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Blog do Empreendedor
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A tempestade perfeita

31 de dezembro de 2015

Dos termos usados pelos economistas nos últimos meses, tenho que admitir que a ‘tempestade perfeita’ foi o que mais me impressionou, tanto pela força descritiva da expressão, quanto por se encaixar de forma impecável para definir o drama que está acontecendo com o Brasil.

Misturando lama política nacional com um furacão de indicadores financeiros negativos – de dentro e fora do país – o resultado não é segredo para ninguém: estamos no coração da tempestade.

Economistas, que sempre adoraram utilizar expressões meteorológicas para designar situações financeiras, não demoraram a adotar o jargão para definir um conjunto de fatores negativos que se somam para construir o pior dos cenários.

Consta que o termo foi institucionalizado por um best-seller lançado em 1997 pelo jornalista e escritor Sebastian Junger, relatando a história real de um pequeno pesqueiro em meio à colossal tempestade que atingiu estados da costa leste dos Estados Unidos no Haloween de 1991. O livro The Perfect Storm fez tanto sucesso que, em 2000, virou filme com ninguém menos do que George Clooney. Depois disso, a expressão virou bordão popular, para designar uma convergência de circunstâncias que levam a uma catástrofe.

Os estragos da ‘tempestade perfeita’ que bateu na economia brasileira estão por todos os lados, falar deles é chover no molhado.

O que me interessa mesmo, como empreendedor, como fã do Brasil e como pai de dois brasileirinhos, é o que vem depois. Porque se ‘tempestade perfeita’ é o que os economistas consideram a melhor definição para o que ocorreu com a economia brasileira nos últimos meses, então também vale a máxima de que depois da tempestade sempre vem a bonança – e é nisso que eu prefiro focar.

Não sei se em 2016, em 2017 ou até depois, como dizem alguns pessimistas, mas tenho certeza de que em algum momento a tempestade vai passar.

E como empresário procuro trabalhar pensando nisso – buscar abrigo, racionar recursos e tentar manter a empresa flutuando até o sol voltar a brilhar. Muitas crises já se passaram e possivelmente muitas outras ainda virão, a história mostra que isso faz parte da dinâmica da economia – aqui e em qualquer lugar do mundo.

E diante de tantas dificuldades, se eu não acreditar que os dias de céu azul virão em algum momento, eu perderia a capacidade da esperança. E isso eu me recuso a fazer. Porque empreender é justamente isso, vencer adversidades. E tempestades.

Que 2016 nos traga céu azul e mar cheio de peixes.

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo, mesmo sendo um otimista, anda sempre com a capa de chuva guardada na mochila.

O Consumo Consciente no Brasil

24 de dezembro de 2015

Estamos em época de compras de Natal – e no meio de uma crise.

O primeiro pensamento que me ocorre é buscar refúgio no Instituto Akatu, que promove a divulgação de um conceito cada vez mais atual e necessário: o Consumo Consciente.

A ideia básica é que, ao comparar, mensurar e diferenciar os valores e ações praticados por uma empresa (ou pessoa) da qual escolhemos produtos e serviços, assumimos uma postura política na escolha, muito necessária e importante. Comprar é dar apoio, suporte. É o que queremos -e escolhemos- de futuro.

“Ao decidir sobre as seis dimensões do consumo – por que comprar, o que comprar, como comprar, de quem comprar, como usar e como descartar o que não serve mais –, o consumidor está “votando” no mundo em que quer viver. Ao consumir, as pessoas podem usar seu poder de escolha para maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos, assumindo assim seu papel de protagonista na construção de um mundo melhor.

E isso é tão simples e bacana! E ao mesmo tempo tão sutil, tão difícil.

Pois ocorre em dezenas ou centenas de pequenos momentos de nosso dia: cada vez que escolhemos uma marca. Seja de uma agua mineral, ou de sorvete, ou uma entrada de cinema. Ou na escolha do programa de rede social preferido. Ou no fabricante de celular. Ou mesmo escolher andar de bicicleta em vez de carro.

A tecnologia, sem dúvida, nos deu muito mais possibilidades de escolha. Afinal, nunca se falou tanto do Uber, do Airbnb, ou dos apps de carona compartilhada. E a internet também permite acessar rapidamente críticas -boas ou ruins- sobre o local ou produto que estamos interessados. E até mesmo podemos facilmente saber quem são as pessoas que fazem o negócio, chegando ao ponto de avaliar as afinidades políticas ou religiosas.

Afinal, o dia é pontuado de centenas de micro decisões de consumo. E perceba que nem todas exigem transferência de dinheiro. Algumas empresas não cobram nada, “apenas” pedem audiência, “views” e “likes”, o que também é consumo. Tudo bem pra você?

O Akatu propõe 12 princípios que reproduzo aqui na íntegra, para nossa reflexão e uso prático:

1. Planeje suas compras
Não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor.

2. Avalie os impactos de seu consumo
Leve em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo.

3. Consuma apenas o necessário
Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.

4. Reutilize produtos e embalagens
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.

5. Separe seu lixo
Recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.

6. Use crédito conscientemente
Pense bem se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações

7. Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas
Em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade. Valorize as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a sociedade e o meio ambiente.

8. Não compre produtos piratas ou contrabandeados
Compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência

9. Contribua para a melhoria de produtos e serviços
Adote uma postura ativa. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos/serviços.

10. Divulgue o consumo consciente
Seja um militante da causa: sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas.

11. Cobre dos políticos
Exija de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática do consumo consciente.

12. Reflita sobre seus valores
Avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo e um praticante de consumo consciente (na maior parte das vezes).

O mundo é agora. Permita-se!

21 de dezembro de 2015

Esses dias, na rádio, um jornalista comentou: “o nosso país está dividido em dois mundos: o real, vivido pelos cidadãos comuns, e um ficcional criado pelos políticos”. Esse pensamento traduz por completo o que sinto e penso a respeito de tudo que vem acontecendo no Brasil. O momento agora é transmitir a mensagem de que apenas o governo está paralisado. O Brasil real continua. As pessoas continuam trabalhando, empresas abrindo e se expandindo, carros andando, luzes ascendendo, pessoas comendo e se divertindo. A vida continua apesar da crise ficcional, criada pelos políticos.

Se nós, mercado, nos recusarmos a participar dessa paralisação e crise que o governo constituiu, temos a chance de viver um ano melhor em 2016. E o melhor caminho para realizar algo é manter uma visão sempre otimista daquilo que se quer e se espera. Com criatividade, gestão, comprometimento e propósito, é possível passar por esse período turbulento.

Alguns setores não foram abalados e se mantiveram estáveis. O segmento de alimentação, onde me incluo, continuou estável, sem alta em sua curva de crescimento. Apesar da estabilidade no setor, a TrendFoods sofreu uma pequena queda, não atingindo as expectativas de crescimento planejadas. E, mesmo nesse momento não muito favorável, abrimos lojas e temos a perspectiva de abrir muito mais no ano que vem.

Despeço-me de vocês com uma mensagem esperançosa, principalmente para os empreendedores: caminhem no sentido de chamar a equipe – colaboradores, funcionários, diretores – para firmar um compromisso de fazer diferente no ano de 2016. Procurem sair desse cenário catastrófico e comece a acreditar que nós somos a diferença. Fazemos isso na TrendFoods e, hoje, estamos colhendo bons frutos. Trabalhem para fazer diferente por nós, empreendedores e mercado, e pelos brasileiros. “Participar” da crise só traz energia negativa.

“Na mudança de atitude não há mal que não se mude” (Gabriel, o Pensador).

Robinson Shiba é presidente do Grupo TrendFoods e fundador da rede China in Box

EnterPlay: empresa 100% brasileira nasce para disputar mercado com NetFlix, AppleTV e operadoras de TV a cabo

21 de dezembro de 2015

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Para saber mais, curta aqui.

Você está insatisfeito com sua operadora de TV a cabo? Gosta do NetFlix mas acha o serviço ainda limitado só a filmes, séries e documentários de catálogo? Curte Spotify mas não quer assinar mais um serviço online? Pois seus problemas podem estar próximos ao fim. Está em operação – para degustação gratuita até 01-02-2016 – uma nova opção de entretenimento digital, 100% brasileira. “A EnterPlay nasce para democratizar o acesso ao entretenimento digital no país, com a oferta de conteúdo de qualidade, com custo reduzido e facilidade de acesso”, explica Jorge Salles, diretor de operações da Enterplay. “O diferencial está no fato de que o acesso a todos os serviços pode ser realizado a partir de uma única senha e fatura de cobrança, numa mesma interface, por meio de qualquer dispositivo (TV, computador, tablet, smartphone ou set top box) com acesso à internet”. A plataforma reúne os mais diversos conteúdos em uma mesma interface: canais de TV (aberta e por assinatura), música, vídeo on demand, locação de vídeo, pay-per-view, jogos e aplicativos.


“A Grande Beleza” é um dos filmes disponíveis no EnterPlay – que tem acesso gratuito até 01/02/2016.

Meu principal questionamento aos sócios foi buscar entender o motivo deles buscarem empreender num mercado em que gigantes (Claro/Net, TVA/Abril, NetFlix, Globo, Apple/AppleTV, Google/ChromeCast) vêm fazendo grandes investimentos – num segmento de alta tecnologia e de rápidas transformações.   Não é um risco muito grande uma empresa de capital 100% nacional entrar nessa terra de gigantes?  A resposta veio em forma de lista de motivos.

- Não existe no mercado uma oferta similar, onde o consumidor determina o que quer usar – e paga por isso.

- O consumidor brasileiro tem opções ainda restritas para acessar planos de TV a cabo, ficando refém das grandes empresas, que não oferecem muitas opções para o consumidor. - Sobre o mercado alvo, Salles aponta que o serviço foi desenhando “com base nas demandas específicas da Classe C, no entanto, ele se adequa também às classes A e B. Desenvolvemos planos de TV e vídeo on demand que podem ser personalizados pelo próprio usuário, de acordo com seus gostos pessoais e orçamentos”.  Os planos de acesso começam a ser cobrados em fevereiro a partir de R$ 19,90.

- A tecnologia está otimizada para a velocidade de conexão da internet brasileira. “A partir de uma conexão de 3MB é possível ver um filme em Full HD” promete o diretor de operações.Além do mercado B2C (business to consumer), a empresa está de olho no mercado B2B (business to business), já que se constitui numa nova opção de oferta de conteúdo para provedores de internet possam agregar valor aos clientes ao oferecer a EnterPlay como plataforma de conteúdo digital, complementando os pacotes de dados.

Outro diferencial da EnterPlay foi o desenvolvimento de um hardware próprio, o EnterPlay TV, equipamento que permite conectar qualquer TV, incluindo as de tubo, em um equipamento de fácil navegação. “Também oferecemos, opcionalmente, controle remoto com teclado e touchpad sem fio, que facilita a interação. Gratuitamente, também oferecemos um aplicativo que pode comandar a EnterPlay TV de um smartphone ou de um tablet, o iSmartRCU, para Android, por enquanto” detalha Salles.


Para quem deseja transformar sua TV analógica em um aparelho conectado à Internet, a EnterPlay oferece um equipamento que já está em pré-venda nas principais lojas de e-commerce
Com capital nacional, o time de executivos da EnterPlay é formado, além de Salles, por executivos com grande experiência em suas áreas: Fábio Golmia,  Waldemar Alves,  Fábio Vilardo e Gerson Rolim. A empresa conta hoje com um time de 30 pessoas diretamente e terceiriza serviços específicos com várias empresas. Eles planejam atingir o retorno sobre o investimento feito com capital próprio (a quantia não foi revelada) em um ano de operação. As projeções da empresa são atingir 150 mil assinantes até o final de 2016 e chegar a 1 milhão de assinantes até 2018. O serviço de música estava sendo oferecido em parceria com a Rdio (que recentemente fechou sua operação para novos assinantes), mas a EnterPlay promete anunciar um novo provedor de conteúdo em áudio até o início oficial das operações, em fevereiro.

Quer saber conhecer essa nova opção de entretenimento digital? Aproveite, pois é gratuito até o final de janeiro – http://www.enterplay.com.br/.

Para todos que acompanharam esse Blog durante o ano, agradeço demais a atenção e principalmente as mensagens com críticas, sugestões e comentários – que fazem dessa atividade um exercício de aprendizagem, na base da troca. Que as festas de final de ano sejam cheias de alegria e paz. Nos reencontraremos em 2016. Até lá, um grande abraço, Menta.

Carreira profissional: Você tem um segundo paraquedas?

18 de dezembro de 2015

Olhe a primeira figura abaixo. Representa a distribuição esperada da população brasileira em 2030. Você estará em qual faixa?

Agora, analise a figura acima à direita. Ilustra o processo de “juniorização” das empresas. E novamente, a pergunta: Você estará em qual faixa?

Para muitos que querem continuar trabalhando como empregados, infelizmente, não estarão em nenhuma das faixas nas empresas. Empresas, não só as brasileiras, estão em um contínuo processo de redução de custos e o maior deles, em geral, é o de mão-de-obra. Por isso, preferem contratar profissionais mais jovens, mais baratos, mais flexíveis e, em geral, mais dispostos a trabalhar mais horas.

As empresas também investem em tecnologias que automatizam processos e estão sempre dispostas em analisar oportunidades de terceirização. Processos de fusões com concorrentes ou parceiros também são boas saídas para reduzir custos de empregados com funções duplicadas. E ainda têm as novas tecnologias que criam novas formas do trabalho ser executado. Por estas e outras razões, envelhecer e continuar empregado não se resume simplesmente a continuar batendo metas (cada vez mais altas), mas ser percebido como investimento e não como recurso e muito menos como custo. E mesmo estes profissionais, precisam ter um segundo paraquedas na carreira.

E este segundo paraquedas tem um nome: Empreendedorismo.

Se você se viu na primeira figura, mas não consegue se enxergar na segunda, aproveite esta virada de ano para preparar seu segundo paraquedas da sua carreira profissional.

Não há uma única receita para empreender. Portanto, crie a sua. Faça uma lista de empreendedores que admira. Em seguida, pesquise como começaram. Entenda como identificaram a oportunidade de negócio e como a colocaram em prática. Howard Schultz, empreendedor da Starbucks fez exatamente isto.

Empreenda de forma profissional, estudando os métodos de planejamento e execução de novos negócios. Se pensar em um negócio mais tradicional, estude conceitos como Effectuation e plano de negócio. Se decidir por algo muito inovador, aprenda a utilizar abordagens como Lean Startup, Customer Development e Lean Analytics. Em todos os casos, domine ferramentas como Canvas da Proposta de Valor, Canvas do Modelo de Negócio e Job to be Done.

Se tiver um tempo, faça a sua pesquisa de campo, visitando futuros concorrentes e conversando como potenciais clientes.

Por fim, faça a sua própria rede de apoio se juntando a outros empreendedores, especialistas, consultores e mentores.

E não encare isto como recursos ou custos, mas como investimentos! Pensando agindo assim, você volta a aparecer na segunda figura, mas agora como empreendedor da sua própria vida!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

Consumidor não é fiel ao WhatsApp; nem os concorrentes são solidários

17 de dezembro de 2015

O WhatsApp está fora do ar no Brasil por decisão da justiça. Os detalhes que levaram ao bloqueio do serviço por 48 horas não foram divulgados, mas sabe-se que o Facebook, controlador da empresa de mensagens instantâneas, optou por manter sigilosos dados pessoais aos quais a justiça gostaria de ter acesso.

Mark Zuckerberg, criador do Facebook e dono do WhatsApp, usou a rede social para criticar o sistema judiciário brasileiro. Diz que se trata de um dia triste para o Brasil e que a empresa trabalha duro para reverter a situação. Jan Koum, o idealizador da ferramenta, foi um pouco mais duro – disse que o Brasil se isolou do mundo com a decisão.

Não tenho conhecimento suficiente do assunto para entrar no mérito da validade ou não da proibição – a Justiça tem direito? O criador do app tem o dever de manter a confidencialidade de uma conversa? É uma discussão boa e não deve se encerrar com o fim do bloqueio.

Do ponto de vista empreendedor, entretanto, vale a pena comentar um ponto específico.

Ouvi outro dia de um professor que não havia mais fidelidade por parte do consumidor. Queiram as marcas ou não, compramos o que melhor nos atende naquele momento. Seja um iogurte ou um carro. Ou um aplicativo de mensagens. Desde o anúncio do bloqueio, ainda no fim da tarde da quarta-feira, dia 16, as pessoas – consumidores – começaram a procurar alternativas para manter sua comunicação virtual.

Sim, é um caso extremo. O serviço foi interrompido e, portanto, simplesmente perdeu a capacidade de concorrer com outras ferramentas. Mesmo assim, o comportamento desta quinta-feira, dia 17, do consumidor vale a pena ser observado mais a fundo. Ao mesmo tempo que as pessoas manifestavam desaprovação pela decisão da justiça – proibir o acesso de todos por causa de uma questão específica -, também trocavam ideias em velocidade espantosa sobre alternativas ao aplicativo de Jan Koum.

Falar do WhatsApp, então, não significa não falar mais virtualmente. Não houve – pelo menos até onde eu percebi no urgente da apuração para publicar este post – nenhuma mobilização de solidariedade. Houve sim, o uso da internet para a troca de informação sobre alternativas. O que é melhor neste momento em que o principal produto do mercado não opera mais?

É com isso, também, que Zuckerberg e Koum devem se preocupar a partir do caso brasileiro. E se surgir algo melhor que o WhatsApp, será que as pessoas vão continuar fiéis?

Mercado. Costumam dizer que o ambiente de livre concorrência é cruel. Hoje, de fato, é um dos raros dias no qual é possível visualizar isso na prática. Dois concorrentes do WhatsApp se colocaram, por meio de posts patrocinados no Facebook e no Instagram (doce ironia!), como alternativas ao serviço bloqueado para o consumidor. Solidariedade? A gente não vê no mercado do século XXI.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e a última mensagem que ele recebeu no WhatsApp antes do bloqueio foi a resolução de um exercício de planejamento tributário do MBA (doce ironia!)

 

O fim da gourmetização – e já vai tarde

17 de dezembro de 2015

A crise de 2015 vai ganhar um capítulo especial na história da gastronomia brasileira como o empurrãozinho que encerrou definitivamente a gourmetização.

Estou torcendo para que o consumidor, frente à nova necessidade orçamentária, considere melhor suas escolhas e desmascare o que não vale o preço cobrado. Isso vai permitir o retorno à essência de uma boa alimentação, com preço justo.

Na última década o Brasil viveu uma intensa e exagerada busca por sabores e experiências gastronômicas. E na esteira desta demanda surgiram oportunistas oferecendo produtos com uma roupagem sofisticada, mas que, quando analisados friamente, não correspondiam ao valor cobrado.

Temperando esta situação toda também tivemos a invasão no mercado de uma grande quantidade de autoproclamados “chefs de cozinha” – muitos deles decididos a reinventar a roda e fazer fama e fortuna no fogão, mas com resultados pra lá de estranhos.

Este fenômeno, sem dúvida, foi também potencializado pela crescente quantidade de pessoas interagindo via mídias sociais, onde a descrição detalhada de cada ingrediente virou assunto de muitas conversas, ainda mais quando acompanhados fotos com muito “appetite appeal”.

Chegava a ser divertido, e eu mesmo entrei na brincadeira por um tempo, não fosse realmente preocupante ver a facilidade com que os consumidores desatentos faziam filas para pagar caro por produtos corriqueiros.

Aqui uma lista (real) de produtos que ostentaram o título de gourmet: pipoca, coxinha, pastel, cachorro quente, bolovo, brigadeiros, hambúrgueres, bolos, sorvetes, churros, café, e por aí vai… Nem se fala de acessórios gourmet: aventais, facas, temperos, azeites, livros, etc.

E até a marmita gourmet tivemos. Quando até a ração de pets domésticos passou a ostentar a palavra gourmet, virou chacota. Que atire a primeira pedra quem nunca gourmetizou! Sem dúvida, você, assim como eu, também caiu em algum dos contos acima.

Quando as coisas pareciam que iam se acalmar, chegou o momento dos food trucks e food parks “gourmetizarem” a trivial e simples comida de rua. Não sem antes aparecerem os programas de TV com crianças gourmet. Para tudo!

O fenômeno escancarou a eficiência de uma das grandes ferramentas de marketing, que é a diferenciação forçada, ou seja, a procura do diferente apenas para ser diferente. Nem sempre com uma necessidade real de consumo ou de capacidade qualitativa do produto.

Também apareceu rapidamente a maior fragilidade da ferramenta: a banalização. E, então, por sorte, começou a cair a ficha dos exageros – e de muitos engodos – que essa ‘tendência’ escondia.

Como sempre tento ver o lado bom de tudo, eu realmente espero que esta crise determine o encerramento definitivo da, assim chamada, gourmetização.

Porque acredito simplesmente que a maioria das pessoas quer uma comida boa, por um preço justo. Saudável, fresca, sem conservantes, feita por pessoas dedicadas no propósito.

Isso me motiva e considero uma missão. O resto, é pura frescura.

Ivan Primo Bornes – em busca da simplicidade como método!

Despertando a inovação

16 de dezembro de 2015

Ideias inovadoras não surgem do além. Cabe às empresas criarem um ambiente propício para que os colaboradores sintam-se desafiados a inovar e desenvolver novas ideias, produtos ou serviços. Muitas empresas nem pensam em criar um setor de inovação, e, quando ele existe, às vezes torna-se engessado, indo ironicamente contra sua função.

Em cima disso, a empresa americana Adobe implantou o Adobe Kickbox, um processo de inovação com seis etapas, que vem dentro de uma caixa vermelha, cujo principal objetivo é incentivar os colaboradores a desenvolver ideias e novos projetos. Para explicar o modelo, Mark Randall, vice-presidente de inovação da companhia, é categórico: “Você não pode simplesmente pagar pessoas para que elas inovem. Elas precisam estar entusiasmadas para resolver problemas para um cliente, e a empresa deve estar por trás disso.”

Com o Kickbox, a Adobe quer mostrar que não é preciso buscar inovação, e sim criar inovadores, sendo que para isso é preciso equipá-los com habilidades e experiências. Dentro da caixa vermelha que os funcionários ganham, existe um processo detalhado de seis etapas claras que os ajudarão a desenvolver suas ideias. O primeiro passo é entender qual é a sua motivação; o segundo, como capturar ideias; o terceiro passo fala sobre melhorar e fazer com que as ideias cresçam; em quarto lugar, a empresa destaca a importância de investigar e validar a ideia; o quinto passo é avaliar dados e evoluir hipóteses; por último, infiltrar a ideia, aprestando-a para os gestores da empresa.

Desde que foi implantado, mais de mil funcionários receberam o kit, que além dos processos, contém, dentro da caixa vermelha, uma caneta, post-its, um caderno, café, chocolate e até mesmo um cartão com US$ 1 mil para ser investido no desenvolvimento e validação da ideia, que pode ser usado como a pessoa quiser, sem a necessidade de justificar os gastos.

Além de desenvolver o processo para seus colaboradores, a Adobe foi além e transformou o Kickbox em um processo de código aberto que pode ser usado por qualquer pessoa, de qualquer empresa. Dentro da caixa vermelha existe uma possibilidade significativa de desenvolver empreendedores dentro da própria empresa. A Adobe não só foi audaciosa em mudar o processo de inovação interno, que antes funcionava de forma engessada, com muito dinheiro investido e poucos resultados práticos, como foi capaz de implantar uma metodologia de aceleração de inovação que pode ser usada por qualquer pessoa do mundo.

* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estadão PME.

Um segredinho por trás do lançamento de ‘Star Wars’

15 de dezembro de 2015

Não é para menos. Há uma expectativa enorme em torno de ‘Star Wars: O Despertar da Força’. O longa traz o retorno do veterano Harrison Ford ao papel de Han Solo e apenas isso seria motivo suficiente para causar um frisson daqueles em Hollywood. Mas os produtores criaram habilmente uma expectativa ainda maior – e diria até artificial – para a estreia mundial do filme, marcada para a próxima quinta-feira, dia 17 de dezembro.

Por decisão deles, o filme não foi exibido para as associações de críticos. Também o sindicato dos produtores, diretores e atores ficaram a ver navios. Sequer a conceituada Hollywood Foreign Press, que distribui os Globos de Ouro, viu o filme.

Ou seja, criou-se uma expectativa gigante (artificial?) em torno do lançamento, uma estratégia vista com frequência em outros mercados, mas pouco usada em Hollywood. Pedir a opinião dos críticos é arriscado – eles podem detestar o filme. Mas certamente pode garantir alguns ingressos comprados a mais no fim do dia se a recepção é positiva.

Mas é fato! A marca ‘Star Wars’ não precisa dos críticos. E isso ficou claro quando uma das produtoras do novo longa, Kathleen Kennedy, justificou sua decisão. “Desde o começo, respeitamos os fãs. E eles querem ser surpreendidos. Hoje em dia, é muito difícil manter o segredo sobre um longa, muitas vezes o trailer entrega tudo”.

Eis os dois ensinamentos desse lançamento para os empreendedores. Você usa a mesma estratégia de todos, a mais convencional do mercado, quando você tem algo comum nas mãos. Um filme, por mais que tenha consumido milhões de dólares em orçamento e conte com um elenco estrelado, é apenas um filme que precisa dos críticos. Quando você tem o poder da força, quando a sua marca é do tamanho do simbolismo que essas duas palavras – Star Wars – carregam, você pode fazer o que você quiser, até esnobar o mercado. O mercado, diga-se, não os fãs.

E como os donos da franquia pensam nos fãs. Há uma infinidade de produtos, principalmente nos Estados Unidos, que carregam a marca. Há creme de barbear, caneca, máquina de fazer torradas, computador e até, acreditem, sopas, maças e laranjas…..

Que a força esteja com você, porque a força da marca, está com eles….

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

 

A difícil arte de sobreviver dos quadrinhos

14 de dezembro de 2015

Murilo Martins se desdobra entre a direção de arte e o trabalho autoral para equilibrar suas contas – e fazer cada vez mais o que gosta

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Para saber mais, curta aqui.

Na faculdade de publicidade, ele fazia histórias em quadrinhos e zines (fanzines) como diversão. Mas, com o início da vida profissional, o hobbie foi perdendo espaço – até que um dia, decidiu se dedicar mais à atividade autoral: “foi no final de  2011 que eu consegui (virando muitas madrugadas) lançar a LoveHurts. A recepção foi bacana, fiquei empolgado e decidi pegar mais pesado nos quadrinhos e nas minhas publicações” conta Murilo Martins (@mu_tron).

Pegar pesado, nesse caso, significa ocupar 70% do tempo para os quadrinhos e deixar 30% dedicado para os freelas de direção de arte e design, mesmo que o retorno financeiro seja inversamente proporcional: “eu diria que a grana para me manter vem 70% de trabalhos de direção de arte e design, e 30% de quadrinhos e outras publicações” diz o quadrinista de 42 anos e nascido em Presidente Prudente, abrindo o jogo. E complementa: “No final de novembro fiz um post sobre essa coisa de “viver de quadrinhos” e rolou uma mini-repercussão. Foi um post meio piada, porque essa pergunta ´dá para viver de quadrinhos no Brasil?´ sempre rola nos debates dos festivais. É uma pergunta bem genérica, mas de maneira geral a resposta é NÃO – muito pouca gente vive de quadrinhos. Eu estava fazendo umas contas no fim de novembro e vi que naquele mês, pela primeira vez em anos, eu tinha pago todas as contas exclusivamente com o que eu ganhei com quadrinhos. Achei divertido pontuar esse momento”.

Murilo comemorou no Facebook o primeiro mês em que conseguiu pagar as contas com a receita que obteve através dos quadrinhos, depois de três anos buscando viver como artista independente.

O modelo de receita de Murilo para os quadrinhos é a venda para lojas ou direto para os leitores, principalmente nas feiras que começou a marcar presença tanto no Brasil quanto nos EUA, Canadá e Reino Unido (onde também vende zines e pôsteres).

Dois livros (Eu Sou um Pastor Alemão e Eu Era um Pastor Alemão) estão em livrarias (físicas e virtuais) através de uma parceria feita com uma editora para que as publicações tivessem mais alcance. “As feiras são canais muito importante para os artistas. Eu tenho sorte, minhas publicações se encaixam tanto em feiras de quadrinhos (como o FIQ, o FestComix e a CCXP) quanto de publicações independentes (Feira Plana, UgraZineFest e Miolos, por exemplo). Um dos grandes problemas para os quadrinhos, principalmente os independentes ou de micro e pequenas editoras, é a distribuição”.

Para 2016, Murilo pretende “sobreviver e produzir mais”. Rodar muito para divulgar o novo livro. “Já tenho duas feiras fechadas, devo ter pelo menos mais duas até maio. Estou desenvolvendo também uma oficina de publicação independente, que deve rolar até o meio do ano”.

Participação em feiras internacionais torna-se fundamental: se o mercado local não tem tamanho suficiente, é preciso atravessar as fronteiras.

Sintetizo alguns trechos de nossa conversa que podem servir de dicas para empreendedores que atuam ou querem ingressar nesse nicho:

- “É muito improvável que você vá conseguir retorno financeiro suficiente para se manter nos primeiros anos. E talvez nunca consiga. Isso não é nenhum demérito: a maioria dos autores, mesmo os estabelecidos, dependem de alguma outra fonte de renda. Por outro lado, não depender tanto do retorno comercial dá uma certa liberdade criativa, dá para ousar um pouco mais”.

- “Para mim, as feiras são essenciais. Elas são onde encontramos o público, outros artistas, onde apresentamos e vendemos os livros e, em muitas delas, onde debatemos sobre o nosso pequeno mercado”.

- “Eu tive que deixar uma certa timidez e lado e começar a conversar com as pessoas nas feiras, vender livros, contar sobre o que é cada livro de um jeito rápido e que desperte o interesse ao mesmo tempo. Fora a parte bem de feirante mesmo: montar a banca, decidir o que vai levar, aprender a fazer contagem do estoque, fazer troco, fazer o balanço do dia… e até não esquecer de comer – porque no começo eu esquecia”.

- “Ainda estou aprendendo. O timing das coisas é outro, a dedicação é outra, a cobrança é outra. É preciso paciência, porque conquistar público é um trabalho que demanda tempo e esforço constante. Tudo demanda um mínimo de planejamento para que as coisas rolem – estou aprendendo a planejar meu ano cada vez com mais antecedência”.

- “Hoje você não precisa de muita coisa para começar, se não quiser fazer o impresso, tem toda a internet para você lançar sua webcomic, por exemplo. Mas continuar é o mais difícil, porque o retorno financeiro é muito baixo. Quadrinhos são uma forma de arte muito ingrata: demoram muito para se produzir, e são consumidos muito rapidamente. Um livro que você demora um ano para fazer, pode ser consumido em 15 minutos”.

- “Às vezes me vejo como ´um empresário de mim mesmo´… mas também tenho muito cuidado com certos pensamentos ´comerciais´, que conflitam com o pensamento artístico-autoral. Esse balanço é importante. Como eu gosto de estudar e a rede está toda aí dando sopa, busco informações o tempo todo. É fácil encontrar informações valiosas sobre empreendedorismo, mas para certas peculiaridades de se ´empreender´ como autor, como artista, é mais difícil. Gosto bastante do 99u e do CreativeCapital. O OpenCulture tem sempre entrevistas e documentos interessantes”.

- “Saber dimensionar a tiragem é sempre um desafio. Quando lancei a LoveHurts, fui super conservador: imprimi 800 exemplares. Eles esgotaram em alguns meses, e então na segunda impressão decidi fazer o dobro de exemplares, que também esgotaram em um ano. Teria tido muito mais lucro se tivesse impresso, por exemplo, 3000 exemplares direto. Mas é muito difícil tomar essa decisão, até hoje quando eu vejo as caixas de livros empilhadas em casa me dá uma certa aflição: “meu deus, quando eu vou conseguir vender tudo isso?”

Murilo ralando nas Feiras:  com a barraca montada, o artista indo ao encontro de seu público