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Na era da crescente complexidade, (re)aplicar as 10 Leis da Simplicidade nos mantém na rota de crescimento

29 de junho de 2018

Entre as várias sortes que tive na vida, uma delas foi ter chefes brilhantes. Aprendi muito com suas atitudes e com algumas frases que os marcaram. Antonie Roux foi um deles. Ele liderou a área de investimentos em startups do grupo sul-africano Naspers e costumava terminar suas análises com “as simples as that”. Não sei se isto era proposital, mas destacava o brilhantismo da sua liderança em questões complexas ligadas a tendências de mercado, desenvolvimento tecnológico, novos mercados e comportamentos humanos.

Isto me marcou pois ser simples diante de contextos cada vez mais complexos se tornou um dos pilares mais desafiadores da minha forma de viver. Para mim, é complexo ser simples. Mas é muito mais simples ser complexo. Por isso, reler, refletir e (re)aplicar As 10 Leis da Simplicidade, de John Maeda (Editora Novo Conceito, 2007) é um exercício contínuo para continuar crescendo, pois a simplicidade avança muito mais facilmente do que a complexidade.

Escrito na época em que Maeda era o chefe do MIT Media Lab, um dos principais centros de inovação do mundo, seu livro faz o exercício monumental de um centro que lida com as tecnologias mais complexas do mundo em tornar as coisas mais simples.

Simplicidade = sanidade. Esta é a provocação inicial do livro. Em seguida, Maeda traz uma das nossas principais agonias atuais: “A tecnologia tornou nossas vidas mais completas; contudo, ao mesmo tempo, tornamo-nos desconfortavelmente“completos”.

Para os interessados no trabalho de John Maeda, recomendo a leitura do seu livro de apenas 100 páginas. É uma tarde de sábado que vale por muitas outras tardes da sua vida. Mas para simplificar, estas são as dez leis que tornam nossas vidas e negócios mais simples e, consequentemente, mais saudáveis.

Lei 1: Reduza! A forma mais simples de alcançar a simplicidade é por meio redução planejada.

Lei 2: Organize! A organização torna o sistema de muitos parecer poucos.

Lei 3: Poupe tempo! Economizar tempo aumenta a percepção da simplicidade.

Lei 4: Aprenda! Conhecimento torna tudo mais simples pois evita desnecessidades.

Lei 5: Valorize as diferenças! Para a simplicidade ser percebida, a complexidade também merece a mesma percepção.

Lei 6: Repense o contexto! O que está no entorno da simplicidade definitivamente deveria (também) ser simplificado.

Lei 7: Boas emoções aumentam a simplicidade! Mais boas emoções são melhores do que menos.

Lei 8: Transmita (e) confiança! A simplicidade aumenta a percepção de confiabilidade.

Lei 9: Permita-se fracassar! Algumas coisas nunca poderão ser simplificadas.

Lei 10: Concentre-se na essência! Simplicidade é excluir o óbvio e incluir o que é essencialmente significativo.Todos os principais empreendedores e inovadores conseguiram tornar propostas complexas em conceitos simples. Simples assim! – diria meu antigo e saudoso chefe.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

25 de junho de 2018

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

Há um ditado que afirma “ser empresário, no Brasil, não é para amadores”.

Algumas notícias recentes na mídia, de empresas internacionais encerrando operações no Brasil, me fazem pensar que o Brasil pode ser bastante cruel com os empresários profissionais também. Empresas de sucesso internacional tem tido dificuldades para se manter no jogo verde e amarelo.

Os sobreviventes – tanto empresas nacionais quanto internacionais – podem se considerar acima de média e sortudos – e realmente o são -  mas a dificuldade de prosperar no mercado brasileiro provoca algumas perguntas necessárias:

- Afinal, porque o Brasil é tão difícil?
- Será que no exterior, e com o mesmo esforço, a mesma empresa prosperaria mais e melhor?
- Quanto custa, no médio e longo prazo, ser um mercado difícil, complexo e instável?

Não tenho as respostas, mas quero acreditar que começar a fazer as perguntas pode fazer a gente a pensar em alguma solução.

É uma história conhecida que os executivos brasileiros são muito valorizados no exterior por causa da grande capacidade de adaptação e a trazer resultados mesmo em ambientes hostis. Isso diz muito de como o Brasil é hoje.

Cada vez que uma empresa fecha no Brasil, não são apenas os empregos que são perdidos, mas todo um giro da economia, aprendizado, os melhores profissionais migram, os que ficam precisam recomeçar.

Preparei uma lista de algumas destas noticias da midia:

Häagen-Dazs, junho de 2018 - a famosa marca de sorvetes comunica fechamento das oito lojas próprias
WalMart, junho de 2018 – vende 80% da operação no Brasil
Lush, maio de 2018 – a marca inglesa de cosméticos naturais encerra no Brasil e queima estoque
FNAC, julho de 2017 – vende para a Livraria Cultura. Recentemente a Cultura comunica o fechamento da icônica FNAC de Pinheiros
Garrett Popcorn, junho de 2017 – com menos de um ano de funcionamento, a rede de pipocas americana fechou as 2 lojas no Aeroporto de Guarulhos
Kirin, fevereiro de 2017 – a japonesa vende as operações no Brasil para a Heineken
Citibank, outubro de 2016 – o Citi é comprado pelo Itaú
HSBC, julho de 2016 – banco inglês vende toda a operação ao Bradesco
Cacao Sampaka, março de 2016 – a marca espanhola de chocolates fecha loja e vende tudo
Ladurée, março de 2016 – a famosa confeitaria francesa culpa a crise e fecha única loja no Brasil

E a lista vai e vai.

Sem dúvida a crise que passamos nos últimos anos deve ter sido um dos motivos finais, mas não acredito que seja o único. As grandes empresas sabem que as crises são passageiras, e dificilmente abandonam investimentos que foram criados com planejamento de longo prazo. Penso que, em algum momento, este pessoal se deu conta: o Brasil não é fácil, cuidado!

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

As startups estão aplicando os ensinamentos de Peter Drucker que (muitas) grandes empresas esqueceram

22 de junho de 2018

Em todos os principais países, mercados e setores, as grandes empresas estão enfrentando a concorrência proliferada de startups. As startups são inovadoras e ágeis, mas isto não representa suas principais vantagens. Elas são inovadoras e ágeis com um objetivo específico apontado por Peter Drucker ainda em 1954 quando publicou o livro The Practice of Management.

Este mesmo objetivo foi depois citado pelo Professor Steve Blank, em seu livro The Startup Owner´s Manual publicado em 2012, e que se tornou a bíblia dos empreendedores desta nova geração de startups que está incomodando várias corporações tradicionais. Neste livro, o Professor Blank apresenta o conceito do Customer Development em que a criação de startup deve passar obrigatória e rapidamente por três estágios até se tornar um negócio real. Antes disso, é apenas uma iniciativa, um experimento, um projeto em busca de um modelo de negócio estável,escalável e lucrativo. Na primeira etapa é preciso “Descobrir o Cliente”, em especial qual é o verdadeiro problema real e emergencial que ele(a) tem. Para isto é preciso criar um protótipo,chamado de MVP (Minimum Viable Product) pelos empreendedores e interagir com os potenciais clientes até descobrir quais suas dores que realmente importam. Na segunda etapa, é preciso“Validar o Cliente” e o propósito aqui é encontrar uma forte conexão entre a solução que será desenvolvida e o mercado que será direcionado. Caso não o mercado, em especial, sua atratividade não seja validada, é preciso retornar à etapa anterior, movimento que passou a ser definido como pivotagem. Mas se um mercado relevante e um modelo de negócio seja definido, o empreendedor passa para a fase de “Criar o Cliente”, terceira e última etapa antes da sua startup virar um negócio. É o momento em que a startup aprende a desenvolver clientes de forma escalável e lucrativa. Agindo assim, startups são inovadoras e ágeis para desenvolver clientes.

É aqui que Drucker e Blank se encontram. Há quase 70 anos atrás, Drucker já orientava: A única definição válida do propósito de um negócio é “criar clientes”. “As forças econômicas estipulam limites para o que a direção da empresa pode fazer, mas também criam oportunidades. Mas as forças, sozinhas, não determinam o que um negócio é e o que ela faz”. – explica. Um negócio não pode ser definido com base nos seus lucros. Drucker explica que um executivo mediano de negócios responderia que uma organização existe para dar lucros. Ele acredita que um economistamediano também daria a mesma resposta. Mas isto não é apenas falso, é irrelevante, em suaopinião. A teoria da maximização dos lucros é uma forma complicada de dizer comprar barato evender caro. Lucro não é a explicação, a causa ou mesmo o racional no comportamento e decisõesde um negócio, mas um teste para a sua validade.

O objetivo de um negócio é desenvolver clientes, afirma categoricamente. O propósito de um negócio deve estar fora da empresa em si, considerando todos por ela afetada. Isto deve estar relacionado com a sociedade, levando-se em consideração de que a empresa é um órgão da sociedade. No entendimento de Drucker, o cliente é a base fundamental de uma empresa e responsável pela sua continuidade. Desta forma, a empresa precisa sempre pensar no sucesso do cliente para daí também alcançar o sucesso. Por esta razão, é preciso sempre pensar no que o cliente está buscando e o que ele considera como valor. Isto é decisivo e determina o que a empresa é e como ela cria seus clientes.

Neste contexto, as funções básicas, na visão de muitas décadas atrás de Drucker, de uma empresa são marketing e inovação. Drucker defende que estas duas funções devem ser empreendedoras. Como o objetivo de um negócio é desenvolver clientes, marketing é a função mais vital no seu entendimento, já que fica responsável por produzir o que o mercado consumidor demanda. Ele explica que marketing não é uma atividade especializada (como se tornou atualmente nos negócios tradicionais), mas algo que deve ser exercido pela empresa inteira (como ocorre nas startups). Mas como um negócio é algo que cresce, expande e muda, há a necessidade da inovação, responsável pela oferta de melhores bens e serviços. Já naquele momento (1954), Drucker defendia que inovação abrangia todas as fases do negócio. A inovação deve estar presente no design, no produto, nas técnicas de marketing, na experiência do cliente e no dia a dia de todas as pessoas que são a organização em constante ciclo de descoberta, validação e criação de clientes.

Só lembrei-me desta passagem de Drucker porque nesta semana, ao pesquisar preços de passagens aéreas em quatro sites (três de negócios tradicionais e uma de startup), o melhor preço que encontrei foi o da startup. Enquanto as outras ofereciam seu melhor preço “possível”, a startup oferecia o melhor preço do mercado. Ao clicar na oferta, uma surpresa: O melhor preço não era o seu, mas se fosse comprado diretamente com a companhia aérea naquele momento. Comprei na companhia aérea, mas virei cliente da MaxMilhas.

Muitas startups estão “disruptando” mercados tradicionais, pois priorizam o sucesso do cliente enquanto várias empresas tradicionais se preocupam primeiro com o seu próprio sucesso. Não por acaso, uma função crítica nas startups é o Customer Success. Nas empresas tradicionais, isto é feito pelo SAC, quase sempre terceirizando no gerúndio.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper.

Não se deixe enganar na maior Feira de Franquias

21 de junho de 2018

Vamos continuar nos preparando para a Franchising Expo, com o objetivo de conhecer, analisar e avaliar as melhores oportunidades de negócios para cada visitante. Importante lembrar que, um bom negócio para mim, talvez não seja tão bom para você e pode ser péssimo para um terceiro.

Uma feira de negócios é como um shopping center de marcas onde os stands são vitrines e as pessoas dentro deles são vendedoras de um produto: franquia, ou seja estão vendendo um business que é mais do que a venda de roupas, cursos, comida, acessórios, serviços de limpeza e manutenção predial ou cosméticos.

Falo isso porque muitas vezes vemos nas propagandas de franquias, o produto que a loja franqueada vende, como uma arara com roupas. Mas, o futuro franqueado vai comprar o conceito de negócio daquela marca, o modelo de gestão, o sistema gerencial, o estoque (lojas físicas), o mobiliários, equipamentos e utensílios, contratar pessoas para trabalhar na unidade.

Este shopping center de negócios está se preparando para receber milhares de pessoas, curiosas ou ansiosas por conhecer aquele que pode ser o negócio de suas vidas.

Vamos às dicas:

1. Visite o site www.abfexpo.com.br e estude o que será este evento, os expositores, os temas das palestras na Arena do Conhecimento, quais serão as atrações, baixe o app no seu smartphone. Invista tempo neste estudo

2. Veja o mapa da Expo e marque as marcas que você considera interessantes como investimento.  Link para o mapa:

https://www.abfexpo.com.br/content/dam/Informa/abfexpo/portuguese/2018/pdf/abfexpo_planta_2018.pdf

3. Monte um roteiro de visitas em que você ganhe tempo, não se canse indo e vindo perdidamente pelos corredores e foque em seu interesse em investir. Você precisa estar tranquil@ e descansad@ para estar mais atent@.

4. Resista em não ficar parando em tudo quanto é stand, porque achou algo que lhe chamou atenção. Este momento virá: anote as segundas opções de negócios que você se interessou, ao longo da visita.

5. Divida seu tempo entre as visitas aos stands e breves reuniões com as equipes dos franqueadores e as palestras que você irá assistir, pois elas orientam muito bem sobre o Franchising em muitos aspectos.

6. Feito isso, vem o momento das segundas opções de visitas, com a mesma atenção da 1ª rodada. A cada visita, faça suas anotações de percepção de valor e qualidade sobre aquele marca, o negócio em si, postura profissional da equipe, forma de atendimento, nível de informações.

7. Para ir preparad@ no detalhe das perguntas e observações, recomendo um livro: Checklist Minha Franquia, do José Rubens Oliva Rodrigues, com mais de 200 perguntas que você deve escolher para sanar suas dúvidas durante e depois da Expo, no contato com os Franqueadores.

Segue o link do Clube de Autores, onde você pode encontrar o livro:

https://www.clubedeautores.com.br/book/209608–Checklist_Minha_Franquia#.WyFYPFMvyRs

Ou faça contato com o próprio José Rubens, que ele deve ter um livro esperando por você José Rubens, que ele deve ter um livro esperando por você.

8. Após as visitas qualificadas – aquelas que você se preparou para fazer e analisar oportunidades reais de negócios para você, vá passear e curtir as delícias da Expo: degustações, praça de alimentação, conhecer mais novidades e pessoas, encontrar conhecidos pelos corredores e perguntar “O que você está fazendo aqui?? Que coincidência!”

9. Cuidado com os notebooks, IPADs e celulares em cima das mesas, para não esquecer e/ou ninguém se confundir e levar algo seu embora, se é que me entende.

10. O Pós feira é tão, ou mais importante, que o contato durante o evento: organize os cartões e folders, faça um resumo de suas percepções e observe o comportamento/cuidado das empresas com você: se farão contato, enviarão material sobre a franquia, se te chamarão para a primeira reunião, convidarão para conhecer uma unidade em operação e por aí vai o possível ingresso de Franchising como negócio em sua vida.

Prepare-se para o melhor, sendo criterios@, cuidados@ e com coragem de empreender com a mais acertada das escolhas que, só será feita no mínimo, após 5 contatos diretos com o franqueador, sua equipe e franqueados atuando.  Bons negócios!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

Publicada a lei do alimento artesanal

18 de junho de 2018

Finalmente, e depois de muitos anos de conversa, o Brasil liberou o transporte e comercialização interestadual de alimentos artesanais de origem animal feito através da Lei 13.680 de 14 de junho de 2018.

Na verdade, o Brasil está apenas tentando acompanhar o que já é comum e corrente há décadas em vários países que protegem e valorizam o pequeno produtor rural e os alimentos com DOC (Denominação de Origem Controlada), como a Europa e os EUA.

Antes da lei, o produtor artesanal de alimentos de origem animal (como queijos e embutidos, por exemplo) já de posse de todos os certificados estaduais da ANVISA, e que estivesse interessado em vender para fora do seu estado, precisava fazer um complexo e redundante processo para conseguir também uma certificação federal chamada de “selo SIF” (Serviço de Inspeção Federal).

O “selo SIF” é exigido nas grandes indústrias e tem altos custos. Ora, na prática, esta exigência ao pequeno produtor inviabilizava o produto, tanto pelos valores, quanto pelo tempo e burocracia dedicado na tramitação.

Muitos produtores e clientes desobedeciam e corriam altos riscos. O assunto ganhou destaque e indignação de toda a comunidade da gastronomia no último Rock in Rio, quando a premiada cozinheira Roberta Sudbrack sofreu fiscalização e abandonou o evento. A matéria do Estadão de 16 de setembro de 2017 diz:

“A chef Roberta Sudbrack, que era um dos principais nomes da área gourmet do Rock in Rio, saiu do festival em seu primeiro dia de trabalho, depois que a Vigilância Sanitária apreendeu mais de 80 kg de queijo e 80 kg de linguiça que, segundo ela, estavam dentro da validade e apenas não tinham um selo exigido pelos agentes para a liberação.

Indignada com a atitude dos fiscais e com a insensatez da lei, Roberta expôs o assunto em diversas entrevistas, e levantou a bandeira da defesa do pequeno produtor artesanal de alimentos, na busca da legalidade. Com seu carisma e sua importância na gastronomia nacional, ela foi um porta-voz deste movimento que culminou na lei.

Em sua conta do Instagram, Roberta comemorou a nova lei com um post: “Este é o dia que o produto artesanal brasileiro conquistou o direito de circular livremente pelo seu pais! O dia em que juntos mudamos a HISTÓRIA DO BRASIL! A todos que ajudaram a ecoar o grito e que acreditaram que era possível mudar o rumo da história, parabéns! Este é o dia que a cultura brasileira volta a respirar! Compartilhem! Comemorem! Orgulhem-se desse Brasil de mãos cheias de terra que a partir de agora tem voz! Muito obrigada, juntos somos mais fortes…”

Minha admiração e gratidão a Roberta Sudbrack! Que sirva de modelo a outras tantas bandeiras que precisamos levantar para desencalhar o Brasil.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)


 

Está faltando startups: onde estão as oportunidades para quem pensa em empreender

15 de junho de 2018

Nenhuma novidade ao constatar que “nunca na história deste País”, tivemos tantos problemas ao mesmo tempo. Mas este é o lado meio vazio do copo.

Mas há um lado meio cheio do copo. “Todo grande problema é grande oportunidade para empreender. Porque se pensar bem, se não tiver um problema, não terá uma solução e não terá um negócio. É muito simples…” – diz Vinod Khosla, co-fundador da Sun Microsystem e um dos investidores mais influentes do Vale do Silício em um dos vídeos mais populares da Universidade de Stanford. Encarado desta perspectiva, nunca houve tantas oportunidades para empreender no Brasil mesmo diante da situação de crise (que pode piorar) atual.  Esta é a lente paradoxal pela qual os empreendedores enxergam o mundo.

E as melhores oportunidades são aqueles problemas urgentes e com recursos para solucioná-los. Neste contexto, boa parte das melhores oportunidades para empreender no Brasil se concentra nas startups B2B, as que solucionam ou diminuem o impacto dos problemas das empresas privadas. É aqui que brilham startups desconhecidas do grande público como Gupy (recrutamento), FieldControl (operações), FolhaCerta (rotinas trabalhistas), MarketUp (ERP para MPEs), Nuveo (estruturação de dados), Semantix (tomada de decisão) ou Smarkets (procurement).

Por isso, se pensa em criar uma startup neste momento, comece a identificar problemas urgentes (e com orçamento) das empresas de todos os portes e setores. Entre as maiores, muitas já criaram programas em que buscam startups já apontando suas demandas. Pesquise sobre isso e considere que estas demandas também são de outras do mesmo setor ou até de outros mercados. Mas não despreze as médias empresas, um mercado quase sempre invisível já que é pouco coberta pela mídia. Nesta faixa, startups como a Omie (soluções para escritórios contábeis) cresce veloz e silenciosamente. E mesmo negócios com quase nenhum recursos como os microempreendedores individuais também oferecem grandes oportunidades. É aqui que a MEIFácil descobriu seu pote de ouro ao ajudar pessoas a abrir e gerenciar seus negócios.

O “problema” para muitos que buscam um problema corporativo para empreender é conhecer, identificar e priorizar um que represente, de fato, uma grande oportunidade de mercado já que não vivenciam ou têm uma visão apenas parcial da realidade das empresas. Isto é um desafio inclusive para os próprios colaboradores de uma organização que buscam oportunidades para inovar internamente.

Neste contexto, criei uma dinâmica que tem sido útil para ajudar (intra)empreendedores na identificação de oportunidades para empreender ou inovar corporativamente.

Na primeira parte é preciso listar todos os problemas, desafios ou desejos de um executivo, área, departamento ou da organização como um todo. Para não se alongar, peço dez itens. O que chama a atenção nesta etapa é o surgimento de demandas que podem parece triviais como “contratar melhor”, “dar um feedback ao colaborador” ou “criar um ambiente de aprendizagem contínua” mas que podem representar ótimos desafios para empreender.

Na segunda, prioriza-se os três desafios mais importantes e/ou urgentes. Por fim, para cada desafio, é preciso pensar em três soluções óbvias, inovadoras e malucas.

Entre as óbvias entram as soluções já conhecidas. Muitas delas já foram consideradas ou mesmo testadas pela empresa e já não atraem tanto a atenção. As apontadas como inovadoras, em geral, são boas ideias que precisam ser consideradas. Mas as melhores oportunidades para empreender se concentram nas ideias malucas. É aqui que entram novas lógicas para destruir conceitos antigos e já ineficazes ou para propor soluções realmente inéditas. São as que oferecem o maior nível de risco mas o de maior potencial de retorno.

O momento é oportuno para startups B2B já que mais de 50 grandes corporações estão em busca de startups…

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

“Just Do It”

13 de junho de 2018

Em texto publicado neste mesmo espaço, em 22 de maio de 2018, o professor Luca Borroni-Biancastelli, com muito brilho e clareza, nos chama a atenção para o fato de que nenhum empreendedor, por mais capaz que seja, vence sozinho. Os empreendedores bem-sucedidos, segundo ele, cercam-se de pessoas capazes, alinhadas, apaixonadas pelo negócio, que sejam também colaborativas e agregadoras. Além disso, importantíssimo, é necessário que os membros do time aportem capacidades complementares às do próprio empreendedor e essenciais ao desenvolvimento e gestão do negócio. Para Borroni-Biancastelli, “nenhuma startup é criada por uma pessoa só, por mais genial que ela seja. Uma empresa de uma pessoa só não saberia adquirir velocidade e, desde logo, não teria agilidade para se estruturar e para desbravar seu próprio mercado.”

Phil Knight, fundador da gigantesca e extremamente bem-sucedida Nike, é um grande exemplo para ilustrarmos a necessidade de o empreendedor se cercar desde o início das pessoas certas. Ele publicou em 2016 sua autobiografia, narrando sua epopeia desde a criação da empresa até transformá-la em um negócio multibilionário. Com base em seu relato, percebemos como sua visão, persistência e a presença de poucos mas essenciais “companheiros de viagem” transformaram a Nike em um dos maiores sucessos empresariais do século XX.

Relembrando brevemente a trajetória de Phil Knight e da própria Nike, seu ponto de partida foi imaginar que os tênis japoneses pudessem superar rapidamente (no início da década de 1960) os tênis alemães da Adidas e da Puma, assim como as câmeras fotográficas japonesas estavam superando as câmeras alemãs. Esse insight veio das aulas de empreendedorismo no MBA de Stanford. Sem nenhum contato, experiência ou dinheiro, ele foi até Kobe, no Japão, e usou de sua capacidade de persuasão e de inspirar confiança para convencer Kihachiro Onitsuka, fundador da Onitsuka Tiger (hoje ASICS), a lhe dar a representação dos seus tênis de corrida para a costa oeste dos EUA.

Fundou a Blue Ribbon (que depois viria a se tornar Nike) em sociedade com Bill Bowerman – treinador de atletismo do Oregon e depois da equipe olímpica americana – com 500 dólares cada, ou seja, praticamente sem capital, e passou vários anos assombrado pela falta de recursos financeiros, temendo falir ou ser destituído como representante pelos japoneses.

Quase dez anos depois – como reação ao risco de perder a venda dos Tiger –, iniciou a produção em uma fábrica no México, pagou 35 dólares pelo logo e adotou o nome Nike (a deusa da Vitória na Mitologia Grega) por sugestão de seu incansável e entusiasmado homem de vendas, Jeff Johnson. Bowerman tinha o conhecimento técnico sobre o funcionamento dos tênis de corrida e foi o responsável pelas experiências com novos solados e o desenvolvimento de novos modelos.

Além de Bowerman e Johnson, Phil Knight não teria chegado ao sucesso sem um outro parceiro desde os momentos iniciais da Blue Ribbon: Robert Woodell, cuja capacidade de organização e gerenciamento e de antecipação de problemas organizacionais o levou à posição de primeiro COO da Nike.

Ao longo dos anos 70, a Nike passou a desenvolver calçados para não atletas, mas a empresa só se consolidou com a abertura de capital em 1980. O incrível crescimento das vendas nos anos seguintes decorreu da inovação liderada por Bowerman e pelo uso do poder de atração de atletas famosos, em especial John McEnroe e Michael Jordan.

Hoje, a Nike tem um faturamento anual de US$ 30 bilhões e cerca de 70.000 funcionários. Obviamente, inúmeros desses funcionários impactaram de maneira diferenciada o crescimento e os resultados da empresa, mas sua história teria sido outra se, ao poder de referência, visão e persistência de Phil Knight, não tivessem sido agregados, desde o início, o conhecimento técnico e a capacidade de inovar de Bowerman e as qualificações, brilho e empenho de Johnson e Woodell, respectivamente nas frentes comercial e de operações. Juntos, eles superaram todas as dificuldades geradas pela falta inicial de capital e de poder de barganha nas negociações e construíram do zero uma marca e uma empresa para concorrer ombro a ombro – e em parte superar – as gigantes já estabelecidas Adidas e ASICS.

Fabio De Biazzi é doutor em Engenharia de Produção pela POLI-USP, conselheiro, consultor, diretor da Brain Business School, professor do Insper e autor do livro ‘Lições Essenciais Sobre Liderança e Comportamento Organizacional’

 

 

 

O que Anthony Bourdain me ensinou

11 de junho de 2018

Foi um baque, o coração ficou pesado e, por alguns momentos, o pensamento demora a acreditar, a aceitar: Tony B morreu. Ele, que inspirou muitos de nós a comer melhor, a viajar pelos caminhos secundários e, acima de tudo, a procurar viver a vida de uma forma única, fazendo as próprias regras, tirou a vida no auge da trajetória.

Faz um par de anos escrevi sobre um empreendimento que ele estava fazendo em Nova York no famoso Pier 57. E apenas um mês atrás ele esteve no Uruguai gravando um capitulo do programa Parts Unknown – cheio de significados para mim – mostrando o pais onde eu nasci e sempre retorno a visitar minha família. O programa foi tão lindo, melancólico, num ritmo intimista – como bem cabe ao uruguaio – mostrando as pessoas de verdade em seu meio natural. Imperdível aqui.

Eu acho que ele diria: f*****. Independente da morte trágica, ele deixa um legado positivo que impactou milhares de pessoas, inclusive os empreendedores. Aqui vai um resumo do que ele me ensinou:

1. Não tenha medo de mudar

Se Tony houvesse continuado sendo um chef de relativo sucesso em Nova York, provavelmente nunca teríamos ouvido falar dele. Mas, em algum momento, ele decidiu que queria escrever – ele não se deixou rotular como apenas um cozinheiro. E conseguiu transformar todo o conhecimento de cozinha em outra coisa totalmente nova e disruptiva, iniciando uma nova jornada através dos programas de TV que influenciaram milhares de pessoas. Ou seja, qualquer um de nós pode ter chegado a ser dono do próprio negócio de sucesso – com muito esforço, sem dúvida. Mas se lembre: não somos limitados apenas a isso. Podemos fazer nosso próprio destino, nunca deixe de sonhar, arrisque mudar!

2. Esteja sempre em movimento

Os fãs de Bourdain estão homenageando a lembrança dele citando muitas frases dele, e por um bom motivo: ele era um cara sábio (e desbocado) e tinha ótima frases. Uma que eu adoro:

“Se eu fosse dar um conselho, seria o de estar em movimento, sempre. O mais longe que puder, tantas vezes quanto possível. Seja do outro lado do oceano, ou do outro lado do rio. Se coloque no lugar de outra pessoa e coma sua comida. É um acréscimo na vida de qualquer um.”

O ensinamento para empreendedores é claro: é preciso estar sempre inquieto, em crescimento, em aprendizado. Se você acha que já faz tudo certinho, e que o mundo não tem nada de novo a ensinar, você está decididamente equivocado. O aprendizado constante mantém você afiado e competitivo.

3. Seja curioso

Anthony sempre estava muito à vontade sentado na sala de algum estranho, num país estrangeiro. Nunca julgava, e tinha essa incrível habilidade de ser gentil ao mesmo tempo que fazia perguntas difíceis ou indiscretas. Comia a comida local, a comida simples, de rua, muitas vezes feita com ingredientes pouco comuns (para não dizer bizarros) e de origem duvidosa. Bebia e fumava o mesmo que as pessoas locais, sempre tentando entender o contexto. Ser curioso deixa você aberto a novas experiências. É impossível ser um empreendedor sem tentar coisas novas.

4. Mostre respeito

Uma coisa que sempre ficava clara nos programas de Bourdain é o respeito que tratava as pessoas e as culturas. Aprendia algumas palavras e costumes locais para demonstrar este respeito. E sempre experimentava toda comida oferecida a ele, sabendo que muitas vezes as pessoas ofereciam o pouco e o que tinham de melhor em suas casas.

Todos estamos sempre tentando fazer o melhor possível. Lembre-se disso quando um funcionário fizer um erro, ou as coisas não acontecerem do jeito que você queria. Seja zen, e pratique o respeito pelas pessoas que estão ao seu redor.

5. Aproveite a viagem!

Sem dúvida que Anthony curtia a vida, aproveitava cada momento. Ele fez o próprio caminho, e isso fez dele uma pessoa admirável, inspiradora. Ele era autêntico, desbocado, teatral, um personagem. E agora que ele se foi, ninguém pode dizer que ele não viveu praticamente de tudo o imaginável.

“O seu corpo não é um templo. É um parque de diversões. Aproveite a viagem.”

Obrigado por tudo Tony, você vai fazer falta. A gastronomia ficou mais careta sem você.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Virada empreendedora: é o mais democrático evento de empreendedorismo do Brasil. E é neste final de semana!

8 de junho de 2018

Quem está fora talvez não perceba, mas há muitas tribos no empreendedorismo brasileiro com seus ídolos, caciques, pajés e índios. Uma tribo fala em startupês sobre MVPs, pitches e pivotagens. Outra, impactês sobre Bcorps, C2C e empoderamento. Tem àqueles se pronunciam em futuriquês e versam sobre disrupções, singularidades e exponencialidades. E sobra a maioria que se comunica mesmo em brasileiro e tem um sete a um tatuado na alma de tanto apanhar do desemprego, da corrupção e da violência e lidar com os 171s dos seus sonhos de vida profissional e pessoal.

Todas essas tribos se reúnem, uma vez por ano, em São Paulo, na Virada Empreendedora. Criado e liderado pela Ana Fontes há oito anos, a Virada cresceu assim como sua fundadora não apenas em número de participantes, atividades e temas, mas principalmente em diversidade, respeito e confiança mútua. A Virada é uma oportunidade para (re)pensar seu protagonismo como alguém que pode criar algo (muito) inovador com (muito) pouco recurso, para se tornar maior daquilo que você achava que era, para renovar esperanças no seu futuro melhor e, em especial, para não esperar mais que alguém faça isso por você.

Para isso, a Virada Empreendedora é divertida, didática e diversa. Se precisar recarregar suas esperanças (sei que está difícil), a Virada Empreendedora tem uma arena só de inspiração. Mas não vá esperando encontrar um milionário se vangloriar como está ficando mais rico, mas empreendedores tão ou mais desconhecidos que você e que resolveram liderar suas próprias vidas criando negócios de sucesso (e de muitos fracassos). Na Arena Digital é a oportunidade para você perguntar tudo aquilo que nem sabia que não sabia até aquele instante sobre tecnologia. A arena Sua Empresa Vai Virar tem um nome bastante peculiar já que seu negócio pode virar para qualquer um dos muitos lados. Mas nesta arena, leve algo para anotar ou registras as informações, pois os temas são densos para o agora: reforma trabalhista, principais erros do empreendedor, saúde do empresário, propósito, relação com o dinheiro, tendências, e para os candidatos a empreendedores, um painel sobre como tirar a ideia do papel. Mas se prefere falar do amanhã, junte-se aos seus semelhantes na Arena Futurismo e Inovação para discutir não apenas para onde as novas tecnologias estão nos levando, mas, sobretudo, se você está indo junto (ou ficando para trás).

E tem uma arena só para jovens (de todas as idades) vivenciarem todo o ciclo de geração, planejamento, prototipação e validação de ideias de negócios e outra, a Vai Tec só para os empreendedores da Zona Leste de São Paulo criarem startups. E por falar em startups, há uma arena totalmente dedicada a isso, a Startup Run.

Por fim, teremos três arenas que trazem questões pontuais, porém de extrema relevância. Na arena Casa das Empreendedoras haverá horas de aprendizados sobre como as mulheres podem avançar no mundo do empreendedorismo majoritariamente ditado pelos homens. Neste painel, destaco as lições que serão apresentadas pela sempre franca e direta Tânia Gomes, empreendedora que acabou de fechar seu negócio, a 33e34 Shoes. Outra arena específica, mas especial é a da Encontre seu Investidor Anjo em que você terá uma visão geral sobre como captar investidores para seu o negócio. Por fim, a arena Melhores Mentores é que mais impressiona pela quantidade de especialistas que você terá acesso para conversar sobre seu negócio. Com tanta gente boa ao mesmo tempo ajudando-o(a) a pensar o seu negócio, não há como sair desta arena sem um negócio com ótimo potencial de crescimento.

Ah… e ainda tem a arena de Empreendedorismo Social em que estarei junto com a Artemísia Negócios Sociais para discutir sobre como entre mudar (para melhor) o mundo e ganhar dinheiro, ficar com as duas opções!
Conheça toda a programação da Virada Empreendedora em www.viradaempreendedora.com.br e faça sua inscrição. É gratuita.

É neste final de semana!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper.

 

Já ouviu falar em tecnologia assistiva?

7 de junho de 2018

Movido pela necessidade de se comunicar melhor com a filha Clara, que tem paralisia cerebral, o empreendedor pernambucano Carlos Pereira desenvolveu o Livox, um aplicativo para pessoas com algum tipo de deficiência motora, cognitiva ou visual se comuniquem e aprendam. Em Alagoas, Ronaldo Tenório, Thadeu Luz e Carlos Wanderlan criaram o Hand Talk – um software que traduz o português oral e escrito para a Língua Brasileira de Sinais. Em Blumenau, Marlon Souza e Jean Carlos Gonçalves desenvolveram a Playmove que tem, entre os produtos principais, a Playtable: uma plataforma ludopedagógica estruturada em uma mesa digital que apoia o aprendizado de crianças com dificuldades motoras e doenças como Síndrome de Down e Autismo.

Ao analisarmos o ecossistema de negócios de impacto social como um todo, nota-se que grandes inovações estão surgindo com base na tecnologia assistiva. O termo, originado do inglês assistive technology é utilizado para identificar recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar as habilidades funcionais de pessoas com deficiência, resultando em inclusão e melhor qualidade de vida. Temos identificado e potencializado empresas que desenvolveram produtos e serviços inovadores que representam uma das tendências no campo dos negócios que geram impacto social; soluções desenvolvidas e comercializadas no Brasil que estão ganhando o mundo.

Quando analisamos as demandas da população de baixa renda em setores estruturantes (saúde, educação, serviços financeiros e habitação, por exemplo) é óbvio que as pessoas com deficiência que estão na base da pirâmide são ainda mais desassistidas; estão em grave situação de risco social e impedidas de ter seu desenvolvimento pleno, muitas vezes, por falta de acesso a produtos e serviços adaptados a suas necessidades e realidade financeira. Ou seja, brasileiros expostos a um círculo vicioso de não prosperidade e desenvolvimento. Por outro lado, quando falamos em oportunidade de negócio e de impacto social, estamos olhando para um mercado potencial de 45,6 milhões de pessoas. Na prática, quase 24% da população brasileira, de acordo com o IBGE, possui algum tipo de deficiência. Desses, a maioria tem entre 15 e 64 anos, faixa etária de brasileiros apta ao trabalho.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que de sete habitantes do planeta, um vive com algum tipo de deficiência. Diante deste cenário, é preciso fazer uso da tecnologia para desenvolver produtos e serviços inovadores, que proporcionem e ampliem habilidades funcionais destas pessoas. Oferecer qualidade de vida e inclusão ao promover a autonomia – sobretudo da população menos favorecida, de baixa renda. Vale ressaltar que tecnologia assistiva é transversal a outros temas, como educação e saúde; e o impacto dessas soluções atinge, ainda, o entorno da pessoa com deficiência, incluindo familiares e sociedade.

Embora seja um mercado pouco explorado, há muita oportunidade para tornar cidades, produtos e serviços mais inclusivos, atingindo dentro deste recorte as pessoas de baixa renda. A estimativa é que a parcela da população brasileira com alguma deficiência, de todas as classes sociais, movimente R$ 22 bilhões por ano; no mundo, o valor chega a US$ 4,1 trilhões anuais. Cabe ressaltar que há modelos de receita diferenciados que não envolvem somente o beneficiário final como pagante. Ao ter formas de monetização que envolvem poder público e iniciativa privada, os negócios focados em tecnologia assistiva são altamente acessíveis à baixa renda.

A Artemisia tem trabalhado para apoiar empreendedores e empreendedoras que olham para esse potencial e enxergam um mercado real, lucrativo e de alto impacto social.

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.