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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Encontre sua beleza natural antes de sonhar grande

30 de outubro de 2015

Consegue imaginar como vai ser aquele documentário que passa no réveillon com a retrospectiva do ano de 2015? Vamos ver, estarrecidos, sobre como dobrar uma meta sem defini-la antes, como estocar vento, sobre a saudação à mandioca, sobre a criação da mulher sapiens e da ciência desde a Arca de Noé. E se isto é motivo para algumas risadas sobre este ano, o mesmo não poderá ser observado sobre o nível de corrupção, a inflação de dois dígitos, a perda do grau de investimento, o nível de desemprego, o rombo bilionário das contas públicas, a redução das políticas sociais, o fechamento de empresas, o aumento do custo de vida, e o mais triste, a falta de perspectiva da população por dias melhores.

Diferente de outras crises, agora o epicentro do terremoto está nas profundezas do solo político, social e econômico brasileiro.

Sai a tradicional música de final de ano… “hoje é um novo dia… de um novo tempo que começou… Nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer…” e entra “não me convidaram… pra essa festa pobre… que os homens armaram pra me convencer… a pagar sem ver… toda essa droga… que já vem malhada antes de eu nascer…”.

Mas em meio a este tsunami de lama de 2015, uma flor de rara beleza natural nos lembrará de que é possível ter esperança, mas que só isto não basta: “Quem sabe, faz a hora. Não espera acontecer…

Uma boa nova deste ano é o novo livro da jornalista Liana Melo fala de alguém cujo apelido definiria o nosso momento atual: Zica.

Zica é o sinônimo de um acontecimento muito ruim. Mas a realidade da Zica, a personagem principal do livro, seria ainda muito pior na visão de muitos movimentos ditos sociais. Zica nasceu pobre, muito pobre, filha de mãe lavadeira de roupas e pai sem profissão definida em um Brasil que não tinha Bolsa-Família. Ela era a filha do meio. Tinha seis irmãos mais velhos e outros seis mais novos e, desde os nove anos, era ela que cuidava da sua casa e da sua vida em um bairro carente da cidade do Rio de Janeiro. E ainda enfrentava o preconceito de ser negra em um momento que não se falava de cotas. E o que pode fazer alguém negro, pobre e com pouco estudo no Brasil? Pode fazer o mesmo que qualquer outra pessoa que, apesar de todas as zicas de sua vida, acredita em um novo dia de um novo tempo que começou. Nesses novos dias, é possível ser alegre. É só querer… Mas só querer não basta! É preciso botar pra fazer!

E é justamente sobre o querer e o fazer que trata o livro “Beleza Natural: A história da rede de cabelereiros que levantou a autoestima dos brasileiros” (Editora Sextante, 2015). Mesmo já bastante divulgada, a trajetória de Heloísa Helena de Assis, a Zica, agora é narrada de forma detalhada e inspiradora. Liana Melo entrevistou dezenas de pessoas, entre parentes, amigos, empreendedores, executivos, consultores, professores, advogados e até alguns dos maiores investidores do Brasil, que presenciaram a saga da uma jovem babá e empregada doméstica que se indignou com sua condição e não descansou enquanto não achou uma solução pessoal. E quando descobriu uma fórmula de encontrar sua beleza natural, não sossegou enquanto não definiu um jeito de também ajudar outras milhares (e depois milhões) de pessoas que estavam em sua mesma situação inicial. Ela e seus sócios Leila Velez, Jair Conde e Rogério Assis, criaram o Beleza Natural, uma rede de salões de beleza com mais de 40 unidades Brasil e que faturou R$ 250 milhões em 2014.

E aquela menina que brincava e falou que ontem era semente de hoje, é a mesma mulher que agora tem o mesmo porte dos empreendedores do “Sonho Grande”. Zica se tornou umas das maiores e mais relevantes empreendedoras do mundo pelo seu exemplo e pelo negócio que criou.

Em momentos de crise, não queira fazer parte de qualquer festa pobre. O caminho escolhido pela Zica, apesar de todas as suas dificuldades e limitações, mostra que quando descobrimos nossa beleza natural, “nós podemos tudo… nós podemos mais… vamos lá fazer o que será…

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Essa tal de crise que nos tira o sono

29 de outubro de 2015

Crise é a palavra do momento. Só dá ela.

Eu confesso que também estou bem preocupado. Olho ao meu redor e vejo amigos com carreira corporativa perdendo empregos, amigos empresários fechando empresas ou passando muitas dificuldades, tenho amigos emigrando em busca de trabalho fora do Brasil.

E na nossa pequena empresa a situação é de alerta geral. Todos nos postos de combate. Apertar os cintos.

Sempre se fala o clichê de que nas crises existem grandes oportunidades. Pode até ser. Mas, de fato, o grande desafio é ficar vivo até a crise passar. E se aparecer uma oportunidade, bom, esse já é outro assunto, um bônus.

Para um empreendedor, crises são angustiantes, e podem também ser paralisantes se a gente começar a pensar muito nos pontos negativos: perda do poder de consumo dos clientes, quedas de vendas, inadimplência de clientes, mortandade de empresas, endividamento e todo rosário de dificuldades, e sim, a crise faz congelar os movimentos.

Provavelmente o que de pior pode acontecer a quem lidera um negócio: ficar parado. Como nas situações de frio ou calor extremo, mexer-se é básico para ter chance de salvação. O movimento pode ser a diferença entre sobreviver e fechar as portas.

Não acredito em fórmulas mágicas para se defender de uma crise. E, se elas existem, não as conheço.

Sei apenas que agora, mais do que nunca, vale o que Thomas Edison dizia sobre a genialidade: 1% de inspiração e 99% de transpiração. Não existe caminho fácil: trabalho, muito trabalho, é a chance mais provável de sobreviver.

Isso vale principalmente para os pequenos empresários como a gente. Sei de muitas pessoas que, quando decidem entrar no mundo dos negócios, acham que vão trabalhar menos. E é exatamente o contrário. E mais ainda nos tempos como os de hoje em dia, quado precisamos apoiar todos os setores da empresa, jogar em todas as posições.

Então, quando me perguntam o que estamos fazendo para enfrentar a crise, só tenho uma resposta: estamos trabalhando, muito, ainda mais. Mesmo porque o trabalho é a forma mais eficiente de não se deixar contaminar pelo negativismo geral que toma conta nestas épocas.

E pra não deixar a peteca do ânimo cair, vale também tirar a poeira de uma memorável reflexão sobre a crise, atribuída a Albert Einstein, o mais lúcido dos cientistas:

“Não pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência.

O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um.

Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro.

Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

Achei a mensagem inspiradora e compartilho com você. Vale pra nossa vida, vale pra nossa empresa, vale para o nosso país, vale pro mundo. Vale pra atual crise e pra todas as que ainda virão.

E mãos na massa!

Ivan Primo Bornes, todos os dias literalmente com as mãos na massa.

Cliente em segundo lugar

28 de outubro de 2015

Quando se fala de atendimento ao cliente logo pensamos: ele vem sempre em primeiro lugar. Mas não é esse o pensamento da Southwest Airlines, companhia aérea norte-americana. Para eles, quem vem em primeiro lugar é o funcionário. A empresa, fundada em 1967 e considerada uma das companhias mais inovadoras dos Estados Unidos, é conhecida por ter colaboradores bem-humorados e por oferecer aos clientes experiências divertidas em voos.

Os três pilares da cultura da Southwest Airlines são: colaboradores com espírito de guerreiro para lidar com qualquer tipo de situação, coração de servente para atender da melhor forma e uma atitude divertida no dia a dia e no trabalho. A mistura desses três elementos faz com que a empresa deixe claro seus valores. Quando se fala em espírito de guerreiro, a empresa quer dizer que os funcionários não têm medo de entregar o melhor serviço possível.

Para a companhia, é fundamental formar pessoas que consigam criar uma experiência interessante para todo tipo de passageiro. Eles partem do pressuposto de que as pessoas viajam por diversos motivos, alguns felizes, como em férias, outros tristes, com problemas familiares ou de saúde, e, sendo assim, os funcionários precisam estar atentos para saber lidar com qualquer situação. Já a expressão coração de servente significa que deve existir cuidado e respeito ao lidar com o próximo, sempre colocando as pessoas em primeiro lugar e tratando-as de forma amigável.

Veja bem, a Southwest Airlines faz questão de dizer que coloca o funcionário em primeiro lugar, porém, a empresa incentiva o funcionário a colocar o cliente em primeiro lugar. Como instituição, ela atua no sentido de valorizar, treinar e tratar da melhor forma possível a relação entre empregado e empregador. Com isso, a relação sólida com os colaboradores reflete positivamente na maneira como eles tratam os clientes. A equação é simples: funcionários felizes deixam clientes felizes e, consequentemente, acionistas satisfeitos. Se nesta equação os funcionários não estivessem em primeiro lugar, o resultado seria outro.

Outras características da Southwest Airlines chamam a atenção, como a informalidade. A companhia atua de modo divertido, informal – especialmente tendo em vista a formalidade que os comissários e comandantes costumam seguir. A empresa quer que os clientes sintam orgulho de voar com eles e, mesmo sendo uma companhia conhecida pelos preços baixos, eles fazem questão de oferecer mais do que o cliente pagou. Essa sensação de entregar mais do que foi pago se dá justamente pelo princípio de oferecer experiências divertidas, respeitando todas as necessidades e atuando de forma leve, sem levar tudo tão a sério.

Gosto muito de aprender com empresas que entregam o serviço com qualidade sem deixar de lado os valores que as fizeram existir. Leveza, humor e respeito pelos funcionários são características simples, mas que podem ser o diferencial e podem ser fundamentais para construir um negócio de cultura sólida.

* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estadão PME.

A disciplina na era do Whatsapp

28 de outubro de 2015

Disciplina, isto é uma coisa que estou tendo que aprender na marra. Ainda não consegui identificar em qual momento de meu passado algum trauma criou um estigma de que, para ser criativo, era necessário viver no mundo do caos.

Regras atrofiam o ímpeto criativo? Acho que lá atrás, quando comecei a trabalhar em agência de comunicação, essa história começou. Criativo pode chegar mais tarde. Criativo pode trabalhar de madrugada. Criativo pode fazer maior zona que trazendo quinquilharias de casa e tornando a mesa um parque de diversões. Criativo tem war room (sala das ideias) e sempre está fazendo brainstorms intermináveis.

Éramos tratados como bichinhos excêntricos. Com o desenvolvimento de meus negócios, a necessidade de cada vez mais ser disciplinado na organização de meu tempo tem sido fator fundamental para se conseguir desenvolver outros temas. E, quando você é exigido a isso, seu nível de exigência aumenta. Reunião que é permeada por aquele papo furado e sem objetividade tem sido a bruxa que procuro exorcizar.

Certa vez fiz uma reunião com o um empresário de sucesso e figura pública para tratar de um projeto específico para sua empresa desenvolvido pela minha agência de comunicação, a Laika. Fomos recebidos impecavelmente por sua secretária que nos colocou prontamente em sua sala de reuniões principal. Com lugares já pré-definidos, cada um tomou seu lugar. Logo em seguida, sua assistente entrou. Discutimos a pauta e, em seguida, o projeto. Esse empresário entrou dez minutos depois, e, com uma precisão e objetividade ímpar, resolveu todos os pontos. Anotou tudo em sua inseparável agenda e, com uma educação rara nos tempos de hoje, agradeceu e se despediu.

Que aula! Conforme vamos criando mais repertório, adicionamos novas ferramentas em nosso bolsos para conseguir resolver os problemas que enfrentamos para lidar com as tarefas do dia-a-dia. Hoje, estou aprendendo a ter horário para as coisas. E, sobretudo, ter foco naquele momento que você se propõe a se dedicar determinado projeto ou ação e não dispersar energia e trabalho em atividades impertinentes.

Hoje, estamos mais suscetíveis a interrupções. Na década de setenta, a única interrupção que tínhamos era a do telefone e a da secretária. Hoje, só o Whatsapp supera, em um dia, um ano daqueles tempos. Então, fique atento. Aprenda a fazer pausas e determinar horários para as coisas. Eu, por exemplo, estou me esforçando para responder meus emails em dois períodos do dia: das 11h às 11h30 e das 16h às 16h30. Nessa uma hora, foco em ler e responder todos os emails enviados, sem exceções. E tem dado resultado.

Agora, próximo passo é conseguir ser mais eficiente com o Whatsapp. Talvez o maior vilão de todos, pois mistura formalidade com informalidade. Mas, cá entre nós, sinto saudades da vida sem disciplina.

Leo Spigariol é um dos fundadores da De Cabrón

O seu diamante pode estar no seu jardim

27 de outubro de 2015

Semana passada fui comprar uma revista de negócios e a capa de uma delas dizia “7 demissões por minuto” e a outra “O novo Steve Jobs, como Elon Musk levou a Tesla ao topo da lista das 100 empresas mais inovadoras do mundo”. Qual delas vocês acham que eu comprei? Não quero viver no país das maravilhas, achando que tudo está lindo e maravilhoso. Não está. Mas se eu tiver que ler e buscar conhecimento, prefiro aprender com quem esta fazendo diferente, quebrando paradigmas,  coisas que eu posso aprender e implementar no meu negócio, ajudando a melhor esse Brasil, gerando mais empregos, aumentando o faturamento, colaborando para girar a economia.

Como Empreendedores temos a obrigação maior de arregaçarmos a manga, fazermos TUDO o que estiver ao nosso alcance. Assim,  com certeza podemos mudar o mundo em que vivemos, mesmo que uma pequena parte dele. Esta parte será de extrema importância para algo ou alguém. Você conhece a história do escritor que estava andando na praia, com um sol muito quente, e de repente começou a subir a maré com inúmeras estrelas do mar? Ele viu aquela cena e pensou se não fizesse nada e deixassem  elas na areia, morreriam.  Começou a pegar uma por uma e a jogar no mar.  Passou uma pessoa que estava andando na praia e perguntou o que ele estava fazendo. Ele explicou e o cara disse que ele era completamente louco, com tantas estrelas do mar ele nunca conseguiria fazer a diferença. Ele pegou uma estrela, olhou para ela, e disse “para esta eu fiz a diferença” e jogou a estrela no mar. O cara se juntou a ele e começou a jogar as estrelas de volta para o mar. Falta esse “vamos nos juntar” para fazermos a diferença !!!!

A causa vale a pena. Estou falando do nosso Brasil. Em vez de deixarmos na mão de pessoas que não tinham experiência em gerenciar nem uma microempresa,  muito menos um País.  Estou falando em gerenciar corretamente, honestamente, com governança, de forma ilícita até Presidente de Conselho é fácil ser. Não tenho nenhuma inclinação política, mas para mim, precisamos de exemplos de pessoas de sucesso no governo, pessoas que já comprovaram que sabem fazer, por mérito e inteligência, e logicamente muito trabalho. Por que não pegarmos cases de sucesso e levarmos para a politica?

Esta parada total na economia, negócios caindo 30%, 40% em volume de vendas, qualquer um que saiba fazer conta, consegue perceber os prejuízos imensos que estão sendo gerados nas empresas, por isso as demissões em massa. O dinheiro saiu de circulação, tem muita gente que não está pagando e outros não estão recebendo, e consecutivamente não conseguem fazer a roda girar.  A roda girando os negócios acontecem, teremos que pensar diferentes formas  de fazer negócios.  Nesta nova empresa que acabei de abrir, tenho trabalhado muito com parcerias de pessoas que já me conheciam da minha outra empresa, da Endeavor, do mercado, as conexões e a credibilidade ganham força, um ajuda o outro a fazer e acontecer. Internamente na empresa, este é o momento de mexer e rever todos os custos, será que precisa mesmo gastar nisto ou naquilo? Administrar muito bem as margens de contribuição, agora é hora de se manter vivo, não é  necessário  grandes  lucros neste momento, mas o objetivo é simplesmente FICAR VIVO, pois com certeza existirá grandes oportunidades para quem não quebrar.

Mas não podemos desistir nunca, temos que acreditar sempre, fazer o nosso melhor, nos dedicarmos mais, trabalharmos mais, buscarmos melhores formas de fazer o nosso negócios acontecer. Infelizmente muitas pessoas desistem exatamente na curva do seu sucesso, antes que ele se realize, e ele estava simplesmente no seu quintal. Vou fazer um parênteses rápido, há um ano pensei em abrir um outro negócio, sair do negócio de roupas, pensei em mudar de área e quando li esta história que contarei, que já havia lido pelo menos 4 vezes antes em 20 anos, mas não lembrava, pensei porque mudar de área se tudo o que seu sei fazer muito bem feito é roupa, estou neste negócio há 17 anos, tenho total propriedade, sei o que funciona e o que não funciona, o meu sucesso estava dentro do meu quintal, e eu cheguei a pensar em trocar de negócio, às vezes aparecem algumas coisas na sua vida que até você questiona. Vou compartilhar com vocês :

Russel Conwell compartilhou uma história no livro Universidade do Sucesso, tinha um guia que contava sobre um velho persa chamado Ali Hafed que era dono de uma fazenda muito grande, e recebeu a visita de um monge budista que contava sobre uma pedra chamada diamante, dizendo que “era um pingo de sol congelado”. Se descoberta a pessoa poderia comprar tudo o que quisesse devido a sua grande riqueza.

Ali Hafed não dormiu à noite, resolveu vender a sua fazenda e partiu em busca dos diamantes. Percorreu a Palestina, perambulou pela Europa e após ter gasto todo o dinheiro, sem ter achado nada, estava em farrapos e pobres, se jogou no mar da Espanha para jamais voltar para esta vida.

Certo dia o homem que comprara a fazenda de Ali Hafed conduziu o camelo para beber água no jardim e notou um brilho vindo das areias brancas do córrego. Achou bonita, pegou a pedra e a colocou sobre o consolo da lareira. Recebeu a visita do Monge, chegando na casa perguntou se Ali Hafed tinha voltado pois aquela pedra era um diamante. O homem disse que não tinham noticia dele e que aquela era uma simples pedra achada no rio. O Monge disse que ele sabia muito bem o que era um diamante, pediu para levá-lo onde tinha sido retirada aquela pedra, e no mesmo lugar foram retiradas duas outras gemas muito mais bonitas e valiosas. Foi descoberta a mina de diamantes de Golconda, a mina mais esplêndida de toda a história, os diamantes Kohinoor  e Orloff, das joias da coroas da Inglaterra e Rússia, os maiores do mundo, vieram destas minas.

Às vezes as pessoas ficam buscando, buscando e o seu diamante está na sua própria casa. Olhe para dentro, imagine o que poderia fazer diferente no seu negócio do que faz hoje, como poderia obter melhores resultados, Ali Hafed tentou dar a volta ao mundo procurando seus diamantes enquanto eles estavam no seu quintal. Vou deixar esta para quem tem negócios familiares, quando fiz Administração na PUC, tinha vários amigos que tinham negócios de família, a maior parte não queria trabalhar com os pais, eu não tinha negócio nenhum de família, fui dar uma de Empreendedor, meu Deus do céu, fui montar o meu negócio para não ter chefe, eu sei o quanto custou tudo isso na minha vida até hoje, portanto deixo o pensamento: pensem no seu jardim, todo negócio novo que for montar, os estudos comprovam que são necessários de 3 a 5 anos para você aprender as “sacadas do negócio”, não irá acontecer do dia para a noite. Visto que as estatísticas dizem que 70% quebram em 3 anos, apenas 30% das empresas irão conseguir “começar a aprender estas sacadas”.

Mas ao mesmo tempo o que é bacana de morarmos em um país que permite esta mobilidade social, se você fizer, você pode conseguir, não é porque nasceu pobre que precisará morrer pobre. Esta semana estava lembrando quando fui construir casas no interior de São Paulo para vender, meu primeiro negócio, casas pequenas, botava X mil dólares e virava 3X mil dólares em 3 meses. Construir a primeira casa, deu certo, quando fui construir a segunda, isso em 1994, tinha acabado de entrar o plano Real e ninguém vendia nem comprava nada, mais ou menos igual agora.

O fato é que lembrei do Empreiteiro que havia construído a minha casa.  O Zé Carlos era um cara muito simples, não sabia praticamente ler ou escrever, a esposa a mesma situação. Mas era tranquilamente o casal mais determinado que conheci até hoje na minha vida. Uns 2 anos antes de eu conhecê-lo ele havia conseguido comprar um pequeno terreno e havia feito uma casa de 35m2. Vendeu a casa, comprou outro terreno e ele junto com a esposa, ela inclusive batia cimento na época, para quem não sabe o que é isso, é misturar cal, cimento e areia com água para fazer a massa que é colocada para grudar os blocos, fazia isto com a enxada. Eles estavam sempre muito felizes por estarem crescendo e trabalhando muito, os olhos brilhavam de verdade, dava gosto de ver.

Resumo da história, antes de eu voltar para SP, em 5 anos de trabalho, eles já tinham mais de 15 casinhas sendo construídas  com o dinheiro dele, casinhas simples, começaram a comprar o terreno, construir e vender as casas. Nos dias de hoje isso deveria valer mais ou menos R$ 1.000.000,00, resultado de muito trabalho para alguém que não sabia ler e escrever, tudo isso em 7 anos de trabalho, ele era o primeiro a chegar e o último a sair das obras. Para mim ficou muito claro naquela história se você quiser de verdade, não medir esforços para realizar os seus sonhos, eles irão se realizar, vai depender única e exclusivamente de você, eles definiram para eles Metas que Desafiam, e chegaram lá.

Apesar de ser um Blog de Empreendedores, qualquer Funcionário | Executivo também pode ser um Empreendedor na empresa que trabalha, isso com certeza fará uma grande diferença no seu crescimento profissional. Semana passada conheci uma Diretora de um grande grupo, tive a oportunidade de ter acesso ao seu currículo e consegui entender o porque chegou até lá, houve com certeza muito esforço e dedicação para poder angariar um posto deste, mas além de toda informação adquirida, teve principalmente  a competência de execução, esta é a maior chave para o sucesso, saber fazer e fazer bem feito! A maior parte das pessoas acham que é sorte, adoro a posição do André Esteves que diz “quanto mais ele trabalha, mais sorte ele tem”.

Para finalizar em um dos eventos da Endeavor, Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander e Grupo Abril,  disse que contrata pessoas que tenham 3 qualidades principais:

-> Brilho nos olhos

-> Ser de bem com a vida

-> Ter habilidades técnicas

Essas qualidades servem tanto para profissionais contratados ou para se tornar Empreendedor. Se não tiver o brilho nos olhos e não for de bem com a vida,  a chance de dar certo será menor, ou poderá trabalhar na auditoria das empresas. Habilidades técnicas são essenciais, mas sem as duas primeiras, será muito mais difícil.

SERGIO BERTUCCI : MBA na vida de Empreendedor com muitos acertos e erros; já são 20 anos, quase quebrei 2 vezes, uma por falta de pedido e outra por um pedido muito grande. Sócio-fundador e Designer da BERTUCCI FASHION UNIFORMS, membro Internacional da ENDEAVOR, com muita vontade de poder ajudar os Empreendedores a fazerem direito e crescerem o seu negócio.

Bem-vindo à era dos momentos

26 de outubro de 2015

Pequenas empresas têm agilidade e conhecimento dos micro-contextos dos clientes. Essas competências podem ser a grande diferença dos negócios no futuro

O futuro ainda não existe. Só se sabe que ele será diferente do presente. Mas como ele será, de fato, é algo ainda indefinido – pois será construído a partir das ações que tomamos todos os dias.  Essa é uma das reflexões que Daniel Egger vai apresentar na conferência RethinkBusiness, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro no auditório da Fecomércio, em São Paulo. 38 anos, fundador da Foltigo, diretor da Crowd Envisioning, Egger é austríaco e está no Brasil desde 2003. “Vi muito potencial no país e gostei de aprender uma nova língua”.  Atua como professor na ESPM, Mauá e Insper e é designer de estratégias inovadoras para o futuro de negócios. Autor do livro “Geração de Valor Futuro – conectando a estratégia, inovação e o futuro” (Elsevier, 2015) atualmente prepara o segundo livro “#humanizing – um design, um design humano”. Nessa entrevista ele adianta algum dos temas que vai tratar neste evento, que reúne expoentes do ecossistema de inovação para repensar o futuro dos negócios.

Máquina de construir – o ano 2000 imaginado pelo francês Villemard em 1900

Menta – O que podemos esperar do futuro?

Daniel – O futuro depende de nós, da postura que assumimos. Essa pode ser ativa ou passiva. Ativa significa que buscamos entender as mudanças, como elas são interligadas e como nós, como individuo ou empresa, podemos ativamente participar ou até influenciá-la. Passivo, é quando sonhamos com o futuro, mas esperamos que outros o criem para nós. Explorar o futuro não é sobre prever, mas sim entender melhor as mudanças e preparar-se para as novas realidades.

Menta – Em tempos de tanta intolerância religiosa, política e até étnica, é possível ter uma visão positiva do futuro?

Daniel - Tem dois aspectos muito importantes sobre o futuro. O primeiro é que qualquer mudança representa sempre uma oportunidade. O segundo é que o futuro é neutro. Ou seja, não podemos julgá-lo com nossos vícios, mas precisamos entender as lógicas que surgem e como podemos fazer parte dessas novas realidades. Após identificados, podemos concordar ou não – e assumir influenciar da forma como entendemos como positivo ou negativo. Mas precisamos lembrar que o que nós podemos imaginar como positivo, outras pessoas não compartilham da mesma visão.

Menta – O que é a nova economia dos momentos?

Daniel - Creio fortemente num futuro centrado no humano – mas também com um desenvolvimento progressivo da tecnologia. Precisamos olhar quais são os hábitos, valores e crenças das pessoas – e o que gera valor para elas. A economia dos momentos representa essa importância. Com a mobilidade e a conectividade nós estamos utilizando produtos, serviços ou interagimos com as marcas em qualquer lugar. O Google, focando na interação com o celular, chama isso de “micro-momentos”.  Cento e cinquenta vezes, em média, interagimos com o celular por dia. Podemos acessá-lo do nosso dormitório, carro, escritório ou no banheiro. Cada acesso representa um momento, uma necessidade especifica. A economia do momento representa essa importância de conhecer não somente o cliente, mas o contexto e por que ele acessa os produtos e serviços. Sabendo disso podemos gerar novas soluções e experiências para nossos clientes.

Menta – Como as inovações tecnológicas vão impactar o futuro dos negócios?

Daniel - Vivemos cada vez mais numa sociedade tecnológica. Tecnologias como impressores de 3D, a internet das coisas ou os mundos virtuais vão transformar dramaticamente a nossa realidade. Mais especificamente, essas mudanças vão dar um novo poder aos indivíduos, ao momento. Quando a minha filha expressa sua criatividade desenhando uma borboleta, eu posso tirar uma foto e imprimir o objeto. Isso reforça o momento, cria uma felicidade e uma nova experiência criativa. Não precisamos mais ir para uma loja e procurar uma borboleta pré-criada, ela pode criar a dela. As impressoras 3D não somente vão mudar nosso hábito de consumo, mas também competências estratégicas das empresas. Com o progresso tecnológico, impressoras vão ganhar mais velocidade (hoje ainda são muito lentas) e trabalhar com mais complexidade. Isso vai impactar dramaticamente as competências de produção das empresas. Se hoje elas focam na eficiência em busca do menor estoque possível, utilizando impressoras 3D o princípio just-in-time ganha uma nova perspectiva. Caso as empresas precisem um insumo, elas podem comprar online, e imprimir. Com isso as empresas produtoras ganham uma nova agilidade e liberdade. Tem menos dependência do transporte dos bens, menos risco de perda, necessitam menos espaço de produção e menos custo do estoque. Teremos uma nova realidade mais eficiente e ao mesmo tempo uma customização maior para os clientes.

”Patins elétricos” faz parte da série Utopia, em que Villemard imaginou como seria o futuro

Menta – Qual o futuro você vê para as pequenas e médias empresas? Como elas poderão sobreviver, se destacar, em um cenário de competição crescente?

Daniel – As pequenas e médias empresas têm uma competência que as grandes muitas vezes não têm. Agilidade e conhecimento do micro-contexto dos clientes. Isso significa que teremos novas redes competitivas. As grandes empresas vão se aproveitar das pequenas e médias que vão customizar os produtos para os seus clientes. Mas também vamos ver pequenas e médias empresas se juntando em “redes competitivas” que tem uma estrutura flexível para criar uma nova concorrência. Vem daí os “funcionários de aluguel”, quando as empresas mantêm um núcleo reduzido de pessoas e passam a trabalhar cada vez mais com microempresas, startups ou autônomos para gerar valor para projetos específicos. Isso pode parecer arriscado, mas não é. Essa nova realidade dá maior acesso aos talentos, agilidade e também reduz o custo fixo das organizações nas situações de incerteza.

Menta90 é o codinome na Internet de Marcelo Pimenta, jornalista e professor da pós-graduação da ESPM. Escreve sobre inovação e cultura startup toda segunda-feira no Blog do Empreendedor. Saiba mais curtindo www.facebook.com/menta90

Leve sempre seu guarda-chuva

26 de outubro de 2015

Você já parou para pensar em como agir quando uma crise econômica afeta o seu país e consequentemente o seu negócio? É importante levar sempre seu guarda-chuva e se preparar, de diversas maneiras, para quando a chuva ou esse momento conturbado chegar. Eu gostaria de dividir algumas experiências que foram um aprendizado muito grande para todos da nossa rede. Projetando um ano difícil e conturbado para o Brasil, a estratégia que adotamos internamente foi se antecipar, prevenir e buscar a inovação nos negócios da empresa. Orientar e conduzir os franqueados foram os primeiros passos.

Nosso primeiro insight veio de uma de nossas franqueadas. Ela nos contou que estava participando de um curso de coaching e que todo esse processo proporcionou grandes mudanças pessoais e, principalmente, em seus negócios. E de fato, foi perceptível visualizar suas mudanças: positivas e de forma efetiva e acelerada, tanto em sua maneira de se relacionar, quanto no propósito de alcançar suas metas assertiva e objetivamente. Era exatamente isso que buscávamos para os nossos franqueados: um mix de recursos que produzisse mudanças positivas e duradouras em um curto espaço de tempo.

Durante todo o ano de 2014, todos os franqueados participaram de um coaching, com a finalidade de se preparar e amadurecer para o momento difícil que seria o ano de 2015. O programa foi financiado pela própria TrendFoods, com intuito de incentivar a presença e a interação de todos os franqueados. Tudo começou com o mapeamento das lojas. Os franqueados foram divididos por grupos de acordo com suas características de negócio. Queríamos evolução e resultados, mas para isso seria necessária uma dedicação de corpo e alma por parte de todos. O programa em si era muito interessante, mas sem a colaboração e envolvimento dos participantes não teria sido possível.

O resultado foi animador! A rede obteve crescimento e aproveitamento de 60% no ano de 2014, como consequência do curso e do engajamento por parte dos franqueados.

Com a rede mais bem preparada e exigente, estamos oferecendo em 2015 um Curso de Gestão de Resultados, que funciona por adesão, com início nos próximos meses. Com organização da IDE BRASIL, o treinamento terá duração de seis meses.  O objetivo é dar ao grupo uma visão voltada a resultados e compartilhar conhecimentos de gestão com os empreendedores. Queremos construir ideias e estratégias baseadas no cenário atual em que vivemos. Esses são alguns do exemplos que utilizamos para  fazer da crise uma oportunidade de aprendizado.

Se você quer resultados diferentes,  você precisa, em primeiro lugar, fazer diferente. Quem gera resultado para os negócios são as pessoas envolvidas. Por isso, buscamos qualificar nossos franqueados para construir uma parceria de resultados prósperos para ambas as partes.

Robinson Shiba é presidente do Grupo TrendFoods e fundador da rede China in Box

Entendendo o ecossistema de empreendedorismo brasileiro: tipos de empreendedores e negócios

23 de outubro de 2015

Se no final do Século XX a palavra empreendedorismo sequer aparecia nos dicionários brasileiros, desde então houve uma grande popularização do termo e uma evolução do seu ecossistema. Atualmente há diversas facilidades, recursos e instituições de apoio para quem pensa em abrir um negócio próprio. Ter conhecimento e saber usar o ecossistema só aumenta as chances de sucesso do negócio e há nova geração de empreendedores que sabe disso.

O primeiro elemento do ecossistema é o próprio empreendedor e o negócio que pretende criar.  Há diversas classificações de empreendedores, mas é mais fácil entender o tipo de negócio que pretende criar, pois esta decisão o(a) levará para um ecossistema diferente.

O primeiro tipo de negócio é o de “subsistência”. Por mais que neguem, muitas pessoas abrem negócios próprios com o objetivo principal de garantir sua subsistência e da sua família. Em geral, são negócios que demandaram pouco ou nenhum planejamento prévio e não se observa nada inovador ou diferenciado na empresa e seus produtos e serviços.

Nestes casos, a empresa tende a competir em custo e/ou qualidade, mas devido à falta de planejamento, estas vantagens são frágeis e difíceis de garantir de forma recorrente. Por mais que seja numeroso, negócios de subsistência costumam não fazer parte do ecossistema de empreendedorismo, pois as pessoas que abriram negócios com este perfil sequer se consideram empreendedores e pouco acompanham o que acontece no cenário das micro e pequenas empresas. Aderir ao regime do Microempreendedor Individual e buscar apoio do SEBRAE são duas decisões praticamente obrigatórias para empresários que queiram migrar para os demais tipos de negócios.

O segundo tipo de negócio é aquele tenta oferecer algum “estilo de vida” para o empreendedor. São pessoas que querem montar um negócio próprio que não cresça muito a ponto de se tornar muito complexa a sua gestão, mas que sejam diferenciados ou inovadores e que ainda possam garantir certas liberdades pessoais para o empreendedor. Isto é bastante observado em empreendedores que decidem se aventurar em negócios gastronômicos “de autoria” como alguns restaurantes, firmas de consultoria, food trucks, negócios da moda e lojas de comércio eletrônico especializado.

Negócios assim pertencem a um ecossistema moderno que existe principalmente de forma virtual. São interações com outras empresas e empreendedores do setor, inclusive de outros países e mercados que servem como inspiração (sempre) e parcerias (eventuais). Muitas destas interações se transformam em amizades e comunidades. Além de outros colegas empreendedores, o ecossistema deste tipo de negócio também passa a incluir bancos (investimentos, empréstimos e financiamentos), consultores especializados (branding, estratégia, finanças, etc.) e parceiros (fornecedores, distribuidores, clientes-chave, etc.). Para deixar a empresa menos complexa tributariamente falando, muitos empreendedores optam por não extrapolar o limite de faturamento anual de R$ 3,6 milhões mantendo suas empresas no Simples.

O terceiro tipo de negócio é que almeja “crescimento orgânico”. São negócios que atém podem ter começado como de sobrevivência ou estilo de vida, mas que “deram muito certo” e que agora podem crescer em receita e/ou novas unidades. Muitos novos negócios já são projetados para crescerem de forma orgânica. Para isso, o empreendedor quase sempre planeja uma unidade ou iniciativa piloto para validar o conceito, mas já considera um esquema organizado de crescimento. A inovação é importante para este tipo de negócio, mas a padronização de processo, a gestão da qualidade e a força da marca são ainda mais relevantes. Todos os demais membros do ecossistema citados anteriormente estão presentes neste tipo de negócio, mas surgem novos que se tornam mais constantes como consultores de franquias, associações setoriais, mentores, advogados, bancos (financiamentos e empréstimos).

E ainda há um quarto tipo de negócio, que, em geral, é o mais desejado pelos novos empreendedores: os negócio de “rápido crescimento”.  Quase todas as startups de tecnologia estão nesta categoria. E este é o ecossistema que mais se organizou nos últimos anos no Brasil. Para os iniciantes, há cursos de empreendedorismo oferecidos por quase todas as principais instituições de ensino, principalmente as escolas de negócio. O programa Inovativa Brasil oferece isto de forma online e gratuita. Também é possível participar de eventos de criação de startups como o Startup Weekend ou diversos hackatons promovidos por empresas como a Natura e AMBEV.

Se já tiver um protótipo, talvez seja o momento de buscar uma aceleradora. O programa Startup Brasil trabalha com as principais aceleradoras do país. Se já tiver um protótipo e algumas validações de mercado, quem sabe seja possível buscar recursos de investidores. A Anjos do Brasil reúne investidores anjos que têm feito primeiro aporte em negócios muito promissores. Há outras fontes de recursos que também podem ser solicitadas como o PIPE da FAPESP. E ainda há muitos eventos para negócios de rápido crescimento. Os meus preferidos são o Br New Tech, a Conferência Nacional da Anjos do Brasil e Conferência Brasileira de Venture Capital. Estes, eu faço questão de estar presente. É onde encontro pessoas que veem grandes problemas como grandes oportunidades. E neste momento atual, é a forma de continuar acreditando neste país!

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Do empreender e da arte dentro de cada um de nós

22 de outubro de 2015

Ontem encontrei um amigo na rua, na frente de uma nova loja que estamos preparando na região efervescente da Augusta, em São Paulo. Como ele trabalha com cenografia, a conversa logo vai para o trabalho e o que cada um está fazendo no momento, no qual encontramos vários pontos em comum. Principalmente a paixão pelo que fazemos.

Essa conversa e essa rua inspiram meu texto de hoje. Das conexões da arte e do empreender.

É totalmente livre de deslumbramento que vejo o empreendedor um obcecado pelo seu negócio, assim como um artista o é pela sua obra. Pensamos nisso 24 horas por dia, 7 dias por semana. A obra, no meu caso, é a empresa que estou construindo. Talvez com uma diferença: a obra não fica pronta nunca.

Criar um negócio do nada é como começar uma tela em branco, partindo apenas de uma ideia a ser transformada em realidade. E os instrumentos, ou tintas, são toda a bagagem acumulada de conhecimento, técnica e sentimento. Falando com gente que faz arte, percebo a semelhança: a busca de realizar uma visão.

Algum talento (1%), muito trabalho (99%), e bastante sangue frio também, que só descobrimos se temos ou não ao longo da jornada.

A empresa é uma obra aberta também na forma como os outros veem nosso negócio: cada um enxerga de acordo com sua própria percepção. Estamos em constante interação com nosso público.

Ainda mais trabalhando com gastronomia, que é nosso caso. A gastronomia é arte de consumo imediato. Sem falsa pretensão, entregamos todos os dias pequenas obras de arte.

Porque precisamos impactar de alguma forma a vida de nossos clientes para fazer a diferença, para sermos lembrados, para agradar, para gerar um sentimento memorável.

Muitas vezes, o cliente pode nem saber exatamente de que forma produzimos um efeito na sua vida, em suas relações de consumo, na afeição (predileção) que ele cria por nossos produtos e marca.

Uma empresa que consegue produzir tal efeito pode ser considerada uma obra-prima.

Mas uma obra-prima que precisa ser constantemente reavivada, reencenada, recontada.

Acho que por isso talvez a melhor comparação de uma empresa não seja com uma pintura ou um livro, mas com uma peça de teatro, ou um show de circo, ou um concerto, que a cada apresentação precisa ser completamente refeito.

E, a cada apresentação, gera uma expectativa renovada que precisa ser atendida.

Ao final do dia, é como sair do palco ou baixar a cortina depois de um espetáculo. E no dia seguinte, é começar tudo de novo. Por melhor que tenha sido a apresentação do dia anterior, é preciso refazer o encanto e, de novo, reconquistar o cliente.

Porque o show precisa continuar.

Ivan Primo Bornes, procura fazer arte todos os dias no Pastificio Primo, literalmente com as mãos na massa.

Cultura sem intermédios

21 de outubro de 2015

Hoje vou falar sobre uma empresa americana que cria seu produto e o vende diretamente para os consumidores, sem depender de intermediários. Em um mercado onde é comum as empresas terem processos longos, com etapas que envolvem várias pessoas, fornecedores e prestadores de serviços, a Warby Parker foi na contramão e desenhou uma estratégia nova.

Fundada em 2010 com a intenção de ser uma alternativa aos altos preços dos óculos, a Warby Parker tem o foco de vender óculos de grau e de sol pela internet. Porém, o que os diferencia das demais marcas é que os produtos são criados e vendidos por eles. Dessa forma, não há intermediários entre a criação e a venda do produto e, com isso, o preço dos óculos ficam mais acessíveis.

Mas este não é o único diferencial da empresa e talvez nem o mais interessante. O que mais me chama a atenção é a maneira como foi desenhada a cultura da organização. Para eles, cultura precisa ser criada. Não é somente natural, e sim algo que demanda planejamento. Por isso, na empresa existe uma equipe que faz parte do “Time cultura”: são pessoas que trabalham pensando na cultura da Warby Parker, planejando ações diferenciadas para os colaboradores e até mesmo participando dos processos de recrutamento.

Outro departamento curioso é o “Comitê da diversão”. Veja que interessante: a cada trimestre um grupo de funcionários é escolhido para formar este comitê e planejar ações de entretenimento para os demais colaboradores, seja uma festa open bar ou uma aula de dança. Ou seja, a cada três meses a empresa oferece um momento de diversão para seus funcionários que é sempre uma surpresa. Eles esperam por aquilo no final do trimestre, e sempre vem algo diferente. O mais legal disso é que essas atividades são escolhidas pelos próprios funcionários. E a cada três meses esse comitê e formado por novas pessoas, que desenham novas atividades de lazer e interação.

Tiro duas grandes lições deste case que podem ser aplicadas nas nossas próprias empresas. A primeira é que podemos ir na contramão do que o mercado diz ser o “certo”. Para muitas coisas não existe o certo e o errado e a inovação só acontece quando fazemos algo diferente. E a segunda lição é a importância de criar a sua cultura com consciência, de analisar qual é a cultura que você quer para a sua empresa. A cultura de uma organização é o seu DNA e ela precisa ser deliberadamente criada e planejada com cuidado e atenção.

* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estadão PME.