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Blog do Empreendedor
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Futuro do empreendedorismo: Se não transformar seu problema em oportunidade será sendo o que é

30 de março de 2018

Que mundo é esse? Abra qualquer jornal, revista ou rede social e se desesperará com o futuro da humanidade. São tantas as tempestades de violência, corrupção, vilania, malignidades que nos assustam cada vez mais, mas que, por hora, cessam quando fechamos a página. Mas o vento da angustia, a depressão e o sentimento de derrota continuam a balançar nossa consciência de incapacidade. Daí construímos nossas prisões mentais e nos tornamos guardas de muralhas, atentos às rebeliões internas e os ataques externos. E nos condenamos a (sobre)viver à limitação que construímos.

Muitos falam que construímos nossas gaiolas mentais, mas cada vez mais, edificamos prisões dentro das nossas realidades negativas que se auto realizam posteriormente. Se algo pode dar errado, dará! É a Lei de Murphy, que sempre funciona para pessoas que enxergam o copo meio vazio.

Mas nesta semana em que vimos tantas notícias ruins e tomamos tantos tijolos na cara (que são úteis para construir as muralhas da nossa prisão), também discutimos o futuro do empreendedorismo com pessoas que também se questionam que mundo é esse? Mas que enxergaram nos seus problemas a grande oportunidade de derrubar barreiras geográficas, preconceituosas e culturais.

A então alta executiva de uma multinacional Tatiana Pimenta foi demitida no mesmo dia em que descobriu que seu pai foi diagnosticado com câncer. Se havia alguma coisa boa naquela situação era o tempo disponível que agora tinha e pode sair de São Paulo e retornar a sua cidade natal, Corumbá no Mato Grosso do Sul, para cuidar do seu pai.

Foi lá que percebeu a dificuldade de acesso a bons profissionais de saúde dado a distância até a capital do estado ou mesmo outros centros urbanos que são referência em câncer. Por exigência do médico, trouxe e manteve seu pai em São Paulo por quase dois meses, mas percebeu que boa parte das interações poderia ter sido feito à distância e seu pai poderia ter ficado em companhia de toda a família neste momento tão solitário de repensar toda a sua trajetória de vida.

Felizmente seu pai se curou, mas Tatiana ficou com aquele problema na cabeça pois milhares de outras pessoas também estavam vivendo a mesma situação desnecessariamente mesmo em cidades de maior porte. Este foi o primeiro tijolo que utilizou para construir o que hoje é a Vittude, sua startup de conecta profissionais da saúde (acabou se concentrando em psicólogos) com pacientes. Inspire-se na sua trajetória neste link.

Mas a tijolada da Juliana Glasser foi diferente. Já que o mundo é preconceituoso, Juliana aproveitou o próprio preconceito que sofria para não só se inserir no mercado de trabalho, mas principalmente mudar a vida de pessoas marginalizadas em prisões imensas do preconceito contra raças, gêneros, idades e deficiências físicas. De garçonete que ganhava poucos reais por dia, passou a liderar a Carambola, uma startup que desenvolve soluções digitais de última geração para empresas de todos os portes e com escritórios em São Paulo, Los Angeles e Londres, com programadores que a empresa dela mesma forma a partir de contratações concentradas em minorias marginalizadas, incluindo refugiados e deficientes com grandes restrições físicas.

Quando a empresa recebe o aplicativo, site ou sistema digital, Juliana então apresenta a equipe que o desenvolveu incentivando que a contratante também contrate o time junto. Como, em geral, há uma escassez de profissionais de tecnologia da informação e cresce o apoio à diversidade nas organizações, a empresa contratante fica feliz pois ainda consegue pagar menos já que a Carambola, neste caso, só cobra uma comissão pelo trabalho. Quer conhecer a Juliana e a sua Carambola, visite este link.

E por fim, entrevistamos In Hsieh, um descendente de chineses que é um dos principais empreendedores seriais do Brasil. Suas duas novas iniciativas, a CBIPA e a Marco Polo Ventures, conectam oportunidades de negócios em alta tecnologia entre Brasil e China. O termo “negócio da China” que sempre foi algo pejorativo, agora representa negócios de grande porte e a mais alta tecnologia de ponta do mundo em inteligência artificial, internet das coisas, ciência dos dados, automação ou qualquer outra fronteira da ciência tecnológica. Na China, o tijolo da muralha é algo tão grandioso que pode ser visto da Lua. E o mais importante para os que acreditam e vivem a Lei de Murphy. Para os chineses, crise será sempre sinônimo de oportunidade.

Aprenda mais sobre a cultura e as oportunidades dos negócios da China nesta entrevista com o In.

Neste momento de tantas ventanias, é preciso relembrar que o pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas e quem conhece Murphy se abriga em suas prisões não fazendo nada.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Empreendedorismo ao redor do mundo

26 de março de 2018

É provável que os Estados Unidos sejam o país empreendedor por excelência, e que todos os demais países olham sempre para lá em busca de exemplos e inspiração. Empreender está na base da cultura americana. Na Declaração de Independência 1787, Thomas Jefferson escreveu uma das frases mais bonitas do direito e da política universal: “todo homem é criado igual, que todo homem é dotado pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes direitos se encontra o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade.”  A busca do “Sonho Americano”, que é prosperar através de trabalho e boas ideias, é considerado um princípio básico ensinado desde muito cedo a todos os americanos de todas as classes sociais. Esse foi o sonho que impulsionou os pioneiros que desbravaram o oeste, e essa foi a atração que os Estados Unidos tiveram a tantos imigrantes que foram “fazer a América”.

Em artigo publicado na semana passada nos Estados Unidos, o americano especialista em marketing digital Jayson DeMers destacou qualidades e dificuldades em alguns países do mundo que também tem forte cultura empreendedora, entre eles o Brasil.

Alemanha
Os alemães têm uma forte cultura de trabalho ético, e são extremamente focados. “No entanto, iniciar um negócio na Alemanha é mais complicado do que em muitos países. O Banco Mundial coloca a Alemanha na 113 posição em termos de facilidade para iniciar um novo empreendimento. A principal razão, citada no artigo, é que os alemães priorizam o trabalho no governo e em grandes empresas. Os melhores e mais talentosos profissionais são absorvidos por empregos mais estabelecidos, que são mais prestigiosos. Assim ficam muitas oportunidades empreendedoras sem demanda. A parte boa são os imigrantes, que constituem grande parte dos pequenos negócios e com enorme vontade de prosperar.”

Nova Zelândia
Ser empreendedor neste país não é fácil do ponto de vista social. “O Banco Mundial coloca a Nova Zelândia no topo da categoria de “facilidade de iniciar um novo negócio”, mas o país enfrenta outro tipo de problema, muito local, chamado de Tall Poppy Syndrome (TPS) que pode ser traduzido livremente como um tipo de rejeição a pessoas ricas e bem sucedidas e contra o individualismo. De acordo com uma pesquisa de um site neozelandês de empreendedorismo, cerca de 75% dos empreendedores locais consideram o TPS um fenômeno real, e 42% afirmam ter vivenciado pessoalmente a rejeição. Tentando mudar este cenário, a Nova Zelândia está com facilidades de imigração e visa para empreendedores que queiram iniciar novos negócios

China
Até há poucos anos, a China era a grande fábrica do mundo, onde tudo é feito. “Mas agora a China está colocando foco em estimular empreendedores, principalmente na área de tecnologia, com investimentos estimados em 338 bilhões de dólares. Os empreendedores chineses estão em busca do sucesso e dispostos a fazer grandes sacrifícios. Assim, as startups chinesas são as que crescem mais rápido no mundo.”

Brasil
Nosso pais é considerado, no artigo, um exemplo “interessante”. Conforme de Jayson DeMers, as taxas de empreendedorismo tem crescido nos últimos anos, graças a estímulos governamentais e de investidores internacionais. “A sociedade brasileira enxerga o empreendedorismo como uma oportunidade de subir na escala social. Os cidadãos brasileiros priorizam trabalhar em pequenas e médias empresas.”

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Futuro do empreendedorismo: Para o nosso próprio bem, as inovações precisam ser cada vez mais inclusivas

23 de março de 2018

É comum a retórica de que a tecnologia elimina postos de trabalho, mas cria outros e, mais recentemente, de que será fonte de abundância para o mundo. Pode ser verdadeiro para organizações ou mesmo estudos estatísticos, mas não fale que a tecnologia trará abundância e uma vida cheia de possibilidades para um atendente de call center que está perdendo o emprego para um sistema de inteligência artificial. Dificilmente este profissional pulará para as novas vagas abertas em blockchain, IoT, Big Data ou UX.

É neste contexto de grandes dúvidas que o MIT, por meio da sua área de pesquisa Initiative on the Digital Economy (IDE), lançou o Desafio de Inovação Inclusiva que premia empreendedores que inovam para criar oportunidades econômicas para estes trabalhadores impactados pelo que vem sendo chamado de 4ª Revolução Industrial.

Neste cenário de um mundo de desemprego crescente, considere empreender negócios de Reskilling. Algo como re-aprendizado em português. Diante de drásticas e profundas mudanças, profissionais de todas as funções e setores precisam re-aprender suas funções e/ou aprender outras totalmente novas ou mesmo inéditas. Neste mercado, busque inspiração, por exemplo, na General Assembly, uma das iniciativas premiadas pelo IDE no passado.

Muitos que perderam ou perderão seus empregos verão suas rendas caírem a patamares mínimos. Se tem interesse em empreender para resolver este problema, o MIT provavelmente terá interesse em você. Neste caso, conheça o exemplo da YearUp, que conecta os talentos de jovens adultos de baixa renda à demanda por talentos das grandes empresas.

:: Nós já discutimos o futuro do empreendedorismo antes; confira ::

O acesso ao conhecimento de novas tecnologias também é um dos principais motivos do desemprego dos profissionais mais carentes. A LaunchCode, premiada pelo MIT em 2017, é uma startup que resolve justamente este problema.

E se não bastasse o conhecimento inexistente ou desatualizado exigido pelo mercado, os problemas financeiros e o acesso a novas tecnologias, boa parte dessas pessoas marginalizadas tecnologicamente não tem condições econômicas de virar o jogo. A EFL utiliza umas das tecnologias mais refinadas do mundo de big data para não só oferecer crédito, mas principalmente para incentivar seu uso de forma construtiva.

Assim, se já está empreendendo ou pensa em criar um negócio para oferecer melhores condições de trabalho e renda e acesso à novos conhecimentos para esta classe de trabalhadores impactados negativamente pela abundância de tecnologia, inscreva-se até o dia 1º de maio de 2018 na versão latino-americana do Desafio de Inovação Inclusiva. Mesmo que não vença o desafio, no final, todos ganhamos!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan. Também é coordenador de área (Pesquisa para Inovação) da FAPESP.

Encontros ajudam rede de franquias a ganhar identidade

20 de março de 2018

A importância desses eventos é inquestionável, assim como o retorno que trazem, conforme o grau de satisfação da rede franqueada, ou licenciada, e dos stakeholders.

Em geral, redes novas apresentam alguns conflitos devido ao processo de aprendizagem de ambas as partes, expectativas nem sempre alinhadas, ‘budget’ muito pequeno para realizar o que for.

Portanto, planejamento e a boa gestão são fundamentais desde o início. É preciso ter uma estratégia de expansão com o número de unidades crescendo em círculos concêntricos, tendo como ponto de partida a sede da franqueadora. Isso faz com que os custos de implantação e supervisão sejam customizados, rateados entre as unidades e todo o processo é favorecido pelo conhecimento adquirido sobre o comportamento de mercado e dos consumidores. Nada muito diferente, longe ou caro para realizar. Simples assim, tirando todo o resto que tende a complicar um pouco o processo.

Começamos com encontros de franqueados e com o tempo passamos às convenções. Envolvemos fornecedores, equipe da franqueadora como os diretores, consultores de campo, treinadores e os fornecedores. Consultores do mercado são convidados como palestrantes, alguns ajudam a construir a história das marcas ao longo dos anos e se sentem parte delas, com amor e muito orgulho. As relações extrapolam a relação comercial e a visita aos PDVs para ver o que há para melhorar, passamos a ser consumidores ávidos e fãs de carteirinha. Vemos os franqueados criando ruguinhas e tornando-se grisalhos com mais de 10, 15 anos de operação e reconhecemos suas vitórias.

E, neste final de semana, 17 de março de 2018, participei de uma dessas histórias de emocionar; fui palestrante em duas convenções e casais de franqueados vieram me dizer que minhas falas transformaram suas vidas, mudaram sua visão de negócios e como lidar com a equipe, outros franqueados se referiam ao trio de ouro Antônio Carlos, Adriana Lima e João Baptista da Silva por todo o suporte, treinamento, ensinamento, que deram desde o início de suas operações e tudo isso se resume em duas palavras: respeito e responsabilidade com as pessoas que investem nas marcas franqueadas.

Os 40 anos de uma marca possibilitam entregar os prêmios de excelência aos franqueados TOP 10 (sistema criado pelos diretores da franqueadora), sendo os prêmios aos últimos colocados patrocinados por fornecedores – o que propicia valor agregado; trazer para compartilhar conhecimento Ricardo Boechat, Leandro Karnal, Ellen Steter, um livro da Editora Lamônica e o Latino para fazer os franqueados e todos os convidados se acabarem de dançar e cantar na pista de dança, com uma alegria e vibração que não tinha idade, gosto, crítica ou estilo. Apenas a felicidade de estar ali e fazer parte daquela história de sucesso compartilhado.

Temos conversado em grupos de varejo, franchising, shopping centers sobre convenções, treinamentos, melhoria de performance, comprometimento, engajamento, envolvimento das pessoas em seus negócios e sugiro que, os gestores, devem fazer benchmarking com as marcas pares de mercado, com as mais antigas e entender o caminho que percorreram, pois já não tiveram dinheiro para fazer tudo que estão fazendo o que podem hoje. Traçar um paralelo, cometer menos erros e adaptar às suas realidades de hoje e estou por aqui para contar um tantão dessas histórias também.

Parabéns galera do Rei do Mate, incluindo todos os que fazem a limpeza das lojas, que não pode NUNCA serem esquecidos, já que as deixam tinindo para a gente sentir prazer em consumir nelas!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

A história do refrigerante artesanal GLOOPS

19 de março de 2018

No meio de tanto “storytelling fake” que grandes marcas tentam nos empurrar, é raro – e também muito satisfatório – quando encontramos um produto com o qual nos identificamos e ao mesmo tempo admiramos as pessoas que fazem a coisa toda acontecer. Eu acredito que é impossível separar o produto artesanal das pessoas que o fazem.

Assim aconteceu quando conheci o GLOOPS, o suco gaseificado (também chamado de refrigerante artesanal) que surgiu em 2012, e venho acompanhando sua trajetória, na luta de abrir espaço no disputado mercado de bebidas, em busca de uma alimentação mais saudável e divertida – valores tão importantes para mim.

Acredito que propagar estas histórias servem de modelo a empreendedores atuais e futuros empreendedores.

O nascimento do empreendedor

Gustavo Siemsen foi um empreendedor precoce. Aos 14 anos – junto com 2 amigos – iniciou uma pequena confecção de calções de surf que vendeu todo o primeiro lote rapidamente. Ao comprar o tecido para o segundo lote, o pai pediu para ele priorizar os estudos “Se der certo, você não vai ter mais tempo de estudar, e se der errado idem. Sem estudar você não irá a lugar nenhum, dizia ele.”

O momento da verdade

“Aos 42 anos, trabalhando na Pepsi, tive um momento de forte reflexão sobre meu propósito de vida e cheguei à conclusão de que além de não estar realizando meu sonho, eu estava indo contra alguns dos meus próprios valores por estar incentivando o consumo de refrigerantes para crianças.”

“Foi neste momento que tive a ideia de criar uma bebida saudável que pudesse substituir os refrigerantes e que eu pudesse ter orgulho de vender. Que máximo seria montar a minha própria empresa e ao mesmo tempo contribuir com algo útil para transformar os hábitos alimentares da molecada, eu imaginava.”

A dúvida

“Neste momento, porém, bateu o desespero de perder tudo o que eu já havia conquistado na carreira, estabilidade financeira e um padrão de vida bem confortável. Tive que amadurecer a ideia por mais 4 anos antes de criar coragem para largar tudo e começar do zero.”

O passo adiante

“O nome Gloops surgiu de um brainstorm com minhas filhas onde começamos a ver expressões em gibis que representavam a sede ou engolir comida. Vimos palavras como Glupt, e fomos adaptando até chegar em Gloops, que tem um som parecido com um gole de bebida. Além disso queríamos um nome que pudesse ser universal, que funcionasse independente da língua ou do país que estiver sendo vendido.”

A produção

“Iniciamos a produção de forma artesanal na cozinha do nosso escritório há 3 anos atrás. Nós espremíamos as frutas, coávamos o suco e usávamos uma máquina que nós mesmo desenvolvemos para gaseificar. Esta máquina foi construída usando algumas peças de fábricas de cerveja artesanal adaptadas a um trocador de calor, pois o suco tem que estar bem gelado para incorporar o gás. Este desenvolvimento foi um processo longo que fomos aperfeiçoando ao longo do tempo.”

A diferença

“Nosso suco gaseificado não tem adição de açúcar e os refrigerantes naturais tem bastante açúcar na fórmula. Nós até usamos o termo refrigerante saudável para facilitar na explicação do que é o nosso produto, pois o fato de ser natural não significa que ele será saudável. Você pode colocar bastante açúcar orgânico na sua bebida e ela será natural, mas menos saudável que um suco sem adição de açúcar. Outro conceito que está surgindo é o do refrigerante artesanal, ou craft soda. Assim como no mercado de cervejas, nós acreditamos que as pessoas estão cada vez mais em busca de produtos artesanais, por isso há bastante espaço para estas opções que estão surgindo no mercado. Mas acreditamos que se o produto, além de ser artesanal, também for saudável, terá mais chances no médio e no longo prazo. Os consumidores estão cada vez mais bem informados e rapidamente eles estão percebendo as diferenças.”

O crescimento

“O primeiro ano foi assustador. À medida que o interesse pela bebida foi crescendo e as pessoas queriam volumes maiores para levar para casa nós tivemos que adaptar o processo. A máquina para gaseificar o suco ainda não estava totalmente pronta, mas os consumidores queriam comprar quantidades cada vez maiores. Tivemos alguns momentos de quase pânico, em que tínhamos encomendas grandes para o dia seguinte e a máquina não gaseificava direito ou o nosso fornecedor de frutas do Ceasa teve uma inundação e não conseguiu entregar. Corremos para o supermercado mais próximo e saímos com dois carrinhos cheios de limão, mas nunca deixamos de atender o cliente. Tivemos muitos momentos em que adaptar era o nome do jogo. Hoje, com a produção na fábrica, é bem mais tranquilo.”

O trabalho numa pequena empresa

“Tudo é muito diferente, as rotinas, os desafios, a falta de recursos, a falta de segurança. Mas para mim o que é mais relevante é o fato de não precisarmos fazer politicagem para agradar este ou aquele alto executivo, e não gastamos horas e recursos em reuniões intermináveis. Fazemos o que é importante para o consumidor e para o negócio, pois se der errado é no nosso bolso que irá doer. O fato de eu e o Ricardo, meu sócio, termos vivido por muitos anos em grandes empresas, nos permite trazer toda a experiência estratégica corporativa e implementar uma série destes processos no dia a dia da nossa pequena empresa. Então conseguimos extrair o que há de melhor numa grande corporação e somar com a agilidade e espírito inovador de uma startup.”

O futuro

“Hoje nosso volume mensal é de 25 mil litros, sendo que no primeiro ano vendíamos cerca de 1.500 litros por mês. Queremos estar presentes nas principais redes de supermercados, restaurantes, padarias e lojas de produtos naturais de Manaus a Porto Alegre.”

A definição do empreendedor, por Gustavo Siemsen

“O empreendedor é uma pessoa que gosta de sonhar, mas não se contenta apenas em sonhar, gosta de fazer, de transformar, uma pessoa irrequieta, que quer ver o sonho se tornando em realidade.”

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Se descobrir qual é a sua inteligência tudo fica naturalmente mais fácil

16 de março de 2018

Todas as pessoas são inteligentes, explica o professor Howard Gardner, da Escola de Educação da Universidade de Harvard, mas o que normalmente as pessoas entendem como inteligência pode fazê-lo sentir-se burro.

Para Gardner, o que normalmente chamamos de inteligência é a capacidade lógica-matemática de resolver problemas. Ter um QI alto representa ter capacidade de resolver questões de forma lógica. Toda a nossa educação formal foi construída a partir dessa associação: provas nas escolas, vestibulares, concursos públicos. Quem não tem essa “inteligência” geralmente se frustra pois acha que não consegue “aprender”. Mas Gardner defende outra abordagem que chamou de Teoria das Inteligências Múltiplas, que compreende oito (ou nove, dependendo da referência) tipos diferentes de inteligência.

Apesar de relativamente antiga, já que foi inicialmente elaborada na década de 1980, muitas pessoas ainda não sabem qual é a sua inteligência principal e talvez por isso ainda se frustram por não se equiparar a outras pessoas mais “inteligentes”.

Mas quando você descobre qual é a sua inteligência principal e passa a priorizá-la nos momentos de aprendizagem, naturalmente terá um desempenho superior comparado a forçar uma inteligência que ainda não está desenvolvida. Se der algum crédito para a teoria de Gardner, faça um teste rápido para descobrir quais são as suas inteligências principais. Clique aqui para encontrar alguns testes. Depois, entenda como pode aprender melhor e mais rapidamente, considerando estas novas descobertas.

Também pode ser interessante estudar a trajetória de empreendedores que tinham inteligências semelhantes às suas.

Preparei um pequeno resumo das inteligências múltiplas abaixo e inclui algumas suposições de empreendedores que provavelmente tenham estas inteligências para que você busque mais informações a respeito.

• Lógico-matemático: Facilidade de calcular, quantificar, pensar de forma lógica e fazer deduções. Não é surpresa então encontrar empreendedores com formação em exatas, como Elon Musk (Tesla, SpaceX), Jeff Bezos (Amazon), Bill Gates (Microsoft), Sergey Brin e Larry Page (Google) e Laércio Cosentino (Totvs).

• Linguística: Facilidade de escrever ou falar para atingir objetivos. Se este for seu caso, preste atenção em empreendedores como Howard Schultz (Starbucks), Oprah Winfrey ou Alberto Saraiva (Habib’s).

• Espacial: Capacidade de aprender observando situações, objetos e interações. Especialidade de pessoas como Steve Jobs, Walt Disney, David Kelley (Ideo) e Ed Catmull (Pixar).

• Corporal-cinestésico: Aprende de forma mais interativa, vivenciando o fato. São empreendedores que gostam de estar com seu público, colaboradores e parceiros, como Phil Knight (Nike), Sam Walton (Walmart), Bill Hewlett e David Packard (HP), Guy Laliberté (Cirque du Soleil) e Luiza Trajano (Magazine Luiza).

• Interpessoal: Entendem as pessoas e sabem tirar o melhor delas. Se for assim, preste atenção nos ensinamentos de Jorge Paulo Lemann, Marvin Bower (Mckinsey), Salim Mattar (Localiza).

• Musical: Habilidade para reconhecer, compreender, criar, replicar e perceber sons, ritmos e tons musicais. É o que tem facilidade de aprender ouvindo. Além de empreendedores do ramo musical, como Andrew Lloyd Webber, Box Vox (Elevation Partners), Simon Cowell (X Factor). Richard Branson (Virgin), por exemplo, já explicou como a música o ajuda a desenvolver negócios em diversos momentos.

• Naturalista: Compreensão e conscientização do todo, do mundo natural, do contexto amplo de uma situação. Tem visão sistêmica. Empreendedores como Anita Roddick (The Bodyshop), Gary Hirshberg, John Mackey (WholeFoods) e Luis Seabra (Natura) poderiam se enquadrar nesta abordagem.

• Intrapessoal: Compreensão de si mesmo, que ajuda a alcançar objetivos. Mais facilmente observável em crianças e jovens que são mais seguros de si. Empreendedores como Yvon Chouinard (Patagonia), Thomas Edison (GE), Rony Meisler (Reserva) poderiam ser classificados nesta categoria.

Além de descobrir quais são suas inteligências principais, reflita quais estão faltando para o seu negócio. Um empreendedor mais espacial pode demandar alguém mais lógico-matemático, como aconteceu com a dupla Walt Disney (espacial) e Roy Disney (lógico-matemático), por exemplo.

Empreendedores que aprendem a ser mais “inteligentes” e sabem que precisam de outras inteligências empreendem mais e melhor!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Empreendedora une o social e a gastronomia

12 de março de 2018

Beatriz Mansberger é o tipo de empreendedora que o Brasil precisa mais e mais.

Fez a educação básica na conceituada escola Waldorf onde, conforme ela diz em tom de brincadeira “a gente abraçava árvore e aprendia a fazer granola e pão.” Bia, como é chamada por todos, aos 7 anos se engajou no movimento escoteiro onde começou a praticar trabalho voluntário.

“Desde muito cedo percebi que minha realidade era muito diferente da maioria das pessoas do Brasil, e isso me machucava muito, mas também me motivava e me fez escolher o que queria fazer da vida.”

Foi assim que escolheu a formação em Gestão de Políticas Públicas pela USP e em 2015, aos 22 anos, iniciou um dos projetos sociais mais interessantes dos últimos tempos, chamado Chef Aprendiz.

“O Chef Aprendiz é um projeto de desenvolvimento humano e usa como principal ferramenta a gastronomia.”

A ideia inicial veio dos próprios jovens da comunidade de Paraisópolis, onde Beatriz já fazia trabalho voluntário com crianças.  Trabalhar com jovens era um novo tipo de desafio: “há muitos projetos para a infância, mas poucos projetos para jovens entre 16 e 18 anos, então muitas vezes o jovem fica num limbo.”

“Me disseram que queriam fazer um “Masterchef” e eu entendi naquele momento que eles queriam algo relacionado à gastronomia, e então comecei a desenhar um projeto que tivesse uma competição entre os participantes, com um processo de aprendizagem significativa e, ao mesmo tempo, relacionar um pouco dos conteúdos do ensino médio, como química, física, e tudo o que está relacionado com a cozinha. Ao final, os jurados oferecem vagas de primeiro emprego aos finalistas como premiação.”

Logo que o projeto ficou pronto, veio o desafio de conseguir dinheiro. “Uma amiga minha me falou de um tal de financiamento coletivo, e foi muito bacana, arrecadamos R$ 37 mil, que foi usado para pagar todo o material e os professores.”

A primeira edição do Chef Aprendiz foi realizada na comunidade de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. Em 2016 foi a vez de Campo Limpo e, em 2017, a competição foi realizada no bairro do Glicério, no centro de São Paulo.

Tenho a enorme satisfação do Pastifício Primo ser um dos apoiadores do Chef Aprendiz, contratando jovens com excelente formação. Convido outros empresários da gastronomia a fazer contato com o projeto e abrir as portas (e as vagas) a estes jovens que chegam com muita vontade de trabalhar.

Contato Chef Aprendiz contato@chefaprendiz.com.br.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Conheça as escolas em que os principais empreendedores estão investindo

9 de março de 2018

O que você faria depois de se tornar bilionário? Muitos querem continuar ganhando mais e mais dinheiro. Mas um número crescente de empreendedores bilionários está destinando parte da sua fortuna para investir em novas formas de educação. Em comum duas questões: inovam radicalmente na experiencia do aprendizado e tem o compromisso de formar líderes para um mundo melhor.

Ad Astra School: Diante da capacidade e excentricidade de Elon Musk, quase todos que atuam com educação acompanham atentamente a invisível escola que criou para os seus filhos e de alguns amigos e conhecidos. Criada em 2015, até pouco tempo atrás nem site tinha. Poucos sabem exatamente onde fica e as poucas informações oficialmente divulgadas apenas explicam que a Ad Astra acredita no desenvolvimento de futuros líderes por meio da resolução de problemas multidisciplinares e do raciocínio dos seus princípios básicos, na promoção do amor ao aprendizado, à curiosidade longeva e da imaginação sem limites.

A Ad Astra diz que é uma escola laboratório que integra os avanços dos campos da ciência, tecnologia e educação e assim está dedicada a levar cada estudante até sua fronteira humana potencial. Na Ad Astra os alunos lideram seus aprendizados em experiências educacionais colaborativas em diversos projetos tecnológicos do mundo de Elon Musk.

Summit Learning: Como era de se esperar, Mark Zuckerberg quer revolucionar a educação por meio de uma plataforma em que dá aos alunos o poder de decidir o que querem aprender e os professores se tornam facilitadores do aprendizado e mentores das crianças. Pelo menos esta é a solução que vem sendo implementada em centenas de escolas de ensino fundamental nos Estados Unidos.

DreamBox: Reed Hastings, o ex-professor de matemática ficou bilionário a frente da Netflix, mas sua paixão pela matemática continuou seja nos sistemas analíticos de indicação de preferência de filmes ou de produção de conteúdo baseado em dados quantitativos e agora por meio do DreamBox, uma plataforma para incentivar o gosto pela matemática em crianças do ensino fundamental.

Code.org: Nenhuma outra solução educacional captou investimento de tantos empreendedores bilionários. Bill Gates, Pierre Omydiar (eBay), Steve Ballmer (Microsoft), Jeff Bezos (Amazon), Reid Hoffman (Linkedin), Mark Cuban entre vários outros investiram mais de US$ 60 milhões na plataforma que dá a todos os alunos, em todas as escolas, a oportunidade de aprender ciência da computação.

AltSchool: Se a Code.org lidera em número de investidores, a AltSchool é uma das startups de educação que mais levantou recursos de empreendedores famosos. Até o momento foram mais de US$ 170 milhões de investimentos de Mark Zuckerberg, Pierre Omydiar (eBay) e até de Laurene Powell Jobs, esposa de Steve Jobs. Criada por um ex-funcionário do Google, o AltSchool se baseia no conceito de micro escolas, auto aprendizado e grupos de alunos de diferentes idades.

42: Se leu O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, se lembrará de que 42 é a resposta para tudo na vida e no universo. E o bilionário francês Xavier Niel levou isto a sério ao criar uma escola de computação sem professores em Paris. O modelo deu certo a ponto de Niel lançar uma segunda unidade no Vale do Silício. A tese da 42 é que alunos realmente interessados em um tema conseguem aprender sozinhos ou com a ajuda de amigos e colegas. Esta escola também recebe o apoio entusiasmado de outros bilionários como Evan Spiegel (Snapchat) e Jack Dorsey (Twitter).

Wegrow: Fundada pelos fundadores bilionários da rede mundial de coworking Wework, Rebekah e Adam Neumann começaram a ficar preocupados quando não encontraram uma escola que alinhasse suas crenças pessoais com o programa pedagógico. Como solução, decidiram agir como pais empreendedores e criaram uma nova iniciativa educacional.
A preocupação de todos estes empreendedores é quase sempre a mesma e resumida na entrevista de Rebekah Neumann em entrevista à revista Fast Company: “Essas crianças quando vêm ao mundo, elas são muito evoluídas, elas são muito especiais. Eles são espirituais. Elas são naturalmente empreendedoras, humanas. E então parece que jogamos tudo isto fora no sistema educacional tradicional e depois pedimos que sejam disruptivas e especiais novamente após a faculdade” – diz.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

As empreendedoras e a luta por representatividade

8 de março de 2018

Há 110 anos, mulheres norte-americanas se reuniram em prol da igualdade política e econômica no país. Nos Estados Unidos e Europa, nesse longínquo Dia da Mulher de 1908, a luta era – entre outras demandas – contra jornadas de trabalho de 15 horas diárias e discriminação de gênero. Mais de cem anos depois é estranho pensar que muitas das nossas lutas permanecem as mesmas. Embora seja impossível não pensar no quanto avançamos e no tanto de conquistas podemos celebrar, uma questão se mantém presente: a luta por representatividade.

:.Colunistas do Estado dão voz a vítimas de violência.:

Vale lembrar que representatividade é tão relevante na construção do empoderamento feminino quanto oferecer oportunidades iguais para as garotas. As mulheres de todo o mundo têm reivindicado o direito a contar a história real da contribuição feminina na Matemática, Ciência, Física Nuclear, Engenharia Aeroespacial, Programação,Finanças e tantos outros territórios supostamente masculinos. É importante termos modelos que inspirem as novas gerações. A cientista Rosalind Franklin, por exemplo, teve um papel preponderante na descoberta do DNA. Ada Lovelace, matemática e programadora britânica, criou o primeiro algoritmo e produziu estudos que influenciaram os trabalhos de Alan Turing na construção dos primeiros computadores. Na Segunda Guerra Mundial, 80% de todos os criptoanalistas eram mulheres.

Não sabia? E tem mais… Artemisia Gentileschi, pintora do Barroco italiano no século XVII – inspiração para nomear a organização pioneira no Brasil no fomento de negócios de impacto social – foi a primeira mulher a ser aceita pela Academia de Belas Artes de Florença (Itália), a mesma na qual Michelangelo estudou. O talento, ativismo, vanguardismo e coragem para enfrentar o status quo inspiraram a cofundadora Kelly Michel, que conheceu o trabalho da artista ao cursar Artes na Universidade.

A nossa Artemisia surgiu da inquietação e da profunda crença de que a força e a escala de negócios poderiam ser eficientes para solucionar problemas sociais estruturantes e complexos; da visão de que o mercado pode endereçar questões sociais. E, nesse contexto, as empreendedoras têm um papel preponderante. As mulheres possuem uma excelente visão de longo prazo, têm capacidade de resolução de conflitos, talento para comandar equipes multiprofissionais e empatia com problemas e desafios alheios. Estas características são extremamente relevantes para empreendedoras que investem em negócios de impacto social – empresas que oferecem, de forma intencional, soluções escaláveis para problemas sociais da população de baixa renda.

A Artemisia está conectada com a causa da representatividade de gênero e a geração de oportunidades para que as empreendedoras possam se desenvolver em um ambiente mais igualitário. Em todos os nossos processos – da contratação de profissionais à seleção de negócios para programas de aceleração – buscamos contemplar a questão de gênero. Além disso, queremos contar, cada vez mais, a história de mulheres brasileiras que estão desafiando os padrões e empreendendo em prol da melhoria da sociedade. Elas têm trajetórias inspiradoras que merecem ser compartilhadas para influenciar mais e mais meninas.

Convido todos a conhecerem, na fanpage da Artemisia, histórias inspiradoras de brasileiras que criaram negócios de impacto social em setores como Tecnologia e Finanças, por exemplo. São empreendedoras que estão liderando negócios que vão de cartão de crédito para a população do bairro de Paraisópolis (Julia Drezza, MaisFácil); estações meteorológicas para gerar alertas antecipados em tempo real para prevenira população sobre eventos climáticos extremos como enchentes e deslizamentos (Mariana Marcílio, Pluvi.On); marketplace para compra e venda de produtos (Nanda Carvalho, Youtrendz); à plataforma de comércio justo e lucrativo para pequenos produtores rurais (Daiana Censi Lerípio, Sumá).

Indico, também, a leitura de Wonder Women – de Sam Gaggs – que traz a história de 25 mulheres inovadoras, inventoras e pioneiras que fizeram a diferença. Na obra há um guia muito útil de organizações que apoiam mulheres de todas idades interessadas em expandir os próprios horizontes em ciência e tecnologia.

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

A importância da gestão de supply chain no Franchising

6 de março de 2018

A força de uma empresa franqueadora, ao negociar com seus fornecedores, é construída ao longo de anos, com o crescimento de sua rede franqueada, com mais passos certos em frente do que retomadas de passos para trás, reorganização da expansão, melhor planejamento e reconstrução da rede bem posicionada.

De qualquer forma, é sabido que uma franqueadora é o sonho de qualquer fornecedor de produtos e serviços, em poder servir uma rede inteira, se tornar homologado e ter centenas de unidades franqueadas a quem vender. Mas, isso tem um preço: ser o melhor e mais barato ao mesmo tempo, ou seja, as melhores condições comerciais, uma vez que este fornecedor tem uma rede inteira fiel a seus produtos ou serviços. Em complemento a isso, a condição de fornecer regional e nacionalmente. Franchising é escala.

O nível de exigência dos franqueados, na sua grande maioria, é altíssimo, é cobrado das franqueadoras a qualidade das matérias primas, dos produtos e dos serviços, o cumprimento dos prazos, datas e horários de entregas e o desgaste é grande, juntando todos os aspectos inerentes aos negócios e ao varejo que sofre, na ponta, com a exigência de um consumidor cada vez mais voraz.

É lógico que problemas podem acontecer e o planejamento é a ferramenta de favorece o menor risco. Nem tudo pode estar embasado apenas na redução de custos, nem subestimar as necessidades operacionais ou expansão acima da capacidade de atender demandas.

Os franqueados que entendem a importância da gestão de supply chain e os benefícios que ela traz às redes franqueadas, que o bom operador logístico não deveria estar apenas na conta de despesa, pura e simplesmente, para analisar quanto sobrou na última linha, sabem que ele pode representar um CMV menor, maior eficiência, a possibilidade de focar em seu core business, ou seja, vender, tocar a franquia.

Um processo de gestão de logística permite a franqueados comprar de um fornecedor só – o operador logístico, no site dele e que o gestor de supply chain da Franqueadora pode desenvolver mais matérias primas, novos produtos, fornecedores, assim como negociar com mais força o volume que está comprando. E isso tudo se torna um círculo virtuoso, onde todos ganham, inclusive o consumidor.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.