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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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10 ferramentas gratuitas para empreendedores (mas que deveriam ser cobradas por serem tão úteis)

28 de abril de 2017

Crédito: Canvas

 

Você quer começar uma startup e já tem até um potencial sócio. Parabéns! Empreender um negócio próprio no Brasil não é para qualquer um, principalmente se for apenas um mesmo. Por isto, sócios, desde que complementares, aumentam e muito, as chances de sucesso de um novo empreendimento. Mas aí vem a pergunta: Cada sócio deveria ter a mesma participação no negócio? O Startup Equity Calculator ajuda a definir a participação “justa” de cada sócio na startup. O resultado talvez não agrade os sócios, mas os parâmetros utilizados podem ajudar na reflexão do papel de cada um e sua respectiva participação na sociedade.

Já tem um negócio e pensa em buscar um investidor? Apenas por curiosidade, use o Pitch Bot, um robô (chatbot) que faz uma entrevista com você e ao final entrega um relatório sobre como poderia ter ido melhor nas respostas e ainda indica investidores mais indicados para o setor, estágio de vida e resultados obtidos pela sua startup. Mas antes que se empolgue, isto é só um treino e só traz uma lista de investidores dos Estados Unidos. Mas, de qualquer forma, a interação com o robô investidor é muito educativa.

Já conseguiu uma reunião com o investidor ou precisa fazer uma apresentação para algum cliente e acha que o Powerpoint, definitivamente, não gosta de você? Se está em depressão por isso, visite o Note & Point, encontre algum modelo de apresentação que representa o seu negócio, baixe o documento e crie a sua apresentação campeã colocando a sua mensagem nos slides, trocando as cores para as da sua empresa assim como as imagens. Não tenha dúvidas que o resultado final parecerá muito profissional para o seu público alvo.

Mas se realmente tiver uma reunião com um investidor, precisará não apenas da apresentação em si para o encontro, mas também de um documento mais detalhado chamado Pitch Deck. Se não souber o que é isto ou já tiver interesse em preparar o seu, visite a coleção preparada pela Attach com exemplos de startups famosas que atualmente hoje, juntas, valem mais de US$ 100 bilhões. E se quiser levar algum folder ou flyer da empresa, não hesite em utilizar o Canva que também é matador na elaboração de imagens visuais para postagem em redes sociais.

Mas há vida além das redes sociais e sua empresa precisa estar lá. Por isto, dê valor ao velho e-mail. Quando bem utilizado, o correio eletrônico ainda funciona e pode ser muito mais barato do que ficar comprando Adwords ou Facebook ads. Desta forma, se já conhece, faça uma nova visita ou se não conheça, conheça e teste o MailChimp. A versão gratuita está ainda mais poderosa e eficaz. Também utilize o TypeForm para fazer pesquisas. A solução é tão elegante que até pode aumentar a taxa de respondentes.

Mas não perca de vista onde está o seu mercado e também dos seus concorrentes. Faça uma pesquisa com o nome da sua empresa e depois com os dos seus concorrentes no Similar Web. Vem muita informação e espero que fique feliz com o desempenho do seu site.

Por isso, é sempre bom ser o primeiro, a saber, quando falam de você e também dos seus concorrentes. Para isto, assine o Google Alerta, novamente, com o nome da sua empresa, dos seus concorrentes e até com o seu nome pessoal. Apareceu em algum lugar da internet, será avisado por e-mail.

E para terminar, gerencie e organize tudo o que precisa fazer como empreendedor com Trello.

E é isto… Dez ferramentas gratuitas para empreendedores, mas que deveriam ser cobradas por serem tão úteis.

Marcelo Nakagawa é professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI) e Coordenador de Área em Pesquisa para Inovação da FAPESP

Por que as grandes empresas estão tão preocupadas com o futuro e você ainda não

24 de abril de 2017

Na última virada de século, a segunda maior empresa em vendas nos Estados Unida de acordo com o ranking preparado pela revista Fortune, era a Walmart. A gigante varejista faturava US$ 167 bilhões e tinha valor de mercado de US$ 240 bilhões. Naquele ano de 2000, uma startup de varejo online faturou 60 vezes menos, cerca de US$ 2,8 bilhões, e ainda teve um prejuízo líquido de US$ 1,4 bilhão. Quase ninguém acreditava nela… Seu valor de mercado caiu quase 2/3 naquele ano. Um relatório do banco de investimento Lehman Brothers alertava que o negócio ficaria sem caixa rapidamente e muitos analistas em Wall Street acreditavam que a startup iria quebrar ou ser vendida por um preço simbólico. Mas Lehman Brothers não sobreviveu (quebrou em 2008) para ver esta startup, a Amazon, não só crescer assustadoramente, como passar a Walmart em valor de mercado em 2015. Agora, neste mês, o valor de mercado da Amazon atingiu US$ 440 bilhões, maior do que o valor das suas concorrentes tradicionais Walmart, Costco, Target, Macy’s e Kohl’s… juntas!

Mas a Walmart era a segunda maior empresa em 2000. A maior era a General Motors que tinha vendido US$ 189 bilhões e atingido um valor de mercado de US$ 38 bilhões naquele ano. Novamente, quase a mesma história, mas com uma startup que nem existia naquele ano. Fora fundada três anos depois e agora, passado quase 14 anos, muitos ainda não acreditam nela e alertam que ficará sem caixa em pouco tempo diante do prejuízo de US$ 675 milhões e vendas de US$ 7 bilhões em 2016. Mas valendo cerca de US$ 50 bilhões, esta startup, a Tesla Motors superou o valor de mercado da Ford (que era a quarta maior empresa em 2000) neste mês, uma das empresas mais simbólicas do mundo dos negócios, e ruma para ser maior do que a GM ainda neste ano.

A Walmart, GM e Ford ainda continuam grandes, entre as maiores do ranking da Fortune 500 até agora, mas será que eles estão preocupados com o futuro? Com certeza muito mais do que 50% das empresas que compunham aquele ranking do ano 2000. Segundo a consultoria Accenture, metade das empresas que apareciam naquela lista já não existe mais. E a principal razão apontada pela firma de consultoria foi a incompetência digital. As grandes empresas não estão sabendo lidar com os desafios digitais porque seus executivos desconhecem, desmerecem ou simplesmente desdenham o impacto da chamada Quarta Revolução Industrial nos seus negócios.

O concorrente agora não é apenas outra empresa existente ou mesmo uma startup. Muitas empresas não estão se dando conta de que o concorrente que mais cresce é combinação de tecnologias disruptivas que caracterizam a Quarta Revolução Industrial.  A Avis Rent a Car tem mais de 350 mil veículos em todo o mundo e a Uber nenhum. O valor de mercado da Avis é US$ 2,5 bilhões e o da Uber, US$ 68 bilhões. O fundador da Uber pode discutir com um dos seus motoristas, a startup praticamente abandonou a China e passou a ser taxado no Brasil. A Uber pode deixar de existir, mas a combinação de tecnologias peer-to-peer, móvel, armazenada em nuvem, georreferenciada, individualmente reputacionada, precificada dinamicamente, paga automaticamente, gerenciada por machine learning a partir de análise de big data, (e talvez logo via carro autônomo) e resumida em apenas um botão “solicitar” carro não só vai continuar existindo, como será cada vez mais presente. E isso tira o sono de toda a indústria automobilística porque o negócio migra dos automóveis para tecnologias em transporte.

Essa combinação de tecnologias disruptivas tem preocupado muitas grandes empresas em praticamente todos os setores, inclusive governos. Bancos deixam de ser agências, fabricantes de insumos e equipamentos tornam-se parte das soluções e hospitais não se limitam aos seus leitos da mesma forma as escolas em relação às salas de aula. Nesse novo ambiente, as empresas se tornam “amazons” da jornada do seu cliente e abandonam suas “borders” tradicionais de atuação (curiosamente a Amazon.com foi uma das principais responsáveis pela quebra da tradicional rede de livrarias Borders nos Estados Unidos).

Contudo, muitos profissionais não têm a mínima noção sobre como estas tecnologias irão impactar a sua carreira em um futuro tão distante que chega cada vez mais rápido. Não sabem qual é a grande disrupção no mercado em que atuam, mas continuam achando normal levantar a mão na rua para pedir um táxi mesmo que façam isto apenas apertando um botão no seu celular. Estes, provavelmente, ficarão sem transporte para o futuro das suas carreiras profissionais… Não dirigem, são apenas passageiros.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper e Coordenador de Área em Pesquisa para Inovação da FAPESP

Quatro verdades e uma mentira sobre empreender

24 de abril de 2017

Também decidi entrar na corrente do Facebook, então aqui estão algumas verdades e uma mentira para quem está pensando em empreender no meio da pior crise da história do Brasil. Que “sorte” que temos, de viver este momento histórico, não é mesmo? Brincadeiras à parte, acredito sinceramente que este é o momento mais oportuno para iniciar um novo negócio. Quando estão todos retraindo, existe mais espaço livre. Por outro lado, as chances de erro são bem menores, e o capital mais escasso que nunca.

1. Jogue fora a mística de que os empreendedores nascem prontos, ou que é genético. A verdade é que os empreendedores vem de todo tipo, gênero, tamanho e idade. E passam muitos anos se dedicando, preparando e aprendendo até encontrar a alavanca correta para fazer tudo acontecer. Por isso, não se deixe intimidar nem pelo sucesso nem pelo fracasso dos outros. Cada um tem sua própria história.

2. Não superestime a ideia do negócio. É importante, sem dúvida: a ideia é o início de tudo. Quanto mais bacana e redondinha, maiores as chances de captar investimento e de ser rentável. Porém, mesmo as melhores ideias fracassam quando não estão bem realizadas. Se eu fosse jogador, eu preferiria apostar numa ideia ruim com um time bom, do que uma ideia genial com um time medíocre. E você?

3. A liberdade do empreendedor é muito limitada. É claro podemos inventar nossas próprias regras (dentro da lei, é claro). E também podemos nos vestir de um jeito ou outro, e decidimos quando tirar férias. Mas não podemos esquecer que o empreendedor é responsável pela sobrevivência e bem estar financeiro da empresa, e isso significa fazer tremendos sacrifícios pessoais, trabalhar longas horas e muitas vezes tirar dinheiro do próprio bolso para fechar as contas do mês.

4. Empreender é uma forma rápida de ficar rico. Fácil de ver que esta é a mentira. Não se engane, nunca foi fácil, e nunca vai ser. Algumas pessoas tem uma ideia romantizada sobre ser dono do próprio negócio. É fácil entender porque: vivemos numa sociedade que valoriza as ideias com potencial de prosperidade, e também o prestigio que um negócio bem-sucedido proporciona. Porém, o caminho vai ser duro e cheio de imprevistos.

5. Quanto melhor preparado o empreendedor estiver, melhores são as chances de sucesso. Por isso, não espere a crise passar para começar a pensar em empreender. Aproveite o momento para estudar, se autoconhecer e testar sua ideia e sua capacidade.  Respire fundo, cruze os dedos e vá em frente!

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastifício Primo: ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

O segredo (do sucesso) está nas pessoas

19 de abril de 2017

Começar um negócio sempre exige muita energia de quem empreende. E quando se trata de criar algo em que pouca gente acredita, tudo se torna ainda mais desafiador. Mas isso não é novidade; basta olhar para a história de alguns dos maiores inventores da humanidade… Poucas pessoas colocavam fé em seus experimentos até vê-los funcionando.

E hoje não é diferente. Mesmo com todas as facilidades oferecidas pela tecnologia e pela internet, empreender significa sonhar grande e isso muitas vezes soa como loucura aos menos destemidos. Lembro bem, em meados de 1999, quando disse sim ao convite do Marcos Galperin para lançar o Mercado Livre no Brasil. A empresa dava os primeiros passos na Argentina e simultaneamente assumi o início da operação brasileira. Muita gente achou loucura, afinal a maioria das pessoas ainda não tinha nem ouvido falar em internet, que dirá em e-commerce!

O que nos fez continuar foi sem dúvida nossa determinação, em primeiro lugar, mas também o fato de termos encontrado pessoas que decidiram sonhar conosco e atuar como verdadeiros empreendedores e protagonistas do negócio. Isso fez toda a diferença. E hoje, passados quase 18 anos desse início da empresa, tenho cada vez mais certeza de que o segredo do sucesso está nas pessoas.

Por isso se você é um empreendedor ou está pensando em empreender, para trabalhar com você procure por pessoas que também desejem uma carreira empreendedora. Em um mundo competitivo como o que vivemos hoje e cheio de alternativas – foi-se o tempo em que sucesso era sinônimo de iniciar e terminar a carreira em uma mesma empresa – todo profissional precisa tratar sua carreira como se fosse sua própria empresa.

No Mercado Livre, algumas das principais iniciativas que tomamos ao longo desses anos para o crescimento dos negócios foram geradas a partir de ideias de colaboradores. As mais recentes culminaram na criação das unidades de negócios Mercado Envios, voltada para logística e Mercado Backoffice, que oferece sistemas de gestão.

Mas como identificar um profissional empreendedor na hora da contratação? Claro que não se pode abrir mão do conhecimento técnico necessário, mas, aquilo que caracteriza um empreendedor nem sempre está descrito no currículo. É preciso uma entrevista atenta para identificar aspirações, postura e, principalmente, o característico brilho nos olhos.

E quando encontrar um profissional assim esteja preparado para contratá-lo e retê-lo! Para isso, invista em quem trabalha com você – além de benefícios e salário compatível com o cargo e competitivo com o mercado – é essencial oferecer um ambiente de trabalho agradável e aberto a ideias e novas iniciativas. Acredite; uma equipe comprometida e engajada faz toda a diferença para o sucesso de um negócio.

Ainda a questão trabalhista

17 de abril de 2017

Um dos grandes problemas que o empreendedor brasileiro enfrenta hoje é a questão da relação trabalhista.

Nos últimos 70 anos as relações de trabalho – e o conceito de trabalho – mudaram tanto, mas tanto, que algumas das leis que foram realmente bacanas nos anos 1940 estão mais atrapalhando que que ajudando o Brasil.

E se engana quem pensa que apenas o trabalhador é prejudicado com a legislação retrógrada. Ou quem ainda acredita que o empresário é sempre o vilão. No final do dia é a sociedade como um todo que paga a conta da ineficiência de um sistema burocrático impositivo.

A atual lei trabalhista – e todo um biossistema de “profissionais” que se alimenta dessa aberração – coloca o trabalhador numa guerra contra o empresário e vice-versa. Um exemplo em especial: uma rescisão de contrato de trabalho nunca é definitiva, pois sempre haverá um “chorinho” no tribunal.

Assim, os tribunais trabalhistas se transformaram num grande balcão de barganha pós-demissão. Na prática, não importa se há ou não causa justa para uma ação: virou praticamente uma praxe que os juízes forcem o empregador a aceitar um acordo, sem avaliar se ele é realmente merecido ou não. A premissa de que o empregador pode ser honesto e que o ex-empregado pode estar se abusando é completamente ignorada na maior parte dos tribunais. É como se a Justiça, que deveria avaliar todos os lados e só depois tomar uma decisão, fizesse pré-julgamentos: o empregador é sempre o culpado.

Assim, o empresário pragmático termina por ser desestimulado a fazer a coisa correta, pois sempre espera ir resolver no tribunal, onde faz um acordo. Os mais prejudicados são os empresários que pagam tudo super certinho – sim, os há – que terminam por evitar dar aumentos ou estimular bonificações que possam aumentar os problemas futuros (afinal, precisam guardam dinheiro para o pós demissão no tribunal).

E os tribunais, juízes e toda a estrutura, ficam sobrecarregados com casos que são apenas litigo pelo “troco a mais”. Em vez de estar realmente cuidando de casos importantes e protegendo pessoas que precisam do suporte da justiça, ficam saturados administrando casos que podem ser resolvidos na instância da demissão que é feita no sindicato (a demissão é feita com um representante do sindicato que confere todas as contas e cálculos) que pelo visto, não serve pra nada.

E todo este custo vai parar no preço final das coisas, obviamente. Portanto, quando o cliente compra um pãozinho, parte do preço vai para advogados, sindicatos, peritos e acordos.

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastifício Primo
ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Demitidos que aproveitaram o chute e marcaram um golaço

15 de abril de 2017

Lá estava eu… Depois de treze anos de dedicação, trabalhando doze horas por dia, ouvia que a minha vida naquela empresa tinha acabado… É o momento de você sair, disse o meu chefe. Não sabia o que estava acontecendo…  Mas tinha sido demitido… (MB)

A demissão provavelmente foi o pior momento da minha vida, tirando a morte dos meus pais. Sempre tive muito sucesso no que fazia e ajudei muitas pessoas para quem trabalhei a ganhar dinheiro… (BM). E agora eu estava fora. Toda a dedicação da minha vida adulta estava sendo jogada fora e isto era devastador (SJ).

Ainda me lembro do meu chefe. “Ele adorava olhar as pessoas nos olhos e dizer: Estou tirando o seu ganha-pão e não é só isso, como também vou destruí-lo financeira, mental, física e emocionalmente. Era um monstro…” (BM).

Se estava triste quanto voltei para casa? É claro, mas meu orgulho era grande para mostrar isso. (MB). Mas minha esposa lembra claramente deste dia. Ainda lembro-me dele soltando fumaça pelas narinas por ter perdido o trabalho, mas o mesmo tempo, contente, porque nunca mais trabalharia para outra pessoa. Só ficava repetindo que nunca mais trabalharia para ninguém enquanto vivesse; seria o seu próprio patrão (WD).

Eu realmente não sabia o que fazer e isso durou meses… (SJ). É interessante quando você fica tão por baixo assim. E quando chega a esse ponto, tem a chance de se levantar ou não. Se optar por levantar-se, será melhor como nunca foi. Mas se não, se tornará verdadeiramente um derrotado… (BM). Assim, algo começou lentamente a me levantar. Eu ainda amava o que eu fazia. Tudo o que tinha acontecido não mudou nada sobre o que gostava de fazer. Então, eu decidi recomeçar… (SJ)

Por isso, ser demitido do meu emprego foi o fator determinante na minha vida profissional. Eu decidi que deveria criar a minha própria empresa. Eu não tinha muito que perder, era do ramo, assim eu sabia que o que fazer… (MC) .

Mas agora tinha aprendido uma dura lição. Eu não era a pessoa mais esperta do mundo. Quando você percebe isso, não fica com vergonha ou receio em pedir ajuda para as outras pessoas… (BM). Assim, fui atrás do meu principal cliente e disse que estava montando uma empresa, mas que não tinha dinheiro naquele momento, mas se ele comprasse de mim, eu trabalharia muito para ele e isto ajudaria a criar o meu negócio. E ele disse: Claro! (MC).

E foi assim que a minha empresa começou… (MB). Mas entrei no mesmo mercado daquele que me havia demitido. Por isso, uma amiga próxima resume: Ele só esta fazendo isto por vingança! Mas não é bem assim… Não tenho nenhum tipo de ressentimento… (SJ).

Desta forma, Walt Disney (WD) fundou o seu próprio estúdio, obscurecendo para sempre aquele que o havia dispensado, Charles Mintz e o seu estúdio de desenhos e filmes. Da mesma forma, Bernie Marcus (BM), demitido da Handy Dan Home Improvement Centers quando tinha 40 anos, se juntou a Arthur Blank (também demitido no mesmo dia) para fundar a The Home Depot, a maior rede mundial de varejo de material de construção com mais de 2,2 mil lojas, 385 mil funcionários e valor de mercado de US$ 6,3 bilhões. A Handy Dan deixou de existir em 1989.

E seguindo a mesma lógica, Mark Cuban (MC), aos 25 anos, fundou a MicroSolutions para competir com a sua antiga empregadora, a Your Business Software. A empresa de Cuban cresceu rapidamente, e Mark, poucos anos depois, vendeu-a por US$ 6 milhões. Com o dinheiro da venda, fundou uma segunda empresa, a AudioNet que depois mudou de nome para Broadcast.com, vendida para o Yahoo! em 1999 por US$ 5,7 bilhões. Curiosamente, sua antiga empregadora faliu e o presidente da empresa que o havia demitido entrou em contato com Cuban para pedir que ele investisse em uma ideia de negócio que tinha já que ele agora é uma das principais estrelas do programa Shark Tank.

Mas muitos anos depois, Michael Bloomberg (MB) já nem se lembra direito de quando estava prestes a completar 40 anos foi demitido da firma de investimentos Salomon Brothers. No dia seguinte, criou a Bloomberg, uma das maiores empresas de informações financeiras do mundo, que emprega mais de 19 mil pessoas ao redor do mundo e com valor de mercado de US$ 9 bilhões. Quanto a sua antiga empregadora… ela foi absorvida pelo Citigroup em 1998.

Por fim, nenhum chute do destino é tão conhecido quanto a demissão e o retorno de Steve Jobs (SJ) à empresa que ele criou e recriou. Demitido da Apple, empresa que tinha fundado, Jobs criou a NeXT, cuja tecnologia turbinou os Macs no seu retorno triunfal à empresa da maçã.

Todos são unânimes no valor que dão para suas demissões. Não foi o que sentimos na época, mas, olhando para trás, foi um grande golpe de sorte! – afirma Bernie Marcus. Eu tenho certeza absoluta que nada disso teria acontecido se não tivesse sido demitido da Apple. Às vezes, a vida o atinge na cabeça com uma tijolada. Não perca a esperança. Estou convencido de que a única coisa que me manteve de pé era fazer o que amava. – declarou Steve Jobs no seu inesquecível discurso de formatura da Universidade de Stanford.

Por isso, você não entende quando isso acontece, mas um chute no dente pode ser a melhor coisa do mundo. – diz Walt Disney.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Diálogo, tecnologia e empreendedorismo

12 de abril de 2017

Foto: Jessica Rinaldi / Reuter

Quem nunca ouviu essa frase: é conversando que a gente se entende? O diálogo é um caminho milenar utilizado para se chegar à solução e alternativas para problemas das mais diversas ordens. Aliás, muitos dos grandes impasses nacionais e mundiais no dia de hoje persistem por falta de diálogo e pela resistência a ele. Na contramão disso (ainda bem!), na semana passada, nos dias sete e oito de abril, alunos das Universidades de Harvard e do MIT organizaram o Brazil Conference, em Cambridge, nos EUA. O evento reuniu brasileiros representantes das mais diversas frentes – política, artística, educacional, esportiva, terceiro setor e empresarial – com o objetivo de, nas palavras dos próprios organizadores, “criar um espaço para que todos os lados conversem entre si e sejam ouvidos, num grande exercício de tolerância, humildade e cidadania”.

Eu tive a oportunidade de participar como palestrante desse evento e acompanhar de perto a riqueza produzida a partir da pluralidade de ideias, ideais e experiências. Em dois dias de encontro foram abordados dezenas de assuntos de relevância para o momento Brasil a partir de quatro “pilares provocativos”: Imaginação, Fundações, Mundo e Pessoas. No pilar Imaginação entre os temas propostos tratamos de Tecnologia e de Empreendedorismo.

Entre os diversos pontos de vista, saltou aos olhos uma verdade: a tecnologia é cada vez mais universal. Hoje, o que é desenvolvido no Brasil, por exemplo, pode ser utilizado por qualquer pessoa de qualquer país, desde que atenda necessidades de clientes de qualquer lugar. O mundo conectado em que vivemos hoje aproxima pessoas e também clientes, marcas, produtos e empresas. Por isso, mesmo para uma PME, é essencial pensar grande, além-fronteiras.

Apesar das diversas visões e opiniões apresentadas ao longo da Conferência, um ponto se apresentou unânime: o Brasil é rico em recursos humanos com capacidade para criar tecnologia de ponta e também para empreender. Somando a característica criatividade do brasileiro à quantidade de dados e à capacidade de algoritmos disponíveis hoje, o país tem total condição de se posicionar na vanguarda do desenvolvimento tecnológico e, para isso, nem é preciso grande dispêndio de capital, como foi necessário no início do século 20.

Sobre a conhecida e odiada burocracia brasileira, o diálogo travado durante o painel de Empreendedorismo na Conferência surpreendeu e fugiu das lamentações – ainda que elas tivessem fundamento – e destacou a necessidade de o empreendedor desenvolver sua capacidade de resiliência. É preciso sim se posicionar sempre e lutar por mudanças nessa realidade, mas a verdade mesmo é que quem quer empreender não pode desistir fácil diante das dificuldades. Sendo assim, acredito que há um caminho possível para que o Brasil volte a crescer e se desenvolver. E esse caminho passa pela tecnologia aliada ao empreendedorismo.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Perdendo a virgindade em São Paulo

10 de abril de 2017

Sou grande fã de Richard Branson desde que li a biografia Perdendo a Virgindade. Para minha alegria, no dia 30 de maio ele estará em São Paulo, como principal palestrante do VTEXDAY, evento com foco em varejo e tecnologia. O assunto será “as decisões mais difíceis” que já teve que tomar nos negócios.

Enquanto a data não chega, aqui os meus 5 motivos pelos quais Sir Branson é uma referência para empreeendedores:

1. Ele se diverte.  O que mais dizer quando ele perdeu uma aposta e se vestiu de comissária de bordo nos aviões da Virgin? Ou atravessou o Canal da Mancha num carro anfíbio? Sempre levando a marca Virgin como patrocinadora destas aventuras. O grande projeto atual é fazer turismo espacial, e ele quer estar no primeiro voo.

2. É um líder. Sua principal filosofia é fazer grandes negócios como se fossem pequenos, com grande participação dos funcionários, entrosamento e humanização. Ao longo dos anos, fundou mais de 400 pequenas e grandes empresas, sempre administradas por pessoas próximas.

3. Assume os erros. Quando era jovem foi preso por contrabandear discos. Nunca escondeu o fato. Mas a história mais emocionante, foi quando abriu pela primeira vez capital na bolsa, e a empresa foi mal e os pequenos investidores iam perder suas poupanças, então ele pegou dinheiro emprestado no banco para recomprar as ações pelo mesmo preço que os investidores pagaram.

4. Tem coragem. E não me refiro a escalar o Mont Blanc, ou a tentar algumas vezes dar a volta ao mundo em um balão. O que ele fez em 1990 foi muito além do que qualquer empresário/pessoa comum, durante uma crise de reféns no Iraque. Ele pegou um Jumbo 747 da Virgin Atlantic e foi resgatar a reféns em Bagdá. Detalhe: a seguradora recusou segurar o voo e ele foi mesmo assim, sob risco de ser feito refém junto com o avião. Afinal deu tudo certo, provando que vale a pena fazer a coisa certa.

5. Ele gosta de dizer sim. O cara iniciou com jornalismo estudantil, depois com lojas de discos, depois com gravadora (Sex Pistols, Rolling Stones), empresas aéreas, telecomunicação, turismo espacial. Além de vários projetos beneficentes.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve toda semana. ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Se pretende trabalhar para sempre, conheça a história de Peter Usborne

7 de abril de 2017

Já devo ter gasto mais de R$ 1 mil comprando os produtos da empresa de Peter Usborne (foto), mas valeu cada real gasto

Ele tem 80 anos agora e ainda se recorda: Eu queria ser pai para sempre… – diz Peter Usborne enquanto relembra como seu negócio começou. Ele tinha 36 anos, trabalhava em uma grande editora em Londres e vinha desenvolvendo uma boa carreira na empresa, quando o telefone tocou: Você será papai… – comunicou sua esposa. Ainda emocionado com a notícia, Peter foi falar com seu chefe sobre a novidade e verificar se poderia ser transferido para a divisão de publicações infantis da empresa. Como não aceitar o pedido de um funcionário competente, dedicado e que agora teria um motivo a mais para ser ainda melhor pensou seu chefe.

Já pai, Peter tornou a divisão de livros infantis um sucesso a ponto do presidente da empresa ir procura-lo para dar os parabéns. Só por curiosidade, qual é o seu próprio objetivo? Perguntou o presidente. Estava pensando em criar a minha própria empresa, chefe… – respondeu Peter de forma tranquila e honesta. Não vou deixá-lo sair assim… – retrucou o chefe. Quero ser seu sócio!
E assim, nascia em 1973 a Usborne Publishing, uma das editoras de livros infantis de maior sucesso em todo o mundo. Quem é pai e gosta de comprar livros para seus filhos deve ter uma porção de livros escritos, criados e publicados pela empresa de Peter. É só dar uma olhada nos livros que os pequenos acham mais legais e muito provavelmente verá um balão colorido em um dos cantos da obra, logotipo da Editora Usborne.

Sua receita inicial para ótimos livros (que é a mesma até hoje) era sempre criar pensando no que seria o melhor do mundo para os seus filhos. E nesta lógica, sua empresa já lançou mais de dois mil títulos em mais de 100 idiomas sempre com a mesma abordagem: Não tratar a criança de forma infantilizada, humor sempre que possível, informações e conhecimento que gerem curiosidade, muita quantidade e variedade de ilustrações e fotografias, atenção a todos os detalhes e sempre com o melhor papel e impressão em formatos grandes de forma que pais e filhos pudessem ler juntos.

Quatro anos depois, quando Peter tinha 40 anos, sua pequena editora atingiu a marca de um milhão de libras em vendas. Dez anos depois, percebeu que já tinha ganhado dinheiro a ponto de não precisar trabalhar nunca mais. Mas como poderia parar? – pergunta. Publicar livros para crianças era uma extensão da minha sensação de paternidade e eu queria ser pai para sempre. – explica. Além disso, eu não tinha criado a empresa para ganhar dinheiro. Ele só pensava em criar um mundo melhor para os seus filhos.

E para cumprir este objetivo, há mais de 40 anos, Peter Usborne vem adotando abordagens que chocariam empreendedores e executivos mais agressivos. Mesmo diante do aumento expressivo da demanda, Peter prefere manter o crescimento da empresa sempre entre cinco a dez por cento anualmente. Acredita que crescimentos rápidos e disruptivos podem trazer danos desnecessários a sua companhia. Também é uma das principais editoras signatárias do The Book Chain Project, sistema de auditoria que verifica a origem sustentável da celulose, a segurança da tinta, cola e verniz e as condições sadias de trabalho onde seus livros são produzidos. Por fim criou uma fundação, doando 60% do capital da empresa, permitindo assim que a entidade tivesse condições financeiras de desenvolver ações de incentivo à leitura na África por meio de livros e em todo o mundo por meio de games como o  Teach Your Monster to Read.

Em 2015, a Usborne Publishing foi reconhecida como a empresa privada de maior destaque do Reino Unido desbancando diversas startups de alta tecnologia, empresas de varejo e firmas de serviços.

Parar? Eu adoro o que faço assim como as pessoas que trabalham aqui. Sentimos que estamos fazendo algo que é realmente valioso. Meu trabalho é o meu hobby… – explica.

E o hobby preferido das minhas duas filhas pequenas de sete e quatro anos é ler… principalmente os livros produzidos pelo Peter. E isto não tem preço… Até tem, mas vale cada real gasto.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

É preciso mais do que um site bonitinho

5 de abril de 2017

Se ao entrar em uma loja pela primeira vez logo de cara você observa que o ambiente é confuso, o atendimento displicente e demorado e na hora de pagar tem que enfrentar a espera devido à lentidão do sistema, qual é chance de você voltar a essa loja? Mesmo que o preço do produto procurado seja atraente, a experiência ruim, na maioria das vezes, se torna um impeditivo para novas visitas. O mesmo acontece no comércio eletrônico. Ao passear pelas páginas da loja online, mais do que ver fotos bonitas, o cliente quer viver uma experiência agradável e concluir sua compra sem complicação. Isso é essencial para gerar negócios e aumentar a fidelidade no e-commerce.

O ditado que diz: “a primeira impressão é a que fica” é bem verdadeiro nesse caso. Portanto o empreendedor deve estar atento a essa primeira experiência de seus clientes. Para isso, no caso do e-commerce, é essencial contar com infraestrutura tecnológica suficientemente eficaz para garantir acesso rápido ao site, além de mecanismos de venda dinâmicos e seguros. Em paralelo é importante também seguir as melhores práticas de usabilidade para oferecer uma navegação mais fluida e fácil.

O primeiro passo nessa direção é ter um provedor confiável para hospedar a loja online, com infraestrutura escalável, de acordo com o fluxo de visitas. Esse provedor também precisa estar preparado para picos em datas especiais, como Dia das Mães, Black Friday e Natal. Além disso, atualmente é essencial que o site seja responsivo, isto é, tenha o mesmo desempenho em todos os dispositivos: desktop, smartphone, tablet, etc. Esse tipo de cuidado não está mais na lista de gastos eventuais, mas na de investimentos que o empreendedor online precisa fazer.

O mesmo vale para as ações que melhoram a usabilidade do cliente na loja online, ou seja, tornam a navegação natural e simples. Para isso, algumas dicas são: fique de olho nos arquivos disponibilizados no site. Imagens e vídeos dos produtos favorecem as vendas, mas esse conteúdo não pode sobrecarregar a página a ponto de tornar a navegação lenta. Uma maneira de evitar esse problema é utilizar o CDN (Content Delivery Network), um recurso que permite carregar arquivos estáticos, como fotos. O CDN possui servidores espalhados por todo o mundo, desse modo, os arquivos estáticos estarão hospedados nos servidores mais próximos do visitante do site, o que torna o carregamento da página extremamente rápido, e reduz drasticamente os processos do seu servidor web. E o investimento mensal para ter acesso a esse recurso é baixo, considerando seu benefício.

Há ainda outras soluções que valem ser consideradas para tornar a visita ao site uma experiência agradável.  Entre elas, habilitar o autopreenchimento dos campos principais a partir do banco de dados do cliente, aproveitar as ferramentas de SEO (Search Engine Optimization) para direcionar o comprador, desde a pesquisa até o que ele precisa dentro do site, deixar clara a etapa da compra na qual o consumidor está a cada momento e mostrar ao cliente que a página é segura, exibindo os certificados e protocolos que comprovam isso.

Para confirmar a efetividade dessas dicas, o próprio empreendedor pode se colocar no lugar do cliente e fazer os testes de navegação. Porém, mais do que isso, o ideal é a realizar testes com os próprios usuários, obtendo seus feedbacks em tempo real. Dessa forma é possível confirmar na prática o quanto o usuário conhece das ferramentas disponíveis no site e se elas estão sendo realmente úteis e bem aproveitadas.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.