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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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As oito oportunidades para empreender negócios de impacto social no setor da Energia

23 de maio de 2018

Foto: Pixabay

O acesso à energia de qualidade com baixo custo está diretamente relacionado ao atendimento das necessidades básicas – e ao desenvolvimento social ligado à educação, saúde, crescimento econômico, segurança, oportunidades de trabalho e de renda. Das áreas rurais às urbanas, a energia é essencial para a melhoria da qualidade de vida. Frente a essa demanda, vemos a importância de potencializar empreendedores que já atuam na resolução dos principais desafios ligados à temática e, junto a isso, inspirar o desenvolvimento de uma nova geração de negócios que foquem no setor de energia e queiram gerar alto impacto socioambiental.

Para apoiar e inspirar o surgimento desses novos negócios, a Artemisia conduziu um estudo inédito que aponta oportunidades para empreender no setor. O levantamento – construído com o apoio da Eletropaulo e AES Tietê – reúne os desafios enfrentados pela população de menor renda no Brasil relacionados à energia e destaca oito oportunidades para o desenvolvimento de negócios que enderecem esses desafios de forma escalável.

Acesso à energia; geração e distribuição descentralizada de energia; inteligência de dados para eficiência energética; eficiência energética por meio da adequação de imóveis e equipamentos; eficiência energética na gestão e em equipamentos públicos; energia para produção no campo; meios de financiamento para acesso a serviços de energia não convencional; e capacitação e oportunidades para profissionais são as oportunidades detectadas e ilustradas com casos de negócios de impacto social brasileiros e estrangeiros.

Na oportunidade ligada à inteligência de dados para eficiência energética, um dos exemplos é a GreenAnt. A empresa de tecnologia, acelerada pela Artemisia, tem o objetivo de estimular a eficiência energética por meio do acesso à informação, através de um algoritmo próprio, desenvolvido pelo empreendedor Pedro Bittencourt. A partir de um medidor inteligente é possível identificar os aparelhos de maior consumo na residência e propor alternativas para redução de consumo. O negócio fluminense disponibiliza uma plataforma online para gestão e acompanhamento dos gastos em tempo real por eletroeletrônico – e envia recomendações direcionadas com foco na ação via SMS. A solução é aplicável tanto para residências quanto para empresas que busquem mais controle dos gastos energéticos.

Na oportunidade associada a meios de financiamento para acesso a serviços de energia não convencional está a Solstar – um negócio acelerado pela Artemisia que viabiliza geração de energia mais econômica e sustentável por meio de geração solar distribuída. Com o objetivo de diminuir as principais barreiras de adoção da energia solar, a startup desenvolve soluções que democratizam o acesso – garantindo a performance dos equipamentos instalados e viabilizando o investimento em projetos de energia solar em domicílios. A solução, criada em 2016, assegura a energia que será produzida, cobrindo a defasagem, caso fique abaixo do esperado. A startup está desenvolvendo, ainda, uma plataforma digital de financiamento para geração distribuída.

Vale ressaltar que as novas tecnologias impulsionam o usuário de energia a ter mais protagonismo. Em um novo cenário, o usuário tem a capacidade de gerar e armazenar a própria energia, além de contar com sistemas de gerenciamento que o ajudem a usa-la de forma mais inteligente. É o chamado “prosumidor” – neologismo baseado no termo em inglês prosumer que representa a junção das palavras produtor e consumidor. Esse prosumidor participa de maneira ativa ao começar a produzir a própria energia, possibilitando o envio dessa produção diretamente para o sistema para gerar economia. Como resultado, menor custo pela energia consumida e a democratização de um benefício importante para garantir dignidade ao humano. Para finalizar recomendo a leitura, na íntegra, do estudo que está disponível para download: http://bit.ly/TeseImpactoEnergia

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

O empreendedor solitário, o inovador, a startup e sua equipe

22 de maio de 2018

Existe certa visão romântica e uma boa dose de mitologia acerca da figura do empreendedor, aquele sujeito arrojado e algo misterioso, corajoso e até genial, que ergueu sua startup totalmente sozinho, com muito esforço e trilhando um caminho solitário.

Certo? Não, nada de mais errado!

Nenhuma startup é criada por uma pessoa só, por mais genial que ela seja. Uma empresa de uma pessoa só não saberia adquirir velocidade e, desde logo, não teria agilidade para se estruturar e para desbravar seu próprio mercado.

Por outro lado, não devemos esquecer a centelha que move muitos empreendedores e, tampouco, desmerecer sua contribuição para o processo de inovação e criação!

Entretanto, vale observar que um empreendedor não precisa inovar, necessariamente; bem como, por sua vez, um inovador não precisa ser aquele que empreende. Inúmeros empreendedores, de diferentes tamanhos e setores, não fizeram nada mais do que empreender implementando modelos, produtos e serviços criados por outros, que já foram inovadores. O que eles fizeram – e é preciso garra, inteligência e velocidade para fazer isso – foi seguir quem inovou e dividir com ele fatias do mercado que, anteriormente, tinha sido dele por inteiro (escreverei sobre a sina do inovador e a visão de Schumpeter em um próximo texto).

Por sua vez, o inovador pode associar-se com um empreendedor ou, simplesmente, revender-lhe o fruto da sua inovação, para que ele transforme a ideia em algo que se torne palatável para o mercado.

Agora, voltando à nossa dúvida inicial, o empreendedor que queira transformar uma ideia inovadora em uma startup precisará permear a empresa de processos de gestão, tais que lhe permitam adquirir velocidade na execução e agilidade na abordagem do mercado. A gestão é o mal necessário do empreendedor, que lhe permite, por um lado, conter seus excessos de criatividade e transformar seu entusiasmo em um negócio sustentável; e, por outro, definir claramente quais são as áreas que gerem a companhia e as pessoas que as compõem.

Ficou claro, agora, que nenhum empreendedor faz uma empresa sozinho, mas, ao contrário, a cria cercando-se da melhor equipe.

Agora vem a difícil tarefa. Como escolher os membros da equipe de uma startup? Quais caraterísticas essas pessoas deverão ter

A lista de exigências poderia ser infindável, mas acredito que, no caso específico de uma startup, um bom começo pode ser observar os pontos a seguir:

1. Em primeiro lugar, é fundamental que a equipe esteja alinhada com os propósitos do empreendedor. Apesar de ser desejável um nível adequado de heterogeneidade na composição da equipe no que diz respeito às competências pessoais e de gestão, no momento do lançamento da start up é necessário que o barco zarpe com a tripulação bem consciente de quem é o capitão e de quais são a rota e as diretrizes de viagem.
2. O mesmo conceito vale no que diz respeito aos valores e à missão da companhia, que devem ser definidos antes mesmos do seu lançamento, não sendo negociáveis. Quem não concordar com o “credo” da empresa, não deverá fazer parte da equipe.
3. Neste momento da start up, é desejável procurar não somente bons colaboradores, mas pessoas que se “apaixonem” de fato pela sua proposta e se tornem seus evangelizadores. Uma equipe apaixonada pelo projeto será muito mais resiliente nas primeiras dificuldades e terá mais garra para superá-las.
4. É essencial que os membros da equipe sejam dotados do conjunto de competências e habilidades (skills) necessárias à implementação do projeto e à adequada gestão da empresa. Alguns skills podem ser adquiridos em um segundo momento, mas é importante escolher, como membros da equipe, colaboradores que tenham capacidade e disposição de adquiri-los depois.
5. É desejável que os colaboradores escolhidos mantenham um mix de competências complementares entre si, viabilizando a formação de uma equipe multidisciplinar, essencial para o crescimento do negócio e a gestão da companhia.
6. Last but not least, é aconselhável montar, no limite do possível, uma equipe fácil de se conviver e que saiba agregar e compartilhar. Garanto que estruturar a equipe dessa forma vai ser muito melhor para os negócios e para o dia-a-dia da companhia!

Luca Borroni-Biancastelli é PhD em Economia e Teorias Econômicas, co-fundador e Dean da Brain Business School, conselheiro emérito da UNICON-Consortium for University-based Executive Education, conselheiro, professor universitário e empreendedor.

Como promover a mudança do mindset?

22 de maio de 2018

Até pouco tempo atrás a resposta que valia um milhão, de alguma moeda, era: como encontrar o franqueado com perfil ideal, com capital suficiente disponível para investir na “minha” franquia?

Agora estamos sendo provocados a mudar o mindset para podermos acompanhar todas as mudanças que estão ocorrendo em função da tecnologia, do comportamento e da percepção de valor dos jovens que são consumidores de muitos de nossos negócios e serviços. Teoricamente, parece que boa parte dos empresários do franchising perceberam que precisam mudar sua forma de gestão ou até mesmo reformular seus modelos de negócios.

:: Marcas que abriram para franquias no último ano ::

Mas, na prática, é curioso observar como as referências, para muitos deles, ainda sejam os autores do passado recente, que são fantásticos, mas hoje precisam pensar que um algoritmo pode se tornar o maior concorrente de uma vaga de emprego, que quem melhor nos atende é um robô, que o delivery não requer mais equipe própria de motoboys e os apps de entrega fazem este papel tão bem.

Que seus filhos ou netos mudaram demais o comportamento e desejos – ser é melhor que ter, o Airbnb tem maior valor para eles que os imóveis que poderão ou poderiam herdar. Enquanto isso, muitos empresários, no sistema de franchising, estão assistindo tais mudanças, sem a clara percepção do que está para acontecer com suas empresas, cedo ou tarde, dependendo de quanto tempo demorarem para encarar estas transformações de mercado e mudarem seus mindsets.

Como fazer, se é difícil entender tais processos a ponto de saber o que e como atuar, implantar, modernizar e, quem sabe, inovar?

:: O Franchising como alternativa para jovens empreenderem ::

Startups podem ser parceiras ou fornecedoras, franqueados podem trazer ótimos insights, novos fornecedores devem oferecer soluções inusitadas, players do mercado com cases de sucesso de boas práticas devem ser observados.

Nosso maior patrimônio passou a ser nosso network, pensamento em rede e, no caso de franqueadores, para a rede também. Importante se imbuir de aprendizado, assumindo que não se pode ser bom em tudo e que com toda esta demanda de transformação, os franqueadores podem assumir que querem e precisam aprender novos caminhos com os mais novos, com o que há de novo, trilhando novas rotas que conduzirão a novos modelos de gestão e melhores posicionamento e resultados.

A velha escola não faz mais sentido, serve só de registro histórico que não levará ao futuro. Vamos nos livrar das pendências para focar nas tendências. Ter bons produtos e serviços em ambientes que promovam excelente experiência. E, fundamentalmente, saber o que gera valor na percepção de todos os envolvidos com suas marcas.

Foi dada a largada! E já faz algum tempo… Go!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

O jeito Netflix de empreender

21 de maio de 2018

Dos tantos palestrantes bacanas que estiveram reunidos na semana passada no VTEX DAY de 2018, o que mais me empolgou – e eu admito que não esperava – foi o ex-CEO e cofundador da Netflix, Marc Randolph. Eu achei que assistiria a uma palestra burocrática e cheia de clichês de Silicon Valley, mas fui surpreendido por um cara muito bem-humorado, que descreveu a sua jornada cheia de imperfeições e reviravoltas, com verdadeiros conselhos práticos para qualquer empreendedor.

Desde 2004, Marc já não faz mais parte do dia a dia da Netflix e se dedica à sua paixão: iniciar empresas de tecnologia. Às vezes acerta, às vezes erra, mas adora mesmo assim, como ele mesmo diz, com muito carisma. Se acaso alguém ainda tiver alguma dúvida do currículo dele, aqui algumas empresas de sucesso que ele participou e investiu, em ordem cronológica:

1983: Mailbox Music
1984: Guitar FPTM Magazine
1986: MacUser Magazine
1987: MacWarehouse
1988: MicroWarehouse
1995: IntegrityQA
2012: Looker Data Science

Mas, sem dúvidas, todos estávamos lá para ouvir sobre a Netflix, e Marc não decepcionou. Contou do inicio da ideia, quando ele pegava carona na Kombi de seu amigo e futuro sócio Reed Hastings e falavam sobre empreender, encontrar uma ideia que valesse a pena apostar.

Os ensinamentos:

- Netflix era uma ideia ruim e não tínhamos dinheiro. Mas no final deu certo. O importante é testar a ideia e adaptar constantemente
- O empreendedor precisa de três coisas: alta tolerância a riscos, uma ideia e confiança
- Não precisa ser uma grande ideia, não precisa ser original, não precisa ser complicada, não precisa nem ser uma boa ideia
- Minha mulher achou a Netflix a ideia mais estúpida que eu já tive
- Assuma os riscos e faça alguma coisa com a sua ideia. Posso garantir a vocês: ninguém tem certeza de nada. Ninguém pode prever o que vai dar certo ou errado
- Ficar muito tempo avaliando se a ideia é boa ou não é pura perda de tempo. Tem que testar
- Onde encontrar uma bia ideia? Procure pela dor, pela dificuldade, onde as pessoas passam dificuldades. É na solução de problemas onde estão as melhores ideias
- A vida média de uma ideia é 24 horas. Começamos a semana com 60 ideias e no final da semana, com sorte, temos uma ideia viável
- Eu nunca sonhei que a Netflix se tornaria o que é hoje
- Sou um péssimo investidor anjo, pois me apaixono por todos os projetos

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

Google responde? Como você define seu sucesso e o que está fazendo para atingi-lo?

18 de maio de 2018

Sim! O Google responde! “Eu gostaria de ter lido este livro 19 anos atrás, quando nós fundamos o Google. Ou mesmo antes disso, quando eu cuidava apenas de mim…”, escreve Larry Page, co-fundador do Google, no prefácio do livro Measure what Matters: OKRs: The Simple Idea that Drives 10x Growth (Portfolio, 2018) escrito por John Doerr.

“Eu não costumo escrever prefácios. Mas concordei em escrever este porque John deu um tremendo presente ao Google durante todos esses anos. OKR nos ajudou a crescer a uma taxa de dez vezes, muitas vezes. Ajudou-nos a tornar nossa arrojada missão de organizar a informação do mundo em algo muito mais factível. E ainda me manteve e assim como o restante da empresa no tempo e caminho correto quando isto foi mais necessário. E eu gostaria de deixar isto bem claro para que as pessoas soubessem disso”, finaliza o discretíssimo empreendedor do Google.

John Doerr não foi apenas o primeiro grande investidor do Google – ao aportar cerca de US$ 12 milhões por 12% do então recém-criado mecanismo de busca -, o investidor de outros sucessos como Compaq, Netscape, Sun Microsystem, Amazon, Waze e Uber, ou ainda um dos principais mentores de empreendedores como Steve Jobs, Mark Zuckerberg ou Jeff Bezos. Ele foi (e é) um dos principais disseminadores da abordagem de gestão de pessoas que tem orientado boa parte das empresas de mais rápido crescimento ao redor do mundo: Objective and Key Results (OKRs). Nada mal para quem chegou ao Vale do Silício com 50 dólares no bolso, sem emprego ou lugar para morar e agora tem uma fortuna estimada em US$ 7,5 bilhões.

Depois de mais de 40 anos ajudando a construir grandes negócios, agora Doerr transforma toda a sua experiência em um livro que apresenta o OKR por meio de diversas experiências, passando por erros e acertos de negócios como Google, Fundação Bill e Melinda Gates, além de projetos com o líder do U2, Bono Vox.

Mais do que um método para direcionar crescimentos elevados e consistentes de um negócio, o ORK integra colaboradores à estratégia da empresa ao orientá-los a elaborar boa parte dos seus próprios objetivos e resultados esperados, ao mesmo em que obriga todos a refletir sobre os verdadeiros motivos de determinar aqueles indicadores. Para conhecer mais sobre esta abordagem, leia este artigo.

Mas a principal reflexão trazida por Doerr sobre objetivos e resultados-chave não está relacionada ao dinheiro: “Há dez anos atrás”, disse John Doerr no discurso para os formandos da Rice University em 2007, “eu não estava priorizando a minha família. Eu viajava muito. E qualquer trabalho era uma prioridade maior do que ficar com a família. Quando comecei a perder alguns almoços ou jantares em casa, ficou fácil não estar mais presente. Um dia eu percebi que minha filha Esther estava andando e Mary já estava no jardim de infância. E Ann [a esposa] foi diagnosticada com câncer (ela se curou depois). Tudo mudou. Eu mudei. E passei a colocar a família como a minha principal prioridade. Estar em casa às noites passou a ser a minha principal prioridade. E não era só estar presente. Eu declarei que entre seis e dez da noite não responderia nenhuma mensagem. Todas as reuniões de negócio, jantares e viagens deveriam passar no seguinte teste: Isto é mais importante do que estar em casa hoje à noite? Desde que adotei este teste, tenho jantado em casa quase todas as noites. Eu não tenho medo de fracassar. Só não posso fracassar em uma situação: com minha família e minhas filhas. Quando fracasso como investidor, eu posso perder algum dinheiro e um pouco de orgulho. Mas se fracasso como pai, eu perco o amor e a convivência que jamais poderá ser recuperado!”

Por isso, “você tem, de fato, os indicadores corretos? Invista seu tempo para definir seus valores, objetivos e resultados-chave. E faça isso hoje!”, alerta John Doerr em sua palestra no TED2018.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan

O papel do empreendedorismo de impacto social na luta pela igualdade racial

17 de maio de 2018

Diáspora Black/Divulgação Facebook

Há 130 anos, o Brasil reafirmava juridicamente que deveria romper com uma das mais brutais atrocidades humanas: a escravidão. Em mais de um século temos avançado, vagarosamente, na direção de uma sociedade igualitária; os números mostram que devemos tornar célere essa construção de uma nova sociedade. Pesquisa do Instituto ETHOS mostra que os negros ocupam apenas 4,7% dos cargos executivos e 6,3% dos postos de gerência nas 500 maiores empresas do Brasil; no caso das mulheres, os números mostram que elas ocupam 0,4% e 1,6%, respectivamente – embora a população negra represente 55% dos brasileiros. Estimativa do Instituto Locomotiva aponta que os negros movimentaram R$ 1,6 trilhão em 2017.

De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), 51% dos empreendedores brasileiros são negros, mas apenas 29% deles empregam ao menos uma pessoa – sinal das barreiras de crescimento e discriminações enfrentadas por essa parcela da população no campo do empreendedorismo. Há muito espaço para crescer e muito a se fazer para mudar esse cenário desigual. Na Artemisia, temos acompanhado uma nova geração de negócios de impacto social que representam a força e a vontade de brasileiras e brasileiros que querem fortalecer a cultura negra por meio de produtos e serviços. Carlos Humberto, Antonio Pita e André Ribeiro, cofundadores da Diaspora.Black, e Adriana Barbosa – empreendedora da Feira Preta que recebeu o título de Most Influential People of American Descent (MIPAD), em 2017 – são exemplos do enorme potencial do afroempreendedorismo no Brasil.

Vivenciar a cultura negra por meio de roteiros turísticos, hospedagens e experiências culturais afrocentradas é a proposta da Diaspora.Black. Na Rota da Liberdade – circuito de quilombos e fazendas do Vale do Paraíba – o visitante pode refazer o percurso da afirmação. Na rota Quilombo da Fazenda, em Ubatuba, o turista participa de rodas de conversa sobre a memória local; produz estampas em tecido; dança o jongo; e degusta receitas tradicionais com a farinha que ele mesmo produz. Esses são exemplos de experiências oferecidas pela plataforma brasileira que reúne anfitriões e viajantes interessados no turismo de impacto social – que promove cultura, estudos e lazer ao mesmo tempo que gera impacto econômico positivo.

Esses empreendedores de negócio de impacto social acreditam que o fomento ao turismo é um grande catalisador da circulação econômica na comunidade negra. A startup reúne, em uma única plataforma, iniciativas e serviços focados na cultura negra em diferentes cidades para aproximá-las de viajantes conectados. Em menos de um ano de operação já está presente em 70 cidades – com mais de 2.000 usuários cadastrados. Vale lembrar que, nos Estados Unidos, esse mercado movimentou em 2016, US$ 48 bilhões com a venda de produtos, serviços, viagens.

Adriana Barbosa, por sua vez, criou o maior evento de cultura negra da América Latina há 16 anos. O evento já recebeu 120 mil participantes, 700 expositores, 600 artistas e 4 milhões de reais em circulação monetária. A primeira edição foi realizada na praça Benedito Calixto, em São Paulo. O evento reúne empreendedores negros que focam seus negócios nas demandas de consumidores negros. É a maquiagem para a tonalidade de pele, são as roupas de estilo afro ou os produtos que ressaltam os cachos. Segundo Adriana, à medida que a população negra começou a declarar a identidade, essa demanda começou a surgir. Formada em gestão de eventos, Adriana começou a atuação profissional na área de Comunicação, com trabalhos em emissoras de rádio, produtoras de TV e gravadoras. Percebeu que, enquanto a economia brasileira se desenvolve, também se desenvolve o poder de compra dos afrodescendentes. Com isso em mente, com pouco mais de 20 anos de idade criou a maior feira negra do Brasil. A Feira Preta é o espelho vivo das tendências afro-contemporâneas do mercado e das artes, além de ser o espaço ideal para valorizar iniciativas afroempreendedoras de diversos segmentos.

A Artemisia só está começando nessa jornada; temos muito a aprender, refletir e fazer. Mas tem sido uma honra e uma fonte profunda de aprendizado colaborar com o desenvolvimento e expansão dos negócios que ajudam o Brasil a avançar nas questões de raça e de gênero – temas urgentes no campo do empreendedorismo no Brasil e no mundo. Essas iniciativas trazem para cada brasileiro a dignidade de viver em um país que não deve se conformar com as injustiças e desigualdades. Que isso seja lembrado não apenas em 13 de maio, mas em todos os dias das nossas vidas.

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

A história do homem que não necessariamente criou a lâmpada

16 de maio de 2018

A história empresarial recente está repleta de heróis e figuras inspiradoras quando se pensa na conjunção entre espírito empreendedor e inovação tecnológica. Elon Musk, Steve Jobs e Steve Wozniak, Jeff Bezos, Bill Gates e Paul Allen, Pierre Omydiar (Ebay), Reid Hoffman (LinkedIn), Reed Hastings (Netflix) ou Brian Acton (WhatsApp), por exemplo, são nomes que certamente merecem ser reverenciados e terem suas vitórias e percalços conhecidos e extraídas lições de suas trajetórias. Entretanto, uma das histórias mais ricas e fascinantes que amalgamam empreendedorismo e inovação vem de um personagem que ajudou a moldar a vida contemporânea com realizações que datam de 120 anos atrás: Thomas Alva Edison.

Nascido em 1847, o mais novo de sete irmãos, sem nenhuma educação formal e com problemas auditivos, teve boa parte da infância passada vendendo doces e jornais nos trens que iam e voltavam entre a pequena cidade onde morava e Detroit. Na adolescência, tornou-se operador de telégrafo e dedicou-se aos seus passatempos preferidos: leitura e experiências. Morou alguns anos em New Jersey no porão da casa de um telegrafista e inventor chamado Franklin Pope. As primeiras invenções de Edison foram relacionadas ao telégrafo e sua primeira patente foi obtida aos 22 anos (a 1.093º e última foi obtida aos 83 anos de idade). Em 1877, um ano após fundar um laboratório de pesquisa em Menlo Park, New Jersey – com o dinheiro proveniente de suas primeiras invenções, inventou o fonógrafo e foi pela primeira vez chamado de “gênio”.

Menlo Park foi o primeiro laboratório voltado a criação e aplicação sistemática de conhecimento, viés perseguido por Edison ao longo de toda sua carreira. Como dito por ele mesmo: “na maior parte de minha vida me recusei a trabalhar em qualquer problema a menos que sua solução parecesse capaz de ser posta em uso comercial”. Além disso, desde o início de funcionamento de seu laboratório, o autodidata sempre se fez rodear por mentes brilhantes e com ótima formação, como por exemplo o engenheiro elétrico William Hammer e o matemático Joseph Sprague, ou até mesmo o também genial Nikola Tesla.

Apesar de ter inventado o fonógrafo, a câmera cinematográfica, a pilha alcalina, a urna “elétrica”, o telégrafo automático, o microfone para aparelhos telefônicos e inúmeras outras criações, Thomas Edison é primeiramente reconhecido por algo que ele não exatamente criou, mas que buscou à exaustão aprimorar: a lâmpada elétrica incandescente, cujas primeiras versões datam de 40 anos antes dos experimentos de Edison. A procura de um filamento – durável para operar no interior de um bulbo de vidro no qual foi feito vácuo – chegou ao fim depois dele experimentar mais de 3.000 alternativas, o que ilustra modelarmente sua frase mais famosa: “Genialidade é 1% de inspiração e 99% de transpiração”.

Na verdade, por trás da intensa busca por uma lâmpada incandescente comercialmente viável estava a ideia de um sistema completo de iluminação para as cidades e as residências. Para isso, em 1878, Edison formou a Edison Electric Light Company com a participação do venture capitalist Spencer Trask, membros da rica família Vanderbilt e do banqueiro J. P. Morgan. Depois de chegar a um filamento satisfatório cerca de um ano depois, ele patenteou um sistema de distribuição de energia e fundou a Edison Illuminating Company. Em menos de dez anos, a empresa de Edison já havia construído mais de 100 estações de distribuição de energia elétrica.

Curiosamente, nessa que foi uma de suas empreitadas mais arrojadas e na qual devotou muitos anos e muito esforço, Thomas Edison não foi exatamente bem-sucedido. Seu sistema de distribuição, que operava com corrente contínua de baixa voltagem, apresentava limitações para transmissão a distâncias maiores que uma milha e acabou por se mostrar inferior ao sistema que operava em corrente alternada e que era utilizado pela Westinghouse Electric (sob a orientação do mesmo Nikola Tesla que já havia trabalhado para Edison) e pela Thomson-Houston Electric. Sua insistência pela solução de corrente contínua fez J. P. Morgan provocar uma fusão da já então chamada Edison General Electric com a Thomson-Houston, formando a General Electric – GE, sob a gestão dos executivos da Thomson, afastando Edison da diretoria.

Percebemos assim que nem mesmo mentes geniais são capazes de acertar 100% do tempo.Entretanto, para Thomas Edison não havia fracassos, apenas o aprendizado de como uma coisa não deveria ser feita. Passados 86 anos desde sua morte, ele segue justamente considerado como um dos mais brilhantes personagens da história da humanidade. Sua postura analítica, incansável, pragmática e empreendedora será sempre uma excelente referência para quem quer conciliar inovação e empreendedorismo. Finalizando com palavras do próprio Thomas Edison, “estarmos ocupados não necessariamente significa fazermos um trabalho real. O objeto de todo trabalho é a produção e a realização e, para que ambos sejam alcançados, deve haver preparação mental e antecipação, método, planejamento, inteligência, um propósito honesto e muito esforço”.

Fabio De Biazzi é doutor em Engenharia de Produção pela POLI-USP, conselheiro, consultor, diretor da Brain Business School, professor do Insper e autor do livro ‘Lições Essenciais Sobre Liderança e Comportamento Organizacional’

Heavy metal nos negócios online

14 de maio de 2018

Começa nesta segunda-feira, às 12h30, o VTEX DAY com palestra Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, ícone de rock, piloto, empresário, investidor, cervejeiro, escritor, locutor, esgrimista e, hoje em dia, é também um dos palestrantes mais carismáticos do mundo dos negócios.

O maior evento de vendas multicanal da América Latina tem consolidado seu prestígio nos últimos anos por ser um evento de pegada mais leve e divertida, mas sem perder o foco em resultados: vendas. Integrando o online e o offline, as palavras de ordem fundamentais para quem quer entender o novo momento são os temas das inúmeras palestras:  omnichannel; cross border; marketplace; marketing, TI, estratégias e ações comerciais e operacionais; cases globais de sucesso; negócios na prática.

São esperadas 13 mil participantes entre segunda e terça, e mais de 150 palestrantes – um aumento de 25% em relação ao ano passado – e feira com os grandes ‘players’ do mercado. O evento acontece desde 2013, sempre com palestrantes importantes no cenário brasileiro e internacional.

No ano passado tive o privilégio de assistir a palestra de abertura com Sir Richard Branson .

Alguns dos nomes internacionais que estarão palestrando:

Marc Randolph, veterano empresário, conselheiro e investidor do Silicon Valley. Marc foi cofundador do serviço de transmissão de filmes e televisão on-line Netflix, que atua como CEO fundador, como produtor executivo do site e como membro do Conselho de Administração até sua aposentadoria em 2004.

Brian McBride, Chairman da ASOS.com, o varejista de moda on-line e presidente da Wiggle Ltd, o negócio de ciclismo e tri-esportes online. É o Ex-Country Manager da Amazon.co.uk, com base em Slough, no Reino Unido

Sucharita Kodali, especialista em e-commerce, varejo omnichannel, comportamento do consumidor e tendências no espaço de compras on-line. Ela também é uma autoridade em desenvolvimentos tecnológicos que afetam o setor de comércio on-line e fornecedores que facilitam o marketing on-line e o merchandising. Em sua pesquisa, a Sucharita aborda tópicos orientados para o consumidor, como previsão e tendências de e-commerce, melhores práticas de merchandising, otimização de conversão e computação social no mundo do varejo. Ela também é autora do “The State Of Retailing Online”, um estudo conjunto realizado anualmente com a NRF.

Leslie Leifer, vice-presidente de Estratégia Empresarial e Desenvolvimento de Negócios da 1-800-Flowers.com, Inc. Em sua função atual, Leslie é responsável por novas iniciativas de negócios e incubação de marcas para a empresa, que inclui: 1-800-Flowers. com, Harry & David, Cheryl’s Cookies e The Popcorn Factory. Sua experiência nos últimos 12 anos no 1-800-Flowers.com, Inc, inclui gerenciamento de produtos, gerenciamento de projetos, SEO, análise da web, UX / UI, integrações e migrações de plataformas e gerenciamento de campanhas.

Hannu Vangsgaard,  com mais de 20 anos de experiência de vários papéis na arena digital e de comércio eletrônico, ele co-fundou uma das primeiras agências de marketing on-line na Dinamarca em 1998 e, mais tarde, ele foi nomeado chefe de comércio eletrônico no maior varejista da Dinamarca, Dansk Supermarked, onde encabeçou o estabelecimento do negócio de e-com do grupo a partir do zero. Depois disso, ele atuou como chefe de digital no mesmo grupo. Ele passou a ser o principal funcionário digital de uma das três principais agências de publicidade e agora Hannu trabalha como consultor independente no comércio eletrônico e na transformação digital.

Zia Daniell Wigder, Chief Global Content Officer da Shoptalk, um novo evento no varejo global e comércio eletrônico com mais de 7.500 participantes e 700 CEOs.  Zia é responsável pelo desenvolvimento de mais de 100 sessões na agenda e pelo recrutamento de mais de 300 palestrantes de inovações de startups inovadores, marcas estabelecidas e varejistas, empresas de capital de risco, promotores imobiliários e muito mais. Ela ingressou na Shoptalk em 2015 depois de passar mais de sete anos como Diretora de Pesquisa na Forrester, onde supervisionou a loja digital da empresa e a pesquisa de comércio omnichannel. Ela também liderou a cobertura global de comércio eletrônico da Forrester com foco em mercados emergentes como Brasil e China.

Saiba mais do evento, inscrições e palestrantes: http://vtexday.vtex.com/

Nos vemos lá!Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Novas profissões: cinco funções típicas de startups que existirão nas grandes empresas

11 de maio de 2018

Isto não é novidade. Organizações sempre buscam se moldar a padrões de gestão que, naquele momento, fazem mais sentido. No início do século passado, Henry Ford criou padrões e processos que rapidamente foram replicados por outras organizações e mantidos por décadas. Posteriormente, outros empreendedores independentes como Sam Walton (Walmart) e Akio Morita (Sony) ou corporativos como Shoichiro Toyoda (Toyota) e Jack Welch (GE) também estabeleceram abordagens administrativas que se tornaram padrão em outras organizações. Essas novas abordagens sempre foram consolidadas por meio de novas funções e, daí, novas profissões como gestor de processos (Ford), da cadeia de valor (Walmart), inovação (Sony), qualidade (Toyota) ou melhoria sistemática (GE).

Novamente, a história se repete e empresas criam novas lógicas de gestão que, cedo ou tarde (demais para várias organizações), também serão adotadas e difundidas por outras. A novidade dessas novas abordagens é que vêm sendo criadas e difundidas principalmente por startups, novos negócios baseados em tecnologias inovadoras e escaláveis que estão enfrentando e, muitas vezes, tornando obsoletos negócios tradicionais e conservadores.

:: ‘É tanto aventureiro que o mercado fica poluído’, diz CEO da Ewally sobre fintechs ::
:: Sete startups são selecionadas para 4ª edição de programa de inovação aberta do Bradesco ::

Neste contexto, se pensa em se preparar para os novíssimos empregos do futuro, entenda o que está acontecendo na gestão de startups, analise essas novas funções, reflita se também fariam sentido em iniciativas de maior porte e, se fizer sentido para você, prepare-se para novas profissões como estas:

Gerente de Customer Success. Qual é o nível mínimo de satisfação para, ainda assim, manter a fidelidade do cliente? Este é o mantra de diversas organizações que acreditam que maximizar a satisfação do cliente reduz a lucratividade. Mas a lógica de manter o cliente “satisfatoriamente satisfeito” não vale para as startups pela simples razão que tendo isto como objetivo elas simplesmente deixam de existir em um curtíssimo espaço de tempo. Sabendo disso, quase todas as startups mais profissionalizadas contam com uma função-chave: o responsável pelo sucesso do cliente. Soa estranho para quem trabalha em uma organização tradicional. Como assim, trabalhar para o cliente ter sucesso? Mas a função de quem atua com customer success é fazer com que o cliente realmente atinja e, principalmente, perceba e valorize seu sucesso pessoal por meio do produto ou serviço. Analise e, quem sabe, candidate-se aqui a essa vaga de customer success na RD, uma das principais startups de marketing digital do Brasil.

Growth Hacker. Como fazer uma empresa crescer em vendas é a pergunta feita constantemente por qualquer empreendedor ou executivo que lidere um negócio. As startups desta nova geração foram criadas e estão sendo desenvolvidas por meio do que é simplesmente chamado de analytics. Por utilizar diversas plataformas que geram dados de desempenho, cabe ao Growth Hacker interpretá-los e criar experimentos que levem rapidamente a resultados positivos de crescimento ou, como ocorre em boa parte do caso, ao rápido abandono de uma tática que se mostrou ineficaz. Crescimento das vendas, cada vez mais, uma ciência dominada pelo Growth Hacker. Conheça mais sobre esta função analisando esta vaga disponível hoje.

Community Manager. Líderes de diversas grandes corporações estão angustiadas pois seus colaboradores, áreas, departamentos ou unidades simplesmente não se falam, não se conhecem pessoalmente e, daí, não trabalham em equipe ou desenvolvem uma visão holística sobre uma determinada questão. Com o avanço de profissionais terceirizados convivendo com CLTs, isto só tende a se agravar nos próximos anos. Nas startups, principalmente naquelas que atuam em serviços de coworkings, a função de Community Manager, a pessoa que conecta pessoas, semeando novas oportunidades, é chave para o sucesso do negócio. Para entender melhor esta função, analise esta vaga divulgada pelo WeWork São Paulo.

Agile Coach. Como várias das novas funções, a tradução para o português (“treinador ágil”) não explica suas atribuições. Mas não há CEO de uma grande empresa do país que não cobre mais agilidade da equipe, dos processos, dos resultados. Mas a organização continua no escravos-de-jó-jogavam-caxangá. É aqui que entra o Agile Coach, que dissemina e consolida as técnicas e a filosofia das ferramentas ágeis de gestão de projetos. Squads, sprints, standup meetings são conceitos comuns em startups e tendem a ser adotadas em grandes empresas. Para saber mais sobre esta função, analise esta esta vaga da Creditas, uma das principais fintechs do país.

Especialista em Employer Branding. Mais que o termo em si, que precisa de pelo menos dois minutos para ser explicado, a cultura de uma organização precisa ser mais do que autêntica, inspiradora e direcionadora, precisar ser vivida por cada membro do seu time. O responsável pelo employers branding atua nesse sentido. Como? Cada caso é um caso. Mas esta vaga da startup Quinto Andar é bastante didática para definir a função.

Caso se interesse por conhecer outras vagas em startups, deixei uma lista com as principais oportunidades neste link.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

Empoderando as mulheres empreendedoras

9 de maio de 2018

O termo empoderamento feminino tem ganhado enorme destaque nos últimos tempos, com o objetivo claro de busca pela redução das diferenças de direitos entre homens e mulheres, seja no mercado de trabalho ou na sociedade de uma forma geral.

Embora percebamos importantes avanços em relação ao empoderamento feminino, diversos estudos apontam que há ainda uma enorme disparidade de gênero em aspectos financeiros, profissionais e sociais, especialmente no que se refere a salários e oportunidades de ascensão.

O paradigma do modelo familiar tem sofrido transformações relevantes, mas a participação masculina na vida familiar ainda não é proporcional. As mulheres assumem grande parte das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos, e essa dupla jornada dificulta a conciliação entre a vida familiar e a profissional.

Pouco se debate nas companhias como efetivamente implantar um sistema de gestão de pessoas realmente meritocrático, o que certamente corrigiria as distorções de gênero. Porém, a evidência aponta ainda para um alto nível de preconceito e resistência, retardando uma evolução acelerada.

Considerando que as oportunidades de ascensão na carreira ainda são limitadas para as mulheres, será que o empreendedorismo não poderia acelerar o processo de empoderamento feminino? Iniciar um negócio diminuiria a dependência da figura masculina e traria independência em relação ao seu futuro, porém empreender traz maiores riscos e dificuldades, apesar das enormes oportunidades.

Não há uma estatística oficial, mas alguns estudos apontam que cerca de 30% a 40% das empresas do Brasil são detidas por mulheres. Aproximadamente metade dos negócios que se iniciaram em 2016 foram abertos por mulheres. A grande diferença é que as empresas das mulheres crescem menos e poucas efetivamente se tornam médias ou grandes, o que denota certo conservadorismo, ou mesmo falta de oportunidades.

Apesar das diferenças dos gêneros, os fatores culturais ainda influenciam em como as mulheres agem em relação ao potencial do empreendedorismo. Há uma clara evolução no processo de desenvolvimento das mulheres nos últimos tempos, mas poucas são efetivamente preparadas para cuidar das finanças ou mesmo liderar pessoas e negócios. Essas competências, que são essenciais para se iniciar um negócio, precisam ser desenvolvidas, não só pelos seu efeitos práticos, mas também para contribuir com a confiança necessária para que ela se torne uma futura líder e seja reconhecida por sua competência e influência positiva.

Homens tendem a ser mais sistemáticos. As mulheres costumam ter melhor empatia e são geralmente melhores comunicadoras e formadoras de times, além de na média, terem maior nível ético e mais paciência, especialmente na administração das emoções e das relações interpessoais.

São grandes os desafios do empreendedorismo feminino. Primeiramente é preciso quebrar as barreiras culturais e superar o preconceito familiar, o conservadorismo, e às vezes as travas do moralismo excessivo.

Todas as mulheres têm capacidade para empreender. Desta forma, é importante fortalecer a autoestima e lutar pelos seus objetivos. Outro fator relevante é a necessidade de conciliar a vida pessoal com a profissional para não comprometer nem a família nem a companhia.

É importante para a mulher desenvolver uma atitude empreendedora, contudo é vital definir o quanto ela estaria disposta a abrir mão e a se sacrificar para crescer e empreender.

Muitas mulheres se sentem inseguras e despreparadas para iniciar ou gerir seus negócios, mas o mesmo acontece com a maioria dos homens. Insegurança e medo fazem parte da natureza humana, mas o mais importante é ter coragem e resiliência para superar barreiras.

Há diversas organizações sérias que estão se mobilizando para contribuir com o empoderamento feminino no empreendedorismo. A ONU Mulheres, o Sebrae, a Rede Mulher Empreendedora, a Escola de Você, a Endeavor e o Itaú Mulher Empreendedora são ótimas fontes para a mulher se informar e se apoiar para iniciar seu negócio.

O empreendedorismo feminino, além de diminuir as diferenças de gênero, tem potencial de altíssimo impacto social, mas algumas barreiras têm que ser vencidas. É necessário expandir as redes de contatos, criar empresas mais inovadoras e principalmente destinar mais recursos financeiros para suas companhias. Apesar de serem melhores pagadoras, as mulheres geralmente não têm a mesma capacidade de captação de financiamentos do que os homens.

Empreender é realizar, transformar idéias em realidade. É difícil, corre-se riscos e exige sacrifício, mas pode transformar sua vida. Numa sociedade e num ambiente empresarial ainda desbalanceados em termos de gênero, o empreendedorismo feminino é, sem dúvida, uma forma de acelerar o desenvolvimento das mulheres, especialmente na base da pirâmide da sociedade.

Tudo começa com uma ideia e a vontade de empreender. É importante buscar orientação e capacitação, para começar a transformação de vida. Empreender é fascinante, o que pode propiciar maior controle de seu futuro e acima de tudo, possibilitar de forma justa que a mulher alcance seu máximo potencial.

Ricardo Mollo é empreendedor, CEO da Brain Business School e PhD candidate na University of London.

Cristina Delboni é executiva, possui mestrado pelo IPT e é Gerente de Operações da Brain Business School.