetos empodera projetos sociais ao muni-los com informações referentes ao perfil das empresas. No cerne, a ideia é promover um match entre as empresas que querem – ou costumam doar parte dos recursos para pagamento de impostos – e os projetos que lutam para captar dinheiro. Ao mesmo tempo, otimiza a pesquisa, a avaliação e a gestão dos investimentos sociais.

 

Os empreendedores da Simbiose Social, que foram potencializados na Aceleradora Estação Hack – iniciativa do Facebook em parceria com a Artemisia – mapearam, em 2018, um potencial de direcionamento de imposto que ultrapassa a marca de R$ 100 milhões. Desde a criação, 56 projetos já foram impactados diretamente pela plataforma que direcionou R$ 8,5 milhões a iniciativas socioculturais que beneficiaram mais de 100 mil pessoas no país.

 

A força dos jovens para contribuir com a mudança é gigantesca. No Brasil, a Artemisia se orgulha de ser pioneira na disseminação da inclusão dos jovens dentro do ecossistema de negócios de impacto social. Em 2011, criamos a maior rede de jovens engajados no tema – o Movimento Choice – que em 5 anos formou mais de 800 embaixadores em 23 Estados e mobilizou mais de 97 mil pessoas dentro das universidades. Em 2017, o movimento se tornou independente e passou a ser liderado por embaixadores da própria rede; hoje, segue “contaminando” jovens com o propósito social, além de apoiar o desenvolvimento desse público para que empreendam mudanças positivas no mundo.

 

Uma forma permanente de levarmos informações sobre o conceito de negócios de impacto social para o maior número de pessoas – inclusive para jovens que queiram saber mais sobre como empreender e gerar impacto positivo ao mesmo tempo – foi a criação do Curso Online de Negócios de Impacto Social. Nesse ambiente online, o aluno encontra informações teóricas e práticas sobre a temática no Brasil e no mundo, e passa a conhecer a história de empreendedores de impacto social. Acreditamos que para realizarmos o nosso sonho – um país com 100% das brasileiras e brasileiros vivendo com dignidade e poder de escolha – o engajamento de jovens empreendedores é essencial.

 

Mais informações sobre a programação da Semana Global de Empreendedorismo podem ser obtidas no site do movimento: http://www.empreendedorismo.org.br/

 

 

* Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

 

Depois de quebrar e se reerguer, boliviano se firma com a Comedoria Gonzales

5 de novembro de 2018

Checho Gonzales dá uma dica para quem quer empreender: 'Tente ser original'. Foto de Lucas Terribili

Esta é a história de Checho Gonzales, boliviano chegado ao Brasil aos 7 anos, cidadão do mundo, chef revelação em 2001 e 2002 pela Revista Gula, e que quebrou, e se levantou, algumas vezes, e sempre melhor que antes. Em 2012, Checho foi uma das pessoas que revolucionaram a gastronomia de São Paulo, juntamente com Henrique Fogaça e Lira Yuri, realizando um evento mensal chamado O Mercado, que trazia para um formato de feira de rua comidas de qualidade e de chefs renomados a preços razoáveis. O impacto foi tão importante, que mudou para sempre a forma como o paulistano se relaciona com o alimento no dia a dia da cidade, fazendo com que as pessoas perdessem o medo de comer na rua, de pé, e sem frescura. Isso abriu caminho para a vinda dos food trucks e dos restaurantes com serviço mais informal. Depois de alguns anos, Checho decidiu sair das ruas e ancorar num lugar fixo. Escolheu o Mercado Municipal de Pinheiros para abrir a Comedoria Gonzales, em 2014, servindo comidas latino-americanas – em especial os ceviches – e foi, mais uma vez, pioneiro da transformação desse antigo mercadão num ponto de encontro da gastronomia da cidade. Sempre com seu humor peculiar, conversamos sobre a jornada do empreendedor.

Primeiro apareceu uma ideia que forçou você a virar empreendedor? Ou primeiro apareceu o empreendedor que saiu procurando uma ideia?
Bom, eu sempre fui muito roleiro, até hoje consigo vender ou trocar todo tipo de coisa. Interessa um skate híbrido? Também estou com uma barra fixa. Vendo ou troco por instrumentos ou equipamento… Meu primeiro negócio apareceu quando voltei de Barcelona, vivi lá por 2 anos. Era 1993 e não sabia o que queria da vida e fui fazer umas comidinhas no bar de uns amigos. Foi a primeira vez que cozinhei pra ganhar um dinheirinho. Um dos sócios estava insatisfeito e achei uma boa oportunidade, acabei comprando a parte dele. Não foi uma ideia sensacional, mas me deu uma super referência. Era um bar de rock & roll, sexo e muitas drogas. Depois de passar um par de anos nesse clima cheguei à conclusão de que tinha que dar uma direção na minha vida. Podemos, então, dizer que foi o que alavancou tudo.

A sua família trabalha com você na Comedoria?
Agora meu pai cuida do meu financeiro e minha companheira vai responder às redes sociais. Tentei escravizar a minha filha também, mas ela fugiu…

Como é o dia a dia de um empreendedor da gastronomia?
Passei anos sem vida social regular, saía muito de madrugada, vida bem boemia. Depois que mudei de modelo de negócio e fiquei mais velho, tudo se normalizou: trabalho durante o dia e à noite faço coisas normais. Não sei até quando dura, pois isso acompanha o tipo de negócio.

Quais são os seus planos de futuro?
Creio que a Comedoria tem ainda muito tempo de vida, não bombando como foram os últimos anos, algo mais sóbrio, mas é o apoio que necessito para montar um outro restaurante. Ainda não encontrei a ideia correta, o espaço adequado, o formato que me agrada… Continuo na procura, sei que vai aparecer.

Se pudesse dar uma dica a quem está chegando agora na sua área, qual seria?
Pare de fazer cópias de tudo, tente ser original

Qual o futuro do Brasil?
Ave, neste momento não tenho a mínima ideia. A minha contribuição está no meu dia a dia, sei que agrego, que construo. Tento ser correto em tudo, acho que isso já soma

Saiba mais:
Comedoria Gonzales
Mercado Municipal de Pinheiros – boxe 85
Horário de funcionamento: segunda a sábado, 11h às 20h
@comedoriagonzales

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Ah… e tem mais uma coisa: Inovação é meio, se não, será o fim

2 de novembro de 2018



Nas memoráveis apresentações anuais dos lançamentos da Apple conduzidas por Steve Jobs, a plateia aguardava ansiosa pela parte final em que Jobs fazia uma pausa e anunciava: Ah… e tem mais uma coisa! Os presentes no auditório urravam com este aviso. A maior e mais secreta inovação da Apple seria apresentada em alguns segundos. Sigilo, foco no cliente e vendas maiores do que no período anterior eram cuidadosamente orquestrados por todos na empresa e aquele momento não era o fim, mas o meio para se construir mais um ano memorável.

Ser inovador ou algo ainda pior, parecer inovador, tornou-se um mantra entre muitos líderes executivos. Suas organizações lançam iniciativas pomposas, contratam consultores com discursos rasos com teor bombástico e apocalíptico, começam a pregar inovações radicais e exponenciais e divulgam todas as suas intenções, passos e projetos de inovação nas redes sociais pois querem parecer inovadores. Seus concorrentes mais tolos irão correr para lançar iniciativas ainda mais pomposas, com consultores (agora internacionais) ainda mais bombásticos e apocalípticos e a briga por quem cospe mais longe se acirrará. Porém, seus concorrentes mais inteligentes adorarão saber quais são as estratégias de inovação do competidor que publica tudo na internet.

Como inovação se tornou um fetiche de muitas corporações, a primeira questão que, quase sempre, levantam é como inovo? Crio uma aceleradora de startups como meu concorrente ou lanço um laboratório de inovação como o outro fez? Faço um hackathon ou uma sessão de design thinking? Levo a área de inovação da empresa para um coworking ou construo um próprio?

Essas dúvidas são inócuas quando há uma questão anterior que direcionará todas as outras: Por que inovar? Muitas corporações não têm a mínima noção sobre como responder esta pergunta. Nos casos mais grotescos, a resposta implícita é porque meu concorrente está inovando. A melhor resposta deveria estar associada à construção de um futuro mais próspero para a empresa em um ambiente de negócio cada vez mais caótico, incerto e tecnológico. Em casos mais graves e urgentes, a resposta diz respeito a própria sobrevivência da companhia.

 

Muitas corporações não sabem por que querem (ou precisam) inovar pois seus dirigentes enxergam o futuro olhando para o passado e seus executivos concentram-se em garantir o bônus do ano. E estão racionalmente corretos. Em 2007, a Nokia rumava para ser a primeira corporação a atingir um bilhão de clientes com seus telefones celulares inovadores. Sua participação de mercado era maior do que a somatória de todos os demais concorrentes. Ela se preparava para ocupar a China, o maior mercado emergente do mundo. E seu concorrente mais inovador ainda era pequeno e tinha um peculiar nome de fruta. Se fosse executivo da Nokia naquele momento teria certeza de que a empresa estava no caminho correto e saberia qual fruta era essa.

Pouco mais de uma década depois, muitos sabem o que aconteceu com a Nokia e têm certeza absoluta do nome da fruta. Mas em uma década, diversas outras corporações do mundo se tornaram Nokias. Como muitas ainda não sabem disso, acreditam que a inovação é um fim em si mesma, por isso, gostam de alardear publicamente suas iniciativas de inovação. Mas as empresas mais inovadoras do mundo, segundo o ranking publicado pela revista Fast Company, como a Apple, Netflix, Tecent e Amazon não divulgam iniciativas, mas “acabativas” de inovação quando a concorrência já foi deixada nitidamente para trás.

Organizações e executivos que não percebem que a inovação é um meio, encontrarão, invariavelmente, seu fim, pois não entregarão os resultados esperados por qualquer companhia: aumento de vendas, redução de custos, incremento do valor ou fortalecimento do seu propósito de existir.

Ah… e tem mais uma coisa: A fruta que a Nokia achava que era sua concorrente inovadora não era uma maçã, mas uma amora.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper