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Blog do Empreendedor
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O Brasil precisa de universidades que formem mais empreendedores

29 de novembro de 2017

Poucos conhecem Ronald Degen e Silvio Aparecido dos Santos. Eles lançaram, solitariamente, ainda no início da década de 1980, os primeiros cursos de empreendedorismo do Brasil na FGV-SP e FEA-USP quando o termo sequer era conhecido no País. Neste momento, o saudoso professor Cleber de Aquino trazia empreendedores como Omar Fontana, Jorge Simeira Jacob, Matias Machline e Yvonne Capuano para conversar com os alunos, mas poucos se interessavam em ouvir suas trajetórias e aprendizados. Não havia nada de útil ali para quem sonhava em seguir o caminho do emprego vitalício em alguma grande empresa.

Mas veio a fase de forte crescimento da inflação associado à queda do PIB brasileiro na década de 1980 e abrir um negócio próprio se tornou um caminho obrigatório para sobreviver como foi o caso do engenheiro que virou suco. Após perder seu emprego em uma metalúrgica em 1982, o engenheiro Odil Garcez Filho tornou-se conhecido no País por abrir uma casa de sucos na Avenida Paulista.

Veja também:
• O futuro do empreendedorismo já começa no ensino fundamental
• Em um mundo cada vez mais tecnológico, o futuro do empreendedorismo é ser humano
• Loucura, loucura, loucura: Pequeno guia para empreender em 2018

Quase 40 anos depois, há diversos novos caminhos, e a situação do empreendedorismo em relação ao emprego inverteu de forma surpreendente. Em 2016, tornar-se dono de um negócio próprio era o quarto sonho mais desejado pelos brasileiros adultos segundo a pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor. Empreender só perde, em prioridade, para comprar uma casa própria, viajar pelo Brasil e comprar um automóvel. Ser empregado (fazer uma carreira em uma empresa) é apenas o 8º sonho, perdendo apenas para casar ou constituir uma nova família e comprar um computador ou smartphone.

Apesar da evolução da importância do empreendedorismo entre os brasileiros, muitas universidades e outras instituições de ensino superior ainda não priorizaram a educação empreendedora nas suas grades curriculares e muitos docentes ainda percorrem um caminho tão solitário como os dos professores Degen e Santos na década de 1980.

Em um momento em que a maior taxa de desemprego está justamente na faixa de idade entre os recém-formados, reitores e dirigentes de instituições de ensino superior deveriam priorizar de forma estratégica, integrada e, principalmente abrangente, diversas iniciativas de empreendedorismo.

Estratégica, incluindo o empreendedorismo como um dos pilares da formação dos seus egressos. O Senac-SP, por exemplo, há muitos anos incluiu a atitude empreendedora como um dos pilares da formação dos seus alunos. A Unicamp vai além e identifica os empreendedores formados pela instituição, mensurando seu impacto em receitas e geração de empregos, seguindo o modelo já adotado pelo MIT e Stanford.

Integrada, associando as diversas disciplinas da grade curricular com suas aplicações inovadoras e empreendedoras. Neste contexto, a FIAP extinguiu o formato tradicional de TCC e introduziu o modelo de startup como trabalho final de todos os cursos de graduação e pós.

E abrangente, permitindo diversas combinações e iniciativas que promovam o comportamento empreendedor de seus alunos, docentes, ex-alunos e outros membros da comunidade. No Insper isto já começa pelos nomes de empreendedores das sala de aula, passa por iniciativas como o Centro de Empreendedorismo e rede de investidores anjos, até permear em diversas iniciativas criadas e geridas pelos próprios alunos.

E em momentos como o atual em que muitos caminhos se fecham para quem perde o emprego e outros que tentam buscar novos caminhos para seguir em frente, os mais empreendedores constroem os seus.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper, Consultor Acadêmico de Empreendedorismo do SENAC/SP e da FIAP

A rede empreendedora sustentável

28 de novembro de 2017

 

 

Uma das grandes satisfações que tenho no dia a dia é o contato direto, no balcão, com as pessoas que frequentam as lojas. Tenho um interesse genuíno pela vida de cada um, que me enriquece, e termina por desenvolver amizades e ótimos encontros. Esses contatos fortuitos com clientes – às vezes são alguns segundos, uma frase; e outras vezes rende vários dias de conversa – seja de receitas, de viagens, e da vida em geral, me trazem grande prazer, sendo um grande bônus do trabalho.

Nesses encontros do acaso, na semana passada conheci a Glória Andrade, empreendedora de sucesso na área de eventos. A Glória me contou que a filha passou a não comer carne em certo momento, e isso aprofundou a curiosidade dela nesse mundo do alimento saudável: de onde vem, como chega até o consumidor, onde está o produto, etc. “A dificuldade de encontrar as informações organizadas é enorme, é tudo na sorte do Google”.

Acompanhando os interesses da filha, Gloria começou a pesquisar, experimentar, conhecer pessoas e projetos criativos, e o lado empreendedora dela começou a formatar uma ideia – vinda da própria necessidade de informações – de conectar pessoas interessadas numa alimentação saudável, como ela e a filha, com as empresas que compartilham os mesmos valores.

Assim surgiu a primeira plataforma digital – em parceria com a Safra Digital – com propósito de reunir empresas que priorizam o uso de recicláveis, orgânicos, não poluentes, naturais, em sintonia com o meio ambiente, chamada Maria Conecta.

Fiquei fascinado no projeto, pois me identifiquei tanto como consumidor quanto como empresa, e achei ótima a iniciativa de poder encontrar mais empresários com as mesmas afinidades – e construir parcerias em busca de custos, de novidades, de informação. Virei fã e apoiador imediato.

Fica o convite a empreendedores e consumidores, de visitar a plataforma, fazer contato, levantar a bandeira abraçar esta causa, que vale a pena.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

O futuro do empreendedorismo já começa no ensino fundamental

27 de novembro de 2017

Para muitos pais, agora avós, o futuro funcionou no Século XX. Enviaram seus filhos para as melhores escolas, para que entrassem nas melhores faculdades e daí, conseguissem os melhores empregos nas melhores empresas. Mas os pais nascidos no final do século passado sabem, mesmo que inconscientemente, que este futuro já não existirá para seus filhos.

Olhando para o destino final do futuro antigo, quais serão as melhores empresas onde nossos filhos trabalharão? Pesquisa apresentada por Pierre Nanterme, CEO da Accenture, uma das principais consultorias de negócios do mundo, aponta que metade das maiores empresas que apareciam no ranking Fortune 500 no ano 2000 já não aparecia na lista 15 anos depois.

Veja também:
• O Brasil precisa de universidades que formem mais empreendedores
• Em um mundo cada vez mais tecnológico, o futuro do empreendedorismo é ser humano
• Loucura, loucura, loucura: Pequeno guia para empreender em 2018

E quais serão os melhores empregos? O Século XX consolidou o conceito de emprego de longo prazo. Sonhava-se aposentar trabalhando orgulhosamente na mesma instituição durante toda a vida. Depois, trabalhando em duas ou três empresas. E já no final do século, apenas aposentar-se já era um alívio. Mas a preocupação atual não é apenas manter-se empregado, mas saber o que será um emprego na próxima década. Pesquisa da Manpower, uma das maiores empresas globais de contração de pessoas, aponta que 65% dos empregos da próxima geração será composta de funções que ainda não existem atualmente.

E esta projeção é uma das mais baixas. Outra pesquisa da Dell prevê que 85% dos empregos será ofertado em funções totalmente inéditas atualmente. Se o futuro do emprego será composto de novas funções, o que acontecerá com as antigas? Um recente estudo da Universidade de Oxford prevê que, pelo menos, 47% das funções desaparecerão ou perderão muito da sua importância nas próximas décadas.

Isto já aconteceu com a função caixa das agências bancárias, está impactando agora os atendentes de call center (trocados por chatbots) mas vai avançar em funções muito especializadas como professores, médicos e advogados. Este é o impacto do que vem sendo chamado de 4ª Revolução Industrial, que integra diversas tecnologias disruptivas como inteligência artificial, big data, internet das coisas para não só substituir como realizar com muito mais eficiência e escala funções profissionais cada vez mais complexas.

Neste contexto, as melhores faculdades estão formando profissionais do futuro ou para o futuro do século passado? No Brasil, o desemprego entre os recém-formados é mais que o dobro do que na média da população. A crise econômica, com certeza, tem forte impacto neste indicador, mas a preparação defasada do jovem profissional que chega ao mercado de trabalho é ainda maior. O resultado direto disso é o crescimento de cerca de 25% dos cursos de pós-graduação observado pelo Ministério da Educação nos últimos três anos.

Diante de tantas incertezas e novidades, muitos pais estão aflitos sobre qual é a melhor educação que precisam oferecer para os seus filhos e isto passa também pela escolha da escola.  Mas a melhor opção é aquela que prepara seu filho para o vestibular ou para a vida?

Pais que podem escolher e sabem a resposta desta questão e reconhecem a importância das escolas de ensino fundamental e médio que incluem a formação empreendedora no programa curricular.  E as escolas que realmente entendem o empreendedorismo como uma das principais habilidades pessoais do Século XXI sabem que isto não se resume a ensinar as crianças a abrirem negócios. Empreendedor é um visionário que tem iniciativa, que sabe identificar oportunidades e estabelecer soluções inovadoras. Ser um empreendedor não se limita às pessoas que começam os seus próprios negócios. O comportamento empreendedor existe em todos os setores, em todos os níveis de carreira, em todos os momentos da vida.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

 

Sejamos como a água, que passa pelas fendas

19 de novembro de 2017

Sempre digo que um empreendedor precisa de um grande capital de informação. Informação é alimento de primeira necessidade. Mas precisa, ainda mais, de largos estoques de inspiração.

Quando falo de inspiração não me refiro apenas a ideias práticas para o negócio em si. E sim de sopros para o estado anímico – porque em negócios, a atitude faz toda a diferença. Motivar equipes, lidar com clientes, negociar com fornecedores, credores ou devedores, gerenciar contratempos mil, tomar decisões no calor do momento… tudo exige espírito preparado e uma certa calma marcial.

Acho importante ler biografias e textos de empresários visionários – atuais ou de outros tempos – mas as melhores fontes para beber inspiração nem sempre são necessariamente ligadas ao mundo dos negócios. Às vezes, os oráculos estão bem longe do universo empresarial.

Por exemplo, eu tenho particular devoção por Bruce Lee. Em alguns momentos de grande tensão, com mil coisas acontecendo e prestes a explodir, posso parar e lembrar de ensinamentos dele, que misturam palavras como “combate”, “força” e “gentileza” na mesma frase. Situações que demandam energia e movimentos precisos com os de um lutador de artes marciais. Inevitável um sorriso nessas horas, com a clássica cena em que ele chama os inimigos ao combate de forma zombeteira e desafiadora, com um gesto de mão (https://youtu.be/9PAW5Cden4U)

Ele também foi um empreendedor, e deixou sua marca e ensinamentos cheios de leveza, sabedoria e força. Uma combinação sensacional. Aqui um pouco de seu jeito de pensar:

1.      Saber não é suficiente. Você precisa aplicar. Vontade não é suficiente. Você precisa agir

2.      Vontade forte cria seus próprios talentos e oportunidades

3.      Se você passar muito tempo pensando sobre uma coisa, nunca vai fazê-la

4.      Não é o trabalho, mas como você o faz

5.      Derrota não é derrota, a menos que você a aceite como uma realidade em sua própria mente

6.      Faça da pedra de tropeço um degrau de subida. Cada fato negativo pode ser transformado em uma experiência positiva

7.      Se você pensa que é impossível, só vai torná-lo impossível

8.      O que você sabe não tem valor; o valor está no que você faz com o que sabe

9.      A confiança nasce do conhecimento

10.   Guardo meus infortúnios passados como um tesouro na memória. Eles acrescentam muito à minha fortaleza interior

11.   Para o inferno as circunstâncias, eu crio oportunidades

12.   Seja como água que passa por entre as fendas

Como Caetano já dizia, no mundo dos negócios, é melhor ser “tranquilo e infalível como Bruce Lee”.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.brivan.primo@pastificioprimo.com.br

Era uma vez Nokia, Orkut, Second Life, Fotolog, Flickr, Flogão, HpG…

17 de novembro de 2017

Parece ontem…

Todos os dias, 900 milhões de pessoas negociam, fofocam, flertam, riem, gritam e choram em um Nokia. Um dia, nos próximos meses, um Nokia irá chegará às mãos do seu bilionésimo cliente. McDonald´s e Coca-Cola podem alegar que têm mais clientes, mas a experiência que eles oferecem é um pouco mais transitória. Você não sai de casa sem o seu telefone. Se julgar uma marca pela sua influência ou alcance, Nokia pode ser a marca mais bem sucedida na história” – assim começava a reportagem sobre a celebrada empresa finlandesa em uma importante revista norte-americana de negócios.

Naquele momento, o Orkut rumava para alcançar 40 milhões de usuário só no Brasil, colocando o país como o principal no mundo nesta rede social. Sem medo de ser feliz, mais de seis milhões de brasileiros ficavam dormindo no grupo “Eu Odeio Acordar Cedo” e outros mais de três milhões e meio de pessoas se divertiam no grupo “Deus me disse: desce e arrasa!”. O Orkut ainda reunia milhões de brasileiros em grupos como “Eu abro a geladeira para pensar”, “Queria sorvete, mas era feijão”, “Odeio esperar resposta no MSN”, “E INCOMODO?? Que peeena !!!”.

Mas o Orkut era para zoar com os amigos, rede social high tech mesmo era o Second Life e o Brasil era o quarto maior mercado na rede social de realidade virtual. Você criava um avatar e poderia visitar diversos ambientes se o seu processador e sua internet discada ajudasse e participar de eventos como aulas e palestras e além de poder fazer transações comerciais pagando em Linden dólar (L$). O SL era o futuro e muitas grandes empresas, bancos, universidades e até igrejas pagaram para ter suas versões na segunda vida.

O Brasil também era muito importante para o Fotolog. Como o Google limitava a publicação de fotos no Orkut, a rede social de imagens cresceu rapidamente. Neste momento, mais de três milhões de brasileiros, cerca de 26% do total de internautas (sim, utilizava-se este termo) publicavam dezenas de fotos diariamente no Fotolog. Diante do sucesso do Fotolog ao redor do mundo, o Yahoo! decidiu fechar seu Yahoo! Photos para apostar todas as fichas no Flickr, startup que tinha comprado dois anos antes por US$ 25 milhões. Mas para cada startup de sucesso, havia um clone brasileiro e este era o papel do Flogão, que se autodenomiva “O Fotolog do seu jeito”.

Enquanto as redes sociais faziam muito sucesso entre os brasileiros, havia uma ótima concorrência entre os provedores de páginas web grátis. O Brasil representava o quinto maior mercado para o Geocities, que havia sido comprado pelo Yahoo! por inacreditáveis US$ 3,57 bilhões e diante do seu sucesso. Na briga por este espaço, iG havia comprado o HpG, a Globo havia lançado o kit.net e os fundadores do HpG, retornaram com o XpG.

E o MSN reinava absoluto no Brasil. Entre os cerca de 40 milhões de pessoas com acesso à internet, 30,5 milhões utilizavam o MSN para trocar mensagens e economizar nos torpedos, colocando o país na primeira posição mundial.

Mas tudo isto foi em 2007…  ¯\(°_o)/¯

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

O empreendedor global

13 de novembro de 2017

De hoje a domingo, 35 mil eventos em 165 países comemoram a Semana Global do Empreendedorismo, a maior celebração mundial dos inovadores e criadores de emprego. A abertura estará a cargo do empreendedor serial sir Richard Branson.

Mais do que a grande mobilização em torno do tema, esta Semana do Empreendedor chama a atenção pela importância que assumiram aqueles que iniciam negócios, mesmo em países em conflito ou em crise.

O empreendedorismo é vibrante mesmo em regiões onde pode não ser esperado. Na China, ele vem promovendo uma verdadeira revolução na economia. Na Venezuela, em meio à turbulência política e econômica, o empreendedorismo está evoluindo por necessidade. Mesmo em países devastados pela guerra, como a Síria, existem bolsões de startups.

Isso prova que empreender ultrapassa diferenças políticas e geográficas: empreendedorismo de diversos países tem muito em comum, desde suas motivações a seus desafios. Um exemplo disso é o desemprego – principalmente o de jovens –, que vem sendo um motor pra iniciar negócios em quase todas as partes do mundo.

Por outro lado, em quase todos os países existe o desafio de espalhar geograficamente o empreendedorismo, que costuma ser um fenômeno urbano. A preocupação em diversas regiões é estimular o início de novos negócios em áreas e setores menos empresariais.

E, por fim, há a faca de dois gumes da tecnologia: ao mesmo tempo em que ela cria novas oportunidades de negócios e as espalha geograficamente, também está fazendo que estes novos negócios funcionem com cada vez menos trabalhadores. Ou seja, a tecnologia limita o impacto social das novas empresas.

De toda forma, a Semana Global do Empreendedor confirma o que se vem afirmando aqui nesta coluna semana após semana: os empreendedores são mais importantes do que nunca. E não importa em que idioma, nível político, regime econômico ou mesmo inclinação religiosa.

Empreender é a grande linguagem universal.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

A empresa que todos os empreendedores deveriam conhecer não faz nada mais além do óbvio

10 de novembro de 2017

Uma boa empresa deveria vender muito. Considerando as vendas proporcionais por metro quadrado, esta tem vendido o dobro da segunda colocada. Uma boa empresa deveria ter clientes fiéis. 76% dos seus clientes lembram que fizeram a compra mais recente lá e indicariam a empresa para seus amigos e conhecidos, mantendo-a entre as favoritas do seu ultracompetitivo mercado há muitos anos. Uma boa empresa deveria fazer o bem para o seus clientes. Esta empresa vende majoritariamente alimentos naturais e orgânicos, premiums e gourmets e ainda consegue fazê-los mais baratos do que os similares da concorrência. Por isso, esta empresa tem fila na porta.

Na abertura da sua mais nova loja, no mês passado, as portas foram abertas às oito da manhã, mas as filas começaram a se formar duas horas antes. Uma boa empresa deveria ser um ótimo local de trabalho. Ela foi considerada a 16ª melhor empresa para trabalhar em todos os Estados Unidos no ano passado, pagando os maiores níveis salariais do seu setor e oferecendo os melhores benefícios. E há diversos relatos de colaboradores atuais e antigos sobre como trabalhar nesta organização mudou suas vidas. E depois de tudo isso, lá na última linha da demonstração do resultado, uma boa empresa precisaria ser lucrativa. E esta empresa é uma das mais rentáveis do setor varejista mundial. A empresa opera lojas pequenas, com poucas opções e com cerca de 80% dos itens sendo marca própria. Isto aumenta a eficiência, escala de compra, custos logísticos, tornando a empresa muito lucrativa e sem endividamento.

As empresas deveriam ser assim, mas não são. Por isso, deveriam conhecer um pouco mais sobre esta empresa, a Trader Joe’s. Mas as empresas também deveriam falar menos e fazer mais. Neste contexto, com quase 500 lojas, mais de 38 mil colaboradores e com faturamento estimado de 13 bilhões de dólares, pouco se conhece da TJ como é mais chamada pelos seus clientes e colaboradores. Seu fundador, Joe Coulombe, atualmente com 87 anos, vendeu a empresa há quase 40 anos. O grupo alemão que adquiriu a Trader Joe’s, manteve não só Joe a frente do seu negócio até se aposentar em 1988 como nunca mais interferiu na forma com que o criativo fundador gerenciava o negócio ou criava uniformes espalhafatosos com temas havaianos para sua equipe. Ele, por sua vez, passou a adotar o perfil discreto, quase invisível que era a principal característica do grupo alemão. A empresa, seus produtos, serviços e experiência de consumo é que devem se destacar! E desde então, seus executivos não aparecem na mídia, não palestram, não falam da empresa. Por ser de capital fechado, a Trader Joe’s não divulga seus números. A empresa também não faz nenhum tipo de propaganda, com exceção ao Fearless Flyer, seu tradicional panfleto de ofertas. A discrição chega à sede da matriz, localizada na cidade de Monrovia, Califórnia, que não tem nenhuma placa ou sinalização com o logo ou nome da TJ.

E mesmo com esta discrição absoluta, a Trader Joe’s consegue entregar uma experiência de consumo que só pode ser descrita com um termo: Uau! Mas o segredo do sucesso da TJ não é nenhum segredo e segue cinco lógicas absolutamente óbvias:

• Venda para pessoas educadas e inteligentes: A empresa foi fundada em 1958 com o nome de Pronto Market e era, basicamente, uma loja de conveniência. Em 1967, Joe Coulombe explicou em uma das suas raras entrevista que leu uma notícia em que era mencionado que 60% das pessoas estavam indo para a faculdade naquele momento. Ele pensou que pessoas mais bem educadas, naturalmente seriam mais exigentes e demandariam um serviço de varejo com produtos mais sofisticados, mas nem por isso pagariam mais caro (afinal, eram inteligentes). Daí veio a ideia de reformular todas as lojas que tinha e inspirado nos “mares do sul” e diversas ilhas famosas, lançou a primeira loja da Trader Joe’s, como algo que remetesse a um entreposto comercial sofisticado do Joe no Havaí. A obviedade é que é fácil vender e manipular clientes idiotas, mas os mais bem educados tendem sempre a exigir o melhor da empresa.

• Monte times pequenos e engajados: A lógica inicial é a mesma até hoje. Os colaboradores são chamados de tripulação. Cada loja tem um capitão. Os gerentes são chamados de First Mate, ou algo como imediatos. A seguir vêm os Merchants ou mercadores. Por fim, há o Crew ou membros da tripulação. A metáfora óbvia é que todos estão no mesmo barco, com poucos níveis hierárquicos e com todos sabendo suas funções, mas também atentos na execução de outras atividades para manter ou aumentar a velocidade do navio funciona!

• Mantenha sua tripulação sempre muito feliz: Encontrar um funcionário feliz ou muito feliz nas lojas da Trader Joe’s e sempre disposto a atendê-lo(a) excepcionalmente bem é uma constante. Para se chegar a este patamar, a TJ oferece os melhores salários, benefícios e condições de trabalho do mercado e total liberdade com responsabilidade. Está cansado, pode descansar. Com fome, pegue algo para comer. Precisa sair mais cedo ou chegar mais tarde. Tudo bem. Não se dá bem um chefe, bom… há vários outros para reportar. Em troca, a empresa quer ver o membro da tripulação entregar uma experiência de consumo UAU! Deve ser amigável, atencioso e divertido. Com todos!

• Ofereça poucas, mas sempre as melhores opções de produtos: A TJ tem uma variedade entre 4 a 5 mil opções enquanto seus grandes concorrentes chegam a oferecer 60 ou 70 mil. Mas cada produto ofertado é cuidadosamente concebido, produzido e embalado. Por se concentrar em uma camada exigente de consumidores, a Trader Joe’s acaba lançando diversos novos produtos que se tornam tendência de mercado depois como cervejas artesanais, iogurtes gregos ou alimentos integrais gourmets. Além disso, cerca de 80% dos itens são comercializados via marca própria. Com isso, a TJ consegue oferecer produtos muito diferenciados, mas com preços baixos.

• Nenhum cliente deve estar insatisfeito. Além do tratamento sempre cordial, da qualidade e criatividade dos seus produtos, a política de reembolso de clientes insatisfeitos da TJ é assustadoramente eficaz. Comprou um produto e não gostou? Mesmo já tendo consumido parte dele ou mesmo não tendo nota fiscal, a empresa reembolsa o valor. Sem questionamentos. Mas a empresa não faz isto pelo medo do impacto negativo de um cliente insatisfeito, mas por acreditar que precisa, de fato, vender algo de grande valor fortalecendo os laços de confiança.
Óbvio assim… há quase 60 anos.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Quero ser microfranqueado, EI, MEI ou Eireli? Não sei!!

7 de novembro de 2017

A dúvida já começa pela quantidade de nomes e siglas. Em seguida, vem o questionamento sobre as variáveis legais e tributárias, quem se responsabiliza pelo negócio e se vai envolver o patrimônio pessoal com o da empresa. Daí, aquela máxima que nossas tias diziam: “esta pessoinha quando montar um negócio próprio, o céu será o limite!” já era! Agora tem teto máximo para você faturar por sigla.

Na dúvida dessas questões anteriores, dá um Google que você vai encontrar mil explicações e espero que entenda. Mas, não é aí que mora o problema para escolher se você vai virar franqueado ou empreender individualmente!

Destrinche estes fatores na sua vida:

Expectativa em ter um negócio próprio; conhecimento sobre determinada área, setor ou assunto relevante para o mercado, neste momento; disponibilidade para se dedicar por dia, semana, mês e ano ao empreendimento; perfil para assumir o risco de um negócio próprio e o que isso significa; necessidade de compartilhar, presencialmente, ideias e assuntos X capacidade de trabalhar só, sem se sentir isolado ou perdido; habilidade para prospecção e vendas, assim como para entrega mais controle dos números – em uma dessas características você será mais forte, não se engane que você é linha de frente e bastidores com a mesma pegada, porque não dá para ser. Ou vende ou controla.

Feita esta autoanálise, falando a verdade para você mesmo, há de aparecer de uma a três opções de respostas para continuar a pensar em empreender, ou não. Não há nada definido ainda.
Vamos para análise de mercado e financeira: quanto você tem disponível para investir; como se mantém até que o negócio comece a dar dinheiro e depois a dar lucro; quais os concorrentes dessa proposta de negócio; qual o investimento para ter algo similar e melhor que eles; que perfil de clientes procuram por eles; o que eles fazem para atrair clientes; quanto custa este marketing, propaganda, mídia social, boca a boca e/ou panfletagem? Quanto você tem para investir, mesmo? E qual era o investimento imaginado para abrir algo parecido? Refaça as contas, por favor.

Digamos que deu tudo certo, na sua mente, até aqui!  – Vai montar em casa e trabalhar home office?

Autoanálise Capítulo 2 – consigo trabalhar em casa? tenho disciplina, cachorro ou crianças, sogra ou cônjuge, filhos adolescentes montando uma banda ou moro numa rua barulhenta demais? “Me sinto feliz e com qualidade de vida produzindo em casa” ou “este povo só fala isso para disfarçar que está desempregado e não tem pra onde ir?!” Pergunte-se tudo e ouça a verdade, porque é melhor entender antes de qualquer decisão que doa mais depois, do que assumir que todos somos empreendedores e nascemos para empresariar!

Quanto à decisão de ser microfranquia ou individual, são muitas outras perguntas e respostas que, hoje, você não teria paciência de me ler e pensar. Vamos por capítulos ou com pílulas de reflexão, para a decisão acertada!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

Mais que clientes, receitas, cabelos… empreendedores estão perdendo sua saúde

7 de novembro de 2017

Não só no Brasil, mas em todo o mundo, criou-se o mito do empreendedor super-herói. Estes aparecem sempre sorridentes, poderosos, bem sucedidos, confiantes, sábios, visionários, ainda que, em alguns casos, a sua empresa ou vida pessoal esteja um caos. “Se não der certo, eu pivoto…” – diz com pleno domínio do startupês, linguagem dos empreendedores mais atualizados. Mas nem sempre é possível pivotar a queda de cabelo, a pressão alta ou as poucas horas de sono, principalmente quando as estatísticas apontam que parcela majoritária das empresas nascentes quebra nos primeiros cinco anos.

Mas como os empreendedores são tratados como um super-herói, quase ninguém fala da sua saúde. Contudo, ele também é vulnerável. Por isso, o artigo escrito por Larry Alton para a revista norte-americana Inc. é tão importante. Nele, Alton apresenta as aflições pessoais mais comuns entre os empreendedores, até entre os mais bem sucedidos, e que abalam seriamente a sua saúde. São elas:

• Dores nas costas: Dores lombares, nas costas, pescoço não prevalecem apenas em empreendedores. Mas a intensidade de preocupações e a quantidade de horas em uma postura errada diante do computador ou celular só intensificam as estatísticas.

• Problemas com a visão: Dez, quinze ou mais horas trabalhando. Boa parte olhando para uma tela de computador ou do celular. Em algum momento, a Síndrome de Visão de Computador (CVS) aparece na timeline do empreendedor.

• Insônia: Quando se diz que o empreendedor trabalha 24 X 7, isto não é uma mera metáfora. Muitos chegam próximo disso e quando vão para a cama, dormem mal. Se não bastasse a quantidade de trabalho, o sono ainda é afetado pela pilha crescente de preocupações e deteriorado pela quantidade de café ingerida diariamente.

• Hipertensão: Que o empreendedor precisa ter coração forte, todos sabem. Mas mesmo sendo forte, é preciso escutá-lo periodicamente. Pressão alta de vez em quando, faz parte da rotina empreendedora, mas sempre pode ser sinal de alguma doença importante.

• Enxaqueca: Quem tem sabe como isto implode sua capacidade de trabalho. Ter que ficar parado com tantas urgências para resolver é uma das piores torturas para qualquer empreendedor. E se não for a enxaqueca, pode ser a gastrite…

• Obesidade: Por mais que o espelho diga todas as manhãs que está acima do peso, muitos empreendedores continuam tendo uma vida sedentária, alimentando-se mal e dormindo pouco.

• Ansiedade: A rotina do empreendedor é naturalmente intensa e diversas novas decisões precisam ser tomadas todos os dias. Para Alton, isto pode favorecer crises de ansiedade. Nosso problema é que o Brasil é recordista mundial em pessoas com transtornos de ansiedade, segundo a OMS. Quase 19 milhões de brasileiros são diagnosticados clinicamente como ansiosos.

• Disfunção sexual: E como se não pudesse piorar…

• Depressão: Apesar de exigir diagnóstico clínico, o número de pessoas que sofrem com a depressão tem disparado no Brasil. A pesquisa mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que há, pelo menos, 11,5 milhões de casos registrados no país.

• Vícios: Em alguns casos, Alton explica que se tenta combater a enorme carga de pressão do empreendedor com algum tipo de consumo crítico de alguma substância, desde o café, cigarro ou álcool aos entorpecentes proibidos.

Mesmo que as aflições pessoais dos empreendedores ainda não recebam tanta atenção, elas estão presentes na sua vida pessoal. Por isso, é preciso lembrar algo óbvio: todas têm tratamentos!

Para o empreendedor ser um super-herói (e é de fato dado às dificuldades que enfrenta) precisa ser forte. Mas antes disso, deve estar saudável.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Mega campeão olímpico fala de gestão em São Paulo

6 de novembro de 2017

O campeão olímpico Michael Phelps

Michael Phelps, o atleta com mais medalhas olímpicas da história, e seu treinador Bob Bowman, vêm a São Paulo para palestrar no HSM EXPO 2017 , evento de liderança e alta performance empresarial. O tema da palestra de ambos é a busca pela excelência. A palestra de Phelps e Bowman vai ser dia 8/11 às 10 horas. O evento da HSM vai ser realizado no Transamérica Expo Center de hoje até quarta-feira.

Phelps tem 22 medalhas de ouro em olimpíadas — mais do dobro de qualquer outro atleta – e mesmo que possamos imaginar que a carreira dele foi sempre uma curva ascendente e vitoriosa, ele vai falar da trajetória pessoal, intima, cheia de dificuldades e imprevistos, altos e baixos, depressão, e drogas, como lidar com a pressão por uma constante superação de recordes. Na Olimpíada do Rio 2016, Phelps encerrou a carreira após dar a volta por cima, ganhando 5 medalhas de ouro e uma de prata.

É impossível separar a imagem de campeão de Phelps do seu treinador Bob Bowman. Ele é o grande arquiteto da carreira do atleta, e conta da descoberta do garoto comum de 11 anos, com déficit de atenção, e que se tornou uma celebridade aos 16 anos ao bater o recorde mundial. Bowman aborda o seu método de trabalho de 5 etapas e de como adaptá-lo aos negócios:

1.     1. Estabelecer metas

2.     2. Visualizar

3.     3. Preparar-se para todos os cenários

4.     4. Manter o foco mesmo com resultados ruins

5.     5. Treinar

Os convidados do evento são todos muito interessantes. Ao longo dos três dias se revezam Monja Coen, Joanna Barsh, Amy Cuddy, Adam Grant, Jack Welch, José Gallo, Salim Ismail, Chip Conley, Nassim Taleb, Stelleo Tolda, entre outros.

Ingressos? Um dia custa R$ 3.675,30 e o pacote de 3 dias a bagatela de R$ 7.990,00

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br