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Blog do Empreendedor
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As vantagens de um negócio agnóstico

30 de novembro de 2016

Houve um tempo em que empresas que se declaravam concorrentes não mantinham qualquer relação, a não ser a de competidores. Em alguns segmentos isso ainda acontece e há até quem diga que o colaborador de uma não pode consumir o produto da outra. Porém, em um mundo globalizado e cada vez mais tecnológico, a linha que separa concorrentes e parceiros é cada vez mais tênue.

No âmbito da tecnologia, surgiram aplicativos agnósticos, isto é, que se adaptam a todo tipo de plataforma, dando ao usuário o poder de decisão. Há algum tempo, o usuário de um PC não poderia acessar um arquivo criado em Mac, por exemplo, afinal, Windows e Apple são plataformas diferentes, que concorrem entre si. Essa realidade mudou e o usuário de qualquer uma dessas ou de outras marcas pode transferir e receber arquivos de outros usuários via Dropbox, por exemplo. E tudo isso de forma gratuita.

A tecnologia agnóstica empodera o usuário e abre novas oportunidades de negócios para as empresas. Alguns meses depois de criarem o Dropbox, em 2007, Drew Houston e Arash Ferdowsi, ex-alunos do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, foram chamados por Steve Jobs, fundador da Apple, para uma conversa. Jobs teria demonstrado interesse em comprar o novo negócio e, há quem diga que, informalmente, ofereceu US$800 milhões pela novidade.

Os jovens sócios não aceitaram a oferta, exatamente por acreditarem que se manter agnóstico, isto é, sem se vincular a nenhuma plataforma específica, é a missão do Dropbox e o que lhe dá valor. A empresa hoje está avaliada em bilhões de dólares e tem mais de 500 milhões de usuários espalhados pelo mundo.

Isso não quer dizer que se eles tivessem vendido o Dropbox para a Apple não teriam feito um bom negócio, mas, a decisão de se manterem independentes se mostrou acertada – vide o valor atual da empresa e o número de usuários.

No comércio eletrônico, os negócios também estão cada vez mais agnósticos. No Mercado Livre, a decisão tomada em 2012 de abrir a plataforma tecnológica levou o negócio a dar um salto gigantesco. Permitir que desenvolvedores independentes utilizem a Interface de Programação de Aplicativos (em inglês, API – Application Programming Interface) da plataforma só trouxe vantagens, como, por exemplo, a integração de lojas virtuais de grandes marcas ao marketplace. Hoje, outros marketplaces – que poderiam ser considerados concorrentes do Mercado Livre – vendem dentro da plataforma.

Outro exemplo é que, ao adquirir a KPL no ano passado, empresa especializada no desenvolvimento de software para gestão de e-commerces, o Mercado Livre identificou também neste negócio potencial para aumentar a oferta de serviços agnósticos: à medida que as empresas passam a operar em diversos canais é necessário supri-las com sistemas que se integram com todos eles.

Enfim, estar atento a todas as possibilidades é o segredo. Não há porque não realizar parcerias, ainda que seja com seu concorrente, quando o negócio é bom para os dois lados e também para o cliente.

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Mulheres maravilha

28 de novembro de 2016

Está acontecendo um projeto sensacional chamado The Girls on the Road, liderado por 2 brasileiras que estão rodando o mundo com o objetivo de identificar e contar as histórias de mulheres empreendedoras e inspiradoras.

Dede julho deste ano, Taciana Mello e Fernanda Moura já estiveram nos EUA, Canadá, México, Japão, Coreia do Sul e China, entrevistando mulheres empreendedoras que impactaram a realidade à sua volta. No próximo mês seguirão para Cingapura, Malásia e Filipinas. Ao longo da viagem, ganham destaque nos jornais locais.
Esse projeto é muito bacana por muitas razões, e aqui algumas:

- Extrapola totalmente as fronteiras do Brasil. Provoca uma comparação inevitável entre nosso país e o mundo lá fora, nos fazendo refletir sobre nossa realidade e como podemos superar as dificuldades.

- Dá voz às mulheres protagonistas no empreendedorismo, algo raro em qualquer pesquisa, literatura, programa de TV e nos meios acadêmicos.

- E, principalmente, projeta a importância e protagonismo da pesquisa brasileira sobre empreendedorismo no mundo. Ou, como Taciana e Fernanda dizem no site, “o mundo é nosso quintal”. Adorei isso. Boas ideias não têm fronteiras.

O resultado da pesquisa vai ser apresentado em alguns meses num documentário que está sendo produzido. Porém, já podemos acompanhar as andanças e filmagens pelo Facebook.

Aqui, e em primeira mão, uma degustação das informações extremamente valiosas que estão sendo coletadas:

México e Japão

México e Japão se destacaram por questões distintas. No México, por exemplo, o machismo ainda é muito presente e o fato de uma mulher vir a ganhar mais que o seu companheiro causa estranheza e desconforto. Já no Japão, a pressão da sociedade em relação às profissionais/empreendedoras casadas e mães para que se dediquem exclusivamente à família ainda é muito forte. Lá, a impressão é de que as mulheres empreendedoras estão sempre sendo inseridas em situações de muita pressão: ou se focam na família e nos filhos, ou se rebelam e constroem seu próprio negócio. As que decidem por essa última opção sofrem muita resistência.

Coreia do Sul

Na Coreia do Sul, em termos de empreendedorismo feminino, a situação é muito similar ao Japão: empreendedoras ainda estão em número reduzido, relatam vários desafios (em grande parte relacionados a valores sociais) e são ainda exceções à regra.

Embora o governo sul-coreano tenha se empenhado em apoiar o empreendedorismo, ou a “economia criativa”, termo criado para se referir às iniciativas relacionadas ao suporte para o empreendedorismo, a verdade é que, ainda que em menor intensidade que o Japão, uma carreira corporativa (invariavelmente na Samsung, LG, Hyundai) acaba sendo a (melhor) opção para grande parte das mulheres. Por isso, a maioria das empreendedoras entrevistadas saíram de posições em grandes corporações para iniciar seus negócios.

As empreendedoras sul-coreanas relatam histórias como as de, por exemplo, terem que buscar a presença de um co-founder homem para poderem abrir algumas portas, ou mesmo da total falta de interesse da família em apoiá-las. A expectativa (da sociedade) de que devem se casar e cuidar dos filhos ainda está fortemente presente e elas relatam isso de forma muito clara. Não é a toa que, por vezes, se consideram esposas e mães “abaixo da expectativa” por se focarem nos seus negócios.

Numa entrevista, em um momento de reflexão, uma empreendedora colocou a pergunta “como posso ajudar minha filha a ser feliz se eu não me sentir feliz? Construir o meu negócio me faz feliz!”. Assim como essa empreendedora, outras mostram que buscam, aos poucos, mudar a expectativa em relação ao papel da mulher na Coreia.

China

Na China, surpreendentemente, o perfil é outro. Nas entrevistas já realizadas, ficou claro que a mulher chinesa tem perfil e postura muito distintos da população feminina dos países vizinhos visitados. A impressão é de que a política do filho único criou uma situação natural de empoderamento da mulher, na qual as famílias criavam filhas oferecendo as mesmas oportunidades e incentivos dos meninos.

Muitas mulheres afirmaram que nunca sentiram diferenciação e foram criadas dentro do entendimento que tinham os mesmos privilégios dos homens. Nesse contexto, em entrevista ao projeto F♀unders, o fundador do Alibaba, Jack Ma, classificou a empreendedora chinesa como “superwomen”.

No mercado de trabalho, a maior parte das empreendedoras está no setor de e-commerce. Elas indicam quem sentem, sim, dificuldades em buscar investimento ou mesmo em contratar uma equipe e, ainda que em menor intensidade, relatam um pouco de pressão social para casarem e terem filhos. A diferença é que elas parecem não valorizar tanto esses aspectos quanto japonesas e sul-coreanas. A independência financeira vem em primeiro lugar, antes mesmo da vontade de constituir uma família.

O que parece ser igual a todas as mulheres empreendedoras é a resiliência, uma grande força de vontade e iniciativa para estudos e se aprofundar no tema em que elas querem empreender e uma inquietação que as faz questionar os modelos de trabalho que elas conhecem e a realidade em sua volta.

Números atualizados da The Girls on the Road:

- 6 países cobertos de um total de 25 que serão visitados;

- Cidades visitadas : San Francisco Bay Area, Chicago, Boston, NY, Toronto, Cidade do México, Tóquio, Seul, Beijing, Shanghai;

- 33,490 km percorridos até 13/Nov (carro, avião e trem);

- 107 entrevistas realizadas até 13/Nov (projeto teve inicio em 1/Julho);

Acredito que vale muito a pena acompanhar e divulgar o trabalho da Taciana Mello e Fernanda Moura, de extrema importância. O mundo é nosso quintal!

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Sim, você vai precisar criar o seu próprio emprego

25 de novembro de 2016

Vejo o agora ex-diretor no hall de entrada do prédio. Parece perdido mesmo tendo trabalhado tantos anos ali. Ajudou, inclusive a construí-lo (o prédio e o negócio). Mas agora estava lá, frágil e desorientado. Caminhava claramente em algo que já não tinha mais chão e rumava para algum lugar sem direção. Cumprimento-o pelo nome, mas ele, ou não me ouviu, ou olhou para alguém invisível ou ainda ouviu o seu nome, mas não quis escutá-lo, não naquele local, onde alguns dias antes era cumprimentado por onde passava.

Dias depois, vi o agora ex-gerente de outra empresa. A desorientação nos olhos era a mesma que o da ex-assistente que também havia perdido o emprego em outra organização. Havia algo de não acreditar no que estava acontecendo. Algo violado tão verdadeiramente narrado em “Ao arrancarem meu crachá, senti como se estivessem arrancando a minha pele” em que a jornalista Claudia Giudice fala do seu 13 de agosto profissional. E é esta fragilidade que coloca o (ex)diretor e a (ex)assistente em iguais condições.

Para muitos, ser demitido é ver uma parte de você ser assassinada. Daí o clima de velório. E outros tantos acreditam realmente nisso. Que morreram para a vida profissional. E enquanto não encontram outra vaga, só confirmam a sua morte.

Enquanto alguns acham (e encontram) o seu fim, outros encaram a demissão como uma oportunidade de ressureição ou reencarnação, dependendo da crença. Em alguns países asiáticos, crise e oportunidade são, sabiamente, escritas com os mesmos ideogramas. Da mesma forma, o deus indiano Shiva é o que destrói para construir algo novo.

Neste contexto, encarar a demissão como uma oportunidade é se preparar para um futuro em que haverá cada vez menos vagas de empregos e relações empregatícias menos duradouras.

Isto já vinha acontecendo em setores mais operacionais em que operários eram substituídos por robôs, bancários por ATMs ou mesmo a tia do cafezinho trocada por aquelas famigeradas máquinas de café. Mas agora as novas aplicações de comunicação, inteligência artificial, big data, realidade virtual e aumentada, mobilidade, aprendizagem de máquina, IoT e robotização também vem assustando (e deveriam assustar mesmo) profissionais detêm grande conhecimento acumulado para continuarem empregados. Por ter uma solução automatizada, o Contabilizei cobra 10% do valor cobrado por boa parte dos contadores. O Eyenetra coloca em centavos o custo de um exame oftalmológico. E se acha que falar com advogados é caro e complexo, a Reglare reduz (praticamente extingue) a necessidade de tê-los em processos de análise (e tomada de decisão) de processos judiciais e administrativos. E os gerentes de banco irão fazer o quê no futuro (agora) em que robôs podem controlar, analisar e tomar decisões de investimento, não de uma dezena, mas de milhões de clientes? E ainda vai sobrar para mim, já que, cada vez mais faz menos sentido ter um professor falando (de algo já disponível em algum lugar) em uma sala de aula em que cada participante tem suas demandas, interesses, horários, formas de aprender.

E se não acreditar que no futuro teremos carros autônomos, sistemas que entendem eufemismos, idiossincrasias e metáforas complexas e universidades sem professores, é melhor refletir sobre tendência de juniorização das organizações. Se você não é jovem, já percebeu que a pirâmide etária da sua empresa vem se achatando velozmente. A alegação é que os jovens são mais inovadores, criativos e empreendedores. Mas no final do mês, eles ganham menos e ajudam a aumentar (na situação atual, a manter) as margens de lucro da organização. E em algum dia, ou você ajuda sua empresa a obter melhores margens ou se torna um custo desnecessário. Mas e o conhecimento acumulado? Perguntarão os mais experientes… A inteligência artificial do carro autônomo do Google, o sistema Watson da IBM ou ainda os graduados pela École 42 responderão que o este conhecimento já está acumulado, parametrizado, processado e que pode ser recuperado, reutilizado e combinado em uma fração de segundos e na mesma proporção em custos.

Por tudo isso, se você tem um crachá hoje, a chance de perdê-lo para a tecnologia ou idade só vai aumentar. Antes de parecer um zumbi profissional cuja pele foi arrancada, reflita quem você é, o que gosta e faz bem, que tipo de negócio poderia ter demanda a partir disso e comece a interagir com as pessoas, potenciais clientes e parceiros. Talvez não precise criar o seu emprego agora, mas quando precisar, o melhor de você estará lá… te esperando.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Head de Empreendedorismo da FIAP

 

Publicidade: elemento essencial para o sucesso de um negócio online

23 de novembro de 2016

Muitos empreendedores escolhem o varejo online para realizar seus negócios atraídos pelas facilidades dessa plataforma. De fato, abrir uma loja online custa muito menos do que abrir uma loja física. Porém, não dá para se iludir achando que não será necessário realizar investimentos. Para garantir o sucesso do negócio, além de ter uma estrutura tecnológica de qualidade – o que dá fluidez à navegação no site e permite a correta gestão do back-office – é preciso investir em publicidade. Não basta abrir a loja online, é necessário levar o consumidor até ela. E, nesse quesito, são válidos os investimentos tanto na publicidade online como na offline.

No caso online, principal foco de investimento e de retorno para o e-commerce, as alternativas vão desde banners em portais de conteúdo, sites de marketplaces com boa audiência até links patrocinados em sites de busca. Hoje em dia também há tecnologia disponível para encontrar o consumidor certo na hora certa. Além disso, estar presente nas redes sociais é fundamental. Há diversas agências especializadas na criação e gerenciamento de campanhas online para pequenos empresários com preços acessíveis e com nível de serviço profissional.

O e-mail marketing é outra ferramenta extremamente eficiente quando enviada para a base de usuários do site de forma segmentada. Ao invés de disparar e-mail de ofertas para todos os clientes que já compraram, é importante selecionar aqueles que adquiriram um produto específico no último mês e enviar a oferta de outro complementar. É isso que faz a diferença entre um e-mail relevante ou simplesmente um spam. E, claro, é fundamental ter a autorização prévia dos clientes para o envio desse tipo de e-mail.

Segundo dados da pesquisa Digital AdSpending, realizada pelo IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) e pela comScore, empresa de pesquisa, a publicidade online movimentou mais de R$9,3 bilhões no Brasil em 2015 e a previsão para este ano é de 12% de crescimento, chegando a R$ 10,4 bilhões. Esse levantamento também mostrou que o segmento de search e classificados é o responsável pelo maior volume de verbas publicitárias (com R$ 5,1 bilhões), seguido por display e redes sociais (R$ 3,1 bilhões) e vídeo (R$ 1,038 bilhão).

As datas comemorativas são excelentes momentos para investir em publicidade. Um exemplo é a Black Friday, uma das principais datas sazonais do e-commerce que, neste ano, será realizada na próxima sexta-feira, 25 de novembro. Neste link, você pode conferir algumas dicas para otimizar suas vendas durante este período, que precede a última grande data comercial do ano, o Natal. Prepare-se bem e boas vendas!

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

Saiba por que Jamie Oliver recomprou as franquias de seu restaurante na Austrália

21 de novembro de 2016

O sistema de franquia é um dos modelos mais revolucionários de negócio, mas é também cheio de desafios. E de dissabores, que podem atingir tanto franqueados, como franqueadores – mesmo os mais famosos.Que o diga o talentoso e multimídiatico Jamie Oliver: conforme notícia que passou desapercebida no Brasil, o chef-celebridade inglês teve que recomprar suas franquias de restaurantes na Austrália, após o fracasso da operação local.

Oliver fez sociedade com um grupo investidor australiano chamado Keystone, franqueando a sua marca de restaurantes Jamie’s Italian. Abriram unidades em várias cidades, mas os resultados não apareceram, fazendo o grupo local entrar em dificuldades financeiras.Para evitar maiores desgastes a sua marca, o carismático chef teve que pegar dinheiro emprestado para cobrir as dívidas de 80 milhões de dólares australianos (aproximadamente R$ 198 milhões), pagar as dívidas e assim assumir a própria operação.

Conforme jornais locais, Jamie agora está avaliando se vende a operação completa de 6 restaurantes (Sydney, Parramatta, Perth, Canberra, Brisbane e Adelaide) para outro grupo investidor, ou se vai vender os restaurantes individualmente para recuperar o dinheiro.

Jamie Oliver tem 42 restaurantes na Inglaterra e 25 espalhados no mundo, incluindo um no Brasil. Um detalhe curioso: a empresa detentora da dívida dos restaurantes Jamie’s Italian na Austrália é um famoso grupo de investimentos de Wall Street chamado KKR, que nesta semana está também nas manchetes econômicas do Brasil por seu envolvimento num negócio mal sucedido com a família Nitzan e a empresa Aceco, que soma prejuízo de R$ 1,5 bilhões e acusações de desvios de dinheiro e suspeitas de envolvimento na operação lava jato. Prova de que o mundo dos negócios não é fácil para ninguém. Nem para as celebridades.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A incrível história do empreendedor cercado de super-heróis

18 de novembro de 2016

“Pai, quero ser músico…”

“Você está de brincadeira… Investimos muito em você, pagamos um colégio caro e você quer ser músico…” – diz o pai.

E, assim, aos 17 anos, Pierre Mantovani saiu de casa para viver de música. Mas todo final de mês pedia um dinheiro para a mãe para fechar as contas. Pouco tempo depois, estava de volta à casa dos pais. Foi fazer faculdade de engenharia elétrica e a música virou hobby.

Mas era inquieto, matava aulas e só aparecia para fazer as provas em algumas matérias. Entre uma ociosidade e outra, desmontava e montava computadores e aprendeu a programar e foi se meter em algo que era totalmente inovador para a época: webdesign.

Estava no último ano da faculdade quando, do sótão da sua casa, fundou a Tribal, uma então chamada agência de webdesign. Fazia homepages e banners para empresas. Era 1998 e qualquer site visualmente bem desenhado era um grande objeto de desejo das empresas que ainda dependiam do FrontPage para fazer algum ajuste no texto, imagem ou algum botão. Aquele jovem meio rebelde e recém-formado começou a fazer trabalhos para um grande banco norte-americano, o Citibank. Depois, vieram Telefonica e Telesena.

Em 2000, quando o Cadê, Fulano, hpG e Humortadela faziam sucesso, Pierre trouxe alguns amigos para dentro da sua empresa para criarem o Omelete, um portal sobre quadrinhos, cinema, vídeo, música e games. Era mais um hobby para falar do sucesso do Digimon, relembrar o Batfino ou falar da Angelina Jolie como Lara Croft. Mas, no ano seguinte, em 2001, o jovem já não tão rebelde e agora executivo passou a prestar serviços para a construtora Tecnisa e o seu santo bateu com o diretor de marketing Romeo Busarello, que pedia projetos digitais cada vez mais inovadores. Isso abriu outras portas, e a Tribal passou a atender Caixa Econômica Federal, ONU, Roche, Jeep, Dodge, Chrysler, Philips, Microsoft, Natura, tornando-se uma das principais agências de marketing digital do Brasil em 2008, quando foi comprada pela Publicis, na época, o terceiro maior grupo de propaganda mundial.

Ficou pouco menos de dois anos na Publicis, como previa o contrato, e saiu para fazer o que mais gostava… empreender. Criou uma empresa de investimento, investiu em algumas startups, mas o que o mais motivava agora era fazer só coisas que gostava muito. Geek e nerd assumido, foi passar um tempo no Omelete e foi convidado para assumir a direção geral do negócio. Teve a ideia de acrescentar comércio eletrônico no site já que muitos fãs brasileiros não tinham como comprar itens colecionáveis dos seus filmes, séries, games e desenhos favoritos e fundou a Mundo Geek em 2012, agora o maior e-commerce de super heróis do Brasil.

Mas com o Omelete aumentando sua audiência, com mais de seis milhões de fãs e o Mundo Geek crescendo em faturamento mês após mês, veio a ideia de trazer para o mundo físico o que só existia no mundo virtual. E em 2014, Pierre Mantovani criava sua quarta empresa de sucesso, a Comic Com Experience ou apenas CCXP. Já na primeira edição um susto. Quase 100 mil visitantes. O maior público do Brasil para um evento em sua estréia. Nem mesmo o mais otimista dos apoiadores ou patrocinadores imaginava que super-heróis poderiam atrair tanto público. No ano seguinte, novo susto, 142 mil visitantes, todos pagantes. E o público esperado para o CCXP deste ano é de 180 mil visitantes.

Mas a incrível (e desconhecida) trajetória de Pierre Mantovani não é um fato isolado no Brasil. Diversos novos empreendedores estão tendo sucesso no nascente mercado de entretenimento brasileiro. Enquanto lá fora Walt Disney, George Lucas ou Edwin Catmull (Pixar) já se consagraram como exemplos de talentos artísticos que viraram grandes negócios, no Brasil poucos conhecem Juliano Prado e Marcos Luporini (Galinha Pintadinha) ou Kiko Mistrorigo e Célia Catunda (Peixonauta, O Show da Luna).

Por isso, uma das preocupações do Pierre Mantovani no CCXP é também fomentar o empreendedorismo na indústria de entretenimento brasileiro. E neste contexto, criou a Unlock, um evento que ocorre no início da CCXP só para fomentar novos negócios, inclusive para os musicais. Afinal, músico que não é empreendedor atualmente só tem um hobby…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação no Insper e Head de Empreendedorismo da FIAP

Quando a especialização é a melhor estratégia

16 de novembro de 2016

Se você pensa em vender pela internet mas ainda não sabe exatamente o que ofertar, uma dica: invista em produtos ou serviços de um segmento que, de preferência, você conheça muito bem. Mesmo que a quantidade de consumidores pareça pequena. Digo “pareça” porque temos a tendência a achar, incorretamente, que apenas produtos muito conhecidos são buscados pelos consumidores. Mas, na internet, há consumidores para todo tipo de produtos.

A estratégia de iniciar um negócio com foco em uma especialidade – ou nicho – via Internet pode te ajudar a alcançar diversos consumidores espalhados pelo país que buscam por produtos que não são encontrados nos grandes shoppings ou magazines. São consumidores que formam o que chamamos de cauda longa – ou seja, uma demanda distribuída em todos os cantos do país que se interessa por produtos específicos que não são oferecidos pelos grandes lojas. Ao invés de oferecer um pouco de tudo, a estratégia de nicho é oferecer “tudo de um pouco”.

O e-commerce de nicho tem milhares de exemplos de sucesso. Vemos alguns exemplos desse sucesso no Mercado Shops, plataforma de lojas virtuais do Mercado Livre; como o caso do vendedor de nozes da Índia; há ainda aqueles que trabalham com peças colecionáveis; fantasias para crianças e tantos outros.

Há diversos nichos no e-commerce que podem, inclusive, se dividir em sub-nichos. Na categoria de Pets, você pode se especializar em produtos para veterinários, por exemplo. No nicho de Moda, há uma crescente demanda por produtos “plus-size”. Em Casa e Decoração, você pode se especializar em papéis de parede, em tapetes, cortinas ou em artesanato para casa, como em estampas de tecido para almofadas ou estofamentos de móveis. Se você gosta de música e tem preferência por Jazz, especialize-se em produtos deste gênero. Na internet, sempre haverá consumidores pesquisando por algo que você entende e pode vender.

Após decidir o nicho, adquira o hábito de pesquisar os melhores fornecedores deste setor e se atualizar sobre as últimas tendências de consumo.  E não se esqueça de oferecer um atendimento ao cliente que corresponda à qualidade dos seus produtos, conquistando credibilidade e confiança dos consumidores. Vai dar trabalho no início, mas você poderá se tornar referência para milhares de pessoas. Boa sorte!

Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.

O funcionário em primeiro lugar

13 de novembro de 2016

Tom Peters é um dos maiores pensadores da empresa moderna, focado em excelência e performance e dotado de uma visão humanista, que ficou clara na palestra que ele deu na semana passada, em São Paulo. Com passagens por grandes consultoria e também pelo Pentágono, Peters começou o dia de encerramento do HSM Expo com a voz embargada pela emoção, inconformado com a vitória de Trump (para a presidência dos EUA) na noite anterior.

Uma noite terrível em São Paulo. “Esta foi uma das 4 piores noites de minha vida. Uma foi na guerra do Vietnã, outra foi a morte de minha mãe, outra foi quando quase morri numa cirurgia do coração, e finalmente, ontem a noite, com a vitória do Trump (para presidente dos EUA).”

Mudança de planos. “Indignado com a situação nos EUA, acordei as 2:30 e mudei totalmente a palestra de hoje, pois quero urgentemente falar de virtude. Sobre o que representa estar comprometido com a excelência, com as pessoas. Hoje eu preciso mais de vocês do que vocês de mim.”

Formação de Líderes. “O líder tem como trabalho formar equipes, portanto, ouvir é fundamental. Richard Branson – e eu nunca achei que ia citar ele como exemplo –  tem uma técnica muito interessante que é fazer anotação. Então, enquanto ele anota, ele ouve muito mais as pessoas.”

Estratégia x Cultura. “A frase é de Ed Schein, de 1988, mas válida: Cultura come estratégia no café da manhã. A estratégia é secundária, cultura é o que importa.”

Cuidar da equipe. “Qualquer treinador de futebol, qualquer manager, é obcecado por seus jogadores, por seu time. Tem que ser assim, é o foco de seu trabalho. O RH tem que tratar seus empregados como cliente. O melhor atendimento a clientes, depende do melhor atendimento dos funcionários recebem. Posso resumir com a seguinte frase: o primeiro cliente da empresa é o funcionário.”

O patrimônio da empresa. O verdadeiro patrimônio de uma empresa são seus líderes da linha de frente. No exército, se perder capitão ou general, tudo ok, não tem problema. Mas se perder sargentos e tenentes, estamos ferrados.  Não canso de afirmar, depois de tantos anos andando por empresas ai redor do mundo: as pessoas trabalham para os líderes, não para a empresa.”

Caminhar para administrar. “Tenho uma sigla para esta técnica de getão: MBWA – Managing By Wandering Around (administração caminhando por todo lado). Não adianta ficar sentado no escritório, é preciso estar na linha de frente. Se você não gosta de estar na linha de frente, falando com sua equipe, com seu cliente, com o caminhoneiro, vc tem que mudar de trabalho. Contato pessoal, com toda a equipe, é fundamental para o bom administrador.

TEM QUE CAMINHAR. Durante a grande crise de 2008, muitos cortaram funcionários nas lojas. Mas teve os que investiram em melhor treinamento e mais pessoal, e assim ganharam mercado da concorrência.”

Reconhecimento. “A maior ambição das pessoas é ser reconhecida, ser importante, e ser apreciado. Funcionários que não se sentem significativos, não contribuem significativamente. Simples assim. ”

Importante. “As 3 palavras mais importantes no vocabulário de qualquer pessoa, incluindo o dono da empresa:- o que VOCÊ acha? - OBRIGADO - DESCULPE”

Sobre Steve Jobs. “Trabalhei com Steve como consultor. Era um cretino (Steve Jobs was a jerk), era uma pessoa escrota (shitty human). Essa é a verdade. Não me importa que era um gênio, nem quantos celulares ele inventou.” O acordo: “No Brasil, assim como nos EUA, a grande maioria dos cidadãos trabalham para negócios – apenas uma pequena parte são funcionários públicos. Portanto as empresas estão com a responsabilidade de ajudar o desenvolvimento da civilidade, gentileza e demais valores da cidadania. Essa é minha sugestão. Vamos fazer um acordo?”

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Ei, chefe! Que tal colocar inovação nas minhas metas para o ano que vem?

11 de novembro de 2016

 

Quem está conversando com seu chefe sobre as metas para o próximo ano, deve estar mais tranquilo com a garantia do seu emprego. Caso contrário, isto é um mau sinal…

Mas quem espera águas mais calmas em 2017 é melhor, literalmente, recolher o barco. Mas como mar calmo nunca fez bom marinheiro aproveite a oportunidade que terá no próximo.

As empresas brasileiras cortaram todos os custos imagináveis neste ano e o que resta para o próximo, caso o crescimento econômico esperado não venha, será inovar. E mesmo que a recuperação econômica aconteça, também será necessário inovar em vendas para superar os demais concorrentes que também virão mais inovadores.

Justamente por isso muitas empresas estão investindo em inovação neste momento. É uma aposta que deveria se pagar sempre, pois inovação não deveria estar associada à criação de novos produtos ou serviços, mas à geração de novos e melhores resultados financeiros para o negócio.

Assim, se estiver conversando sobre as metas agora, inclua inovação na discussão, mesmo que seja em estágio experimental. Mas defina inovação por meio de indicadores mensuráveis como geração de novas receitas, reduções de custos, aumento do valor da empresa ou melhoria da sua razão de ser.

Este mesmo critério de meta pode ser ampliado para toda a organização já que a crise econômica tem afetado o ânimo de muitas equipes. Pensar em inovação pode inspirar os mais engajados a produzir mais e melhor.

Se puder, sugira treinamentos internos de inovação utilizando o Método da Cumbuca sugerido no início do livro O Verdadeiro Poder (escrito por Vicente Falconi). É uma forma praticamente gratuita de treinamento organizado pelos próprios colaboradores.

E se não existir, defina um comitê interno de inovação que organizará e gerenciará a geração, seleção, priorização, implementação das ideias e a avaliação dos resultados.

Por fim, deixe claro que inovação não tem uma receita infalível de sucesso. O CEO de uma grande empresa do setor imobiliário que atuo como consultor foi muito claro na sua última reunião com os principais gestores do negócio: “Inovar também implica em fracasso. Quem não fracassa ou está mentindo, não estão fazendo nada ou está inovando pouco”.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Advisor de Empreendedorismo da FIAP

Donald Trump pode complicar a vida do empreendedor?

10 de novembro de 2016

*Por Renato Jakitas

Sim, a avalanche chamada Donald Trump pode alcançar o pequeno empresário brasileiro. Isso, dependendo de dois fatores em jogo: a natureza do negócio e os planos de expansão do empreendedor.

Protagonista de uma tumultuada companha eleitoral ao lado de Hillary Clinton, os dias depois veem sendo marcados pelos questionamentos constantes sobre até que ponto Trump falou a verdade a respeito de seu plano de governo.

Tirando de lado bravatas como a construção de um muro separando os Estados Unidos do México (com o plus de mandar a conta da obra para o país latino), a ascensão de Trump tem todo o potencial para transformar o cenário político americano e, naquilo que mais incomoda o brasileiro, tirar a economia mundial de sua rota globalizada.

Não deve ser fácil manobrar um transatlântico do tamanho dos EUA da forma que ele prometeu. Mas qualquer desvio de curso, seguindo seu plano de governo, vai impactar em uma volta à industrialização norte-americana, dentro de um tom de isolacionismo econômico que impacta diretamente nas startups, por sua natureza disruptiva e de compartilhamento (de conhecimento, talentos e produtos).

Como pontuado pelo site Techcrunch, especializado em tecnologia e em startups, Trump defende um modelo econômico que tende a ser excelente para os empresários americanos envolvidos na cadeia da manufatura, na fabricação de smartphones, por exemplo. Mas tende a ser uma pedra no sapato para as empresas que criam aplicativos para esses smartphones – as empresas de inovação, como um todo, que têm na cultura da globalização seu principal motor.

Como teria sido o desenvolvimento de empresas como Facebook, Google e novidades do porte de Uber e AirBnb em uma econômica que pregasse a centralização da mão de obra dentro de seu território e a expulsão de imigrantes?

Hoje, de cada 10 startups brasileiras, dez têm entre empresas americanas seu modelo dos sonhos, além de nutrir esperanças de estabelecer vínculos com o Vale do Silício, capital mundial das startups, que fica na Califórnia.

Hoje, o mundo dos negócios vê-se em intenso intercâmbio de ideias e novos serviços, com inovações levando empresas que acabaram de nascer para dentro da cadeia de valor de gigantes como Coca-Cola, Airbus, Embraer e até a NASA.

Um país do tamanho dos EUA isolado certamente traria impactos negativos a esse movimento todo. E foi justamente para incentivá-lo que Barack Obama criou, por exemplo, o visto H-1B, que garante a permanência para estrangeiros que provarem ter talento à somar. O H-1B nasceu graças a demanda dos empreendedores americanos  do Vale Silício. E vem sendo empregado por brasileiros que adquirem know-how no país para retornarem e empreender por aqui.

Enfim, essas são algumas das preocupações que envolvem hoje o mercado. O futuro dirá se Donald Trump foi puro e cristalino em sua campanha eleitoral ou se, tocado pelo lado empreendedor que ele é, decidiu manter abertas as estruturas liberais que alimentam a inovação tecnológica do mundo.

*Renato Jakitas é jornalista do jornal O Estado de S.Paulo