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Blog do Empreendedor
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Novas fronteiras da gestão: Blitzscaling. O caminho das pedras para as scale-ups

21 de julho de 2017

O sonho de Reid Hoffman era ser acadêmico. Mas acabou se tornando empreendedor. Primeiro dirigindo uma startup (Paypal), depois criando a sua própria empresa (Linkedin) e por fim, investindo em outras (Facebook, Zynga, Airbnb).  Em 2015, quase US$ 3 bilhões mais rico, agora na condição de um dos principais investidores de venture capital do mundo, realizou seu sonho ao criar a disciplina CS183c – Technology-Enabled Blitzscaling no curso de Ciência da Computação na Universidade de Stanford, local em que se formou.

Neste curso, Hoffman, apresenta, em detalhes, o conceito de Blitzscaling, abordagem que desenvolveu algo longo da sua carreira na liderança e investimento em empresas de altíssimo crescimento. Blitzscaling, explica, é o “que se faz quando precisa crescer muito, muito rapidamente. É a ciência e a arte de construir rapidamente uma empresa que atenderá um enorme mercado, em geral global, com o objetivo de ser o primeiro líder em escala.” – explica.

Para quem está envolvido intrinsecamente com startups como empreendedores, investidores e agora, grandes organizações (corporate ventures), ser a líder em escala é garantia para continuar crescendo via novos aportes financeiros até a abertura de capital ou aquisição estratégica por uma entidade sinérgica de maior porte.

Neste contexto, há muito tempo, as startups deixaram de ser aquelas iniciativas pitorescas que nasciam de gambiarras em garagens. Agora são máquinas coesas de crescimento acelerado e criadoras de valor. Por isto, desta vez, grandes corporações como bancos, varejistas e até montadoras de automóveis estão tão preocupadas com as scale-ups, startups de rápido e alto crescimento.

Por esta razão, seguir a lógica do Blitzscaling pode ser o caminho das pedras para todos com interesse em criar negócios de altíssimo crescimento. Em sua abordagem didática, Hoffman entende que as scales-ups passam por fases ordenadas que chamou de Escalas Organizacionais ou simplesmente de OS (do inglês Organizational Scale). Estas escalas são caracterizadas por ordens aproximadas de número de colaboradores, usuários, clientes e/ou receita. Mais do que uma faixa fixa, estas ordens de grandeza são apenas referências para que o empreendedor (ou investidor) tenha uma noção de onde está e qual é a sua próxima escala organizacional.

No Blitzscaling, Hoffman também explica que os padrões de gestão de pessoas, produtos, táticas de ida ao mercado (go-to-market), tecnologia, estratégia, operações, finanças, administração, contratação e definição de novas funções só servem para uma dada escala organizacional. No início, quando a empresa é quase como uma família (OS1), com pouquíssimos colaboradores, usuários, clientes e receitas, é inútil (e até nocivo) a startup adotar práticas da escala vila (OS3) ou cidade (OS4). E empreendedores, investidores ou grandes empresas que apostam em uma startup que está na OS1 deveriam saber disso e daí concentrar seus esforços em apenas dois objetivos principais: 1) identificar uma oportunidade de mercado que não seja óbvia para obter uma vantagem competitiva sólida em curtíssimo prazo e 2) desenvolver uma solução com um incrível aderência às reais necessidades do mercado (product/market fit). No entendimento de quem esteve na liderança desta fase no Paypal, Linkedin, Facebook, Zynga e Airbnb, enquanto estes dois objetivos não forem atingidos, não é possível criar o vínculo “tribal” característico da próxima escala organizacional e assim por diante.

Por ser considerado o Oráculo do Vale do Silício, o conceito de Blitzscaling de Hoffman tem sido confirmado por lideranças empreendedoras como Reed Hastings (Netflix), Brian Chesky (Airbnb), Mark Zuckerberg  (Facebook), Eric Schmidt (Google e Alphabet) e adotado por muitos empreendedores e, especialmente, investidores de venture capital ao redor do mundo.

Se estiver envolvido de alguma forma com startups, conheça um pouco mais sobre este conceito elaborado por Hoffman na criação de scales-up no curso CS183c – Technology-Enabled Blitzscaling que está disponível gratuitamente online. Depois, vá para o nível “pós-graduação”, conhecendo seu novo projeto (Masters of Scale) em que convida outros empreendedores e investidores que também conseguiram escalar rapidamente suas startups.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Prazer. Vim dividir para conquistar

17 de julho de 2017

Meu nome é Wolfgang Menke, um cara de nome complicado e um estilo de vida cada vez mais simples.Esse post funciona mais como uma apresentação sobre quem sou, como cheguei aqui e o que quero falar.

Depois de anos no mercado de comunicação resolvi fundar uma empresa que, para minha surpresa, cresceu muito nos últimos 4 anos. Comecei com um coworking, dividindo espaço e trabalhos com quem passasse pelo seu endereço, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista. Em três meses tínhamos uma comunidade em volta da “casinha”, já tínhamos mais receita do que despesas e contávamos com uma fila de mais de 20 pessoas querendo fazer parte do nosso espaço.

Assim nasceu a House of All, de um ideal de compartilhamento mas, essencialmente, formando comunidade. Após abertura da House of work (aquele coworking), abrimos a House of Food, Learning e Bubbles, nessa ordem. Entendemos a nossa vocação 3 casas e 2 anos depois da primeira: oferecemos acesso no lugar de posse. Mas o que isso significa?

Complicado que é meu nome, aprendi durante minha vida a trabalhar com analogias para explicá-lo, o mesmo aqui: Sharing Economy, ou economia compartilhada, não diz respeito apenas à oferta de bens ou itens compartilhados, existe uma máxima onde isso otimiza sua utilização, diminui custos e aumenta a rentabilidade, trazendo benefícios para os indivíduos, a linha de produção e o planeta. A analogia? simples:

Minha vó adorava cozinhar, mas não tinha uma batedeira. Sua vizinha também cozinhava e não tinha um liquidificador. Lembro da minha infância ser marcada por portas abertas e pedidos frequentes de empréstimos. Um item antes “encostado” tinha uma utilidade maior, duas vizinhas convívio e economia.

Ela precisava bater o bolo, ela não precisava de uma batedeira.

Assim é sharing economy, nenhuma novidade, um resgate à práticas antigas com uma cereja que a tecnologia proporcionou: confiança e relacionamento.

As plataformas digitais vieram para oferecer carros, casas, objetos compartilhados. Mas é só isso? Espero que não. Meus textos aqui vão trazer inovações e práticas que estão aperfeiçoando a forma de vestir, trabalhar, comer… enfim. A forma de viver. Podemos confiar em uma nova era de confiança? Isso que vamos expor.

Uma experiência que fiz em 2014 me provou que podemos. A House of All proporcionou um banquete entre vizinhos, só oferecendo as mesas e cadeiras.

Como em uma ceia familiar as pessoas trouxeram comidas de casa, ou compraram de barraquinhas na rua, e dividiram entre si. Vizinhos que se viam mas não se falavam começaram a interagir, uma comunidade foi formada. Melhorias conjuntas se deram pelo simples fato de dividirem.

Não se enganem, não é só fofura, gera dinheiro, seja via oportunidade ou economia. Mais exemplos semana que vem, enquanto isso confiram o vídeo. Espero que gostem.

Designer na prática e sem nenhuma formação universitária, Wolfgang Menke está dando um nó na cabeça do mercado brasileiro. Há anos ele está transformando uma rua no bairro paulistano de Pinheiros em um endereço único e diferente. Lá é possível compartilhar a vida e experimentar com exemplos práticos o que é Sharing Economy. Depois de mais de 20 anos no mercado de comunicação, com passagem e projetos para grandes empresas como Natura, Heineken, Sony, Diageo e Coca Cola ele aposta em uma nova forma de consumo e uma nova relação das pessoas. Mais acesso e menos posse.

Negócio da (na) China

17 de julho de 2017

Não é à toa que a China está caminhando a passos rápidos para se tornar a maior potência mundial: o pessoal lá não brinca em serviço. Semana passada o governo chinês anunciou mais um pacote de medidas para estimular o que chama de “empreendedorismo de massa”, com descrição detalhada de como pretendem turbinar a inovação e desenvolvimento de empresas.

Conforme divulgação oficial do gabinete do primeiro ministro Li Keqiang, “a promoção do empreendedorismo vai aumentar o emprego, otimizar a estrutura econômica e facilitar os mecanismos de crescimento”.

Um resumo das medidas anunciadas:

- Desburocratizar a abertura e fechamentos de empresas.

- Remover barreiras para setores da economia ainda fechados, citando como exemplo a educação.

- Apoio oficial ao registro de patentes, em especial em setores emergentes.

- Investir na educação universitária, com parcerias da iniciativa privada, para desenvolver centros e inovação e desenvolvimento de estratégias para a economia digital.

- Expansão dos canais de financiamento para startups, inclusive com a criação de fundos de venture capital governamentais.

- Redução nos custos trabalhistas para atrair – e reter – empreendedores e profissionais inovadores, tanto locais como estrangeiros.

- Facilitar que estrangeiros possam residir e trabalhar na China, e empreendedores estrangeiros que queiram iniciar negócios na China terão facilidades.

No artigo “O Clubinho Dos 3 Grandes”, apontei como o Brasil tem muitos elementos únicos em comum com a China e os EUA, mas mesmo assim, tropeçamos em nossas dificuldades políticas e regulamentações. Lendo como a China faz para estimular o desenvolvimento do trabalho e da prosperidade, surge a pergunta inevitável: será que estamos tão para atrás da China e dos EUA justamente pela pouca importância que o Brasil dá ao empreendedorismo?

Repetindo o texto do governo chinês: “a promoção do empreendedorismo vai aumentar o emprego, otimizar a estrutura econômica e facilitar os mecanismos de crescimento”. Agora, o Brasil está esperando o quê para ajudar os empreendedores a fazerem seu trabalho?

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Novas fronteiras da gestão: holocracia funciona?

14 de julho de 2017

Startup é, cada vez mais, um modelo mental de cultura organizacional que implica em crescimento ágil e inovador. Por isso, ainda que inconscientemente, várias empresas que atualmente são gigantescas, como Hubspot, Netflix ou mesmo o Google, ainda são referenciadas como startups. E talvez seja justamente isto o que as grandes empresas podem (realmente) aprender com as startups.

Isto ocorre porque cada uma, da sua forma, conseguiu consolidar uma cultura organizacional entre os seus colaboradores com alguma relação com o que, polemicamente, vem sendo chamado de holocracia, ou sistemas em que as organizações são autogeridas sem a necessidade de alguns níveis de chefias ou gerências ou lógicas tradicionais de controle de funcionários.

Mesmo que o termo tenha surgido ainda na década de 1960, foi a partir de 2007 quando Brian Robertson fundou a empresa de consultoria HolacracyOne e registrou o termo holacracy, que holocracia vem ganhando destaque, sendo adotado por várias startups ao redor do mundo, oficialmente como a Zappos ou por meio de versões próprias desenvolvidas até bem antes de Robertson.

Dentre estas versões próprias, pelo menos três precisam ser conhecidas, estudadas e discutidas em toda empresa, grande ou pequena, consolidada ou nascente, que deseja ser (ou manter-se) startup.

A primeira é a da Netflix. Em 2009, quando a empresa já tinha 12 anos e um incrível histórico de crescimento exponencial e reinvenções de modelos de negócio, seu fundador Reed Hastings e a líder de gestão de pessoas Patty McCord, já tinham percebido que o modelo tradicional de contratação e desenvolvimento de talentos da empresa não só não funcionava como até atrapalhava a evolução rápida do negócio.

A solução que vislumbraram foi criar uma apresentação simples em PowerPoint chamada Liberdade e Responsabilidade em que cada colaborador ou interessado em trabalhar na empresa deveria ler para entender como se sentir livre para fazer o que bem entendesse, respeitados alguns valores básicos, e tivesse responsabilidade pelos seus atos. A mensagem elementar é que fazia parte de um time profissional (de um esporte qualquer) vencedor e de alto desempenho (e não de uma família), que, por sua vez, era sustentada pela premissa de que cada colaborador era uma adulto que sabe o que deve ser feito (e não criança mimada que demandava constante controle, supervisão e orientação). O documento em si foi um sucesso de atração de interesse (mais de 16 milhões de acessos). Entretanto sucesso maior alcançou a Netflix, que passou a ser referenciada como uma das organizações que reinventou a gestão de pessoas.

A segunda organização (mais ou menos) holocrática é a Hubspot. Mesmo que não conheça esta empresa, é muito provável que ela o(a) conheça. Fundada em 2006 por Brian Halligan e Dharmesh Shah, a Hubspot é a líder mundial em inbound marketing, uma plataforma online de atração de interessados e potenciais clientes para os sites dos seus clientes. Tendo valor de mercado de US$ 2,5 bilhões, milhares de colaboradores diretos e indiretos e escritórios em vários países, a Hubspot tem liderado rankings de melhores empresas para trabalhar e de ambientes de trabalho. Boa parte deste sucesso comercial e empregatício está consolidada no Código de Cultura: Criando uma empresa que as pessoas amem, utilizada como referência por mais de 3 milhões de pessoas ao redor do mundo.  A Hubspot tenta no seu ambiente físico de trabalho fazer o que já faz no mundo online aplicando premissas de que a influência de cada colaborador independente da sua hierarquia e que a organização não deveria pensar apenas na felicidade, mas no sucesso de cada cliente ou membro do time.

E a terceira “startup” que adota práticas de holocracia é o Google. Não há outro parâmetro de uma organização que cresceu no padrão Google em receita,  número de funcionários, valor de mercado e ainda conseguiu manter o ritmo de inovação em tantas frentes e indústria. E o que outras organizações se perguntam é como o Google consegue estes resultados? Provavelmente há muitas respostas, mas uma delas é uma sigla já bastante conhecida pelas startups: OKR. Na abordagem Objectives and Key Results, o Google incentiva que seus próprios colaboradores definam a maior parte dos seus objetivos e ainda com metas tão altas que só serão atingidas por meio de inovações.

No final, o que as startups (re)descobriram é algo que as empresas tradicionais esqueceram: O maior ativo de uma organização são suas pessoas! Desde de que com liberdade e responsabilidade para serem muito ativas nos seus objetivos e resultados criando condições para que amem o que façam.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Franquia dá dinheiro, dá status e sucesso…#soquenao!

11 de julho de 2017

Que franquia dá dinheiro, é o negócio do momento, setor que mais cresce no Brasil, dá status e sucesso ninguém duvida! #soquenao!

Cuidado com as armadilhas de dinheiro fácil, garantia de sucesso, realizar o sonho do negócio próprio e que você vai ganhar prestígio entre familiares, amigos e conhecidos ao comprar uma franquia. Por outro lado, caso você já tenha um negócio e queira expandir via franquias, não pense que, seguramente, este será o melhor caminho para você e que terá tantas lojas quanto a marca que você mais admira como franqueadora.

:: Lista mostra os sonhos dos brasileiros; confira ::

Daí você deve estar pensando: porque uma especialista, no sistema de franchising, está me dando um banho de água gelada e dizendo para não cair em armadilhas e que esta talvez não seja a melhor estratégia de expansão de negócios?

Vamos lá, vou esclarecer meu ponto de vista, em cima de fatos e histórias que acompanho há mais de 25 anos, tanto no mercado nacional quanto internacional. O Franchising ganhou destaque na década de 1990, quando vivenciamos problemas na economia tendo havido, inclusive, inúmeros programas de demissão voluntária e, em paralelo, a entrada de marcas estrangeiras, franqueadoras, gerando interesse em investimento em franquias, como se fosse a compra de um novo emprego ou a garantia de receita nos meses seguintes ao investimento feito e a promessa de futura aposentadoria.

Pseudo franqueadores venderam gato por lebre, prometeram o que nem tinham condições de cumprir, eram tão amadores em franchising quanto seus futuros franqueados. Num mar de oportunidades que surgiam à época, foram poucas as marcas estruturadas e profissionais, ou que deram sorte e sobreviveram até hoje. Os vários casos de sucesso e a metodologia do franchising recheiam, até hoje, a mídia de negócios, economia, empreendedorismo.

Infelizmente, quando a pauta é sobre negócios que não deram certo e o porquê, ninguém quer falar e só conseguimos ver destaque quando o império desmoronou e levou dezenas, talvez centenas de franqueados junto.Quase 30 anos depois, o mercado continua vivendo momentos muito parecidos, de altos e baixos, erros e acertos, seriedade e picaretagem, empreendedorismo e sonhos, profissionalismo e amadorismo.

Portanto, acho que me cabe alertar que todo e qualquer estudo e planejamento sobre investir em franquia, seja como franqueador (a) ou franqueado (a), é vital para correr menos riscos. Veja que não estou falando em ter sucesso, ainda. Franchising permite que os envolvidos corram riscos menores, pois terão tomado conhecimento sobre as premissas e a lei vigente que rege o sistema, responsabilidades e papéis das partes, realizar ou contratar um planejamento estratégico e tudo mais que qualquer novo negócio exige.

Agora, se você não sabe o que quero dizer com o tudo mais que um negócio exige, fica para um próximo capítulo.

Ser franqueador requer muito investimento e conhecimento do que se quer franquear. E por franquear entende-se repassar a terceiros o sistema de gestão e operação de um negócio de sucesso. Não se deve franquear uma ideia ou algo que ainda se esteja aprendendo – mesmo que já esteja ganhando dinheiro há 6 meses, você ainda saberá muito pouco para franquear.

Franqueie apenas quando você dominar o negócio de olhos fechados. E seja franqueado, só quando encontrar a empresa mais estruturada, profissional e comprometida com os resultados de sua rede. Após ter tido suas dúvidas respondidas com propriedade e ter conversado com os franqueados em operação, para saber o grau de satisfação deles com os resultados, com o prometido e com a atuação da equipe da Franqueadora.Na dúvida, não invista (em nada). Só o faça se for para multiplicar e replicar momentos de realização e alegria, caso contrário o número de problemas e dores de cabeça serão desproporcionalmente maiores.

Fica a dica.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

 

A importância de agradecer

10 de julho de 2017

Parece óbvio, mas dizer “obrigado” é considerado uma ferramenta muito importante nos negócios. O empreendedor Gary Vaynerchuck escreveu um livro chamado The Thank You Economy (A Economia De Dizer Obrigado), onde destaca que as empresas que fazem questão de agradecer a funcionários, clientes e fornecedores – e de forma autêntica – têm um diferencial competitivo importante.

Então vale a pena refletir se a cultura geral de sua empresa está com um pensamento de gratidão. Basta conferir o tom dos e-mails, aquela frase a mais que demonstra verdadeira atenção pela pessoa do outro lado… Ou acompanhar as conversas de sua equipe com algum fornecedor.

Caso o resultado não seja positivo, recomendo olhar para o dono da empresa. Num negócio pequeno ou médio, a cultura da gratidão geralmente começa na base, ou seja, nos donos.

Coletei algumas dicas no livro:

1.      Seja específico. Quando agradecer sua equipe ou funcionários pelo esforço realizado, vale a pena fazer isso de forma pessoal, se possível até individual. Por exemplo: “obrigado por ficar até mais tarde ontem para me ajudar a terminar o trabalho”.

2.      Seja antiquado. Para surpreender um cliente, às vezes um postal enviado pelo correio. Ou uma carta escrita à mão. São gentilezas que demandam tempo e a pessoa que recebe entende a valor do gesto.

3.      Agradeça (e muito!) os clientes que reclamam. Quando um cliente toma o tempo para escrever uma reclamação, é um privilégio. Significa que a pessoa se importa de verdade com o produto ou empresa.

4.      Seja autêntico. De nada adianta agradecer  de forma reativa, friamente. Tome a iniciativa: olhe nos olhos, faça um esforço e, com o tempo, a coisa vai melhorando. Dizer obrigado vira um hábito que melhora a cada dia!

Aliás, obrigado por ler este post!

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Novas fronteiras da gestão: Mindfulness cresce (não só) entre empreendedores

7 de julho de 2017

Quando os iPhones, iPads, MacBooks e outras criações de Steve Jobs se juntarem ao Apple I, Macintosh, iMac nos museus da tecnologia ao redor do mundo, Steve Jobs ainda continuará atual e visionário. E isto ocorrerá porque o seu maior legado não foram suas criações ao lado do seu xará Wozniak, mas a sua forma não só de compreender, mas de dominar a natureza humana, em especial, a sua.

Em um dos depoimentos para a sua biografia escrita por Walter Isaacson, Jobs explica que “se você apenas sentar e observar, verá quão inquieta é a sua mente. Se tentar acalmá-la, isto só ficará pior. Mas se ao longo do tempo, conseguir acalmá-la, quando conseguir, haverá então espaço para ouvir coisas muito sutis. É quando sua intuição começa a florescer e você começa a ver coisas de forma mais clara que estejam no presente”.

Esta capacidade, que muitos julgam extraordinária no co-fundador da Apple, na verdade, o próprio Jobs atribuía às práticas de meditação que realizava desde os 19 anos quando visitou a Índia pela primeira vez.

Mas Steve Jobs praticava a meditação do jeito tradicional, que até hoje enfrenta diversos preconceitos. Ia a mosteiros, tinha um mestre zen budista e lia, relia e seguia a autobiografia do mestre iogue Yogananda, a ponto de presentear com este livro os que participaram do seu próprio funeral. Marc Benioff, fundador da Salesforce, que foi à missa de Jobs (e ganhou a autobiografia), sabia que, mais que tudo, aquilo era o verdadeiro legado que Jobs gostaria que fosse passado para a frente.

E Benioff adotou o meditação como um dos pilares da sua vida pessoal e também executiva a ponto de incluir salas de meditação em todos os andares da nova sede da sua badalada empresa em San Francisco, Califórnia, e passou a defender o papel do Mindfulness, um termo mais moderno que integra práticas de meditação, compaixão e reflexão, e que direcionam seus praticantes ao estado de atenção plena explicado por Steve Jobs.

O professor Jon Kabat-Zinn, um dos pioneiros desta prática nesta versão mais “ocidentalizada”, explica o “Mindfulness é a consciência que surge quando se presta atenção, propositalmente, no momento atual, sem nenhum julgamento, como se a sua vida dependesse disso porque é a atenção que nos permite direcionar nossas vidas em uma direção ou outra e – conscientemente – saber o que está acontecendo, ou o que não sabemos, e encontrar formas para termos uma relação mais inteligente com as coisas que realmente estão impactando nossas vidas.” Além de Benioff, Richard Branson (Virgin), Sergey Brin (Google), Jack Dorsey (Twitter, Square), Jeff Weiner (Linkedin) e vários outros empreendedores passaram a não só praticar técnicas de Mindfulness como também a incentivá-las em suas empresas. O Google foi além e transformou uma atividade interna em uma startup (Search Inside Yourself) só para disseminar o Mindfulness para outras grandes empresas.

Em um momento em que tantas pessoas estão tão angustiadas por tanto de tudo, o simples fato de parar, mesmo que por alguns minutos por dia, para meditar ou apenas respirar profundamente, tem sido visto com muita boa vontade por um número crescente de empreendedores e também por executivos de organizações de todos os portes. E esta prática é defendida em diversos estudos compilados pela professora e pesquisadora da Universidade de Stanford, Emma Seppala, que explica que CEOs de organizações de qualquer tamanho deveriam meditar pois isto fortalece a resiliência, desenvolve a inteligência emocional, aumenta a criatividade, melhora os relacionamentos e ajuda na concentração e determinação do foco dos seus esforços.

Outras organizações já entenderam que o Mindfulness não contribuiu apenas para o desenvolvimento da alta direção, mas da empresa como um todo. O grupo de seguros Aetna, um dos líderes mundiais em seu segmento, por exemplo, estima que já economizou mais de US$ 2 mil por colaborador em plano de saúde e percebeu um aumento de produtividade individual de mais de US$ 3 mil desde que começou a implementar programas de Mindfulness.

O ponto mais alto do Mindfulness nas organizações se deu em 2016, quando foi o tema que contrapôs a discussão da Quarta Revolução Industrial no Fórum Econômico Mundial. Quando todos estavam maravilhados (ou preocupados) com as novas disrupções tecnológicas, alguém intuía que apenas as pessoas com consciência plena podem dar sentido as suas vidas. Não é elementar, meu caro Watson?

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Novas tendências da gastronomia mundial – e tem Brazil!

3 de julho de 2017

Ocorreu na semana passada, em Nova York, a Summer Fancy Food. Aqui são mostrados os produtos, as tendências e os ingredientes que amanhã estarão nas prateleiras dos supermercados, nos serviços de restaurantes e nas casas dos consumidores. É provavelmente a feira de gastronomia mais importante do mundo, com participação de 2,6 mil expositores e mais de 180 mil produtos diferentes de uma miríade de países, inclusive do Brasil.

O mais bacana nessa feira de vital importância é como, além dos óbvios gigantes da indústria, os pequenos também conseguem participar e mostrar o que fazem. É muito comum ver os donos de uma fazenda familiar da Nova Zelândia mostrando pessoalmente uma carne especial. Ou conversar com a quinta geração de produtores de queijos da Bretanha, orgulhosamente oferecendo seus queijos para quem quiser provar.

E fiquei muito feliz de ver a participação dos pequenos empreendedores e produtores brasileiros, que olham para o mundo lá fora, competindo de igual para igual com os “gringos”, não apenas na qualidade produtos como também no profissionalismo e maturidade empresarial, planejamento e desenvolvimento de produto. Destaco, por exemplo, o trabalho do Paulo Brunholi, de Jundiai, dando uma roupagem moderna a um clássico brasileiro: a Capirinha. Desenvolvida em sua pequena propriedade artesanal, com foco no mercado internacional. Um modelo de como chegar numa feira internacional pronto para colher resultados (e pedidos!) é que a página web do produto tem tradução para inglês, espanhol e chinês! Torcendo por muitas vendas para a Capirinha!

Tendências da Feira 2017:

- Águas. Parece óbvio, não é? As pessoas querem parar de beber refrigerantes, e as águas gourmetizadas estão a mil, com sabores naturais, é claro: de clorofila, com extra oxigênio, de cactos, com infusão de hidrogênio, água “pré-histórica” do lago Tanganika, enfim, vale tudo.

- Kits para fazer em casa. Neste ano apareceu uma série de alimentos para serem finalizados em casa. Caramelo para maçã, sorvetes, cookies, homus. Vem tudo numa caixa, mas a pessoas precisa colocar as mãos na massa para comer. Fico feliz de ver como o Pastifício Primo está bem posicionado, desde sua origem, com essa tendência.

- Sopas. As sopas são o suco da hora. Frias, geladinhas, saudáveis, com pouco sal, muitos sabores, prontas para beber. Alimentam, ajudam a matar a fome e têm embalagens super divertidas, fazendo que as pessoas tenham uma nova ideia de como consumir… sopa!

- Veganos. Apesar de não ser uma novidade de agora, mas foi surpreendente como aumentou a variedade de produtos para veganos, com muitos mais sabores (defumados, apimentados, etc). Praticamente tudo tem opção vegana.

O Brasil tem todos os elementos para fazer parte da elite da gastronomia. Bora trabalhar!

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo: ivan.primo@pastificioprimo.com.br