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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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O empreendedorismo de impacto social combatendo a falta de acesso à alimentação equilibrada

16 de outubro de 2018

A alimentação é um tema crítico para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Os desafios são encontrados em diferentes pontos da cadeia: da produção, logística, processamento, oferta até o consumo. Nesse cenário, o pequeno agricultor familiar e o consumidor de menor renda são os elos mais vulneráveis. No Brasil, apesar de o número de domicílios em situação de insegurança alimentar continuar caindo – de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) –, ainda existem cerca de 5 milhões de brasileiros sem acesso diário à comida de qualidade e na quantidade satisfatória. Em contrapartida, 41 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas no País por dia. Com a quantidade de alimentos desperdiçados hoje, seria possível alimentar 25 milhões de brasileiros diariamente, ou seja, 13% da população. A problemática é ainda maior quando pensamos que fatores como a falta de alimentos saudáveis próximas e acessíveis de frutas, verduras e legumes combinada com o sedentarismo e os maus hábitos alimentares têm impacto direto na saúde populacional, resultando em doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e obesidade.

É nesse panorama socioeconômico que surgem negócios de impacto social que têm respondido ao desafio de garantir o acesso à alimentação equilibrada a um preço justo para o consumidor e para o produtor. Com apoio da Fundação Cargill, a Artemisia desenvolveu a Tese de Impacto Social em Alimentação – estudo que reúne informações relevantes sobre os desafios enfrentados na temática pela população de baixa renda no Brasil e aponta quais são as oportunidades para o desenvolvimento de negócios de impacto social que possam contribuir de forma positiva à sociedade. Entre as oportunidades identificadas, destaco duas.

A primeira permite que as pessoas – que vivem em locais onde a venda de alguns alimentos é limitada – tenham meios para comprar frutas, verduras e legumes a um valor acessível, podendo incorporá-los à rotina alimentar. A oportunidade fala de pontos de venda mais próximos dos consumidores; assinatura de produtos saudáveis a baixo custo; e soluções que permitam otimizar as compras logisticamente, diversificando produtos ou possibilitando compras coletivas. Um case de comercialização de alimentos orgânicos por meio de um modelo de assinaturas oferecido por um canal de vendas diretas – similar ao modelo adotado por marcas de cosméticos como Natura – é a Nutriens.

A rede de empreendedores é ativada por embaixadores (ativistas comunitários) das comunidades de Parelheiros, Capão Redondo e Brasilândia. No modelo de negócio, o embaixador oferece a assinatura de cestas de produtos orgânicos – legumes e verduras – na comunidade na qual reside a um preço igual ao dos alimentos convencionais. Com as vendas, passa a ter renda e acesso a uma alimentação saudável, criando um círculo virtuoso de suporte financeiro e alimentação de qualidade. Para o produtor local, a vantagem reside na garantia da venda da produção total, sem percorrer grandes distâncias.

Um outro exemplo que ilustra bem essa oportunidade é a Enjoy. Trata-se de um delivery de alimentos orgânicos, previamente selecionados pelos consumidores. O negócio de impacto social comercializa a produção local e orgânica do bairro da zona sul de São Paulo, Parelheiros – que, antes, era destinada a bairros de elite de São Paulo. Atua para que a produção seja vendida no bairro e com trocas de mudas orgânicas, experiências gastronômicas, oficinas de compostagem e criação de hortas. A empresa amplia o alcance social da produção local e orgânica que antes abastecia somente as feiras especializadas de bairros nobres da cidade.

A segunda oportunidade que destaco é relacionada ao acesso a refeições saudáveis. Baseia-se em oferecer uma alternativa de refeição saudável para a população de menor renda – que seja acessível geográfica e financeiramente, evitando assim o consumo de substitutos. Entre os exemplos de soluções, assinaturas de refeições a preços acessíveis; restaurantes de baixo custo; e delivery de refeições rápidas e saudáveis a baixo custo. Esse é o caso da Eats For You – aplicativo de delivery que comercializa marmitas caseiras. A solução conecta pessoas que buscam uma renda extra ou principal por meio da culinária a pessoas que desejam ter acesso a refeições caseiras na hora do almoço.

Esses são apenas alguns dos negócios de impacto social que apoiamos recentemente em nosso programa; empresas que estão contribuindo para ampliar o acesso da população de menor renda à alimentação saudável e equilibrada. Para quem pensa em empreender com impacto no tema, vale conferir outras oportunidades e exemplos de negócios que as ilustram na Tese de Impacto Social em Alimentação. O download é gratuito e pode ser feito pelo site: artemisia.org.br/alimentacao.

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

5 pontos em comum a todo empreendedor na batalha do dia a dia

15 de outubro de 2018

Ao longo dos últimos meses, tenho entrevistado pequenos empreendedores em vários segmentos, perguntando sobre motivações, família, rotina e planos de futuro.  São histórias que ainda estão sendo construídas, com um recorte atual de quem está na luta do dia a dia e na linha de frente do pequeno negócio.

Estas perguntas e respostas com “gente que coloca a mão na massa” são passadas de forma direta por quem está fazendo acontecer e representam lições valiosas para quem quer empreender e aprender. Ou mesmo para quem já está empreendendo poder se reconhecer e compartilhar vivências semelhantes, sentindo-se acompanhado.

Não chega a surpreender como todas estas histórias têm muitos elementos em comum. Eu mesmo me emociono a cada relato, me identifico. É como uma fraternidade. Mesmo que a pessoa tenha trilhado uma jornada muito particular e única para chegar aonde chegou, algumas características são comuns a todos.

1. Um sonho – ou como dizem alguns, uma ideia. Tudo habitualmente começa nisso: um insight de algum produto ou serviço, a vontade de construir uma empresa ou, em muitos casos, o desejo de modernizar o negócio da família. Para empreender é preciso ter algo em mente que possa ser realizado, que possa fazer a diferença. É o que vai justificar tudo.

2. Coragem – todo empreendedor, em algum momento, quando decide iniciar o próprio negócio vai respirar fundo, fechar os olhos, visualizar mentalmente tudo o que planejou e decidir ir em frente. É nesse instante que nasce o empreendedor. Nos segundos que antecedem a assinatura do contrato de locação, ou do empréstimo no banco, ou da importação de uma máquina, ou da compra de um caminhão. Muitas vezes arriscando a segurança financeira de um emprego confortável, ou a poupança dos filhos, ou contradizendo amigos e familiares que duvidam. Sempre tem muito em risco, nunca é fácil: o estômago embrulha, o coração acelera. É preciso uma coragem inimaginável.

3. Resiliência – é começar o negócio e as coisas começam a dar errado – ou melhor, o trabalho do empreendedor é fazer as coisas que estão dando errado darem certo. Acordar todo dia de bom humor, cheio de energia, e como Sísifo levar a pedra montanha acima, é para poucos. E ao mesmo tempo, é muito comum encontrar esta capacidade, entre empreendedores, de se manter animado e confiante.

4. Valores – todos os empreendedores compartilham o respeito e orgulho da história que os fez ser o que são. E cada um tem suas particularidades. Alguns passaram por doenças que os fizeram ver a vida de forma diferente, outros são agradecidos aos filhos que lhe deram uma motivação a mais, outros lembram dos pais que os influenciaram. Ou de um professor, ou de um antigo patrão. Este respeito à sua própria história é um dos alicerces de todo empreendedor.

5. Vontade de fazer a diferença no mundo – é claro que o dinheiro é importante, é uma medida de sucesso e é necessário para recompensar o trabalho e trazer prosperidade. Mas é impressionante como nenhum dos empreendedores dá maior importância ao vil metal. Os olhos se enchem de emoção mesmo é quando falam do impacto que o negócio está trazendo para os clientes, para os colaboradores, para a família. O orgulho de fazer algo que é admirado.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

 

Até quando uma startup é uma startup? E falando nisso, é start-up ou startup?

12 de outubro de 2018

É curioso o uso das palavras e seus contextos. Quando um jovem encontra outro, se cumprimentam: E aí véio!!!! E o outro responde: Fala, véio!!! Mas quando dois idosos se encontram, também se cumprimentam: E aí garoto!!! E o amigo responde: Fala garoto!!!

Assim, pela ordem, vamos tratar das empresas jovens. Mas já adianto que a discussão não é exatamente relevante, um pouco chata, mas é uma dúvida de muitas pessoas. O que é uma startup? Quando uma empresa deixa de ser uma? E se escreve startup ou start-up?

Historicamente, startups eram um tipo de… botas! Frederick Fairholt, em seu livro Costume in England, explica que na Inglaterra no final do Século XVI, homens e mulheres calçavam startups. Samuel Johnson, quando publica seu dicionário A Dictionary of the English Language em 1818, também aponta que startup também poderia se referir a um tipo de bota ou galocha, ou a alguém que é notado repentinamente.  Ainda no Século XIX, o termo start-up, agora com hífen, passa a ilustrar o fenômeno de alguém que cresce muito rapidamente, segundo o dicionário A Glossary: K-Z, organizado por Robert Nares em 1872. Seria algo como um estirão.

Depois disso, o termo startup praticamente não foi mais utilizado até o final do Século XX. Thomas Edison (GE), Henry Ford (Ford), Bill Hewlett t e Dave Packard (HP)… ninguém dos empreendedores inovadores do final do Século XIX e metade do Século XX criaram startups. Eles criaram new companies ou new enterprises. Em 1968, quando Robert Noyce e Gordon Moore saem da Fairchild Semicondutors para fundar a Intel, Arthur Rock, interessado em investir na nova empreitada pede para a dupla escrever um plano de negócio. O tal plano, hoje no museu da Intel em San Jose (Califórnia) tinha uma página e explicava que a Intel seria “uma companhia que se engajará na pesquisa, desenvolvimento, fabricação e vendas de estruturas de eletrônica integrada...”

Assim, todas as novas empresas que nasciam no Vale do Silício eram novas companhias, empresas ou empreendimentos.

Mas algumas pessoas perceberam que trajetória de crescimento exponencial de novas empresas como Compaq, Lotus, Citrix, Novell, McAfee, Cisco na década de 1980 não era observado em outras novas empresas que atuavam de forma mais tradicional. A Compaq, por exemplo, atingiu vendas de US$ 1,2 bilhão em seis anos de vida, mas nenhuma das empresas fabricantes de computadores da época tinha notado a presença da empresa que vendia computadores com qualidade compacta (Compact Quality). Havia algo de mágico naquele tipo de “nova companhia” que impulsionava crescimentos escaláveis admiráveis. Isto começou a ser chamado de startup.

Por isso, a partir da década de 1980, investidores começaram a viajar pelos Estados Unidos atrás das novas startups e empreendedores, mais perspicazes, começaram a dizer que estavam criando startups.

Assim, o uso seminal de termo startup no fenômeno do estirão do jovem ou do ser percebido repentinamente para novas companhias de rápido de crescimento e que só eram notadas depois, quando já tinham um grande porte combinou como se uma bota encontrasse o seu par.

O problema é que, principalmente a partir da década de 1990, qualquer novo negócio que utilizava alguma tecnologia, em especial, da informação, passou a ser comunicada e celebrada como startup. E o termo ganhou inúmeras, senão milhares de definições. Cada empreendedor, investidor ou especialista tinha a sua. “Startup é uma empresa que trabalha para resolver um problema em que a solução não é óbvia e o sucesso não é garantido” diz Neil Blumenthal, co-fundador da “startup” Warby Parker, que vende óculos pela internet.  E para complicar, o termo startup aparece em diversos dicionários como qualquer nova empresa.

O caos no uso do termo ganhou alguma lógica quando em 2013, Steve Blank, professor de Stanford e Berkeley começou a repetir dois mantras: “Startup não é uma versão pequena de uma grande empresa” e “Startup é uma organização em busca de um modelo de negócio estável e escalável”. Depois ele acrescentou “lucrativo”. Dada a sua grande influência, muitos começaram a perceber que startup tinha a questão da incerteza (daí a busca), da lógica padrão (estável) de ganhar dinheiro com sólidas vantagens competitivas (modelo de negócio) e que pudesse crescer em proporção muito maior do que seus custos, gastos e despesas (escalabilidade).

Nesta abordagem, uma startup continua nessa condição quando tem grandes ambições de crescimento mas ainda não conseguiu encontrar um modelo de negócio estável, escalável e lucrativo. Quando define e valida o modelo de negócio estável, escalável e lucrativo e continua com a ambição de crescimento, a startup se torna uma scaleup. Caso contrário, se torna um pequeno negócio ou simplesmente os empreendedores desistem e partem para outra. E não há nenhum demérito nisso. Há ótimas empresas bonsais e muitos maratonistas desistem da corrida quando percebem que já não ganharão a prova, poupando-se para a próxima.

A próxima figura ilustra o que é uma startup e até quando uma startup é uma startup.

E o hífen da start-up? Neste caso, as duas grafias estão corretas, mesmo nos Estados Unidos.

Mas e as outras pequenas empresas ou scaleups que continuam querendo ser chamadas de startups? Tudo bem! Eu mesmo adoro quando me chamam de garoto!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

‘A gente não para de pensar no negócio um minuto sequer’, diz Adolpho Schaefer

8 de outubro de 2018

Esta é a história de Adolpho Guedes Schaefer, orgulhoso pai da Bruna, e dono de um dos mais famosos food trucks do Brasil, o Holy Pasta, especializado em massas – um sucesso de crítica e público.

Adolpho também é uma das estrelas do ‘reality show’ do GNT chamado “Food Truck” que está na quarta temporada. A seguir, trechos de um bate-papo que eu fiz com ele.

Adolpho, me conta um pouco da tua família?
Casei cedo, fiquei 10 anos casado e depois de me separar encontrei uma carioca linda que me dá ‘mó’ força. A minha filha Bruna vai fazer nove anos daqui a alguns dias, ela é a mascote do Holy. Meu pai, minha referência de pessoa de caráter, João Luiz Schaefer, entrou no mercado financeiro em uma das primeiras financeiras do País, vendendo letra de câmbio. Décadas depois tentou a vida de restauranter, mas não deu certo. Minha mãe Eliane Guedes é pura energia e essa ‘vibe’ infinita de trabalhar que eu tenho acho que puxei dela.

De onde surgiu a ideia de fundar o Holy Pasta?
A ideia do Holy acendeu na minha cabeça quando comecei a acompanhar o movimento de food trucks nos EUA  em 2013, o que me levou a querer resgatar o espírito do meu primeiro emprego – um restaurante de almoço executivo no meio do Itaim Bibi em 1999 chamado Truta Forte – a informalidade no atendimento e a qualidade da comida formavam uma dupla surpreendente e arrancavam sorrisos de todos que nos davam a chance de mostrar nosso trabalho. Em poucas palavras, o Holy é o Truta Forte de rodas (risos).

Primeiro apareceu a ideia ou o empreendedor?
A ideia veio primeiro! Apesar de eu já ter tentado ter meu próprio negócio em outras duas vezes (primeiro uma ‘Lanhouse’ com lanchonete e depois uma lanchonete em um lava-rápido na Faria Lima), com o Holy, primeiro veio a ideia de sair de onde eu estava, cuidando do negócio dos outros para cuidar do meu negócio, com a minha cara, a minha identidade. Para viabilizar não foi fácil, eu não tinha grana e é aí que entram os meus sócios (antigos patrões) e meu irmão por opção: Paulo Ribas Bixo. Eu tinha a ideia, o projeto, tudo na cabeça e esses caras articularam para juntos formarmos uma sociedade e tirar a ideia do papel.

Como é que a família participa no empreendimento?
A família não escapa de participar, todos acabam se envolvendo seja fisicamente (a Bruna fica comigo em nosso QG pelo menos duas vezes por semana, fora às vezes em que fica no truck), a namorada, além de frequentar sempre que consegue, me ajuda um monte me escutando e me aconselhando, minha mãe, meu pai, meus irmãos, estão sempre querendo saber como andam os negócios. Enfim, em família de empreendedor todo mundo ri e chora junto.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Ainda mais num food truck. Como é isso?
Com certeza são fora do normal, a gente não para de pensar no negócio um minuto sequer, inclusive isso é um desafio diário, eu me policio direto para dar um jeito de desligar nos momentos que não são cruciais para tentar olhar e pensar do lado de fora do furacão. Empreender nesse ramo de alimentação é saber que na maioria dos dias você estará trabalhando enquanto seus amigos estão no churrasco, mas sempre que consigo, eu estaciono o truck e corro pra lá. Com a família a mesma coisa, só que rola um cuidado especial com a Holy Girl (Bruna) que tem um dia da semana reservado para ela. No truck é ‘mó’ doideira, carrega, descarrega, monta, desmonta, olha pro céu e torce para não chover e também para não fazer aquele sol do agreste. São tantas variáveis que você aprende que não adianta sofrer por antecipação, o negócio é estar sempre pronto para vender o máximo que conseguir.

Quais são os planos de futuro do negócio?
O futuro é crescer, expandir, gostaria de te falar hoje que meu plano é abrir 10 lojas nos próximos 2 anos, mas por enquanto a meta 01 é abrir uma loja – nos mesmos moldes do truck – pede, paga, pega e come. Isso no ano que vem.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando, qual seria?
Queira mais do que qualquer coisa! Tenha claro pra você que mesmo quando você não quiser o seu negócio irá precisar de você. Que a qualquer momento você irá precisar dar mais um pouco da sua energia para ele continuar girando. E não esqueça, não faça mais do mesmo, disso o mercado está lotado!

Na tua opinião, qual o futuro do Brasil?
Em um país onde todos os que estão abaixo da grande cúpula dos políticos e megaempresários milionários, não passam de escravos do capitalismo, vou lutar para fazer as pessoas sentirem que vale a pena ser feliz com um bela pratada de macarrão. Tá difícil engolir que a gente trabalha 16 horas por dia para pagar a regalia dessa corja.

Como o público encontra você na rua?
Nossas redes sócias são nosso canal com o público, entra lá: @holypastafoodtruck no Insta e no Face e veja qual é a próxima parada. Se quiser falar com a gente aproveita e manda uma mensagem.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo

 

Desisti do Brasil… E eu vou falar o quê?

5 de outubro de 2018

Eu já sabia que ele tinha se mudado para os Estados Unidos. Tinha me avisado que estava criando uma empresa lá. Ele fora meu aluno e tinha criado uma empresa muito bem-sucedida no Brasil. Por acaso, duas semanas atrás, eu tinha conversado com um funcionário de uma empresa que revendia seus produtos: Esse produto é muito bom! Vende muito aqui! – disse o rapaz.

Fiquei muito feliz com este depoimento espontâneo.

Então, quando ele me enviou um WhatsApp dizendo que estava no Brasil e queria tomar um café comigo, arranjei um espaço na agenda e o encontrei no mesmo dia.

Gostaria de receber algumas dicas suas sobre como empreender nos Estados Unidos? – disse ele.

Como assim? – perguntei. Sou que aprendo com você! Eu só organizo e repasso para outras pessoas o que aprendo com empreendedores como você… – continuei.

Não, é que estou começando do zero lá e gostaria de receber algumas dicas. – explica.

Depois de ter discutido alguns aspectos do seu mercado nos Estados Unidos, conversado sobre algumas startups que estão fazendo muito sucesso e ficado de repassar alguns contatos na sua área, noto que não aparentava estar tão feliz indo para os Estados Unidos, o maior mercado do mundo.

E ele explica que decidiu repassar sua empresa no Brasil após inúmeras decepções, humilhações e insegurança física no país. E ele começou a listar…

Certa vez, enviei uma carga para o Rio Grande do Sul, e como é obrigatório arcar com o imposto antes, paguei cerca de 10 mil reais. Mas chegando lá, a empresa não quis receber a carga porque o pedido ainda não havia sido processado pelo sistema deles. O caminhão teve que voltar. Mas depois, na segunda tentativa, tive que pagar um novo imposto antecipado porque a data havia sido alterada. Pedi o estorno dos 10 mil reais iniciais, mas dois anos depois, nada foi depositado ainda.

Em outro caso, o comprador de um grande cliente me chamou para uma reunião às sete da manhã. Os funcionários nem haviam chegado, e ele, muito agressivamente, disse que precisava bater a meta de redução de custos e já tinha tirado o nosso produto do mercado e só recolocaria se reduzíssemos drasticamente nossos preços.

Essa mesma empresa (que agora diz que ajuda empreendedores) pagava só uma parte das vendas que tínhamos feito. Se vendêssemos um milhão de reais, ela pagava 700 ou 800 mil. Poderíamos processá-la e aí, além de ter a chance de não receber os 200 ou 300 mil devidos, ainda perderíamos mais de um milhão em vendas.

E isso acontece toda a semana… Certa vez, enviei uma pequena carga de uns mil reais para uma distribuidora. No dia e horário combinado, havia várias outras entregas atrasadas e o motorista teve que esperar três dias e dormir na cidade. Gastei quase quatro mil reais para, depois, tentar receber mil reais.

E se não bastasse o governo, os clientes, ainda tem os funcionários. Um antigo funcionário desviou mais de 300 mil reais. Ele descobriu a senha do banco e fazia pequenas transferências para um laranja, mas forjava extratos e controles. Como você nunca sabe quanto o cliente está, de fato, depositando, quanto e quais impostos estão sendo pagos, ou pior, sendo pagos novamente, o controle financeiro da empresa é sempre uma grande dor de cabeça. Por isso, tínhamos contratado o melhor profissionais entre os mais de 40 que entrevistamos. Mas um dia, o gerente do banco ligou dizendo que a conta estava negativa. Como assim negativa, se tínhamos dinheiro lá. Quando descobri, liguei para o advogado que alertou que, em nenhum momento, era para acusar o funcionário. Em casos assim, além de, talvez, não conseguir reaver o dinheiro, ainda seria processado pelo funcionário e teria que indenizá-lo. Naquela noite, o funcionário entrou no escritório, limpou sua mesa e todos os dados do seu computador e nunca mais apareceu para trabalhar… Ele sabe tudo da minha vida. Eu tenho família, filhos pequenos…

Mas e nos Estados Unidos? – pergunto.

Lá a palavra vale. O que combinado é cumprido. Se digo que falei com tal pessoa no dia anterior e vim para fazer uma entrega, eles acreditam. Todos os pagamentos são eletrônicos e o que está na nota fiscal é pago integralmente. Se há algum problema no valor, é possível enviar uma nota fiscal com valor negativo e o ajuste é feito instantemente.  E se faz alguma coisa errada, você é preso. A lei funciona…

Despeço-me dele, combinando de visitá-lo logo!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação

 

 

 

 

As máquinas de macarrão de Tatuí

1 de outubro de 2018

Esta é a história de Giovanni Visciglia, dono da Italvisa – a mais importante fábrica de máquinas para massas artesanais do Brasil. Filho de italianos, casado com Sybelle e pai de Giovanna e Enzo, ele conta como foi assumir a empresa familiar e os desafios do Brasil.

Como foi o começo da Italvisa?

Meu pai Vincenzo e seu irmão Giovanni vieram da Calábria, eram filhos de ferreiro e trouxeram o oficio com eles. Montaram uma oficina mecânica em Tatuí (interior de São Paulo, próximo a Sorocaba) que fazia serviço de torno, solda e desenvolvia equipamentos. Um desses equipamentos foi uma extrusora de massas. A primeira máquina foi vendida para um amigo da cidade. O equipamento ficava exposto e chamou a atenção do Toninho do Jardim di Napoli, que tem propriedades em Tatuí, e com isso iniciaram as vendas baseado no boca a boca.

Você escolheu trabalhar no negócio da família?

Sempre acompanhei meu pai dentro da oficina. Era uma maneira que ele tinha de estar perto e nos ensinar um oficio. Então o envolvimento com o negócio foi natural. Aprendi a soldar, tornear e montar. Todo o conhecimento que meu pai tinha, ele me passou. Em um determinado momento resolvi levar os equipamentos para a feira, apoiado e incentivado pela minha namorada e atual esposa. Ideia que no início não foi aceita pelo meu pai porque o custo era significativo. Então comecei a assumir os desafios e responsabilidades do negócio. A feira me mostrou que havia um mercado e um caminho e, com a ajuda do Sebrae, fomos trilhando. A cada feira novos clientes e novos parceiros foram surgindo.

Como a família participa no empreendimento?

Hoje divido a administração do negócio com minha esposa, que roubei da área artística, ela é musicista.  Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal”  das pessoas.

Como é isso?

Acho que a vida do empreendedor é como a de um caçador, que fareja as oportunidades, vai atrás do seu sustento e segue seu instinto. Pois nos mantemos sempre em estado de alerta. Claro que depois de um tempo aprendemos a curtir um pouco da vida e saímos com a família para passear!

Quais são os planos de futuro do negócio?

Estamos comprometidos em fabricar equipamentos com qualidade e durabilidade, o que tem favorecido o crescimento no mercado interno e externo.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando no teu setor, qual seria?

A burocracia está cada vez mais consumindo o tempo do empreendedor e não são todos que têm tempo e disposição para se preocupar com tantos detalhes. Empreender é colocar em prática ideias e sonhos que acabam sendo descontinuados com tantas dificuldades que encontramos pela estrada. Então, não desanime.

Qual o futuro do Brasil?

O Brasil, como uma empresa, tem o resultado da maneira que é gerenciada. Não é possível crescer e roubar ao mesmo tempo. É necessário colocar metas, governança, ordem e acima de tudo, respeito pelo Brasil. Se o País voltar a ordem, teremos um bom crescimento, pois o mercado da massa fresca se firmou nesses últimos anos.

Conheça mais:

Site: www.italvisa.com.br

E-mail: contato@italvisa.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)