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Blog do Empreendedor
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Sobre amizades e negócios

31 de março de 2016

Confesso: eu adoro trabalhar com família e amigos. Considero realmente gratificante estar com pessoas de quem gosto e admiro, com alto potencial e capacidade profissional. E principalmente me encanta o dinamismo e a eficiência que se estabelece nas atividades feitas com a cumplicidade da amizade. Seja numa escalada de montanha, num jogo de futebol, num churrasco ou no trabalho, quando o grupo de pessoas que está junto têm a “química” correta, me parece que tudo fui melhor. Por isso procuro sempre criar este ambiente dentro da empresa – porque sei que dá certo.

Claro que muitos destes amigos surgem através da convivência na empresa. Termina por ser inevitável que o grupo de pessoas que trabalha diariamente juntos desenvolve uma amizade, quando se compartilham valores e objetivos de vida.

Já outros eram amigos desde velhos tempos, ou vizinhos, colegas de estudos, parentes, amigos dos amigos, e de alguma forma terminam por se agregar ao grupo de trabalho, num projeto profissional. E é destes que eu quero falar.

Há inúmeros caminhos para estabelecer uma amizade – por sorte e por esporte, como diz o ditado. Mas é também inevitável que os problemas terminem por abalar algumas amizades, o que pode ser considerado perfeitamente normal.

Sempre me foi falado para evitar trabalhar ou fazer negócios com amigos para não perder a amizade, e certamente casos assim não faltam. Mas no fundo sempre achei isso uma bobagem. As amizades terminam por muitos motivos, independente de trabalho e dos negócios. Ou seja, o trabalho e negócios podem ser apenas mais um motivo de terminar a amizade, assim como tantos outros. Ou, simplesmente revelam uma fragilidade pré-existente na amizade.

É normal que alguns amigos se afastam porque mudam de cidade, ou nascem os filhos e o ritmo de convivência muda, ou começam a levar as rivalidades de futebol (e da política) muito a sério. A amizade – e a intimidade – terminam quando não temos mais pontos de contato, afinidades, sonhos em conjunto.

Da mesma forma termina muitas vezes a amizade de um casal – que trabalha junto, ou não. Ou uma família – que pode ter negócio juntos, ou não. Percebes? Não há como certificar que uma amizade vai ser arruinada – ou não – por trabalhar ou fazer um negócio junto.

Portanto eu acredito – e não me arrependo – de que temos que dar chance aos bons amigos, aos bons profissionais. Se dá errado, o risco pode ser perder uma amizade, é verdade. Mas se dá certo, o resultado será certamente fantástico.
Olha alguns casos grandes de amizades nos negócios:

Hewlett and Packard (HP)
Ben and Jerry (Ben & Jerry sorvetes)
Larry and Sergey (Google)
Bill e Paul (Microsoft)
Lemann, Telles e Sicupira (3G)

A lista de nomes pode ser enorme, e com muitas variações de amizades forjadas em trabalho duro. Certamente você vai se lembrar de mais mais casos de sucesso e outros tantos que não deram certo.

Eu tenho algumas dicas, que sempre procuro seguir (mas é claro que não sou imune a erros):
- Nunca escolha trabalhar ou fazer negócio com um amigo apenas pela diversão, pelo bom papo ou porque é vizinho de casa. Em primeiro lugar está a competência e a qualidade profissional da pessoa. Não se pode confundir gostar de trabalhar com amigos com trabalhar com incompetentes. Nenhuma empresa aguenta isso. Evite favoritismos tendo sempre a meritocracia como regra geral na empresa.
- Respeite os limites pessoais, respeite as fragilidades de cada um, nunca se prevaleça, para ganhar um debate, de argumentos íntimos. Nunca quebre a confiança ao expor um assunto da vida pessoal na frente de outras pessoas.
- Mantenha o profissionalismo, algumas formalidades são necessárias no ambiente de trabalho. O cumprimento de metas e responsabilidades é fundamental. O tempo no trabalho deve ser produtivo. Assuntos pessoais devem ser tratados fora do horário. Mantenha o foco.
- Não tenha medo de errar, não tenha medo de pedir desculpas e, principalmente, não tenha medo de demitir ou encerrar a parceria caso não esteja funcionando.

Portanto, amigos, amigos, negócios a parte.Um amigo não pode esperar um tratamento diferenciado, seja como funcionário, sócio, cliente ou fornecedor. Inclusive a relação pode vir a ser mais formal, para evitar criar confusão. O amigo não pode ter expectativa de ser favorecido apenas por ser amigo. Eu já perdi amigos assim, que não entenderam que não se pode perder o objetivo maior numa relação profissional, que é fazer o negócio dar certo. Entender isso significa maturidade e vai ajudar a preservar a amizade.

Porque amigo que é amigo de verdade sabe que não se deve confundir alhos com bugalhos. O resto é oportunismo, não amizade.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo acredita que com amizade, os negócios são mais divertidos.

 

Renascimento, uma inspiração para a inovação no século XXI

28 de março de 2016

Há cerca de um mês escrevi nesse espaço sobre como o movimento humanista do Renascimento e como as novidades propostas por ele poderiam nos inspirar a dar um novo passo no desenvolvimento social.

Recebi vários feedbacks positivos sobre as primeiras ideias na mesma semana em que o Miro Machado, da Lumabyte, de Manaus, me convidou para fazer a palestra de abertura do 2º Congresso Online Comentores, “com um tema novo, diferente do que estamos vendo por aí”. Empolgado com a repercussão do post,  tomei coragem de voltar ao tema do Renascimento como inspiração para a inovação nos negócios. Feita a sugestão, foi imediatamente aprovada.

Minha ideia era ampliar um pouco as referências, além das reflexões que eu já tinha feito aqui –  e quando menos esperava apareceu na minha timeline um artigo da Harvard Business Review, de janeiro desse ano, escrito por Eric Weiner, correspondente da NPR (a rede pública norte-americana) e autor do livro The Geography of Genius: A Search for the World’s Most Creative Places from Ancient Athens to Silicon Valley. No livro (que ainda não li, mas pesquisei sobre) Weiner conta o que descobriu analisando 27 locais inovadores, em diferentes culturas, em diferentes tempos na história, buscando saber como eles conseguiram criar ideias realmente disruptivas e inovadoras.  O livro tem um vídeo resumo que você pode ver aqui.

No artigo para a Harvard Business Review, Weiner concentra sua atenção no mesmo foco da minha pesquisa, deixando isso claro já no título: “Como a Florença renascentista foi um modelo melhor para a inovação do que o Vale do Silício é” (em tradução livre do artigo original). Ele identifica seis características que fizeram de Florença esse “habitat de inovação”, tão rico que é referência na arquitetura, na arte, na engenharia e na ciência até hoje.

Talento requer patrocínio – “Os Medicis” foram uma espécie de “Investidores-Anjo” daquela época. Na verdade, foram mais que isso: comerciantes, banqueiros, mecenas, eles financiaram a inovação encomendando obras, oferecendo pagamentos antecipados e desafiando a capacidade criativa dos artistas com pedidos inusitados.

O potencial triunfa sobre a experiência – Quando Michelangelo foi chamado para fazer a Capela Sistina, existiam outros pintores mais famosos na época. Michelangelo era já reconhecido como o talentoso escultor que tinha feito David –como pintor ainda era inexpressivo, mas a qualidade de sua escultura gerava uma expectativa. Atualmente, uma startup como o Uber, de 2009, sem frota própria, tem valor de mercado maior que empresas como a Vale do Rio Doce ou o Bradesco. Esse valor lhe é atribuído não pelo que é hoje, mas pelo potencial que tem no futuro.

Desastres criam oportunidades – A desgraça da Peste acabou com a vida social do povo de Florença. A saída pela manifestação artística e intelectual foi uma alternativa a ficar apenas se lamentando.  Na segunda metade do século XX, a indústria japonesa do pós-guerra criou a “gestão pela qualidade total” para vencer a fama se que “produto japonês é sinônimo de baixa qualidade”.

Incentive a competitividade – Leonardo da Vinci e Michelangelo, apesar de contemporâneos, nunca foram amigos, e nutriam uma disputa pessoal para ver quem seria mais reconhecido. Outro exemplo: cada etapa da construção do Duomo de Florença foi alvo de “competições”, onde cada artista podia apresentar suas propostas. Até a construção da porta do Batistério foi tema de concurso, que é descrito nesse post de Ligia Lopes Fornazieri. Também no século passado podemos lembrar que a Guerra Fria entre URSS e USA foi uma das responsáveis pelo impulso da tecnologia aeroespacial.

Procure e mistures referências - Não existe nada de errado em combinar diferentes “saberes” em busca de uma inovação. A cúpula do Duomo é uma inspiração no Panteão, de Roma. A forma de desenhar as imagens Sagradas no Renascimento é uma releitura do estilo grego de pintura e escultura clássicas.  Remixar é um bom caminho para encontrar  novas idéias que nascem nas interseções . Foi assim em Florença, onde na interseção de banqueiros com cientistas e artistas gerou uma nova filosofia humanista Em o Efeito Medici, o autor, Frans Johansson, exemplificando as possibilidades das interseções, conta a história do restaurante sueco Aquavit, de Nova York, que confiou no talento do jovem chef Marcus Samuelsson. O restaurante tinha uma boa reputação, porém não era famoso, mas com as inovações do corajoso e talentoso cozinheiro ganhou 3 estrelas do New York Times. “Ele tem uma estranha capacidade de buscar elementos de quase todas as cozinhas do mundo e verificar como eles se conectam com sua base de ingredientes suecos e dos sabores globais” descreve Johansson –  e complementa  - “O gênio criativo de Samuelsson reside em sua capacidade de gerar combinações de alimentos únicos que surpreendem o paladar. Ele cria um comida ousada, divertida e, é claro, ótima”.

Se quiser assistir minha palestra online “Criatividade e Inovação para um novo ‘Renascimento’ dos Negócios” inscreva-se gratuitamente em www.comentores.com.br.  A partir de quatro de abril, estarei junto com o Juan Bernabó, Henrique Perin, Eduardo Freire, James Italiano, Fabiany Lima e uma galera que faz acontecer no empreendedorismo em todo o Brasil compartilhando conhecimento e aprendendo junto. Te espero lá!

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br.

Nem a crise para o crescimento do Outback no Brasil (e o que aprender com isso)

25 de março de 2016

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper

Ter sucesso nos momentos de crise é sorte ou competência. No caso da rede de restaurantes Outback deve ser uma competência incrível em ter sorte. Em 2013, a empresa tinha 50 lojas no Brasil. Este número pulou para 64 em 2014 e no ano passado, mesmo com a queda do PIB, mais onze lojas foram abertas, totalizando 75 em 2015. Em 2016, mais duas lojas foram abertas bem no auge da Lava Jato. E quando muitos estão fugindo de Brasília, o Outback inaugura sua quarta unidade na cidade ainda neste primeiro semestre.

A origem do negócio, apesar de curiosa, tem pouca relação com o sucesso no Brasil. Em 1987, três amigos, Tim Gannon, Bob Basham e Chris Sullivan, que trabalhavam em restaurantes especializados em carnes (steakhouses) na Flórida, Estados Unidos, estavam cansados da vida de empregados. “Nós éramos três caras que sempre tinham trabalhado para os outros e que sempre diziam: ‘Deus, se tivéssemos nosso próprio negócio, faríamos diferente.’ – explicou certa vez Tim Gannon.

Até que no ano seguinte, em 1988, criaram coragem, abandonaram seus empregos e fundaram sua própria steakhouse na cidade de Tampa, também na Flórida. O “diferente” que sempre diziam veio por meio de um conceito de um restaurante com inspiração australiana. Na época, o filme Crocodilo Dundee estava fazendo sucesso e os sócios acharam que poderiam se beneficiar deste acontecimento mesmo que nenhum deles conhecesse a Austrália de fato. Apesar do falta de clientes nos primeiros dias, os anúncios surtiram efeito e quinze meses depois já tinham aberto mais cinco lojas.

O Outback continuou crescendo rapidamente nos Estados Unidos até 1996 quando um norte-americano que morava no Brasil entrou em contato questionando se havia interesse em expandir a marca para o País. Outras redes como a T.G.I. Friday´s já estavam no Brasil e o tal americano-brasileiro, Peter Rodenbeck, parecia o sócio ideal. Conhecia o mercado de alimentação como poucos no Brasil, pois já tinha trazido o McDonald´s em 1979 e tinha dinheiro, pois também tinha vendido (muito bem) o próprio McDonald´s para a matriz em 1994. E assim, o Outback chegou ao Brasil um ano depois, em 1997 e desde então, não parou mais de crescer, a ponto da própria matriz também comprar a rede em 2013. Se não bastasse o sucesso que obteve com o McDonald´s e o Outback, Peter Rodenbeck (junto com sua esposa) também trouxe a rede de cafeterias Starbucks em 2006 e a vendeu para a sua matriz em 2010.

Pouco conhecida, a lições de Peter Rodenbeck, podem servir como orientação para outros empreendedores e pessoas que pensam empreender.

-> Parcerias com marcas consagradas: Empreender não é só abrir seu próprio negócio. Também é possível empreender com o negócio dos outros. Ele próprio fez isto com McDonald´s, Outback e Starbucks e isto se tornou um dos pilares do crescimento da rede de stakehouses no Brasil. No Outback, apesar do restaurante ser da matriz, “cada unidades é liderada por um sócio-operador, um profissional com espirito empreendedor que fica responsável em tempo integral pelas operações do restaurante no seu dia a dia” – diz o site da empresa.

-> Empreendedor com nome na porta: Se for a qualquer unidade do Outback, verá o nome do “dono” em letras gigantes na porta de entrada. A empresa não divulga, mas especialistas do mercado estimam que esta pessoa, em geral, investiu algo em torno de R$ 100 mil (uma loja custa em torno de R$ 4,5 milhões), recebe cerca de R$ 15 mil por mês e aproximadamente 8% dos lucros da loja. No final, o empreendedor tem uma bela remuneração. Mas precisa trabalhar muito para ter o contrato renovado. Seu nome na porta é apenas o registo do seu total comprometimento com o negócio.

-> Valorização dos melhores funcionários: Aquela história, muitas vezes hipócrita, de que é preciso valorizar os colaboradores parece ser, estaticamente, verdade na rede. Mais de 60% dos sócios-operadores começaram como garçons, garçonetes ou gerentes no próprio Outback.

-> Alta qualidade padronizada: Com sua experiência de McDonald´s, Rodenbeck conseguiu padronizar os processos sem deixar de atender os exigentes padrões de qualidade do Outback internacional. Muito do que foi desenvolvido no Brasil se tornou padrão lá fora. É por isso que há tantos fãs de produtos aparentemente simples como o pão da entrada ou a cebola de aperitivo.

No final, muitos entenderiam que as lições deste grande empreendedor (norte-americano) brasileiro são óbvias. “Persistência, tenacidade e reservas financeiras que te garantam o tempo para mostrar estas qualidades, é a melhor certeza de sucesso.” – explica. Daí, poucos reconhecem que a sorte que ele teve nos negócios, na verdade, é o resultado de muito, muito trabalho. Por isso, é uma pena que tantos ainda reclamem da sua própria sorte.

Hey, ho, let´s go! Sobre rock e empreendimentos – vamos começar uma banda?

24 de março de 2016

Tem uma galera em São Paulo preparando um curso muito interessante – e até onde eu sei inédito – ligando rock e empreendimento de uma forma didática e inusitada. Eu adoro estas abordagens fora da caixa, pois são as únicas que conseguem me manter sentado numa cadeira prestando atenção.

O curso, de curta duração, vai ser realizado na FIAP , começa 6 de maio e vai conectar pontos e notas musicais, mostrando que existe muita coisa em comum entre formar uma banda e abrir uma empresa, vai ser apresentado pelos jornalistas – e fãs de rock – Daniel Fernandes, editor do Estadão PME, e Marco Bezzi, que já participou de especiais da MTV e Multishow. Ambos também são coautores do livro ‘Como o Rock Pode Ajudar Você a Empreender’, com lançamento previsto para abril de 2016 pela editora Benvirá.

Não é segredo que somos rockeiros no Pastificio Primo. De origem italiana, nossa trilha sonora nas lojas passa longe da tarantella … Estamos mais sintonizados no  Zucchero e Vasco Rossi.

Nossa ligação com o rock nos levou a criar, faz um par de anos, o projeto urbano colaborativo Rock é Massa, em parceria com a Casa do Mancha – reduto da música independente em São Paulo. Em resumo, uma vez por mês nos juntamos para oferecer uma plataforma para que bandas novas possam apresentar seu som na rua (usando como palco a caçamba de uma Kombi!!!) para um público formado de curiosos, fãs, e passantes em geral, que são surpreendidos pela intervenção sonora e artistica fora de contexto.

A próxima edição, aliás, será na sexta feira, dia 01 de abril, ao meio dia, na esquina das ruas Fradique Coutinho com a Artur de Azevedo na Vila Madalena.

Ainda sobre este assunto, o Rock é Massa terá a transmissão inédita ao vivo, via internet, feita por uma startup muito bacana – a ClapMe – que também se integra ao projeto de rua. A empresa tem a missão de ser reconhecida como a “Netflix dos shows ao vivo”, trazendo mais visibilidade aos artistas, uma comunicação direta entre os músicos e seus fãs. Assim, quem não puder participar pessoalmente, vai poder assistir de qualquer lugar do mundo ao show ao vivo – e sim, em cima de uma Kombi. Confere mais informações nos links.

Música é arte, mas também demanda profissionalismo, comprometimento, dedicação e trabalho duro. O músico sempre tem que combater o preconceito de que o criativo não poderia ser objetivo. Bem, a minha conclusão é que os músicos têm que ser ambos para dar certo. Seja em um palco no Morumbi, seja em cima da caçamba de uma Kombi.

Ivan Primo Bornes – o masseiro do Pastifício Primo é fã de Bowie, Zucchero, Beethoven e Ramones (vai entender!)

Mova Mais cresce recompensando a prática esportiva e incentivando a vida saudável

21 de março de 2016

Fazer exercício, levar uma vida mais saudável e como recompensa, ganhar pontos que podem ser trocados por milhas aéreas, eletrônicos e outras coisas. Essa é a missão da Mova Mais, plataforma que motiva a todos manterem uma regularidade de exercícios. “A vida ativa é um elemento chave de saúde e bem-estar, de combate à depressão, de prevenção de doenças. A pessoa comum normalmente já está ciente dos benefícios da atividade física frequente. Usamos tecnologia e incentivos para trazer pessoas para a vida ativa e mantê-las motivadas e perseverantes. Hoje entregamos isso para um universo de 190 mil pessoas que estão praticando mais de 200 mil quilômetros de atividade física por dia” comemora Fernando Aquino “Nandico”, CEO e co-founder do empreendimento.

O Mova Mais é gratuito. Basta se cadastrar em http://www.movamais.com e utilizar o aplicativo de sua preferência para monitorar sua atividade física: atualmente são capturados dados do RunKeeper, Strava e MapMyRun (em breve terão outros). A cada exercício o Mova Mais identifica e contabiliza os pontos automaticamente.  Ao completar 3000 pontos, o usuário pode converter o saldo em pontos Multiplus – cada 10 pontos do Mova Mais equivalem a um ponto Multiplus. Para incentivar a regularidade do exercício há o benefício do “combo”: sequência de dias consecutivos de exercícios  - quanto mais dias sem quebrar a rotina e respeitando o próprio descanso, mais pontos você ganha!

A pergunta que fica: como o Mova Mais se sustenta? Se o aplicativo é gratuito e ainda dá prêmios? Nandico explica que “oferece para marcas de indústria e varejo a possibilidade de estabelecerem uma conversa de relacionamento pertinente, segmentada e não-invasiva com atletas amadores, de todos os perfis atléticos. No final do dia são esses atletas que compram os produtos, equipamentos e serviços associados à manutenção de hábitos saudáveis”. A plataforma consegue reunir um arsenal de inteligência baseada em hábitos e comportamento esportivo que permite que as empresas criem ações de ativação, fidelização e geração de leads qualificados para os usuários. Há também receita de um segmento que não tinha sido inicialmente identificado como alvo: o desenvolvimento de projetos para empresas que querem usar a expertise do Mova Mais para criar e fazer dar certo programas corporativos de incentivo à prática do exercício físico. Hoje há mais de 16.000 praticantes nessa modalidade empresarial.

O diferencial da Mova Mais não está apenas em uma “boa ideia”. É fruto de muita pesquisa e dedicação de dois profissionais que estão fazendo o que gostam: desenvolvendo tecnologias inovadoras.  Nandico conta que, na fase pré-operacional, ele andava com milhares de reais em aparelhos celulares e GPS escondidos num laboratório móvel de experimentação e coleta.  Hoje são mais de 3 bilhões de data points e quase 2 milhões de horas líquidas de atividades físicas computadas, em 290 dias, num total de 23 milhões de quilômetros percorridos – distância equivalente a seiscentas voltas no planeta pela linha do Equador. Isso habilita a “extração de todo tipo de informação não-verbalizada presente nos dados que cada pessoa gera quando se exercita. Essa tecnologia toda é necessária para materializarmos a estrutura que nos dá o potencial de cumprir nossa promessa técnica de funcionamento e de geração de valor”, justifica.

Os fundadores, Nandico e Marco Gomes, são  “da velha guarda” do empreendedorismo digital brasileiro. Ambos trabalharam na Agência Click Brasília nos anos 2000. Nandico teve a Adjetiva, premiada produtora de tecnologia multimídia para a publicidade e foi diretor executivo de escritório da Huge, multinacional de design e estratégia de negócios. Marco Gomes se tornou conhecido pela Boo-Box, rede pioneira de publicidade digital no Brasil. O capital semente veio da holding T-BDH Capital, capitaneada pelo midas Flavio Augusto da Silva (Wise Up, Orlando City, meuSucesso.com).

Além de um negócio, a startup tem uma função social: proporcionar saúde e bem-estar através do incentivo à prática esportiva. “Me alegra acumular testemunhos de impacto positivo em relação a saúde dos seus atletas. Já é seguro dizer que estamos contribuindo para a longevidade das pessoas”, diz Nandico, ele. Ele, um exemplo de nerd, se transformou de um sedentário convicto para um entusiasmado esportista: “por conta dos trabalhos de experimentação do Mova já perdi mais de 10 kg ao coletar centenas de milhares de data points, treinando sucessivamente e usando a bicicleta como principal meio de deslocamento, todos os dias”.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br.

De uma burrada, bastam as dos outros.

18 de março de 2016

Sabe aquela burrada que só se comete uma vez na vida? Aquele momento em que se toma a pior decisão da sua existência e depois cai em desgraça. Diante da atual crise, muitos empresários, infelizmente, estão pensando nisso.

Por outro lado, muitos que perderam seus empregos, estão pensando em empreender. Para estes, o conselho agora é esperar um pouco. O país está parado, revoltado e tenso esperando um desfecho para iniciar um novo ciclo.

Enquanto este novo ciclo não se inicia, se for possível, continue pesquisando, planejando e principalmente aprendendo com acertos, mas principalmente com os erros de outros empreendedores. Dos erros, há outros tipos de burradas que estão associadas à arrogância, falta de visão e até medo. Muitas se tornaram lendárias. Conheça algumas.

Atualmente, há uma geração de empreendedores arrogantes. Acreditam que só porque têm uma grande inovação nas mãos, não precisam de parcerias, principalmente das grandes empresas. Empreendedores assim se assemelham a Gary Kildall, mas principalmente sua esposa Dorothy.  Já ouviu falar deles? Eles foram os responsáveis pela criação da Microsoft, uma empresa avaliada em US$ 372 bilhões e que mudou a nossa relação com a tecnologia da informação. Mas e Bill Gates, Paul Allen e Steve Ballmer, perguntaria você? Bom, em 1980, um grupo da IBM foi procurar um jovem programador na cidade norte-americana de Seattle chamado Bill Gates. Eles precisavam de um programa de computador chamado sistema operacional. Gates indicou a empresa Digital Research cujo proprietário era Gary Kildall. A empresa de Kildall tinha o tal sistema operacional, mas sua esposa (a Dorothy), na época diretora de negócios da empresa, desdenhou a Big Blue.  Com a recusa, a IBM voltou a entrar em contato com Gates, pedindo sua ajuda para desenvolver o programa para o seu projeto secreto de computador doméstico.

Mas se há empreendedores arrogantes, também há empresas, principalmente as grandes e líderes, que agem da mesma forma e perdem oportunidades incríveis. Os mais experientes se lembrarão do Altavista, Excite e Yahoo! Os principais serviços de busca no final da década de 1990. Em 1998, dois estudantes de doutorado procuraram Paul Flaherty, então empreendedor do Altavista, para tentar vender a pesquisa que estavam fazendo. Tudo o que os dois queriam era algo como US$ 1 milhão para voltarem para a faculdade e finalizarem suas teses. Flaherty não viu nada demais naquela tecnologia, acreditando que a do Altavista era muito melhor. Decepcionados, os estudantes ainda entraram em contato com o Excite e Yahoo! com proposta semelhante. Sem muita opção, Larry Page e Sergey Brin, os estudantes, fundaram o Google.

Mas ninguém deve se lamentar tanto de uma burrada quanto Ronald Wayne. Em 1976, ele se juntou a dois jovens para fundar uma startup. Duas semanas depois, ficou com medo dos rumos que a empresa tomaria e resolveu vender os 10% que tinha no negócio para os sócios por US$ 800,00. A startup se chamava Apple e atualmente, se ainda tivesse mantido sua participação, teria uma fortuna de cerca de US$ 61 bilhões, o que o tornaria o terceiro homem mais rico do mundo. Mas depois que a empresa começou a fazer sucesso, Wayne reclamou que tinha recebido muito pouco pela venda da sua participação e recebeu mais US$ 1.500,00 e ficou nisso.

Se pensa em empreender, avalie se é possível fechar parceria com uma grande empresa. Isto pode acelerar o crescimento do seu negócio. Empresas como Bradesco (InovaBRA), Tecnisa (Fast Dating) ou Telefónica (Wayra) criaram iniciativas para fechar parcerias com startups. Mas não desanime se não conseguir. Sempre existirão Altavistas, Excites e Yahoos no seu caminho. E se mesmo apesar da crise, acreditar no potencial do negócio e realmente tiver paixão em resolver o problema do cliente da melhor forma, crie seu novo ciclo!

Vem para a rua e coloque sua ideia para funcionar!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo do Insper, Diretor de Empreendedorismo da FIAP e Coordenador Adjunto de Pesquisa para Inovação da FAPESP.

Fazendo a mesma coisa, só que diferente

17 de março de 2016

O clima dramático nacional já está bem pesado nos jornais e mídias sociais: temos uma crise monstro destruindo tudo. E não tenho nada de novo – ou interessante – para falar nessa área.  Por isso, hoje preferi olhar para dentro de minha empresa e trazer um pouco de nosso dia a dia de trabalho no Pastifício Primo, para que sirva de eventual inspiração – ou de provocação, você escolhe.

Iniciamos em 2010 em São Paulo, focados em gastronomia de alta performance. O que é isso? Significa pretender estar entre os melhores – todos os dias. Ser especialista num produto. Destacar-se, ser aplaudido pela qualidade e estilo único. Fazer a diferença.

Essa fome de excelência nos levou a conquistar prêmios importantes, um lugar “ao sol” no mercado, clientes fiéis, fornecedores diferenciados e uma equipe focada. Também nos deu a confiança necessária para espalhar nosso projeto de pequenas fábricas de massa artesanal (pastifícios) para outras capitais pelo Brasil.

Mas além do produto – massa artesanal – o nosso negócio é feito de várias facetas que também precisam ser ótimas (administração, rh, logística, etc). E uma dessas atividades que mais nos enche de satisfação é a forma como comunicamos nossa empresa: o marketing. Sim, esse palavrão que tanto foi de moda no passado. Adoramos o mkt.

Ou seja, claro que a qualidade do produto é fundamental, óbvio, é a base. Mas tudo flui melhor quando a gente consegue mostrar e divulgar com eficiência o produto que fazemos. E fazemos a comunicação do jeito que queremos, sem concessões, carregado de nossa filosofia DIY.

- Temos um grande plano de comunicação? Não, vamos nos guiando pela intuição.

- Temos agencia de publicidade? Não, procuramos artistas e designers independentes que atendam nossas ideias malucas.

- Temos RP? Assessoria de imprensa? Não, eu mesmo escrevo ao jornalista quando temos alguma novidade que vale a pena. Não mandamos releases.

A receita? Misturamos um pouco de humor, informação de verdade, um pouco de polemica, muita arte, irreverência, conteúdo, informações relevantes para o consumidor, e o que mais vier à nossa cabeça.Como pode ver, a receita é bem simples, mesmo.

Mas a veracidade dos ingredientes é fundamental para dar certo. Está ligado a quem somos como pessoas genuinas. Nossa história é verdadeira, sem invencionices para impressionar e fazer pose. Levamos para dentro da empresa nossos gostos reais, de objetos a ideias e estilos. Esse é, provavelmente, o grande segredo que posso te passar: seja verdadeiro. Que a comunicação de sua empresa esteja sintonizada com aquilo que você é e acredita. O resto, acho eu, será mera consequência.

 

Ivan Primo Bornes – fundador e masseiro do Pastifício Primo, acredita que um negócio também pode ser trabalhado como uma obra de arte

 


Atendimento digital: não basta ter, é preciso que funcione

14 de março de 2016

Na quinta-feira à noite, 20h58min, faltou luz em minha casa na Serra da Cantareira, município de Mairiporã. Eu estava me despedindo dos alunos de um curso online da ESPM. Cansado de um dia cheio, naquela escuridão, chovendo, escovei os dentes e fui dormir. Acordei cerca de 5h40min, ainda sem luz. Usei a bateria que restava do meu celular para acessar a agência virtual da Elektro, registrei a ocorrência e tive a primeira previsão de retorno da energia: 09h01min. Por volta de 11h da manhã, nada de luz.

Com compromissos em São Paulo  resolvi descer, precisava ir ao apartamento me preparar. Na cidade acessei a internet, vi as notícias das tragédias, de como Mairiporã e aquela região de Caieiras e Franco da Rocha (perto da minha casa) tinham sido durante atingidas. Vi a mobilização dos vizinhos juntando donativos para os desabrigados, as imagens das cidades alagadas.

Verifiquei a nova previsão de retorno da luz: 21h da sexta-feira. As 23h ainda faltava energia. A previsão mudava sem parar. A cada acesso, um novo horário, cerca de quatro horas depois da hora da consulta. Minha intenção era saber o que de fato estava acontecendo. Quais foram os danos? Qual a real previsão de retorno? Eu precisava tomar decisões a partir dessa informação. Fiquei pensando, será que alguém fica ligando e informando, tudo assim em tempo real? Ou será apenas uma variável que soma o número médio de minutos?  Por que informar uma previsão se ela é irreal?  Vejam nos prints que a cada minuto, a previsão muda. E o pior: nenhuma é cumprida.

Uma vizinha da Serra me informou que o pessoal da Associação tinha recebido informação de que estrago tinha sido grande, que uma região enorme estava sem luz. Fui procurar no site mais  informações.  Não encontrei nenhuma (a última notícia era de 3 de fevereiro).  Fui no Facebook. A última postagem foi de 20 de fevereiro e informava que, ”escrito em 1968, ‘Pedagogia do Oprimido’, de Paulo Freire, foi o único título do país a aparecer na lista dos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa do projeto Open Syllabus.”. Sou fã de Paulo Freire, mas não era essa a informação que eu estava procurando.

Resolvi mandar um e-mail perguntando quais os reais motivos que nos fazem ficar sem energia e qual a previsão real de retorno da luz. Recebi uma resposta padrão –  com uma nova previsão de horário que não foi cumprida.Ainda em São Paulo eu precisava voltar para casa. Estou finalizando uma obra e vários profissionais não tinham conseguido trabalhar na sexta. Tínhamos esperança de retomar os trabalhos no sábado.  Resolvi tentar o chat para descobrir uma previsão real para o reestabelecimento da energia – e desse modo poder avisá-los sobre a empreitada no sábado.

A frase final do chat para mim soou como um deboche: “sua opinião é muito importante para nós”.

As 11h de sábado tentei o telefone. Só consegui falar com o autoatendimento. Nova previsão: 14h (na internet informava 15h). A luz voltou domingo, às 8h da manhã, 59 horas depois da queda da energia.O atendimento na era digital não é para ser assim. Ele deve ser MELHOR do que era antes da internet. Recentemente comprei no site de compras brasileiro Kabum e eles mostraram passo a passo o processo de entrega da mercadoria, desde a separação do estoque até o nome do porteiro que recebeu a encomenda.
E a Elektro não consegue atualizar o site para informar sobre os estragos que a chuva fez em sua rede, deixando milhares de consumidores sem energia??? Mesmo depois de uma tragédia, continua informando previsões baseadas em cálculo médio de minutos? Com tantos engenheiros na empresa, não tem nenhum que possa passar um WhatsApp ou memorando ao supervisor do serviço de atendimento para que informem com clareza o que está acontecendo de fato? Por que não mobiliza os funcionários em campo para enviar fotos ou vídeos mostrando o motivo da interrupção tão prolongada – e como eles estão se esforçando para resolver o problema? Dois dias e meio sem energia, tendo que colocar no lixo todo o alimento da geladeira, sem conseguir tomar banho, sem internet ou mesmo como carregar o celular? Seria muito mais correto se a concessionária informasse: considerando que a condição crítica após as chuvas gerou uma situação excepcional, fugindo totalmente à normalidade, estamos fazendo isso, aquilo e aquilo outro para resolver. Poderia até oferecer uns links para matérias e reportagens de jornais e TV.

Lembre-se: se for oferecer um serviço digital, ele precisa melhorar a experiência de atendimento ao cliente – e não dificultar. Use a internet para ser mais transparente. A Elektro está disponível através de telefone, site, chat, email, Facebook mas atendimento mesmo não existe.  Se deseja usar os meios digitais para atender, eles precisam funcionar e não adianta confiar nas respostas automáticas. Não basta “parecer”, é preciso “ser” e usar a tecnologia a serviço do cliente.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br.

Que tempos são estes em que temos que defender o óbvio?

11 de março de 2016

Todos, de algum modo, sabem que empreender um negócio próprio no Brasil é muito, mas muito arriscado. Cerca de 60% dos novos negócios fecham suas portas nos primeiros cinco anos. E os que sobrevivem, não necessariamente têm sucesso. Em sua quase totalidade, simplesmente sobrevivem. No que diz respeito às startups inovadoras de tecnologia, mais de 90%  das empresas não chegam ao segundo ano de vida.

Mas o que os novos empreendedores aprendem com a parcela majoritária que fracassou? Quase nada. Enquanto o sucesso é onipresente, o fracasso é invisível. O sucesso é popular, mas o fracasso é solitário. O sucesso é o agora e o fracasso é por muito tempo. Mas o que mais chama a atenção é que o sucesso é visto como sabedoria, mas o fracasso é a obviedade.

O último levantamento do SEBRAE sobre as razões das pequenas empresas fecharem as portas, indica a falta de planejamento como a primeira causa mortis.  Ao abrir a empresa, parte dos empreendedores não levantou informações importantes sobre o mercado e mais da metade não realizou o planejamento de itens básicos antes do início das atividades da empresa. Mas não é óbvio que os empreendedores deveriam se dedicar mais ao planejamento prévio?

Por outro lado, o fato de Howard Schultz ter escrito um plano de negócio detalhado ao fundar sua empresa e Alexandre Tadeu da Costa ter previsto em 2003 que teria mil lojas em 2010 (e conseguiu) são exemplos de capacidade de planejamento para muitos… poucos novos empreendedores. Se a Starbucks e CacauShow não forem citadas, quase ninguém reconhece seus empreendedores e tampouco suas lições.

A segunda grande causa dos fracassos das novas empresas está relacionada à capacidade de gestão. Os negócios que fecham antes de completarem cinco anos aperfeiçoam menos seus produtos e serviços, não se atualizam tecnologicamente e não inovam continuamente em processos. Novamente, os novos empreendedores irão se perguntar se não é óbvio aperfeiçoar continuamente produtos e serviços da empresa, ter uma empresa sempre atualizada tecnologicamente e ainda inovar em processos.

Por isso Larry Page e Sergey Brin são celebrados como gênios no desenvolvimento de produtos, serviços e novas tecnologias a frente do Google. Da mesma forma, o Sonho Grande de Jorge Paulo Lemann é cultuado pelo seu processo de construir grandes empresas. Mas poucos conseguem associar como o OKR e o PDCA contribuiu na gestão das empresas destes empreendedores.

E por fim, a terceira maior razão dos fracassos dos empreendedores, segundo o SEBRAE, está associada ao comportamento empreendedor. Empreendedor que não se antecipa aos fatos, em geral, fecha sua empresa em menos de cinco anos. Se não busca intensamente informações ou persegue os objetivos com insistência, tem o mesmo destino trágico. Mais uma vez, o empreendedor de primeira viagem vai achar que faz sentido alguém que não se antecipa aos fatos, não busca informação ou ainda que não é resiliente não conseguir liderar um negócio de sucesso.

Daí, também faz sentido a obsessão quase doentia de Steve Jobs em ser mais rápido e mais surpreendente do que seus concorrentes, Sam Walton em levantar informações detalhadas de concorrentes, clientes e fornecedores fazer sentido e Henry Ford por criar um carros para as massas serem exemplos tão citados. Mas poucos se dedicam a entender o comportamento empreendedor dos fundadores da Apple, Walmart e Ford Motors.

No fim, as causas do fracasso são sempre percebidas como óbvias. E por serem vistas desta forma, são descartadas como oportunidades de aprendizados. Curiosamente, as causas do sucesso também são as mesmas, mas por serem bem executadas, se tornam… óbvias e por esta razão, muitos não conseguem enxergar as lições aprendidas.

Diante de tantas obviedades, a frase do dramaturgo alemão Bertolt Brecht ainda continua óbvia: Que tempos são estes em que temos que defender o óbvio?

Marcelo Nakagawa é Diretor de Empreendedorismo da FIAP e Professor de Empreendedorismo do Insper.

A geração perdida

10 de março de 2016

Alguém reparou? Uma geração inteira de empreendedores brasileiros está sendo massacrada pela crise que martela o País!  Não me refiro apenas a empresas que fecharam, ou que encolheram, que demitiram, que recuaram ou mesmo que congelaram seus planos de crescimento com a crise. Falo especialmente de todos aqueles futuros pequenos empreendedores que sequer chegarão a surgir, porque preferiram se acomodar em algum emprego, intimidados por verem tantos outros sucumbirem.

Além de debilitar a política e drenar a economia, o atual tornado que estacionou entre nós está estraçalhando os sonhos de toda essa geração que, nos últimos 5 anos, apostou as economias de uma vida, energia, tempo, ideias e expectativas no projeto de um negócio que, apesar dos esforços, muitos não vão conseguir sustentar pelos próximos meses.

E eu me pergunto: quantos anos vamos demorar para criar novamente uma força empreendedora significativa? Quanto teremos retrocedido? Porque a verdade é que não se formam bons empreendedores de um dia para o outro. É um processo demorado, complexo, caro, de muito estudo, de exemplos estimulantes, positivos, com perspectivas reais de prosperar.

Ao longo dos últimos anos, foi impressionante e animador o desenvolvimento na cultura empreendedora no Brasil. Jornais, revistas, programas de TV, cursos especializados, este blog… Fornecendo informação, energia vital, troca de ideias, sinapses. Uma grande movimentação, ganhando força e volume, uma sensação arrebatadora de que “agora vai”!  Tínhamos voltado a acreditar que éramos o país do futuro, a terra das oportunidades, o mercado emergente da hora no mundo. Tínhamos voltado a soltar nossos sonhos, apostar nas nossas ideias, investir em nossos projetos.

Mas o tsunami pegou a todos nós no meio da travessia até a terra nova, afundou nossas ambições, atropelou nosso plano de navegação, turvou nossa visão de futuro. Nos roubou a linha de chegada. Quanto esforço e investimento perdido, todo o preparo e treinamento, toda essa mobilização agora sem sentido. E não só de quem empreendeu, mas de seus colaboradores, sua família, seus fornecedores, até seus clientes – um efeito dominó de frustrações.

Apesar de ser um otimista incorrigível, hoje confesso que me bate uma tristeza: um melancólico sentimento de desperdício. No meio da luta para manter o ânimo das tropas, me vejo obrigado a fazer um minuto de silêncio por todos os futuros grandes e brilhantes empresários que estamos dizimando. Mais uma geração perdida de empreendedores deste país.

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo e veterano empreendedor, no meio da tempestade procura todos os dias manter a calma e o foco no sonho, esperando a grande crise passar, e com todos a salvo.