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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Quer ser lembrado? Então, roda, roda, roda baleiro, atenção!

29 de janeiro de 2016

Quando o baleiro parar, põe a mão. Pegue a bala mais gostosa do planeta, não deixe que a sorte se intrometa. Bala de Leite Kids. A melhor bala que há. Bala de Leite Kids. Quando o baleiro parar.

Se tem mais de 40 anos, já entregou sua idade pelo sorriso que deu agora.

Empresas e empreendedores estão investindo fábulas em Google Adwords e Facebook Ads para que suas marcas sejam lembradas e relembradas e se esquecem de que várias fórmulas antigas ainda funcionam, mesmo nesta era ultraconectada, individualizada e mensurada.

Desta forma, o tempo passa, o tempo voa, mas o jingle continua numa boa. E quando acaba? Quando acaba a gente quer de novo. Gostoso. Cremoso. Quando acaba a gente quer de novo. Todo mundo gosta a qualquer hora em todo lugar. Vigor Grego, a gente quer de novo. Talvez não reconheça a música, mas se tiver filhos pequenos, como eu, é bem provável que saiba o impacto desta musiquinha. Pois vende como pipoca…

E quem tem mais de 35 anos sabe que pipoca na panela, começa a arrebentar. Pipoca com sal, que sede que dá. Só eu e você, que sede no ar. Quero ver pipoca pular (pipoca com Guaraná). Quero ver pipoca pular (pipoca com Guaraná). Quero ver pipoca pular, pular. Soy louco por pipoca e Guaraná! Isto foi em 1991, e muitos (ou quase todos) cantam como se fosse hoje.

Por isso, muitos estudos já demonstraram o poder da música na criação e, principalmente, lembrança de uma marca. E Juliano Prado e Marcos Luporini provaram isto na prática, repetidas e repetidas vezes, pois são os empreendedores da Galinha Pintadinha (E do Galo Carijó. A galinha usa saia e o galo, paletó). Se ainda não tiver filhos, mas pretende tê-los, acredite: saberá quem ficou doente e quem nem ligou. Mas os mais “experientes” sabem que de leste a oeste, de norte a sul, a onda é a dança da galinha azul. Bata as asas, dê uma ciscadinha. Bata as asas, dê uma bicadinha. Afinal, este era o caldo nobre da Galinha Azul no final da década de 1980.

E agora, mesmo que muitos hábitos tenham mudado e as pessoas já não apanhem o sabonete, peguem uma canção e cantem sorridente pois o banho de alegria (precisa ser rápido) em um mundo de água quente, outros costumes continuam.

Por exemplo, depois de um sono bom, a gente levanta, toma aquele banho e escova o dentinho. Na hora de tomar café, é o Café Seleto, que a mamãe prepara, com todo carinho. Café Seleto tem sabor delicioso. Cafezinho gostoso, é Café Seleto.

Ou, já que hoje é sexta feira, chega de canseira. Nada de tristeza…

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper e diretor de Empreendedorismo da FIAP

Conexões duradouras

29 de janeiro de 2016

Estou participando de um programa da embaixada britânica que reúne líderes de diferentes segmentos e países. Durante uma semana, temos uma programação intensa de reuniões, palestras e visitas a empresas. Muitas coisas me chamaram a atenção no programa, dentre elas uma ida que fizemos até Manchester para conhecer uma escola de ensino infantil e fundamental chamada St. Mary Primary School.

Particularmente, sou extremamente interessada em empresas que atuam com educação e visitar essa escola foi uma forma de ampliar a visão sobre a maneira como educamos nossas crianças. Além disso, olhando para o lado do negócio, dois pontos me chamaram muita atenção por serem situações que podem ser aplicadas em diversos tipos de negócios a fim de criar um melhor relacionamento com os clientes.

O primeiro é a ‘open door policy’, ou seja, um dos princípios da escola é estar sempre de portas abertas para atender os pais de seus alunos, independentemente do horário. Eles priorizam o atendimento individual e fazem questão de cuidar muito bem dos clientes. Evidentemente, o tipo de negócio – uma escola infantil –, requer cuidado extra no relacionamento com os pais, afinal, é naquele ambiente que os filhos deles ficam. Mas o fato de expor essa política certamente deixa esses pais mais tranquilos e confiantes com o serviço prestado pela instituição. Essa política, inclusive, vale para qualquer tipo de empreendimento e, respeitando as particularidades de cada um, pode ser aplicada em outras empresas que desejam ampliar estrategicamente seu relacionamento com os clientes.

O segundo ponto tem a ver com a maneira como a escola está inserida naquela comunidade. Eles se veem como parte dela, tanto alunos quanto colaboradores moram ali, naquela região, e isso interfere diretamente na forma como o negócio é administrado. Grande parte da equipe da escola mora próxima do local onde trabalha e grande parte dos alunos mora perto de onde estuda.

A escola acredita que o interesse do colaborador é muito maior quando ele atua em uma empresa de sua própria comunidade, que beneficia sua família e amigos. Por isso, o recrutamento leva em consideração quem efetivamente vive na região. Isso é muito poderoso para qualquer tipo de organização. Além disso, alunos e professores se encontram pelo bairro e, se eventualmente ocorrer qualquer problema, será mais fácil encontrar os pais das crianças.

Depois de formados, os alunos continuam próximos da escola já que lá é onde eles habitam. A ideia é que a comunidade vive dentro das pessoas, e investindo em fortalecer esse sentimento, a escola está na verdade investindo também em uma conexão mais profunda com seus colaboradores e alunos.Cada empresa tem suas particularidades e necessidades, mas manter um relacionamento aberto com clientes, estar disposto a recebê-los e valorizar a comunidade que está ao seu redor são fatores capazes de amplificar o impacto da empresa na sociedade.

* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estadão PME

A emoção inteligente

28 de janeiro de 2016

Tenho abordado o assunto da Inteligência Emocional diversas vezes e com vários enfoques – na aventura, no Jedi, na montanha e no fracasso, por exemplo.

Hoje quero compartilhar com você o meu entusiasmo por esta habilidade social fundamental, e que sim, a literatura garante que pode ser desenvolvida e melhorada e que muitas vezes é deixada em segundo plano – já que ser empreendedor é lidar com pessoas o tempo todo, não é?

Também chamado de QE (quociente emocional), para mim é obviamente um dos elementos mais importantes para obter sucesso em qualquer empreitada e, sabendo disso, dedico bastante tempo ao aprendizado humilde e demorado destas capacidades – e acredite, não é nada fácil.

Na antiga Grécia, em 400 a.c. Platão diz que todo aprendizado tem uma base emocional. Hoje parece uma ideia óbvia, mas na época isso foi muito revolucionário e influenciou tudo e todos a partir desse ponto.

Nos anos 1930, o psicometrista Edward Lee Thorndike começa a definir o conceito de “inteligência social” como a capacidade de se dar bem com as outras pessoas, com uma função utilitarista.

Se passam 50 anos e, em 1983, um psicólogo chamado Howard Gardner escreve um livro chamado Estruturas da Mente, onde elabora uma teoria que afirma que as pessoas tem 7 tipos de inteligência (inteligência visual/espacial, inteligência musical, inteligência verbal, inteligência lógica/matemática, inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal e inteligência corporal/cinestética).

Em 1990 os psicólogos Peter Salovey e John Mayer divulgam uma teoria e usam pela primeira vez a expressão Inteligência Emocional, que definem como “…a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros.

Mas foi o californiano Daniel Goleman que “lacrou” o assunto e ganhou notoriedade com o livro best-seller Inteligência Emocional em 1995, colocando um holofote definitivo sobre a importância da “…capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos.

Para Goleman, a inteligência emocional é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos, inclusive indicando que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. E, desse modo, pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza, têm mais chances de obter o sucesso.

Parece fácil, não? Mil livros, muitos cientistas pesquisando o assunto, e mesmo assim nenhum resultado é garantido!

Pois é, o QE é muito, mas muito difícil de adquirir, provavelmente a jornada de uma vida. Um bom começo me parece ser praticar todos os dias com as pessoas que estão ao nosso redor – quem sabe um básico bom dia ao vizinho no metrô? Para mim, tudo é válido, e eu não dispenso yoga, aventuras radicais, incenso, viagens, leituras, filmes, novela de TV, gibi, horóscopo, reza e tudo o que me provoque uma transformação emocional positiva – mas isso já é outro assunto.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo tenta, diariamente, ser uma pessoa mais inteligente, mas pensa que, ás vezes, os resultados podiam ser melhores!

Para sonhar grande, é preciso parar de agir pequeno

22 de janeiro de 2016

Jim Collins, o maior pensador de negócios atualmente é fã deles. Warren Buffett, o investidor mais idolatrado do mundo é mais que fã, é sócio deles. É fato que o legado de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira sobre como construir grandes empresas será muito maior do que os seus negócios.

O sucesso deste legado é refletido nas vendas do livro best-seller Sonho Grande (Editora Sextante, 2013), que vendeu mais de 300 mil unidades apenas da sua versão em português.

Os ensinamentos do trio agora viraram lugares comuns em artigos, treinamentos de autoajuda corporativa e mantras para executivos e empreendedores.

Por terem sido tão vitoriosos, suas mensagens fazem muito sentido… para eles. Para os demais, que ficam inspirados pela beleza da sabedoria implícita, pode ser apenas sonho grande ou apenas uma realidade pequena.

Diz Jorge Paulo: “Comecei a usar a regra de tentar reduzir todas as disciplinas a cinco pontos essenciais. Eram as coisas básicas que eu tinha de saber bem. Hoje em dia é algo que usamos em nossas empresas”. Pensa o que sonha grande: “Uau! É isso!” Passado um tempo, pergunte quais são seus cinco pontos essenciais e obterá um “hum?” como resposta.

E continua a refletir as sábias palavras: “…descobrimos cedo que, numa sociedade, é bom ter pessoas diferentes. Não pode ser todo mundo igual. Pessoas diferentes têm habilidades diferentes.” Balançando a cabeça, mesmo que mentalmente, o que sonha grande concorda: “Isso, isso, isso!”. Mas depois, só contrata pessoas que pensam como ele(a) já que como são inteligentes as pessoas que pensam como nós. Mais um tempo, a empresa só tem clones do chefe.

Os mais entendidos sabem que Lemann sempre foi um tenista muito competitivo, mas poucos sabem que, além disso, o tênis o ensinou outras lições marcantes. Uma foi o jeito simples, direto e espartano, marcas do seu tipo de gestão. “Sempre tentamos administrar tudo com simplicidade, objetividade. Nada é muito enrolado nas nossas coisas.” – diz. “Tive um professor chileno que me influenciou muito na maneira com que eu vejo as coisas. Ele tinha dois ditados. O primeiro era ‘mucha ropa, poco juego’. Quer dizer, o cara que aparecia todo bem-vestido e com muitas raquetes, em geral, não jogava nada. O segundo: não jogue para a plateia, mas para ganhar o jogo. Até hoje, muito elogio me deixa preocupado.” Mas muitos dos que sonham grande ainda continuam sendo complexos, indiretos e, principalmente, caros para suas organizações. Para estes, a aparência ainda é mais importante do que a essência. E elogios são sempre bem aceitos, claro.

A base da receita do sucesso de Jorge Paulo, Beto e Marcel é sintetizada por algo que se tornou o principal referencial para todos que querem construir grandes negócios: “Estamos sempre tentando escolher gente melhor do que nós” ou “Basicamente queremos encontrar sempre pessoas melhores do que nós” – explicou Lemann em diversas ocasiões. Mas muitos dos que sonham grande, curiosamente, sempre têm as melhores ideias da equipe…

E não há algo mais verdadeiro para os que sonham grande do que a principal atitude de Lemann: “Delego muito: nunca fiz questão de ser o cara que fazia tudo. Gastei mais tempo escolhendo e formando gente muito boa, para eventualmente dar oportunidades a eles e ter mais tempo para mim”. Muitos sonhadores concordam com este ensinamento… desde que tenham a palavra final.

Daí, mais do que por essas razões, mas por essas ações, é preciso refletir se o que é grande mesmo é o sonho ou é o ego.

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper e diretor de Empreendedorismo da FIAP

Eu só queria uma pizza

21 de janeiro de 2016

Eu só queria uma pizza.

Sábado passado, decidimos, eu e minha mulher, evitar a noite confusa de São Paulo. Não queríamos pensar em um restaurante para ir. Não queríamos chegar lá e encontrar filas. Queríamos ficar em casa, comer uma (boa) pizza e experimentar uma nova cerveja de Barcelona que compramos recentemente. Decisão tomada, peguei o carro e dirigi com ela até uma pequena e simpática pizzaria delivery do bairro.

Ela, a pizzaria, abriu as portas idealizada por um amigo de um amigo nosso com uma proposta interessante. Vender pizzas que fossem mais elaboradas – como a que se chama ‘alho negro’ e a que faz homenagem a uma das primeiras pizzarias da cidade e se chama ‘castelões’. Entra mês, sai mês, e a diferenciação de mercado não surtiu o efeito esperado – suspeito que as pessoas, os consumidores, pensaram: ‘Se é para comer uma pizza mais elaborada, isso tem de fazer parte do ritual de sair para comê-la em um restaurante, não em um domingo à noite enquanto espero o Fantástico começar.’

Uma pena.

Depois de alguns meses adiando o inevitável, o delivery foi vendido e quem o assumiu foram dois empreendedores que deveriam estar à frente de uma startup, criando o novo Facebook, a nova Netflix. Onde mais, afinal, você esperaria a sua pizza no balcão escutando Smiths? Hipsters que tinham algo a dizer: colocaram wi-fi, mantiveram os meus sabores preferidos no cardápio – castelões e alho negro – e popularizaram as pedidas com versões mais tradicionais das redondas.

Aparentemente não deu certo. Antes do último sábado, havia ido até a pizzaria no começo de dezembro e não os vi mais por lá. Havia dois novos empresários. Calculei o óbvio e posso estar errado: eles, os hipsters, também ‘passaram o ponto’. Não liguei para o assunto, levei a pizza para casa e, como todos nós, fui me deprimir em frente da televisão esperando o Fantástico começar, acabar e a inevitável segunda-feira chegar.

O que nos leva ao último sábado.

Cheguei no balcão e fiz a pedida certa: meia alho negro e meia castelões.

O rapaz, muito atencioso, anotou o pedido e sacramentou: fica pronta em dez minutos. Fomos, eu e minha mulher, esperar na porta da pizzaria, onde há algumas mesinhas em que você pode até se servir do seu pedido por lá mesmo se desejar. Dez minutos, quinze minutos, vinte minutos e nada da pizza. Ficamos preocupados quando ouvimos o rapaz do balcão gritar com o pizzaiolo: ‘Não,  o pesto (de alho negro) não vai na castelões. Vai na outra’. Mantivemos nossa fé, mas confesso que fiquei com uma pergunta na cabeça: eles não sabem produzir a pizza que está no cardápio?

Não sabiam. Mais vinte minutos de espera e nos entregam a pizza. Agradecem nossa compreensão. Mas não resistimos. Abrimos ali mesmo a caixa para verificar se algum milagre ocorrera e o pedido estava certo. Não estava. A alho negro, que leva pesto de alho negro e nozes, não tinha nem uma coisa nem outra. Tinha queijo e tomate-cereja (?!?!). O pesto, de manjericão, estava espalhado pela castelões, que trazia linguiça de javali praticamente crua.

Não poderíamos aceitar. Pedi para devolverem o dinheiro. Devolveram. Confesso. Fiquei com pena do rapaz no balcão, que tem tudo para ser o novo dono da pizzaria, completamente perdido diante de um simples pedido de pizza. ‘Ele não sabe fazer a pizza que está no cardápio’, minha mulher disparou depois no carro, de volta para casa.

‘É, não sabe’, respondi. E pensei: ‘Eu só queria uma pizza’.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Do que aprendemos nos livros de ontem

21 de janeiro de 2016

Como estão os custos de sua empresa? Bem cuidados? Certeza?

Uma vez li a frase que diz ‘os custos não são feitos para ser calculados, eles existem para ser reduzidos’… e sempre levamos este assunto bem a sério na gestão do Pastifício PRIMO.

Acredito que não importa se o seu negócio é serviço ou produto. Em épocas de crise – como a atual – toda ideia que ajude na redução de custos merece uma atenção redobrada, e este tem sido meu principal foco de trabalho e estudo nestes últimos meses.

Como acontece algumas vezes, as respostas que procuramos chegam de forma inusitada. E desta vez foi revirando a minha biblioteca, separando alguns livros “para doar”. O acaso me fez olhar melhor o Just-in-Time – um livro chato sobre processos industriais dos anos 90 – e algumas frases soltas ali me provocaram um estalo! Para resumir: uma coisa leva a outra, e um momento depois estava pesquisando na internet o Sistema Toyota de Produção, encantado.

Mesmo não sendo nenhuma novidade, quero compartilhar com você um pouco do que tenho lido sobre o assunto e, principalmente, como adaptar este conhecimento para nossos pequenos negócios.

O começo

Todos conhecemos a inovação de Henry Ford e a linha de montagem do modelo T, criada em 1908. Mas nos anos 1950 aconteceu algo muito interessante no mundo automotivo. Um grupo de engenheiros da Toyota, depois de estudar o sistema Ford, o aprimoraram, definindo novos patamares, organizando a extrema complexidade das novas demandas de mercado e o avanço tecnológico.

Assim surgiu o Sistema Toyota de Produção, cheio de sabedoria oriental, zen, quase poética, e que já foi modinha no século passado, mas ainda tem muito a nos ensinar. Acho que eu nunca tinha observado com tanta paixão como agora os conceitos – que estão inseridos em três termos japoneses que são o alicerce de todo o sistema – do modelo 3M: Muri, Mura e Muda.

Muri (sobrecarga)

Se refere à sobrecarga de pessoas ou equipes que, apesar de parecer mais econômico trabalhar com menos pessoas, termina por ser ineficiente. Isso significa que as pessoas estão trabalhando extenuadas, o que pode resultar em produtos defeituosos, falta de produtividade, esgotamento físico e mental, lesões por esforços repetitivo, ou até mesmo acidentes.

Mura (desequilíbrio)

Quer dizer uma força de trabalho desbalanceada no fluxo do produto ou serviço, provocando gargalos. No nosso dia-a-dia já passamos por isso várias vezes: trabalhamos feito doidos num dia, pagando hora extra, para entregar um pedido, e no outro dia havia nada para fazer.

Muda (desperdício)

Esta é a parte que achei mais bacana, e de amplo entendimento. A definição de desperdício é simples: tudo o que soma ao custo da empresa e que não é valorizado pelo cliente!

Os japoneses definiram 7 Mudas:

- superprodução – fabricar mais do que necessário gasta energia, consome o caixa e causa superestoque

- estoque – manter estoque parado é um custo, seja de espaço como de capital, e precisa ser cuidado, precisa de pessoas para que não estrague ou se desvalorize

- movimento – estações de trabalho mal distribuídas diminuem a produtividade, o funcionário tem que parar a todo momento para buscar matéria prima, ou pegar uma ferramenta

- espera – uma máquina parada por falta de matéria prima resulta em um gargalo, atrasando um cronograma e prejudicando toda a cadeia produtiva

- transporte – tempo e dinheiro movendo produtos de um lugar a outro, quando na verdade o produto precisa chegar no ponto de venda!

- superprocessamento – fazer produtos complexos sem receita extra, que o cliente não percebe valor, é um total desperdício

- defeitos – produtos abaixo do padrão provoca devoluções, perda de clientes e desprestigio, portanto devemos focar em fazer o melhor produto

Aposto que você, lendo os 7 Mudas, já está tendo ideias para hoje mesmo começar a trabalhar melhor.

E mudar! Nas crises é onde costumam aparecer novas formas de ser mais eficiente, mais produtivo, mais enxuto.

E se você, por acaso, ainda não começou a cortar custos, eu recomendo urgente pegar a tesoura!

Sem mimimi, sem enrolação, sem ficar esperando um milagre acontecer (que esses estão muito escassos).

Bora arregaçar as mangas e colocar as mãos na massa.

Ivan Primo Bornes – fundador e mestre masseiro do Pastificio Primo, passa os dias com a mão na massa e os olhos nos custos

Inovação sustentável

19 de janeiro de 2016

Na última coluna, falamos sobre obituário corporativo, que engloba prever desafios futuros que poderão impactar algo dentro de uma empresa e, a partir disso, desenvolver soluções para que as previsões negativas não se concretizem. Demos, inclusive, o exemplo do carro híbrido desenvolvido pela Toyota, o Prius, criado a partir dessas observações. Continuando nessa linha, hoje vamos analisar a Tesla Motors e como Elon Musk, CEO da companhia, conduz as operações da empresa que produz veículos 100% elétricos.

Para Musk, o grande desafio da humanidade neste século é encontrar alternativas sustentáveis para o transporte e, principalmente, para a energia. A Tesla, portanto, vai além de ser uma montadora. Ela é uma empresa de energia elétrica e sustentável que, nos próximos anos, promete fabricar carros elétricos a preços acessíveis para a população e também redefinir a rede de energia que abastece o mundo.

Há muitas peculiaridades na gestão da Tesla. Duas delas são uma visão única sobre a importância de se abrir informações e uma estratégia de marketing contida. Enquanto algumas empresas protegem com unhas e dentes as suas patentes, Tesla foi contra a maré ao abrir todas as suas patentes. A razão é simples: patentes muitas vezes podem limitar inovação. Com mais informação, mais gente pode melhorar ou criar soluções. Ou seja: melhor aumentar a pizza toda do que ficar lutando por um pedaço maior de uma pizza pequena. Em termos de marketing, a Tesla também inova no sentido de não investir em publicidade e até mesmo os comunicados para imprensa são raros, somente em ocasiões de fato relevantes. O resultado: menos ruído que possa interferir com o que é relevante de verdade.

Ao fazer o exercício do obituário, muitas empresas podem ver como desafio um mercado que não cresce, e também uma comunicação externa com ruídos.  Tesla nos mostra algumas ideias de soluções para essas duas ameaças.

* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estadão PME

Realize! A vida é muito curta para “apenas sonhar”

18 de janeiro de 2016

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Para acessar outros conteúdos, curta aqui.

Ano novo, promessas feitas, votos definidos. Desejos para o período que se inicia. As listas de resoluções de novo ano sempre são recheadas de vontades: emagrecer, viajar, trabalhar menos, fazer exercícios, renovar ou encontrar uma grande paixão…  Nos negócios, os planos, na maioria das vezes, buscam crescimento, lucratividade, inovação, melhoria na qualidade, expansão… Sonhar, ter ambição, desejar aquilo que parece impossível ou difícil de ser realizado é ingrediente fundamental de uma empresa de sucesso.

Tenho na memória uma história que ilustra bem a importância de fomentar o desejo por conquistas (já pesquisei na Internet a referência e não encontrei, se alguém souber e puder enviar agradeço). Li num artigo, já faz mais de 20 anos, sobre uma pesquisa feita com crianças americanas que, periodicamente, respondiam a famosa pergunta: o que você vai querer ser quando crescer? Ao longo do tempo, as crianças iam mudando seus desejos: atleta, músico, artista, astronauta, professor, médico, motorista … E a pesquisa acompanhou as crianças durante a adolescência até a idade adulta. O resultado mostrou que, dentro do grupo estudado, daqueles que desejaram ser astronautas, nenhum de fato conseguiu alcançar essa posição – mas dois conseguiram ser pilotos de avião comercial. Já das crianças que diziam querer ser motoristas de caminhão ou de táxi, nenhum virou astronauta nem mesmo piloto de avião. Ou seja: quem almeja algo mais desafiador, pode até não atingir seus objetivos, mas se aproxima dele.  E não estou valorizando ou desmerecendo nenhuma profissão. A questão aqui é lembrar que quem determina nossos limites somos nós mesmo, pois tudo acontece primeiro na mente antes de virar realidade. Se você imagina sua empresa sempre pequena, vendendo para vizinhos e conhecidos e faturando “para pagar as contas”, ela nunca será um grande negócio.  Ou, como diria o poeta e músico André Abujamra, “o mundo dentro da gente é maior do que o mundo fora da gente”.

Vencida a importante etapa de definir objetivos (“sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho” ensina Jorge Paulo Lemman) vem a parte mais difícil: executar, realizar. Pois quando as ideias se tornam realidade, existe uma série de dificuldades aparecem e elas precisam ser superadas. Tudo pode ser desculpa para que seu sonho não aconteça. Ainda porque as variáveis são inúmeras -  e a grande maioria delas incontroláveis pois dependem de fatores externos (outras pessoas, clima, aspectos sociais, econômicos, …) que independem de sua vontade. Por isso deixo aqui algumas dicas para que você tenha coragem e determinação para realizar em 2016 (lembre-se jacaré parado vira bolsa):

- Não tenha medo de errar – Lembre-se Thomas Edison antes de “inventar” a lâmpada experimentou centenas de materiais em mais de um ano de testes diários com centenas de diferentes materiais (fios metálicos, tecidos, carvão, líquidos combustíveis, …) até encontrar o filamento que deu origem a lâmpada incandescente.  Portanto, não tenha medo se seus primeiros testes não sejam de pleno sucesso: errar faz parte do processo.

- Tenha objetivos estimulantes – É preciso que você tenha motivação suficiente para que você tenha energia e garra para fazer acontecer. Se sua vontade for trocar seis por meia dúzia, do tipo “tanto faz” ou “nice to have”, você facilmente encontrará justificativas para desistir.

A ilustração de @fakegrimlock para “The Lean Entrepreneur” mostra que correr em busca de uma boa recompensa pode ser mais eficiente do que dispersar esforços.

- Defina metas alcançáveis – Se seu objetivo for “fazer um MBA na Espanha” talvez uma meta interessante seja “concluir nível X do curso de espanhol”.  Meta é algo mensurável, deve ser quantificada e ter prazo para acontecer.

- Prototipe – Construir a primeira versão de um produto ou serviço ajuda mais que ficar apenas planejando. Portanto, defina um primeiro escopo e dedique-se a finalizar. Rode o PDCA.

- Persevere – Perseverar não é sinônimo de insistir. Nos negócios, quando se diz “seja perseverante”, o que se quer é que o empreendedor não desista de seus objetivos, mesmo que tenha que mudar sua estratégia para alcançar o que quer. Perseverar não é ser teimoso, mas sim ser flexível e usar da criatividade com determinação e sem desanimar –  para encontrar maneiras de obter os resultados que deseja.

Finalizo com um provérbio árabe para sua reflexão e estímulo para um 2016 de muitas realizações:

Pensar bem é ser sábio.

Planejar bem é ser mais sábio.

Executar bem é ser o mais sábio.

Abraços e um ótimo ano para nós!

Cinco minutos de gestão: OKR para aumentar o desempenho e comprometimento da sua equipe

15 de janeiro de 2016

A regra é a seguinte: você para cinco minutos para ler algo novo ou relembrar uma técnica de gestão que pode ser útil na sua carreira como empreendedor ou executivo de uma empresa. Ao término, você decide se quer se aprofundar no assunto ou se quer acrescentar a sua contribuição para que todos aprendam mais sobre o desafio de gestão. Ou ambos!

Hoje o desafio é como aumentar o desempenho e o comprometimento dos seus colaboradores ou mesmo o seu, se fizer parte de um time. Com tantas distrações (WhatsApp, Facebook, Instagram & Cia.) e demandas pessoais, está cada vez mais difícil manter um ótimo desempenho profissional, não é? Mesmo que não perceba, isto e outras inquietudes afetam o nosso comprometimento com a empresa, até mesmo se for o dono dela. Quem já não viu um empresário que perdeu o t…, digo brilho dos olhos, e deixou a empresa meio (ou totalmente) largada?

Tem alguma mágica que incentive os colaboradores a estarem mais comprometidos e tragam mais resultados para o negócio? Sim, e talvez você até conheça algumas.

Uma é bem antiga, da década de 1960, mas que ganhou um banho de loja ao se tornar um dos pilares de gestão de pessoas do Google e se tornou top entre as startups do Vale do Silício: OKR. De Objectives and Key Results ou Objetivos e Resultados-Chave. Mas como ORC é um bicho muito feio, o termo que vem sendo utilizado no Brasil é OKR mesmo.

Na real, OKR não é magia. Mas, como em qualquer mágica, é uma técnica, que quando bem praticada parece como tal. Por ter uma lógica tão simples, empresas de todos os portes podem adotar ou pelo menos testar o OKR. Gigantes como Oracle e Sears usam. Empresas de rápido crescimento como Linkedin e Zynga também. Mas empresas menores e mais simples também podem se beneficiar.

A melhor forma de entender o que é o OKR e como testá-la é analisar o caso do Google. A empresa estava em seu primeiro ano de vida, tinha poucos funcionários, quando John Doerr, um dos investidores sugeriu que a lógica do ORK fosse implementada. Ele virou fã da técnica quanto trabalhou na Intel e isto era chamado de Administração por Objetivos.

No OKR a empresa precisa definir seus objetivos para o ano. E para atingir estes objetivos é preciso determinar resultados-chave mensuráveis. Muitas vezes não dá para chutar objetivos para três ou cinco anos, mas o resultado esperado após 12 meses é bem razoável. Após isso, o presidente e diretores também definem os seus objetivos e resultados-chave, para, em seguida, seus subordinados fazerem o mesmo, até que todos na empresa tenham os seus OKRs. Até aqui, talvez não haja nenhuma novidade. Outras técnicas de desdobramento de diretrizes também adotam esta lógica.

Mas agora aparecem os truques do OKR.

Primeiro: todos na empresa devem saber os OKRs de todos. Assim, uma simples e única planilha compartilhada já resolve o problema.

Segundo, os objetivos e resultados devem ser realizados nos próximos três meses. Isto evita que o sujeito deixe para pensar nas suas metas apenas “no segundo semestre”. Piscou… três meses já se passaram.

Terceiro: O padrão é que cada colaborador tenha cinco objetivos para o trimestre. Dois deles são definidos pelo seu chefe, mas três, ou seja, a maioria dos objetivos deve ser definidos pelo próprio funcionário. Ele(a) precisa entender para onde a empresa quer ir e daí pensar em como pode contribuir, definindo seus próprios objetivos.

Quarto: O objetivo precisa ter um resultado número que possa ser medido e esta meta precisa ser audaciosa, já que se considera que o objetivo foi atingido se o colaborador atingir 60 ou 70% da meta. E se atingir 100% ou mais… No OKR isto não é tão bem visto. Significa que você se impôs uma meta fácil demais. Não foi algo que o(a) desafiou a inovar.

Quinto: E se o resultado for abaixo dos 60%? Tudo bem. O próximo trimestre esta logo aí para você reajustar seus desafios ou inovar na obtenção dos resultados.

E por fim, no OKR todos sabem o que precisa ser feito e os resultados que devem entregar, daí não é necessário ficar controlando ou vigiando cada colaborador (pode liberar o Whatsapp..). Como determinam a maioria dos seus objetivos, naturalmente há um maior engajamento. E como os resultados devem ser audaciosos, melhores desempenhos passam a acontecer de forma espontânea.

Parece mágica e para muitos é mesmo. Da mesma forma, parece mágica que alguém consiga correr 10, 21, 42 quilômetros ou até mais. Só não é para os que treinam e se dedicam para bater suas próprias metas pessoais.

Quer aprender mais sobre OKR? Então assista a palestra do Rick Klau sobre como o Google utiliza o OKR para manter uma cultura organizacional de alto desempenho e comprometimento.

Marcelo Nakagawa é Professor de empreendedorismo e inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Sobre o “Camaleão” e os Negócios

14 de janeiro de 2016

Nestes dias, só se falou de David Bowie, e com toda razão: perdemos um dos artistas mais geniais e provocadores de todos os tempos. O mundo ficou bem mais careta e muito menos divertido.

Os motivos pelos quais Bowie era (e ainda será por muito tempo) tão importante já foram exaustivamente – e com toda razão – desfilados, e não é sobre isso que eu quero escrever.

Também não faltou quem lembrasse da faceta empreendedora do ‘camaleão do rock’, como pioneiro da internet (BowieNet em 1998) e criador de negócios como os Bowie bonds e o BowieBank.com, mas tampouco é sobre isto o meu texto de hoje.

Eu quero é prestar minha reverência a David Bowie como fã, e lembrar um pouco do que ele, como ícone da cultura pop, tem a ensinar a nós, empreendedores, com sua carreira longeva e bem-sucedida.

REINVENTAR-SE

Uma das características marcantes de Bowie que mais me inspira como empresário é a capacidade de se reinventar constantemente. Mesmo sendo um sucesso, mesmo sendo cultuado pelo trabalho que já tinha feito, o camaleão surpreendia a cada temporada com uma nova guinada, ou pelo visual, ou pelo estilo musical, ou pela atitude. Lição genial para marcas e empresas que querem ter uma carreira relevante como a dele: saiba derreter-se e se recriar constantemente, mesmo no auge do sucesso. É a melhor forma de envelhecer e fazer história (e não ficar tocando ‘satisfaction’ por 40 anos).

ABSORVER INFLUÊNCIAS

Bowie era brilhante, mas não auto-suficiente: ele sabia garimpar o que havia de bom ao redor e incorporar à sua música. E se aliava a outros grandes músicos com humildade, sabendo que somar talentos é, na verdade, multiplicá-los. Nas empresas, óbvio, vale a mesma máxima.

EXPERIMENTAR, OUSAR

O ‘homem do espaço’ investiu, como poucos, em caminhos alternativos e exóticos. Seja nos palcos como na vida pessoal, foi sempre transgressivo e provocador, quebrando diversos tabus. Incorporou nos shows androginia, teatro, moda e ópera. Com isso, Bowie ditava tendência e abria o caminho para os outros. É o que fazem as marcas inovadoras, mesmo correndo o risco de que, em algum momento do começo, sejam incompreendidas e depois sejam supercopiadas.

FUGIR DE RÓTULOS

Bowie foi roqueiro, é verdade, mas também transitou pela soul music e até pelo funk, com passagem pelo R&B e pela música eletrônica. E também foi ator, roteirista, ícone da moda, empreendedor, visionário da internet e do mercado financeiro, escritor e até pintor (muito bom, por sinal). O ecletismo foi uma de suas marcas registradas.

ATITUDE É O MELHOR MARKETING

Dono de uma grife musical milionária, Bowie ficou famoso na indústria fonográfica por não gastar fortunas com a divulgação de seu trabalho: sua atitude e seu estilo atraiam a atenção da mídia e do público quase ao natural. Ele também sabia aproveitar-se de pequenas grandes sacadas, como lançar músicas no dia do seu aniversário. E isso voltou a fazer em seu grand finale, ao lançar um álbum inesperado no seu leito de morte, dias antes de morrer. Impacto total, definitivo, de uma obra.

PERSEVERANÇA

Mesmo que a imagem que todos temos de Bowie seja de sucesso, nem tudo o que ele fez foi genial ou deu certo. Muitos dos negócios que ele iniciou quebraram, como o Bowie Bank já citado acima. Alguns discos tiveram vendas insignificantes e foram super criticados, na época do lançamento. Através de sua biografia, sei que passou por momentos de muitas dúvidas artísticas, mas mesmo assim perseverou. E o conjunto da obra afinal se mostra na sua importância e influência. Podemos esperar inspiração maior?

Ivan Primo Bornes – o masseiro fundador do Pastifício Primo tenta ser um pouquinho herói todos os dias