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CrowdEquity é opção para democratizar investimento em empresas inovadoras

30 de novembro de 2015

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Para saber mais, curta aqui.

Os jogos olímpicos estão chegando. Imagine conseguir assistir a uma disputa de ginástica, por exemplo, com uma visão tridimensional, onde você poderá ver detalhes do atleta por todos os ângulos. Essa é uma das promessas da startup israelense Reply Technologies: mostrar a repetição de cenas esportivas de uma forma impressionante. Você pode ver vários exemplos, em diferentes modalidades esportivas, aqui.

Agora imagine um restaurante mexicano, que vem fazendo imenso sucesso em Londres, considerado como o “restaurante do futuro”, oferecendo uma alimentação ao mesmo tempo rápida, saborosa e saudável. Chilango vem arrematando prêmios e reconhecimentos e quer expandir suas atividades para toda a Inglaterra (e talvez para outros países).

Por fim, reflita sobre um problema que preocupa muitos agricultores em todo o mundo: como controlar, com facilidade e precisão, o consumo de água na lavoura. Como obter maior produtividade gastando menos recursos? Essa é a proposta de valor da Sencer, de São Carlos (SP), que produz sensores com nanotecnologia que controlam a umidade do solo, em três níveis de produtividade, de forma acessível para pequenos agricultores.

Você sabe o que esses três negócios, tão distintos, têm em comum? Todos eles apostam em receber um novo tipo de investimento: o CrowdEquity, ou Equity Crodwfunding, modelo em que permite que startups e negócios inovadores possam receber investimentos através de uma multidão (crowd) de pequenos investidores. A Reply Tecnologies faz parte do porfólio da https://www.ourcrowd.com/, a Chilango está na https://www.crowdcube.com/ e a Sencer na brasileira http://www.broota.com.br/ – plataformas que aproximam empreendedores de investidores, viabilizando os negócios. “O objetivo das plataformas de equity crowdfunding é democratizar o acesso ao investimento em empresas nascentes e inovadoras. Essa classe de ativos que antes era restrita a investidores muito ricos, hoje está acessível para quem quer investir a partir de mil reais” defende Frederico Rizzo, um dos sócios e fundadores da Broota, a primeira plataforma desse tipo no Brasil. Lançada em outubro de 2014, a Broota já captou R$ 4,5 milhões para 15 empresas, com recursos de 400 investidores. Esse tipo de investimento em empresas nascentes é chamado de capital semente e aquele que realiza o aporte, ganha o título de investidor-anjo. Quando muitos pequenos investidores se unem para investir numa empresa, acontece o EquityCrowd. É uma aposta de alto risco para quem busca uma valorização de seu capital muito acima daquela oferecida pelos fundos tradicionais de investimento. “O investimento anjo pode ser definido como apoio em negócios no seu estágio inicial, mentoria, aconselhamento, fornecimento de infraestrutura, suporte, networking, tempo e dedicação. Na prática, porém, é muito mais do que isso. É o aval e o ombro amigo que o empreendedor precisa para levar seu sonho adiante e, claro, também o suporte para sistematizar o investimento financeiro com finalidade de suprir necessidades mensais em troca de um percentual do negócio” ensina João Kepler, vencedor do Spark Awards 2015 como melhor investidor Anjo do Brasil.

A partir de pesquisa da Unesp, pesquisadores querem usar a tecnologia para aumentar a produtividade do agricultor brasileiro

No caso da Chilango, da Inglaterra, o investimento também pode ser feito de uma forma bem inovadora e analógica. As lojas da rede vendem “burritos bonds”, títulos que custam 500 libras e tem prazo de quatro anos para resgate com juros pré-definidos. E é apenas mais um exemplo de como há espaço para muita inovação nesse mercado de investimento. Um estudo do Banco Mundial chamado “O Potencial do Financiamento Coletivo para o Desenvolvimento” revela que até 2025 o mercado desse tipo de investimento deve movimentar o mesmo volume de recursos do mercado de capitais tradicional (você pode ler a íntegra aqui).

Importante não confundir esse tipo de financiamento coletivo, com aquele que já era mais comum e disponível em plataformas brasileiras como Catarse, Kickante ou a americana Kickstarter, onde o consumidor pode apoiar causas, produtos e serviços – e ganhar recompensas por isso. Nesse modelo de investimento, quem participa do crowfunding se torna “cotista” da empresa – podendo compartilhar eventuais futuros lucros que a companhia vai ter quando crescer e/ou venha a ser vendida para outros sócios. Importante salientar que o risco nesse tipo de investimento também é muito alto, visto que as empresas investidas ainda estão em fase de consolidação, ou seja, existe na possibilidade dela crescer e gerar resultados – assim como são grandes as chances do negócio não dar certo e o investimento virar pó. O modelo ainda é novo e gera muitas dúvidas. “A CVM deve criar uma regulação específica para o setor no primeiro semestre de 2016, assim como fizeram os EUA esse ano. Entretanto, a legislação atual já permite que pequenas empresas (sociedades limitadas) usem a internet para captar até R$2,4 milhões por ano. Estas empresas precisam apenas pedir dispensa de registro à CVM e protocolar os materiais disponíveis aos investidores” esclarece o sócio da Broota.

Se o novo modelo é importante para permitir que qualquer um com uma reserva financeira possa se tornar um investidor, talvez seja ainda mais fundamental para que empreendedores possam contar financiamento e outros tipos de ajuda para o sucesso de negócio. Kepler atua no Broota como líder de alguns investimentos, onde através de um “sindicato”, um investidor experiente convida interessados a compartilhar com ele oportunidades que acredita serem interessantes de receberem aporte. “Um benefício de investir através de um sindicato é participar das melhores oportunidades em primeira mão, além de ter as opções de retorno e de saídas muito mais claras.  Até porque o líder do sindicato mantém um bom relacionamento com o mercado, fundos e VCs, além de grandes corporações e especialistas em M&A para futuras aquisições das startups investidas e para novas rodadas de investimentos” explica Kepler.

Pode ser que ainda leve alguns anos para que o CrowdEquity vire um tipo de investimento que possa ser feito através dos sites dos bancos de varejo. Mas acredito que no futuro, ao acessar a área de investimento dos grandes bancos, ao lado das opções em fundos de renda fixa, variável, etc, haverá a possibilidade de investimento em fundos de startups de tecnologia, de saúde, etc. Essa também é a opinião de Rizzo, que identifica alguns percalços ao longo do caminho: “penso que ainda falta um bom caminho, em especial o amadurecimento do ecossistema de inovação e a criação de fundos menores de capital semente, que ainda não são viáveis devido a uma série de questões fiscais e regulatórias”. Até lá você pode investir diretamente através das plataformas existentes (além da Broota, no país, conheço a EuSócio e a InveStartup mas devem existir outras). É um caminho de alto risco, mas real, de ser anjo de uma startup, que pode obter muito sucesso e trazer um retorno muito acima da média. E de incentivar na prática a inovação no Brasil.

 

Você evolui mudando algo em você e não comprando algo para si

27 de novembro de 2015

Black Friday chegou!!! Era 25 de novembro de 2011 e os americanos acordavam cedo para aproveitar os descontos da última grande liquidação antes do Natal. Enquanto tomavam o café da manhã, se deparavam com este anúncio gigante, de página dupla, do The New York Times, que pedia, em letras enormes, para não comprar a jaqueta mostrada.

REDUZA! Pedia o anúncio. “Nós fazemos itens que duram muito tempo. Você não precisa comprar o que não precisa”. REPARE! Continuava sugerindo. “Nós ajudamos você a reparar seu produto Patagonia se você se comprometer a consertar o que está danificado.” REUSE! “Nós ajudamos a encontrar um lar para o produto Patagonia que não precisa mais. Você vende ou faz uma doação.” RECICLE! “Nós recolhemos seu produto da Patagonia que está inutilizável se você se compremeter a manter suas coisas longe do aterro ou incinerador.” E o anúncio é finalizado com um último pedido: REIMAGINE! “Juntos nos reimaginamos um mundo em que tomamos apenas aquilo que a natureza pode repor”.

Mas a maioria dos norte-americanos se perguntava o que era aquela tal de ONG ambiental chamada Patagonia? Mas a Patagonia é uma empresa que produz roupas e equipamentos esportivos que fatura mais de US$ 600 milhões e considerada uma das mais sustentáveis e mais admiradas dos Estados Unidos. Também há anos é eleita uma das melhores empresas para se trabalhar e uma das melhores empresas para mães. Fanático por alpinismo (e depois surfe), Yvon Chouinard começou a fabricar seus próprios produtos e depois passou a vendê-los para os amigos, fundando a Patagônia em 1965. Apaixonado pela vida ao ar livre, quase quebrou sua empresa em 1972 e 1980, pois eliminou produtos que estavam entre os mais vendidos da empresa porque chegou à conclusão de que prejudicavam a natureza.

A partir de 2002 passou a doar 1% das vendas brutas da Patagonia para a fundação One Percent for the Planet e posteriormente, conseguiu convencer mais de 1.400 empresas ao redor do mundo a fazer o mesmo.

Na Black Friday de 2013, a Patagonia que é avessa às propagandas, retornou com um novo anúncio, agora convidando seus clientes para uma festa para celebrar o que já conquistaram e usando produtos bem antigos, desgastados e recuperados. Cada peça não era para ser vista como velha, mas como algo que tinha participado da história de cada pessoa.


Mas se perguntar à Chouinard se a empresa dele faz tudo isso para ser sustentável, ele responde que “se você esperar que o cliente vá pedir para sua empresa ser mais sustentável, espere sentado… Só 10% das pessoas compram pelas nossas atitudes. Os outros 90% compram porque gostam da cor, do estilo.”

Assim como um número crescente de pessoas se tornam cada vez mais responsáveis,  as empresas deveriam agir da mesma forma: “Todas as empresas devem ser responsáveis não apenas por aquilo que vai no produto, mas deveriam agir quando descobrem que fazem algo errado”. – diz.

“Você evolui mudando algo em você e não comprando algo para si”. – resume a atuação da sua empresa nas Black Fridays.

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Sobre as guerras e as pessoas

26 de novembro de 2015

O mundo anda tenso, bruto e triste.

Talvez à beira de uma nova guerra mundial, como alguns falam.

Atentados espalhados pelo mundo contra civis, mas agora não mais em lugares distantes de nosso dia a dia, e sim no epicentro político global, muito próximos de nós.

A centena de mortos em Paris, uma das cidades mais representativas do chamado mundo ocidental, nos tirou da zona de conforto. A escalada dos conflitos armados em todas as partes. África. Ucrânia. Oriente Médio. Migrações de refugiados. Um avião russo de combate foi abatido pela Turquia. Possibilidades de represálias. Cenas de filme.

O perigo de governos em guerra contra outros governos é assustador. Países em guerra contra vizinhos, pessoas matando de forma organizada outras pessoas por motivos políticos ou religiosos. A violência oficializada em bandeiras nacionalistas ou religiosas parece ser nosso pior defeito como humanos repetido infinitamente.

Algumas nações passaram anos se curando dos horrores que fizeram inspirados por líderes malucos. Sob uma bandeira qualquer, a individualidade se perde. A ética se perde. A paz perde. A violência ganha status de valor e álibi para o horror. O pior do homem comum surge com a desculpa de “apenas obedecer ordens”.

Eu considero que tem uma diferença enorme entre um doente mental psicopata, que mata um cidadão na rua, e um governo que quer fazer a mesma coisa com outro governo. Eu vejo uma diferença enorme entre um grupo de marginais organizados para perpetrar assaltos ou violência com objetivo financeiro, e grupos que procuram o terror social, o poder e a influência política pela violência. Percebo diferenças entre sujeitos que matam para roubar, e aqueles que matam para intimidar nossas vidas e liberdades.

O primeiro tipo sempre pode ser controlado através de leis, organização social, distribuição de riqueza e outras ações cívicas. Já o segundo grupo está numa jornada de fanatismo e extermínio, controle e poder. É assustador pensar em viver (ou voltar a viver) sob um sistema político de violência. Existe meio termo para esta situação?

Um governo é composto por pessoas, representa um grupo social. Representa organização política. É triste ver com que facilidade e irresponsabilidade os governos colocam indivíduos pacíficos em guerra. Matando pessoas que, em quaisquer outras circunstâncias, seriam vizinhos, amigos, falariam de futebol e dariam risadas juntos.

Num mundo globalizado e interligado, pequeno, compartilhamos tantos valores, tantas culturas e idiomas. É difícil aceitar a violência como uma normalidade.

Aqui no Blog do Empreendedor eu escrevo muito sobre recomeçar, cair e levantar, aprender com os erros, viver a angústia de dar certo, inteligência emocional para tomar as melhores decisões.

Bem, nossos líderes políticos mundiais também são empreendedores. Ou deveriam ter o espírito de empreendedores. Os presidentes destes e daqueles países devem estar decidindo, neste exato momento, as medidas e contramedidas a serem tomadas na geopolítica mundial. Calculando recursos, fazendo contas, estimando as chances. Tentando lidar com os problemas inesperados que vem surgindo no meio do caminho. Liderando gente, gerindo crises.

Espero que tenham a sabedoria de tomar as melhores decisões. Como todos os dias tentam fazer, pelo mundo afora, milhares de empreendedores que têm consciência de que não se pode pensar isoladamente, apenas nos interesses próprios. Como uma empresa, o mundo pode falir a qualquer momento. Já ocorreu outras vezes. E quem conhece a história sabe a que preço de vidas perdidas e quanto tempo se levou para reabrir as portas.

Ivan Primo Bornes acredita em fazer massa, não guerras.

O mundo digital é aqui e agora

24 de novembro de 2015

Nos dias atuais, não temos escolha entre ingressar ou não para o modelo de negócio digital. Para uma empresa sobreviver é preciso transformar-se, reinventar-se e adaptar-se. É necessário mudar a maneira de gerenciar e administrar o seu negócio. O mundo digital exige uma atenção diferente, na qual a objetividade é essencial.

Há tempos acompanhamos os hábitos dos nossos clientes e sempre procuramos atendê-los da melhor forma possível. Em busca desse mantra, entramos no Facebook em 2010 para abrir um canal direto de relacionamento com nosso público. Já em 2011, demos um novo passo ao disponibilizar a opção de realizar os pedidos via web. No início, é bem verdade, as mídias e plataformas digitais não eram bem exploradas por nós. Seria um risco mergulhar de cabeça sem saber onde cairíamos. Por isso, como diz o ditado, é muito importante “saber onde estamos amarrando o nosso burro”.

Para diminuir os riscos, num momento inicial, terceirizamos nossa primeira plataforma de entrega de comida. Mas isso durou pouco. Em aproximadamente um ano, após resultados animadores, transferimos o canal para nosso site oficial. De lá para cá, continuamos aprimorando nossas vendas online.

Não podemos perder de vista que é primordial ter controle das redes e plataformas digitais para que as ações sejam bem realizadas e direcionadas. Para que tudo funcione direito, buscamos auxílio de profissionais de TI e criamos um departamento que está 100% envolvido no desenvolvimento estratégico, tático e operacional de monitoramento do nosso canal. Como sempre digo: nada se constrói sozinho. É importante olhar para os lados e contar com parceiros que possam nos ajudar.

Outra novidade foi inserir nossas marcas no mundo dos aplicativos. O cliente se sente mais próximo por meio de um app. No mundo digital, a objetividade é essencial e ter um aplicativo é a forma mais direta e rápida de atender aos pedidos. Afinal, a qualidade no serviço, comodidade na hora da compra e uma interação lúdica e motivadora só trazem bons frutos para empresa e seus clientes.

Mas não paramos por aí. Atualmente estamos focados no programa de fidelidade. Esse meio é considerado o melhor canal de comunicação entre marca e consumidores, e ainda auxilia no conhecimento dos hábitos e preferências desse público.

E, por fim, deixo aqui uma dica fundamental: é preciso estar com a operação capacitada para ampliar a oferta de seus produtos no mundo online. O digital é somente um “novo canal”. É sua operação, sua equipe e seus colaboradores que continuam sendo o “coração” do atendimento aos clientes.

Robinson Shiba é presidente do Grupo TrendFoods e fundador da rede China in Box

Artesã acha que poderia ter sido mais profissional e planeja lançar peças baseadas no caso

23 de novembro de 2015

Diálogo sobre encomenda das lembrancinhas alcançou grande repercussão na semana passada a partir de post publicado no Estadão PME

A mensagem chegou para mim na quinta-feira, dia 19 de novembro. ‘Marcelo, meu nome é Erica Brito, uma pessoa me falou da matéria no Blog do Empreendedor (caso você não tenha lido, entenda o caso aqui). O fato aconteceu comigo não com a moça chamada Tatiana. Creio que ela apenas compartilhou ou repostou, pois a minha postagem original foi em um grupo de feltro que participo e foi excluída pois alguém denunciou. Mas várias pessoas salvaram as imagens e repostaram. Qualquer dúvida estou à disposição’.

Meu primeiro pensamento foi: ‘Graças a Deus, e a meu professor Euclides Torres, eu iniciei o texto deixando claro que não tinha evidências que o fato tinha acontecido com a Tatiana’. Euclides foi meu professor de reportagem na UFSM e me ensinou que sempre que você não tiver a certeza sobre a autoria de algo, deixe isso claro (conselho que continuo seguindo, principalmente nesse espaço).

Eu estava ainda digerindo a repercussão da história, com meu recorde de audiência com mais de 100 mil curtidas. O texto foi publicado no Facebook do Estadão e foi o tema mais comentado do dia. Durante a semana, várias pessoas me procuraram para falar do caso. Uma empresa me convidou para conversar com a equipe deles sobre inteligência emocional no atendimento ao cliente.  E agora a Tatiana era na verdade Erica. Precisava saber mais sobre isso. Liguei para ela e ela aceitou conversar.

Erica Sobreira Brito tem 23 anos. Nasceu em Canto do Buruti, Piauí, mas vive em Teresina. Chegou a iniciar o curso de Ciências da Natureza na UFPI, mas não se identificou com o curso. O artesanato sempre fez parte da vida, desde a infância até se tornar um hobby sério. Mas foi em 2013 que virou a atividade principal.  A jovem empreendedora piauiense já tinha vivido situações inusitadas no relacionamento com o cliente, mas nenhuma como essa.

“Não imaginei que teria essa repercussão toda, só fiz a postagem em um único grupo e ela foi excluída cerca de uma hora depois, mas muitas pessoas salvaram as fotos, postaram e muita gente compartilhou. Muitas artesãs se identificaram com a situação. Na área do artesanato, é comum a desvalorização, infelizmente. Muita gente discordou também da minha postura, creio que eu realmente poderia ter sido mais profissional e apenas recusado, mas erros acontecem, eu não estava num bom dia, não que isso justifique, mas eu acredito que nem sempre o cliente tem razão. Às vezes, perdemos a paciência diante de situações como essa, somos humanos, portanto, passíveis de erros. Gostei bastante do conteúdo do post e das dicas também, que serão muito úteis no futuro, quando me encontrar nessas situações” contou Erica.

Perguntei sobre os comentários (foram milhares), ela disse que leu alguns no blog e que achou interessante que “cada um vê o fato de um ângulo diferente, é sempre bom ver diferentes opiniões sobre um assunto. Aprendi que temos que manter o controle em situações assim, não é no grito que vou conseguir que meu trabalho seja valorizado”.

Na semana que passou, a artesã aproveitou a visibilidade e repercussão para dar mais alguns passos na qualificação do seu negócio. Se formalizou, agora é Empreendedora Individual, com CNPJ e todos os benefícios dessa situação. O Atelier ganhou um novo nome e página no Faceboook. “Talvez isso tenha um retorno positivo para mim, mais pessoas ficaram curiosas para conhecer meu trabalho. Estou criando três peças baseadas nessa situação” conta ela, que mandou uma foto já com uma boneca que pensa em criar inspirada no caso.

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Para saber mais, curta aqui.

Entendendo o ecossistema de empreendedorismo brasileiro: Capital inicial

20 de novembro de 2015

Dando prosseguimento à cartilha sobre o ecossistema de empreendedorismo brasileiro chegamos ao tema que é o principal para muitos que pretendem iniciar um novo negócio.

De onde tirar dinheiro para um novo negócio? É a dúvida recorrente entre os candidatos a empreendedores.

Para um número crescente de brasileiros, infelizmente, é o fundo de garantia que já receberam ou irão receber agora na virada do ano quando as empresas farão o ajuste final de custos. Se esse for o seu caso, ao invés de sentir-se traído(a), agradeça a oportunidade que tem nas mãos. Se puder, leia mais sobre a trajetória de Michael Bloomberg (fundador da Bloomberg News e ex-prefeito de Nova York), Mark Cuban (dono do time de basquete Dallas Mavericks) e Bernie Marcus e Arthur Blank (empreendedores da Home Depot) e reflita como a demissão foi a melhor coisa que aconteceu para eles. Steve Jobs e Walt Disney também foram demitidos. “Você não entende quando isso acontece, mas um chute no dente pode ser a melhor coisa do mundo.” – disse Disney depois de ter sido dispensado pelo seu agente, Charles Mintz.

A segunda fonte de receita também não é novidade. Luiz Seabra, co-fundador da Natura, vendeu seu fusca para iniciar a empresa. Jair Conde também vendeu seu fusca para ajudar a esposa, Heloísa Assis (Zica), a criar o Beleza Natural, rede de salões de beleza que fatura R$ 250 milhões atualmente. O próprio Steve Jobs vendeu a Kombi que tinha. Seu sócio, Steve Wozniak, vendeu o bem mais precioso que tinha: uma calculadora HP. Juntos, eles reuniram US$ 1.250 para fundar a Apple.

A terceira fonte é usar o capital dos clientes convencendo-os a pagar antecipadamente. Meyer Nigri era recém formado quando criou a construtora Tecnica. Seu pai tinha prometido ajudar na construção do primeiro prédio, mas em uma discussão o empreendedor perdeu seu “paitrocínio”. Sem dinheiro, convenceu o dono de um terreno de Pinheiros (bairro da cidade de São Paulo) a entrar no negócio em troca de alguns apartamentos no futuro. Depois convenceu amigos e conhecidos a comprarem os apartamentos “na planta”, uma novidade na década de 1970. Algo semelhante fez o engenheiro Bento Koike ao co-fundar a Tecsis, a maior fabricante independente de pás de energia eólica do mundo. Como o cliente precisava muito do equipamento, convenceu-o que ele poderia fabricá-lo, mas precisaria receber adiantado, pois só tinha a capacidade técnica, não a financeira.

Só depois de esgotar sua capacidade de “fabricar” dinheiro é que entram em cena outras fontes que todo empreendedor deve conhecer.

Pensou em adquirir máquinas e equipamentos, precisa conhecer o FINAME, linha do BNDES oferecida por bancos credenciados em função das suas taxas serem muito mais atrativas. Além de estudar a linha, a melhor forma de conseguir este recurso é conversando com quem já fez esta captação. Se conhecer algum(a) empresário(a) do ramo industrial, a chance dele(a) já ter financiado bens via FINAME (mais de uma vez, inclusive) é bastante alta. Pergunte.

Se pretende criar um negócio a partir de uma inovação tecnologia que tenha risco e incertezas científicas, é praticamente obrigatório conhecer o programa Pesquisa Inovativa na Pequena Empresa (PIPE) da FAPESP. Acredite ou não, você pode captar até R$ 1,2 milhão para o seu negócio e este valor é não-reembolsável. Ou seja, não é um empréstimo ou financiamento e não é necessário devolvê-lo em nenhum momento. Uma dica para você entender se tem alguma chance de captar este recurso: veja os projetos que já foram aprovados aqui e faça uma busca pela área de conhecimento em que se formou. Por exemplo, se formou em Agronomia, há 113 projetos aprovados até o momento. Dê uma olhada nos aprovados e se tiver a percepção que poderia ter feito dois ou mais projetos, suas chances são boas. Mas se não entender nada, busque alguém que conheça e associe-se a ele(a).

Para uma parcela mínima, que chega a ser a exceção, de empreendedores muito competentes que tiveram ideias de negócios muito inovadoras e com altíssimo potencial de crescimento, ainda é possível captar recursos de investidores anjo que são pessoas físicas que investem em novos negócios. Você pode encontrar investidores anjo na Anjos do Brasil, a maior associação do país, e mais recentemente, em plataformas de captação coletiva (crowdfunding) como o Broota.

Mais do que acreditar que é possível captar recursos para o seu negócio, acredite que você é a exceção!

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Duas visões de mundo

20 de novembro de 2015

Uma padaria, em São Paulo, resolveu orientar seus clientes a não contribuir com dinheiro para moradores de rua, que por conta da ação não mais saem da porta do estabelecimento. Essa orientação surgiu por meio de uma placa, afixada bem em frente aos caixas responsáveis por coletar os pagamentos.

De acordo com o representante da padaria, que pediu para não ser identificado, a decisão de fazer esse pedido aos consumidores que frequentam o local não tem a ver com um ato de repúdio aos moradores de rua. “Não tenho nada contra pobre, mas eles querem dinheiro, não comida”, afirmou. “Se dou (comida) para dois, vem dez. Se dou para dez, vem vinte. Meu objetivo é que todos vivessem bem e não precisasse disso.” Ainda segundo esse representante, os pedintes dormem do outro lado da rua e fazem suas necessidades no local.

A atitude do empresário se justifica? No lugar dele, o que você faria? Fiz uma pesquisa rápida em um grupo no Whatsapp formado por pessoas que estudam comigo na Fundação Getúlio Vargas (FGV). O objetivo era brevemente apurar qual o impacto da placa nesse grupo específico de pessoas. Poucos se manifestaram. Mas uma resposta me chamou a atenção: “Por que esse empresário não faz diferente, convida seus clientes a comprarem uma refeição solidária e em determinados horários do dia as entrega, de forma organizada?”

::: Leia também: Inteligência emocional para lidar com o cliente sem noção :::

O motivo da padaria existir não é ser um negócio social. Ela visa o lucro de seus proprietários ao se esforçar por oferecer os melhores produtos para os consumidores. Mas a padaria, a farmácia, o comércio em geral, as empresas de serviços. Grandes ou pequenas. Deveriam prestar atenção em uma outra visão de mundo.

Ganha força, como tendência, o empreendedorismo social, em que negócios surgem também com uma causa. Não há nada de inocente nesses negócios. Eles visam lucro, como qualquer outra empresa, mas prometem destinar uma parte desses ganhos para o bem-estar social. Pode ser na região onde a empresa está localizada. Pode ser também em alguma área em que vivem pessoas mais necessitadas.

Essa segunda visão de mundo – lucrar e promover o bem-estar – está atrelada, como dissemos, a uma tendência que já ganhou até nome próprio. Empreendedorismo social. O caso mais famoso no mundo talvez seja o da empresa TOMS, nos Estados Unidos. Para cada par de sapatos adquirido por um consumidor, a companhia criada por Blake Mycoskie se propõe a doar outro par para pessoas necessitadas. De acordo com Bel Pesce, colunista do Estadão PME, 45 milhões de pares já foram dados à crianças carentes ao redor do mundo.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

 

 

Até James Bond pode ensinar você a empreender! Duvida?

19 de novembro de 2015

O recente lançamento do 24º filme do 007 confirmou, de novo, que o mais famoso dos agentes secretos é, mais do que um clássico da ficção, uma marca muito lucrativa. Mas além de ser um grande negócio, James Bond também tem muito a ensinar aos empreendedores, e como fã que sou, preparei minha lista:

1) Tenha um plano de ação. Mas esteja sempre preparado para improvisar – lançar-se em qualquer jornada exige planejamento. E mais ainda quando já se sabe que haverá adversidades. No entanto, como nas aventuras do agente com licença para matar, muitas vezes o plano não pode ser cumprido à risca, porque surgem contratempos ou elementos inesperados. Nessas horas é preciso ter jogo de cintura e improvisar. Com rapidez, sobretudo. Por isso, é sempre bom ter um plano B mental.

2) Não tenha medo de quebrar as regras, quando avaliar ser necessário.

3) Mesmo que tenha dúvidas ou temores, não as demonstre. Mostrar autoconfiança é essencial para ser convincente e bem-sucedido. Acreditar que vai dar certo é metade do caminho.

4) Ainda que tenha problemas, entregue o que você promete

5) Aprenda a reinventar-se constantemente

6) Estude/conheça seus inimigos. E nunca os subestime

7) Saiba criar redes de colaboração, tirando o que cada colaborador tem de melhor para seu plano estratégico

8 ) Saia propositalmente de sua zona de conforto. Versatilidade, flexibilidade e adaptatibillidade são essenciais

9) Acredite nos seus insights

10) Tome a iniciativa/frente, que os outros vão atrás de você.

11) Tenha paciência para ver os resultados

12) Saiba delegar a especialistas, quando você não tiver as habilidades necessárias

13) Foco na missão

14) Adapte-se ao ambiente

15) Não tema estar sozinho em algumas empreitadas. Muitas vezes, liderar um negócio é solitário, nem que seja pela sensação de estar fazerndo algo que ninguém mais esteja fazendo, ou de um jeito diferente da maioria.

17) Transforme a tecnologia em aliada.

18) Faça o que tem que ser feito.

19) Assuma riscos.

20) Não se deixe intimidar pelas adversidades

É isso. Num mundo complicado como o de hoje em dia, manter o foco (e a elegância) é fundamental.

Ivan Primo Bornes – sempre acreditando num mundo melhor, elegante e de paz.

 

Holocracia em prol do empreendedorismo

18 de novembro de 2015

Empresas que inovam no modelo de gestão são grandes fontes de inspiração e aprendizados. Recentemente, tive a oportunidade de conhecer o CEO da Zappos, Tony Hsieh, e em uma conversa sobre os rumos da empresa fui apresentada ao termo holocracy, em português, holocracia. Trata-se de um novo modelo de gestão com três características bem claras: não há chefes e nem hierarquia, tudo é organizado ao redor de projetos e as regras são iguais para todos os colaboradores. Ou seja, é uma organização auto-organizada ao redor de projetos.

Quando decidiu implantar a holocracia na Zappos, Hsieh fez questão de conversar com os funcionários, explicar o novo modelo de gestão e perguntou se as pessoas queriam fazer parte daquilo. Mudanças sempre exigem comprometimento e, neste caso, o funcionário precisaria estar muito alinhado com as novidades e com a cultura que passariam a fazer parte de seu dia a dia na empresa. Para quem não se sentisse confortável com a holocracia, a Zappos se comprometeu a pagar três meses de salário, uma espécie de indenização, para que o colaborador deixasse a empresa. Cerca de 14% saiu.

O número é considerável, mas para Hsieh esse modelo é uma forma de fazer com que as pessoas sejam mais empreendedoras dentro da empresa, e isso está totalmente alinhado com a cultura da Zappos.

Claro que há diversos tipos de empresas e em nem todas esse modelo se aplica, mas em culturas mais abertas acho muito válido este modelo horizontal, sem tantas hierarquias e nos quais os funcionários são incentivados a inovar e a empreender. Empreendedorismo está muito mais ligado a atitude protagonista do que a começar um negócio, e uma empresa que valoriza e incentiva o empreendedorismo de seus colaboradores é capaz de criar projetos grandiosos.

 

Inteligência emocional para lidar com o cliente sem noção

16 de novembro de 2015

Desde que meus bigodes ficaram brancos, não acredito mais em tudo que vejo (principalmente nas mídias sociais, na imprensa, na internet…). Por isso tentei contato – e não consegui – com Tatiana Rocha, usuária do Facebook que publicou prints de tela de uma conversa com uma possível cliente pelo WhatsApp. Mesmo assim vale a história para buscarmos aprender com ela.

Leia também: Saiba o que uma padaria pediu aos clientes

Para resumir o que vi: no dia 10 de novembro, uma possível cliente, que tinha orçado com Tatiana lembrancinhas com o tema do Pequeno Príncipe, acabou contratando o serviço de outra profissional pois encontrou “mais barato”. Insatisfeita com o que recebeu, procura a empresária pedindo que ela REFAÇA as lembrancinhas para o aniversário que aconteceria quatro dias depois. A prepotência e o desrespeito da cliente são evidentes. Acompanhe abaixo:

 

 


A PROPOSTA INDECOROSA

…O TOM ESQUENTA…


E TERMINA COM O DESABAFO DA ARTESÃ

A história soa hilária, mas na verdade é mais um flagrante de desrespeito e a falta de educação da cliente. Muito se fala da grosseria do empresário, do garçom, do taxista. Mas pouco se fala sobre a falta de civilidade do cliente. No Facebook, o post recebeu centenas de comentários – quase todos apoiando a empresária ou relatando situações semelhantes com outras profissões:

- Na marcenaria acontece o mesmo;

- Meu cliente acha caro pagar R$ 100 para formatar o PC e paga R$ 40 para outro; semanas depois começam as ligações;

- Já passei por isso na minha profissão de serralheiro, vc vai lá, perde seu tempo, passa o orçamento o cara não com faz com vc e depois quer que vc conserte a M que os outros fizeram;

- Estou acostumada a receber clientes que aparecem para “corrigir” a maquilagem definitiva.

É mais uma vez a sabedoria popular mostrando que “o barato que sai caro” continua em vigor. Veja que no início na conversa a artesã manteve seu controle frente a uma situação de estresse. Mas do meio para o fim da conversa, ela também deixa a emoção aflorar e coloca “lenha na fogueira” da discussão.

Como educação vem de casa e não podemos “educar” o cliente em boas maneiras, o tema recupera uma característica fundamental para o empreendedor de sucesso: inteligência emocional. A capacidade de controlar as emoções em situações desconfortáveis, de tensão e desrespeito. Como as demais características do comportamento empreendedor, a inteligência emocional pode (e deve) ser treinada e aperfeiçoada corretamente. Como esta história mostra, o auto-controle vem sendo cada vez mais necessário.

Listo algumas dicas para exercitar e aprimorar a inteligência emocional.

- Controle os impulsos, conte até 10 antes de explodir.

- Entenda a diferença entre sentimentos e ações.

- Aprenda a reconhecer as emoções: ira, tristeza, fúria, medo, prazer, amor, surpresa, nojo, vergonha… E a identificar quais são seus gatilhos para cada uma, de que forma você responde a elas.

- Compreenda a perspectiva dos outros. Lembre que muitas vezes a pessoa do outro lado pode estar numa situação de estresse maior que o seu e por isso nem percebe o absurdo que está falando/fazendo.

- Use etapas para tomar decisões: analisar, estabelecer metas, identificar alternativas, prever consequências.

E, antes tarde que nunca, lembre-se: valor não é preço (leia post sobre isso aqui). Não deixe que o cliente determine quanto vale seu serviço. Calcule seus custos, preserve sua margem. Busque forças para que nada, nem ninguém, prejudique seu equilíbrio emocional.

Para saber mais sobre reconhecer emoções e como ligar com elas na vida e nos negócios, sugiro o livro “Inteligência Emocional”, best-seller do psicólogo Daniel Goleman. Há também um vídeo curto, com legendas em português, em que o autor dá dicas sobre como manter o foco frente a situações de estresse, tensão e ansiedade. Está no canal da Harvard Business Review no youtube e pode ser acessado aqui.

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Para saber mais, curta aqui.