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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Não há linha de chegada

23 de junho de 2017

O melhor professor que tive, um dos melhores homens que conheci, falava com frequência desta trilha. É nosso direito de nascença, bradava ele. Nosso caráter, nosso destino – nosso DNA. “Os covardes nunca começaram”, ele me dizia. “Os fracos morreram pelo caminho – e nós continuamos aqui.” (p.9)

E assim, naquela manhã em 1962, eu disse a mim mesmo: Deixe que todos chamem a sua ideia de maluca… Apenas continue. Não pare. Nem pense em parar enquanto não chegar lá e não pense muito sobre onde fica este “lá”. O que quer que aconteça, não pare. (p.13)

Volte para casa, me disse uma longínqua voz interior. Consiga um emprego normal. Seja uma pessoa normal. Então, eu ouvi outra voz abafada, igualmente enfática. Não, não volte. Siga em frente. Não pare. No dia seguinte, dei um aviso prévio de duas semanas no escritório. “Que pena, você tinha futuro como vendedor” – disse um dos chefes. Deus me livre – respondi baixinho. (p.28)

E me dei uma lição de ânimo. Você é capaz. Você é confiante. Você consegue. Você CONSEGUE. E então fui ao lugar errado.(p.34)

“Começando uma nova empresa?” – questionou meu antigo chefe. Nesta situação econômica? Com saldo de caixa zero?” (p91)

Seria mesmo possível administrar uma startup e, ao mesmo tempo, iniciar uma família? Será que eu deveria voltar para a contabilidade, ou para o ensino, ou para algo mais estável? Todas as noites, recostado na minha poltrona, olhando para o texto, eu tentava me acalmar. (p. 149)

Mais uma vez, de manhã, enquanto bebia uma xícara de café, ou enquanto tentava dormir, dizia a mim mesmo: Será que sou um idiota? (p. 164)

Naquela primavera, Penny e eu tivemos uma preocupação adicional…. Ela estava grávida outra vez. Secretamente, eu pensava mais em como nós iríamos lidar com isso… pensei, é bem possível que eu tenha dois filhos e nenhum trabalho. (p. 228)

Mas o medo de fracassar, pensei, nunca será motivo para que a nossa empresa não dê certo. (p. 253)

Suspirei, mas o alívio não durou muito. Comecei a pensar sobre a minha vida. Voltei anos no tempo, questionei cada decisão que me levara àquele ponto. Se ao menos eu tivesse sido melhor em vender enciclopédias, pensei, tudo seria diferente… Eu sempre tinha uma resposta, algum tipo de solução, para todos os problemas. Mas naquele momento, naquela noite, não tinha respostas. (p. 265)

Eu procurava na minha mente e no meu coração e a única coisa que surgia era a seguinte palavra: “vencer”. Não era muito, mas era bem melhor do que a outra hipótese. (p. 281)

Os problemas nunca teriam fim, percebi, mas por enquanto, nós tínhamos mais energia do que conflitos. Para aproveitar toda essa energia, lançamos uma nova campanha publicitária, com um slogan novo e excitante: “Não há linha de chegada”. (p. 313)

Era 1980. Dezoito anos haviam se passado. Dormi por algumas horas. Quando acordei, o tempo estava frio e chuvoso. Fui até a janela. A água escorria pelas árvores. Tudo era névoa e nuvens. O mundo estava igual ao dia anterior, com sempre fora. Nada havia mudado, muito menos eu. Entretanto, eu valia 178 milhões de dólares. (p. 358)

A Nike, a empresa que tinha criado com “um paralítico, dois caras com obesidade mórbida e um sujeito que fumava um cigarro atrás do outro”, tinha aberto seu capital no dia anterior.

Das 382 páginas da biografia de Phil Knight (A Marca da Vitória, Editora Sextante, 2016), escrita pelo próprio fundador da Nike, em 358, ele fala sobre como foi difícil cria-la. “Vencer a competição é realmente fácil. Vencer a si mesmo é um compromisso sem fim” – é frase que ilustra um dos seus anúncios mais icônicos, mas que resume a sua vida.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

O gigante de internet se rende ao velho e bom “mercadinho”

19 de junho de 2017

Semana passada saiu a notícia de que a gigante de internet Amazon.com comprou a rede de lojas Whole Foods Market, nos EUA.

A Amazon é uma potência mundial de comércio eletrônico com sede em Seattle, iniciou atividades em 2004 vendendo livros. Hoje vende de tudo, estendendo seus negócios também a streaming de música e filmes. No Brasil iniciou a venda online em 2014. O fundador Jeff Bezos já tinha surpreendido a todos quando comprou, em 2013, o centenário e prestigiado (porém decadente) jornal The Washington Post. Quando todos achavam que ia virar um jornal 100% online, ele decidiu preservar a impressão em papel e investiu na qualidade de conteúdo e jornalismo.

Agora, Bezos surpreende novamente comprando uma das redes de alimentos frescos mais conceituada do mundo. A Whole Foods foi fundada em 1980 e vende produtos sem conservantes, orgânicos, e de fornecedores locais. Hoje são aproximadamente 430 lojas espalhados pelos EUA, Canadá e Reino Unido.

Eu sou grande fã do Whole Foods, e lá sou capaz de ficar por horas passeando e escolhendo ingredientes para trazer, e nunca me passou pela cabeça que uma empresa de tecnologia tivesse interesse de unir forças com uma rede de alimentos orgânicos, em que tudo é tão artesanal e feito em escalas menores, com muitos produtores locais e conceito “ultra fresh” (super fresco). Mas, pensando bem, faz todo sentido!

E o mais bacana da Whole Foods são justamente as lojas: visitar, caminhar pelos corredores cheios de produtos “de verdade”, geralmente com muitos textos contando a história do fornecedor ou fabricante. Sentimos que o alimento vendido ali está sendo feito com responsabilidade e com foco no bem-estar. Além do mais, as lojas têm vários setores onde muita coisa fresca está sendo feita e servida, um pouco como no EATALY, um pouco como fazemos questão de ser no PRIMO. A experiência de ir na loja, uma pegada de mercadinho antigo com iluminação bem colocada, os aromas, a música, as embalagens de produtos, é grande parte da satisfação do consumidor, que o faz voltar em busca de mais.

Quando Bezos apontou o seu dedo bilionário e decidiu comprar a rede de varejo de alimentos por US$ 13,7 bilhões, certamente podemos deduzir que – além dele procurar integrar cada vez mais o mundo online com o mundo real – é inevitável, afinal de contas, que as pessoas querem cada vez mais ir até uma loja quando o assunto é comida de qualidade. E querem, cada vez mais, produtos frescos, saudáveis, artesanais, orgânicos e responsáveis.

Como empresário de gastronomia e sempre defendendo produtos frescos e saudáveis, entendo perfeitamente. É o antigo sendo resgatado.  É o antigo sinalizando que vai ser o futuro.

Bezos sabe das coisas.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve no Blog do Empreendedor. ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Liberdade, igualdade, fraternidade… e empreendedorismo

19 de junho de 2017

“Todo país precisa de um ministro do futuro” foi um dos aprendizados mais marcantes do Fórum Econômico Mundial em Davos, em 2016. Dita pelo empreendedor Marc Benioff, fundador da Salesforce, a frase, apesar de óbvia, pegou de calças curtas boa parte dos governantes, executivos e líderes presentes. De repente, perceberam que o futuro não era como no passado: lento, incremental e mais previsível. O futuro “do futuro” é rápido, disruptivo e imprevisível. Prova disso é que quase ninguém naquele encontro apostaria que um ano depois a pessoa mais poderosa do mundo seria quem é: Donald Trump.

A mesma imprevisibilidade valeria para o desconhecido ministro da economia francês presente no fórum. Emmanuel, quem? Macron, quem? Deliciava-se um dos principais jornais franceses.  Mas qual será o futuro da França não era a melhor pergunta do futuro presidente do país, mas sim qual será a França do futuro e quem a construirá. Diversos executivos presentes igualmente entenderam que suas empresas precisavam considerar seriamente o futuro dos seus mercados.

E os que estudam o assunto defendem que o “novo” futuro é construído por empreendedores, já que os fabricantes de velas nunca teriam lançado a lâmpada, pois seriam acusados de suicídio mercadológico. A relação é a mesma para todos que atuam em setores tradicionais, incluindo não apenas o privado, mas também os setores públicos e não-governamentais. Por isso, a destruição criativa, conceito cunhado pelo economista Joseph Schumpeter, pai do empreendedorismo moderno, só cresce em importância neste momento em que países, organizações e pessoas já não se questionam se sofrerão grandes e profundos impactos no futuro, mas sim quando isso acontecerá.

No mesmo encontro em Davos, foi discutido que 65% das crianças que estão no ensino fundamental atuarão em profissões que ainda não existem. Em parte, isso já é percebido em diversas novas posições demandadas pelas startups. Outro alerta é que milhões de empregos desaparecerão até 2020 em função do uso das novas tecnologias da chamada Quarta Revolução Industrial. Nesse contexto, muitos sabem que milhares de profissionais que atuam em call centers já estão sendo substituídos por tecnologias de inteligência artificial. E que isso avançará para portaria de prédios, vendedores, analistas e continuará sobre funções repetitivas executadas por advogados, engenheiros, médicos e até professores. Exemplo disso é a École 42, faculdade da área de tecnologia da informação com unidades em Paris e no Vale do Silício que se orgulha em ser gratuita, de não ter professores e, principalmente, de formar empreendedores que, por sua vez, criam startups e as tais profissões que ainda não existem.

Não por acaso, Xavier Niel, fundador da École 42, foi um dos principais apoiadores daquele jovem desconhecido ministro da economia francês que ouvia sobre a importância de não apenas entender o futuro, mas cria-lo por meio do empreendedorismo.
Pouco mais de um ano depois, Emmanuel Macron, já presidente da França, anunciou na última quinta-feira o programa French Tech Visa, em que oferece uma série de benefícios para quem tem interesse em criar, investir ou trabalhar em uma startup de tecnologia inovadora e disruptiva na França, especialmente para os talentos que não moram no país, mas teriam interesse em imigrar para lá.

“Quero que a França seja uma nação startup. Um país que pensa e atua como uma startup. Em resumo: Empreendedorismo é a nova França”, disse Macron.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

O clubinho dos 3 grandes: Brasil, China e Estados Unidos

12 de junho de 2017

Semana passada participei do Fórum de Gestão e Governança no WTC São Paulo Business Club – aliás, recomendo a todos os empreendedores a ficarem ligados nas atividades que o WTC promove, pois são realmente interessantes, e muitas têm inscrição gratuita.

Na palestra de Carlos Braga, VP de Finanças do fundo de investimentos Artesia, um ponto de vista me chamou especialmente a atenção pelo otimismo e pela fé no futuro do Brasil, sentimentos que compartilho com o desejo de que se realizem o quanto antes.

A tese, em resumo, é que, apesar dos pesares, o Brasil tem um lugar privilegiado à frente, pois possui uma raríssima combinação de fatores entre todos os países do mundo:

1. Território acima de 5 milhões de km²
O Brasil tem 8,6 milhões de km², sendo o 5º maior país do mundo. Essa vasta extensão territorial já nos tornou um dos grandes produtores e exportadores de commodities do agrobusiness, além de nos garantir amplos recursos naturais, com reservas enormes de água, petróleo e minerais. E temos a Floresta Amazônica, que é um valor inestimável na geopolítica internacional.

2. População acima de 150 milhões de pessoas
Hoje, somos o país com a 5ª maior população mundial, com aproximadamente 200 milhões de pessoas, o que significa um mercado capaz de dar força à economia interna, além de mão de obra.

3. PIB acima de 1 trilhão de dólares
Apesar da crise, o Brasil está em 9º lugar no mundo, com 1,5 trilhões de dólares de PIB. Já estivemos lutando pelo 5º lugar, mas perdemos bastante nos últimos 5 anos.

Esses três fatores, quando combinados, como mostra a imagem, colocam o Brasil num seleto grupo de países junto com China e Estados Unidos. Realmente é uma forma de nos fazer sentir protagonistas no mundo. O que nos falta para usufruir de nosso merecido lugar como nação rica e próspera? Algo a se pensar. Eu acho que a solução toda começa por nós, cidadãos, dedicando tempo a escolher legisladores comprometidos com as demandas da atualidade e, principalmente, comprometidos com nosso futuro.

E que esses novos representantes se dediquem a atualizar as leis, de forma a permitir que trabalhadores e empreendedores possam gerar e distribuir riqueza e prosperidade – além do obvio, que é administrar com transparência e combater a corrupção. Será que o Brasil vai ser o país do futuro? Tomara.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve no Blog do Empreendedor. ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Por que os mais sábios mestres empreendedores são discípulos?

9 de junho de 2017

Empreendedorismo é uma crença, uma religião, é uma sabedoria prática. É acreditar que consegue fazer algo maior e melhor do que é agora. É crescer um negócio, mas antes disso, se desenvolver pessoalmente. É fazer mais do que 100% da sua capacidade a cada dia do ano e ao final dele ter avançado tanto exponencialmente que tudo mais parece pequeno. E é justamente nessa fase que muitos empreendedores de sucesso se perdem, pois, de repente, se veem sozinhos. E suas pequenas dúvidas começam a demonizá-los, minando sua capacidade de empreender e, principalmente, de inovar.

Historicamente, é justamente neste momento que os mais sábios mestres empreendedores se tornam discípulos e identificam outros que possam orientá-los. Steve Jobs teve uma longa relação com o monge zen budista Kobun Chino Otogawa, talvez o único que conseguia acalmar, pelo menos momentaneamente, e direcionar seus demônios existenciais. “A jornada é a recompensa”, o primeiro slogan da Apple, foi uma das principais e mais constante orientação que Kobun passava à Jobs.
Dessa forma, a relação dos empreendedores com seus mestres, quase literalmente, “uma filosofia Jedi assim é”. E há inúmeros exemplos desta relação Jedi e Padawan.

No início da Nike, por exemplo, a presença do respeitado treinador Bill Bowerman como sócio e mentor, deu a segurança psíquica para que Phil Knight continuasse a aumentar, cada vez mais, o ritmo de crescimento da sua empresa de calçados esportivos. E quando a Nike já era uma gigante do setor e que Bowerman já não estava presente, Knight ia até ao Japão se aconselhar com o Masaru Hayami, presidente da Nissho Iwai, que também era seu principal parceiro financeiro e comercial. Em uma das passagens, Knight reclama da sua grande dificuldade em lidar com os funcionários. Enquanto caminhavam pelo jardim da casa de Hayami, este aponta para um bambuzal e diz: Vê aqueles pequenos bambus ali? No ano que vem, quando voltar, estarão trinta centímetros mais altos.  O fundador da Nike observou, concordou com a cabeça pensativo e entendeu a lição. Passou a cultivar talentos internos e nunca mais se queixou do seu time de colaboradores.

Outra passagem de orientação filosófica empreendedora ocorre com Yvon Chouinard, fundador da empresa de roupas Patagonia. “Em determinado momento, decidimos que precisávamos de uma nova perspectiva”, explica. Ele e sua diretoria entraram contato com o Michael Kami, que havia orientado grandes empresas. Antes de ajudá-los, Kami pediu para que explicassem por que estavam no mundo dos negócios. Assim, Chouinard contou a trajetória de sucesso da empresa, do sonho em um dia ter dinheiro para velejar pelos mares do sul à procura da onda perfeita e, principalmente, o interesse em ajudar o mundo a utilizar os recursos de forma sustentável. Para este último objetivo, achava que era necessário ganhar dinheiro para então doá-lo para ONGs.

“Provavelmente estão se enganando a si mesmos sobre porque estão no mundo dos negócios… Tudo isso me parece uma monte de besteiras. Se estão pensando seriamente em dar dinheiro aos outros, deveriam vender a empresa por cerca de US$ 100 milhões, guardar uns US$ 2 milhões para vocês e colocar o resto em uma fundação, investindo o principal e doando US$ 6 a 8 milhões todos os anos. E se venderem a empresa para o comprador certo, provavelmente continuariam o trabalho de vocês porque tem um ótimo apelo publicitário”, explicou Kami.

“Foi como se o mestre Zen tivesse golpeado nossas cabeças com seu bastão, mas em vez de ver a luz, estávamos mais confusos do que nunca”, comenta Chouinard. Algum tempo depois ele percebeu que a consciência daquela (des)orientação do seu mestre foi algo fundamental para tornar a Patagonia uma das empresas que mais crescem, que está entre as mais admiradas, as mais inovadoras, em um dos melhores locais de trabalho e para mães trabalharem nos Estados Unidos.

“Até que você torne o inconsciente em consciente, aquele irá direcionar a sua vida e você irá chamá-lo de destino”, reforça Jerry Colonna ao repetir a frase de Carl Jung, atualmente um dos mestres mais venerados dos principais líderes da nova geração de empreendedores dos Estados Unidos.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Modelo de empreendedor em São Paulo

5 de junho de 2017

Na última terça-feira tive o privilégio de assistir palestra de Sir Richard Branson, durante o VTexDay, maior evento do varejo multicanal da América Latina.

Não é segredo que sou grande fã do cara, e já citei ele em diversas ocasiões, pois ele é o cara que já deu a volta por cima muitas vezes, e sempre com humor e elegância, além do respeito que ele demonstra por todas as pessoas envolvidas no processo de fazer uma empresa acontecer.

Algumas frases ditas por ele aqui em São Paulo:
- Se você não falha, não vai ter sucesso.
- É preciso saber delegar – ele tem mais de 500 empresas e 100 mil funcionários no mundo.
- Escolho os mercados que entramos pelas deficiências de atendimento. Nunca pensei em ter uma empresa aérea, mas quando fui mal atendido num voo da American Airlines, percebi que havia uma oportunidade enorme na aviação. Assim com os tantos outros segmentos: trens, celular, combustível limpo, e outros. Agora estamos investindo em cruzeiros, temos 2 navios em construção.
- Se você tem boas pessoas, uma boa equipe, você vai alcançar o que deseja.
- Não sou religioso, acredito no evolucionismo e na ciência. Mas numa única vez rezei, quando achei que não ia sobreviver na viagem de volta ao mundo de balão.
- Quero fazer um hotel na Lua e levar turistas para lá.
- Consigo tomar decisões impulsivas, pois as empresas são 100% minhas, eu assumo risco total. Começamos a Virgin Galactic (viagens espaciais) sabendo que o retorno seria muito mais à frente, e já investimos mais de US$ 1 bilhão no projeto.
-  Não tenho problema com a concorrência (referindo-se à Blue Origin, que também está desenvolvendo naves para viagens espaciais para turistas).
- São os empreendedores que mudam o mundo.
- O papel dos políticos é não ficar no caminho dos empreendedores.
- De vez em quando devemos dizer: foda-se, vamos fazer.
- A joia mais preciosa do Brasil é a Floresta Tropical.
- Sou a favor da legalização das drogas. O que aconteceu na Cracolândia foi uma pena. Eu teria parado a guerra às drogas há 40 anos. É um desperdício de dinheiro público que poderia ser usado para informar e tratar dos doentes. Somente os traficantes ficam ricos do jeito que está.
- Usar a sua própria imagem para divulgar o negócio é barato e pode render umas boas risadas. Eu adoro!
- Quando tinha 40 anos, tive uma crise de meia idade e surgiu a vontade de largar tudo e ir para a faculdade (ele nunca fez faculdade). Minha mulher me disse: nem pensar! Lá está cheio de moças jovens e bonitas! Volta já para o trabalho! E assim a vontade de deixar os negócios passou.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve no Blog do Empreendedor. ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Quem quer, vai lá e faz! É uma pena que poucos querem…

5 de junho de 2017

Já me incomodei com isso, mas agora acho que é uma vantagem. Sou um oriental genérico. Apesar do hardware ser japonês e o software brasileiro, vários coreanos já me abordaram em seu idioma, e chineses em mandarim. Por isso, fiquei feliz e ao mesmo tempo impressionado quando o Carlos me abordou, deu o seu livro e deixou o seu currículo, tudo em chinês.

Isso porque, nesta semana, tive a honra de ser o mestre de cerimônias do Chinnovation 2017, um evento pioneiro co-organizado pelo In Hsieh, fundador da CBIPA (China Brazil Internet Promotion Agency), e Yan Di, country manager da Baidu no Brasil, que foi fundada para criar e fortalecer as relações entre empreendedores e investidores chineses e brasileiros.

Todos os números das startups chinesas são astronômicos. O Baidu, por exemplo, que começou como um site de buscas e atualmente é uma grande plataforma de tecnologias digitais, tem um valor de mercado de US$ 65 bilhões. Se fosse uma empresa brasileira, apenas o Itaú estaria ligeiramente à frente neste quesito. Outra empresa que se apresentou no evento foi a Didi Chuxing. Fundada em 2012, a Didi, que atua no mercado de carros compartilhados, vale US$ 50 bilhões e apenas a Uber a supera em valor de mercado no mundo no ranking das startups que ainda não abriram o capital. Mas a Didi é atualmente a maior dor de cabeça da Uber, já que não conseguiu vencê-la no território chinês, vendendo suas operações para a sua concorrente e abandonando o maior mercado do planeta. A Ant Financial também foi apresentada no Chinnovation. Fundada em 2014, a startup é a fintech, braço financeiro, de outra gigante chinesa, o Alibaba, que passou o Walmart em 2016 como a maior varejista do mundo. A Ant Financial, sozinha, é avaliada em US$ 60 bilhões, quase US$ 7 bilhões a mais do que o valor de mercado do Bradesco. Mas a China não tem apenas startups gigantescas, tem outras que são apenas enormes. A Meitu, startup que tem aplicativos de fotos, também apareceu no evento. Tendo uma base instalada de 1,1 bilhão de aparelhos celulares, deixa os 700 mil usuários do Instagram bem para trás. E mesmo as startups chinesas de pequeno porte são grandes. A Blued foi uma das últimas startups a se apresentar no Chinnovation 2017. Com mais de 30 milhões de usuários, ela é o maior aplicativo voltado para o público gay masculino do mundo.

Por tudo isso, todos os principais investidores do mundo sabem que a China é o melhor mercado do mundo para investir em startups e histórias como o de Dai Wei são cada vez mais comum. Em 2014, ele e seus amigos fizeram um trabalho de faculdade em que pensaram em um aplicativo de compartilhamento de bicicletas. Juntaram as economias e investiram US$ 22 mil para criar a Ofo. Três anos depois, sua startup já havia captado inacreditáveis US$ 580 milhões, tinha mais de três milhões de bicicletas em mais de 50 cidades, incluindo Londres e Singapura, mais de 20 milhões de usuários, atingindo o valor de mercado de US$ 2 bilhões.

E mesmo com tantas histórias assim, o Chinnovation não atraiu muitos interessados. Alguns deram uma passada e foram embora rápido como um amigo investidor. “Vim dar uma olhada, mas vou embora no almoço. Tenho algumas coisas mais importantes para fazer…”, disse.

Mas o Carlos estava lá, sentado na plateia, prestando atenção, anotando tudo. Cumprimentava todos os chineses que via pela frente e encantou o embaixador chinês com seu mandarim fluente. Na hora do almoço, Carlos conseguiu “se convidar” para o almoço fechado para convidados. Por via das dúvidas, veio com sua assistente chinesa e professora de mandarim. Ao término, abordou cada chinês, entregou uma versão em mandarim do seu livro junto com seu currículo onde havia um resumo da sua trajetória, do seu interesse em investir na China e de negócios que tem no Brasil como a Wise-Up, Mundo Verde, Topper, Rainha, Taco Bell… Tudo em chinês, é claro.

Este é Carlos Wizard Martins, fundador do Grupo Multi (Wizard, Yázigi, Skill, Apls, SOS Computadores, Microlins) vendido por R$ 1,9 bilhão para o conglomerado britânico Pearson em 2013.

Disso tudo, uma lição para mim. Muitos dizem que querem ir a eventos para buscar oportunidades de negócios. Mas naquele, eu só vi o Carlos fazendo isso.

Marcelo Nakagawa é um oriental genérico e Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper
Quer fazer, mesmo, negócios da China? Conheça o trabalho da CBIPA (China Brazil Internet Promotion Agency) em www.cbipa.com

Marido, pai e empreendedor

29 de maio de 2017

Estive refletindo bastante sobre a combinação destas várias responsabilidades do dia a dia: ser empreendedor num negócio pequeno (um trabalho de altíssima demanda de tempo), ser pai de um casal de gêmeos super-ativos de 4 anos, e marido de uma mulher com intensa atividade profissional. Não vou pretender ser um especialista. De fato, o aprendizado e a adaptação são constantes, e a pressão de todos os lados, imensa.

Vou compartilhar o que tenho aprendido, mas com um aviso: não tenho ideia se é bom ou ruim, apenas que é assim que está funcionando para mim, agora. É provável que em alguns anos, eu tenha mudado, aprendido mais e talvez até me arrependido de algumas coisas. Mas no momento, é mais ou menos assim que faço:

Não separar o trabalho e a vida pessoal
Pode parecer contraditório, mas eu acredito que separar as atividades não faz nenhum sentido. Demanda muito mais energia e trabalho cuidar de coisas separadas. Acho que é muito mais fácil integrar tudo. Isso significa que levo trabalho para casa, para trabalhar perto da família, em vez de ficar mais horas no escritório. E também significa que minha família está sempre perto do trabalho. Com minha mulher, sempre fizemos questão de morar muito perto do trabalho (mesmo que o aluguel seja mais caro), e que a escolinha seja perto também. Antes das crianças nascerem, quando eu estava em obras para montar nossa primeira loja, a minha mulher saía do trabalho, já tarde da noite, e vinha me fazer companhia enquanto eu terminava de organizar alguma questão. Quando os gêmeos nasceram, eles se integraram a esse estilo de vida com bastante facilidade e nós nos adaptamos ao novo momento sem perder o pique. Não foi fácil, mas, no final do dia, achamos nossa vida bastante interessante do jeito que é.

Assuma suas paixões
Eu amo minha família, e amo o que faço, amo meu trabalho e a equipe. Não há necessidade de ficar envergonhado por isso. E nunca me faço a pergunta de “quem amo mais”. Não há competição. Eu não comparo. Eu acho que sou uma pessoa melhor e um pai melhor justamente porque sou uma pessoa realizada com meu trabalho. Eu realmente espero que meus filhos tenham uma vida melhor se eles me virem aproveitando bem a minha vida, e a usem de exemplo para perseguir seus próprios sonhos e vontades.

Estar presente
Vou contar um caso real. Um dia eu estava com meus filhos na pracinha numa terça-feira de tarde, e enquanto eles brincavam eu respondia alguns e-mails no celular e fazia um par de ligações com negociações complicadas. Uma moça se aproximou e me recriminou dizendo que deveria estar dando atenção as crianças e deixar o estúpido celular de lado.

Eu pensei: Eu sou o único pai na pracinha nesta tarde linda, e o motivo de eu estar aqui com as crianças, em vez de estar no escritório é porque consigo comandar meu negócio através deste estúpido celular! Além do mais, todas as mães e babás também estão com seus celulares ou conversando sobre algum assunto desinteressante. E as crianças estão se divertindo maravilhosamente bem brincando com outras crianças e não precisam de um adulto atrapalhando. É claro que não falei nada disso que pensei na hora.

O ponto onde quero chegar é que é importante aproveitar de todo momento possível para dar atenção aos filhos, mas sem se sentir culpado de não poder estar presente o tempo todo. Ás vezes o bom mesmo é estar junto, dando risadas, brincar, e poder interromper por 5 minutos e depois voltar à construção do fantástico castelo de travesseiros, com o mesmo interesse. Curtir cada momento com a mesma intensidade. E, de vez em quando, até curtir não fazer nada.

Mostrar na prática o que o pai – ou mãe – faz
Uma das coisas mais importantes que meus filhos recebem como aprendizado e valores é acompanhar o dia a dia, me acompanhar ao trabalho, comer a comida que eu faço. Eles conhecem as lojas, conversam com as pessoas, me perguntam coisas do tipo: “Papai, é você quem fez esse nhoque? Está delicioso”. Vez ou outra, num domingo de manhã, quando vou trabalhar, me desejam bom trabalho.

Expliquei uma vez que papai trabalha porque gosta de trabalhar, assim como eles gostam de brincar (que é oficialmente o “trabalho” deles). Para eles e para mim, a separação de trabalho e lazer não existe. Isso me permite ser mais focado e livre.

Me dou conta que pratico muito do que aprendi com meus pais – eu já contei um pouco sobre eles na História de uma Família. O mundo mudou bastante: a família “tradicional”, em que o “homem” sustentava a casa e a “mulher” cuidava dos filhos, já era algo que meus pais nunca aceitaram, e hoje em dia é arcaico. Da mesma forma, acredito que a divisão entre vida pessoal por um lado e profissional por outro, não apenas é pouco prática, como disfuncional para os tempos atuais.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve no Blog do Empreendedor. ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Ei, grande empresa, há uma startup que quer (e vai) torná-la obsoleta

26 de maio de 2017

Por definição, todas as grandes empresas são os blockbusters dos seus setores. E só com este spoiler, você sabe como essa história vai acabar.

Nem todos conhecem o impacto que o filme Apolo 13 teve para a indústria cinematográfica, por isso vale a pena contá-lo. Em 1997, Reed tinha 37 anos e morava em Scotts Valley, uma pequena cidade no estado da Califórnia, quando ficou estarrecido com a multa que teve que pagar para a locadora de vídeos Blockbuster: quarenta dólares só porque tinha se esquecido de devolver a fita VHS do filme Apolo 13, protagonizado por Tom Hanks e que todos que o assistiram só se lembram da sua mítica frase: Houston, we have a problem.

Quarenta dólares era um valor abusivo. Daria para comprar diversas fitas novinhas de Apolo 13, pensou Reed. Eles só faziam isso porque eram a Blockbuster e dominavam o mercado. Não havia outra opção senão pagar o valor ou ficar sem os lançamentos e seus filmes preferidos.

Mas em 1997, uma nova tecnologia de armazenamento de vídeos estava sendo lançada nos Estados Unidos. Era cara, mas trazia uma qualidade jamais vista pelas pessoas em suas residências: o DVD. Reed começou a conversar com seu amigo Marc Randolph sobre a possibilidade de criar um negócio de aluguel de DVD pelo correio em que o cliente poderia ficar muito tempo com o filme ou mesmo tê-lo para sempre caso quisesse ou se esquecesse de devolvê-lo. E, assim, alguns meses depois, em abril de 1998, Reed Hastings e Marc lançaram o Netflix.com, cobrando míseros quatro dólares de aluguel de um DVD que poderia ficar com o cliente durante sete dias. Além de receber em casa, bastava o cliente deixar o DVD no envelope original (que já vinha selado) na caixa de correios da sua residência, que o serviço postal cuidava da devolução. Depois de 48 horas do serviço ter sido lançado, o site travou diante de tantos acessos. E o resto da história do Netflix todos conhecem.

Mas o fato da Blockbuster ter sido responsável pela criação do Netflix não é o mais irônico. Em 2000, Hasting contatou John Antioco, na época CEO da maior rede de locação de fitas de vídeos do mundo, para tentar vender a Netflix por US$ 50 milhões. Naquele ano, a Blockbuster iria alcançar um faturamento recorde de US$ 5 bilhões, o que tornava Antioco um dos mais respeitados executivos do mundo. Antioco declinou a proposta de Hasting alegando que o nicho de mercado que a Neflix atuava era pequeno demais e que a Blockbuster poderia entrar neste mercado no momento que quisesse.

Mas dizer que o mercado do Netflix era insignificante não foi sua frase mais importante naquele ano. “Por qualquer indicador, 2000 foi o melhor ano da Blockbuster. A partir da força do ano 2000, nós estamos confiantes de que continuaremos a gerar um crescimento sólido em 2001 e nos próximos anos liderados pelo sucesso contínuo da nossa rede de lojas físicas”, disse Antioco. Dez anos depois, enfrentando prejuízos em vários anos seguidos, a empresa arrasa-quarteirão estava arrasada, pedindo concordata e finalizando suas atividades em quatro anos. E mesmo nos anos finais, Antioco ainda não entendia a surra que estava levando: “Nós temos tudo que a Netflix tem…”, bradava em 2007.

E agora, o filme Blockbuster é refilmado com diferentes personagens em diferentes setores e indústrias com o mesmo enredo já definido pelo Prof. Clayton Christensen em seu livro Dilema do Inovador publicado, curiosamente, também em 1997. Para Christensen, grandes empresas deixam as grandes inovações passarem porque:

- Ouvem seus clientes! E clientes nunca pedem inovações que nem sabem que poderiam existir.
- Calculam detalhadamente o tamanho do mercado e seu crescimento! E o mercado para inovações é sempre obscuro no início.
- Investem onde o retorno é mais alto! E inovações sempre implicam em grandes riscos e incertezas que impactam negativamente nas estimativas de retorno.
- Dominam grandes mercados! E se a empresa já é líder no seu setor, o que mais ela quer ser?

Por isso, “a maioria das ideias dos empreendedores parecerá maluca, estúpida e inviável financeiralmente… até que eles a transformam em realidade”, diz Reed Hastings. Mas, aí, já pode ser tarde para a blockbuster daquele setor…

Marcelo Nakagawa é professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Brasil, o pais do futuro

22 de maio de 2017

A questão que realmente ocupa meus pensamentos agora é como recuperar o rumo DEPOIS da crise – isso considerando que a crise passe ANTES de quebrar a todos, né? Acredito que vale a pena abrir esta discussão franca e iniciar a troca de ideias convergentes. Não existe, no Brasil, um plano e nem exemplos a serem seguidos, nos indicando o que fazer numa situação assim. Vamos ter que inventar.

Sem dúvida que não é mais questão de empresários ou trabalhadores, isolados, falarem sobre emprego ou economia. Tampouco vejo sentido em seguir diretrizes dos políticos, se eles continuarem separados do resto de nós, apenas pensando no próprio benefício. E acredito que, acima de tudo, não é momento para recriminações.

Seria o momento, agora, de toda a sociedade conversar sobre como encontrar um caminho razoável para todos – sem dúvida com muita austeridade – e com uma visão de curto e médio prazo que seja efetivamente realizável. Fugir das promessas fáceis de esquerdas e direitas será o primeiro grande desafio. O Chapolin Colorado não vai vir nos salvar.

Veja bem, já não somos colônia há um bom tempo. Já estamos integrados num mundo interconectado e livre. Somos bastante esclarecidos – e quando não, temos o GOOGLE pra consultar. Então não podemos mais apelar para a velha desculpa de sermos vítimas ou ignorantes de nossos males. Temos que assumir definitivamente que nossos políticos nos defraudaram, e voltarão a nos defraudar se pensarmos neles pelo que não são: salvadores. Os políticos são apenas a média perfeita de todos nós. Ou seja, se a gente não mudar, nossos políticos não mudarão.

Individualmente eu e você podemos pensar que os erros não são nossos, são dos outros, e todo esse papo que muita gente fala para se sentir melhor. Mas o fato é que, como sociedade, nossa opinião individual é subordinada à grande média. Vamos avançar e prosperar na velocidade que nossa parte mais lenta conseguir. E não vejo muito eficiência em ficar sentado e reclamando disso.

Eu, que acredito basicamente no trabalho, no Estado mínimo, e na maioridade do Brasil, penso que é urgente encarar nossos erros e recomeçar pragmaticamente a partir do que temos em mãos. O que não é pouca coisa, se juntarmos todos os cacos e tudo o que temos espalhado e desperdiçado por aí. Um pouco de boa vontade de todos seria um bom começo.

Mas o que fazer? Talvez buscar inspiração no Japão pós-guerra, na Alemanha pós-guerra. Ou até mesmo na Irlanda e na Espanha pós-crise de 2008. O que os cidadãos desses países, em sua grande maioria, fizeram? Começaram a trabalhar. Em qualquer coisa – pois qualquer coisa é um avanço melhor que nada. E os políticos foram mudando também, foram sendo trocados, acompanhando as motivações da sociedade. Então acho que devemos trabalhar pensando não mais em nós mesmos (pois talvez nossos melhores anos já foram perdidos). Acho que devemos trabalhar para que a geração que virá depois tenha uma chance melhor que a nossa. Será nosso legado. Humilde, simples, pobre. Mas que seja honesto.

Porque de desonestidade estamos fartos.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve no Blog do Empreendedor. ivan.primo@pastificioprimo.com.br