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Comprar do pequeno é um grande negócio

31 de agosto de 2015

Marcelo Pimenta (menta90) é um entusiasta da inovação nos pequenos negócios, professor da ESPM e criador do Laboratorium.

Uma das iniciativas mais legais que o Sebrae já fez é esse movimento #compredopequeno.

Entendo que não é apenas uma campanha publicitária, mas uma mensagem transformadora: comprar do negócio local é o caminho do desenvolvimento sustentável. Os números comprovam isso:

O fortalecimento do pequeno negócio é importante não só sob ponto de vista econômico, mas principalmente por questões sociais, ambientais, políticas e de qualidade de vida – e escolhi alguns tópicos para destacar:

Prosperidade compartilhada. Talvez seja a mais importante de todos. O dinheiro que se gasta onde se vive gera resultados que são visíveis a olho nu. Movimenta todo o ecossistema local, gerando uma espiral positiva de prosperidade, permitindo que todos cresçam juntos.

Geração de empregos. O desenvolvimento local gera mais oportunidades.

Impostos municipais e estaduais fortalecem o poder público. Assim os governos têm mais recursos para investir na melhoria da infraestrutura.

Bem-estar da comunidade. Problemas de segurança, saúde e educação são melhor resolvidos com o empenho de todos na comunidade. Se o comércio local for forte e engajado, tudo fica mais fácil.

Incentivo às vocações regionais. As melhores cidades para se viver têm uma vocação que identifica o potencial econômico da cidade – seja para o turismo (como Gramado, Ouro Preto, Bonito) ou para negócios (como Goiânia com o comércio de roupas, Caxias do Sul com o vinho ou Santa Catarina com a indústria têxtil). Um diferencial sólido só é possível de ser construído a partir do empenho e do comprometimento dos pequenos negócios. Eles criam um fluxo de troca que fortalece a cadeia produtiva e tudo passa a funcionar em sintonia.

Incentivo à inovação e ao empreendedorismo. Uma comunidade econômica forte é o habitat ideal para o surgimento de novos empreendedores. E também para a inovação dos negócios. O livro “Nação Empreendedora – o Milagre Econômico de Israel e o que ele nos ensina” mostra como um território menor que Sergipe consegue ter o maior número de empresas de tecnologia (fora dos EUA) na bolsa Nasdaq.

Sustentabilidade. Comprar e trabalhar perto de onde se vive aumenta o conforto e evita a necessidade de transporte (seja privado ou público), permitindo cidades mais limpas, com menos poluição e menos tempo e energia desperdiçados em congestionamentos. Além disso, uma comunidade forte e engajada é preocupada com o melhor uso aproveitamento seus recursos energéticos e naturais e com seus dejetos.

E para que não fiquem dúvidas: comprar das grandes redes pode sim trazer prejuízos econômicos e sociais para as comunidades.  O site americano http://ilsr.org/ aponta que, nos EUA, enquanto os pequenos negócios empregam até 57 pessoas para cada US$ 10 milhões de vendas,  a Amazon vende esse mesmo montante empregando 14 pessoas. Ou seja, a Amazon destrói mais empregos do que cria.  No Netflix, está disponível o filme “O alto custo do preço baixo”, que revela o impacto da chegada do Walmart nas pequenas cidades do interior dos Estados Unidos: fechamento dos pequenos negócios, desemprego e caos imobiliário – já que as principais ruas do comércio começam a ficar desertas. O mesmo vídeo releva que muitas vezes o poder público apóia a “instalação” desses grandes grupos assumindo obras de infraestrutura (vias de acesso, água, energia, …) e ainda oferecendo isenção de impostos. O resultado aparece mais tarde…

A decisão está nas suas mãos. Tenha certeza, comprar do pequeno é sempre um grande negócio. Parabéns a toda equipe do Sebrae que lidera a iniciativa. Pequenos negócios e entidades podem aderir ao movimento através do Site  http://www.compredopequeno.com.br/ , inclusive criando peças promocionais personalizadas para enfeitar a loja e/ou o website. #compredopequeno

Qual o melhor negócio para investir: próprio ou franquia?

31 de agosto de 2015

Você que acabou de sair da empresa que trabalhava, conseguiu uma boa negociação e decidiu montar um negócio, possivelmente já se questionou se é melhor investir em uma franquia ou um negócio próprio. Para ajudá-lo a tomar algumas decisões, vamos listar algumas vantagens e desvantagens de cada opção.

Negócio próprio. A principal vantagem é a liberdade de criar a sua história, desenvolver ideias sem limites e estabelecer regras no negócio que vai empreender.  Você tem a possibilidade de investir o valor exato que possui no seu bolso. Você pode criar o seu próprio logotipo e identidade da marca e seu projeto será executado sem a interferência de ninguém.

No entanto, nesse modelo, você não tem um histórico de sucesso e nenhuma experiência anterior real para se basear. Os resultados são teóricos e será necessário executar o projeto para saber qual será o resultado na prática. Ou seja, os riscos e prejuízos são maiores.

Se houver resultado, ele será só seu. Não há taxas a serem pagas. Também não existe uma marca construída, por isso será necessário um investimento muito maior nesse quesito.

Franquia. As vantagens em investir em uma franquia são muitas. A marca já está testada e aprovada, não só pela empresa, mas também pelos clientes e franqueados. Os fornecedores da matéria-prima e os prestadores de serviço já estão desenvolvidos, independentemente se o seu objetivo é abrir um China in Box, ou uma franquia de outra marca, em São Paulo ou Manaus.

As desvantagens são os custos envolvidos, como royalties, fundo de propaganda, taxa inicial de franquia e regras e padrões a serem seguidos. Há uma liberdade controlada, no entanto, o modelo de negócio já foi testado e viabilizado. Existe um plano a ser seguido.

A Associação Brasileira de Franchising – ABF é uma ótima fonte de pesquisa de franquias em todos os setores. Quando o China in Box começou no segmento, as oportunidades no mercado eram muito restritas e caras. Hoje, as portas estão abertas para os novos empreendedores e é possível investir em uma micro franquia com apenas cinco mil reais.

E se você pensa em transformar o seu negócio próprio em uma franquia, minha sugestão é que haja uma experiência semelhante a que tive com o China in Box. Depois de três anos de um negócio rentável e consolidado, comece a pensar em uma expansão. Lembre-se: é preciso precaução na hora de escolher o seu negócio.

Além do China in Box e do Gendai, tentei montar outros 13 negócios em segmentos variados e não obtive sucesso por falta de foco. Por isso, tenha bastante foco e atenção, alinhe o investimento e a expectativa de retorno do seu negócio, seja ele próprio ou uma franquia. Independentemente do negócio ser próprio ou franquia, o importante é acreditar e concretizar seus sonhos. Muita sorte e muito sucesso!!!!

Robinson Shiba é fundador da rede China in Box.

O momento para as grandes empresas empreenderem

28 de agosto de 2015

No mês passado, mesmo que por alguns dias, Jeff Bezos estava radiante. Sua empresa, a Amazon, tinha passado a lendária Walmart, em valor de mercado. Mesmo tendo mais de 11 mil lojas ao redor do mundo, a empresa fundada por Sam Walton valia menos do que a varejista online. Mesmo que a Walmart tenha recuperado seu valor depois, a Amazon ainda é maior do que todas as demais cadeias de supermercados dos Estados Unidos.

Não apenas as grandes varejistas estão incomodadas. Airbnb vale US$ 24 bilhões. A rede Marriott, com mais de quatro mil hotéis em mais de 80 países, vale US$ 22 bilhões. GoPro vale US$ 5,6 bilhões e a Nikon, um pouco menos, cerca de US$ 4 bilhões. O Netflix vale, pelo menos, o dobro da sua concorrente, a HBO. E a comparação não é apenas digital x físico. Quando a unidade norte-americana da Danone se deu conta do potencial do iogurte grego, a novata Chobani, que tinha introduzido o conceito no país, já tinha quase 10% de participação de mercado.

Mas não é preciso ir para os Estados Unidos para perceber como as empresas antes bem estabelecidas estão vendo seus mercados tomados por novatos. Muitos riam da Azul Linhas Aéreas quando David Neeleman decidiu concentrar seus vôos em Viracopos. Desde 2008, a participação de mercado da Azul só descola, enquanto que dos seus principais concorrentes só pousam.

As cooperativas de táxi duvidavam que os taxistas independentes fossem comprar smartphones com planos de dados só para usar os tais aplicativos. Ficaram esperando no ponto. E as principais marcas de sorvetes foram pegas de surpresa pela Diletto e depois atropeladas pelas paleterias. Entraram numa fria.

Por isso, muitas grandes empresas já não ficam se perguntando se serão incomodadas por alguma startup, mas a questão é quando isto acontecerá.

Daí o esforço das mais alertas em apostarem em iniciativas empreendedoras. Desafios internos, chamadas abertas, hackatons, imersões, aceleradoras, startups corporativas, corporate venture capital, open innovation, workshops de design thinking, co-criação, batalha de conceitos são alguns exemplos das várias ações que as empresas estão colocando em prática.

Mas estas iniciativas tendem a ter pouco impacto se a empresa não tiver as melhores respostas para as perguntas mais básicas da sua existência: Qual é o seu negócio e para que serve a sua empresa?

A resposta para a primeira questão está no artigo Miopia de Marketing escrita pelo professor Theodore Levitt em 1960. Ao analisar porque as empresas ferroviárias, que eram as maiores corporações do Século XIX, não conseguiram manter a mesma posição no século seguinte, descobriu que as empresas ferroviárias se enxergavam no mercado de ferrovias e não de transporte. Por isso, queriam ser as melhores empresas de trilhos. Descarrilaram. O seu negócio não é o seu produto ou serviço, mas o benefício que ele entrega ao seu cliente. Só esta reflexão já permite a expansão das possibilidade de atuação e inovação da empresa!

A questão seguinte é respondida por Peter Drucker em seu livro A Prática da Administração publicada em 1954. Para que serve uma empresa? Ele explica que um executivo mediano de negócios responderia que uma organização existe para dar lucros. Ele acredita que um economista mediano também daria a mesma resposta. Mas isto não é apenas falso, é irrelevante, em sua opinião.

A teoria da maximização dos lucros é uma forma complicada de dizer comprar barato e vender caro. Lucro não é a explicação, a causa ou mesmo o racional no comportamento e nas decisões de um negócio, mas um teste para a sua validade. Para Drucker, o objetivo de um negócio é desenvolver clientes! Por isso, as iniciativas empreendedoras mais visionárias não são aquelas que resolvem os problemas da empresa, mas sim dos clientes.

Marcelo Nakagawa é diretor de empreendedorismo da FIAP e professor do Insper

Sobre Sociedades e Amizades

27 de agosto de 2015

Todos já ouviram falar de casos nos quais o negócio arruinou uma amizade de anos. É bem verdade, isso acontece. É bem comum até, a literatura empresarial está cheia de casos assim.

Também conheço pessoalmente casos de irmãos separados pelos negócios, após anos de trabalho juntos, e que hoje não se falam. Há famílias inteiras divididas pelos negócios, todos conhecem um ou outro exemplo.

Por isso, algumas pessoas preferem empreender sem sócios. Sem dúvida pode ser um caminho livre de problemas societários, mas, me parece muito mais difícil, e um pouco… solitário, não é? Muito chato.

Já eu acredito nas parcerias, em compartilhar, em somar, em dividir, em cumplicidade, em celebrar. Acho muito mais divertido e interessante fazer a empresa acontecer com pessoas que agregam, que complementam o sonho.

Ao longo dos vários negócios que fui fazendo na vida, tive muitas sociedades, e de todo tipo: com parceiros de trabalho, com amigos, com parentes. Algumas deram certo, atingiram objetivos. Outras não.

Mas sempre mantive a fé intacta no outro, no sócio, no parceiro.

No entanto, não nego que seja complexo e trabalhoso.

Têm muitas coisas que não sabemos quando iniciamos um negócio. Inclusive o que cada sócio pode (ou não) fazer bem feito. Ao longo do tempo precisamos alinhar constantemente o que esperamos uns dos outros para evitar o distanciamento, a divergência, o desentendimento.

Precisamos pedir desculpas, precisamos refletir, estender a mão. Começar de novo.

É necessário desenvolver um altíssimo grau de confiança, objetivos comuns, disposição para superar conflitos e, acima de tudo, um certo altruísmo – é preciso colocar o bem estar da empresa acima do seu próprio interesse. Isso é muito difícil para a maioria, mas caso se consiga, é uma força inestimável na dinâmica de trabalho.

O resultado é no longo prazo, um projeto de vida, de respeito mútuo.

Não existem sociedades perfeitas, nem precisa. O sucesso não está em não ter divergências – já que isso é impossível. Mas em saber superá-las, com altas doses de disposição, pitadas de bom humor e um grande objetivo em comum: fazer dar certo.

O bacana é que nesta jornada vamos nos tornando pessoas melhores.

Ivan Primo Bornes, fundador do Pastifício Primo, acredita que, com boa companhia, a viagem é sempre mais divertida.

Uma tática infalível para superar a crise com sucesso

27 de agosto de 2015

Para esses momentos turbulentos, tem uma sigla que se colocada em prática é infalível: VMB. Conhece? Implementamos o VMB em nossa fábrica desde o começo do ano quanto iniciamos um processo de consultoria. E hoje olhamos para trás conseguimos ver claramente como fez toda a diferença.

Mas confesso a vocês que não foi fácil conseguir isso. Sair da zona de conforto para estimular o pensamento fora da caixa requer um esforço grande. Graças ao VMB nosso crescimento médio mensal vem surpreendendo. Enquanto muitos mercados registram quedas acentuadas nas vendas navegando no turbulento mar de demissões e redução de turnos, nossas perspectivas apontam para um sentido inverso.

O VMB trouxe uma capacidade de autocrítica muito maior. Quando se executa a técnica do VMB naturalmente o olhar de fora para dentro aumenta. E muito. E isso é uma ferramenta poderosa para se aproximar das oportunidades.

Você já deve ter escutado umas duzentas vezes isso, mas é uma verdade. Mesmo na crise a oportunidade existe.

Mas quem coloca em prática o VMB consegue alcançar isso. Muitas vezes a expressão “fazer acontecer” não sai do papel porque o VMB não está no DNA da equipe. Não se faz. Hoje em nossa rotina de trabalho, praticar o VMB é mérito da consultoria do Evandro Gomes e sua equipe. Diariamente em suas ações vem nos ajudando em criar essa cultura do constante VMB em todos os níveis. Ah, VMB significa Vamos Mexer a Bunda. Simples né? Mas funciona.

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

O tempo certo de errar

26 de agosto de 2015

Diversas culturas abominam o erro. Acreditam que se você errou, você é um perdedor. No Vale do Silício, uma região ao norte da Califórnia que foi berço para as maiores empresas de tecnologia do mundo, a visão quanto ao erro é bem diferente. O erro é bem-vindo, desde que você tire um aprendizado dele, pois dessa maneira, estará mais perto de acertar da próxima vez que tentar.

Toda história de sucesso que conheço teve muitos tropeços até encontrar o acerto. Visitei recentemente o escritório de uma empresa brasileira que abraçou o erro como aprendizado, e que, com isso, descobriu que existe um tempo certo para errar. E a hora certa de focar quando encontrar um acerto. A Movile é uma empresa brasileira de tecnologia que desenvolve plataformas de comércio e conteúdo para celulares, smartphones e tablets.

Fundada em 1998 em Campinas, como uma startup, tem hoje escritórios espalhados em regiões estratégicas da América Latina e também no Vale do Silício. No início das atividades, o foco do negócio estava em SMS. Com os avanços tecnológicos, eles se reinventaram e assumiram o DNA de criar projetos inovadores. Em 2012, quando já estavam consolidados no Brasil e América Latina, foram para o Vale do Silício com a meta de encontrar um projeto global para o qual pudessem se dedicar. Foi então que começou uma nova página na história da empresa.

No Vale, eles aprenderam que muito do que pensavam eram hipóteses e não fatos e era importante testar as ideias antes de investir tudo em uma opinião. Eles perceberam que deveriam desenvolver vários mini projetos até encontrar aquele que seria responsável por ter grande aderência. Porém, cometeram um erro que consideram o maior de todos: o primeiro projeto demorou quatro meses para ser feito. Ou seja, demoraram quatro meses para errar.

Quatro meses em uma região como o Vale do Silício, trabalhando com tecnologia, é muito tempo. Foi então que descobriram que teriam que errar mais rápido e, para isso, deveriam fazer testes numa velocidade maior. Uma semana seria suficiente. A regra era simples: arriscar, fazer rápido, testar, melhorar, aprender, testar de novo e, se necessário, matar o projeto.

Em um ano e meio, a Movile desenhou mais de 40 projetos, mas só um foi levado adiante: o aplicativo Playkids, que se tornou um grande sucesso em todo o mundo. Quando a empresa percebeu que aquele seria o projeto que teria grande aderência, ela focou muito para desenvolvê-lo – a ponto de matar os outros projetos que não estavam dando certo. Atualmente, o Playkids é o aplicativo voltado para crianças mais rentável do mundo. No Brasil, é o segundo mais bem-sucedido em receita de toda loja de aplicativos.

A velocidade em criar e testar projetos, a capacidade de tomar riscos e a capacidade de pensar grande são os maiores diferenciais da brasileira Movile. Quando estamos diante de duas possibilidades: travar e estagnar, ou arriscar e aprender, escolher a última pode ser decisiva para o crescimento de uma empresa no mundo de hoje.

* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estado PME.

“As empresas precisam sair de seus silos, abrir a janela e ter novos olhares”

24 de agosto de 2015

A designer Clarissa Biolchini, desde o início do ano, tem um novo desafio: dar vida à Laje, um misto de escola e laboratório criado para estimular a inovação em produtos, serviços e modelos de negócios para empresas e profissionais.  Com um currículo com mais de 20 anos de experiência (sendo dez na Europa e na Ásia), professora do curso de graduação em Design na PUC-Rio e do curso de Pós-Graduação em Marketing na FGV, Clarissa também é a responsável pelo prefácio da edição brasileira do livro “Isto é Design Thinking de Serviços”, considerada a mais importante publicação no mundo sobre o assunto.

Em abril deste ano ela esteve em Amsterdam fazendo o curso “This is Service Design Doing” e criou coragem para trazer ao Brasil o mesmo programa que já foi sucesso em Barcelona, Shanghai, Atlanta e Berlin. Ministrado por Marc Stickdorn, coautor do livro, e Adam Lawrence, cofundador do Global Service Jam, o workshop será oferecido em formato de três dias, de 24 a 26 de setembro na Laje (mais informações e inscrições aqui).  Nessa entrevista exclusiva, ela fala sobre o curso e sobre o momento do design nos negócios.

Clarissa: o design se torna cada mais importante no contexto em que as transformações são cada vez mais rápidas

Menta – O design vem ganhando cada vez mais espaço. A capa da Harvard Business Review de setembro é sobre Design Thinking. Qual o motivo disso, na sua opinião?

Clarissa – O Design Thinking hoje se tornou essencial para as empresas por alguns motivos: O fato de vivermos hoje em uma economia de redes está transformando drasticamente as dinâmicas de trabalho nas empresas e a vida das pessoas. Enquanto nos modelos econômicos anteriores, o planejamento estratégico baseado em pesquisas de mercado quantitativas dava conta do recado e, muitas vezes, era suficiente para as empresas direcionarem e manterem seus planos anuais de desenvolvimento e crescimento de seus negócios, hoje o cenário da economia de redes nos revela uma série de outros possíveis modelos de negócios, de utilização de recursos, e consequentemente de novas formas de relacionamento entre pessoas/clientes e empresas que, algumas vezes, “nos tira do chão”.  E  muitas empresas estão tendo que se reinventar por conta disso. Não que este fenômeno não acontecesse antes, afinal a tecnologia sempre evoluiu e nos impactou com mudanças, mas hoje a quantidade e a velocidade das transformações é muito maior.

Atualmente todos sabemos que muito facilmente uma empresa pode rapidamente perder mercado para startups que rapidamente crescem e se desenvolvem criando espaço em novos mercados, ou mesmo para substitutos, que oferecem novas formas do mesmo serviço com modelos de negócios distintos, ou em mídias distintas. O whatsapp está ai desafiando os serviços tradicionais de telefonia celular, assim como tantos outros exemplos similares, que como este, surgem a nossa volta todos os dias.  Além disso, hoje o consumidor ganhou voz – e se tornou muito mais exigente e empoderado para poder se manifestar perante as marcas  e produtos e desafiar o destinos da empresas. A economia colaborativa, antes inimaginável num cenário tradicional de mercado, nos apresenta, a cada dia, um despontar de novas ideias e negócios contando com a colaboração e inteligência  e recursos em rede, como é caso da AirBnb, os dos inúmeros aplicativos de trânsito, de streaming de música e tantos outros.

Assim, muitos modelos de negócios e as cadeias de valor de muitas indústrias estão caindo por terra, ou se transformando. Todas estas mudanças obrigam as empresas a saírem de seus silos, abrirem suas janelas e respirarem os novos ares, ouvirem seus clientes, observarem as pessoas, seus desejos, medos, comportamentos, entender a novas tecnologias, e os novos recursos existentes. Mas, a partir destas pesquisas é preciso, ser capaz de gerar novas soluções para seus problemas de negócios, criar novas ofertas, tangibilizá-las e por fim testá-las. Este é o processo poderoso do Design Thinking que reúne pensamento analítico ao pensamento criativo, permitindo com que as empresas estejam sempre aptas a inovar, testar novas ideias e soluções e obter respostas reais em cima de testes concretos, num processo 100% empírico.  O pensamento criativo leva a uma abordagem do problema de forma original e é a partir deste ponto de vista que novos caminhos são traçados.

Clarissa em ação: cocriação e diversão para construir experiências especiais, dinâmicas e produtivas

Menta – Qual o propósito da Laje? Atualmente as melhores escolas de negócios tem cursos de design thinking, estão surgindo escolas especializadas no assunto, existem eventos que disseminam as práticas e os conceitos, qual o espaço não ocupado vocês identificaram e decidiram ocupar?

Clarissa – A Laje acredita na criatividade para impulsionar a inovação de projetos, produtos, marcas e, principalmente, negócios.

Em primeiro lugar, atuamos em dois segmentos, B2C e B2B. Todos os nossos cursos são direcionados tanto para profissionais e estudantes interessados em inovar em seus projetos e carreiras, quanto para empresas (in company) e frequentemente customizados para atender demandas específicas das empresas. Nosso diferencial é que todas as atividades da Laje são baseadas em framework e metodologia aplicada, portanto em todos os cursos que oferecemos para o púbico aberto, há clientes e cases reais que estejam envolvidos em um projeto social ou sem fins lucrativos. Estes clientes-parceiros tem seus projetos beneficiados pelos trabalhos cocriados pelos alunos em sala de aula. Além disso oferecemos desafios criativos e consultorias de inovação para empresas com foco em criação ou melhoria de serviços e produtos.  Nossa ideia é sempre aliar o conteúdo a elementos que tornem as aulas mais especiais, dinâmicas e produtivas.

Estamos construindo um ecossistema de parcerias no qual estão incluídos projetos de impacto social ou ambiental como mencionado acima, além de parceiros de negócios e de conteúdo, sendo muitos destes parceiros de origem internacional, como é o caso do Curso This is Service Design Doing, e de outros workshops internacionais que traremos para o Brasil este ano ainda.

Menta – O curso que a Laje está trazendo para o Rio é o mesmo curso que você fez com os autores na Holanda? O que os alunos podem esperar dessa turma?

Clarissa – Sim, será exatamente o mesmo curso em versão pocket, pois tivemos que adaptá-lo a nossa realidade brasileira.

O Design Thinking de Serviços é uma metodologia que vem ganhando cada vez mais corpo. A partir dela, é possível pensar em soluções criativas para os mais diversos problemas, seja para um novo modelo de negócios ou para a criação de produtos ou serviços Segundo a teoria da lógica dominante de serviço (de Vargo & Lusch) , tudo é serviço.

Com Marc Stickdorn, coautor do livro “Isto é Design de Serviços”

Utilizando métodos e ferramentas que os designers usam para desenvolver soluções, o Design de Serviços é uma abordagem que auxilia as pessoas na inovação e melhoria em serviços e processos em qualquer empresa, portanto é útil para qualquer profissional que trabalhe com serviços, seja ele interno ou externo a empresa.

No curso os alunos podem espera r aprender todos os conceitos e ferramentas do Design de Serviços , além de muito aprendizado “mão na massa” e diversão, pois o curso tem um formato muito instigante e um clima lúdico do inicio ao fim, além de uma levada de dramatização, especialidade do Adam Lawrence, um dos instrutores do curso,  que além de designer de serviços é também ator.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor de inovação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Saiba mais em www.facebook.com/menta90

Um país sem memória comete os mesmos erros

21 de agosto de 2015

Fernando Collor, Renan Calheiros e Dilma Rousseff durante cerimônia de chegada a Brasília dos restos mortais do presidente João Goulart, em novembro de 2013.

Um extraterrestre que estudasse a história recente do Brasil não entenderia a foto dos senadores Lindbergh Farias e Fernando Collor juntos e sorrindo. Tampouco a dos prefeitos Fernando Haddad e Paulo Maluf também juntos e se abraçando. Mas se estudasse a mente do brasileiro descobriria que o espaço reservado para a memória é reduzido e ele(a) só percebe o que está acontecendo agora ou no máximo ontem. O que ocorreu semana passada? Só consultando a agenda. Os sete a um a favor da Alemanha? Um passado bem distante já desindexado em nossa memória. Alguém prometendo que não mexeria nos direitos trabalhistas nem que a vaca tossisse? Quem foi mesmo?

Como a memória é curta, esquecemos, relevamos e não aprendemos com o passado.

Na semana passada, a Totvs anunciou a compra da Bematech por US$ 158 milhões e com isto terminou um ciclo da trajetória de uma das maiores histórias de empreendedorismo do Brasil.

Aquela lenda urbana de dois alunos de pós-graduação em engenharia que orientados pelo professor decidem transformar seus trabalhos de conclusão de curso em uma startup que cresce vertiginosamente, recebe aportes de investidor anjo e depois de venture capital, rapidamente domina o seu segmento e anos depois abre o capital na bolsa de valores é o resumo da história do Google, mas também é da Bematech.

Fundada em 1990 pelos então alunos de mestrado em engenharia elétrica Marcel Malczewski e Wolney Betiol, a Bematech nasceu para fabricar impressoras para máquinas de telex. A empresa quase quebrou nos primeiros meses porque praticamente nasceu no meio do Plano Collor que confiscou o dinheiro da população e das empresas, congelou preços e salários e aumentou os preços dos serviços públicos.

Mas o maior problema da empresa não era economia caótica criada pelo então arqui-inimigo do cara pintada Lindbergh Farias. Malczewski e Betion perceberam que o telex estava perdendo terreno para equipamentos de fac-simile. Para utilizar um termo utilizado atualmente, rapidamente “pivotaram” o negócio da empresa para o mercado de automação comercial e depois bancária, pois conseguiram atender o Banco Bamerindus, que também ficava em Curitiba, sede da empresa. Sim… o tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa para os sabem a diferença entre um telex e um fax e que tiveram o dinheiro confiscado e/ou pintaram a cara em 1992.

Pouco menos depois de cinco anos desde a sua fundação, a Bematech já estava faturando US$ 5 milhões. Em dez anos, o faturamento pulou para US$ 34,5 milhões. Cinco anos à frente, a receita total pula para US$ 60 milhões e no ano seguinte, para US$ 88 milhões para em seguida, atingir US$ 150 milhões.

Sob vários aspectos, a Bematech é um grande caso de sucesso de empreendedorismo inovador genuinamente brasileiro. Todos os que sonham em empreender grandes negócios no país deveriam aprender com a sua trajetória.

Mas são raros os empreendedores brasileiros que conhecem esta empresa curitibana. Menor ainda é número que saberia falar alguma coisa do Marcel Malczewski e Wolney Betiol. E por esta razão, talvez apenas uma dezena de empreendedores brasileiros soubesse explicar como dois jovens estudantes de pós-graduação de engenharia juntam seus TCCs para criar o Google, uma empresa avaliada em cerca de US$ 400 bilhões e porque este valor é duas mil e quinhentas vez maior do que o pago pela Totvs pela Bematech.

A trajetória da Bematech é repleta de ensinamentos sobre o empreendedorismo moderno, inovador e global sobre como empreender no Brasil do Collor ao Brasil da Dilma.

Entender o passado talvez não aumente o número de acertos no futuro, mas deveria evitar, pelo menos, os mesmos erros cometidos.

Marcelo Nakagawa é diretor de empreendedorismo da FIAP e professor do Insper

Não quero ser gourmet!

20 de agosto de 2015

Steve Klein/Dolce&Gabbana

Não gosto de modismos. E não gosto da maquiagem ‘gourmet’ que muitos produtos receberam (ou se autodenominaram), desde bem antes disso virar febre.

Por isso, minha empresa não é e não quer ser gourmet!

Porque mesmo antes do bendito ‘raio’ incinerar a gastronomia brasileira, a palavra já havia perdido sua conotação bacana, de apreciação dos prazeres da boa mesa, para se tornar um distintivo pedante e elitista.

Depois de virar moda no Brasil, o gourmet não apenas banalizou-se, como embestou-se ainda mais. E ganhou uma nova conotação ainda menos apetitosa, como sinônimo de comida-bebida-doce-café-ou-o-que-quer-que-seja CARO.

E caro não necessariamente pela qualidade superior, mas pelas firulas de falso valor a sua volta.

E se tem uma coisa que sempre evitei e combati na minha empresa são fricotes desnecessários que possam encarecer nossa comida.

Cuidamos de escolher ingredientes naturais e saudáveis, fazemos trabalho artesanal, vendemos produtos frescos, gostamos de ter nossas lojas charmosas e divertidas, e vamos além:

- Optamos por embalagens biodegradáveis desde sempre,

- Mantemos um relacionamento de respeito e transparência com funcionários

- Selecionamos os melhores fornecedores, não apenas pela qualidade do produto, mas pelas pessoas que o fazem acontecer

- Temos sacolas ecológicas desde muito antes de isso virar lei

- Fazemos investimento constante em treinamento

- Emitimos nota fiscal de toda venda, pagamos todos os impostos

- E tantas outras coisas que passam despercebidas ao olhar externo, pois consideramos que não seja nada mais que nossa obrigação natural.

Tudo isso aumenta nossos custos de forma considerável. Mas por mais que isso pudesse ser pretexto para ‘gourmetizar’, mantemos distância dessa expressão e do que ela representa, porque fazemos questão de cobrar apenas o preço justo, e nada mais do que isso.

Não cobramos a mais porque somos bacanas, ou porque somos saborosos, ou porque nossas atendentes são simpáticas.

Na minha empresa quero que prevaleça a autenticidade, a qualidade e o sabor. O resto, é pra quem gosta mais de posar do que de comer. E preferimos ficar fora desse raio.

Ivan Primo Bornes, do Pastificio Primo, é fã de Leonardo da Vinci e sua máxima “a simplicidade é o último grau de sofisticação”

 

A gente não consegue mais nem dar conta dos e-mails

19 de agosto de 2015

Será que sou só eu ou tem mais alguém que não está conseguindo ler e responder todos os emails que recebe no dia? E não estou incluindo os spams. Em um piscar de olhos, o telefone da sua mesa toca, seu gerente regional de manda um WhatsApp urgente, a internet cai, sua avó liga no celular para saber como você está, o consultor precisa receber as projeções para os próximos seis meses até o meio dia, seu sócio quer discutir aquele contrato, três mensagens no Facebook chegaram, na recepção um fornecedor acaba de chegar para tentar apresentar seus serviços. Mais oito emails chegaram nesse fragmento de tempo.

De repente você se dá conta: preciso correr pra almoçar e levar o filho para escola. Mas e os e-mails? No caminho penso: li e respondi? Ou só li? Será que eu li? Chega ser engraçado se começarmos imaginar que um e-mail antigamente era uma simples carta. Queria voltar no tempo para poder desfrutar do ritual de leitura. A sensação pelo menos era clara que o tempo passava mais devagar naquele tempo.

E Einstein estava certo com a Teoria da Relatividade. O tempo é relativo a quantidade de correspondências que você tem para ler e responder.  Quando olho meu inbox com 1.245 mensagens não lidas faz me sentir no quadro do Xou da Xuxa, que no fim dos anos 80 a apresentadora fazia a leitura das cartas ao final de seus programas sentada em uma pilha enorme com centenas de milhares delas.

É só dar um Google que você encontra imagem disso se não acreditar em mim. Se todos os emails virassem cartas, eu seria a Xuxa. Aposto com vocês meu time de botões do Quinze de Jaú que em mais alguns anos alguma dessas escolas de quinta categoria vai inovar e lançar o curso técnico especialista em selecionar, ler, encaminhar e responder emails. E sabe como será esse curso? Por e-mail. Piadas a parte mas há decisões que não podemos voltar atrás. “Ficou por fazer” talvez seja hit do momento. E eu ainda estou tentando apresentar como dançar essa música.

Leo Spigariol, da De Cabrón, escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor