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O cotidiano de empreendedores como você
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Estimulada pela ONU, pesquisa deve ajudar na construção de cidades mais humanas

12 de dezembro de 2018

Maure Pessanha *


Na trilogia Homo Faber, o sociólogo norte-americano Richard Sennett defende que o planejamento urbano e a arquitetura podem ser mais do que ferramentas para que uma cidade funcione corretamente; podem ser, na realidade, elementos para torná-la mais aberta, receptiva a misturas e transformações. Mais do que uma decisão técnica, está em jogo uma escolha ética que define o modo como vivemos e nos relacionamos com a cidade. Uma escolha, sobretudo, decisiva em tempos de questionamento de como podemos construir cidades mais humanas – que tenham o cidadão no centro de um processo socioeconômico e cultural transformador.

 

Nesse contexto, penso que oportunidades para empreender negócios de impacto social são muitas e, quando associadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), representam a possibilidade de um avanço exponencial na qualidade de vida da população – sobretudo na de menor renda. No entanto, as decisões e prioridades devem ser estabelecidas a partir de um processo de escuta responsável e genuíno.

Rocinha, no Rio, onde a percepção da população para o aumento de favelas é de 97%. Foto: Wilton Junior/Estadão-30/4/2018

 

Na prática, é preciso inserir todos os brasileiros e brasileiras, que vivenciam os problemas em suas cidades, para a construção de soluções coletivas. É dentro dessa seara que se insere a consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis. O Colab – negócio de impacto social dedicado a questões urbanas e manifestações de cidadania – está liderando essa enquete popular. Acelerada pela Artemisia, a startup propicia ao cidadão a oportunidade de ser ouvido pelo poder público.

 

A consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, via ONU-Habitat. A proposta é que os brasileiros e brasileiras comparem a vida urbana de hoje à de dois anos atrás. As questões estão relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas; no Brasil, essa parcela é de quase 85%. O objetivo da agência é cruzar as respostas dos brasileiros com os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e órgãos internacionais para monitorar esse desempenho perante o desafio da ODS 11.

 

Com o apoio da Artemisia, o ONU-Habitat e o Colab estão conduzindo essa consulta pública para diagnosticar o avanço do Brasil perante aspectos da vida urbana. Com a participação dos cidadãos brasileiros será possível ter um diagnóstico completo sobre a percepção popular em temas como transporte, inclusão, serviços básicos e transparência. Em curso desde 1º de outubro de 2018, já temos dados preliminares, que apontam a percepção do aumento do número de favelas e assentamentos informais para 78% dos brasileiros que responderam ao questionário; no Rio de Janeiro, o índice é de 97%. Já em relação ao acesso a serviços básicos – água potável, saneamento, eletricidade e coleta de resíduos – 45% dos brasileiros têm a percepção de que melhorou nos últimos dois anos; em Brasília, esse índice é de 50%; em Campinas e Niterói, 47%.

 

A consulta abrirá espaço para a atuação de tantas outras iniciativas de empreendedorismo social, pois trará insumos importantes para o desenvolvimento de produtos e serviços voltados à construção dessa cidade inteligente e inclusiva para todos. Para a produção de um diagnóstico transformador, a participação de todos é fundamental. Colabore com a iniciativa, respondendo as 29 questões de múltipla escolha até 24 de dezembro. O questionário está disponível no www.colab.re ou pelo aplicativo Colab. Podemos, juntos, construir um novo Brasil.

 

* Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil

 

 

|Por Maure Pessanha

Na trilogia Homo Faber,o sociólogo norte-americano Richard Sennett defende que o planejamento urbano e arquitetura podem ser mais do que ferramentas para que uma cidade funcione corretamente; podem ser, na realidade, elementos para torná-la mais aberta, receptiva a misturas e transformações. Mais do que uma decisão técnica, está em jogo uma escolha ética que define o modo como vivemos e nos relacionamos com a cidade; uma escolha, sobretudo, decisiva em tempos de questionamento de como podemos construir cidades mais humanas – que tenham o cidadão no centro de um processo socioeconômico e cultural transformador.

Nesse contexto, penso que oportunidades para empreender negócios de impacto social são muitas e, quando associadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), representam a possibilidade de um avanço exponencial na qualidade de vida da população – sobretudo na de menor renda. No entanto, as decisões e prioridades devem ser estabelecidas a partir de um processo de escuta responsável e genuíno. Na prática, é preciso inserir todos os brasileiros e brasileiras, que vivenciam os problemas em suas cidades, para a construção de soluções coletivas. É dentro dessa seara que se insere a iniciativa Consulta Cidades e Comunidades Sustentáveis. O Colab – negócio de impacto social dedicado a questões urbanas e manifestações de cidadania – está liderando essa enquete popular. Acelerada pela Artemisia, a startuppropicia ao cidadão a oportunidade de ser ouvido pelo poder público.

A consulta Cidades e Comunidades Sustentáveisé uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, via ONU-Habitat. A proposta é que os brasileiros e brasileiras comparem a vida urbana de hoje à de dois anos atrás. As questões estão relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas; no Brasil, essa parcela é de quase 85%. O objetivo da agência é cruzar as respostas dos brasileiros com os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e órgãos internacionais para monitorar esse desempenho perante o desafio da ODS 11.

Com o apoio da Artemisia, o ONU-Habitat e o Colab estão conduzindo essa consulta pública para diagnosticar o avanço do Brasil perante aspectos da vida urbana. Com a participação dos cidadãos brasileiros será possível ter um diagnóstico completo sobre a percepção popular em temas como transporte, inclusão, serviços básicos e transparência. Em curso desde 1º de outubro de 2018, já temos dados preliminares, que apontam a percepção do aumento do número de favelas e assentamentos informais para 78% dos brasileiros que responderam ao questionário; no Rio de Janeiro, o índice é de 97%. Já em relação ao acesso a serviços básicos – água potável, saneamento, eletricidade e coleta de resíduos – 45% dos brasileiros têm a percepção que melhorou nos últimos dois anos; em Brasília, esse índice é de 50%; em Campinas e Niterói, 47%.

A consulta abrirá espaço para a atuação de tantas outras iniciativas de empreendedorismo social, pois trará insumos importantes para o desenvolvimento de produtos e serviços voltados à construção dessa cidade inteligente e inclusiva para todos. Para a produção de um diagnóstico transformador, a participação de todos é fundamental. Colabore com a iniciativa, respondendo as 29 questões de múltipla escolha até 24 de dezembro. O questionário está disponível no www.colab.reou pelo aplicativo Colab. Podemos, juntos, construir um novo Brasil.

|Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

A criatividade como estratégia de desenvolvimento sustentável

10 de dezembro de 2018

 

Ivan Bornes *

Lucas Foster é psicólogo especialista em criatividade. Em 2011, fundou a ProjectHub, empresa de tecnologia que acelera e simplifica o investimento em projetos criativos com foco na experiência de vida das pessoas, na inovação e no desenvolvimento sustentável. Atende clientes como Google, Mercado Livre, YouTube, entre outros gigantes.

Para ele, é difícil fazer planos de futuro para os negócios no Brasil, por isso prefere ver os negócios em “ciclos de amadurecimento”. “Penso que (fazer negócio no Brasil) é como plantar uma semente saudável em um solo instável. Por mais que tenha potencial, os fatores externos podem destruir uma safra”, diz ele, que na entrevista abaixo conta mais de sua experiência como empreendedor.

O empreendedor Lucas Foster, do ProjectHub. Foto: Rafael Arbex/Estadão

Como é ser empreendedor com um pé na psicologia?

Me formei em psicologia, mas sempre me interessei pelo empreendedorismo. Meus avós eram empreendedores, assim como meus pais. Nasci e vivi a maior parte da minha vida na região da Avenida Paulista. Sou filho de pais que vieram do interior nos anos 1960, cresceram na periferia da cidade e conquistaram muitas coisas por uma extrema dedicação aos estudos e ao trabalho.

Como surgiu o empreendedor em você?

Meus pais assinavam as revistas em quadrinhos da Turma da Mônica, que chegavam todo mês, desde os meus 6 anos de idade. Um dia, decidi pegar todas elas e levar na calçada da rua onde a gente morava. Junto com meus amigos, vendemos tudo e, ao final do mês, tínhamos dinheiro suficiente para comprar alguns brinquedos e ir a uma lanchonete da Rua Augusta. Tenho na minha recordação que essa foi a minha primeira experiência empreendedora. Só não continuei fazendo isso porque tinha acabado o estoque (risos).

Já na vida adulta, decidi empreender porque não enxergava outra alternativa para o desenvolvimento da minha vida profissional. Eu tinha começado minha carreira no setor público, pois acreditava na missão de qualificar a experiência de vida das pessoas de maneira direta e efetiva. No entanto, a burocracia e a cultura do setor público no Brasil dificultam bastante a realização deste propósito. Com isso, tentei buscar emprego no setor privado, mas não conseguia me encaixar nas vagas que me interessavam. Assim, fiquei com duas alternativas: ou voltava para a faculdade ou empreendia. Decidi empreender.

E a ProjectHub?

Após realizar um período de estudos em liderança internacional fora do país, retornei ao Brasil, em 2010, com o desejo de empreender para qualificar a experiência de vida das pessoas, um propósito que me acompanhou durante toda a vida e que se tornou realidade em 2011.

No início, quando registrei o domínio do site e fiz minha primeira apresentação comercial, a única coisa que tinha certeza era que minha empresa iria trabalhar para qualificar a experiência de vida das pessoas. O resto foi consequência do meu entusiasmo em trabalhar por este objetivo.

A família participa do empreendimento, do estilo de vida?

Minha família foi determinante para minha decisão de iniciar um negócio e continuar persistindo até ele dar certo. O investimento financeiro que eles fizeram no início foi: não me expulsar de casa e oferecer um teto, roupa, comida, um computador e acesso à internet até que eu começasse a ganhar dinheiro por conta própria, o que levou quase um ano.

No entanto, o verdadeiro e principal apoio que eles me deram foi afetivo e emocional. Tinham a paciência de me ouvir e conversar comigo sobre as coisas que tinham acontecido naquele dia, incentivar e valorizar minha coragem e meu empenho. Sem dúvida alguma, o acolhimento emocional dos meus pais foi o melhor investimento que eles poderiam ter feito, pois o custo financeiro era baixo, mas o retorno em dedicação, persistência e equilíbrio emocional eram muito altos.

Com isso, foi questão de tempo até encontrar o modelo de negócios certo que equilibrasse o propósito de trabalhar para qualificar a experiência de vida das pessoas e a necessidade de ganhar dinheiro com isso.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Como é isso com você?

Existe uma grande diferença entre o tempo do empreendedor e o tempo do colaborador. Ambos são essenciais e interdependentes. A convenção de um período fixo do dia dedicado para o trabalho permite ao colaborador a possibilidade de estabelecer uma rotina um pouco mais estruturada, mas não é uma realidade comum ao empreendedor.

Ao mesmo tempo em que o empreendedor precisa ser responsável por liderar o negócio e gerar oportunidades que tragam o faturamento necessário para preservar essa rotina aos colaboradores, essa condição permite ao empreendedor ter uma flexibilidade maior no seu dia a dia, inclusive para assumir compromissos e responsabilidades afetivas que não dizem respeito ao conjunto de deveres dos colaboradores, como a ansiedade com o futuro, as incertezas do mercado, as mudanças no relacionamento com fornecedores, parceiros e governo e, principalmente, a necessidade de manter seu negócio competitivo e relevante para seus clientes.

Aos poucos, portanto, fui perdendo o contato com meus amigos que escolheram uma trajetória corporativa e fui me identificando, cada vez mais, com outros empreendedores e empreendedoras considerando que os desafios e a realidade são mais parecidos. Hoje, faço parte de vários grupos e comunidades empreendedoras no Brasil e em outros países sempre com a intenção de construir uma rede de apoio que ajude cada um de nós a ser melhor um dia após o outro.

Quais são os planos para os próximos anos?

É muito difícil fazer planos de futuro para os negócios no Brasil. Penso que é como plantar uma semente saudável em um solo instável. Por mais que tenha potencial, os fatores externos podem destruir uma safra. Por isso, prefiro olhar para a evolução dos nossos negócios em ciclos de amadurecimento.

Desde a fundação da ProjectHub, vivemos três ciclos de amadurecimento com resultados expressivos. Agora, estamos iniciando nosso quarto ciclo de amadurecimento. Em 2019, vamos anunciar a criação de duas novas empresas, o LabCriativo (empresa de mídia e educação) e a Originals Media House, nossa empresa produção audiovisual.

Ao mesmo tempo, continuaremos investindo para trazer novos talentos e mais inovação para a ProjectHub, nossa empresa de tecnologia que fornece software para grandes empresas fazerem a transformação digital de seus investimentos de marca, reduzindo custos e desperdícios de tempo e energia de seus colaboradores.

Se você pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora, qual seria?

Os setores ligados à criatividade e à inovação estão em forte expansão. Com a evolução das novas tecnologias e cada vez mais pessoas conectadas, novos modelos de negócios surgem diariamente e, portanto, mais oportunidades para novos empreendedores. A melhor maneira de começar nesta área é pesquisando o mercado, participando de grupos e comunidades ligadas ao tema e testando sua ideia antes de realizar grandes investimentos.

Compartilhe suas ideias de maneira saudável com pessoas próximas e confiáveis. Teste o seu discurso e crie um MVP (minimum viable product, ou produto mínimo viável) antes de contratar pessoas ou assumir custos fixos robustos. Ou seja, minha principal dica é que os entrantes sigam um conceito usado pelas startups chamado “bootstrapping”.

Fazer bootstrapping significa começar um negócio a partir de recursos limitados, sem o apoio de investidores. Ou seja, nessa forma de iniciar startups, o empreendedor geralmente utiliza recursos próprios para lançar o negócio sem o apoio de fundos de investimento e prioriza o faturamento com clientes em vez de ir em busca de grandes investidores.

Qual o futuro do Brasil?

O futuro do Brasil é promissor. Temos um mercado consumidor em potencial gigantesco, somos o maior país da América do Sul e uma das maiores economias do mundo. O brasileiro gosta de novas tecnologias e é um grande consumidor de diferentes tipos de conteúdo. O contexto mostra que estamos em um momento de transição e que o Brasil precisa se conectar mais com a Ásia e ampliar seus investimentos em educação, redução da burocracia e diminuição das despesas públicas, incluindo a Previdência e folha de pagamento com servidores.

Se essas medidas forem feitas de maneira eficaz, o Brasil passa a ser um solo fértil para o desenvolvimento de novos negócios, atraindo investimentos e gerando emprego. Me vejo contribuindo com o desenvolvimento do Brasil, mas entendendo que minha parte é muito pequena diante do todo.

No entanto, qualquer organização comprometida em incentivar a criatividade e a inovação como estratégias de desenvolvimento sustentável, para qualificar a experiência de vida das pessoas no Brasil e que atue para conectar nossa economia criativa com o mundo, para ampliar oportunidades aos nossos empreendedores e acelerar a internacionalização de startups brasileiras ao redor do mundo, deve ser estimulada e apoiada. Vamos em frente.

 

* Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

2018, o melhor ano da história das startups no Brasil

7 de dezembro de 2018

 

Marcelo Nakagawa*

Os boatos já circulavam no final de dezembro de 2017, mas no dia 2 de janeiro de 2018 o Brasil tinha, oficialmente, seu primeiro unicórnio. A chinesa Didi assumiu o controle do aplicativo de transporte urbano 99 por R$ 1 bilhão. Somado aos outros investimentos da empresa (criada em 2012 por Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Paulo Veras), esse valor definia a primeira startup criada no Brasil avaliada em US$ 1 bilhão. A 99 foi apenas a primeira de vários outros unicórnios que vieram depois, como Nubank, Stone, Movile, iFood e Arco. Excluindo China e Estados Unidos, nenhum outro país conseguiu criar tantos cavalinhos com um único chifre como o Brasil.

Janeiro não havia acabado quando o IPO da PagSeguro na Bolsa de Nova York deixou o mercado internacional incrédulo. “NYSE’s Biggest IPO Since Snap Is $2.3 Billion for Brazil Fintech” foi o título da reportagem publicada na Bloomberg. Aquela startup corporativa que vendia maquininhas de pagamento havia levantado US$ 2,3 bilhões e chegou a valer quase US$ 9 bilhões no primeiro dia de negociação, caindo depois. A PagSeguro abriu caminho para outras ofertas públicas iniciais de ações nos Estados Unidos como o da Stone e da Arco Educação

Funcionários na sede da 99 em São Paulo. Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Em fevereiro, o Bradesco inaugurou o inovaBra Habitat, um prédio de 10 andares e 22 mil metros quadrados quase na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação, na cidade de São Paulo. Posicionando-se como um centro de co-inovação, o Bradesco convidou dezenas de grandes corporações e quase duas centenas de startups, além de parceiros tecnológicos, universidades, investidores, consultores e mentores, para habitarem o espaço e co-criarem inovações entre si.

Seguindo a mesma lógica, o Cubo, iniciativa do Banco Itaú com o fundo de investimento Redpoint eVentures, mudou de prédio e inaugurou o novo Cubo (carinhosamente chamado de Cubão), em agosto. Neste novo espaço de 14 andares e 20 mil metros quadrados, grandes corporações lideram andares temáticos como educação (Kroton), varejo (BR Malls), saúde (DASA), indústria (Schneider) ou fintech (Itaú e Rede) e mantêm-se próximas de startups do setor.

Considerando apenas Habitat e Cubo, o País ganhou espaços para hospedar cerca de 400 startups que interagem diariamente com grandes corporações, investidores e mentores Em junho de 2018, outra novidade que terá grandes impactos para as startups nos próximos anos foi lançada. A Lei de Informática foi atualizada, e as empresas beneficiárias como Samsung, Lenovo ou Positivo Informática poderão investir até 2,7% da sua receita bruta em fundos de investimentos de venture capital, aceleradoras ou diretamente em startups.

Mais de R$ 500 milhões poderão estar disponíveis para startups todos os anos. Mas este volume é apenas o começo, já que outras leis que determinam investimento compulsório em pesquisa e desenvolvimento (como ocorre no setor de energia elétrica, petróleo e gás) ou optativo, como a Lei do Bem, poderão em breve seguir lógica semelhante, incentivando o investimento de grandes corporações em startups

Sede da Loggi em Alphaville, em SP. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O Brasil ficou parado entre a Copa na Rússia e as eleições, mas em outubro o mercado brasileiro de startups ficou de queixo caído com a chegada do mais poderoso de todos os fundos de venture capital do mundo. O Softbank, que administra o Vision Fund e inacreditáveis US$ 100 bilhões, aportou R$ 400 milhões na Loggi, uma das principais startups de entregas expressas do Brasil. Em seguida, o mercado ficou admirado com outro aporte gigantesco em novembro. A General Atlantic, um dos maiores investidores internacionais, liderou o investimento de R$ 250 milhões na QuintoAndar, startup de aluguel de imóveis.

E o mês de novembro ainda surpreende pois o iFood, principal aplicativo de pedido de comida do País, recebeu um aporte de quase R$ 2 bilhões de investidores como o Innova e a Naspers. Com o investimento, tanto o iFood como a Movile, sua controladora, atingiram publicamente o status de unicórnios.

O ano ainda não acabou, mas os boatos sugerem que o próximo ano será ainda melhor para as startups brasileiras.

* Marcelo Nakagawa é professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Black Friday 2018 dispara e supera vendas do ano passado

3 de dezembro de 2018

 

Por Ivan Bornes *

A Black Friday definitivamente foi incorporada na cultura de compras do brasileiro. A data surgiu nos Estados Unidos nos anos 1990 e inaugura oficialmente a temporada de compras de Natal com grandes promoções e descontos. Rapidamente se espalhou pelo mundo.

Segundo Javier Goilenberg, CEO e cofundador da Real Trends, plataforma de análise e gestão para vendedores do Mercado Livre: “O mercado brasileiro já incorporou a Black Friday como uma data importante no calendário, e a expectativa é que as vendas continuem crescendo à medida que os consumidores confiem mais nos descontos oferecidos”.

Dia de Black Friday em hipermercado de São Paulo. Foto: Suamy Beydoun/Agif-23/11/2018

As expectativas dos varejistas brasileiros eram altas, mas se viram superadas. Depois de tantos anos de crise, os consumidores não decepcionaram neste ano. De acordo com a Ebit/Nielsen, por volta das 17h da sexta-feira dia 23 as vendas já tinham quase alcançado a meta esperada para este ano, de R$ 2,4 bilhões em vendas, atingindo a incrível cifra de R$2,1 bilhões – valor total arrecadado na edição de 2017 do evento. Comparando com o mesmo horário do ano passado, o crescimento foi de 26%.

A sexta-feira representou para o e-commerce cerca de 4,5% do faturamento anual desta modalidade. Como referência, os 10 dias que antecedem o Natal representam juntos 18% do faturamento, segundo relatório da XP Investimentos.

As compras feitas pelo celular, o chamado mobile commerce, também tiveram grande destaque neste ano. Segundo pesquisa do Rankmyapp, foi registrado um crescimento no número de visitas orgânicas em aplicativos à medida que a Black Friday se aproximava. Destaque para a semana do dia 12 a 18 de novembro, que registrou aumento de 15,68% no volume de visitas. Além disso, o número de instalações orgânicas de aplicativos também aumentou com a proximidade da data, registrando um aumento de 25,91% na semana do dia 19 a 25 de novembro.

Grandes sites de vendas on-line, chamados “marketplaces“, como Mercado Livre, B2W, Submarino e Lojas Americanas, registraram um pico de crescimento de 20,85% no número de pedidos durante no dia 23/11. Sendo os que mais registraram vendas entre os dias 23 e 26 de novembro foram B2W, com representatividade de 44%, e Mercado Livre, com 31,64% do volume total de vendas geradas. Quando observado isoladamente o dia 23, B2W e Mercado Livre também registraram maior volume de vendas, com 49,33% e 24,12%, respectivamente.

Javier Goilenberg define o funcionamento dos marketplaces “como quando um shopping funciona 24 horas em datas especiais para aumentar as vendas: é feita uma grande publicidade e durante esses dias o shopping recebe uma alta quantidade de clientes. Por fim, acaba concretizando um maior volume de vendas, grande parte impulsionadas pelas promoções e descontos vigentes durante a ação. Se o vendedor toma as decisões adequadas antes, durante e depois da ação, pode ter uma grande diferença no seu faturamento”.

De todas as vendas geradas no segundo semestre deste ano, 31% se concentraram no mês da Black Friday, totalizando quase o dobro do que foi alcançado no mês de setembro, tendo o estado de São Paulo liderado as vendas da data (36,43%), seguido por Rio de Janeiro (11,51%) e Minas Gerais (10,77%), valores que ultrapassam 50% das conversões.

* Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)


O lado obscuro do empreendedorismo: investidores que assediam empreendedoras

30 de novembro de 2018

O prelúdio é quase sempre o mesmo. De um lado, uma empreendedora em busca de investimento ou com muitas dúvidas a respeito do seu negócio. Do outro, alguém que se diz investidor ou mentor e que se mostra muito solicito em ajudá-la. Na maioria dos casos, é uma ótima coincidência. Mas em alguns casos, uma perigosa armadilha.

Cecilia conta que precisava de um investimento urgente para a sua startup ou teria que demitir todos os seus 26 funcionários. Sabendo disso, um investidor convidou-a para um jantar em um restaurante sofisticado. Escolheu um vinho de cerca de 20 mil reais. Ela disse que perdeu a conta de quantas vezes o investidor encheu, gentilmente, a sua taça. Em dado momento, ele tocou sua perna, inclinou-se para beijá-la, dizendo que queria cuidar dela. Assustada, foi ao banheiro e ligou para um amigo pedindo para buscá-la. O assédio, narrado pela CNN, ocorreu em Nova Iorque, mas é cada vez mais comum em todo o mundo com o crescimento acelerado de negócios fundados e liderados por mulheres ao redor do mundo.

Os empreendedores lidam com muitos desafios, mas dinheiro e dúvidas sobre como proceder estão no topo da lista. Para os negócios de maior potencial de crescimento sempre há, neste caso no bom sentido, assédio dos investidores. E um número crescente de especialistas benevolentes tem se voluntariado para mentorar esses empreendedores. Mas, como em todos os mercados, há os aproveitadores (muito) mal-intencionados que, nesta situação, se candidatam para ajudar as empreendedoras fragilizadas por dívidas ou dúvidas em busca de outros tipos de “retornos”.

No caso do ecossistema de empreendedorismo, a presença deste tipo de comportamento tem sido bastante alta. Cerca de 20% das empreendedoras apoiadas pela venerada aceleradora de startups Y-Combinator dos Estados Unidos ou 25% das empreendedoras britânicas pesquisadas pelo jornal The Telegraph foram assediadas pelos investidores. No Brasil, ainda não há levantamentos a este respeito, mas muitas empreendedoras já passaram por situações assim.

Em evento sobre inovação ocorrido na Câmara Americana de Comércio em São Paulo em junho deste ano, uma das empreendedoras relatou o desconforto ao perceber que o investidor não estava interessado na sua startup, mas em sair com ela. Mas antes, ele tinha encenado todo o ritual típico de investidor.

Outra empreendedora, neste caso, minha aluna, com startup ainda em fase inicial relatou que um investidor entrou em contato com ela por WhatsApp explicando que tinha interesse em investir R$ 30 mil, mesmo sem conhecê-la pessoalmente, convidando-a para sair.

Mas a relação entre investidores/mentores e empreendedoras não se limita apenas ao gravíssimo assédio sexual. Em outra situação em que a startup era liderada por um empreendedor e uma empreendedora, o investidor só se dirigia ao empreendedor, mantendo a empreendedora em uma constrangedora situação de acompanhante.

Para evitar os (pseudo) investidores e mentores, não apenas as empreendedoras, mas qualquer pessoa em busca de apoio, é necessário pesquisar antecipadamente o currículo no Linkedin e levantar referências com conhecidos em comum dessas pessoas que dizem querer ajudar. Ser, parecer e manter o alto nível de profissionalismo é o desejado pelas duas partes quando bem-intencionadas, certo? Jantares a dois com bebidas alcoólicas ou encontros particulares em ambientes privados, para quê? Almoços e cafeterias em equipe são muito mais produtivas e alegres, não é mesmo? Viagens à trabalho (não é preciso lembrar dos quartos separados…) foram previstas para trabalhar e muito. Ninguém está lá para curtir a cidade.

E mesmo assim, se tudo der errado, denuncie! Nos Estados Unidos, vários investidores foram denunciados e isto tem criado um novo ambiente, muito mais próspero e saudável para o empreendedorismo.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

 

5 dicas para mulheres empreendedoras

26 de novembro de 2018

Com apenas 28 anos, Raffaella Marchese é economista e fundou a CódigoKid, rede de escolas de robótica e programação em 2017. De lá para cá, a empresa conta com 30 unidades abertas pelo País e 50 em processo de inauguração. Para 2019, os planos são ainda mais promissores, e a rede estima faturar mais de R$ 20 milhões. Raffaella também dedica parte de seu tempo a estudar e estimular o empreendedorismo feminino, e assim ela me passou cinco dicas para mulheres que querem começar a empreender.

1. Organize-se: Para empreender de forma mais tranquila, será necessário organizar algumas áreas. A vida de uma empreendedora costuma ser cheia. As atividades costumam não ter fim. Você precisa ser sua própria líder e saber onde quer chegar. As pessoas costumam te chamar e querer respostas suas a todo instante. Se você cair nesse ciclo vicioso, perceberá que em pouco tempo pessoas estarão fazendo sua agenda, você não terá objetivos claros, os quais percorrer e em vez disso, estará sempre “apagando o fogo” das situações emergentes que trazem para você. Suas economias não terão destino pré-determinado para investimento e custo da operação e o estresse e frustração baterão em sua porta. Antes que eles cheguem, adote práticas claras de organização. Tenha conhecimento e controle muito bem suas finanças, determine os objetivos e metas da empresa sempre pensando no custo da sua operação, bem como nos seus investimentos. E tenha os pés no chão para qualquer nova aquisição ou melhoria de sua empresa. Tenha uma agenda e planeje com antecedência todas as atividades, dividindo por prioridades e prazos. Não caia na armadilha de deixar o dia acontecer. Algumas atividades poderão não ser cumpridas ao longo do dia, você terá clareza e reprogramará para os próximos dias. Lembre-se de dar atenção para as atividades que menos gosta e fazer no início do dia, assim evitamos nossa inimiga “procrastinação”.

2. Estude o mercado, sinta-se segura e aja: Mulheres costumam ser mais cautelosas que os homens, procuram por terrenos mais seguros e não se aventuram tanto. Isso é uma característica que te ajudará a evitar enfiar os pés pelas mãos em diversas situações, pois permite-se pensar antes de agir, o que faz com que suas ações sejam mais assertivas e certeiras. Por isso, não importa em que área deseja atuar, é imprescindível que estude o mercado, busque informações, converse com pessoas da área, alie-se com pessoas de interesse em comum, e imagine mais de um plano para execução, podendo sempre ter um plano B, caso o plano inicial não corra perfeitamente bem. Porém, essa característica também pode ser uma armadilha. Não passe tempo demais imaginando cenários diversos e inexistentes, o perfeccionismo é um grande inimigo nesse momento. Quando idealizamos um projeto e desejamos o encaixe perfeito para sua realização, ele nunca sairá do papel. Nós, mulheres, queremos provar o tempo todo nossa capacidade profissional e buscamos resultados perfeitos que, num mundo de tantas adversidades, não existe. Melhor do que um trabalho perfeito é um trabalho feito. Sinta-se segura com a bagagem que já tem, tenha coragem e inicie, o aperfeiçoamento virá com a prática.

Rafaella Marchese, empreendedora

3. Autoconhecimento e Equipe: Orgulho e humildade podem ser antídoto e veneno dependendo de suas dosagens. Os empreendimentos costumam possuir “a cara” de seu empreendedor. Então, autoconhecimento só trará riquezas para seu negócio e dia a dia. Saiba dos seus pontos fortes e explore-os para melhores resultados e não tenha medo de valorizar-se sabendo que você os possui. Pela opressão que sofremos é comum nunca nos sentirmos boas o bastante para determinada atividade. Pare com isso! Reconheça seu valor e os coloque para jogo. Mas, jamais ignore seus pontos fracos. Identifique cada um deles e monte sua equipe de forma que supra as suas faltas. Claro que há suas exceções, mas mulheres são menos orgulhosas e administram bem a humildade, o que é importantíssimo no momento de montar sua equipe. Procure se aprimorar em cada área, mas não perca tempo demais, nem se force em algo que não tenha muito seu perfil, aposte em alguém forte naqueles aspectos que lhe falta e juntos conquistarão novos patamares.

4. Seja uma solucionadora: Isso lhe exigirá bastante paciência, mas garanto que aumentará significativamente o valor do seu trabalho. Quando oferecemos um produto ou serviço, nosso cliente busca em nós a solução para algo, não importa que área seja. É extremamente motivador imaginar que pode-se ganhar dinheiro ajudando pessoas e acredite, é isso que você faz. E já que alguém procura a solução em você, não deixe jamais essa pessoa ir embora sem ter seu problema “resolvido”. E vem cá, isso nós, mulheres, temos de sobra, empatia e vontade de abraçar a causa do próximo, muitas vezes, sofrendo por problemas que não são nem nossos. Se você tem uma equipe, saiba, essas pessoas confiam e dependem de você, seja uma solucionadora e as motive a serem suas solucionadoras de problemas também. Relacionamento com pessoas costuma ser uma das áreas de maior dificuldade dentro de qualquer empresa, porém esse é um dos grandes segredos para o seu sucesso. Como mulheres, somos muito mais sensitivas e guiadas por nossas emoções, quando usamos esse nosso lado humano a nosso favor, o negócio adquire um novo brilho.

5. Trabalhe: e muito! Nada resiste ao trabalho, mas nada também fica de pé sem ele. A dedicação deve ser diária. Outra característica tão comum entre nós é o esforço e dedicação. Nossos lares costumam depender totalmente dessa nossa energia incansável. Que bom poder programar isso agora no mundo corporativo. Um novo projeto/ negócio/ empreendimento é como um filho. Deseja atenção, cuidado, carinho, empenho, disposição e costuma não te dar férias! Rs Não adianta achar que basta ter uma grande ideia e que as coisas acontecerão naturalmente, dependerá de muita ação e reinvenção sua nesse processo. Equilibre seus momentos de trabalho e lazer, claro, não prejudique sua vida pessoal, mas saiba que grande parte da sua vida será dedicada e empenhada nesse empreendimento. Assim, plante, regue e espere florescer. Somos especialistas em boas colheitas!

Saiba mais:
http://www.codigokid.com.br/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

 

O texto que é a redenção para os empreendedores que fracassam todos os dias

23 de novembro de 2018

Empreendedores, em geral, tem outros dons além de construírem grandes negócios. Steve Jobs tinha a oratória, Laércio Cosentino da Totvs, cozinha, e Ben Horowitz, escreve muito bem.

Talvez não conheça Horowitz, a Opsware, empresa que fundou e depois vendou para HP por US$ 1,6 bilhão em dinheiro, seu fundo de investimentos, a Andreessen Horowitz, que já investiu em outrora startups como Facebook, Instagram e Airbnb ou ainda seu livro (Martins Fontes, 2017).  Mas ele não é excelente no contexto literário, mas por escrever por e para muitos empreendedores ao redor do planeta.

Seu texto é a redenção para os empreendedores que fracassam todos os dias. Enquanto muitos que querem empreender ficam ludibriados com mensagens do caminho fácil e inspirador de serem independentes, Horowitz fala pelos que estão na luta, liderando suas empresas todos os dias. “O difícil não é sonhar grande, é acordar suando frio no meio da noite quando o sonho vira pesadelo.” – diz.

É com estes pequenos detalhes que se tornam imensidões para os empreendedores, que ele escreve um dos textos mais “socos no estômago” do seu livro (pág. 67):

Sobre a luta

A luta é aquele momento em que você se pergunta por que fundou a empresa.

A luta é aquele momento em que as pessoas lhe perguntam por que você não desiste, e você não sabe o que responder.

A luta é aquele momento em que os funcionários pensam que você está mentindo, e você começa a pensar que eles talvez tenham razão.

A luta é aquele momento em que a comida perde o gosto.

A luta é aquele momento em que você não acredita mais que deva ser o diretor executivo da sua empresa. É aquele momento em que você está nadando em águas demasiado profundas, mas, ao mesmo tempo, sabe que ninguém pode substituí-lo.

A luta é aquele momento em que todos pensam que você é um idiota, mas ninguém o demite.

A luta é aquele momento em que suas dúvidas sobre sua capacidade começam a se transformar em ódio por você mesmo.

A luta é aquele momento em que você está conversando com alguém, mas não ouve nenhuma palavra que lhe é dita, pois só tem ouvidos para a luta em si.

A luta é aquele momento em que você gostaria de parar de sentir dor, é infelicidade.

A luta é aquele momento em que você sai de férias para parar se sentir melhor, mas acaba se sentido pior.

A luta é aquele momento em que, rodeado de gente, você se sente sozinho. A luta não tem piedade.

A luta é o território das promessas descumpridas e dos sonhos despedaçados. É o suor frio, uma sensação tão forte de queimação no estômago que você tem a impressão de que vai cuspir sangue.

A luta não é um fracasso, mas a causa de um fracasso, em especial para os fracos – para os fracos, sempre.

A maioria das pessoas não é forte o suficiente.

Todos os grandes empreendedores, de Steve Jobs a Mark Zuckerberg, passaram pela luta. Todos eles lutaram, de modo que você não está sozinho. Mas isso não significa que você vá vencer. Talvez não vença. É por isso que o nome do que estou falado é “a luta”.

É na luta que nasce a grandeza.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper.

Livros (agora e ainda por muito tempo) forjam os melhores empreendedores

16 de novembro de 2018

Se há algo que une os empreendedores mais bem sucedidos ao redor do mundo é a paixão pelos livros. Não como bibliófilos ou bibliomaníacos, mas como pessoas que querem e buscam aprender continuamente e encontram nos livros uma forma organizada, conveniente, eficiente e, muitas vezes, inspiradora de estudar algumas horas em uma agenda atribulada aquilo que demoraria semanas, anos ou mesmo uma vida inteira.

Por isso, a sugestão de um livro de um empreendedor bem sucedido implica em um resumo de sua sabedoria aprendida, muitas vezes, à custa de muitos fracassos e erros, e também de vitórias e acertos, que quase sempre não conhecidos pelo grande público. Mas, por outro lado, a sugestão diz respeito a questões específicas que podem não ter valor imediato. Quando Bill Gates publica sua lista de livros (www.gatesnotes.com/books), as vendas disparam nas livrarias. Mas o que Bill sugere nem sempre é útil para os mortais usuários de word, excel e powerpoint. Afinal, Bill Gates, aos sete anos, já tinha lido todos os 21 volumes de World Book Encyclopedia (equivalente a Barsa ou Enciclopédia Britânica) e, desde então, nunca mais parou de devorar livros. O mesmo vale para Elon Musk, o celebrado empreendedor da Tesla, SpaceX e SolarCity. Ele demorou “bem mais tempo” que Gates, pois só terminou de ler a coleção completa da Enciclopédia Britânica aos 10 anos, passando a ler cerca de 10 horas por dia durante toda a sua adolescência.

Mas não é a quantidade mas a qualidade da leitura que importa. E isto será sempre uma percepção pessoal, sendo sua compreensão e aplicação algo intrínseco àquele momento do indivíduo em particular.  Por isso, encare as listas de sugestões de livros exatamente como é: uma lista de sugestões.

A nova geração de startupeiros mais bem sucedida ao redor do mundo sempre coloca dois livros na lista entre os mais recomendados. De Zero a Um, de Peter Thiel e O Lado Difícil das Situações Difíceis de Ben Horowitz. Para quem vai empreender em qualquer negócio, mas principalmente uma startup inovadora e de base tecnológica, tanto Thiel como Horowitz mostram o lado real e nada romântico do empreendedorismo. E o resumo dos dois livros é o mesmo: eu avisei!

Entre os empreendedores mais famosos e lendários, a lista de livros que mais impactaram suas vidas se divide em obras filosóficas, que guiaram o seu modo de pensar ao longo do tempo e publicações instrucionais, que orientaram a sua forma de agir.

Entre as obras filosóficas, a primeira e mais importante influência em Steve Jobs foi o livro Autobiografia de Um Iogue escrito pelo guru indiano Paramahansa Yogananda. Jobs conheceu a obra aos 17 anos e passou a lê-lo anualmente até falecer. Dizem que era o único livro no seu iPad e os convidados para o seu funeral receberam a publicação como seu último presente. Yogananda pregava a simplicidade fortemente observada nas criações da Apple.

Outra obra também filosófica é Enéadas escrita pelo filósofo Plotino e publicada por volta de 270 d.C. Plotino é quase desconhecido no Brasil se não fosse pela constante referência que Luiz Antônio Seabra, co-fundador da Natura, dá quando explica como surgiu o conceito da Natura no momento em que a fundou em 1969. A visão holística, integrada e sustentável que consolidou na empresa, explica Seabra, é o resultado direto da inspiração que Plotino trouxe para a sua vida como um todo.

Neste contexto de influências filosóficas na gestão de empresas também entra o livro A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, escrito pelo filósofo alemão Eugen Herrigel, que foi ao Japão aprender a técnica milenar do arco e flecha. Durante meses aprendeu a respirar, ouvir o ambiente, escutar o coração sem atirar nenhuma flecha sequer. Para um ocidental que buscava praticidade e objetividade, aquilo foi uma tortura insana. Só depois que aprendeu a se conhecer, ouvir o ambiente e se comprometer, literalmente, de corpo e alma, começou a atirar. Esse é um livro constantemente indicado por Meyer Nigri, o fundador da Tecnisa.

A lista poderia ser enorme, mas termino com um livro de ciência exata que, para Elon Musk, também é filosófico.  Vários livros o influenciaram como o Guia do Mochileiro das Galáxias, mas foi em Estruturas: Ou porque as coisas não caem, do professor de ciência dos materiais e biomecânica J. E. Gordon, que Elon Musk passou a utilizar os conhecimentos de física nos negócios.

A lista de publicações instrucionais que influenciaram fortemente grandes empreendedores é ainda maior. Bill Gates explica que mesmo depois de mais de 20 anos de ter recebido a sugestão do seu amigo Warren Buffet, o livro Aventuras Empresariais, escrito por John Brooks, continua sendo o mais importante que leu em sua vida pois narra diversas situações empresariais de empresas reais que são grandes lições para qualquer tipo de negócio. Se este livro fala de erros, o livro preferido de Jeff Bezos, Made in America, escrito por Sam Walton, fundador do Walmart, fala de acertos e da importância da austeridade e também da inovação no desenvolvimento de grandes negócios. O livro de Sam Walton também marcou fortemente o início da vida empresarial de Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, que escreveram o primeiro prefácio da edição em português.

Para finalizar, dois livros bastante úteis para o momento atual das empresas. O primeiro lida com a formação de equipes integradas e alto desempenho. Os 5 Desafios das Equipes, escrito pelo consultor Patrick Lencioni, é a ótima sugestão de Edgard Corona, o fundador da SmartFit para este desafio. E em momentos em que muitas organizações precisam reduzir custos e aumentar receitas, o livro Dobre seus Lucros, do consultor Bob Fiffer, é sempre lembrado como o único livro que Marcel Herman Telles, empreendedor da AB-Inbev, enviou para todos os diretores das empresas do Grupo 3G mais de uma vez.

Por mais que as tecnologias de inteligência artificial avancem e as comunicações digitais proliferem, os (bons) livros, agora e por muito tempo, ainda forjarão os melhores empreendedores.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

 

Corporações e startups: os dez erros iniciais (e fatais) que os empreendedores mais cometem

12 de novembro de 2018

Por mais que pareça uma grande novidade, o interesse de grandes corporações por startups está em sua quinta onda mundial e na terceira no Brasil. Em outros momentos, as grandes empresas já tinham percebido as oportunidades em interagir, fechar parcerias e investir em startups. E, como nas ondas anteriores, executivos e empreendedores retornam ao início da jornada e precisam desenvolver conhecimentos para aumentar a eficácia neste tipo de relação.

Muitos erros são cometidos e, desta forma, há inúmeras oportunidades de melhorias pelas duas partes. Entre algumas das falhas críticas que muitos empreendedores cometem logo no início da relação estão:

Não estudar (previamente) a corporação. Mas o que a empresa de vocês faz mesmo? Pergunta o empreendedor para a banca de executivos que iria ver a sua apresentação. Nem todos os empreendedores são tão estúpidos assim, mas boa parte não faz seu dever de casa prévia e adequadamente. Estudar o histórico da empresa, sua atuação, concorrentes, estratégia e, principalmente, seus desafios (lembre-se de que ela não tem problemas… tem desafios ou objetivos estratégicos!) é o mínimo que se espera de alguém que se propõe a ser um parceiro estratégico da companhia.

Não pesquisar e identificar quem são os executivos que participarão da reunião. Estamos só esperando o CEO da empresa para começar? Questiona o empreendedor ao rapaz de camisa polo, jeans e sapatênis que está ao seu lado na mesa de reunião. Se essa é a sua preocupação, já podemos começar. – Responde o rapaz ao empreendedor que ainda não entende o sarcasmo. Nas corporações mais modernas, que aderiram à informalidade nas relações, é impossível para um forasteiro saber quem é quem na hierarquia organizacional, mesmo porque, o CEO se mistura ao seu time, não apenas fisicamente, mas em opiniões e discussões. Custa pouco pedir antecipadamente a lista de quem estará presente e pesquisar no Linkedin. Mas sai muito caro não saber com quem está falando na firma.

Não identificar qual é o desafio da corporação que sua startup resolve. Nem tinha me tocado que minha startup poderia resolver o problema dessa corporação desse jeito… – Relata o empreendedor. Muitos empreendedores se cegam fascinados pela inovação que estão desenvolvendo e não conseguem vislumbrar que sua solução seria muito útil em outros desafios empresariais aparentemente desconexos.

Não identificar rapidamente qual executivo irá ajudar a bater a meta. Não existe relação grande empresa e startup. O que há são executivos se relacionando com empreendedores. Se nenhum executivo entender que a startup o(a) ajuda a bater meta, a relação não irá adiante.

Portar-se arrogantemente como empreendedores e não executivos. É um paradoxo. A corporação diz querer inovar com startups, mas seus executivos buscam uma solução segura que não arrisquem seus empregos e a empatia é imediata quando o empreendedor também age e se porta como um executivo.

Não contextualizar e caracterizar a (grande) vantagem competitiva que se consolidará pela parceria. Ah, inclusive já atendemos seu principal concorrente! Diz o orgulhoso empreendedor tentando demonstrar que sua solução já foi validada pelo mercado. E depois, na saída reclama: Acho que eles não entenderam a solução…

Chamar mais a atenção do que a solução da sua startup. Roupa amassada, camiseta velha, jeans sujo, saia muito curta, computador com adesivos polêmicos, piadas inoportunas, cheiro de suor e até falta de higiene bucal. Não tudo isso ao mesmo tempo e (ainda bem) são exceções.

Não entender a lógica da PoC. Fechar uma parceria com uma startup é, em boa parte dos casos, um enorme risco não só para a imagem da corporação (que pode chegar a bilhões de reais) mas para o executivo que toma a decisão. Quando se contrata um grande fornecedor e o projeto dá errado, a culpa é do fornecedor. Quando se contrata um pequeno provedor, a culpa é de quem? Por isso, as grandes corporações criam uma fase de prova de conceito (que muitos empreendedores odeiam) em que a startup será validada em diversos aspectos, inclusive o comprometimento e a capacidade de execução dos empreendedores e a escalabilidade da solução.

Não compreender que a corporação é rica, mas o departamento é pobre. As grandes empresas que faturam milhões ou bilhões de reais podem parecer imponentes, mas seus departamentos sobrevivem de orçamentos restritos aprovados no ano anterior. Cada real gasto foi previsto e enxugado até o último centavo possível. Por mais que o contrato seja celebrado com a grande empresa, o recurso sairá de um departamento com orçamento de média ou até pequena empresa.

Não (saber) lidar com o jogo do Fácil-Sim. A negociação entre corporação e startup é finalizada, invariavelmente, com um sim ou um não. Este sim ou não pode ser fácil ou difícil. Não raro, a solução inovadora, escalável, disruptiva vislumbrada pela startup para a corporação será um difícil sim ou, mais provavelmente, um difícil não. A “empresa” até entente o potencial de inovação, mas o “executivo” não arriscará seu bônus do ano e até sua carreira nesta “aposta”. Cabe ao empreendedor levar a negociação para uma proposta simples, barata e com pouco risco para a empresa. Esta é a solução Fácil-Sim que será validada na PoC. Uma vez dentro da corporação, já tendo validado a solução e a capacidade de execução, aí sim, aquela solução inovadora, escalável, disruptiva começará a fazer mais sentido.

Mas de todas as falhas cometidas pelo empreendedor na sua relação com a corporação, as mais graves são as que ocorrem depois: dizem que não aprenderam nada com o processo, reclamam da perda de tempo e ainda não expandem sua rede de relacionamentos.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo.

Um case de sucesso no Terceiro Setor

12 de novembro de 2018


Esta é a história de Marcelo Nonohay, fundador e diretor executivo da MGN, empresa especializada na gestão de projetos para transformação social. Gaúcho, bom contador de histórias e que nas horas vagas faz aula de guitarra, Marcelo é mestre em administração pela conceituada Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e membro Titular do Conselho Nacional do Voluntariado 2018/2019. Ele conta que a jornada empreendedora começou em 2006, apenas formado em Porto Alegre, e em 2010 desembarcou em São Paulo para colocar a MGN em abrangência nacional. Já deu palestras para mais de 15 mil executivos de empresas nacionais e internacionais, tornando-se uma referência nas áreas de voluntariado empresarial e educação.

Quando teve vontade de empreender?

Sempre tive um exemplo empreendedor dentro de casa. Antes mesmo de eu entender o que significa ser empreendedor eu via várias facetas do empreendedorismo. Tanto as coisas boas quanto as não tão boas em ser dono de um negócio próprio: paixão pelo que se faz e o orgulho pelas realizações; longas horas de trabalho e uma preocupação constante com o bem-estar dos funcionários; satisfação de clientes e a perenidade do negócio. Ser empreendedor sempre foi uma opção aberta, mas só virou uma realidade bem mais tarde. Nesta época eu já estava formado em administração e decidi fazer um mestrado. Neste período, além de um grande aprendizado acadêmico, pela primeira vez entendi que conseguiria viver sem ter um emprego formal e que eu poderia fazer um caminho diferente, pagar os custos e colher os frutos de uma vida mais independente. Foi nesse período que nasceu a MGN.

Olhando para atrás, houve uma inspiração especial?

Sim, na escola fiz parte de um programa que desenvolve empreendedorismo entre jovens com o trabalho de voluntários do mercado – a Miniempresa da Junior Achievement. Essa experiência foi transformadora, pois moldou em grande parte o meu negócio atual.

Primeiro apareceu o empreendedor ou a ideia?

No início eu achava que para ser um empreendedor de sucesso eu teria que ter uma ideia genial. É obvio que se você tem uma ideia genial e o mercado aprova, você está muito bem encaminhado. Mas entendo que nem todos os empreendedores terão uma ideia genial para começar. Olhando em retrospectiva, eu comecei fazendo o que sabia, explorando o que gostava e sempre muito aberto a aprender. Não criei a MGN a partir de uma ideia genial, mas hoje tenho certeza que o que ela faz é genial. Se me perguntassem há uns 15 anos se eu achava que uma empresa como a MGN poderia existir, eu diria que não.

Qual o foco de trabalho da MGN?

Nós trabalhamos com a gestão de projetos para a transformação social. Criamos esse guarda-chuva amplo, pois estamos envolvidos em projetos de voluntariado, educação e diversidade. Por isso, entendemos que nosso negócio sempre tem relação com algum tipo de transformação social que queremos ver na sociedade. Nem sempre tivemos esse foco exclusivo, no entanto. O começo de um negócio é sempre muito difícil. Por se tratar de um negócio de consultoria, também fizemos muitos trabalhos de planejamento: planos de negócios, planejamento estratégico e planos de marketing. Aproveitamos até hoje a experiência que adquirimos com esse tipo de trabalho. Muitos temas que desenvolvemos nessa época ainda aplicamos nos nossos projetos, como por exemplo empreendedorismo, sustentabilidade, inovação, gestão estratégica e pesquisa de mercado.

Como é que a família participa (ou não) no empreendimento?

A família do empreendedor sempre participa do seu negócio. No caso da MGN tenho membros da família que se envolvem de forma pontual em alguns trabalhos, de acordo com suas competências. Além disso, todos sofrem um pouco com as noites mal dormidas, assim como vibram com cada conquista.

E como é a rotina diária de uma empresa do Terceiro Setor?

Nosso cotidiano é bastante intenso. Por sermos uma empresa que presta serviço, é esperado que estejamos funcionando no horário comercial, mas como trabalhamos com muitos eventos, em especial de atividades de voluntariado empresarial, trabalhamos muitas noites e fins de semana, horários em que muitos programas de voluntariado corporativo realizam suas atividades. Para dar conta dessa demanda, zelamos por manter um ótimo clima organizacional, valorizamos a diversidade para que todos se sintam acolhidos e temos sistemas de bonificação para as lideranças e para quem trabalha em eventos. Além disso, o resultado do nosso trabalho sempre é carregado de muita satisfação pessoal, pois atuamos no que eu chamo de Economia do Bem. Para mim, esse conceito vai muito além das definições de Terceiro Setor ou Negócios Sociais. Aqui entram todas as formas de produção, trocas, consumo e descarte que propõem uma revisão das maneiras tradicionais.

Quais são os planos de futuro do negócio?

Nossos planos de futuro incluem a expansão concêntrica de negócios. Estamos explorando novos mercados onde podemos aplicar nossa expertise no Brasil e fora.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor, qual seria?

Vejo que atuar no setor, seja por meio de uma Organização ou Negócio Social, ou até mesmo com uma consultoria é muito tentador para os jovens. Essa nova geração já chega ao mercado pensando em empreender com propósito. Todos querem fazer o que gostam. Não há mais espaço para ser infeliz no trabalho e fazer o bem nas horas vagas. O ponto é que empreender em qualquer setor, mesmo que seja para fazer o bem, não é fácil e não é para qualquer um. Às vezes me preocupa ver tantas pessoas se jogando no mercado sem nenhuma noção ou preparo. Mesmo em um negócio que é 100% ligado à realização pessoal do empreendedor, as dificuldades e a vontade de desistir baterão à porta. Tudo começa por autoconhecimento: a pessoa tem que estar disposta a viver a vida de empreendedor.

Qual o futuro do Brasil?

Embora seja um clichê, eu acredito que o Brasil tem um enorme potencial, um grande mercado consumidor, uma cultura rica, grande diversidade ambiental e social, algumas ilhas de excelência e um povo criativo. O problema é que para que esse potencial seja realizado, precisamos investir em educação com um pensamento de longo prazo. Vejo que a MGN dá uma contribuição, pois quando desenvolvemos know-how para dar mais efetividade e maior impacto ao investimento social privado, estamos trabalhando para construir um futuro melhor.

Saiba mais:

http://mgnconsultoria.com.br/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).