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Blog do Empreendedor
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O Admirável Móvel Novo do Estúdio Gloria

30 de julho de 2018

Esta é a história da Karina, do André e da filha Serena, de 13 anos. Uma família de empreendedores de São Paulo, que mistura arte, design, arquitetura e reality show.

André Lima é publicitário e arquiteto. Karina Vargas é formada em moda e design de interiores. “Quando nos conhecemos, há 20 anos, a Karina já era formada em moda, e eu nem formado era… hahaha”, lembra André. Foi com ele que conversei na sede do Estúdio Gloria em Cotia, a 20 minutos de São Paulo, rodeado de móveis multicoloridos, objetos de design retrô e com vista para um jardim de árvores frutíferas com vasto horizonte. O astral do lugar é de absoluta paz e cantos de pássaros, o que combina bem com o vizinho templo Budista Tibetano Odsal Ling – um templo muito lindo e pouco conhecido do público (aberto a visitação aos sábados).

Como foi que vocês se conheceram?
Era 1998 e eu cursava publicidade na FAAP. Por indicação de um amigo comecei a trabalhar em um estúdio fotográfico sem saber nada do assunto. Eles atendiam uma grande conta de varejo e acabei sendo escalado para atender esse cliente como executivo de contas. Adivinha quem era a produtora? Sim, a Karina. Eu um garoto recém-saído das fraldas e ela um mulherão. Acabamos nos dando muito bem, mas eu achava que ela não era para o meu bico hahaha. No fim não desgrudamos mais um do outro. E estamos até hoje juntos :-)

Que época era aquela?
Era uma época muito boa para trabalhar com fotografia. Trabalhávamos muito, mas éramos bem remunerados. Tempos depois eu e a Karina abrimos o próprio estúdio e atendemos grandes contas por 11 anos, até 2009! Eu ainda sai por um tempo, trabalhei em agencias, tive uma produtora de trilha sonora, até voltar como sócio da Karina em 2005, quando a nossa filha Serena nasceu.

Passaram por algum perrengue? E como o superaram?
Foram vários. Mas em 2009 foi o maior, quando fechamos o estúdio de fotografia. Foi muito difícil, tivemos que nos reinventar depois de anos navegando em mar tranquilo. Foi quando decidimos nos dedicar de corpo e alma ao Estúdio Gloria, até então uma “brincadeira”.

Como o Estúdio Gloria veio a se transformar na grande referência estética que é?
A Karina acabou desenvolvendo uma verdadeira loucura por móveis antigos. Sabe gente que começa a resgatar animais abandonados e passa do ponto? Pois é, com ela acontece igual com móveis. Ela juntou centenas de móveis desde sempre. Acho que já sabia o que queria. Até que em 2007, quando ainda tínhamos o estúdio fotográfico, ela organizou um bazar em nossa casa em Cotia para vender alguns deles. Mas antes resolveu reformar todos usando cores e estampas. Sem saber, ela acabou ali criando um negócio e uma nova linguagem de mobiliário, a partir do reaproveitamento de móveis descartados. Aliás, é bom lembrar que nessa época aqui no Brasil móvel antigo era totalmente desvalorizado. Literalmente jogado em caçambas de lixo.

Se você pudesse dar uma dica a quem está começando agora, qual seria?
O mais importante é: tenha capital de giro hahahaha. Mas também paixão pelo ofício e muita persistência. Nós, mesmo sabendo do nosso propósito e amando o que estávamos criando, quase desistimos algumas vezes. Quando nada dá certo acho que é natural achar que estamos errados. Empreender é difícil. Escuto amigos falando em bônus e 13 salário e fico com um pouco de inveja hahaha, mas passa rápido.

A família tem um estilo de vida todo especial e único, parte vivendo no meio de projetos de arte, de design, e parte na frente das câmeras de uma reality show de sucesso.  Como é isso?
Acho que todas as dificuldades que passamos acabaram por transformar a família toda. Naturalmente fomos revendo valores. O meio de publicidade é fútil e tivemos que nos desprender de tudo. Ao mesmo tempo ficamos muito unidos, nós três. A Serena cresceu vendo nossa luta de empreendedores, não sei como ela vai lembrar dessa fase da vida dela, mas acho que será positivo. Quando recebemos a proposta de gravar o programa da GNT “Admirável Móvel Novo”, num formato de reality, abrimos nossa vida, somos uma família que trabalha junto e que temos uma linguagem estética própria.

A vida de vocês mudou muito depois da TV?
Quando essa história de programa começou não imaginávamos o que aconteceria. Não mudou muito. Não ficamos ricos (rs). Continuamos trabalhando até mais, porque a crise atingiu em cheio o mercado de decoração. Mas o programa só trouxe coisas boas e a energia das pessoas que gostam do programa e nos procuram é sempre muito bacana. É gostoso.

Quais os próximos projetos de vocês? Novas temporadas na TV?
Temos uma nova temporada gravada que estreia em agosto e vai até novembro (assistam no GNT!). Ideias não faltam. Nosso negócio foi se transformando e hoje estamos mais dedicados a projetos de decoração do que propriamente compra, reforma e venda de móveis como era no início. Incrível, mas tivemos que nos reinventar novamente!

Como é o trabalho além da TV?
É legal que com o programa recebemos convites para palestras, muita gente quer nos ouvir. Isso é incrível. E viajar é o que mais gostamos de fazer, porém nossa inspiração vem do Brasil mesmo. Amamos a Bahia, o Nordeste, e se existe algum plano é que se um dia conseguirmos nos aposentar é pra lá que vamos.

Como é a rotina de trabalho?
Não tem rotina hahahaha. Hoje em dia viajamos todo o Brasil. Amanhã, por exemplo, embarcamos todos para Itacaré para finalizar uma pousada de uns estrangeiros. Temos projetos e consultorias em andamento com restaurantes e hotéis. Escolhemos apenas projetos que nos empolguem. Queremos difundir nossa linguagem de decoração, um conceito que chamamos de Casas com Alma.

A propósito, não percam: sábado, 11 de agosto, vai acontecer um grande Bazar aberto ao público na enorme propriedade, onde estarão à venda grande parte do acervo, dos tesourinhos garimpados pelo casal em suas viagens pelo interior do Brasil. Mais informações www.estudiogloria.com.br.

Serviço:
www.estudiogloria.com.br
E-mail: contato@estudiogloria.com.br
Fone: (11) 4551-7889

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

Não é culpa das lingerie techs! Por que grandes corporações podem cair do salto alto como a Victoria’s Secret?

27 de julho de 2018

Nubian Skin/Site

Em fevereiro de 1999, a Victoria’s Secret parou, literalmente, a internet. Depois de anunciar no Super Bowl que transmitiria, pela primeira vez, seu desfile de lingerie pela internet, cerca de um milhão de usuários já se conectou ao site, mantendo seus modens ligados durante uma semana ininterruptamente até o desfile iniciar. Na hora, mais de quinhentos mil visitantes também entraram, derrubando o site e tornando a internet mundial mais lenta. Mesmo a transmissão sendo um fracasso, aquilo só aumentou o interesse e desejo pela marca e suas angels.

Quase 20 anos depois, agora a Victoria’s Secret também vem chamando a atenção de milhões, mas milhões de pessoas criticando a empresa. As críticas não vêm só de fora e inclui funcionários da empresa e até a modelo Adriana Lima, um dos principais rostos (e corpos) da empresa. Em desabafo no final de 2017, ela postou em sua rede social: “Eu recebi uma chamada com a possibilidade de filmar um vídeo sexy meu, para ser postado e compartilhado nas mídias sociais. Mesmo que eu já tenha feito muito disso, alguma coisa mudou em mim, quando uma amiga se aproximou para compartilhar que ela estava se sentindo mal com seu corpo, e isso me fez pensar… que todos os dias em minha vida, eu acordo pensando, como estou hoje? Será que eu seria aceita para meu trabalho? E nesse momento eu percebi que a maioria das mulheres provavelmente acordam todas as manhãs tentando se encaixar em um estereótipo imposto pela sociedade/mídias sociais/moda e etc. Acho que isso não é maneira de se viver, além de não ser fisicamente e mentalmente saudável, decidi fazer uma mudança. Não vou tirar minhas roupas por uma causa vazia“. O resultado dessas críticas é traduzido em números: quedas constantes nas vendas de lingerie e redução de cerca de 50% no preço das ações da holding que controla a Victoria’s Secret no primeiro semestre de 2018.

Mas qual a grande mudança para estes dois momentos da mais conhecida marca de lingerie do mundo? Nenhuma! A Victoria’s Secret continua a repetir, ano após ano, a mesma receita que a tornou mundialmente conhecida em 1999. Subiu no salto e lá ficou. O mesmo produto, a mesma mensagem, o mesmo padrão de show (talvez mais sofisticado) e a mesma relação com as mulheres, que por um detalhe óbvio, é o seu mercado.

Nas últimas décadas, as mulheres se tornaram mais protagonistas de suas vidas, ativistas dos seus direitos e, principalmente, empreendedoras dos seus destinos. E são algumas dessas empreendedoras que começam a ter vitórias sobre a gigante das lingeries inovando em demandas das mulheres que há muito tempo não são segredos para ninguém.

A primeira delas é considerar a visão feminina e não a masculina da lingerie. Tanto a Victoria´s Secret como várias outras marcas e coleções foram criadas por homens e sua percepção do que a mulher deveria vestir para lhes agradarem. Cansada desta visão, Michelle Cordeiro Grant, saiu da própria Victoria´s Secret para criar a Lively, uma startup de roupas íntimas femininas que privilegia, segundo ela, o que torna a mulher verdadeiramente mais sexy atualmente: inteligência, saúde, proatividade e animação. A Lively já recebeu investimentos de US$ 8,5 milhões e cresce sem parar.

Outra coisa que não é segredo é que o mundo não é P, M e G. Heidi Zak trabalhava no Google, mas nem com o mecanismo de busca conseguia achar um sutiã perfeito para o seu corpo. Largou a melhor empresa para se trabalhar no mundo para fundar a ThirdLove, uma startup que comercializa roupas íntimas femininas com 15 estilos de sutiãs em 70 tamanhos diferentes. Já captou cerca de US$ 14 milhões de investidores.  A mesma abordagem é inovada por outras lingerie techs como True&Co, Harper Wilde e Bandit.

Além disso, já ouviu falar em lingerie cor-de-pele, ou para ser mais atual, cor nude, não é? Ade Hassan também. Entretanto, ela é negra. Então, obviamente sim, ela lançou a Nubian Skin, uma marca de lingerie especializada em cores de peles.

Mas além de entender que a mulher mudou, que ela não é apenas P, M e G ou ainda de uma só cor de pele, é preciso entender que há diferentes nichos de mercados com demandas específicas. Ao trabalhar com idosas com incontinência urinária e jovens em fase de início de menstruação,  Joanna Griffiths começou a se perguntar por que não havia uma calcinha que lidasse com estes momentos. Isto levou a criar a Knix Wear, uma das empresas que mais crescem no Canadá, comercializando roupas íntimas femininas que ficam imperceptíveis sob a roupa, não utilizam fios ou arames (no caso dos sutiãs), que secam rapidamente ao mesmo tempo que permite a respiração da pele, que impedem vazamentos e odores e ainda são bonitas, confortáveis e modernas. Com isso, começou a atraiu um público ainda maior: mulheres executivas, esportivas e muito ativas em suas rotinas. Joanna também inovou na comunicação ao colocar modelos com diferentes tamanhos, raças e estilos, algumas com estrias nítidas.

Estas e outras dezenas de startups importantes estão ocupando os inúmeros espaços que surgiram após a Victoria’s Secret assumir a liderança de mercado e daí a só desfilar de salto alto. Há muitas grandes corporações na mesma situação. Conheceram o segredo da vitória, pois são líderes de mercado. Só não perceberam que o jogo mudou…

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

O desafio da execução

23 de julho de 2018

Um dos grandes – talvez o maior – de todos os desafios que um empreendedor enfrenta em sua jornada é conseguir tirar uma ideia do papel e colocar na prática. Com o mundo cada vez mais acelerado e o Brasil passando pela pior crise da história recente, as mudanças e adaptações são cada vez mais necessárias, mais rápidas, mais urgentes.

Porém, sair da inércia nunca foi fácil. A primeira Lei de Newton define inércia: “se um corpo está parado, ele permanece parado, e se está em movimento, ele permanece em movimento em linha reta e a sua velocidade se mantém constante, até que uma força atue sobre ele”. Sair da inércia sempre exige força.

E não importa se é uma ideia genial, “a grande ideia” de uma startup disruptiva. Ou apenas a simples ideia de organizar o setor de estoque. Ou talvez abrir uma nova filial. Sozinha, uma ideia nunca vai sair da inércia.

O momento de executar um projeto, de tirar ele do papel e colocar em movimento, como diz Newton, exige muita força (de vontade inclusive). Essas dificuldades podem congelar e derrotar qualquer um, e por isso mesmo é sempre bom se preparar, entender compartilhar as experiências.

Pensando nisso, o professor Marcelo Pimenta, preparou uma manhã muito especial – nesta quinta feira – para falar do assunto numa mesa redonda durante uma manhã inteira, com 4 convidados de diferentes áreas – e eu serei um deles.

No formato de mesa redonda, esperamos muitas participações do público para tratarmos de casos práticos. Acima de tudo, será uma troca de experiências com foco em resultados! Espero ver você lá, traz tuas dúvidas e questionamentos

Participantes da Mesa:

- Marcelo Pimenta é professor da ESPM, especialista em Criatividade, Inovação e Design Thinking

- Manoel Carlos Junior, pioneiro do marketing de experiência e vendas

- Paola Tucunduva, empreendedora e coach

- Tiago Corrêa, empreendedor e músico da banda Reverb

- E eu, que falarei um pouco de minha abordagem “mãos na massa”, com foco em gastronomia, lojas de alimentos e varejo de rua

A inscrição é gratuita, com lugares limitados, por isso é importante você se inscrever no link e – por favor – não deixe para última hora – faça o planejamento e execute!

O lugar do evento é outro ponto relevante. A Digital House é uma Coding School no padrão Vale do Silicio, localizada aqui pertinho da gente.

RESUMO

“O desafio da execução”

Palestras e Mesa Redonda

Quinta-feira, 26, das 9:00 às 12:30

Local: Digital House / Av. Dr. Cardoso de Melo 90, Vila Olímpia

 

Antes do Google Translator, havia a tecla SAP…

20 de julho de 2018

Nesta semana, discutimos tantas siglas na aula que um dos alunos pediu para ligar a tecla SAP. Felizmente havia um aluno da empresa na sala. Quem é desta época entente o contexto…

O fluxo ainda pulsa
O fluxo ainda pulsa…

IOT, Bitcoin,
Blockchain, Fintech
Cloud, Inbound
SaaS, Retail Tech
Digital Transformation
Analytics, Legaltech
MVP, Robotics
Machine Learning, Agritech

E o fluxo ainda pulsa
E o fluxo ainda pulsa

Artificial Intelligence
Accelerator, Construtech
App e a Nenê
HR Tech
Autonomous Car
Uberization, Squad
Virtual Reality, Autotech
Exponential Growth
3D Printing, Healthtech

Tudo ainda é pouco
Tudo ainda é pouco
Assim…

Hackathon, Canvas,
Pivot, Foodtech
Uberization, Squad
API, Medtech
Augmented Reality
Blockchain, Insurtech
Chatbot, Industry 4.0
Smart Utility, Stage Tech

O fluxo ainda pulsa
E o ROI ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco

Fluxo
ROI
Fluxo
ROI

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

 

A indústria com seu próprio varejo

17 de julho de 2018

Cada vez mais, a indústria vem buscando a multicanalidade e atuar diretamente no varejo, diminuindo intermediários, por vários motivos.

Um deles é que as margens estão insistindo em diminuir e não cabem mais tantos players, dividindo as fatias de um bolo que anda “mirradinho coitado”.

Outro aspecto é a insatisfação no modus operandi de atacadistas, distribuidores, representantes, além das negociações e imposições de grandes marcas que, também, deixam a desejar na forma de expor produtos e tratar os consumidores.

E, em todos os setores, a indústria cresceu e cresce através das multimarcas, até se encantar com a possibilidade de ter a SUA MARCA exposta grandona ASSIM!

Aí, já viu, vira sonho, desejo de consumo e qualquer clichê desses.

As “desculpas” vêm com questões como posicionamento da marca, consolidação do mercado, aumento do market share, mas elas nascem por questões ainda maiores, talvez, como valorização pelo consumidor, oferecer uma experiência melhor de consumo de seus produtos, já que os que as tem em seus portfólios de produtos, ou negócios, não estão fazendo a contento. Outro objetivo é ampliar o leque de negócios e aumentar o controle de todos os processos que envolvem da produção à chegada dos produtos nas mãos desse consumidor, que todos estão ávidos por conquistar mas, nem sempre manter.

A grande sacada está em trazer, à indústria, a agilidade do varejo e suprir o varejo com a cultura de gestão por processos enxutos e eficazes. Mão de obra qualificada em todas as frentes e tecnologia acessível (que permite a viabilidade do negócio), de ponta, favorecendo a gestão do negócio e o contato com o consumidor.

No meio disso tudo, temos os jovens cérebros que são, ao mesmo tempo, os consumidores e a mão de obra tão desejada e conhecedora deste novo universo de propósitos de negócios e consumo. Os grey hair entram com sua experiência e conhecimento de mercado, produtos, logística à moda antiga aliado a perguntas que só os mais jovens sabem responder.

O velho questionamento de que a indústria não tem cultura de varejo é tão passado que nem data tem mais. Haja visto quantas marcas vemos nos corredores dos shopping centers ou expostas ao longo de ruas comerciais ou malls.

Interessante observar o número crescente de negócios com marcas vindas de produtos da indústria, seus acertos e erros, os ambientes criados, as propostas e “o que há por trás disso”. As parcerias são possíveis e muito ricas, favorecem a ampliação do conceito de negócio, assim como a inovação, que se transformam em grandes redes de franquias..

Quem ganha com tudo isso? Nós, consumidores.

Vá lá, os arquitetos, consultores e advogados também! E ficamos orgulhosos quando nossa assinatura, nestes projetos, resultam em propostas de valor a todos. Cheers!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

As botas de Schumpeter, o Empreendedor e a “sina do inovador”

17 de julho de 2018

Lembro com saudade dos meus alunos de MBA que, mais de vinte anos atrás, achavam pitoresca a insistência de Joseph Schumpeter em preconizar que os ciclos econômicos seriam dominados por empreendedores que, fazendo da inovação tecnológica sua bandeira, lançariam as bases do capitalismo dos novos tempos. Eram os idos de 1939. Agora, 80 anos depois, fala-se somente em empreendedorismo e em inovação. Pitoresco, não?

Schumpeter era uma figura fora do comum. Economista brilhante, discípulo da celebrada Escola de Viena, com o advento do nazismo na Europa migrou para os Estados Unidos onde, em 1932, começou a lecionar na Harvard University. Lá, ele deixou uma longa lista de discípulos fieis, apaixonados por suas teorias, que vislumbravam um futuro inovador; e, também, a lembrança das suas aristocráticas botas de cano alto e de suas calças de montaria, das quais não se separava nem em sala de aula. De fato, Schumpeter foi o filho visionário de duas épocas, preso entre mundos que estavam mudando em ritmo acelerado, contemporaneamente inebriados pelos ritmos dos loucos anos 20 e assustados pelo fragor dos morteiros de uma nova guerra de alcance mundial, que estava por vir.

É genial a ideia de Schumpeter segundo a qual a inovação tecnológica impulsiona a atividade do empreendedor na direção de obter, não somente o merecido lucro, mas também, lucros extraordinários, ou seja, lucros acima da média do mercado. É o caráter extraordinário desses lucros que estimula novos investimentos e novos entrantes naquela indústria, fugindo de outras, que não apresentam a mesma performance e os mesmos retornos sobre capital.

A possibilidade de transferir capitais entre diferentes indústrias de distintos setores da economia democratiza o fluxo de recursos financeiros e, certamente, aumenta a possibilidade de um maior número de empreendedores obterem financiamentos para seus projetos. Desta forma, suas ideias inovadoras podem sair do papel e transformar-se em realidade produtiva, criando empregos e riqueza, e pagando impostos.

Olha só: acabamos de desenhar, na sua essência, o ciclo econômico virtuoso!

Entretanto, -conforme adiantei em outro artigo publicado em 22 de maio passado, neste blog-, a facilidade que os fluxos de capital têm de migrarem de indústria em indústria acaba criando aquela condição que apelidei de “ sina do inovador”, que pode ser resumida no seguinte moto: “uma vez inovador, sempre inovador”.

Tal condição pode ajudar a entender a necessidade contínua de inovar, por parte de quem já inova constantemente.

Resumidamente, existem dois fatores primordiais, que obrigam o empreendedor a criar seu próprio estoque de obsolescência tecnológica (leia-se: a inovar), para poder continuar a oferecer produto novos, tanto em mercados B2C como B2B:

1)      O primeiro fator deriva diretamente da mobilidade dos fluxos de capitais, que podem migrar rapidamente de setor em setor e de empresa em empresa. Nosso empreendedor-inovador deverá continuar a performar positivamente, oferecendo aos investidores lucros acima da média, sob pena do capital ir para outras indústrias. Tarefa, essa, bastante invulgar, por sim só…

2)     O segundo fator é ligado à manutenção do próprio market share. O inovador deve continuar a inovar, criando novos mercados, para poder dominá-los e garantir sua fatia de mercado. De outra forma, outros seguidores virão dividir com ele seu market share, tornando seus lucros sempre menos extraordinários e estimulando, assim, uma fuga de capitais para outros players e outros setores. Não é por acaso que a Apple lança um novo modelo de iphone com periodicidade predefinida e pontualidade britânica, mesmo que o produto não esteja totalmente aperfeiçoado.

Quem falou que inovar seria fácil e rentável, desde o começo?

Acabamos de desenhar o cenário mais calamitoso que possa existir para a atividade do empreendedor-inovador.

Como esse perigo pode ser afastado e como esse quadro pode ser revertido? No próximo artigo, falaremos de inovação disruptiva (ou não).

Luca Borroni-Biancastelli é PhD em Economia e Teorias Econômicas, co-fundador e Dean da Brain Business School, conselheiro emérito da UNICON-Consortium for University-based Executive Education, conselheiro, professor universitário e empreendedor.

 

A nova mulher empreendedora

16 de julho de 2018

No mundo todo, são 274 milhões de mulheres empreendedoras em 74 países, conforme o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016/2017.

É uma grande conquista da globalização e das novas tecnologias a derrubada das barreiras que limitam o comércio entre países. Acima de tudo, a globalização está derrubando as diferenças que limitavam o comércio entre países por cultura, raça ou, como é o caso desta pesquisa, de gênero. Em vista destas informações, muitos governos estão estimulando o empreendedorismo feminino, pois é notório que as mulheres investem – em sua grande maioria – até 90% mais na saúde e educação de seus empregados e de suas comunidades.

Aqui estão alguns dados interessantes do GEM Report:

1. Mais de 20% de mulheres do que homens citam a “oportunidade” como a motivação para iniciar o próprio negócio nas economias emergentes ou pobres. Já em economias mais inovadoras e tecnológicas, as mulheres têm até três vezes mais motivação com foco em oportunidades.

Detalhe: a visão de oportunidade em negócios - Total Entrepreneurial Activity (TEA) - é uma medida considerada muito importante para calcular a capacidade de empreendedorismo de uma comunidade.

2. O relatório indica que as mulheres têm 5% maior capacidade de inovação nos negócios do que os homens, em todos os 74 países.

3. Surpreendente é a notícia de que a atividade empreendedora das mulheres cai consideravelmente com a prosperidade econômica. América Latina e Ásia, com economias emergentes, mostraram a maior igualdade empreendedora entre homens e mulheres. Já nas economias mais tradicionais, como na Europa e nos Estados Unidos, a estabilidade faz que a mulheres tenham até 40% menos presença em novos empreendimentos.

4. Nas economias mais desenvolvidas, mais da metade das mulheres empreendedoras se dedicam a negócios nos setores públicos, de saúde, serviço social e de educação. São setores de grande fator humano e de relacionamento, considerado um dos pontos fortes do modo de empreender feminino.

5. A atividade empreendedora entre as mulheres também cai na medida do aumento do nível de escolaridade. Isso faz pensar que o estudo não seja tão preponderante para empreender. Ou pode estar relacionado com o item anterior. O relatório cita um caso específico no Sudão, onde um campo de refugiados houve o surgimento de novos mini-empreendimentos, majoritariamente de mulheres.

Aqui no Brasil, ao mesmo tempo que estamos congelados pela crise, é justamente neste cenário onde as mulheres se destacam na busca de oportunidades de empreendimento, inovam e prosperam.

É importante citar o trabalho que duas brasileiras vem fazendo, percorrendo o mundo coletando e documentando as diversas formas de empreendimento feminino, com o projeto The Girls on the Road. O projeto de Taciana Mello e Fernanda Moura começou em 2016, e já tive oportunidade de escrever um pouco naquela ocasião. Continua sendo muito válido e importante.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

A organização (perdida) no mundo das maravilhas da Quarta Revolução Industrial

13 de julho de 2018

A questão para cada organização não é mais se eu serei disrupado, mas quando a disrupção ocorrerá e de que forma?” – alerta Klaus Schwab, fundador do World Economic Forum e autor do artigo “Welcome to The Fourth Industrial Revolution” (Rotman Management Magazine, Fall 2016). Seu artigo, que resume a percepção de uma parcela majoritária e crescente dos principais líderes executivos ao redor do mundo, só acelerou o temor das organizações a respeito do seu futuro, não em um momento longínquo, mas nos próximos dez e, em casos mais graves, nos próximos cinco anos.

Organizações tradicionais muito hierarquizadas, com altos custos operacionais e lentas passam a lidar com clientes altamente conectados, bem informados e cada vez mais exigentes e a enfrentar novíssimos concorrentes que surgem leves, eficientes, rápidos e, especialmente, inovadores. Por isso, estas organizações estão tão ávidas pelas promessas das maravilhas da tal Quarta Revolução Industrial aclamada por Schwab e oportuna, e muitas vezes sorrateiramente, por muitos consultores que enxergam situações oportunísticas para baterem suas metas de vendas comercializando soluções de Big Data, AI, IoT, blockchain, Machine Learning, Open Innovation e outros neologismos que estas organizações não sabem ou não estão preparadas para realmente consolidarem vantagem competitiva real e sustentável e, principalmente, para alcançarem a transformação digital e se tornarem organizações exponenciais, dois conceitos populares, que quase sempre entram um nababesco vazio de “so what?”.

Estas organizações, que caem neste buraco digital e entram no mundo das maravilhas da Quarta Revolução Industrial que são realmente incríveis, de um lado, mas ameaçadoras para quem está do outro lado do espelho, deveriam considerar as reflexões de Alice no País da Maravilhas, livro escrito por Lewis Carroll em 1865.

Neste mundo como no nosso atual, diversos coelhos brancos passam apressados alertando: “Quanto é para sempre? Às vezes, isto dura apenas um segundo…”. No mês passado, a Amazon comprou a PillPack, uma startup autorizada a comercializar remédios nos Estados Unidos e todas as redes farmacêuticas do país entraram em desespero. Elas se juntarão à Borders, Sports Authority ou Toys ‘R’ Us, que dominaram seus mercados e desapareceram? E aí, passa outro (senão o mesmo) coelho branco mais apressado ainda: “Quando mais rápido eu vou, mais para trás eu fico…

Quando a Amazon entra em mercados tão díspares, a pergunta da lagarta para Alice também passa a fazer sentido para as organizações tradicionais. “Quem é você?” – pergunta a lagarta. “É difícil responder… Eu sabia quem eu era quando acordei esta manhã, mas eu acho que eu mudei muitas vezes desde então…”. Nesta nova dimensão já não faz mais sentido pensar em como será o seu negócio ontem e amanhã. Fabricantes de carruagens que investiram na “carruagem do amanhã” quebraram assim como os fabricantes de velas nunca teriam inventando a lâmpada. “Não faz sentido pensar no ontem porque eu era uma pessoa diferente…” – Explica Alice.

Mas neste exato momento em que muitas organizações se sentem perdidas no mundo das maravilhas da Quarta Revolução Industrial, a passagem mais importante do livro, sendo inclusive capa de muitas edições, precisa ser profundamente compreendida.

Poderia me dizer, por favor, para onde eu devo ir?” – pergunta Alice ao Gato que Ri. “A resposta depende de onde você quer chegar…” – responde o Gato. “Eu não me importo muito com isso.” – diz Alice. “Então, qualquer caminho serve…” – retruca o Gato.

Por isso, para não se perder, antes de entrar neste mundo vendido constantemente maravilhoso, defina-se como organização e crie objetivos, indicadores e metas (mesmo que tenha que mudá-los amanhã) para inovação, transformação digital e qualquer outro coelho branco que aparecer pela frente.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

Um banco diferente

11 de julho de 2018

O que é o crime de assaltar um banco comparado ao crime de fundar um?” O autor dessa frase, Bertold Brecht – dramaturgo, poeta e romancista alemão; considerado um dos grandes pensadores do nosso tempo – não viveu para conhecer um novo modelo de banco: uma organização creditícia, que pensa primeiro nas pessoas, antes de aferir o resultado financeiro. Ao ser entrevistada por Antônio Abujamra, em 2011, Alessandra França, diretora-presidente do Banco Pérola, sorriu ao ouvir a frase. A banqueira às avessas classificou a elaboração como parte de um capitalismo selvagem, muito distante do empreendedorismo de impacto social que defende. Participante de um processo de aceleração da Artemisia, em 2009, a empreendedora tem acumulado grandes conquistas; recentemente, ela ganhou o Prêmio Profissional do Ano da ANEFAC, na categoria Jovem Talento.

Alessandra nasceu em Guaraniaçu, uma pequena cidade do Estado do Paraná. É filha de agricultores que lutavam muito contra a seca. Após um período de estiagem, a família perdeu a lavoura e decidiu partir para a cidade grande em busca de melhores condições de vida. Os pais escolheram o município de Sorocaba, em São Paulo, onde passaram a residir em um bairro periférico, próximo às indústrias. A experiência familiar, uma bolsa de estudos e um projeto social foram os ingredientes para transformar Alessandra França – formada em Marketing e com MBA em gestão de pessoas e finanças com ênfase em bancos – em uma das empreendedoras sociais mais inspiradoras do Brasil.

Alessandra comanda o Banco Pérola, organização voltada à concessão de crédito para nanoempreendedores, microempreendedores e empresas de pequeno porte. Com um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios – um dos diferenciais do negócio – criou um canal direto com o investidor para garantir taxas mais competitivas, serviço ágil e adequado ao tamanho das empresas atendidas. Alessandra trabalha com o chamado microcrédito produtivo orientado, que auxilia o empreendedor a fazer o melhor uso do dinheiro recebido. De 2010 a 2016, o Pérola apoiou 1.143 pessoas diretamente e 4.572 indiretamente; números que têm crescido ano a ano. Em 2017, o valor concedido foi de R$ 1.049.125,26; no acumulado dos últimos oito anos, o montante de R$ 8.768.686,32. Grande parte desse valor foi emprestado a mulheres empreendedoras da base da pirâmide. Há quatro anos, o Pérola conseguiu aprovar o fundo de investimento na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) e hoje atua com uma plataforma de microfinanças.

Alessandra gosta de citar que a etimologia da palavra “crédito” tem origem no latim creditum, particípio passado de credere: acreditar, confiar. No dicionário da Língua Portuguesa, crédito é um substantivo que significa confiança que inspira as boas qualidades de uma pessoa; confiabilidade, credibilidade. Com o Banco Pérola, Alessandra França resgatou o sentido bonito e nobre da palavra.

* Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

(Finalmente) cientistas estão indo para as empresas, neste caso, startups

6 de julho de 2018

Curiosidade. Inquietude. Identificação do problema. Seleção do método de pesquisa. Coleta de dados e informações. Condução da pesquisa. Análise dos resultados encontrados. Avanço do conhecimento e… aplicação em uma startup!

O currículo do Giovani Chiachia é incrível. Graduado em sistema de informação pela UNESP, mestrado em ciência da computação pela mesma instituição, doutorado e pós-doutorado no mesmo assunto pela Unicamp, pesquisador do instituto alemão Fraunhofer e da Universidade de Harvard. Teria condições de ser um brilhante acadêmico em qualquer universidade brasileira ou do mundo, mas se tornou cientista-chefe da sua própria empresa, a SAFFE Payments, uma solução de pagamento via reconhecimento facial, sua área de pesquisa científica.

Em um momento em que o avanço tecnológico é tão drástico e disruptivo, os cientistas se tornam cada vez mais imprescindíveis em organizações que buscam inovações tecnológicas radicais. E nenhum país leva tão à serio isso quando a China. O país vem aumentando exponencialmente o investimento em desenvolvimento científico, a remuneração dos pesquisadores e formando mais cientistas do que o resto do mundo… somado. Neste ano, pela primeira vez na história, segundo dados da National Science Foundation (NSF), a China passou os Estados Unidos em número de artigos científicos publicados. Este movimento também é percebido nas startups. A Tencent, que há muito tempo deixou de ser uma, com valor de mercado próximo dos US$ 500 bilhões e que ruma para ser a primeira empresa do mundo a valer US$ 1 trilhão, emprega cerca de 22 mil cientistas. Isto significa que metade dos seus colaboradores se dedicam a desenvolver novos conhecimentos científicos em inteligência artificial, big data, IoT, segurança digital, saúde ou qualquer outra área que está na fronteira do conhecimento.

Durante muito tempo, o destino de boa parte dos mestres, doutores e pós-doutores e outros cientistas lato sensu era se tornar um acadêmico que seria cobrado pela publicação de papers ou gasto extra para cumprir alguma regra do MEC de proporcionalidade. Outra opção seria ser subvalorizado como funcionário de alguma empresa privada. Ou ainda ter algum subemprego em alguma área não relacionada a sua área de pesquisa.

Mas a natureza inovadora das startups vem abrindo oportunidades para este tipo de formação acadêmica que integram desenvolvimento profissional, remuneração financeira e interesses científicos e tecnológicos.

Além de pesquisadores nas áreas específicas em que cada startup atua, há um falta generalizada de cientistas de dados, de inteligência artificial e, cada vez mais, do comportamento humano. Neste sentido, cursos que eram coadjuvantes nos vestibulares como estatística, matemática, física e antropologia se tornam protagonistas no desenvolvimento de muitas inovações levadas ao mercado pelas startups.

Para cientistas assim como o Giovani, há muito mais vida além dos papers e dos parecistas quando você tira suas ideias, literalmente, do papel.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper e Coordenador de Área de Pesquisa para Inovação da FAPESP.