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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Tem mais sucesso quem incentiva os pecados ou as virtudes capitais?

29 de setembro de 2017

Há um paradoxo talvez moral ou filosófico que pode chocar quem está empreendendo ou pensa em iniciar um novo negócio. Tem mais sucesso comercial quem incentiva os pecados ou as virtudes capitais?

Historicamente, o teólogo romano Evágrio do Ponto (345-399) é citado como o primeiro formulador de uma lista de oito “pecados capitais” que tornavam as pessoas cada vez mais egocêntricas espelhadas em si. Posteriormente, o Papa Gregório I, reduziu a sete pecados capitais, entendo que vaidade e orgulho representariam conceitos similares. Assim, a lista se fixou em luxúria, ganância, gula, preguiça, ira, inveja e vaidade. Para não incorrer nos tais pecados, era necessário praticar as virtudes capitais, apontadas, inicialmente, pelo poeta, também, romano Prudêncio (348-410): Pureza, caridade, temperança, diligência, paciência, bondade e humildade.

Da natureza humana, depois religiosa, agora a reflexão chega a muitos empreendedores a respeito dos seus negócios.

“As redes sociais têm mais sucesso quando incentivam um dos sete pecados capitais. O Facebook incentiva a vaidade. O Zynga, a preguiça. O Linkedin é a ganância.”, explicou Reid Hoffman, fundador do próprio Linkedin, em uma entrevista ao The Wall Street Journal, ainda em 2011.

Conscientemente ou não, muitos empreendedores já sabiam disso mesmo antes de Hoffman apontar, de forma tão franca, um dos principais pilares do sucesso dos negócios. Criado em 2004, o Facebook tinha pouco mais de 100 milhões de usuários em 2008. O lançamento do botão Curtir em fevereiro de 2009 fez sua base dobrar em apenas um mês, e a rede social de Mark Zuckerberg fechou aquele ano com 360 milhões de pessoas querendo ser curtidas.

Pela perspectiva de Hoffman, entende-se o sucesso de tantos negócios de comida ao redor do mundo. Canais de televisão transmitem gordices 24 horas por dia, cozinheiros com milhões de seguidores, sites de receitas com bilhões de page views e aplicativos milionários de comida que instigam a gula mesmo daqueles mais disciplinados na dieta.  A luxúria é outro pecado capital que serve como principal combustível de diversos negócios desde os mais objetivos aplicativos de encontros aos mais obscuros serviços pessoais.

E de todos os pecados capitais, a ira é um dos mais emblemáticos. Como criar um negócio a partir da raiva e do ódio das pessoas?  Quem melhor soube aproveitar esta poderosa força que surge nas pessoas descontentes com algo ou alguém foi o brasileiro Maurício Vargas. Ele mesmo, enfurecido com um péssimo serviço que recebeu de uma companhia área em 2001, resolveu criar um espaço em que as pessoas pudessem descarregar sua ira com atendimentos ruins que recebiam das empresas. O ReclameAqui, o negócio fundado por Vargas é um exemplo de como canalizar um pecado capital em algo bom para outras pessoas já que as empresas estão mais atentas a sua reputação.

Mas se o ReclameAqui é um dos sites mais acessados do Brasil, haveria um espaço para um ElogieAqui? Sim, e existe o ElogieAki, mas infelizmente está na posição 105.585 entre os mais acessados do  país.

E também infelizmente estamos ganhando cada vez mais espelhos e por isso, estamos vendo um mundo cada vez mais doente.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Franqueador & Franqueado: uma relação bem delicada

27 de setembro de 2017

Na maioria das vezes, isso acontece porque as partes não alinham as expectativas totalmente, de forma 100% transparente e não esclarecem o que entendem por obrigação, responsabilidade ou expectativa.

Há uma diferença gritante entre “o que eu acho” e “o que é de verdade”.

Se um franqueador nunca foi franqueado antes, ele não sabe o que ser franqueado significa na vida de uma pessoa. E vice-versa! São relações nunca vividas e que precisam ser experimentadas para que se aprenda como lidar com ansiedade, desconhecimento, a promessa de que TUDO vai dar certo e mais uma montanha de sentimentos que não foram tratados durante os processos de entrevistas, enquanto franqueador e candidato à franquia estavam se escolhendo.

Cada um com suas verdades, culturas, crenças, embrulhadas no pacote para presente denominado Franquia! Só que, entre esses dois seres, somam-se famílias, equipes, fornecedores, imobiliárias, contratos, prazos, valores, esperança, e-mail, celular, whatsapp, messenger, telefone fixo, secretária, filhos ou cônjuges, ah! migos (amigos que acham que: “Ah!), economia, mercado, conselhos, corretores, manuais, palpites, regras, prazo perdido ou protelado, o documento que perdi, o contato feito sem retorno, a planilha com números mais bonitos que os da minha, o’ tudo vai dar certo de volta’, relaxa (também faz efeito, é muito dito hoje em dia).

Planejamento é a palavra de ordem para os dois que estão em busca de um bem comum: lucro com a franquia. Compartilhar este planejamento, conhecimento e reais possibilidades de concretizar o planejado, faz TODA a diferença.

Não basta mais falar, apenas, com a equipe da Franqueadora e com os atuais franqueados para saber se estão todos satisfeitos em suas atividades. Faz-se importante conhecer os fornecedores homologados e suas estruturas para tocarem uma obra, entregarem o que foi contratado no prazo, cuidarem das caixas/embalagens entregues para que não sejam devolvidas – porque não foram feitas para serem devolvidas!

Há quem justifique “mas, aceitei de volta e prometi que em 7 dias úteis eu entregaria as novas”; faz o que até lá, amigo? Chamar de “amigo/a” não alivia a tensão. Justificar não vale mais. O consumidor troca de marca ou de fornecedor na hora, num clique. Franqueado não pode. Investiu em um negócio grande para ele. E não foi só dinheiro, tempo, combustível, deslocamento, reuniões infindáveis, expectativas, sonho, conversa e aprovação da família. Depois, ao inaugurar a franquia, aparece mais um montão de coisas para fazer e resolver. Não muda muito o cenário não! Talvez, melhore, talvez, não.

Então, para que não seja tão delicada esta relação, vamos combinar tudinho antes, para não sair caro depois. Vamos querer saber a real, a verdade, o que cada um tem a oferecer ao outro e se podem arcar com estas ofertas. Na dúvida, perguntem de novo e de novo.

E “si pá”, não se escolham e virem amigos! Virá uma opção melhor para ambos e uma relação em que se complementam, co-existem.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

Serviços financeiros para a baixa renda

26 de setembro de 2017

No Brasil, a população de baixa renda utiliza a estratégia de endividamento como recurso para gerir o dia a dia. É uma forma de ter acesso ao consumo, além de uma saída para emergências. Em cada quatro famílias, três têm alguma dificuldade para chegar ao fim do mês com rendimentos. Entre as principais situações para o endividamento estão o consumo para prover bem-estar e conforto para a família; comprar por impulso; calote de amigos e familiares; e emergências. Na hora de quitar dívidas, o relacionamento próximo funciona como mecanismo de seleção; há a preocupação de preservar a amizade e de não fechar possibilidades de ajuda futura. Pesquisa do Plano CDE aponta que 94% das pessoas de menor renda priorizam o pagamento a familiares e amigos na hora de pensar em quitar dívidas; 41% priorizam o cartão de crédito; e 36% os bancos.


No cerne do endividamento desses brasileiros está a baixa educação financeira – uma barreira crítica para a maior inclusão da população das classes C, D e E ao sistema financeiro. A falta de informação, a renda variável, o baixo nível de escolaridade e a incompreensão das funções dos produtos financeiros são fatores que geram entraves no relacionamento desses cidadãos com as instituições bancárias.

Do outro lado da equação, a experiência da Artemisia – que conduz o Desafio de Negócios de Impacto Social: Educação Financeira e Serviços Financeiros para Todos, em parceria com a CAIXA – mostra que serviços financeiros adaptados e uma educação financeira adequada podem contribuir de maneira efetiva para a melhoria da qualidade de vida da população, gerando, inclusive, a inclusão financeira de milhares de brasileiros. A análise da interação entre a população de baixa renda e os diversos serviços do setor financeiro permite identificar deficiências significativas e oportunidades consistentes para empreender negócios de impacto social associados à temática.

A falta de serviços financeiros que atendam as necessidades dos menos favorecidos socialmente e a oscilação de renda – gerada em grande parte pelo trabalho informal e a baixa rentabilidade – estão entre as principais barreiras de acesso aos serviços oferecidos pelos bancos. E, também, entre as principais oportunidades para empreender. PoupeMais (MGov), Jeitto, DimDim, QueroQuitar! e SmartMEI são exemplos de empresas de impacto social do setor que apresentam soluções com alto potencial de sucesso. Ao suprir uma demanda real, estão desenvolvendo inovações sociais transformadoras.

Os desafios são grandes, mas as oportunidades também. O Brasil tem uma singular combinação de mercado consumidor interno enorme – é um dos cinco países com maior número de consumidores internos do mundo – e um dos piores índices de distribuição de renda. Os problemas sociais e as lacunas dos serviços públicos e privados prestados à baixa renda são a tônica dessa oportunidade de empreender, inovar e gerar impacto social.

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

 

O melhor de empreender

25 de setembro de 2017

Tenho escrito diversas e repetidas vezes sobre as dificuldades de empreender, e pode até parecer que desejo afastar as pessoas da ideia de iniciar seu próprio negócio. Mas o meu objetivo é apenas alertar os desavisados – aqueles que acreditam que irão ficar ricos com pouco esforço – e ajudar a preparar melhor os que estão prestes a iniciar – ou já estão no meio – a jornada se empreender.

Mas hoje quero falar sobre coisas boas, o outro lado da moeda, sobre como empreendedor pode mudar a sua vida. E, se você está interessado em ser dono do próprio negócio, este pode ser o melhor momento de começar: na crise.


Aqui estão algumas das melhores coisas se ser empreendedor:

– No controle das horas: quando se é empregado, se trabalha um número limitado de horas, e os ganhos também são limitados pela própria característica do arranjo entre as partes. Mas quando se é dono do próprio negócio, passam a valer as suas regras, as suas horas, e isso é libertador.

- Dono do dinheiro: quando se trabalha para outros, é normal que a remuneração seja sempre controlada. Por outro lado, quando o negócio é seu, começa uma verdadeira relação de causa e efeito nos ganhos (e nas perdas) e nada se compara à sensação de construir um negócio desde o zero e ver ele prosperando.

– Novas conexões: o empreendedor interage em todos os níveis de negócio e, ao desenvolver a visão holística de gestão – que inclui até mesmo a vida pessoal, enriquece sua jornada de vida. Na busca de soluções, conhece outros empreendedores, lideres, influenciadores e a sua reputação e credibilidade vai crescer, trazendo significado na comunidade, o que é muito gratificante.

– Experiência de valor: o aprendizado é muito exclusivo, principalmente em matéria de liderança e tomada de decisão com alto stress. Este conhecimento é muito raro, e mesmo que tudo de errado, tem grande valor profissional e pessoal para a próxima etapa de vida.

- Uma vida rica de lembranças: não subestime o poder subjetivo das experiências adquiridas. A busca da felicidade pode ser a felicidade em sí. Assim como lembramos de viagens por muitos anos, também nos lembramos de uma vida rica de e aventuras.

Como podem ver, os ganhos potenciais ao empreender são muito maiores do que dinheiro: é a própria satisfação com a vida.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Nossas gaiolas mentais: ‘não tenho dinheiro para iniciar um negócio’

22 de setembro de 2017

Pensando em empreender, mas ainda não tem o capital inicial? Uma amiga, Tina Seelig, professora de criatividade da Universidade de Stanford, fez com que seus alunos vivenciassem uma experiência de duas horas, que mudou para sempre não só a resposta para esta pergunta, mas a pergunta em si. Ela dividiu a classe em quatorze grupos e deu um envelope com cinco dólares para cada equipe. Era uma tarde de quarta-feira e as turmas teriam até a noite do domingo para colocar em prática a ideia de negócio que rendesse o máximo de dinheiro. Teriam todo o tempo para pensar, entretanto ao abrir o envelope, só teriam duas horas para executar a ideia.

Na segunda-feira, cada grupo teria três minutos para apresentar seu projeto para a classe. Alguns grupos pensaram em comprar um bilhete de loteria, contudo desistiram diante da probabilidade de ganho, outros pensaram em criar um negócio de lavagem de carros, barraca de limonada e serviço para enchimento de pneus de bicicletas, um meio de transporte popular na universidade. Na apresentação dos trabalhos, Tina ficou impressionada, já que na média, os grupos transformaram cinco dólares em duzentos e cinco dólares.

Um grupo foi muito criativo e criou um serviço para colocar pessoas em filas de restaurantes concorridos, que vendiam suas senhas por vinte dólares para clientes que não desejam esperar mais de uma hora pela sua vez. Outro fez mapas da região para vender para os turistas e houve um que ganhou dinheiro com fotos em eventos. Entretanto, o grupo vencedor, que faturou 650 dólares não havia utilizado o dinheiro e nem as duas horas. Como os alunos de Stanford são muito demandados em função da região em que está, o Vale do Silício, o grupo vencedor vendeu os três minutos que tinham para que uma empresa anunciasse suas vagas para a classe. O grupo percebeu que o que tinha de mais valioso não eram suas limitações de recurso e tempo, mas que poderiam resolver outro problema a partir de uma nova perspectiva.
Mesmo não conhecendo a Tina, Tallis Gomes, quando era adolescente na pequena cidade mineira de Carangola, queria comprar uma bateria para sua banda de música. Sem muito dinheiro, teve a ideia de criar um catálogo de telefones celulares vendidos no Mercado Livre aumentando os preços em 25%. Com o catálogo impresso foi abordar as pessoas na rua. Assim que a pessoa comprava, pedia o pagamento antecipado, entrava no Mercado Livre e colocava os dados de entrega do seu cliente. Em poucos dias, sua banda já tinha uma bateria novinha. Anos depois, Tallis fundou o Easy Taxi, gastando quase nada para tirá-la do papel no início.

Ainda seria possível contar dezenas de outras histórias de empreendedores que não se limitaram pela falta de recursos quando iniciaram seus negócios, mas meu aprendizado mais recente veio de um jovem aluno, o Victor Fiss, na época com 21 anos. Quando entrou na faculdade, descobriu que todos que tinham um notebook Apple precisariam fazer ajustes para conseguir rodar os diversos programas utilizados nas matérias. Alguns veteranos faziam estes ajustes, mas cobravam 200 reais pelo trabalho. Ele achou caro e disse que conseguiria pagar 50 reais pelo ajuste, prontamente negado pelo veterano, que fez uma contraoferta de 150 reais. Achando o valor ainda alto, Victor fez outra pergunta: “Se eu trouxer dois alunos, você faz o ajuste de graça para mim?” Visto desta perspectiva, o veterano aceitou rapidamente. Minutos depois, Victor aparecia com mais dois clientes. Com o notebook ajustado, ele fez mais uma pergunta: “A cada cliente que trouxer você me paga 50 reais?”.

Novamente uma resposta positiva do veterano. No dia seguinte, Victor apareceu com uma lista de 40 clientes… Agora, quase dois anos depois, ele captou dinheiro de diversos investidores e com quase nada de capital inicial próprio, abriu sua primeira clinica médica popular. Não satisfeito, já fechou novas rodadas de captação para abrir outras unidades.

Por isso, para quem ainda sonha em empreender, mas ainda posterga o sonho devido à limitação do capital inicial, Tallis Gomes dá um tapa na cara para quem deseja acordar: “Quem quer vai lá e faz. Quem não quer, inventa desculpas!” – diz.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Cuidados antes de empreender em franquias

20 de setembro de 2017

Ainda me deparo com os mesmos problemas enfrentados, por quem quer comprar uma franquia, e comuns há mais de 20 anos, devido ao desconhecimento e amadorismo de franqueadores e seus futuros franqueados.

Por mais informação disponível que haja em cursos e palestras, artigos e documentação acessíveis na internet ou com especialistas tête-à-tête, ainda assim há muitos riscos de se fazer o investimento em uma proposta de negócio que não se sustenta.

Orientando investidores em que negócios investir ou que franquia comprar, quando me procuram em estágio avançado de análise de Circular de Oferta e do Contrato de Franquia, fico surpresa com o tanto de problemas eles enfrentariam quando as franquias, possivelmente, não dessem certo.

Vamos aos exemplos práticos: a compra de franquia de delivery que não determina, claramente, o território de atuação e quando o faz propõe que um franqueado entre na área do outro, ou seja pode haver um território comum a dois franqueados = briga na certa; contratos incompletos, errados e circular de oferta de franquia que mais se parece com uma colcha de retalhos do que um documento exigido por lei específica; área ofertada, avaliada e aceita por um candidato prestes a pagar a taxa de franquia e locar o imóvel, quando o gerente de expansão retoma o contato 15 dias depois do aceite em comprar a franquia, para avisar que infelizmente o já franqueado de 5 unidades e com direito de preferência “resolveu” ficar com aquela área também, pois não havia sido contatado e questionando antes e quando o foi, lógico não abriu mão de seu direito = 60 dias perdidos e o recomeço, frustrado, de avaliação de nova área e pontos comerciais; Circular de Oferta sem todos os investimentos lançados para análise dos mesmos e conhecimento real de quanto será o investimento total = o capital disponível pode ser insuficiente antes de inaugurar ou para ter capital de giro; pressão para assinatura de um contrato inconsistente, leonino e com erros de digitação que qualquer professora do Ensino Fundamental chamaria o advogado para aulas de alfabetização!


Então, venho para este espaço, de novo, alertar sobre os riscos de se investir em algo que não se sabe de verdade o que é! E que, por mais que o negócio possa ser interessante e viável, o que se assina, não se apaga! Quando precisar fazer uso do contrato, este deverá ser de valia para as necessidades do lado mais fraco também, suprir o franqueado de suas prioridades no que foi combinado, vendido a ele como papel da Franqueadora.

Quando você pesquisar sobre “Os Passos para Comprar uma Franquia”, irá encontrar dezenas de artigos, cursos, muitos deles inclusive meus, mas já atendi dezenas de pessoas que, mesmo assim, parecem hipnotizadas com a possibilidade de empreender, de terem seus negócios próprios e que percebem algo estranho, que não tem liga, perguntas sem respostas, quase acreditando que depois vai melhorar ou que estão sendo um pouco “chatos e insistentes”.

Pode não haver má fé ou picaretagem, mas como empresas que pretendem repassar know how sobre um sistema de gestão de um negócio sob suas marcas, podem aceitar que os documentos que controlam e protegem esta relação possam ser tão falhos? Porque o Marketing supera o Jurídico?

Bem, não nos tem faltado exemplos de que o jurídico deve ser tão bom ou melhor que o marketing, para que não haja nem necessidade, dele, em esferas de discussões, divórcios, cisões. Que a transparência e a responsabilidade sejam a base de toda e qualquer relação pessoal e profissional, comercial!

Vamos deixar para falar sobre compliance com aqueles que sabem o significado de um termo, também, muito tratado ultimamente, mas que parece, ainda, longe da realidade de muitos gestores e que dá mais status falar do que ter a função incorporada.

Por pior que seja assumir, independentemente do tamanho das empresas, a velha máxima “depois a gente vê o que faz com isso”, sendo “isso” as falhas cometidas que farão essas empresas pagarem caro com multas, punições judiciais e com a mácula em sua reputação, levando junto suas redes de franqueados, ainda se faz cultural em nosso mercado.

Não aceite, em sua vida o “depois a gente vê isso” em nenhuma instância. Não assuma, para você, um erro ou um risco maior do que o de montar um negócio, em um lugar e com investimento bem calculado e dentro das melhores perspectivas reais de mercado. Deixe a irresponsabilidade com a falta de compliance para os que escolherem aprender com os próprios erros.

E seguimos, juntos, na rota do franchising sustentável. Bons negócios!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

 

O bom e barato

18 de setembro de 2017

Boas novas são raras nestes dias, por isso ficamos super excitados e felizes na sexta-feira quando recebemos a noticia de que o Pastifício Primo é um dos 3 finalistas Comer e Beber Melhores de São Paulo, da revista VejaSP, na categoria Bom e Barato. O vencedor vai ser conhecido no próximo dia 23.

Além do destaque em si, é uma grande alegria sermos indicados na categoria Bom e Barato, que é um respiro em meio ao “raio gourmetizador” que atingiu tantas operações gastronômicas – muitas vezes parecendo apenas um pretexto para salgar os preços. Temos trabalhado para manter nossos preços em níveis sensatos, sem nunca renunciar à qualidade. No meio da crise que vivemos, pode ter elogio maior do que ser chamado de bom e barato?

Quando se trata de nosso oficio artesanal, de fazer comida com significado, eu confesso: somos muito competitivos (e muito exibidos também!). Ficamos orgulhosos quando somos premiados, reconhecidos e valorizados. Por isso compartilho a vibração que estamos sentindo.

Na cidade que tem o segundo maior número de restaurantes do MUNDO, é uma pequena façanha aparecer, se destacar e – principalmente – se manter na Primeira Divisão da gastronomia. A competição é muito grande, e o funil, estreito. O público paulistano e os críticos da grande mídia são extremamente exigentes, não brincam em serviço. E nós adoramos tudo isso.

Eu acredito que a explicação para manter uma alta performance é simples, e já foi mencionada diversas vezes nas minhas postagens sobre empreendedorismo : são as pessoas. É tudo sobre as pessoas. Sem equipe não há prêmios. Sem clientes não há prêmios. Sem fornecedores, não há prêmios.

Para encerrar, um pequeno histórico dos prêmios do Pastifício Primo: em 2013 Melhor Rotisseria da VejaSP (inauguramos a categoria “Rotisseria”). Neste ano também ganhamos Melhor Rotisseria do jornal Folha de São Paulo. Em 2014 conquistamos o prêmio Melhor Rotisseria VejaSP no Voto do Público. Desde então estamos sempre entre as melhores. Uma honra em servir.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Se não houver espaço para o erro, não haverá espaço para a inovação

15 de setembro de 2017

O CEO de uma grande empresa na qual presto consultoria reuniu centenas de colaboradores e explicou que para inovar para a empresa, eles poderiam cometer erros. Ninguém entendeu muito bem o que aquilo significava já que, erros, tradicionalmente, sempre são punidos nas organizações. Mas só nas organizações míopes. Nas visionárias, o erro, desde que cometido na tentativa de melhorar, não é apenas tolerado, mas até incentivado. David Packard, cofundador da HP, costumava dizer que se você não está errando, provavelmente não está inovando. E esta reflexão precisa acender uma lâmpada na cabeça das pessoas e organizações que querem, verdadeiramente, inovar.

Mostre-me uma pessoa que nunca cometeu um erro, e eu mostrarei a você uma pessoa que nunca fez nada de relevante na vida.”- explicava William Rosenberg, fundador da Dunkin’ Donuts.

Por esta razão tão óbvia, empresas realmente comprometidas com a inovação, encaram o erro e fracasso como parte do processo do aprendizado organizacional. O Google permite que seus colaboradores utilizem parte do tempo de trabalho em projetos pessoais e incentiva objetivos ambiciosos para que, mesmo não atingindo 100% do resultado, sejam valorizados pela bravura em buscar algo realmente visionário.

Mas nas empresas tradicionais, o funcionário ainda teme fracassar e ser desligado da companhia por isso. E estão certos! São empregados para exercer uma função como qualquer outro ativo da organização que busca a eficiência, e se não entregar os resultados esperados, são descartados na escuridão das incertezas.

Mas há muito tempo, em diversos segmentos, ser eficiente já não é mais uma vantagem competitiva tanto para o empregado como para a empresa. Agora, empresas estão sendo pressionadas a inovar. E a inovação pressupõe espaço para os bons erros e fracassos.

Mas esta valorização do bom fracasso não é nova. “Não tenha medo de errar. Mas certifique de não cometer o mesmo erro duas vezes.” Esta era a recomendação de Akio Morita, co-fundador da Sony para todos na sua empresa. Ele gostava que todos falassem abertamente sobre seus fracassos para que apenas erros novos fossem cometidos. “Em todo o tempo que estive na empresa, eu consigo lembrar de pouquíssimas pessoas que eu gostaria de ter demitido pelos erros cometidos.” – recorda em sua biografia. “Falhas e erros de cálculo são humanos e algo normal, e analisando no longo prazo, isto não prejudicou a empresa. Mas se uma pessoa que cometer um erro é condenada e desprestigiada, ela poderá perder sua motivação pelo resto da sua passagem pela empresa, privando a companhia de qualquer coisa construtiva que poderia oferecer. Se a causa do erro for esclarecida e divulgada, a pessoa não esquecerá e outros não cometerão a mesma falha. Por isso, eu digo ao nosso pessoal: Vá em frente e faça o que acha que é correto. Se errar, aprenderá com isso”.

Assim, se estiver atuando em uma organização que diz que quer inovar, mas percebe que não há incentivos ou mesmo tolerância aos fracassos, continue não cometendo erros e manterá o seu emprego até alguém mais inovador apagar a luz.

Porém, se há espaço para bons erros para quem busca verdadeiramente inovar, paradoxalmente, nunca irá fracassar: “Eu nunca fracassei. Só descobri dez mil alternativas que não funcionaram…” – dizia o maior inovador de todos os tempos, Thomas Edison, o responsável pela tal lâmpada que ilumina os caminhos da inovação.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

A odisseia de empreender

11 de setembro de 2017

Quer ser um empreendedor? Pois prepare-se para uma odisseia em tempo real. Empreender é uma jornada de incertezas e peripécias. É também uma divertida aventura, um estilo de vida de longa linhagem na humanidade: de migrantes, mercantes, navegantes, astronautas – todos, ao seu modo, em seu tempo, empreendedores.

Acredito que três importantes qualidades fazem a pessoa estar pronta para empreender, com boas chances para tocar um negócio (qualquer negócio) com sucesso. Não sei bem se são características adquiridas ou naturais. Talvez um pouco de cada, aprimoradas  através da experiência (tentativa e erro) e do autoconhecimento:

1 – Flexibilidade para se adaptar rapidamente aos desdobramentos de qualquer assunto.
2 – Resiliência para se recuperar, física e emocionalmente, de um dia (ou um ano) duro.
3- Aprender rápido (ou morrer), pois a Flexibilidade e a Resiliência um dia acabam, né gente.

Quando entrevisto os nossos futuros franqueados, minha primeira tarefa é detalhar as dificuldades do dia a dia de uma empresa. Enumerando os problemas diários, descrevo o cansaço com que terminamos alguns dias cheios de suor e pouco charme. Falo de tudo aquilo oculto sob o canto da sereia de ser seu próprio chefe. Falo como, donos do próprio negócio, trabalhamos muito mais do que em qualquer emprego (algo que, por incrível que pareça, alguns acreditam que será ao contrário!). E falo do pouco dinheiro que retiramos de imediato, pois tudo é a longo prazo – e nada é garantido. Alguns se assustam e desistem nessa etapa, o que é normal quando não se está pronto ou apto. De fato, deve ser a entrevista de venda de franquia mais anti-comercial que você poderia imaginar. Mas, veja bem, o meu objetivo nesse momento não é vender, e sim selecionar um bom parceiro, que será um colega de jornada e de negócios. É um momento fundamental para todos.

Os que passam desta etapa muito me interessam. Procuro justamente os que têm gosto pelo desafio. Aqueles que preservam o brilho no olho, os que querem saber mais, que têm fome de conhecimento, que percebem que é nas tempestades e dificuldades desta jornada que poderão exercitar seus talentos e capacidades, e assim ter a chance de expressar seu potencial, construir, fazer acontecer. Quando vamos iniciar um novo negócio, empreender a jornada, não há espaço para arrependimentos e nem volta atrás. Um pouco trágico? Às vezes. Heroico? Sem dúvida! Por isso mesmo que Odisseu (Ulisses) tem tudo a ver!

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

10 filmes para os grandes empreendedores de ontem e os do amanhã

11 de setembro de 2017

Bons filmes divertem. Ótimos filmes inspiram. Grandes filmes nos fazem agir. De tempos em tempos, assisto Sociedade dos Poetas Mortos. A cena em que o professor pede para que seus alunos subam em suas mesas para enxergar o mundo com outra perspectiva é o que me motivou a trabalhar com inovação e empreendedorismo.

A vantagem agora é que boa parte destes grandes filmes estão disponíveis em formato streaming e escolhi alguns que estão disponíveis neste momento no Netflix. Curiosamente, o próprio Reed Hastings só decidiu fundar a própria empresa depois de ter assistido ao filme Apollo 13 em 1996. Mesmo com a excelente atuação de Tom Hanks, não foi o filme em si que o motivou, mas o que aconteceu quando esqueceu de devolver a fita VHS para a locadora e pagou uma multa de 40 dólares. Aquilo o incomodou tanto que fundou a Netflix.

Entretanto, muitos grandes empreendedores só começaram a agir, de fato, depois de terem assistido a um grande filme. Talvez o que tenha impactado o maior número deles foi Star Wars. Ser um rebelde que enfrentar o lado negro da força que tentava dominar o mundo fez com que vários jovens Jedis na vida real agissem criando negócios com a mesma finalidade. O mais rebelde deles tinha apenas 22 anos em 1977 quando ficou imobilizado por um tempo no cinema enquanto os créditos eram mostrados sob a música de John Williams explodindo nos autofalantes. Steve Jobs ainda voltaria ao cinema mais duas vezes naquela semana de estreia. A saga em lidar com o lado negro da força seria utilizada por ele muitas vezes depois, inclusive contra a IBM e Microsoft. Atualmente, muitos empreendedores, novamente, se sentem Jedis quando lutam com o lado negro da força das grandes organizações que querem tornar obsoletas.

Além de Guerra nas Estrelas, há várias outras opções no Netflix que podem contribuir para que aja agora, empreendendo suas ideias. Dois filmes “escondidos” e quase caseiros que lidam com jovens que se superam para atingir seus objetivos são Sushi a La Mexicana e Spare Parts. No filme do sushi, Juana, é uma mexicana que sonha em ser sushiwoman em um restaurante japonês. Apesar do enredo ser previsível, lida com o preconceito de nacionalidade e gênero. Mas também se destacam os papéis da dedicação, maestria e resiliência. Em Spare Parts, um grupo de quatro estudantes mexicanos que vivem nos Estados Unidos participam de uma competição de robótica contra as grandes universidades norte-americanas. Novamente, a estória é previsível. Mas será que ela é real? Ambos os filmes são ótimos para aqueles que já têm um “não” para começar.

Na mesma linha da superação, mas a partir de um personagem já consagrado, o filme Walt antes do Mickey conta o começo (pouco conhecido) de Walt Disney em que passou muitas dificuldades, tendo que buscar comida em latas de lixo para sobreviver. Mais que a genialidade de Walt, o filme destaca a importância de Roy Disney, seu irmão, como sócio, parceiro e alguém que dava (um pouco) de estabilidade ao imprevisível criador do Mickey Mouse.

Outro filme que pode incomodar muitos que dizem que querem empreender, mas não agem é Amor sem Escalas, onde George Clooney descobre que tem perdido boa parte dos momentos mais valiosos da sua vida tralhando muito, fazendo algo que é vazio, que não se orgulha e que ainda pode ser substituído por uma nova tecnologia. O filme é um soco ou uma injeção de vida para zumbis corporativos.

E para quem já lidera um negócio próprio, dois outros filmes disponíveis no Netflix baseados em histórias reais são importantes para refletir diversos aspectos do seu negócio. Em Decisões Extremas, um pai, na tentativa de salvar seus dois filhos de uma doença rara, decide empreender em sociedade com um pesquisador que acredita ter uma solução para interromper a evolução da enfermidade. Todos os aspectos na criação de uma startup de alto potencial de crescimento são tratados no filme. E Fome de Poder conta a trajetória de Ray Krock, empreendedor do McDonald´s e sua relação com os fundadores da empresa, Rick e Mac McDonald. Inovação, visão de futuro, modelo de negócio, processo e ética são alguns temas farão empreendedores repensar seus negócios e, principalmente, sócios.

Enquanto muitos filmes motivam a começar, um em especial, incentiva o empreendedor a finalizar seu ciclo. Foi depois de ter visto Tempo de Partir, filme em que dois idosos (Jack Nicholson e Morgan Freeman) em estágio terminal decidem fazer uma lista de coisas que gostariam de fazer antes de morrerem, que o sempre recluso Phil Knight, fundador da Nike, decidiu escrever (por conta própria) sua biografia em que confessa, por exemplo, ter roubado documentos de um parceiro comercial e o remorso pela culpa em não ter participado mais da vida do seu filho que supostamente se suicidou. Tanto o filme como o livro, nos faz pensar profundamente sobre o que é viver na perspectiva de quem sabe (ou acha) que logo irá partir. Quem assistiu ao filme sabe o que é beijar a mulher mais bonita do mundo, um dos itens da lista.

Por isso, mais do que assistir a um filme que inspire ou incentive a ação, é preciso fazer de nossas vidas algo extraordinário. Carpe diem. E que a Força esteja com você!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper