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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Use sua chance!

27 de dezembro de 2016

Vai começar um novo ano, uma nova etapa, uma nova contagem, uma nova chance. Uma de minhas principais crenças sobre negócios é a de que, antes de mais nada, precisamos de pensamento positivo para fazer qualquer coisa dar certo. Isso se manifesta particularmente nesta época do ano, em que, depois de contabilizar ganhos e lamber as feridas do ano que passou, tomamos fôlego para as batalhas que estão por vir.

Por isso, compartilho uma canção do Lenine que me serve como mantra – alimento para a alma –  que me faz ferver o sangue, arrepiar, me faz sentir o valor de FAZER – em vez de esperar – ou lamentar. Grite bem alto, vista a música como uma armadura contra os medos e a paralisia. Vamos em frente!

Do It / Lenine

Tá cansado, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, aguenta
Se pediu, aguenta

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance

Se tá puto, quebre
Tá feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Pra moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta

Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
E se ta frio, esquenta
Se ta fora, entra
Se pediu, aguenta
Se pediu, aguenta

E quer dever, prometa
Pra moldar, derreta
Não se submeta…

E se ta mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure

Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom melhora

E se frio, esquenta
Se ta fora, entra
Se pediu aguenta
Se pediu aguenta

Confere o vídeo aqui e um 2017 cheio de coisas boas!

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve toda semana. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

10 startups que podem ajudar a aumentar a sua renda em 2017

26 de dezembro de 2016

 

Infelizmente o ano de 2017 não será fácil para uma grande parcela dos brasileiros. Mesmo que consiga manter o emprego no próximo ano, o aumento do custo de diversos itens do dia-a-dia vai, invariavelmente, se chocar com a manutenção ou até a redução da renda de cada um. A expectativa é que o desemprego continue a crescer, pelo menos no primeiro semestre do próximo ano. E esta tendência só complica a situação de quem está em busca de uma vaga de trabalho.

Neste contexto, uma nova geração de startups tem sido uma boa alternativa para complementar ou mesmo ser a principal fonte de renda para um número crescente de pessoas. A Uber tem sido um bom exemplo, não só pela qualidade do serviço prestado, mas também por criar um novo mercado de prestadores e consumidores de serviços oferecidos diretamente de pessoas para pessoas sem laços anteriores de relacionamento.

Nesta nova abordagem de negócios que geram renda para milhares de pessoas, o que vale é a reputação obtida por quem presta um serviço de excelente qualidade de forma recorrente. Assim, se você for uma pessoa séria e realmente comprometida em prestar um serviço de alta qualidade, as startups apresentadas a seguir podem ser muito úteis para aumentar a sua renda no próximo ano.

1. AirbNb
Se tiver, pelo menos, um cantinho para receber um hóspede na sua casa, deveria, pelo menos, conhecer o Airbnb. Perceberá que há espaços muito parecidos com o que você tem. A única diferença é que o site manda o seu pessoal para o local para tirar fotos mais bacanas. Muitos já perceberam que o Airbnb é um excelente negócio a ponto de alugar imóveis somente para disponibilizá-los desta forma.

2. Apptite
Todo mundo tem uma receita que se orgulha, mesmo que seja um ovo frito. No Apptite você monta seu mini restaurante delivery na sua casa com os pratos que melhor cozinha e vende para sua vizinhança. E mesmo quem diz que não sabe cozinhar, se treinar, vai conseguir fazer a melhor feijoada light da região e em poucos dias já estará cheio de orgulho com o sucesso no bairro.

3. Carlicity
Se tem um automóvel, talvez já tenha pensado em ganhar dinheiro com o Uber, Cabify ou 99Top. Mas no Carlicity é possível transformar o seu veículo em um outdoor ambulante e ganhar dinheiro com isso. Talvez o carro não fique exatamente bonito, mas pagando bem, que mal tem?

4. Casa e Café
O Casa e Café é a maior plataforma de trabalhos domésticos do Brasil. Pode ser uma boa opção para quem tem interesse em gerar renda atuando como diarista, faxineira, cozinheira, motorista, entre tantas opções que o serviço oferece.

5. Click Babá
Nos Estados Unidos é muito comum vizinhos ou pessoas que moram próximas ganhando algum dinheiro trabalhando como babás em residências da região. No Brasil, isto é menos comum. O Click Babá quer mudar isto facilitando o trabalho dos país em encontrar uma babá de confiança e, de preferência, que resida bem próximo, principalmente para o caso das emergências de última hora.

6. DogHero
Todos sabem que o mercado de animais de estimação vem crescendo muito, apesar da crise. Com isto também aumenta a demanda por cuidadores e locais que recebam estes animais no caso de viagem dos donos. Se gosta de pets, não só vai ganhar dinheiro com o DogHero, mas também vai se divertir muito.

7. Elo7
Se tem algum talento com trabalhos manuais e artesanatos e ainda não conhece o Elo7, está perdendo tempo. O site conecta artistas e artesões com quem precisa comprar algo diferente para si, um presente mais pessoal, lembrancinhas para algum evento ou mesmo brindes bacanas para os clientes da empresa.

8. Eu Entrego
Ideia mais simples não há. O EuEntrego conecta pessoas e empresas que precisam que algo seja entregue ou retirado com pessoas dispostas a fazer este serviço. Assim, qualquer um pode ganhar dinheiro se tornando um mini negócio de entregas expressas.

9. Get Ninjas
Apesar do GetNinjas oferecer serviços residenciais e de assistência técnica, o site também permite que profissionais com carreira executiva também aumentem sua renda por meio de serviços de consultorias, aulas e projetos.

10. Quem cuida
Além de oferecer opções para aumentar a renda sendo babá, o Quem Cuida também oferece uma opção de geração de renda cuja demanda vem crescendo fortemente nos últimos anos: cuidador de idoso. Se já tiver ou buscar capacitação nesta área, a chance de ser contratado quase que imediatamente é muito alta.

Sei que 2016 não foi um ano fácil e que o próximo ainda será muito difícil. Mas apesar de tudo o que temos observando com as corrupções, atrocidades e irracionalidades, é preciso continuar a caminhada, trabalhando muito e fazendo o que for possível para vivermos bem fazendo bem o bem.

Boas festas!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

É semana de Natal

19 de dezembro de 2016

A vontade de celebrar os amigos, as pessoas queridas, os bons momentos. O desejo de uma vida melhor, a busca de prosperidade, compartilhar a felicidade. Me ocorreu de fazer uma lista de livros para dar de presente a um empreendedor, para ajudar a manter o foco e a perseverança. Leituras que foram marcantes na minha vida, e que talvez possam inspirar outros – no começo ou no meio da jornada de empreender:

A Emoção e a Regra, Os Grupos Criativos na Europa de 1850 a 1950, de Domenico de Masi

Por que ler: para tentar entender o momento mágico que uma ideia genial surge. O livro analisa como surgiram as estratégias e as formas de organização que tornaram possível treze casos extraordinários de idealização coletiva, mostrando como esses grupos conseguiram conciliar aspectos aparentemente díspares, sem abrir mão da eficiência. Eu pessoalmente sou apaixonado pelas histórias da Casa Thonet, do grupo de intelectuais da Bloomsbury, e da Bauhaus. Sou fã do Domenico Di Masi – o meu livro é autografado.

Perdendo a Minha Virgindade, de Richard Branson

Por que ler: um mestre de aproveitar oportunidades e quebrar as regras. O livro conta tudo, sem pudores, com muito sexo, drogas e rock. Da passagem pela cadeia por contrabandear discos, ao ato heroico de colocar um avião 747 da Virgin a buscar reféns em zona de conflito – sem seguro! Sir Richard Branson criou a marca Virgin e montou um grupo de presença global, sem sede central, sem hierarquia de comando e com um mínimo de burocracia. Ele conta os erros e as vitórias, tudo com muito humor.

Sonho Grande – Como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira Revolucionaram o Capitalismo Brasileiro e Conquistaram o Mundo, de Cristiane Correa

Por que ler: é a história de maior sucesso mundial do jeito brasileiro de empreender. O que mais me fascina deste livro é a descrição da parceria e amizade ao longo de tantos anos dos 3 sócios, que juntos construíram este império. Jogo duro, competitividade, ganhos e perdas, e um maravilhoso senso de camaradagem e respeito, que os mantém unidos.

Kiss or Kill – Confessions of a Serial Climber, de Mark Twight

Por que ler: não tenha medo de ser radical. É uma coletânea de relatos em primeira pessoa de um dos escaladores de montanha mais radicais – e bem-sucedidos – de todos os tempos. A vida crua de Mark Twight sem meio termo: musica punk, opinião sem filtro, paixão pelo esporte e lições autênticas de como superar a perda – de amigos, de sonhos, de relacionamentos, de montanhas – e seguir em frente. Apesar de ser um livro de 2002, ainda não tem tradução em português, o que é uma pena.

 

Como o Rock Pode Ajudar Você a Empreendeder, de Daniel Fernandes e Marco Bezzi

Por que ler: mostra que o mundo do rock e o mundo dos negócios tem muito em comum. O surgimento de uma banda de sucesso passa por muitos caminhos similares ao de uma empresa: começa com uma ideia, um grupo de pessoas, e muita força de vontade. Mas não é apenas isso. Também tem as dificuldades de manter uma banda de sucesso tocando, e o que acontece quando a banda acaba, com os conflitos de sócios / colegas de estrada. Uma forma diferente de abordar e ensinar empreendedorismo.

 

Gerenciando Os Ciclos de Vida das Organizações, de Ichak Adizes

Por que ler: para saber antes tudo o que vai acontecer na vida de uma empresa. Desde que recebi o livro de presente, lá por 2005, eu considero esta minha leitura preferida como empreendedor, o meu manual do escoteiro mirim, que leio e releio. O livro de Adizes aborda todas as etapas de uma empresa, desde o surgimento até a plenitude, fazendo um paralelo muito interessante da vida da empresa com organismos vivos. Ou seja, ao longo da vida, as empresas sofrem mudanças que revelam padrões de comportamento previsíveis, e que em cada estágio se manifestam problemas de transição que a organização precisa aprender a superar. Temos as fases de namoro , infância, toca-toca, adolescência, plenitude, estabilidade, aristocracia e burocracia e Morte. Imperdível.

Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter

Por que ler: a teoria do quadrante de fluxo de caixa. Por muitos considerado um livro bobinho, para mim foi o marco inicial de minha educação financeira, e que me definiu como empreendedor (até então eu não sabia que eu era um). O livro trata, o tempo todo, da comparação da filosofia de investimento entre o pai do Robert, funcionário público – o pai pobre – e o mentor – o pai rico- um empreendedor.

A incrível viagem de Shackleton, de Alfred Lansing

Por que ler: se esse cara sobreviveu a isso tudo, você também pode! Era 1914 (ano do início da primeira guerra mundial), e uma expedição que pretendia cruzar a Antártida a pé fica perdida – e esquecida – no gelo. O livro conta a jornada de Sir Ernst Shackleton, explorador e aventureiro, e de como ele transformou uma viagem de exploração em uma ,missão de sobrevivência. O objetivo da viagem mudou para “salvar todos os homens”. Administrando poucos recursos, pessoas difíceis, num dos ambientes mais inóspitos da terra. E ele conseguiu! Após 2 anos e mil périplos. Qual Ulisses moderno. Não é a toa que o navio dele se chamava Endurance (resistência). Salvou todos. Uma lição de liderança e da capacidade humana de superação.

Aos empreendedores e simpatizantes que acompanham este blog: estamos encerrando um ano difícil, e sabemos que o futuro é ainda mais incerto. Vamos precisar de muita força e inspiração em 2017. Tomara que a leitura ajude. Feliz Natal!

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve toda semana. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Para o seu próprio bem, as empresas deveriam valorizar os mais velhos

16 de dezembro de 2016

“Eu não tenho medo de morrer…” – diz minha mais que colega, minha amiga de trabalho. “Tenho medo sobre como vou morrer…”. Dona Áurea, como a chamamos, é vitalidade, bom humor e resiliência em todos os sentidos. Ela não gosta de falar da idade, mas acho que viu o Brasil ser campeão em todas as Copas. Já não precisa da remuneração do trabalho há muito tempo, mas cumpre sua jornada diária porque gosta muito do que faz. Mas isto não a impede de apreciar um bom restaurante, jogar cartas com os amigos, postar novidades no seu Facebook, ir para a praia de tempos em tempos e ser viciada em tênis. Não conheço alguém que goste mais de tênis do que a Dona Áurea. Até hoje não sei se é por causa do esporte ou dos tenistas. Mas seja o que for, ela está certíssima. Dona Áurea sempre está certa. Errados estão os outros que se acham inválidos por causa da idade.

Mas a Dona Áurea é uma exceção no Brasil. Enquanto em outros países como no Japão, Coréia do Sul ou mesmo nos Estados Unidos é absolutamente normal idosos trabalharem, no Brasil a pirâmide etária organizacional está se achatando cada vez mais. Se não trabalhar em um órgão público, notará o predomínio da faixa de 20 a 30 anos e depois uma drástica redução nas faixas posteriores até ter dificuldade em citar pessoas com 50 a 60 anos. Mas isto ocorre menos pela vontade dos profissionais mais experientes e mais pela métrica financeira da margem crescente de lucros. Daí a intensa juniorização no quadro de colaboradores das empresas. Isto é ótimo para a juventude “que tem resposta para tudo” que entra no mercado de trabalho, mas algo cada vez mais preocupante para os “entas” (40, 50, 60) que lutam para manter seus crachás e sobrenomes corporativos.

Além disso, muitos idosos, talvez até já aposentados, precisam complementar sua renda. Neste ano, uma empresa de Curitiba anunciou a vaga de secretária com remuneração de R$ 1.200,00, mas dizia que tinha interesse em candidatos com idade mínima de 60 anos. A empresa entendia que candidatos com este perfil tinham mais paciência, eram mais comprometidos, além de ter experiência. Recebeu 1.700 currículos de cinco estados brasileiros. O IBGE estima que cerca de, pelo menos, 220 mil idosos estejam nesta situação. E o que mais assusta é que esta demanda vem crescendo 60% nos últimos quatro anos.

Este cenário assustador para todos nós que, invariavelmente, envelhecemos, tem mostrado alguns alentos (que estão longe se ser comemoráveis), mas que servem de exemplos para a importância dos profissionais mais experientes em trazer mais do que conhecimento, rede de relacionamento ou vontade real de trabalhar. Estes profissionais trazem mais serenidade, sabedoria e tem mais compromisso com a empresa, com as pessoas, principalmente clientes. E o principal, estes idosos tornam a empresa mais humana.

Muitas empresas já criaram programas de contração de profissionais mais experientes. Agora, inspirados no filme “Um Senhor Estagiário”, em que Robert De Niro representa um senhor de 70 anos que arranja uma vaga em uma startup e a revoluciona a partir da (re)descoberta de aspectos verdadeiramente humanos como a compaixão, a ética, o compromisso, a organização, o senso de equipe, a curiosidade em aprender e principalmente o amor fraternal pelas pessoas, várias novas empresas também estão interessadas em trazer um estagiário sênior para suas equipes.

Um dos grandes responsáveis pela valorização dos profissionais mais experientes é o empreendedor Mórris Litvak Jr. Ele fundou a startup MaturiJobs, a primeira plataforma brasileira que só conecta pessoas com mais de 50 anos com empresas que buscam este perfil, mas que também incentiva um número maior de organizações e em mais setores a também valorizarem não só a experiência, mas a sabedoria que só vem com a idade.

Para o nosso próprio bem, incentive e divulgue a valorização daquilo que é o futuro de todos nós. E viva como não ficasse velho nunca, pelo menos esse é o conselho da Dona Áurea. Já que você não pode escolher como vai morrer, pelo menos escolha como vai viver.

E viva a vida, Dona Áurea!

Marcelo Nakagawa é Head de Empreendedorismo da FIAP

A localização importa para o negócio

14 de dezembro de 2016

Estamos chegando ao final de um ano atribulado e, apesar de alguns setores terem se mantido em crescimento – o e-commerce é um deles – os impactos da desaceleração econômica são visíveis – principalmente o desemprego. Os novos prefeitos, que tomarão posse em janeiro de 2017, terão muito trabalho pela frente diante desse cenário nacional, mas, poderão fazer a diferença para incentivar o empreendedorismo e aquecer os negócios em suas cidades se tomarem decisões para reduzir a burocracia e as barreiras enfrentadas por empreendedores.

A esfera municipal tem um papel importante a contribuir para a mudança no pano de fundo do atual cenário econômico brasileiro. Um estudo divulgado pela Endeavor no mês passado, o ICE 2016 -Índice de Cidades Empreendedoras – mostra quais são as melhores cidades do País para empreender e aponta direções para que os novos prefeitos tornem suas cidades atrativas para o empreendedorismo. Esta é a terceira edição do estudo que, como no ano passado, analisou 32 cidades brasileiras tendo como base 60 indicadores distribuídos em sete pilares: Ambiente Regulatório, Acesso a Capital, Mercado, Inovação, Infraestrutura, Capital Humano e Cultura Empreendedora.

Já sabemos que a região Sudeste é uma das mais aquecidas do ponto de vista de iniciativas empreendedoras, pois sedia o maior número de empresas, universidades e conta com a maior infraestrutura de logística do país. Neste ano, a capital paulista e as outras quatro cidades do interior do estado que foram analisadas pelo ICE (Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e Sorocaba) se destacaram entre as 10 mais empreendedoras. São vários os aspectos que devem ser analisados pelo empreendedor na hora de escolher a cidade que abrigará a sede do seu negócio, seja ele online ou offline. Vale destacar os quatro mais importantes – de maior impacto econômico para o negócio: o ambiente regulatório, a estrutura logística, a oferta de mão de obra especializada e a oferta de tecnologia.

As exigência regulatórias, assim como os aspectos tributários, variam de cidade para cidade. É comum se ouvir dizer que determinada empresa migrou seus negócios de uma cidade para outra, ou até mesmo de um estado para outro, com o objetivo de reduzir custos de impostos. É indispensável para o empreendedor conhecer seus deveres e seus direitos como pessoa jurídica em sua cidade sede para avaliar os impactos disso sobre o seu negócio. Da mesma forma, a estrutura logística da cidade precisa ser avaliada.

Além da localização em si – proximidade com os principais fornecedores e acessos a rodovias para a entrada e saída de mercadorias – é preciso saber qual a abrangência de serviços de entrega disponíveis, como o dos Correios, por exemplo. Isso é determinante para a precificação dos produtos, para o atendimento dos clientes e, consequentemente, para a lucratividade do negócio. Contar com mão de obra qualificada também é essencial para o sucesso de uma empresa, afinal, a força de trabalho é a responsável pela qualidade do serviço prestado ao cliente.

A estrutura de educação oferecida pelas cidades é determinante nesse aspecto. A oferta de boas escolas e de boas universidades impacta diretamente na disponibilidade de bons profissionais na cidade e na região.

E, por fim, a possibilidade de acesso à tecnologia também precisa ser levada em conta na hora de escolher a cidade sede para o seu negócio. Isso está diretamente ligado à capacidade de inovação já que, atualmente, a maior parte dos segmentos de negócios depende de tecnologia em algum momento – seja na produção ou na oferta de produtos e serviços. Diante disso, o incentivo das prefeituras à pesquisa e desenvolvimento é, sem dúvida, um aspecto importante.

O estudo da Endeavor traz diversas outras informações sobre esses e outros aspectos importantes que devem ser analisados por um empreendedor na hora de escolher a cidade sede para o seu negócio. Vale a pena conhecer o estudo completo e, quem sabe, compartilhá-lo também com o novo prefeito da sua cidade.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Mães empreendedoras

12 de dezembro de 2016

Anna Gibson e Philippa Gogarty são duas amigas inglesas que se uniram para empreender em 2004, e construíram uma empresa de faturamento milionário ao mesmo tempo que não abriram mão de cuidar pessoalmente dos filhos.

A empresa que elas fundaram se chama Micro Scooters e vende patinetes de duas e três rodas. É estimado que mais de 1 milhão de crianças até 12 anos já usaram os patinetes da Micro Scooters. E o negócio segue crescendo e ficando cada vez mais popular.

O começo foi quando Anna, advogada, comprou ao filho Edwark, com 18 meses na época, um patinete de três rodas. Outras mães e filhos quiseram também, e ela decidiu começar a vender, junto com a amiga Philippa. Encomendaram 4 unidades ao distribuidor na Grã-Bretanha: uma para o filho de Philippa, Thomas, e três para revender. Venderam todos rapidamente, pediram mais, e para resumir a história, venderam 70 no primeiro ano, anunciando em cafés e pubs do bairro.

Em algum momento, o distribuidor desapareceu, e Anna contatou diretamente o fabricante, uma empresa suíça chamada Micro Mobility Systems, e encomendou 48 patinetes para atender a demanda que tinha. O fabricante sentiu o potencial das duas mães e as convidou para ir a Zurique, na sede da empresa. Mesmo sem nenhuma experiência prévia em negócios, elas saíram de lá com a representação para a Grã-Bretanha. Elas ainda contribuíram com algumas dicas certeiras como, por exemplo, encomendar patinetes cor de rosa, pois até então eram todos pretos ou cinza escuro.

Anna e Philippa se conheceram quando grávidas, ao frequentar o mesmo consultório médico, ambas esperando o segundo filho. “Viramos amigas, temos filhos da mesma idade e compartilhamos os mesmos interesses”, conta Anna. Mãe de Edward (16), Will (14) e Jack (12), diz que “tudo o que sabíamos na época, como mães, é que os patinetes eram sensacionais e não havia nada similar no mercado, nada que uma criança dessa idade pudesse ter tanta independência e liberdade, ao mesmo tempo que ajuda com a mobilidade e coordenação motora”. Philippa, mãe de Georgia (21), Tom (16) e Dominic (14), trabalhava no mercado financeiro antes de ser mãe em tempo integral. Ela diz que “não sabíamos nada de distribuição de produtos, o negócio não teria sobrevivido a tantas pressões e inexperiência se nós não fossemos de fato grandes, grandes amigas, que levamos nossas crianças na praça para brincar juntas e compartilhamos o mesmo senso de humor”.

De repente, com o contrato com os suíços garantido, elas tiveram que pensar em varejo, revenda, estratégia, marketing, logística, preços, contabilidade, importação, e todas essas coisas. Isso sem contar levar as crianças na escola, atender clientes e encontrar um lugar onde instalar um depósito e escritório, sem abrir mão de serem mães em tempo integral.

Por exemplo, uma vez esqueceram que um importante fornecedor vinha a uma reunião, então improvisaram a conversa de última hora enquanto davam o lanche da tarde para cinco crianças, no meio da sala de reuniões, com os pequenos demandando coisas. Ofereceram ao convidado um sanduíche.

A empresa atualmente emprega 35 pessoas e fatura 15 milhões de libras por ano (aproximadamente R$ 64 milhões). Mas isso não parece impressionar Anna e Philippa, que se consideram, acima de tudo, mães. Em época de férias evitam reuniões, e toda a empresa gira ao redor dos cuidados com a família.

Toda essa história parece exemplar  – não só para as mulheres, mas também para os homens – sobre como é possível ser bem-sucedido nos negócios sem relevar a família ou os filhos. Aliás, as vezes família e filhos são justamente a nossa inspiração para um empreendimento. E a nossa fonte de energia para tocá-lo em frente.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Por que a intolerância é (cada vez mais) um grande mercado

9 de dezembro de 2016

Não é barato, mas o Eataly é uma experiência gastronômica incrível. De origem grandiosa em Turim na Itália, se tornou ainda mais famosa quando abriu sua loja Nova York e depois desembarcou lotada em São Paulo em 2015. Quem visita suas lojas fica maravilhado com os alimentos ali comercializados. Queijos, chocolates, risotos, sorvetes, pizzas e outros produtos que estão, literalmente, entre os melhores do mundo. Pipocas cobertas com chocolate belga, doce de leite de Viçosa, massa com o molho (legítimo) quattro formaggi. É um parque de diversões para quem ama a gastronomia como eu. Só que não. Não chega a ser um pesadelo, mas um martírio para quem tem restrição à lactose.

Por isso, meu desânimo deve ter ficado nítido quando pergunto se no risoto al limone vai leite. Leite, não, responde a hostess, mas vai queijo. Mas, completa rapidamente, podemos fazer com só com azeite.  Azeite? Como é no Eataly, confiei na dica. Vem o garçom e eu começo a explicar que tenho restrição à… lactose, ele completa. Diz em seguida que o número de pessoas com restrições alimentares tem crescido muito. Talvez para me consolar, imagino. “Então sem queijo e sem manteiga?” – pergunta. Confirmo, lembrando que também vai manteiga na receita do risoto. Devo ter demonstrado minha desconfiança em um risoto sem queijo ou manteiga. Mas o garçom, gentil, sorri e comenta que iria gostar muito, antes de anotar o pedido e deixar mesa.

Depois que descobri que tenho intolerância à lactose neste ano, comecei a notar que para quase todos os produtos que contêm leite, há empresas lançando versões sem lactose. Mesmo marcas que atuam com larga escala como Nestlé, Vigor ou Danone também estão investindo no mercado.

Pesquisando um pouco mais, descobri que há relatórios que apontam que cerca de 30% dos brasileiros sofrem com este problema. Outras fontes indicam que até 70% das pessoas vão ter este problema algum dia. Isso abre uma enorme oportunidade não só para grandes empresas, mas também empreendedores que têm interesse em produzir e comercializar alimentos para pessoas com alguma restrição alimentar, incluindo outras como glúten ou mesmo sal, açúcar ou gorduras.

Estas oportunidades não se resumem a negócios exclusivos para esses públicos, mas para qualquer outro negócio de alimentação, da loja de sucos da esquina ao restaurante mais sofisticado, da vendedora de brigadeiros ao fabricante de queijos finos, do comerciante de churros à empresa de paletas mexicanas, todos podem incluir versões ou opções para públicos intolerantes que chegam a pagar 10% a 25% a mais por esta regalia.

Enquanto penso nisso, chega o meu risoto al limone à base de azeite. E não é que é muito bom? Tão bom que nem reclamo que a tal salada que constava no cardápio de rúcula com beterraba eram três folhinhas verdes e dois fiapos bordôs compridos. Mas os quase dois copos de suco integral de uva e a sobremesa compensavam os R$ 38 que iria pagar.

Por isso, fui feliz para a sobremesa que vinha na opção do cardápio completo. Descubro que é uma tortinha de chocolate com avelã. “Vai leite?” – pergunto. “Sim…” – responde a moça enquanto sai para atender outro cliente. Penso em desistir. Mas como resistir àquela torta de chocolate com avelãs (inteiras) me olhando? Ainda bem que minha intolerância é pequena…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper.

Lacunas do comércio online: oportunidades para empreender

7 de dezembro de 2016

Cada vez mais pessoas estão comprando online e o resultado do e-commerce na recente Black Friday, data promocional realizada na semana passada, comprova isso: R$ 1,9 bilhão em venda, um crescimento de 17% em relação a 2015, segundo a Ebit. Porém, ao analisar o varejo online um pouco mais de perto é possível perceber que há muito espaço para crescer.

A representatividade do e-commerce no varejo brasileiro ainda é pequena – apenas 4%. Além do aumento no número de pessoas acessando a internet – com os smartphones isso ficou muito mais fácil e rápido – outro aspecto importante para o crescimento e fortalecimento do e-commerce é a ampliação da oferta.

Já é possível comprar praticamente tudo pela internet, mas há setores com participação tímida – um indicativo de oportunidade para quem deseja empreender. Isso ocorre principalmente no segmento de bens não duráveis – produtos de supermercado e padaria, por exemplo. Uma pesquisa realizada pelo Mercado Pago, empresa de meios de pagamentos online, com 600 internautas que já fizeram ao menos uma compra pela internet, revelou que 71% deles nunca compraram bens não duráveis pela web. Sobre os motivos, 55% afirmaram que poucos supermercados oferecem o serviço ou que sua rede preferida não o disponibiliza. Já, 34% disseram desconhecer a oferta online desses produtos e 30% apontaram o valor do frete como fator desestimulante. As respostas eram de múltipla escolha e esses foram os principais motivos apontados pelos entrevistados.

Isso mostra que há demanda! E há espaço para os supermercados e demais comércios de bens não duráveis aumentarem a oferta de produtos pela internet. O e-commerce é um segmento promissor no Brasil e a tecnologia necessária para os supermercados atuarem nesse canal está disponível. Claro que vender e entregar livros, moda e peças automotivas, por exemplo, é muito mais fácil do que legumes, frutas e pães. Não é à toa que os bens não duráveis são a minoria no portfólio do e-commerce. Mas, é diante do desafio que surgem ideias inovadoras e grandes negócios. A demanda está aí, esperando para ser atendida.

A pesquisa também trouxe alguns inputs sobre o comportamento daqueles que afirmaram já terem feito compras em supermercados online (29% dos entrevistados). A maior parte das vendas virtuais em supermercados (43%) possui um tíquete médio acima de R$ 200,00. Já, 26% somam entre R$ 101,00 e 200,00; 17% entre R$ 50 e R$ 100; e 14% menos de R$ 50.

Quanto à frequência, 16% afirmaram que fazem compras de uma a três vezes por mês – o mesmo percentual de pessoas que disseram comprar uma vez por mês; 13% adquirem algum produto uma vez por bimestre; 4,27% uma vez por semana; e 3,42% compram bens não duráveis pela internet mais de uma vez por semana. A forma de pagamento mais utilizada pelos compradores online é o cartão de crédito (59,3%), seguido de boleto (51,7%). A maioria das compras (80,5%) é feita por meio de computadores e notebooks, enquanto os smartphones são responsáveis por 33,9% delas.

Também no caso dessas questões, os respondentes podiam escolher mais de uma alternativa para resposta. Mas, e os 71% que afirmaram nunca terem feito uma compra de bens não duráveis na web, o que os faria mudar de ideia? A pesquisa, também com indicações de múltipla escolha, apontou: melhores preços (65,5%), frete grátis (59%), a presença de mais redes de supermercados na internet (30%) e poder receber e ver o produto antes de pagar (25%). A conclusão que temos diante disso é: o consumidor, principalmente o da geração Millenium – nascidos a partir de 1980 – sabe o que quer e está ávido por desfrutar da facilidade e do conforto da compra online, independentemente do produto a ser adquirido.

 

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Hora de sair da toca!

5 de dezembro de 2016

Reza a Wikipedia que para os Chineses, a palavra CRISE (危机) pode significar ao mesmo tempo “perigo” e “oportunidade”. No Pastifício Primo levamos esse assunto muito a sério e decidimos lacrar 2016 com uma ousadia proporcional à crise que estamos passando, e abrimos duas novas operações ainda este ano: uma loja física nos Jardins e uma loja virtual com vendas para todo o Brasil.

O Pastifício dos Jardins abre na primeira quinzena de dezembro no número 43 da Alameda Tiete, quase na esquina com a Rua Padre João Manoel, no coração do bairro que reúne a nata da moda e da gastronomia de São Paulo. E olha que eu sempre falei que seria difícil a gente algum dia abrir uma loja num dos metros quadrados mais caros da cidade, mas, de fato, a crise trouxe este tipo de oportunidade imobiliária.

Em poucos dias resolvemos alugar o ponto e, por sorte, a minha equipe é tão maluca quanto eu, abraçando a ideia imediatamente, com todo o esforço que representa o desafio de abrir uma loja em menos de 30 dias. Todos estamos fazendo um mutirão para abrir o mais rápido possível para aproveitar as vendas de Natal – pois as contas nunca dormem.

Já a loja online faz a sua estreia no nosso endereço www.pastificioprimo.com.br, com vendas a todo o Brasil de linha de Secos e Molhados, composta de molhos e antepastos envasados em vidro, risotos e massas secas. Como é muito comum, a oportunidade apareceu num acaso, numa conversa de amigos, tomando chimarrão em casa.

E somente foi possível realizar este projeto altamente complexo por contar com as pessoas certas, no momento certo e com a disponibilidade para dedicar toneladas de hora de trabalho. Incorporaram tecnologia, soluções para problemas complexos de meios de pagamento, logística e – acima de tudo – construíram uma loja online que é a cara e o jeito da loja física, que tem a mesma cultura e a mesma forma de atender o cliente.

Voltando à crise, me lembro claramente que quando cheguei em São Paulo em 2009 para iniciar o PRIMO, o Brasil estava vivendo a ressaca da Crise do Subprime. Isso possibilitou encontrar aluguel barato e nos destacamos por não abrir mão de nossas crenças de qualidade e produto artesanal, mesmo com toda a pressão.

Percebo agora, mantidas as devidas proporções, os mesmos sinais pairando no ar. A crise em breve vai passar, como todas passam, e quem estiver com a máquina quente vais sair na frente. Quem fez o dever de casa para a crise (economizar, rever processos, otimizar, ficar de olho no fluxo de caixa, apertar o cinto, estudar, se preparar, etc) e tiver um pouco de fôlego sobrando, minha dica é sair da toca e ficar de olho nas oportunidades.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Egopreneur: Quando dizer que sonha grande é pretexto para quem é (realmente) pequeno

2 de dezembro de 2016

Se prestar atenção notará a emergência de um tipo polêmico de empreendedor: aquele que tem um ego maior do que o seu negócio. De empreendedores de primeira viagem a Donald Trump, o egopreendedor não é um fenômeno recente, mas é algo cada vez mais insuportável.

Sabiamente, John Doerr, um dos principais investidores do Vale do Silício, sabe identificar um egoempreendedor em poucos minutos de interação. Para isso, devolveu um checklist simples que utiliza para encontrar mais do que grandes negócios, mas grandes empreendedores que têm (muito) mais interesse em buscar um significado para a sua existência (e da sua empresa) do que ter (apenas) sucesso.

Doerr defende que enquanto o egopreendedor é mercenário, o empreendedor em busca de um modelo de negócio saudável e escalável é missionário do benefício do produto ou serviço que comercializa.

Se estiver na dúvida se é um empreendedor (mais) mercenário ou missionário, faça o teste!

Para os empreendedores missionários, Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Para os demais, Donald Trump: “As pessoas me amam. E sabe por que? Eu tenho tido muito sucesso.  Por isso, como terá que pensar de qualquer forma, pense grande assim”.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Head de Empreendedorismo da FIAP.