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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Quer ser o melhor de você? Vivencie o fluxo de Mihaly Csikszentmihalyi! É mais fácil do que pronunciar seu nome.

27 de abril de 2018

Duas perguntas simples: Se avaliasse sua habilidade para realizar sua atividade planejada para hoje com uma nota entre zero e dez, qual seria? Da mesma forma, como avaliaria quão desafiador seria realizar esta atividade com uma nota entre zero (nada desafiador) e dez (extremamente desafiador)?

Agora, faça o cruzamento das suas respostas, considerando o gráfico abaixo. Se suas duas notas estiverem acima de sete, muito provavelmente está no estado de fluxo, considerando o conceito do  psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi (algo com mirraili checksmirraili).

Muito já foi pesquisado e publicado sobre o comportamento empreendedor . Mas como manter este comportamento em alto nível durante muito tempo ou mesmo durante toda a vida como fizeram Steve Jobs, Walt Disney ou Thomas Edison? E mais recentemente, Elon Musk, Richard Branson ou Mark Zuckerberg? Ao longo da sua carreira como psicólogo e pesquisador, Mihaly Csikszentmihalyi, estudou o que chamou de Fluxo ou Teoria do Fluxo, um estado mental em que uma pessoa executa uma atividade em completa imersão, plenamente energizado, totalmente envolvido, muito feliz e infalivelmente eficaz. Esta sensação de estar “em Fluxo” é comumente sentido por atletas, músicos, artistas, por exemplo. Mas também pode ser percebida em atletas amadores como alguém que termina uma maratona que era desafiadora nas condições planejadas ou um médico que finaliza uma cirurgia de alto risco com sucesso. O Fluxo para Csikszentmihalyi é sentir muito desafiado nos estágios máximos da sua habilidade pessoal. Este estado mental permite que as pessoas realizem feitos extraordinários.

As pesquisas de Csikszentmihalyi indicam que para atingir o estado de plenitude do Fluxo é preciso que o objetivo tenha 1) metas claras, 2) oportunidades de avaliações e 3) feedbacks a cada ação executada e 4) tenha uma pressão em equilíbrio entre desafio e habilidade.

Não há uma situação ideal já que se trata de um processo contínuo de evolução. Mas idealmente as atividades que estão por vir deveriam estar nas faixas de ansiedade ou excitação. Isto demonstra que o empreendedor ainda sente um “frio na barriga” e que ainda há muito o que ser aprendido e feito. Entretanto, as atividades a serem realizadas hoje, pelo uma, deveria estar no estado de fluxo já o(a) obrigará a tirar o melhor de si. As demais, poderiam ser classificadas como controle ou mesmo, relaxamento, por que não?

Mas há situações preocupantes quando a maioria das atividades atuais e futuras está nas faixas de preocupação, tédio e, principalmente em apatia. Aqui, Mario Sergio Cortella foi preciso: “Só um imbecil gostaria de fazer o que não curte…

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan.

 

Como me planejar para abrir um negócio e garantir que ele dê um retorno estável?

25 de abril de 2018

De uma forma geral qualquer empreendedor planeja como montar o seu negócio. É muito provável que ele imagine o que quer fazer. Porém, a maioria não leva em consideração alguns aspectos importantes no planejamento, que são vitais para que o negócio evolua. Devemos imaginar claramente porque desenvolveremos este projeto, com quem nos associaremos e como o negócio gerará resultados crescentes e sustentáveis.

Tudo começa com uma ideia ou oportunidade que a princípio pode fazer sentido, contudo nem todas as ideias são viáveis e potencialmente rentáveis. Fazer uma pesquisa de mercado, analisar a concorrência e conversar com potenciais clientes é uma boa forma de mitigar os riscos de iniciarmos um negócio que aparentemente parece promissor, mas que pode ter dificuldades por alta rivalidade do mercado, falta de diferenciação e principalmente pela falta de aceitação dos produtos pelos clientes.

Empresas com diferenciais geralmente têm mais sucesso

Procure desenvolver algo diferente, se possível inovador, e parta da necessidade do mercado. Formule uma proposta de valor interessante para os potenciais clientes, para que eles desejem o seu produto ou serviço e se proponham a pagar o preço necessário para rentabilizar o negócio. Às vezes os clientes querem o produto, mas não estão dispostos a pagar por ele. Se isto ocorrer, retorne para a formulação do modelo de negócio.

Estude sobre o assunto, faça cursos, leia sobre como os empresários estão desenvolvendo seus negócios e vá a encontros de empreendedores. Busque aconselhamento, mentoria e feedback na fase de montagem do modelo de negócio. É sempre muito importante ouvir a opinião de pessoas mais experientes que possam contribuir com seu negócio, mas ouça as pessoas que realmente tem competência para isto.

Teste a ideia e analise os custos e preços. Defina claramente o seu posicionamento estratégico e qual o segmento de clientes que quer atingir. Quando o modelo de negócio estiver concebido, tenha total convicção que o potencial cliente queira o produto e que esteja disposto a pagar por ele.

Ter uma visão clara dos objetivos da empresa é fator crítico de sucesso

Imagine quais os seus objetivos, metas e necessidades para colocar o negócio em prática. É muito importante ter certeza que o negócio possa gerar retorno suficiente para motivar os sócios a empreender de forma focada, o que é chave para o sucesso e rentabilidade.

Faça um estudo de viabilidade financeira conservador que considere os investimentos e o retorno esperado do negócio. Procure analisar os riscos e se está disposto a corrê-los por um prazo longo, uma vez que as empresas realmente sólidas geralmente demoram um bom tempo para se estabilizarem.

Monte um plano de ação e comece as vendas

A próxima fase é formular um plano de ação onde começamos a planejar como trazer recursos financeiros, atrair pessoas, fechar parcerias e o mais importante, conquistar clientes.

Escolha bem seus sócios. Nem sempre os amigos ou familiares são as pessoas mais competentes para desenvolver o negócio, apesar de serem aquelas que tenhamos mais afinidade ou confiança. Procure se associar com quem possa efetivamente ajudar na execução e desenvolvimento da empresa.

Garanta caixa suficiente para a fase inicial e mantenha uma reserva para a companhia e para você. Evite financiamentos no início e procure gastar o mínimo possível.

Prepare-se para a batalha e coloque metas, cronograma e planeje a execução. Combine bem as expectativas com a família e com os sócios. Organize o início da companhia com critério contratando um contador e um advogado confiáveis para ajudar na constituição da companhia e no desenvolvimento dos contratos.

Para ter um retorno estável, é importantíssimo passar o breakeven (ponto de equilíbrio de resultado) rapidamente e ter foco nas vendas. Mais do que ter diversas novas ideias, é vital colocá-las em prática e começar a executar e rentabilizar a companhia.

Apaixone-se pelo seu negócio e visualize o sucesso da forma mais positiva possível, porém sem ilusões e sem deixar de considerar os riscos. Dê o pontapé inicial com o melhor produto possível e tome cuidado para não cair na tentação de ficar desenvolvendo o produto infinitamente. Defina o mínimo que o cliente compraria, comece o jogo e foque no crescimento.

Ricardo Mollo – É empreendedor, CEO da Brain Business School e PhD candidate na University of London.

 

Os negócios de impacto social oferecem soluções concretas para problemas reais da sociedade brasileira?

24 de abril de 2018

Como um empreendedor pode atestar que o produto ou serviço que oferece é realmente inovador e responsável pela melhoria da cognição de alunos de escolas particulares e públicas? Uma empresa pode diminuir, via SMS, o impacto negativo da “ausência” dos pais na vida escolar? Essas são algumas questões presentes no cotidiano de empreendedores de impacto social, sobretudo os que estão em busca de recursos. Isso porque os investidores usam métricas de avaliação para uma série de propósitos – tomar decisões de investimento, identificar e mitigar riscos, capturar o valor agregado em longo prazo e acompanhar o investimento para garantir que os objetivos sociais e financeiros sejam cumpridos.

As métricas também ajudam a melhorar o modelo de negócio e atestam o impacto causado pela empresa. Tudo isso contribui para aumentar a transparência com todos os públicos interessados; por outro lado, são inúmeros os desafios para implementar um sistema de métricas. Medir o impacto tem um alto custo e demanda uma série de competências e recursos humanos difíceis de conseguir. Com a premissa de unir lucro à transformação social, a comprovação da efetividade e sustentabilidade do negócio é fundamental para conquistar investidores e aprimorar a atuação no que diz respeito à geração de impacto positivo. Diante desse desafio para o empreendedor de impacto, a Artemisia se juntou à Agenda Brasil do Futuro e à Move Social para lançar o Guia Prático de Avaliação para Negócios de Impacto Social, disponível para download gratuito.

O guia prático traz conceitos importantes na avaliação de negócios de impacto social e o passo a passo para essa medição. Com um texto simples e explicativo, aborda cada item com casos concretos, vídeos, websites, dicas de leitura e exercícios de brainstorming – que ampliam a compreensão da equipe e mostram como conduzir a mensuração adequada a cada estágio da startup e área de atuação. O guia foi organizado por Rogerio Renato Silva, Max Gasparini, Elis Alquezar, Paola Gongra e Antonio Ribeiro.

A proposta é oferecer suporte ao empreendedor de impacto social para que pense sobre os principais conceitos de avaliação do impacto social do negócio; como criar uma cultura de avaliação interna e externa; como conduzir e quais instrumentos; metodologias e métricas; e quais armadilhas evitar. Um guia que ajudará o empreendedor e a equipe a construir uma solução customizada; totalmente voltada ao negócio e ao propósito que espera com essa mensuração.

Na Artemisia temos cases de empreendedores acelerados que criaram mecanismos e parcerias para viabilizar a avaliação do impacto dos negócios. O ponto de partida para a análise conduzida pela Geekie – empresa referência em educação com apoio de tecnologia no Brasil e no mundo – foi o ENEM 2015, quando a diferença entre a média das escolas privadas em comparação com as públicas era de 70 pontos: 556 contra 486, respectivamente. Com o uso do Geekie Games, que atua com simulados oficiais do MEC, plano de estudos personalizado com as melhores aulas e exercícios, esses resultados começaram a mudar, melhorando a nota em cinco vezes mais. A plataforma atuou com 4,5 milhões de alunos inscritos – 57% do total de candidatos do ENEM – estudantes de 99,8% municípios do país. Entre eles, histórias de sucesso como a de Luiza. Aos 16 anos e estudante de escola pública no Estado de Pernambuco, a garota tinha o sonho de ingressar na faculdade pública de Medicina; em contrapartida, a nota do ENEM era de 433, um impeditivo para a realização do sonho. Com o uso do Geekie Games, Luiza conseguiu melhorar a nota em 101% e atingir 871 como nota final.

Vencedora do prêmio Melhor Inovação Social liderada por empreendedores brasileiros com menos de 35 anos – concedido pelo MIT Technology Review – a MGov oferece o ImpactCom, uma plataforma de comunicação inteligente para engajamento voltado ao desenvolvimento social. Entre suas soluções está a biblioteca de conteúdo EduqMais – que atua diretamente para diminuir o impacto negativo da “ausência” dos pais na vida escolar. Segundo dados, 25% dos pais não sabem que os filhos faltaram à aula; 33% dos pais não perguntam sobre os problemas dos filhos; e 50% não têm o hábito de verificar o dever de casa. Com o apoio da Universidade de Stanford, a MGov conduziu uma avaliação do custo-efetividade para investigar a eficácia desse produto – que tem como base a comunicação via SMS para engajamento das famílias na educação dos filhos. A análise mostrou que o EduqMais tem impacto quatro vezes superior ao de outras políticas públicas de educação, tendo o mesmo investimento em reais necessários para aumentar a jornada escolar em uma hora, aumentando a proficiência do aluno.

A Vivenda – que oferece acesso a reformas de qualidade para a baixa renda, atuando com venda diretamente para o consumidor; com organizações filantrópicas e organizações; e com o poder público – já fez mais de 700 obras, atendendo a aproximadamente 2.700 pessoas. Mas faltava, na percepção dos empreendedores, uma pesquisa de impacto. Com a ajuda da FGV e Plano CDE, puderam verificar que a reforma da casa é a prioridade para o público-alvo e que, entre os principais impactos da atuação é privacidade, autoestima, praticidade, saúde e faísca para a transformação.

Quanto ao questionamento inicial que norteou esse artigo, a resposta é claramente SIM! Os negócios de impacto social estão mudando a forma de empreender no Brasil e imprimindo impacto positivo na vida de milhões de brasileiros da baixa renda. É possível mudar o mundo e ganhar dinheiro via empreendedorismo de impacto social.

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

Cannoli para tubarões – o empreendedor que sobreviveu ao Shark Tank

23 de abril de 2018

O sonho de ser empreendedor é uma força da natureza, difícil de ser contida, que nos faz dar mil voltas até encontrar o seu curso. Hoje apresento uma entrevista muito divertida e enriquecedora com o empreendedor Alexandre Caliman, jornalista, publicitário, vespista e – acima de tudo – orgulhoso dono, junto com a esposa Mônica, da empresa Cannoli do Calimano.

No filme “O Poderoso Chefão”, o mafioso diz “Leave the gun, take the cannoli” (“Deixe a arma, pegue os ‘cannoli’”). Os cannoli são um dos doces mais conhecidos da Itália, originários da Sicília, onde eram presença obrigatória nas festividades das comunidades rurais e no carnaval. Hoje fazem parte do dia a dia das ruas e das confeitarias de toda a Itália. As receitas de cannoli chegaram ao Brasil junto com os imigrantes.

Assista o vídeo do Alexandre preparando a sua receita “secreta” na cozinha de casa.

Entre as várias aventuras que o negócio do cannoli vem proporcionando, Alexandre e Mônica foram selecionados em 2017 a participar na segunda temporada do reality show Shark Tank Brasil, onde apresentaram o projeto de investimento de transformar a fábrica “caseira” num negócio de grande porte. Mesmo não conseguindo convencer os “tubarões”, os doces foram um sucesso, e Alexandre levou para casa um grande aprendizado.

1. Qual o teu histórico profissional e como isso culminou na vontade de empreender?

Cara, meu histórico profissional é meio maluco e se confunde com a minha história de vida, porque eu sempre trabalhei, desde os 13 anos. Não porque precisava ajudar a família ou porque meus pais me obrigaram a isso. Mas porque eu queria!

Comecei como balconista em uma locadora de vídeo, e isso me deu uma muita noção de atendimento ao público. Sempre fui fã dos filmes clássicos e dos filmes de ação da época… fiquei uns 3 anos nessa locadora, vi muito filme, fiz muita sinopse e atendi muita gente do bairro, que virou minha amiga.

Bom, depois disso acabei indo trabalhar com meu pai na gráfica e aí aprendi com ele, e com a equipe toda, o valor da excelência nos processos. Ver a produção, acompanhar meu pai na gestão e também ajudar no dia a dia sendo uma espécie de “faz tudo” da gráfica me fez entender como é importante um empreendedor saber e já ter feito tudo o que é feito na sua própria empresa. Meu pai começou como contínuo numa gráfica, foi impressor, trabalhou em todas as áreas, foi vendedor e depois de, sei lá, 20 anos, resolveu abrir a própria empresa – que durou algumas décadas até ele adoecer e morrer bem novo, com 48 anos. Ele, Luiz Caliman, era uma força da natureza trabalhando, um líder nato. E era apaixonado por artes gráficas. Muitas vezes o vi saindo do papel de “dono da empresa” pra virar impressor, acabamentista ou tipógrafo, junto da equipe. Foram uns 4 ou 5 anos que passei ao lado dele que me inspiram até hoje.

Daí, com uns 20 anos fui trabalhar em shopping, fui estoquista, caixa e vendedor. Passei por uma loja de roupas e outra de sapatos. Nas duas, aprendi que um cliente, na maioria das vezes, entra pra comprar um item, mas se o trabalho for feito de forma apaixonada e correta, a gente convence ele a levar mais uns 3 ou 4 e ainda lhe agradecer no final.

Em 1999  me formei em Jornalismo (aos 25 anos) e aí fui trabalhar numa grande empresa. Já comecei sendo editor de quadrinhos, na Abril Jovem e agradeço ao universo por isso: terminei uma faculdade de jornalismo, mas fui trabalhar mais uma vez com coisas que amava, as HQ’s de super-heróis. Lá foram 3 anos de um aprendizado completamente diferente do anterior. Vi que numa empresa grande, só sobrevive quem está disposto a “se anular por um bem maior”… não tem espaço pra grandes ideias, não existem grandes possibilidades para arriscar. É tudo controlado pela instituição e a gente consegue, às vezes, colocar uma ideia própria em prática… é tudo muito mais político, mais engessado, mais hierarquizado. Mas foram anos incríveis também. Daí saí pro mundo da internet – lembra da bolha? Participei do portal Zip.net como editor, passei pelo UOL e, quando a bolha da internet estourou, acabei me tornando um redator publicitário.

Há uns 5 anos, talvez pela famigerada crise da meia idade, percebi que só a publicidade não me completaria pessoalmente e comecei a pensar em fazer algo relacionado a outra paixão que tenho na vida: a Itália e tudo o que está relacionado a este país. Sempre gostei de cozinhar e, modéstia a parte, sempre cozinhei bem. Foi então que, por hobby comecei a fazer os cannoli. Mas logo, virou empreendimento. E aí tudo começou a se mover diferente, pra um caminho bacana que, eu acredito, vai me levar ainda bem longe!

2. Você teve algum perrengue que serviu de aprendizado?

Tive. E foi com os próprios cannoli. Em 2014, depois do auge da onda dos food trucks, a gente (eu e a minha sócia e esposa, a Mônica) resolvemos abrir uma pequena loja em um strip mall do bairro (na Casa Verde) onde os eventos de food truck eram feitos com sucesso. Depois de 4 meses, fechamos. Não por falta de público, nem por conta de má gestão, mas por uma incompatibilidade de objetivos entre nós e os donos do pequeno shopping. Na verdade, eles só queriam a gente lá (e todos os outros que alugaram suas lojas) para não ficarem sem renda até a venda da propriedade. Claro que a gente não sabia dessa intenção deles e quando descobrimos, resolvemos cortar relações. Nesse episódio, aprendi que muitos fatores, além da qualidade do seu produto, bom atendimento e esforço pessoal, podem influenciar no seu negócio. Como por exemplo: o caráter dos donos do imóvel que a gente aluga pra montar um empreendimento.

E o maior aprendizado nesse caso foi o seguinte: não acredite “somente na palavra” de ninguém, faça contratos e especifique tudo nesses contratos. É o tal negócio… todo mundo é amigo, até as coisas começarem a ficar estranhas. Não estou dizendo que a gente deva desconfiar, nem que devemos ser pessoas rudes no trato e nas negociações. Acreditei, acredito e sempre vou acreditar nas pessoas, na gentileza e nos relacionamentos harmoniosos. Digo isso por uma questão de precaução mesmo e, vou usar outra frase feita pra exemplificar tudo isso: “o combinado nunca é caro”.

Aprendi que pesquisar antes sobre as pessoas, conversar com quem já fez negócios com elas, observar por um tempo antes de fechar negócio pode fazer a diferença na vida de um empreendedor e evitar algumas dores de cabeça.

3. A vontade de empreender veio antes ou depois do cannoli?

Creio que os cannoli surgiram de uma vontade absurda e contida que eu já tinha de empreender. Os doces (que pra mim são como joias) foram só a manifestação dessa vontade.

4. Como o empreendimento afetou a rotina da família?

Putz… senta que lá vem história… hehehe. Mudou tudo! Completamente tudo na nossa rotina. Eu continuo trabalhando como redator e a Mônica tem agora a dupla função de cuidar dos filhos e também dos cannoli (ela é quem coordena a produção, faz as compras, o financeiro e um montão de outras coisas). Esse apoio e a dedicação da Mônica com os cannoli são fundamentais pra boa saúde do negócio e da família. Sem ela, nada existiria, nem os cannoli, nem a família. Acho até que pra ser mais justo, a gente deveria chamar Cannoli da Monica, não do Calimano (risos). Acredito que vem dela toda a organização e a capacidade de conciliar a família com os negócios. Se dependesse só de mim, o foco estaria todo o tempo no trabalho. Mas quando eu estou “viajando” muito, deixando a família meio de lado, ela vem, me dá um puxão de orelha e me coloca no eixo de novo. Na prática, tentamos sempre estar o mais organizado possível para cumprir uma agenda. Procuramos sempre fazer tudo em família, quando é possível. No último evento que participamos, por exemplo, no Shopping Pátio Higienópolis, levamos os filhos com a gente. Enquanto trabalhávamos, eles comiam. E o Vito, 9, até que ajudou um pouquinho. A Giulia só curtiu o evento mesmo (risos).

5. Qual o teu ponto forte como empreendedor?

Ah… a vontade de fazer o melhor sempre, de não desistir. Também acredito muito na minha capacidade de comunicação com os clientes e no conhecimento que tenho do meu produto.

6. Conta um pouco de como foi a aventura do Shark Tank, como coisas legais  que aconteceram.

Foi uma experiência incrível. Primeiro porque eu achava que nunca seria chamado para participar, fiz um vídeo e me inscrevi muito despretensiosamente. Depois, porque o processo todo, do dia em que te ligam até o dia da gravação, é muito intenso. A gente fica imaginando como vai ser a vida se os tubarões toparem o negócio ao mesmo tempo que se prepara pra não fazer feio em frente às câmeras, ensaia o pitch umas 300 vezes por dia, conversa sobre a proposta umas 350 vezes, refaz os planos umas mil vezes… e aí quando vamos ver, já foi… E é muito bacana isso, como tudo o que tira a gente da zona de conforto. Foi muito legal conhecer os bastidores, ter contato com o pessoal da produção, todos muito ágeis e profissionais e gente fina (até hoje vendo cannoli pra alguns deles). É bem bacana ver como um programa de TV é feito e ficar cara a cara com os empreendedores considerados como alguns dos melhores traz pra gente uma confiança, um sentimento de que nada é impossível.

7. Qual o maior desafio enfrentado (e superado) até hoje com o Cannoli?

Creio que é o desafio que vamos ter que encarar sempre: a perda de um cliente. Esse ano, deixamos de atender a um restaurante que era nosso cliente desde o início do negócio. Foram quase 4 anos juntos e, como eles reformaram a cozinha e criaram uma estação dedicada a doces, passaram a fabricar seus próprios cannoli. Isso gerou um impacto negativo no início do ano, mas a gente superou encontrando um cliente ainda melhor, que compra mais do que esse restaurante e tem uma relação de parceria incrível com a gente!

8. Qual foi a maior besteira que você já fez? Alguma coisa que você teria feito diferente?

A gente tende a ter memória seletiva e esquecer as mancadas, mas algumas delas não esquecemos porque justamente nos ajudam e nos ensinam. Uma dessas foi quando eu, na ânsia de atender a tudo e a todos, aceitei fazer 4 eventos simultâneos em um final de semana. Foi uma loucura, correria. Saímos atrás de gente pra trabalhar, produzimos o dobro, nos enchemos de expectativas e 2 dos 4 eventos não tiveram nem a metade do público estimado. Deu tudo certo, graças ao nosso esforço, mas no final, não tivemos o retorno financeiro que imaginávamos. Chegamos à conclusão de que às vezes é melhor selecionar com calma quais eventos devemos participar, fazer contas imaginando o pior cenário e, só então assumir ou não uma responsabilidade. Resumindo, às vezes a gente ganha mais dando uma descansada e uma pensada nos próximos passos ao invés de sair como um trator querendo conquistar tudo!

Saiba mais do Cannoli do Calimano
Site:  cannolidocalimano.wordpress.com
Instagram:  instagram.com/cannolidocalimano
Facebook:  facebook.com/cannolicalimano

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Organizações caórdicas: como um gerente de uma pequena organização reuniu milhares de concorrentes para criar um negócio de US$ 300 bilhões

20 de abril de 2018

Talvez não conheça Dee Hock, mas muito provavelmente carrega a empresa que ele fundou em sua carteira. Em 1968, ele era um gerente mediano de um banco norte-americano também mediano, o National Bank of Commerce. Como sempre teve um comportamento empreendedor, ficava imaginando oportunidades para o banco em que trabalhava. Naquele ano, sugeriu que passassem a oferecer algo que outros milhares de instituições já faziam nos Estados Unidos: lançar um cartão de crédito.

O conceito de cartão de crédito já era antigo, do Século XIX mas só em 1958, o Bank of America, um dos principais do país, conseguiu criar um negócio bem sucedido, o Bank Americard. Hock encarregou-se de tentar associar seu banco a este cartão. Mas quando analisou mais detalhadamente o setor, descobriu que apesar do Bank America card ser o maior, havia milhares de iniciativas semelhantes. E que todas ficavam brigando entre si, oferecendo exatamente o mesmo serviço e incorrendo com inúmeros custos desnecessários. Além disso, os sistemas eram lentos e falhavam constantemente o que geravam dores de cabeça constantes para os bancos e seus clientes, além de ser um parque de diversões para fraudadores.

Neste contexto, Hock teve uma ideia óbvia do ponto de vista do mercado consumidor, mas absurdamente idiota considerando àquela concorrência confusa. Por que não reunir todos os cartões sob uma mesma iniciativa, aumentando a capilaridade e eficiência do setor? Mas para os bancos que atuavam no setor vinha a questão: por que eu vou me juntar ao meu concorrente, entregando minha infraestrutura e, principalmente, meus clientes já que, apesar das dificuldades, estou ganhando dinheiro? E para o Bank of America, a questão era ainda mais difícil de responder: por que eu, líder absoluto de mercado, preciso me juntar a milhares de nanicos que sequer considero como concorrentes?

Dee Hock não só conseguiu responder estas questões como convenceu 21 mil instituições, começando pelo Bank of America, a se juntarem a ele em um mesmo e único negócio.

Em seu livro “Nascimento da Era Caórdica” (Ed. Cultrix, 2000), Hock explica como fundou a Visa, a empresa de meios de pagamento avaliada atualmente em cerca de US$ 300 bilhões. Para explicar como conseguiu transformar concorrentes em parceiros, ele definiu um novo conceito: caórdico. Ou em mais palavras, como prosperar colocando ordem em algo que é naturalmente caótico.

O conceito de organização caórdica volta a ganhar importância neste momento em que o mercado é caracterizado pelo surgimento de inúmeras startups, sendo que o todo e cada uma se forma em meio a um caos. E por organizações de maior porte que começam a entrar em situação de caos dado a falta de engajamento dos seus colaboradores, a dinâmica confusa do mercado e o surgimento de inúmeros concorrentes.

Para quem está em meio a um caos e mesmo assim busca prosperar seguindo alguma ordem, uma reflexão sobre os ensinamentos difundidos por Hock pode ser muito útil neste momento. Ele que explica que as organizações caórdicas:

São baseadas em claros princípios e propósitos verdadeiramente compartilhados;

São auto organizadas e geridas no todo e nas partes;

Existem para fortalecer as partes;

São empoderadas pelas partes periféricas e unificadas em uma essência central;

São duradouras em propósito e princípios, mas maleáveis em forma e função;

Distribuem de forma equitativa poderes, direitos, responsabilidades e recompensas;

Combinam harmonicamente cooperação e competição;

Aprendem, adaptam-se e inovam em cada ciclo de expansão;

Liberam e amplificam a ingenuidade, a iniciativa e a reflexão pessoal;

Integram-se e incentivam a diversidade, a complexidade e a mudança;

Beneficiam-se ao harmonizar de forma construtiva o conflito e o paradoxo;

Restringem e incorporam de forma discreta métodos de comando e controle;

São compatíveis com os valores humanos e ambientais;

Por fim Hock defende que as organizações deveriam ser invisíveis. “São os resultados e não a estrutura ou gestão que deveriam aparecer!” – explica.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Como conseguir dinheiro para empreender?

19 de abril de 2018


Foto: Getty Images

Para empreender é necessário ideias, contatos, pessoas, técnica e dinheiro. Muitas vezes o entusiasmo e a sorte nos ajudam a começarmos um negócio, mas sem dinheiro é sempre mais difícil e improvável que a futura empresa cresça e se desenvolva de forma sustentável. Qual a melhor opção para conseguirmos recursos financeiros?

Há algumas opções para captarmos, mas lembre-se: dinheiro no Brasil é bastante caro e escasso. Intuitivamente tendemos a imaginar que os recursos de financiamentos bancários são mais caros. Na teoria financeira, captar financiamentos é mais barato do que captar recursos de investidores. Investidores tendem a perceber mais riscos e apesar de não cobrarem juros, pedem relevantes participações societárias e exigem condições para o aporte. Além de ser mais caro, captar de investidores nos obriga a adequarmos nosso modelo de gestão de acordo com os padrões de governança exigidos.

A melhor opção de captação de recursos nem sempre é a mais barata. Para captar recursos é importante analisar os riscos envolvidos e as exigências associadas, além de avaliar qual o percentual da companhia que se está disposto a vender, bem como quanto de poder é preciso abrir mão.

Dependendo da fase de desenvolvimento que a empresa estiver, ela pode acessar diferentes investidores ou financiadores. O nível de maturidade da companhia é diretamente relacionado ao seu nível de risco, o que determina que tipo de investidor aceitaria este nível de risco e qual seria sua exigência de participação ou mesmo de rigor em termos de governança. Desta forma, quanto mais nova ou arriscada a companhia for, provavelmente maior será a participação que o investidor exigirá para investir.

Novos negócios que estão começando agora
Negócios ou projetos que estão começando tendem a ser mais arriscados por estarem ainda em fase de estruturação, em prova de conceito, em desenvolvimento de protótipos e em formação do time. Neste momento de maior risco, os investidores tenderiam a exigir participações bem altas do capital para investir, o que pode inviabilizar a captação, uma vez que os empreendedores podem perceber que não vale colocar todo seu esforço para ficar com poucas ações.

Nesta fase inicial é preferível usar recursos financeiros da reserva pessoal dos empreendedores, ou partir para captar recursos das suas famílias e dos seus amigos, especialmente dos amigos mais ricos. Muitos empreendedores até vendem seus carros ou seus bens para investir na ideia.

Outra forma interessante para captar é acessar recursos de agências de fomento públicas como a Fapesp, Finep e CNPQ. Estas agências têm geralmente linhas de apoio a empreendedores para a fase de pesquisa, mas requerem um projeto. O processo de captação costuma ser longo e um pouco burocrático, mas as linhas são de ótima qualidade e às vezes são até a fundo perdido.

A opção por fazer um financiamento coletivo
Outra opção interessante para a fase inicial são os chamados financiamentos coletivos, o que os americanos chamam de crowdfunding. Este tipo de captação se dá por intermédio de plataformas online, onde o empreendedor publica seu projeto na web e investidores diversos fazem pequenos aportes.

A ideia é que uma quantidade grande de investidores, geralmente pessoas físicas, invistam pequenos valores, mas coletivamente totalizem a necessidade de recursos que o empreendedor precisa para o seu projeto. É importante que o projeto seja bem estruturado, que mostre os objetivos a serem atingidos com os recursos e qual o retorno esperado para o investidor. As plataformas mais famosas aqui no Brasil são o Kikante, Kria e Catarse.

Outra forma de captar em fases iniciais é buscar recursos com os chamados “anjos”. Geralmente são investidores que já empreenderam ou são executivos, que além de prover recursos, se tornam mentores conselheiros dos empreendedores nos quais investem.

A idéia principal é conseguir destes anjos não só dinheiro, mas idéias, orientação na formação da empresa e até mesmo indicações de pessoas e negócios. Os anjos são investidores arrojados que assumem bastante risco, mas geralmente exigem participações altas das companhias ou dos projetos. Alguns dos principais grupos de anjos são os seguintes: Anjos do Brasil, Eqseed e a Gávea Angels. Estima-se que existam mas de cem mil investidores anjo no Brasil.

Muitos empreendedores em fase inicial costumam fazer trocas de participação acionária com o desenvolvimento de parte do projeto. Por exemplo: trocar uma parte do projeto pelo desenvolvimento de um sistema, processo, teste ou mesmo pela simples participação de um mentor importante que poderia abrir portas ou mesmo atrair futuros clientes. Os laboratórios de tecnologia, as chamadas “fábricas de sistemas”, as aceleradoras ou mesmo as incubadoras muitas vezes fazem este papel.

Como fazer quando a empresa tem um pouco mais de experiência
Uma vez que a empresa foi formada e já conseguiu uma certa tração nas vendas, as portas dos fundos de investimentos começam a se abrir. Existem diversos tipos de fundos: venture capital, growth capital e private equity. Nesta fase procure pelos fundos de venture capital pois eles que geralmente investem em empresas em fase inicial. Costumam buscar qualquer tipo de idéia inovadora, especialmente as que têm tecnologia e patentes associadas. Fatores como diferenciação, inovação e potencial de crescimento são altamente desejados por este tipo de investidor.

Apesar de arriscado, captar financiamento de bancos pode ser uma opção boa em fases iniciais das companhias. É certamente mais barato do que captar de investidores, apesar de termos que pagar compulsoriamente os juros e em algum momento o principal. O risco de começarmos a empresa com financiamentos é maior, porém, não exige alto nível de governança e o empreendedor mantem todas as suas ações.

Neste momento, as taxas de juros no Brasil estão em patamares baixos, o que pode ser bem atrativo. Porém, tome muito cuidado com os financiamentos. Procure buscar financiamentos de longo prazo, com carência de pagamento e se possível, com juros subsidiados pelos bancos estatais, como o BNDES e o Desenvolve SP. Um dos maiores impeditivos é que o banco provavelmente exigirá garantias reais. Alguns empreendedores às vezes optam por fazer um financiamento com garantia de seus imóveis, o que é geralmente uma forma mais barata de conseguir recursos, com um prazo bastante grande para o pagamento do principal.

Uma certeza: será preciso tomar dinheiro emprestado para empreender
De uma forma geral, captar recursos é algo absolutamente imprescindível para iniciar um negócio. A captação pode ser a chave para acelerar o desenvolvimento da empresa, mas pode ser um desastre se não captarmos os recursos com a linha certa, do investidor mas adequado e nas condições que realmente tragam confiança para o desenvolvimento de forma sustentável.

Procure investidores que tragam não somente dinheiro para a empresa, mas que também contribuam com outros fatores, como gestão, clientes e tecnologia. E lembre-se: quem tem que escolher o investidor são os empreendedores e não o inverso, por que no final das contas, quem empreende é quem tem paixão pelo negócio e está apostando tudo. Seja exigente com quem for se associar, pois esta relação deve ser de longo prazo e se for mal sucedida, pode comprometer o seu futuro.

Ricardo Mollo (Especial para o Estado) – É empreendedor, CEO da Brain Business School e PhD candidate na University of London.

Feiras para empreendedores e a chance de fazer escolhas mais acertadas, desde que se queira

17 de abril de 2018

Foto: Leandro Martins / Ricardo Yoithi Matsukawa - ME

Tive a oportunidade de, mais uma vez, palestrar na Feira do Empreendedor organizada pelo SEBARE e gosto muito do contato com as pessoas que vão nos assistir, com sede de informações, da dica sobre a melhor franquia ou negócio para investir, quais os cuidados que devem tomar para não caírem em roubadas e os passos para o sucesso.

Acredito que meu papel seja orientar para abrirem os olhos e possibilitar que façam as escolhas mais corretas e, para tanto, é preciso mostrar o que pode dar errado, uma vez que já estão em um auditório para ouvir sobre os conceitos e boas práticas do Franchising, pois gostam do tema e estão pensando em investir, de alguma forma, na “formula mágica da garantia do sucesso” – a qual não existe.

Até aí normal, nenhuma novidade.

Mas, o que por um lado é interessante – situações recorrentes – as mesmas dúvidas, a mesma ansiedade pelo sonho do negócio próprio, o mesmo desconhecimento, a admiração por quem conhece tanto o mercado e o comportamento das empresas, assim como os riscos de empreender e alerta sobre eles, por outro lado me incomoda, muito, o fato de que, por mais que apresentemos o viés negativo ou perigoso de investir em quem sabe tão pouco quanto os que estão, ali sentados, assistindo as palestras, ainda assim estas pessoas querem ouvir aquilo com o que estão sonhando.

Vamos aos fatos para exemplificar. À medida que vou apresentando o que torna o Franchising uma estratégia que possibilita riscos menores a quem investe, exemplifico com o que não pode ser feito, o papel das partes, o que é um Franqueador amador, a legislação, tudo que aquele momento permite mostrar, ou até mesmo escancarar, para que não percam o dinheiro que foi tão difícil de juntar. Às vezes, a poupança de uma vida inteira está à nossa frente, nestas palestras e nossa responsabilidade é enorme, se bem me entendem.

Olhos arregalados, mãos nas testas, a cutucada na pessoa ao lado: “ufa, quase me meti numa dessas”, sorrisos tensos ou aliviados, o dedo indicador que levanta e abaixa na dúvida se perguntam ou não, pois não querem ouvir que não deveriam comprar uma ou outra franquia que já está se mostrando inadequada, pelos motivos expostos. Mas, e o sonho? O ideal de ser empreendedor, de ser dono do próprio nariz, de não ter que dar satisfação a mais ninguém, o status de dono e a admiração da família e amigos torna, muitos deles ali à minha frente, míopes e reféns de seus ideais.

A troca de olhar, comigo, pede que sejamos cúmplices, que eu entenda que, com ele ou com ela, será diferente. O sorriso suave e doce sela um acordo tácito de que vou ouvir falar do sucesso deles, já que querem meu contato para contarem tudo que deu certo, ao contrário do que aconteceu com os outros. “Eles” é que não eram tão bons ou a franqueadora deles era pior que esta que escolheram. Vão crescer juntos e fazer uma história diferente de todas aquelas que, em igual situação, quebraram, faliram, sumiram do mercado e puseram a culpa no perfil dos franqueados que não era bom.

Houve quem chegou e falou forte ou duro até, que tinha resolvido todas as dúvidas e aberto os olhos e que não iriam tirar um centavo daquele bolso, sem que provassem o profissionalismo, a estrutura, o conhecimento e domínio do negócio. Que alívio! Dois ou 3 a cada 50. E muitos outros, ainda querendo pós palestra me convencer com todos os argumentos e documentos, da fria que iriam entrar. Agora, mais conscientes inclusive.

Bom seria que, muitos desses franqueadores, estivessem ali conosco ou já tivessem feito seus exames de consciência e da responsabilidade que têm com estas pessoas e suas famílias, mas quero crer que têm o mesmo sonho de se tornarem a maior e melhor franqueadora do Brasil, se espelham nos melhores, mas desconhecem o longo e árduo caminho que percorreram.

De qualquer forma, faço meu papel de buscar conscientizar de que somos responsáveis pelas nossas escolhas e que, para escolher o melhor parceiro a investir, não é preciso abrir mão de seus sonhos, apenas o cuidado de não torná-los pesadelos.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

Atletas Empreendedores

16 de abril de 2018

Segundo dados da PEGN, o Brasil é o 5º maior mercado mundial do setor de alimentos e bebidas saudáveis. Mesmo assim, ainda é um mercado carente de opções, em especial para as pessoas com foco em treinamento físico – e não apenas atletas profissionais, mas também uma enormidade de atletas amadores – que ao longo da semana gostam de comer alimentos que tenham propriedades funcionais que ajudem a alcançar uma melhor performance.

Neste contexto, os amigos de corrida Rogério Silva Pereira e Pedro Catalani enxergaram uma oportunidade de empreender vinda da própria necessidade de cuidar da própria alimentação, e em 2016 surge a Cozinha de Atleta, com 8 receitas de pratos prontos congelados, sem conservantes e low carb.

Como todo empreendedorismo “mãos na massa”, esta história é cheia de lições inspiradoras e práticas que o sócio Rogério me contou nesta entrevista:

Conte um pouco da história profissional de vocês.

Nasci em São Paulo e levo no sangue a herança empreendedora da mãe. Aos 18 anos ingressei na faculdade de Administração de Empresas e logo iniciei a carreira em uma multinacional de Telecomunicações, onde atuei até março de 2017. Em 2014, paralelamente ao emprego na multinacional e ao MBA em Gestão Estratégica de Negócios, conciliei tempo e investimento financeiro numa tentativa de atuar com a revenda de roupas jovens num bairro nobre de São Paulo. Era o ápice da crise econômica e os resultados iniciais foram minguantes, o que levou a optar pelo encerramento da atividade e evitar maiores prejuízos. O sangue empreendedor continuava a correr, no final de 2016, resolvi entrar de cabeça na Cozinha de Atleta. Após o desligamento da multinacional, passei a me dedicar 100% do tempo ao projeto de alimentação saudável. Tenho certeza de que este trabalho será um divisor de águas na minha vida profissional, afinal hoje consigo gerar emprego e levar saúde a qualquer pessoal que quer se alimentar bem. O Pedro também nasceu em São Paulo e acompanhou desde criança as aventuras empreendedoras de seu pai. Com formação de técnico em eletrônica e engenharia elétrica, o Pedro possui muito conhecimento técnico na área de tecnologia. Em 2010 aceitou um desafio para iniciar o departamento de projetos de uma empresa americana de ramo de merchandising que estava se estabelecendo no Brasil. Em 2012 uma nova proposta lhe fez assumir atividades realmente executivas quando foi convidado a abrir e erguer a filial brasileira de uma outra agência americana de merchandising. O Pedro sempre comentou que havia oportunidade a todo momento passando em nossa frente e que só assim iriamos conseguir chegar a um determinado êxito profissional.

Como é iniciar um negócio com um amigo?

Não temos uma amizade de longa data, porém unidos pelo esporte (corrida de rua), sempre estamos juntos, conversando sobre diversos assuntos. Um dos assuntos recorrentes, são as oportunidades e tudo o que ocorre ao nosso redor. Posso dizer que o esporte foi o embrião, onde aprendemos juntos a superar desafios que, quando parecia difícil, o outro surgia para apoiar e mostrar uma forma diferente. De certa forma somos muitos parecidos, afinidades são mil, mas acredito que merecem destaque ter uma comunicação direta, tratar tudo com objetividade e ser honesto. Acreditamos que levando a honestidade como principal valor, vamos conseguir ter uma empresa e um país melhor.

Amizade atrapalha o negócio?

Acho que ainda não tivemos problema com isso, mesmo que, vira e mexe, consigamos fazer nossas coisas como amigos. Conseguimos separar a hora de trabalho e amizade, talvez o equilíbrio de saber separar as coisas seja fundamental para este tipo de situação.

Primeiro veio a ideia ou a vontade de empreender?

A vontade de empreender já existia no sangue dos dois, só faltava uma ideia inovadora. O estalo aconteceu com um questionamento que fiz durante uma de nossas corridas: por que essa academia bem aqui na nossa frente não oferece alimentos dos quais os alunos realmente precisam, a exemplo de batata doce e frango? Poderiam usar máquinas automáticas refrigeradas pra isso. Parece tão simples de resolver! Começamos a fazer pesquisas de mercado a respeito disso e na medida em que as pesquisas foram evoluindo, criávamos confiança e iniciamos naturalmente a construção de uma linha própria para atender ao que ansiávamos.

A vida mudou depois de começar a empreender?

Pelo lado da família e amigos continua muito igual, eles sempre nos apoiaram e chegaram a participar de muita coisa dentro da empresa. Neste sentindo posso dizer que melhorou, descobrimos e damos mais valor a cada opinião, cada detalhe, cada ajuste que, mesmo simples, estão ligados a levar a uma empresa mais organizada. Sobre a rotina, hoje posso dizer que o dito popular é verdade. “Quando você trabalha para você, trabalha muito mais”. Ainda não conseguimos adequar as rotinas que tínhamos antes. Lembro que saíamos para correr quase todos os dias, até com a opção de correr em lugares diferentes espalhados pela cidade, coisa que hoje acontece com certa dificuldade.

Como é o dia a dia?

Não temos medo de trabalho duro, não pensamos duas vezes se é preciso varrer o chão ou fechar um contrato. Somos treinados (pela vida e por livros) na boa comunicação, sabemos conversar e respeitar desde o morador de rua até o presidente de uma grande corporação. Ambos tem boa educação familiar que faz certos sentimentos como ética e transparência se tornarem naturais e até facilitam em tomada de decisões. Boa instrução acadêmica: eu sou administrador com MBA e o Pedro é engenheiro elétrico com MBA, ambos com profundo conhecimento em gerenciamento de projetos, portanto a forma de pensar dos dois é parecida e isso facilita demais.

Qual é o destaque da Cozinha de Atleta?

Acreditamos que a empresa tem como ponto forte a ideia inovadora: praticidade na utilização de ingredientes funcionais. Cada produto foi pensado para ter a opção de ser consumido frio, onde o cliente pode abrir e consumir o produto em qualquer lugar, sem a necessidade de talher ou aquecimento. A marca cresce a cada dia! Conseguimos fazer boas parcerias, inclusive levar o produto a outras regiões e Estados. A distribuição é algo que ainda precisamos evoluir, precisamos desenvolver novos negócios para ter uma malha mais eficaz com um custo menor ao cliente.

Qual foi o maior desafio até agora?

Acredito que foi ajustar os 8 produtos para uma embalagem única, com uma formatação que atenda o mercado de forma prática. Tivemos que dar alguns passos para trás e desenvolver com um fornecedor especializado em embalagens para superar o desafio de ter uma caixa de forma única para atender todos os produtos. Recordo que, no dia em que pegamos alguns produtos na mão, já na reta final de desenvolvimento, colocamos na embalagem que achávamos que era ideal e descobrimos que estávamos longe de um produto ideal para o mercado. Voltamos a diversos supermercados e fomos olhar embalagem por embalagem pra consolidar pontos positivos e negativos até chegar num consenso de formato que temos hoje.

Teriam feito alguma coisa diferente?

Tudo tem dado muito certo e creditamos isso à nossa confiança em Deus. Não acreditamos em coincidências e até os maiores problemas que enfrentamos pensamos que, de alguma forma, vêm para o nosso bem. Posso citar um exemplo: no início, pensávamos que nossa maior dificuldade seria conseguir convencer varejistas a comprarem nossos produtos, sendo assim usamos de todas as nossas técnicas para que nossos primeiros revendedores comprassem as maiores quantidades possíveis. Resultado: um desses clientes não soube trabalhar com os produtos, deixou tudo em geladeira. Decidimos fazer a troca de 48 caixinhas que estavam estragando na gôndola da loja. Depois disso criamos estratégias para trabalhar o sell-out, ajudar nossos clientes a fazer o produto sair da gôndola deles. Hoje quando (raramente) nos perguntam se trabalhamos com permuta ou troca não hesitamos em responder: pra que se nós vamos te ajudar a vender tudo que comprar?

Para saber mais:
Site http://cozinhadeatleta.com.br
E-mail: faleconosco@cozinhadeatleta.com.br
Facebook: CozinhadeAtleta
Instagram: @CozinhadeAtleta
Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Por que jovens brilhantes estão largando bons empregos para empreender e o que as empresas deveriam fazer para (não) retê-los

13 de abril de 2018

Talvez alarme não seja o termo ideal, mas chama a atenção a preocupação de boa parte das principais empresas do Brasil com o pedido de demissão de jovens que largam ótimos empregos, bons salários e grandes planos de carreira para empreender. Em geral são os mais promissores, que se formaram nas melhores faculdades, são fluentes em dois ou mais idiomas, além de terem níveis elevados de inteligência emocional. Daí a preocupação e, consequentemente, o alarme dos líderes da organização. Não só em função do investimento feito pela empresa naquele profissional, mas, principalmente, nos vácuos de liderança e sucessão que começam a se formar nas organizações que se acostumaram a se posicionar entre as mais desejadas.

Muitos jovens mimados pedem para sair por imaturidade mesmo e as organizações deveriam agradecê-los pelo favor e repensar o processo de contratação.

Mas o questionamento se concentra nos grandes talentos que estão deixando as corporações. Uma das principais empresas de alimentos ilustra este contexto. A marca conhecida, respeitada e desejada atrai mais de 20 mil candidatos interessados em seu programa de trainee todos os anos. Assim, não foi fácil para uma jovem conseguir uma das 20 vagas oferecidas em 2016. Mas um ano depois, ela e outros 15 trainees haviam pedido demissão para se juntar a uma startup. O motivo da desistência do salário de quase R$ 10 mil: hipocrisia da empresa. Comprou o sonho (que ainda está no site da instituição) de que faria a diferença em uma carreira cheia de desafios em uma organização aberta à inovação alinhando seu propósito de vida aos objetivos da empresa, mas encontrou um local rígido de trabalho onde o chefe sempre contava as melhores piadas. Ganhando menos, trabalhando até mais, ela agora está feliz liderando uma área de novos negócios de uma startup.

A história dela e de vários outros jovens é resumida por Tallis Gomes, um dos principais empreendedores do Brasil e recém-eleito como um dos jovens mais inovadores do mundo pelo MIT:

Eu cansei de tirar pessoas que trabalhavam em empresas renomadas para virem trabalhar comigo ganhando a metade do que eles ganhavam. E sempre me perguntam como eu consigo contratar tanta gente boa pagando tão barato assim. E explico que eles não estão vendo valor que estão recebendo em dinheiro. Eles estão vendo valor em conhecimento profissional, em experiência. E aí eles saiam de uma grande empresa, na qual sua principal função era fazer Power Point e Excel, e se mudavam para uma empresa que tem como propósito de vida entregar um bem maior para a sociedade.”

Neste contexto, das organizações que não só querem contratar talentos empreendedores e inovadores, mas mantê-los assim, algumas reflexões podem ser úteis:

Não use filtro ou Photoshop. Se vender sua empresa como perfeita só atrairá os tolos que acreditam que isso existe. Nos últimos anos, algumas consultorias de recrutamento começaram vender bojo de sutiã na forma de empregos incríveis em empresas incríveis para pessoas incríveis. Mas de incrível mesmo só o valor que cobravam. As organizações precisam mostrar que não são perfeitas, que o trabalho nem sempre é inspirador e ainda assim é possível entregar benefícios para todos os envolvidos. Se a jovem que menciono no início do texto tivesse consultado o site da LoveMondays antes de se candidatar, teria entendido que aquela empresa não era Cinco Estrelas, mas medianamente 3,2. E não há problemas em atuar em uma organização 3,2 desde que não tenha sido vendia como 5.

Contrate ex-empreendedores. A chance de uma startup quebrar é de cerca de 92% nos Estados Unidos e algo semelhante ou pior no Brasil. Assim, se cresce o número de pessoas que querem empreender, o mesmo ocorre com ex-empreendedores. Trazer alguém que já empreendeu e quebrou a cara para dentro de uma organização pode ser o equilíbrio entre comportamento empreendedor, engajamento e disciplina executiva demandado por muitas empresas. Trazer empreendedores que fracassaram para contar suas trajetórias em palestras para seus colaboradores também pode ser didático e motivador (para manter seus talentos engajados, é claro).

Adote práticas, ferramentas e abordagens típicas das startups. Para não perder seus talentos para startups, muitas grandes empresas estão se tornando (hipocritamente) uma. Ambientes descontraídos podem contribuir para práticas de trabalho mais informais e colaborativas, mas não serão os pufes coloridos que transformam empresas tradicionais em startups. Práticas de gestão típicas de startups como OKR (Objetive and Key Results) e ferramentas ágeis de desenvolvimento de projetos como Scrum conseguem integrar alinhamento estratégico ao engajamento dos colaboradores. Ferramentas como Lean StartupDesign Thinking incentivam a interação dos funcionários com o mundo real, a percepção do impacto do seu trabalho na vida das pessoas e a importância da experimentação no processo de aprendizado. E aceleradoras corporativas de projetos podem disseminar (e valorizar) o comportamento empreendedor dos empregados.

Por fim, transforme a organização em uma plataforma de inovação aberta. Estabeleça estratégias para novos negócios sinérgicos com startups, mesmo que criadas pelos melhores funcionários da organização. Se ele(a) for realmente excelente, é melhor mantê-lo(a) por perto…

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Alta taxa de mortalidade de restaurantes

9 de abril de 2018

Aproximadamente 50% dos empreendimentos em gastronomia fecham em 2 anos.  Ao contrário do que muita gente pensa, trabalhar com comida definitivamente não é um negócio para amadores. Ao mesmo tempo, parece ser um dos que mais atraem marinheiros de primeira viagem – com resultados previstos.

A gastronomia está ligada ao lúdico, ao criativo, ao charme, ao artista dentro de cada um de nós. Elementos românticos, familiares e culturais são influência importante para investir em cozinha. Está conectado ao epicurismo, ao prazer da vida, à saúde, ao lazer, às viagens. E o maior de todos os perigos, o canto da sereia: parece fácil.

Tampouco podemos esquecer muitas das complexidades extras do setor, quando comparado com outros negócios:

- Alta perecibilidade da matéria prima e impacto na gestão de taxas de desperdício

- Questões de saúde pública, higiene, manipulação de alimentos

- Necessidade intensa de mão de obra

- Falta de mão de obra profissional na base de auxiliares

- Custo de aluguel elevado em pontos de alta visibilidade

- Margens apertadas e variáveis por sazonalidade

- Licenças, permissões e alvarás específicos

- Necessidade de alto comprometimento do dono (horas de trabalho)

Ao olhar ao meu redor, vendo tantos lugares que tinham excelente potencial, agora fechados, me fez listar alguns casos comuns de fracasso.

1) O restaurante tem gastronomia ótima, o dono/cozinheiro é genial… mas um péssimo administrador. Não sabe calcular o preço do prato: ou cobra caro demais ou barato demais. Fluxo de caixa é algo de outro mundo, assim como questões trabalhistas podem ficar esquecidas. O resultado é previsível.

2) O dono é um excelente administrador, leva a conta de cada centavo. Mas não sabe a diferença entre uma carne de qualidade e uma de segunda linha, troca um queijo caro por outro mais barato sem saber – ou entender – o impacto que isso traz na qualidade do prato e na percepção do cliente. Assim, os clientes começam a fugir e, provavelmente, o restaurante entra a fazer cada vez mais promoções, investe no Grupon e similares. Já imaginamos onde isso vai parar.

3) Dois donos, sendo um ótimo administrador e outro um cozinheiro genial. Combinação perfeita, só que… desentendimentos de sócios são muito comuns, e cachorro com dois donos, morre de fome.

4) Outro caso comum: o chef de cozinha é genial, prepara pratos maravilhosos, mas é um cretino no relacionamento com sua equipe, com fornecedores ou até mesmo com clientes. Rapidamente tudo vira um inferno.

5) E ainda tem o fator sorte. Imagina que vc fez o dever de casa, se preparou bem, estudou fluxo de caixa, gastronomia, mercado, cardápio, margens, equipe nota dez… e errou o ponto. Ferrou. Já aconteceu comigo. O imponderável também faz parte da equação.

Ou seja, não basta com ser um ótimo gestor, é necessário também conhecer de produto e gostar de serviço. Um bom plano de negócios, com a devida expectativa de capital de giro, é fundamental. Uma pitada de sorte não vai fazer mal.

A maioria das pessoas ilusiona que trabalhar na gastronomia é ficar o dia todo cozinhando para os amigos e tomando vinho. A realidade é bem outra, e valendo os 99% transpiração e 1% de diversão.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)