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Empreender no Brasil: Como fazer o certo também dá certo mesmo em um país incerto

29 de maio de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Elas tentaram ser normais. Fizeram uma boa faculdade de administração e conseguiram bons empregos em boas empresas. Mariana Penazzo trabalhou um ano em um dos melhores bancos de investimentos do país, entretanto não se encontrou ali. Outros sete meses em uma consultoria tributária e partiu. Mais um ano e meio em uma empresa aérea para ter certeza de que ela não nasceu para ficar em um cubículo. Sua amiga de faculdade, Barbara Almeida até que aguentou mais tempo quieta em um mesmo emprego. Mas depois de cinco anos trabalhando (muito) para os outros decidiu se que era para trabalhar tanto, que pelo menos fosse para si própria.

Naquele momento, Mariana já tinha pedido demissão e começado um negócio em casa, fazendo docinhos para vender. Já tinha deixado de ser normal, pois ter feito uma faculdade de negócios de primeira linha e largar um emprego muito bem remunerado para ficar misturando farinha, ovos e açúcar na cozinha de casa para ganhar uns trocados que equivalia apenas ao valor do seu vale-refeição dos tempos de grande empresa, era algo difícil para os mais próximos entenderem. O rompante de loucura durou pouco e ela desistiu do negócio, mas não abandonou o sonho de empreender um negócio próprio.

Para empreender direito desta vez, elas sabiam que deveriam fazer muito bem o dever de casa para saber o que era certo fazer. E assim fizeram:

- Sócias complementares: Mesmo tendo feito o mesmo curso e a mesma faculdade, elas tinham perfis complementares de gestão. Uma era mais estratégica, analítica e financeira. A outra, mão-na-massa, operacional, vendedora.

- A melhor ideia de negócio: começaram a se reunir periodicamente para identificar e analisar oportunidades. Até que, meio por acaso, veio a ideia de alugar vestidos. Barbara tinha vários e, de vez em quando, Mariana emprestava um. Por que não aluga-los?

- Modelo de negócio já demonstrado: Aluguel de vestidos já era um negócio tradicional, mas alugar itens de estilistas famosos e ainda via internet era algo inédito no Brasil, mas elas descobriram que já havia iniciativas muito bem sucedidas na Inglaterra e Estados Unidos.

- Validação intensiva da ideia e modelo de negócio: Conversaram muito com potenciais clientes, parceiros, fornecedores, consultores, professores, mentores e especialistas de diversas áreas até terem certeza absoluta do que era o certo a fazer.

- Aproveitamento de todos os feedbacks, principalmente os negativos: A cada objeção que recebiam, pensavam em uma ou mais soluções.

- Planejamento detalhado de cada fase: Elaboraram um plano de negócio com mais de 60 páginas com um cuidado minucioso do planejamento financeiro.

- Profissionais desde o início (em cada detalhe): Como vendiam mais do que estilo, mas segurança investiram muito para os clientes, fornecedores e parceiros também tivessem esta mesma percepção. O site, desde a primeira versão, parecia extremamente profissional. O showroom para o atendimento presencial era bem localizado. E o atendimento sempre foi bem treinado.

- Aproveitamento da rede de relacionamento: Ambas tinham uma grande rede de relacionamento desde a época da faculdade que foi ampliada com as experiências profissionais. A rede foi acionada para atrair os primeiros clientes e parceiros.

- Atração do investidor correto: Tendo feito corretamente todos os passos, o primeiro investimento, de R$ 1 milhão, veio em poucos meses. Mas tiveram a capacidade de mapear os investidores e escolher um que mais poderia contribuir para o crescimento acelerado em função do seu conhecimento do mercado de moda no Brasil.

- Crescimento acelerado: Os trinta e poucos vestidos no início viram trezentos e agora três mil. Sabem que o modelo de negócio é copiável e daí a certeza de se consolidarem pela variedade e qualidade no atendimento.

Mariana e Barbara, fundadoras da Dress & Go, o maior site de aluguel de vestidos do Brasil, não só fizeram as coisas certas, elas repetiram um dos maiores ensinamentos de Coco Chanel, para quem o sucesso é frequentemente atingido por aqueles que sabem que o fracasso é evitável.

Mais do que um único foco

27 de maio de 2015

“É fundamental ter foco”. Esta frase é frequentemente dita e ouvida por empreendedores. Muitas pessoas, quando começam a empreender, querem logo criar mil projetos diferentes, mas esbarram nesta ‘máxima’ de que é preciso focar em uma coisa só. Essa afirmação é verdadeira em partes. Ao mesmo tempo em que é importante ter foco, é fundamental manter os olhos e a mente abertos para novas oportunidades que surgem no meio do caminho.

Se levada ao pé da letra, a frase pode impedir o surgimento de novos produtos e acaba limitando a criatividade e a inovação. Sabendo disso, fui buscar uma empresa que possua milhares de produtos e ainda assim consiga administrá-los. Ano passado tive a oportunidade de visitar a sede da 3M, em Minnesota. A 3M é uma companhia de tecnologia global e diversificada, fundada em 1902 nos Estados Unidos. Hoje, ela possui cerca de 80 mil produtos que estão presentes em quase 200 países e faturamento anual de US$ 30 bilhões.

Esses números só foram possíveis de serem alcançados porque a empresa usou a tecnologia e inovação a seu favor para criar uma estrutura que permite esta gama enorme de produtos e porque sua cultura permite que os funcionários criem e desenvolvam coisas novas. Embora sejam milhares de produtos, eles se dividem em cinco mercados: Mercado Consumidor, Eletrônicos e Energia, Saúde, Industrial e Segurança e Gráficos.

Além disso, a empresa também possui uma tabela periódica das tecnologias da 3M, mais precisamente com 46 tecnologias. Ou seja, são essas 46 tecnologias diferentes que dão origem aos 80 mil produtos da empresa. A partir de uma tecnologia, eles criam uma infinidade de processos e, dessa forma, conseguem inovar utilizando o que já existe. A cultura da 3M também é um fator determinante.

A empresa permite que seus funcionários levem adiante um projeto que aparentemente, ou inicialmente, seria considerado errado. Ou seja, a pessoa é livre para criar coisas diferentes e seguir com um projeto que não era o foco inicial. Graças a essa cultura vários produtos surgiram, entre eles o Post-it.

Uma frase que resume bem a filosofia da empresa e que está estampada em sua porta é simples e objetiva: “Contrate bons funcionários e deixe-os em paz”. Além de fazer questão de investir nos seus colaboradores e oferecer a eles um ambiente propício para a criatividade, a norte-americana 3M nos mostra o quanto é possível inovar usando tecnologias já existentes e como não vale a pena nos acomodar em um só projeto quando outras possibilidade existem.

Impressão 3D: vem uma nova revolução por aí. E ela vai afetar TODOS os segmentos

25 de maio de 2015

Marcelo Pimenta (@menta90) é professor de inovação na ESPM escreve às segundas no Estadão PME. Saiba mais curtindo www.facebook.com/menta90

Algumas tecnologias chegam para mudar radicalmente o mundo. A lista é imensa. A imprensa, a eletricidade, a eletrônica, a internet… O parafuso, a camisinha, o cartão de crédito…  As tecnologias transformam o comportamento das pessoas diante do que elas vinham fazendo até o momento. Na minha humilde opinião, nada vai afetar de tantas maneiras os negócios, nos próximos anos, como a tecnologia de impressão 3D. Ela atinge todos os segmentos de negócio:  a moda, a medicina, a alimentação, a engenharia …

O vídeo da Shapeways, site americano onde você encontra como fazer tudo quiser em 3D, mostra  o resultado da soma da criatividade com a impressão 3D. (Clique na imagem para ver o vídeo)

Se você acha que estou exagerando veja a foto abaixo, da coleção criada em parceria com a marca fashion United Nude com a 3D Systems por ocasião da semana de moda de Milão 2015.  Os calçados impressionaram, e você pode ver outros modelos aqui.

A questão principal é que a impressão 3D reinventa toda a cadeia de suprimento. Um calçado feminino (digamos, de couro) começa com a preparação da matéria-prima na fazenda, passa para o processamento no curtume, vai para a fábrica onde encontra o modelo planejado pelo designer. Aí é cortar, costurar, colar, embalar e colocar no estoque, para em seguida ser transportado e vendido em alguma loja para uma feliz compradora (que poderá ter um problema de não ter mais espaço no armário por acumular tantos modelos).

Com a impressão 3D o fluxo seria bem diferente – o designer cria o modelo,  coloca num site para download ou venda de modelos – como por exemplo o site http://archive3d.net/.  A usuária baixa e imprime em casa ou no “birô de impressão 3d mais próximo”.  O calçado poderá ter até algum toque de exclusividade. Não é de se admirar se, quando enjoar do calçado, ela puder “reaproveitar” o material, imprimindo outro modelo – evitando assim de ficar com o armário cheio de peças que não usa mais.

Se isso realmente acontecer, e ao que me parece está no caminho de se tornar real, qual será o futuro da fábrica de calçados? E o da armazenagem e transporte dos estoques? E a loja? E o vendedor?

A marca francesa L´Oreal já está usando pele impressa pela startup Organovo para fazer seus testes de cosméticos,  a informação foi revelada essa semana pelo periódico espanhol El País.

E não pense que essa tecnologia é sinônimo de algo inacessível e caro. Em Togo, na África, existe um projeto que cria impressoras a partir de sucata. Confira aqui.

Portanto, vale refletir como você e sua empresa podem aproveitar para surfar nessa nova onda – pois a impressão 3D  estará mais perto de todos nós muito antes do que se imagina.

Na próxima semana, vamos continuar com esse assunto, vendo as oportunidades da impressão 3D nos negócios.

A mágica dos empreendedores bem sucedidos está nos processos

22 de maio de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

É difícil observar as obras de Dustin Yellin sem se surpreender. Quanto mais se vê, mais se quer olhar. Quanto mais próximo, mais os detalhes extasiam. Seja de longe ou de muito perto, suas esculturas são extraordinárias. E, invariavelmente, vem o questionamento: Como ele consegue fazer isto? O vídeo NYCB Art Series Presents: Dustin Yellin não só apresenta o artista como também o seu processo.

Depois que entende como ele faz a mágica, a admiração pelo seu trabalho continua, mas pode surgir outro questionamento: Será que não consigo fazer algo usando o processo? Mesmo que seja algo bem simples como uma maçã usando pétalas de rosa e algumas de suas folhas? Sim, é bem provável que consiga. Talvez não fique tão magnífico no começo, mas se continuar treinando, as melhorias aparecerão e, algum momento, terá orgulho da sua criação.

Esta é uma lição que vários empreendedores lendários aprenderam instintivamente ao valorizarem não só a criatividade, mas o processo que dá escala a sua capacidade inovadora.

Henry Ford só teve sucesso a partir do processo de produção em série. Antes disso, produzia modelos de forma individual e quase artesanal. Mas por mais que isto tenha ocorrido há mais de um século, muitos empreendedores ainda hoje penam porque ainda não descobriram uma solução escalável para seus negócios.

Walt Disney aproveitou as lições de Ford no que diz respeito ao processo de produção em escala. Os Estúdios Disney eram planejados como fábricas de desenhos e se tornaram imbatíveis em filmes animados justamente por isso. Mas Disney foi além: criou e aperfeiçoou processos de criação de experiências inspiradoras em sua Disneyland. Para os sonhos dos visitantes se tornarem realidade, ele se tornou obcecado por processos de criação de experiências, um conceito que não era bem entendido em 1955 quando o parque foi inaugurado e que, infelizmente, ainda não é compreendido por diversos empreendedores e negócios atualmente.

Steve Jobs valorizava o processo de produção em série, pois entendia que os produtos da Apple deveriam ser percebidos quase como eletrodomésticos e também tinha um conhecimento preciso no que dizia respeito aos processos de criação de experiências inspiradoras. Mas Jobs avançou e desenvolveu processos de desenvolvimento de inovações disruptivas que praticamente reinventaram o conceito de inovação. Por mais que muitas empresas tenham sido hábeis em copiar muito bem as inovações lideradas por Jobs, praticamente nenhuma conseguiu criar tantas disrupções próprias.

E Howard Schultz, empreendedor da Starbucks, foi mais adiante. A partir de um profundo conhecimento de processos de produção, criação de experiências e de inovação conseguiu transformar algo ordinário como uma cafeteria em algo extraordinário com suas mais de 20 mil lojas ao redor do mundo, sendo sete delas só na região da Avenida Paulista.

Se aprendeu como o processo Dustin Yellin é conduzido e entendeu que conseguirá fazer algo usando a técnica, mesmo que forma bem rudimentar, também pode usar o mesmo processo com outros artistas como Ford, Jobs e Schultz. E não se acanhe. O próprio Yellin diz que seu trabalho é inspirado em outros artistas.

Assim, se quiser empreender, aposte na sua criatividade. Mas se quiser crescer, valorize os processos!

Comunidade como uma marca

19 de maio de 2015

Na semana passada falamos sobre a Red Bull e seu marketing de experiência. Hoje vamos falar sobre outra empresa, dessa vez brasileira, que também  é adepta de projetos e ideias que causem boas sensações aos seus clientes. A FARM, marca feminina de roupas, criada em 1997 no Rio de Janeiro, tem muito forte em seu DNA a ideia de criar cenários que permitem experiências sensoriais e emocionais aos seus clientes.

Embora o significado de seu nome seja fazenda, a essência carioca da rede de lojas remete aos clientes a ideia de praia, flores, leveza, cores e estampas. Considerada uma das primeiras marcas de moda jovem do Rio, a FARM surgiu em uma feira no Rio de Janeiro, que reunia marcas alternativas. O pequeno espaço, de quatro metros quadrados, foi o pontapé inicial da empresa que começou com um investimento de R$1.200,00 e que hoje possui mais de 40 lojas em todo o país, cerca de 300 pontos de venda multimarcas e um canal importante de e-commerce.

Outra característica que chama a atenção é a maneira como a empresa lida com seu público-alvo através do meio online. Sabendo que grande parcela de seus clientes são mulheres jovens, adeptas das redes sociais e muito próximas das novas tecnologias, a empresa criou um blog chamado Adoro!, tem grande interação nas redes sociais (com milhões de seguidores) e, inclusive, foi a primeira marca de roupas brasileira a lançar um aplicativo para o iPhone. O intuito, além de criar uma maior proximidade entre empresa e clientes, é criar uma comunidade FARM. Mais do que vender roupas, eles se propõem a vender um conceito e o “estilo de vida FARM”.

Para a empresa, a principal missão é emocionar as pessoas, trabalhando com os desejos e as vontades dos clientes.

Analisar o case da marca e entender melhor como a FARM foi estruturada e como ela opera, nos faz refletir sobre o conceito de comunidade e em como aplicar isso para as demais empresas, de outros setores e em outras realidades. Ter seus clientes engajados é uma maneira forte de ampliar o público e saber usar uma comunidade ampla, mas sem perder a essência do negócio, pode ser uma boa estratégia para sua empresa crescer, principalmente para as que lidam diretamente com os consumidores.

Seu negócio é sustentável? Mesmo?

18 de maio de 2015

Marcelo Pimenta (menta90) é professor da ESPM, fundador do Laboratorium e é um incentivador da sustentabilidade dos negócios. www.twitter.com/menta90

O termo sustentabilidade foi incorporado ao mundo dos negócios de diferentes maneiras.

Acho válido destacar alguns aspectos desse conceito, no intuito de que você reflita sobre o quão sustentável seu negócio é, pode ou poderia vir a ser.

O termo ‘sustentabilidade’ foi incorporado aos negócios primeiramente numa visão ambiental. Questões como a poluição, o uso irracional e/ou excessivo dos recursos naturais como a água e as florestas e a necessidade de evitar desperdício. O meio ambiente foi o primeiro ponto de vista que chamou a atenção das empresas – e algumas delas começaram a se preocupar com o impacto que estavam gerando na natureza. A verdade é que essa não foi uma prioridade da grande maioria delas – motivo pelo qual se convive com a poluição dos rios, a crise hídrica, o desmatamento (que continua crescente), os lixões, a falta de tratamento adequado aos esgotos… Mas, de qualquer maneira, é preciso “agir localmente e pensar globalmente”. Vale se perguntar: seu negócio está impactando o meio ambiente? Se sim, está desenvolvendo ações para minimizar esse impacto? O descarte dos dejetos está sendo feito corretamente? Têm sido pensadas soluções mais eficazes e eficientes na relação da empresa com o meio ambiente?

Um segundo aspecto é quando a sustentabilidade pode ser considerada sinônimo de perpetuidade. Ou seja, passou-se a admitir que é preciso se renovar continuamente para se perpetuar, para se sustentar no mercado, diante de mudanças contínuas e cada vez mais velozes na economia, na sociedade, na cultura e no comportamento. Nesse caso, a reflexão seria – seu negócio vem se renovando? Há um processo de inovação claro e definido? Qual foi a última vez que você incorporou uma nova tecnologia, incrementou algum processo, inovou em produtos e serviços? Seus sócios e colaboradores são incentivados e encontram um ambiente adequado para inovar?

Um terceiro aspecto do termo diz respeito às suas relações com todas as partes envolvidas – os stakeholders. Não só com clientes, colaboradores e acionistas, mas também parceiros, fornecedores e principalmente, com a comunidade. Avalie: essas relações estão sólidas, positivas e baseadas no princípio do “ganha/ganha”? Sua proposição de valor é relevante para a comunidade? Poderia ser mais relevante? Não poderia estar aí um diferencial? As relações são baseadas no respeito e na transparência?

Por fim, quero destacar um dos aspectos mais positivos da sustentabilidade para os negócios, que é seu entendimento como oportunidade da economia verde. Ou seja, negócios advindos dessa nova “onda” de comprometimento ambiental, social e econômico, fruto dos fatores anteriores e que ganha força a partir da intersecção com a economia criativa e de um novo mercado consumidor (crescente) que vem dando preferência a produtos e serviços “socialmente responsáveis ”. Esses negócios podem ter várias vertentes, vou citar apenas três exemplos (e preferi alguns nacionais para mostrar o que se está fazendo aqui).

- Descarte correto – caso de destaque que vem do estado do Amazonas, transformando o lixo tecnológico em matéria prima para educação, empreendedorismo e inclusão digital.

- Gatos de rua – idealizado pelo designer Beto Kelner, a partir da reciclagem de materiais são criados objetos de decoração, jóias, luminárias – com inclusão social de jovens.
Peças de design do projeto Gatos de Rua que usa materiais reciclados e ainda oferece formação profissional de artesãos

- Seivabrasilis – projeto ainda em fase experimental para automação da tecnologia de irrigação, reduzindo custos tanto com água quanto com energia elétrica.

Para encerrar, convido para uma última reflexão sobre o tema a partir do trecho de artigo de Oded Grajew, publicado no site do instituto Ethos, que contrapõe o que é sustentável com o que é insustentável:

Esgotar recursos naturais não é sustentável. Reciclar e evitar desperdícios são sustentáveis. Corrupção é insustentável. Ética é sustentável. Violência é insustentável. Paz é sustentável.

Desigualdade é insustentável. Justiça social é sustentável. Baixos indicadores educacionais são insustentáveis. Educação de qualidade para todos é sustentável.

Ditadura e autoritarismo são insustentáveis. Democracia é sustentável.

Trabalho escravo e desemprego são insustentáveis. Trabalho decente para todos é sustentável.

Poluição é insustentável. Ar e águas limpos são sustentáveis. Encher as cidades de carros é insustentável. Transporte coletivo e de bicicletas é sustentável.

Solidariedade é sustentável. Individualismo é insustentável.

Cidade comandada pela especulação imobiliária é insustentável. Cidade planejada para que cada habitante tenha moradia digna, trabalho, serviços e equipamentos públicos por perto é sustentável.

Sociedade que maltrata crianças, idosos e deficientes não é sustentável. Sociedade que cuida de todos é sustentável.

Evidências e dados científicos mostram que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável, ameaçando inclusive a própria sobrevivência da espécie humana.”

Espero que tenha feito você pensar sobre a sustentabilidade, identificando principalmente oportunidades a partir dela. Pode ser muito bom para o planeta – e melhor ainda para sua empresa. Boa semana!

 

 

Livre do câncer, Bruce Dickinson mostra como nunca o que gosta de fazer: empreender

15 de maio de 2015

A maioria de nós entende o conceito da seguinte frase: ‘Ele sente prazer em trabalhar’. Ou sua variação: ‘O trabalho é um prazer, não é obrigação’. Em algum momento, todo mundo já escutou essa frase. Mas é difícil materializar esse conceito nos dias de hoje onde temos obrigação de estudar, estudar, estudar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, enriquecer, enriquecer, enriquecer…e não conseguir gastar.

Mas de vez em quando a vida nos apresenta uma materialização perfeita do conceito. Foi exatamente o que aconteceu hoje. Por meio de sua página oficial no Facebook, a banda de rock pesado Iron Maiden anunciou que seu vocalista, Bruce Dickinson, está livre do câncer que o acometeu recentemente.

O comunicado apresenta algumas frases atribuídas ao artista. Ele agradece ao corpo médico ‘fantástico’ que cuidou de sua saúde. Diz que o período foi difícil para ele e a família e diz que sua atitude positiva em relação ao mundo o ajudou a superar a doença. Mas a frase que me chamou a atenção foi a última: ‘Neste exato momento, eu me sinto extremamente motivado e não posso esperar para voltar aos negócios como sempre, assim que possível’.

Perceberam? Talvez no momento mais significativo, mais importante, de sua vida, Bruce lembra dos negócios. Não apenas da banda que ele ajudou a transformar em uma das mais importantes de seu tempo, mas da cerveja que já se tornou famosa no mundo e de todos os outros empreendimentos que transformaram o Iron Maiden em uma empresa de sucesso.

É por isso que a banda de Bruce continua tendo fãs. E não apenas clientes.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

Dez negócios desconhecidos no Brasil para inspirar novos empreendedores

15 de maio de 2015

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper

Vai empreender ou já está liderando o seu negócio próprio? Não se acanhe em se inspirar em outros negócios. Grandes empreendedores fizeram ou fazem isto o tempo todo. Henry Ford se inspirou no processo que viu no frigorífico do seu amigo Gustavus Swift para criar sua famosa linha de produção. Phil Knight, co-fundador da Nike, guiou-se pelos calçados fabricados pela Adidas e quando criou sua primeira linha de roupas, foi buscar inspiração da Jantzen, pioneira na fabricação de maiôs nos Estados Unidos e na White Stag, marca de referência em roupas de esportes de inverno na época. Steve Jobs constantemente buscava padrões observados nos automóveis da Porshe, nos eletrodomésticos da Braun, na sofisticação da Sony e na simplicidade da Polaroid. Howard Schultz trouxe referências da própria Nike e da Apple, mas também pesquisou a logística da Zara e o design popular da Ikea para recriar a experiência das cafeterias Starbucks.

Buscar inspiração nas grandes referências em suas categorias é uma atividade que não só sofistica a criatividade do empreendedor como também permite a criação de novos conceitos de negócios. Contudo também há outros exemplos bem menos conhecidos que podem inspirar os que estão realmente comprometidos com a criação e desenvolvimento de negócios inspiradores.

Se estiver empreendendo na área de educação, por exemplo, conhecer os negócios que estão sendo investidos pelo fundo de investimento NewSchools é uma obrigação. Vai se encantar com dezenas de novas soluções educacionais inovadoras. Mas também conheça a tradicional Thames & Kosmos.  Lembra-se daqueles kits de ciências para crianças? Se bateu uma saudade, vai ficar um bom tempo olhando a longa lista de opções que a empresa oferece. Mas mesmo que não atue em educação, será que o seu negócio não precisa transmitir conhecimentos para clientes, fornecedores, colaboradores ou parceiros?

Se atuar em negócio que implique no uso e/ou produção de produtos químicos, deveria conhecer a Method. Fundada por um químico e um designer, a empresa cria produtos de limpeza que são lindos e totalmente sustentáveis. E mesmo que não atue com nada químico, ainda assim, deveria entender como Dam Lowry e Eric Ryan conseguiram deixar algo tão chato como limpar a casa em uma experiência um pouco mais prazerosa e inspiradora.

Mas se atuar no mercado da moda, conhecer Yvon Chouinard e a Patagonia é ter acesso a uma lição de vida e de empreendedorismo de impacto. A empresa produz roupas esportivas de alta qualidade a partir de material reciclado e algodão orgânico, cobra bem mais caro do que seus concorrentes, tem uma legião de clientes apóstolos, cresce em faturamento anualmente (mesmo avisando que as pessoas não precisam de tanta roupa assim), é uma das melhores empresas para se trabalhar nos Estados Unidos e ainda entra na categoria de melhores ambientes profissionais para mamães. É tanta verdade que parece mentira.

E se o seu negócio for algo bem tradicional e com tecnologia quase ultrapassada, estudar a corajosa reviravolta liderada por Ray Anderson na sua empresa, fabricante de carpetes, a Interface, pode ser uma boa dose de inspiração. Fundada em 1973, apenas em 1994, Anderson se deu conta do enorme impacto negativo que o seu negócio causava ao meio ambiente. A partir deste ano, investiu cada recurso que tinha em desenvolver produtos 100% recicláveis com material 100% reciclado.

Se pensa ou já produz alimentos, conhecer a Honest Tea pode ser interessante. A partir de um estudo de caso da Coca-Cola versus Pepsi na escola de negócios da Universidade de Yale, o professor Barry Nalebuff e seu aluno Seth Goldman, se deram conta do que estavam bebendo. Só de açúcar, cada latinha tem pelo menos três colheres de sopa cheias. Decidiram criar uma linha de bebidas que chamaram de honestas por serem mais saudáveis. Na mesma linha da honestidade, a atriz Jessica Alba ficou preocupada com a quantidade de químicos potencialmente tóxicos que iam nos produtos que estava usando em sua filha recém-nascida. Era o plástico da mamadeira, o tecido sintético da fralda descartável, os shampoos, protetores solares, pasta de dente. Pode até ser preocupação excessiva das mães, mas ela não ficou parada. Decidiu criar a Honest para fabricar produtos mais naturais e seguros. Fundada em 2011, a empresa vale mais de US$ 1 bilhão atualmente.

Agora, se pensa em abrir algo no ramo de alimentação fora do lar como uma lanchonete ou um food truck, abrir um Pret a Manger no Brasil é o sonho dos empreendedores mais atualizados. Originalmente fundado na Inglaterra, o Pret tem feito muito sucesso nos Estados Unidos por ter se tornado referência em alimentação rápida, saudável e para “ser levada”. Mais do que uma simples opção de “grab & go”,  a empresa mantém um sério compromisso em “fazer a coisa certa” no que diz respeito em atuar de forma saudável e sustentável.

Mas o ramo de alimentação pode ter vários outros produtos e visitar uma loja da Whole Foods Market é um parque de diversões para quem busca inspiração em inovação, atendimento, experiência do consumidor, igualdade de gênero e sustentabilidade.

Ainda há muitos que sonham em criar o seu próprio negócio de comércio eletrônico. A Amazon é uma das primeiras referências que vem à cabeça. Mas a Better World Books é uma nano concorrente que tromba de frente com o gigante do e-commerce. Ela não quer apenas vender livros, mas tornar o mundo melhor por meio da leitura. Isto começa com a seleção dos livros que vende. E para cada livro vendido, doa outro para pessoas ou comunidades carentes. A doação de livros está próxima dos 17 milhões desde a fundação da empresa em 2002. Mas a livraria também recolhe livros usados em mais de duas mil faculdades e três mil livrarias nos Estados Unidos. O que tem uso é doado e o que não tem, é reciclado. E mesmo tendo todo este trabalho, a empresa é lucrativa.

Em todos estes exemplos menos conhecidos havia e ainda há uma única crença: É possível fazer melhor! E esta é a melhor e a maior inspiração para quem quer fazer diferente e fazer a diferença.

 

Uma análise: o McDonald´s sofre a maldição do seu próprio sucesso

13 de maio de 2015

As notícias a respeito do McDonald´s não deixam – infelizmente para a empresa – de ser negativas. A mais recente foi a divulgação do prejuízo da Arcos Dorados. A maior franqueada de restaurantes da marca no mundo registrou prejuízo líquido de US$ 28,2 milhões no primeiro trimestre deste ano – a perda já havia sido de US$ 20,6 milhões em igual período do ano anterior.

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Que o McDonald´s perdeu um  pouco de seu encanto, todo mundo sabe. Os apelos da cadeia de restaurantes, antes exaltados pelo consumidor, passaram em boa parte a serem rejeitados. Mas para além disso, o que o pequeno empreendedor pode aprender da crise pela qual passa uma das empresas mais importantes do mundo? Para tentar responder a essa pergunta, o Blog do Empreendedor pediu auxílio para um especialista, o professor em empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa. Acompanhe os principais trechos da análise a seguir – o professor respondeu a duas perguntas básicas:

1) O que você tira pessoalmente da crise do McDonald´s?

Algumas marcas sofrem ou sofreram a maldição do seu próprio sucesso pois viraram referência de categoria de produto. Aconteceu com a Crocs (sapatos), Mappin (magazines) ou Gol (aviação de baixo custo). O que era uma grande vantagem se torna uma brecha no modelo de negócio já que os produtos da Crocs duram muito (e reduz recompra), as lojas do Mappin eram enormes e caras e a Gol não conseguiu manter o baixo custo e baixo preço. No caso do McDonald’s, a empresa virou sinônimo de comida rápida padronizada (algo muito bom) mas com níveis calóricos muito altos, algo que passou a ser muito criticado.

O modelo de negócio, muito baseado em aluguéis, também entrou em colapso em muitos países em que já que o mercado imobiliário também se deteriorou. O sucesso se torna uma maldição quando a empresa não muda o seu modelo de negócio, sua proposta de valor e a experiência do cliente de acordo com as novas tendências de mercado.  A Whirlpool conseguiu se livrar do lema “Isto é uma Brastemp” já que ter qualidade não é mais uma vantagem competitiva e apostou tudo em inovação e experiência inspiradora para o cliente. Mais do que cegar, o sucesso pode tornar uma empresa acomodada. E ficar parado em um mundo que tudo muda muito rapidamente é ficar para trás.

2) Se pudessem arriscar, qual a estratégia que o McDonald´s deve adotar para voltar a crescer?

A empresa precisa rejuvenescer a marca, torná-la mais atraente para a nova geração mais preocupada com a saúde e, principalmente, sobre o que pensam dela. O Whole Foods, mesmo sendo uma grande referência em alimentação saudável, anunciou que está pensando em novas propostas. Mais do que uma decisão corajosa é uma aposta visionária pois deixa os concorrentes para trás quando concorrentes como Walmart e Target tentam oferecer mais produtos naturais e orgânicos.

Outro desafio é melhorar a eficiência operacional como a Burger King vem fazendo sob a nova gestão 3G. Ao longo dos anos, vários operadores locais assumiram a gestão do negócio e isto criou diversas ineficiência de gestão.

Por fim, a empresa precisa resgatar o legado de Dick e Mac McDonald, os empreendedores iniciais que criaram o conceito de alimentação rápida sempre visando o bom atendimento aos seus clientes da pequena cidade de San Bernardino, Califórnia.

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e Marcelo Nakagawa escreve, toda sexta-feira, no Blog do Empreendedor.

Errar é humano. Mas a correção é questão de bom senso

13 de maio de 2015

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor

Fico impressionado com a falta de comprometimento de muitos fornecedores e prestadores de serviços. Falta de comprometimento, não; falta de bom senso. Acho que as estruturas comerciais enrijecem as relações humanas de uma forma tão robótica que o bom senso vira artigo de luxo. E, frequentemente, nos deparamos com situações que beiram o extremo, tanto para o positivo quanto para o negativo.

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Ontem, por exemplo, presenciei uma longa discussão ao telefone em que uma conhecida empresa de banners e estruturas modulares de balcões se isentava da responsabilidade de seu produto ter chegado ao destino com avaria. Detalhe: o material tinha sido enviado por uma transportadora escolhida por ele. Chegou ao ponto do fabricante dizer que o cliente poderia ter feito a avaria de propósito. A miopia é tão grande que a responsável comercial, que nos atende, não conseguia – ou não queria – entender que aquele material seria usado em um evento no final de semana.

Então não há lógica na tal “sabotagem” feita pelo cliente. Mas, sem nos adentrarmos nas questões legais que podem derivar de um caso desse, a questão do bom senso é algo que vem sendo perdida, esquecida em algum lugar do passado distante, infelizmente.

Lembro-me de uma de minhas experiências mais positivas no mundo empresarial e que marcou minha vida profissional. Certa vez, fui jantar no Dui, restaurante da chef Bel Coelho, e, como era de praxe, serviço impecável e a comida fantástica. Ao fim, no momento de pagar a conta, o sistema de cartões acabara de sair do ar. Prontamente a gerente veio até a mesa e me disse: “Fique tranquilo, senhor. O problema é nosso. Então sinta-se à vontade em voltar quando for melhor para acertar a conta”. Viva o bom senso! Voltei dois dias depois para acertar o devido e aproveitar para almoçar.

E por aqui o bom senso também é a melhor forma de tomar uma decisão, quando há uma situação crítica. Ontem uma cliente fez uma compra online em nossa loja e, por um problema de digitação, uma informações sobre a conta de depósito estava errada. Não deu outra: a cliente ficou vinte minutos na fila do banco e não conseguiu efetuar o pagamento. E, sem a menor dúvida, enviaremos seu pedido sem custo algum, como uma forma de desculpas pelo ocorrido. Afinal, o tempo de nosso cliente e bom senso não tem preço.