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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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A indústria com seu próprio varejo

17 de julho de 2018

Cada vez mais, a indústria vem buscando a multicanalidade e atuar diretamente no varejo, diminuindo intermediários, por vários motivos.

Um deles é que as margens estão insistindo em diminuir e não cabem mais tantos players, dividindo as fatias de um bolo que anda “mirradinho coitado”.

Outro aspecto é a insatisfação no modus operandi de atacadistas, distribuidores, representantes, além das negociações e imposições de grandes marcas que, também, deixam a desejar na forma de expor produtos e tratar os consumidores.

E, em todos os setores, a indústria cresceu e cresce através das multimarcas, até se encantar com a possibilidade de ter a SUA MARCA exposta grandona ASSIM!

Aí, já viu, vira sonho, desejo de consumo e qualquer clichê desses.

As “desculpas” vêm com questões como posicionamento da marca, consolidação do mercado, aumento do market share, mas elas nascem por questões ainda maiores, talvez, como valorização pelo consumidor, oferecer uma experiência melhor de consumo de seus produtos, já que os que as tem em seus portfólios de produtos, ou negócios, não estão fazendo a contento. Outro objetivo é ampliar o leque de negócios e aumentar o controle de todos os processos que envolvem da produção à chegada dos produtos nas mãos desse consumidor, que todos estão ávidos por conquistar mas, nem sempre manter.

A grande sacada está em trazer, à indústria, a agilidade do varejo e suprir o varejo com a cultura de gestão por processos enxutos e eficazes. Mão de obra qualificada em todas as frentes e tecnologia acessível (que permite a viabilidade do negócio), de ponta, favorecendo a gestão do negócio e o contato com o consumidor.

No meio disso tudo, temos os jovens cérebros que são, ao mesmo tempo, os consumidores e a mão de obra tão desejada e conhecedora deste novo universo de propósitos de negócios e consumo. Os grey hair entram com sua experiência e conhecimento de mercado, produtos, logística à moda antiga aliado a perguntas que só os mais jovens sabem responder.

O velho questionamento de que a indústria não tem cultura de varejo é tão passado que nem data tem mais. Haja visto quantas marcas vemos nos corredores dos shopping centers ou expostas ao longo de ruas comerciais ou malls.

Interessante observar o número crescente de negócios com marcas vindas de produtos da indústria, seus acertos e erros, os ambientes criados, as propostas e “o que há por trás disso”. As parcerias são possíveis e muito ricas, favorecem a ampliação do conceito de negócio, assim como a inovação, que se transformam em grandes redes de franquias..

Quem ganha com tudo isso? Nós, consumidores.

Vá lá, os arquitetos, consultores e advogados também! E ficamos orgulhosos quando nossa assinatura, nestes projetos, resultam em propostas de valor a todos. Cheers!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

As botas de Schumpeter, o Empreendedor e a “sina do inovador”

17 de julho de 2018

Lembro com saudade dos meus alunos de MBA que, mais de vinte anos atrás, achavam pitoresca a insistência de Joseph Schumpeter em preconizar que os ciclos econômicos seriam dominados por empreendedores que, fazendo da inovação tecnológica sua bandeira, lançariam as bases do capitalismo dos novos tempos. Eram os idos de 1939. Agora, 80 anos depois, fala-se somente em empreendedorismo e em inovação. Pitoresco, não?

Schumpeter era uma figura fora do comum. Economista brilhante, discípulo da celebrada Escola de Viena, com o advento do nazismo na Europa migrou para os Estados Unidos onde, em 1932, começou a lecionar na Harvard University. Lá, ele deixou uma longa lista de discípulos fieis, apaixonados por suas teorias, que vislumbravam um futuro inovador; e, também, a lembrança das suas aristocráticas botas de cano alto e de suas calças de montaria, das quais não se separava nem em sala de aula. De fato, Schumpeter foi o filho visionário de duas épocas, preso entre mundos que estavam mudando em ritmo acelerado, contemporaneamente inebriados pelos ritmos dos loucos anos 20 e assustados pelo fragor dos morteiros de uma nova guerra de alcance mundial, que estava por vir.

É genial a ideia de Schumpeter segundo a qual a inovação tecnológica impulsiona a atividade do empreendedor na direção de obter, não somente o merecido lucro, mas também, lucros extraordinários, ou seja, lucros acima da média do mercado. É o caráter extraordinário desses lucros que estimula novos investimentos e novos entrantes naquela indústria, fugindo de outras, que não apresentam a mesma performance e os mesmos retornos sobre capital.

A possibilidade de transferir capitais entre diferentes indústrias de distintos setores da economia democratiza o fluxo de recursos financeiros e, certamente, aumenta a possibilidade de um maior número de empreendedores obterem financiamentos para seus projetos. Desta forma, suas ideias inovadoras podem sair do papel e transformar-se em realidade produtiva, criando empregos e riqueza, e pagando impostos.

Olha só: acabamos de desenhar, na sua essência, o ciclo econômico virtuoso!

Entretanto, -conforme adiantei em outro artigo publicado em 22 de maio passado, neste blog-, a facilidade que os fluxos de capital têm de migrarem de indústria em indústria acaba criando aquela condição que apelidei de “ sina do inovador”, que pode ser resumida no seguinte moto: “uma vez inovador, sempre inovador”.

Tal condição pode ajudar a entender a necessidade contínua de inovar, por parte de quem já inova constantemente.

Resumidamente, existem dois fatores primordiais, que obrigam o empreendedor a criar seu próprio estoque de obsolescência tecnológica (leia-se: a inovar), para poder continuar a oferecer produto novos, tanto em mercados B2C como B2B:

1)      O primeiro fator deriva diretamente da mobilidade dos fluxos de capitais, que podem migrar rapidamente de setor em setor e de empresa em empresa. Nosso empreendedor-inovador deverá continuar a performar positivamente, oferecendo aos investidores lucros acima da média, sob pena do capital ir para outras indústrias. Tarefa, essa, bastante invulgar, por sim só…

2)     O segundo fator é ligado à manutenção do próprio market share. O inovador deve continuar a inovar, criando novos mercados, para poder dominá-los e garantir sua fatia de mercado. De outra forma, outros seguidores virão dividir com ele seu market share, tornando seus lucros sempre menos extraordinários e estimulando, assim, uma fuga de capitais para outros players e outros setores. Não é por acaso que a Apple lança um novo modelo de iphone com periodicidade predefinida e pontualidade britânica, mesmo que o produto não esteja totalmente aperfeiçoado.

Quem falou que inovar seria fácil e rentável, desde o começo?

Acabamos de desenhar o cenário mais calamitoso que possa existir para a atividade do empreendedor-inovador.

Como esse perigo pode ser afastado e como esse quadro pode ser revertido? No próximo artigo, falaremos de inovação disruptiva (ou não).

Luca Borroni-Biancastelli é PhD em Economia e Teorias Econômicas, co-fundador e Dean da Brain Business School, conselheiro emérito da UNICON-Consortium for University-based Executive Education, conselheiro, professor universitário e empreendedor.

 

A nova mulher empreendedora

16 de julho de 2018

No mundo todo, são 274 milhões de mulheres empreendedoras em 74 países, conforme o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016/2017.

É uma grande conquista da globalização e das novas tecnologias a derrubada das barreiras que limitam o comércio entre países. Acima de tudo, a globalização está derrubando as diferenças que limitavam o comércio entre países por cultura, raça ou, como é o caso desta pesquisa, de gênero. Em vista destas informações, muitos governos estão estimulando o empreendedorismo feminino, pois é notório que as mulheres investem – em sua grande maioria – até 90% mais na saúde e educação de seus empregados e de suas comunidades.

Aqui estão alguns dados interessantes do GEM Report:

1. Mais de 20% de mulheres do que homens citam a “oportunidade” como a motivação para iniciar o próprio negócio nas economias emergentes ou pobres. Já em economias mais inovadoras e tecnológicas, as mulheres têm até três vezes mais motivação com foco em oportunidades.

Detalhe: a visão de oportunidade em negócios - Total Entrepreneurial Activity (TEA) - é uma medida considerada muito importante para calcular a capacidade de empreendedorismo de uma comunidade.

2. O relatório indica que as mulheres têm 5% maior capacidade de inovação nos negócios do que os homens, em todos os 74 países.

3. Surpreendente é a notícia de que a atividade empreendedora das mulheres cai consideravelmente com a prosperidade econômica. América Latina e Ásia, com economias emergentes, mostraram a maior igualdade empreendedora entre homens e mulheres. Já nas economias mais tradicionais, como na Europa e nos Estados Unidos, a estabilidade faz que a mulheres tenham até 40% menos presença em novos empreendimentos.

4. Nas economias mais desenvolvidas, mais da metade das mulheres empreendedoras se dedicam a negócios nos setores públicos, de saúde, serviço social e de educação. São setores de grande fator humano e de relacionamento, considerado um dos pontos fortes do modo de empreender feminino.

5. A atividade empreendedora entre as mulheres também cai na medida do aumento do nível de escolaridade. Isso faz pensar que o estudo não seja tão preponderante para empreender. Ou pode estar relacionado com o item anterior. O relatório cita um caso específico no Sudão, onde um campo de refugiados houve o surgimento de novos mini-empreendimentos, majoritariamente de mulheres.

Aqui no Brasil, ao mesmo tempo que estamos congelados pela crise, é justamente neste cenário onde as mulheres se destacam na busca de oportunidades de empreendimento, inovam e prosperam.

É importante citar o trabalho que duas brasileiras vem fazendo, percorrendo o mundo coletando e documentando as diversas formas de empreendimento feminino, com o projeto The Girls on the Road. O projeto de Taciana Mello e Fernanda Moura começou em 2016, e já tive oportunidade de escrever um pouco naquela ocasião. Continua sendo muito válido e importante.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

A organização (perdida) no mundo das maravilhas da Quarta Revolução Industrial

13 de julho de 2018

A questão para cada organização não é mais se eu serei disrupado, mas quando a disrupção ocorrerá e de que forma?” – alerta Klaus Schwab, fundador do World Economic Forum e autor do artigo “Welcome to The Fourth Industrial Revolution” (Rotman Management Magazine, Fall 2016). Seu artigo, que resume a percepção de uma parcela majoritária e crescente dos principais líderes executivos ao redor do mundo, só acelerou o temor das organizações a respeito do seu futuro, não em um momento longínquo, mas nos próximos dez e, em casos mais graves, nos próximos cinco anos.

Organizações tradicionais muito hierarquizadas, com altos custos operacionais e lentas passam a lidar com clientes altamente conectados, bem informados e cada vez mais exigentes e a enfrentar novíssimos concorrentes que surgem leves, eficientes, rápidos e, especialmente, inovadores. Por isso, estas organizações estão tão ávidas pelas promessas das maravilhas da tal Quarta Revolução Industrial aclamada por Schwab e oportuna, e muitas vezes sorrateiramente, por muitos consultores que enxergam situações oportunísticas para baterem suas metas de vendas comercializando soluções de Big Data, AI, IoT, blockchain, Machine Learning, Open Innovation e outros neologismos que estas organizações não sabem ou não estão preparadas para realmente consolidarem vantagem competitiva real e sustentável e, principalmente, para alcançarem a transformação digital e se tornarem organizações exponenciais, dois conceitos populares, que quase sempre entram um nababesco vazio de “so what?”.

Estas organizações, que caem neste buraco digital e entram no mundo das maravilhas da Quarta Revolução Industrial que são realmente incríveis, de um lado, mas ameaçadoras para quem está do outro lado do espelho, deveriam considerar as reflexões de Alice no País da Maravilhas, livro escrito por Lewis Carroll em 1865.

Neste mundo como no nosso atual, diversos coelhos brancos passam apressados alertando: “Quanto é para sempre? Às vezes, isto dura apenas um segundo…”. No mês passado, a Amazon comprou a PillPack, uma startup autorizada a comercializar remédios nos Estados Unidos e todas as redes farmacêuticas do país entraram em desespero. Elas se juntarão à Borders, Sports Authority ou Toys ‘R’ Us, que dominaram seus mercados e desapareceram? E aí, passa outro (senão o mesmo) coelho branco mais apressado ainda: “Quando mais rápido eu vou, mais para trás eu fico…

Quando a Amazon entra em mercados tão díspares, a pergunta da lagarta para Alice também passa a fazer sentido para as organizações tradicionais. “Quem é você?” – pergunta a lagarta. “É difícil responder… Eu sabia quem eu era quando acordei esta manhã, mas eu acho que eu mudei muitas vezes desde então…”. Nesta nova dimensão já não faz mais sentido pensar em como será o seu negócio ontem e amanhã. Fabricantes de carruagens que investiram na “carruagem do amanhã” quebraram assim como os fabricantes de velas nunca teriam inventando a lâmpada. “Não faz sentido pensar no ontem porque eu era uma pessoa diferente…” – Explica Alice.

Mas neste exato momento em que muitas organizações se sentem perdidas no mundo das maravilhas da Quarta Revolução Industrial, a passagem mais importante do livro, sendo inclusive capa de muitas edições, precisa ser profundamente compreendida.

Poderia me dizer, por favor, para onde eu devo ir?” – pergunta Alice ao Gato que Ri. “A resposta depende de onde você quer chegar…” – responde o Gato. “Eu não me importo muito com isso.” – diz Alice. “Então, qualquer caminho serve…” – retruca o Gato.

Por isso, para não se perder, antes de entrar neste mundo vendido constantemente maravilhoso, defina-se como organização e crie objetivos, indicadores e metas (mesmo que tenha que mudá-los amanhã) para inovação, transformação digital e qualquer outro coelho branco que aparecer pela frente.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

Um banco diferente

11 de julho de 2018

O que é o crime de assaltar um banco comparado ao crime de fundar um?” O autor dessa frase, Bertold Brecht – dramaturgo, poeta e romancista alemão; considerado um dos grandes pensadores do nosso tempo – não viveu para conhecer um novo modelo de banco: uma organização creditícia, que pensa primeiro nas pessoas, antes de aferir o resultado financeiro. Ao ser entrevistada por Antônio Abujamra, em 2011, Alessandra França, diretora-presidente do Banco Pérola, sorriu ao ouvir a frase. A banqueira às avessas classificou a elaboração como parte de um capitalismo selvagem, muito distante do empreendedorismo de impacto social que defende. Participante de um processo de aceleração da Artemisia, em 2009, a empreendedora tem acumulado grandes conquistas; recentemente, ela ganhou o Prêmio Profissional do Ano da ANEFAC, na categoria Jovem Talento.

Alessandra nasceu em Guaraniaçu, uma pequena cidade do Estado do Paraná. É filha de agricultores que lutavam muito contra a seca. Após um período de estiagem, a família perdeu a lavoura e decidiu partir para a cidade grande em busca de melhores condições de vida. Os pais escolheram o município de Sorocaba, em São Paulo, onde passaram a residir em um bairro periférico, próximo às indústrias. A experiência familiar, uma bolsa de estudos e um projeto social foram os ingredientes para transformar Alessandra França – formada em Marketing e com MBA em gestão de pessoas e finanças com ênfase em bancos – em uma das empreendedoras sociais mais inspiradoras do Brasil.

Alessandra comanda o Banco Pérola, organização voltada à concessão de crédito para nanoempreendedores, microempreendedores e empresas de pequeno porte. Com um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios – um dos diferenciais do negócio – criou um canal direto com o investidor para garantir taxas mais competitivas, serviço ágil e adequado ao tamanho das empresas atendidas. Alessandra trabalha com o chamado microcrédito produtivo orientado, que auxilia o empreendedor a fazer o melhor uso do dinheiro recebido. De 2010 a 2016, o Pérola apoiou 1.143 pessoas diretamente e 4.572 indiretamente; números que têm crescido ano a ano. Em 2017, o valor concedido foi de R$ 1.049.125,26; no acumulado dos últimos oito anos, o montante de R$ 8.768.686,32. Grande parte desse valor foi emprestado a mulheres empreendedoras da base da pirâmide. Há quatro anos, o Pérola conseguiu aprovar o fundo de investimento na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) e hoje atua com uma plataforma de microfinanças.

Alessandra gosta de citar que a etimologia da palavra “crédito” tem origem no latim creditum, particípio passado de credere: acreditar, confiar. No dicionário da Língua Portuguesa, crédito é um substantivo que significa confiança que inspira as boas qualidades de uma pessoa; confiabilidade, credibilidade. Com o Banco Pérola, Alessandra França resgatou o sentido bonito e nobre da palavra.

* Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

(Finalmente) cientistas estão indo para as empresas, neste caso, startups

6 de julho de 2018

Curiosidade. Inquietude. Identificação do problema. Seleção do método de pesquisa. Coleta de dados e informações. Condução da pesquisa. Análise dos resultados encontrados. Avanço do conhecimento e… aplicação em uma startup!

O currículo do Giovani Chiachia é incrível. Graduado em sistema de informação pela UNESP, mestrado em ciência da computação pela mesma instituição, doutorado e pós-doutorado no mesmo assunto pela Unicamp, pesquisador do instituto alemão Fraunhofer e da Universidade de Harvard. Teria condições de ser um brilhante acadêmico em qualquer universidade brasileira ou do mundo, mas se tornou cientista-chefe da sua própria empresa, a SAFFE Payments, uma solução de pagamento via reconhecimento facial, sua área de pesquisa científica.

Em um momento em que o avanço tecnológico é tão drástico e disruptivo, os cientistas se tornam cada vez mais imprescindíveis em organizações que buscam inovações tecnológicas radicais. E nenhum país leva tão à serio isso quando a China. O país vem aumentando exponencialmente o investimento em desenvolvimento científico, a remuneração dos pesquisadores e formando mais cientistas do que o resto do mundo… somado. Neste ano, pela primeira vez na história, segundo dados da National Science Foundation (NSF), a China passou os Estados Unidos em número de artigos científicos publicados. Este movimento também é percebido nas startups. A Tencent, que há muito tempo deixou de ser uma, com valor de mercado próximo dos US$ 500 bilhões e que ruma para ser a primeira empresa do mundo a valer US$ 1 trilhão, emprega cerca de 22 mil cientistas. Isto significa que metade dos seus colaboradores se dedicam a desenvolver novos conhecimentos científicos em inteligência artificial, big data, IoT, segurança digital, saúde ou qualquer outra área que está na fronteira do conhecimento.

Durante muito tempo, o destino de boa parte dos mestres, doutores e pós-doutores e outros cientistas lato sensu era se tornar um acadêmico que seria cobrado pela publicação de papers ou gasto extra para cumprir alguma regra do MEC de proporcionalidade. Outra opção seria ser subvalorizado como funcionário de alguma empresa privada. Ou ainda ter algum subemprego em alguma área não relacionada a sua área de pesquisa.

Mas a natureza inovadora das startups vem abrindo oportunidades para este tipo de formação acadêmica que integram desenvolvimento profissional, remuneração financeira e interesses científicos e tecnológicos.

Além de pesquisadores nas áreas específicas em que cada startup atua, há um falta generalizada de cientistas de dados, de inteligência artificial e, cada vez mais, do comportamento humano. Neste sentido, cursos que eram coadjuvantes nos vestibulares como estatística, matemática, física e antropologia se tornam protagonistas no desenvolvimento de muitas inovações levadas ao mercado pelas startups.

Para cientistas assim como o Giovani, há muito mais vida além dos papers e dos parecistas quando você tira suas ideias, literalmente, do papel.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper e Coordenador de Área de Pesquisa para Inovação da FAPESP.

 

Bolovo?

2 de julho de 2018

Você conhece a Bolovo? Não? Tudo bem, não fique preocupado, isso é normal se você tem mais de 30 anos. A Bolovo já é um fenômeno, não apenas pelo sucesso do que eles fazem, mas também como fonte de inspiração para novos empreendedores. Vale a pena saber mais da empresa (e do modelo de negócios) que Deco Neves e Lucas Stegmann criaram e na qual ganham a vida – literalmente – se divertindo. A Bolovo é uma produtora de vídeos, que tem também uma marca de roupa, e que também faz festas.

Tudo começa lá por 2006, quando Deco e Lucas começaram a andar juntos aos 15 anos e foram fazendo viagens, vídeos, andando de skate, umas e outras loucuras, e começaram a tentar ganhar algum dinheiro com tudo isso para manter a festa sempre rolando. A resultado é difícil de definir, fácil de admirar. Em resumo, eles fazem o que dá na telha. Eu diria que é a volta – renovada – do velho lema punk: faça você mesmo. E eles fazem bem feito.

O Deco Neves me deu uma entrevista onde conta mais da Bolovo.

Como você e o Lucas se conheceram e se tornaram sócios?

Nós somos amigos desde os tempos da escola, e nossa sociedade foi se formando de forma natural quando começamos a gravar e fotografar algumas coisas juntos. E por interesse fomos estudando mais e apreendendo mais, e temos tentado manter essa mentalidade até hoje.

Me fala um pouco do que vocês fazem – e porque dá tão certo.

Assim, ‘certooo certoooo’ nem sempre dá. Acho que um ponto fundamental de tudo e que tentamos se manter muito firmes aos nossos ideais, e vamos nos moldando a cada fase que vivemos. Começamos fazendo vídeos e tirando fotos de viagens e roles com os amigos quando tínhamos uns 15 anos. Depois começamos a fazer algumas coberturas de eventos para ganhar nossos primeiros trocados. Inventamos uns vídeos com roteiro e sempre trabalhando muito fomos evoluindo. Por volta de 2009, assinamos com a MTV para criar/dirigir e apresentar 30 programas de 15 minutos, sem nunca antes ter trabalhado na TV. Foi um desafio enorme e depois vieram outros maiores ainda nos outros cinco anos que passamos lá. Durante esse período, fazíamos roupas, mas nunca de forma continua, o foco era mesmo o trabalho de produção de vídeo e conteúdo.  E isso gerou trabalho com diversas outras marcas. Mas chegou uma hora que nossos caminhos se separam com a MTV e começamos a focar na roupa e em contar nossas próprias histórias.
A partir de 2016 o foco maior da Bolovo mudou para a marca e abrimos nossa primeira loja em Pinheiros, São Paulo. Desde então tem sido muito interessante ver o crescimento da marca e também da empresa como um todo.

Como você e o Lucas dividem as atividades na gestão da empresa? O que cada um faz?

Nós fazemos muitas coisas e todo mundo participa um pouco de tudo. Mas tem algumas áreas de expertise que se dividem um pouco mais, o Lucas é responsável pela parte de vídeos, eu fico mais responsável pela confecção e administrativo e a Luiza que é nosso braço direito em tudo é nossa responsável pelo RH e produção de tudo.

Qual foi o maior perrengue que passaram?

Já perdemos três dias de imagens gravadas, nosso ônibus já quebrou indo caminho da casa do Ronaldinho Gaúcho e quase perdemos uma exclusiva com ele, tivemos que pedir carona pra atravessar a Rússia. Ficamos sem dinheiro na conta diversas vezes. A gente sempre passa por muito perrengue, empresa pequena é sempre assim. Já tivemos que ficar muitas noites em claro ou finais de semana pra resolver pepinos. Acho que não existe outro jeito de superar qualquer coisa do que com esforço. Nós temos entendido cada vez mais como o planejamento é importante também para ajudar a superar e evitar problemas. Mas além disso que é o básico de qualquer empresa temos o lema de sempre tratar bem as pessoas e tentar ter uma atitude positiva em relação aos problemas. Tratar bem as pessoas é muito importante.

Qual o maior acerto?

A maior vitória acho que é continuar junto depois de tanto tempo, a Bolovo como empresa já tem mais de 10 anos, e ainda termos muita motivação pra fazer as coisas. As histórias que temos pra contar graças a Bolovo fazem tudo valer a pena. É isso que motiva a gente.

O que querem no futuro da empresa?

Queremos ser cada vez mais independentes financeiramente para produzir nossas ideias, queremos cada vez fazer produtos melhores e continuar tendo momentos de diversão enquanto trabalhamos.

Como você se vê daqui a 30 anos?

Eu espero poder estar ajudando mais na formação da molecada. Tenho muita vontade de ajudar o pessoal mais jovem a por a mão na massa mesmo. Não estar acima do peso, continuar fazendo coisas por ai pra ter novas histórias e estar com meus amigos por perto.

Últimas:
A Bolovo fez parceria com a Rider, aqui o resultado: https://vimeo.com/274030124
Site: www.bolovo.com.br
Bolovo Ministore: R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 47

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).